DESVENDADO O SEGREDO DO SUCESSO DO PRESIDENTE LULA
(Lula 2002)
Existe alguma outra frase que possa expressar com tamanha clareza a natureza do nosso sistema político? Desse covil que ainda tem o poder de nos surpreender, de nos indignar? José Sarney, presidente do Senado, tenta nos fazer esquecer seus antigos pecados utilizando-se, para isso, e a cada dia, pecados novos. Quando estamos nos esquecendo das proezas de algum de seus filhos, aparece sua neta para nos lembrar que ainda estamos muito distantes da idéia de sermos um país sério.
O país acostumou-se a viver num eterno escândalo. Políticos são vistos pela sociedade como seres desprezíveis, desnecessários mesmo. Todos eles. De qualquer partido. Menos um! Sim, um deles resiste bravamente. Justamente o principal político do Brasil: seu presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Lula será analisado pela História como o político que mais traiu seus eleitores, mais frustrou as esperanças de seu povo. No entanto, no presente, sai imune a todos estes escândalos e alcança altos índices de aprovação. Qual seu segredo?
Da mesma maneira com que Basil Hallward pintou o retrato de Dorian Gray, no romance de Oscar Wilde, Lula foi pintado pela Imprensa, na realidade brasileira. Lula e seu PT surgiram como o novo, os donos absolutos da verdade, da ética, da pureza. Ele estava acima de qualquer análise, de qualquer crítica. Não era como um de nós, que trazemos em nosso interior tanto o Céu como o Inferno. Lula era o oprimido que assumiria o poder e transformaria a política nacional. Como faria isso? Não importava. Ele representava a beleza do sonho em que o operário chega ao poder. E, como sabemos, a beleza não necessita de explicações.
Como Dorian Gray percebeu que seus excessos e seus vícios não afetavam sua aparência – pois se mantinha sempre belo, enquanto era seu retrato que adquiria as imperfeições resultantes de noites sem dormir, de bebedeiras, de toda sorte de perversões – seguiu sua vida certo de que assim seria eternamente. O mesmo ocorre com Lula: como todos os escândalos de corrupção, de “mensalão”, de caixa-dois que marcaram seu governo não afetavam sua popularidade, Lula sentiu-se livre para todo tipo de “acordo” com todo e qualquer tipo de gente. Hoje vemos nosso operário-presidente abraçado hora com Ahmadinejad, hora com Collor, hora com Sarney, com Renan Calheiros…
Não há limites para Lula, como não houve para Dorian Gray. O retrato para Dorian, assim como a Imprensa para Lula, impede que a cada pecado cometido haja em seguida o respectivo castigo. E no castigo há a purificação. Como não há castigo, Lula segue em sua trajetória de autodestruição.
Mas, então, qual a verdadeira face de Lula? Quem representa a imagem do retrato que envelhece e se deteriora?
Enquanto oposição, os feios e estúpidos do PT eram imbatíveis. Não queriam nem saber. Na dúvida, detonavam qualquer figura política que não lhes fosse simpática. E hoje, no governo, o que faz o PT?
É o Partido dos Trabalhadores quem sofre os desgastes das depravações ideológicas de Lula. Na verdade, Lula já destruiu o PT. Olhem nas fisionomias do Mercadante, do Suplicy, daqueles que abandonaram o partido fundando o PSOL ou seguindo para o PSTU. São seres apáticos, envergonhados, constrangidos. Olhem a UNE, transformada em chapa-branca. Olhem os sindicatos, hoje bajuladores e dependentes do governo. Lula não acabou apenas com o PT, acabou com toda a esquerda, de maneira geral.
Pois é! Assim como um artista, a Imprensa tem o poder de fabricar seus ídolos. Criaram um Lula acima do Bem e do Mal. Lula tem hoje o poder de salvar ou destruir a reputação de quem quer que seja. No passado destruiu a reputação de muitos. No presente salva políticos que mereceriam estar nas páginas policiais, não nas de Política. Mas será que salva mesmo? Será que Sarney, por exemplo, está sendo salvo? Ou Sarney terá o mesmo destino do PT?
O Partido dos Trabalhadores é o verdadeiro retrato do Lula. O PT ficou a cara do Sarney! E o Brasil ficou a cara do Maranhão!
E a imprensa?
Basil Hallward, apesar de considerar o retrato de Dorian Gray sua mais bela obra, nunca o expôs. Dizia que o retrato tinha muito de si mesmo. Lula, esse semideus criado pela Imprensa, também tem muito dela. Cuidado, B(r)asil! Dorian vai lhe enfiar uma faca na cabeça!
(Lula 2009)
Obs: O Vampiro de Curitiba é leitor e colaborador do Blog do Gerald
Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes, mas não impede o auto-retrato de Rembrandt.
Atriz alega que teve a honra atingida; colunista vê censura e diz que decisão tolhe liberdade de expressão.
Zurich - Saí correndo de Amsterdam. Depois de sete dias, sendo empurrado pela população e espremido nas ruelas e quase jogado nos canais, resolvi que essa foi minha trigésima e última vez na cidade holandesa. E como a ópera que estou produzindo é aqui, voltei correndo pra cá, só pra me deparar com esse ABSURDO, que leio na Folha! Ah, mas antes, preciso relatar algo.
Rembrandt, que sempre foi meu preferido (ao lado de Duchamp e Rauschemberg e Bacon – períodos diferentes, óbvio), me tocou dessa vez de uma forma muitíssimo peculiar.
Muitíssimo peculiar. Tive uma espécie de tontura, vertigem, quando peguei o bonde numero cinco e parei na porta do museu e subi pro segundo andar. Lá no cantinho, quase escondido, estava esse auto-retrato, que ele pintou aos seus 55 anos de idade:
Eu estou com 55 anos agora e… e o quê? Jamais achei que iria chegar a essa idade. Jamais achei que pudesse olhar no olho vivo desse quadro e dizer “caramba, estamos aqui, você e eu, em épocas diferentes – ele em 1633 e eu em 2009, mas ambos com a mesma idade”. Ele, um total gênio. Gênio dos gênios, da Ronda Noturna, da Dissecação do Cadáver. Aquele que meu mestre Ivan Serpa e meus pais me fizeram gostar. Não, não forçadamente, já que a paixão foi instantânea. E cá estava eu, como sempre estive desse lado do quadro, mudo, estarrecido e pasmo, já que não sou um personagem de Lewis Carroll.
Saí de Amsterdam meio atordoado. Também, com tanto cheiro de maconha no ar, quem não sairia? E tanta comida ruim: ah, descobri: só tem comida pra larica. Pizza, fries com maionese, mais pizza, uns indonésios fast food… muito Mac Donalds e Burger King (mais que em qualquer outra cidade que já vi!!).
Esse auto-retrato, mais que qualquer outro, me levou a um estado de emoção que poucas coisas em arte me levam. Pina Bausch me levava. Kazuo Ono e Sankai Juku me levam. E o levo comigo porque ele representa a grande quebra do homem que se olha no espelho na época logo após os descobrimentos e se pinta dentro de sua simplicidade sem ter que se “vestir”. Quem é de teatro sabe o que é “se vestir”. Retrato era coisa para realeza. Rembrandt começou a pintar o dia a dia das pessoas e de si mesmo. Foi o Tchecov da pintura, só que 300 anos antes de Tchecov. Dá um frio na espinha.
Pessoas que levam suas próprias imagens nas camisetas, como Jane Fonda, por exemplo:
Não sei que doença é essa. Ego? Nostalgia?
Mas a pior delas todas está aqui embaixo. Sim, porque ela demonstra total ignorância a respeito do veículo para o qual trabalha e não tem um pingo de humor a respeito dela mesma. Leiam:
“O juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, determinou que o colunista José Simão, da Folha, se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, sob pena de multa de R$ 10 mil por nota veiculada nos meios de comunicação. A atriz moveu duas ações de indenização, uma contra o jornal e outra contra o colunista. Ela alega que Simão “vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família”.Anteriormente, a atriz havia ajuizado ação só contra a Folha na 4ª Vara Cível do Rio de Janeiro, mas não obteve a medida liminar.” (e blá blá blá…)
A (sei lá se ela é atriz… pelo jeito não é!) censora, está com seus mecanismos de defesa em alta. Ah, entendi, ela não gosta que notem que sua bunda é grande, segundo esse relato.
Continuando… “do “colunista” sobre a “poupança” da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável””.
Meu santo Deus! Que ridículo! Atrizes do mundo inteiro estão fazendo um tremendo esforço para SAÍREM de si mesmas. Adotam crianças em países, digamos assim, em estado de guerra. Tentam ser ativistas políticas da melhor forma possível. E essa aí…?
“É coisa medieval”, afirmou. As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz Capanema de Souza “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.
Bem, Juliana Paes. Um dia, talvez bem mais próximo que você imagina, você estará virando um outro quadro de Rembrandt. Esse ai embaixo!
Afinal, atores ou não, artistas ou não: somos produtos PERECÍVEIS.
New York- Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS. O endosso de Obama, portanto, passa a ser “a coisa”. Fico um pouco com pena de uma nação tão rica, tão linda, mas tão insegura, que ainda precisa de endossos, seja lá de quem for, mesmo que seja do mais lindo Obama.
Já aqui, quando Obama esteve na França, logo após Londres (G20) e Sarkozy disse para ele “Je t’aime, man!”, com o “man” vindo da gíria pop, mas oriunda da slang negra americana, o presidente orelhudo francês foi o maior alvo de chacotas da imprensa americana. Bem, Obama não precisa mais de endosso retórico. Ele agora precisa derrubar os conservadores Republicanos no Congresso.
Brasileiro se impressiona muitíssimo com “palavras, palavras, palavras”, aquelas que Shakespeare colocou na boca de Hamlet. Hamlet, aquele que não ia para a ação por causa de tanta palavra. Às vezes me vejo amando o Brasil, mas o vejo numa situação hamletiana. Não indo nunca para a ação. CPIs que nunca dão em nada… Nada que nunca prova nada e tudo num estado de falso encantamento por si mesmo que é suprido por “palavras”. Bem, tudo bem. Monto minhas peças ou óperas aqui em NY ou pelo mundo e as palavras também me encantam, às vezes justamente pela negação que representam.
Bo, THE DOG
Mas imagino se Portugal agora está ou não numa situação de delírio nacional. Por quê? Afinal, BO, o cão da família real Obama, é português! Se os periódicos portugueses forem tão ufanistas quanto os brasileiros, imagino que na capa do O Publico ou do Expresso ou do Diário de Noticias deve estar estampado assim: “PORTUGAL REINA DENTRO DA CASABRANCA”, ou mesmo “Lisboa toma conta de Washington”. Ou até “O IMPÉRIO PORTUGUÊS CONQUISTA E DERRUBA OS EUA COM UM MERO CÃOZINHO: ESTA É A FORÇA PORTUGUESA”
Lula não falou nada no G20 de importância. Não entrou na reunião (de portas fechadas) daqueles que resolveram problemas. “Hey, you’re my man”, disse Obama a Lula, numa confraternizaçãozinha. Mas como Lula não sabe falar inglês, não houve nenhuma resposta. Uma possível resposta: “Yes, you’re my womantoo!” Lindo. Lindinhos! Imagine que Obama deva ter dito coisas semelhantes ao presidente da Ucrânia, da Jeranonia, da Cracalonia e do Cerimonial. Em Elsinore, o Castelo dinamarquês onde Hamlet vive seu pesadelo, as palavras paralisam a ação! E nós, espectadores, somos paralisados pelas palavras dos protagonistas.
Lindo. No final, tudo é silêncio e todos aplaudem de boca aberta e queixo caído, queijo nas mãos, como se lideres políticos fossem heróis, mentirosos atores que são!
Os artistas também se elogiam uns aos outros. Caetano diz que Chico Buarque “é o Cara” (em outras palavras, claro). Harold Pinter elogiava Beckett (de quem sugava tudo) e os pintores abstratos expressionistas da década de 50 se defendiam uns dos outros e não uns aos outros. Dessa forma, o mundo cria pequenos grupos, como G20, como o G220, como o G2220, ou como o Expresso 2222, que se auto-protegem ou auto Protógenes. Indignados com a estagnação ou com a auto-consciência do que está por vir (o mistério do envelhecimento), o Protógenes Sofoclógenes Platógenes criou um monstro Freudológenes que não aponta mais para o futuro e sim para o passado. Estamos em plena era da revisitação. Notaram? Estamos correndoatrás do tempo perdido, correndo dos erros dos bancos e do sistema. Qual sistema? Do imaginário das palavras. Estamos correndo atrás de uma depressão econômica.
Ah, menos em Portugal, onde o cão ainda é um puppy de seis meses, presente do Senador Ted Kennedy, e aquele país de velhos envelhecidos finalmente poderá levar seus poucos jovens para as ruas do Bairro Alto, ou de Alcântara ou de Alfama e berrar: O MUNDO é LOSER, quer dizer, o MUNDO É LUSO!
“Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando.” (Gerald Thomas, “O Cão Que Insultava Mulheres – Kepler, the Dog”)
Hoje, dia 23 de Janeiro de 2009, completamos oito meses de Blog aqui no Portal IG. Pouco? O suficiente para tirarmos algumas conclusões. A primeira delas, e também a mais expressiva, é a insana reação de grande parte dos leitores. Exemplifico: No texto “O Recalque do Brasileiro” percebemos a fúria dos leitores aos lerem um texto - sim, bastante crítico, mas sincero, honesto - em que Gerald “fala” um pouco sobre o caráter de alguns nativos ressentidos. Resultado: centenas de comentários ofensivos. Pouco tempo depois Gerald escreve “Carta à Mileny” observando a vitória de Obama, da democracia, da esperança. Qual a reação dos leitores, daqueles ressentidos raivosos? Reagiram com surpresa, óbvio. Até com certa admiração. “Afinal esse mostro yanque tem um pouco de coração.” Julgam com a maior naturalidade pessoas que mal conhecem. Se apressam em estereotipar quem quer que seja pela cartilha ideológica: “Este é do Bem, aquele do Mal!”
A relevância deste assunto se dá pelo fato deste caso não ser exclusivo dos leitores deste Blog, pelo contrário: A discussão domina as páginas de blogs, de jornais, da Imprensa como um todo. Em outras palavras, e resumindo com ligeireza, a questão que é posta é a seguinte: Quem está torcendo contra (contra qualquer coisa) e quem torce a favor (do Bem, do Brasil, da pátria, dos oprimidos, etc., etc… ou, em uma palavra: do Governo Lula).
Nem tudo é o que parece! Vocês já descobriram quem é o nosso Harry Potter?
Não é o caso, aqui, em entrar nas profundezas da “coisa em sí” e no seu “fenômeno” Kantiano. Mas jogar um pouco de luz nesta caverna platônica é necessário. Desvendar as coisas, as pessoas, enfim, o Mundo sem a visão deturpada pelo véu de Maia, importado da cultura indiana por Schopenhauer, é sempre útil.
O importante disso tudo é saber identificar o que faz pessoas julgarem outras sem ao menos conhecer minimamente como esta pessoa pensa, faz, como age. Muitos leitores julgaram Gerald Thomas como “sionista” por textos criticando a violência do Hamas, por exemplo. Sabem eles sobre o ocorrido em Porto Alegre recentemente? Óbvio que não! Se Gerald criticou o terrorismo ele é “imperialista”, “direitista”. Ponto final. Isto já basta para julgarem seu caráter. Enquanto outros por aí passam por bonzinhos vendendo a alma ao senso comum, nós somos processados por judeus e odiados por árabes. Mas somos livres!
O ponto principal desta novela toda é a tal da “intenção”. Aqueles que pensam, que criticam, que divergem são os maus. Aqueles que abaixam a cabeça, que concordam, que elogiam são os mocinhos. Eles têm, afinal, a boa intenção. Humm… sei… sei… Mas vem cá, cretino: E qual é a intenção do jornalismo chapa-branca? Quem melhora o Brasil de fato: aquele que concorda, ou finge concordar, com a tese da “marolinha” de Lula ou aquele que analisa os fatos sobriamente e emite uma opinião realista sobre a crise?
E nós, do Blog do Gerald, somos pautados por quem? Nós não somos pautados, nós causamos! Enquanto vocês discutiam sobre John Lennon e Paul McCartney, nós estávamos curtindo Rolling Stones! Afinal, o lema do IG é “O Mundo é de quem faz” ou “O Mundo é de quem não faz, mas tem bom coração”? Ou melhor (ou pior, dependendo do posto de vista), “O Mundo é de quem puxa o saco de quem faz”?
É, amigo leitor, nem tudo é o que parece ser. Enquanto vamos descobrindo quem são os mocinhos e quem são os demônios, fique com ”Simpathy for the devil”, Rolling Stones:
Se o Obama fala com o Berlusconi, mas não fala com o Lula, pensem:
A América chama “América” por causa do Américo Vespúcio. Ah, sim, quase ia esquecendo o Colombo! E, óbvio, a Itália fala “Euros”. Razões históricas são históricas! Raízes, descobrimentos, sorry: com gaffe e tudo, o “tycoon” da TV, e primeiro ministro da Itália, ainda comanda suas rédeas!
Lula vai ficar na fila, tsc, tsc!
Nunca vi ou li uma semana com tanta BESTEIRA escrita na imprensa mundial (exceto na dos EUA e na inglesa ou alemã!!!). “Superstar” disso e daquilo.
Superstar? Obama é formado em Ciências Políticas pela Columbia University e em DIREITO pela Harvard. E os analfabetos do mundo ou editores diletantes querem lhe dar “conselhos” de “como governar”. Por que será? Para que o mundo continue essa mesma merda em que se encontra? Alguma “political agenda” escondida por trás, seus espertinhos?
Quando um dos fundadores de um dos portais online me falou, no meu próprio apartamento, no Brooklyn (1996), que “em poucos anos não teremos mais jornais”, eu não acreditei. Agora rezo para que seja verdade. Pompa besta! Rezo para que esses escrotos da imprensa (quase toda ela marrom) sumam, desapareçam!
Quem sabe o público não migra logo pros blogs e esquece esses jornais, bem como seus pomposos editores e seus arrogantes opinadores?
Mudando e não mudando de assunto, olhem, ao fim do texto, o que um self made man consegue nos transmitir. Não, não falo de Obama, e sim de Steve Jobs, com legendas em português! Assistam só essa entrevista EMOCIONANTE.
Quando ele fala de “RITO de PASSAGEM”, morte, sucesso, fracasso, aproveitar esse momento (o “agora”)… e não aceitar conselhos de ninguém, muito menos seguir DOGMAS.
Não que com os blogs seja muito diferente da imprensa. Não que alguns blogs não sejam pura propaganda ideológica ou desculpa para descarregar dogma. Mas aqui berramos e não se paga a polpa da pompa! A pompa é descartável e a interação (pelo menos isso) é maior. Com direito DIRETO de resposta!
Pena que George Carlin, o comediante mais áspero dos últimos tempos, não tenha sobrevivido à essa eleição para ESCULHAMBAR esse besteirol de pompa que anda solta pelo mundo: todos querem DAR CONSELHOS A BARACK OBAMA.
O homem ainda nem sentou no Oval Office e os senhores edirores já lhe dão conselhos! Ora bolas, quem são vocês?????
Se alguém acha que pode aconselhá-lo, acho melhor sentar debaixo do Minhocão e conversar com os sem-tetos de Sampa!
George Carlin falava muito da falcatrua que dominava a mídia. Não entenderam? Então não me expressei bem. Falcatrua no sentido do pacto-corporativo-orgiástico-governamental-religioso: Sim, falcatrua no sentido orgiástico: a “orgia falcatruada” (falsa, encenada): trepar sem orgasmos, trepar para as câmeras, assim como o famoso beijo da novela, o beijo do cinema!
Editor de jornal deve pensar assim. Carlin estaria acabando com eles.
Querem saber? O público ria de nervoso do humor antipatriótico e agnóstico de Carlin.
Ser “do contra” faz bem a saúde. Não há duvidas. Mas dar conselhos, dá náusea. Carlin torcia a favor mas esculhambava, era áspero. Mas, isso, depois que o homem já tivesse completado 100 dias na Casa Branca, uma espécie de tradição americana. Ou como Cristóvão Colombo talvez dissesse e Vespucio talvez colocasse em seu caderno: “em 100 dias de Oval Office, O Presidente Obama está começando a limpar o lixo deixado por oito anos da administração anterior e, como Professor de Ciências Políticas e História da Lei, encontrou um velho testamento com uma pintura deixada numa das gavetas das galerias da West Wing… ela parecia um ovo colocado em pé.
Um ovo, um novo mundo. O meu ovo, meu novo mundo.”
Cristóvão Colombo.
Gerald Thomas
(Vamp, na edição)
PS: O vídeo com Steve Jobs está em duas partes, a segunda aparecerá automaticamente ao final da primeira, na janela a baixo.
Ai, ai… Se eu ainda bebesse, juro que pediria um Drurys. Que dureza, viu?! Seria tão mais fácil seguir o rebanho, seguir essa corrente-pra-frente e cantar as maravilhas desse Brasil varonil. Elogiar os nossos governantes, agradecer esse povão que vem aqui arrotar sua cafonice explícita, com seu linguajar chulo, seu mau gosto deslumbrado. E ainda receber uns trocados do Governo para isso. Mas, definitivamente, não é esse o meu estilo.
Quando do início do Blog, Gerald Thomas exigiu que não houvesse qualquer tipo de censura aos comentários, nenhum controle, nenhuma restrição, que as pessoas se manifestassem com total liberdade. Pensei comigo mesmo: “Coitado do Gerald, acha que está lidando com dinamarqueses, com noruegueses, suecos. Não conhece as delicadezas de nossos selvagens tupiniquins.” Pois bem: até entendo a manifestação raivosa contra o post que falava de Gilberto Gil. Afinal, Gil é do Governo, é popular, negro, revolucionou a cultura da Banânia difundindo a… capoeira! Como sabemos, é pecado falar em Governo, em quem é popular, negro, e quer salvar a cultura nacional ensinando capoeira às nossas crianças. O que me surpreendeu foi o descontrole dessa gente com relação ao último post, sobre a Amy Winehouse: Gerald não escreveu uma linha sequer, citando, mesmo que de passagem, alguma instituição da Banânia. Não se referiu a nenhum brasileiro, nada! A reação, por incrível que pareça, foi a mesma: “Elitista, arrogante, preconceituoso! Como ousa, esse branquelo, nos ignorar dessa maneira? Estamos aqui, exibindo nossas feridas, mostrando nossos pés inchados, nossas úlceras. Se esse cabeludo não quer nos dar uma esmola, que ao menos nos demonstre alguma compaixão.”
Tadinhos, estão carentes. Não suportam mais a mesmice politicamente-correta dos blogues dos companheiros. Querem vir aqui, em busca de atenção, de um contato com pessoas diferentes de suas laias. Quando se enfurecem com críticas ao analfabetismo de seus governantes, é por sentirem-se atingidos, por se reconhecerem naquelas metáforas pobres, naquelas idéias toscas. Mas não gostam de ouvir críticas que venham “de fora”. Eles têm o direito até de se matarem mutuamente. Literalmente, como no caso de Santo André e Campinas, ou politicamente, como no caso do Ministro que quer acabar com a lei de Anistia com o objetivo porco de atingir Ministros de seu próprio Governo que tiveram passados de seqüestradores, assaltantes de bancos e terroristas. Entre eles, não há meio que não seja justificável por algum fim.
Pois bem! Querem um blog democrático, onde todos possam se expressar livremente? Então, é o seguinte: Terão que aprender também a ouvir. Aqui tem os dois lados, não é só vir buscar o bolsa-esmola, tem de trabalhar também, vagabundos! Ou pensam que por estarem nos governos, nas faculdades, nos sindicatos, todos têm de rezar por suas cartilhas? Coitados, leram algumas páginas de Marx e Gramsci, mas não sacam nada de Foucault! O Vamp vai jogar um pouco de luz nessas trevas ideológicas: O poder não é algo que possa ser conquistado, simplesmente, ao se tomar o Estado. Não, não existe “um poder” que se conquista juntamente com aparelhos de Estado. Os poderes periféricos e moleculares se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social. Quem tem poder é quem cria valores. E os valores que estão sendo criados neste exato momento são os valores do Individualismo, da meritocracia, da liberdade de pensamento e expressão, enfim, tudo aquilo que vocês mais abominam.
Putz!, devo ter estragado o dia de muita gente, he, he… Agora que descobriram que Papai Noel não existe, vão entrar em depressão profunda, tadinhos… Vamos combinar assim: Cada um na sua! Nós fazemos o nosso papel, escrevemos sobre o que bem entendermos. Vocês continuam lambendo as botas dos seus líderes e recebendo como prêmio aquele sanduba de mortadela pago pelo partido. Cada um na sua? Lembrei daquele funk, verdadeira obra-prima da cultura popular. O Gilberto Gil deve amá-la:
Estranho! Aprendi perspectiva com… Não! Esquece. Não era sobre isso que eu queria escrever. Era sobre a morte da minha mãe. Vai fazer dois anos. E, por um acaso incrível, ando pelas ruas de Londres. Não, ninguém consegue explicar.
Ah, sim: uma amiga muito querida me mandou um e-mail dizendo que um colunista carioca havia escrito a respeito de mim e de Sergio Britto, com ironia bem humorada e cáustica ao mesmo tempo, lembrando os bons tempos do “teatro de polêmica”.
Ontem saiu um artigo meu na “Ilustrada” sobre a retrospectiva de Duchamp. Talvez eu publique aqui no Blog. Mas é que a crítica era, de certa forma, uma remontagem de um artigo que eu já havia publicado aqui nesse espaço.
ESTÃO MATANDO A AMY WINEHOUSE
E não irão desistir antes que consigam! A imprensa precisa de cadáveres. Principalmente essa imprensa daqui, a britânica, que se nutre de corpos mortos: coisas de madness of King George ou Henry V ou Richard III ou Mary Stuart, Queen of Scotts.
Se na América a imprensa persegue a Jolie e o Pitt e querem saber dos filhos e tal, aqui é sex, drugs e rock and roll. E nunca foi diferente: não falo somente dos tablóides: estou emigrando para o Telegraph, para o Guardian e para debates no Old Vic e seminários que querem, absolutamente QUEREM, que AMY WINEHOUSE morra para que seja idolatrada como mártir de uma geração perdida. Mais uma causa perdida. Mas perdida por que e para quem?
Eis uma bela questão, não é mesmo, Hamlet?
Se Janis Joplin, Hendrix e Jim Morrison morreram todos lá, em torno dos seus 27 anos, eles certamente não eram uns “Rebels Without a Cause”. Suas rebeldias vinham junto com a contracultura dos anos em que se lutava com o tal “paz e amor” e flores na cabeça (e injeções enfiadas no braço), berrando slogans contra o Vietnam, seguindo os dizeres de Abbey Hoffman ou Jerry Rubin – todos mortos, um por atropelamento, outro por câncer, tudo peixe morto: MEET THE NEW BOSS. Same as the old BOSS!!
Enquanto Pete Townsend, do “The Who”, já pegava o cabo de sua guitarra e metia o pau em Hoffman por ter chamado os integrantes desse grupo… Chega, não vou voltar no túnel do tempo!
Não tenho tempo: Amy Winehouse e a causa dos tempos perdidos, e os rebeldes sem causa, e a fragilidade dessa menina judia com um yiddish PAPA que a salva, e sua auto-estima, e… Onde quero chegar:
Todos amam uma decadência: todos AMAM ver a Judy Garland caindo aos pedaços ou a Ângela Ro Ro fazendo escândalos, a Vera Fisher enfiando a faca na empregada ou a Maysa se embriagando ou o João Gilberto enfiado no quarto do Gramercy Park Hotel por meses a fio ou o Miles Davis.
Fato é que, olhando uma celebridade consumindo drogas, a sociedade (principalmente essa daqui, a britânica, pra onde Rosencrantz e Guildernsteen trouxeram o Príncipe da Dinamarca porque aqui era, OFICIALMENTE, a terra dos loucos (e, ao que se conta, a Rainha Elizabeth I, ao ver e ouvir isso na platéia do Globe, morreu de rir), se sente livre pra deitar e rolar.
Pausa pra um intervalo autobiográfico: eu era motorista de ambulância aqui, no Royal Free Hospital: foi uma curta, mas válida experiência. Como não deu muito certo, acabei tendo que “recolher junkies” em Piccadilly Circus Station (lá em baixo, na estação de metrô), onde existiam verdadeiras famílias que esperavam “score” uns trocados: eram carne e osso, dentes pra fora, os braços todos fudidos, roxos de picadas – porque a Boot’s, farmácia 24 hs. (daquela época, inicio dos 70), lhes davam, em última instância, uma injetada de metadona.
Nossa função: recolher esses esqueletos e levá-los para Crystal Palace Recovery Center. E para quê? Só para vê-los lá. Na noite seguinte, os mesmo junkies, as exatas mesmas pessoas! Escapavam da clínica durante o dia e conseguiam voltar para o Central London, para o Inferno.
Enfim: Amy, a heroína, sem metáforas!
Cito Jenny McCartney do Sunday Telegraph: “No momento em que a política de guerra é declarada – seja ela qual for- já está fadada a falhar”. E assim é com a guerra contra as drogas. Está mais ou menos estimado que, entre 1996 e 2005, a polícia inglesa apreendeu somente 12 por cento da heroína e 9 por cento da cocaína que foram importadas para dentro dessa ilha.
E mais eu não posso dizer. Por quê? Porque senão acabo boiando no rio mais literalmente limpo do mundo, o Thames – que, modesta parte, meu tio Joachin Sievers ajudou a limpar. Ou no Tietê, um rio extraordinariamente LIMPÍSSIMO! Tão limpo que você consegue ver a espuma do sabão e do shampoo boiando nele!
Amy Winehouse está morrendo a cada dia através da imprensa! A cada dia, parece um sopro de sobrevida! Mas quanto a essa sociedade movida a “gentlemen’s clubs” e que ainda divide meninos de meninas em muitas boarding schools e…
Pára, Gerald! Senão…
Afinal você retorna ao lar, não é? Seja grato e bata palmas duas vezes no Café Rouge, uma vez no Café Blanche e……
FIQUE QUIETO!!!! Aqui na Inglaterra, a sociedade não te condena! Ao contrário do Príncipe da Dinamarca, ela sai, SIM, das palavras e vai para a ação! Só que atrás de portas e janelas muito bem lacradas!
Gerald Thomas
(Vamp na edição)
PS 1 do Gerald: eu PRECISO publicar no corpo desse Blog o seguinte comentario. Nao sei muito bem porque, mas justamente hoje ele me pareceu ser um “tratado” a tudo que o Brasil tem de Sergio Porto. Vamos a ele:
04/08/2008 – 14:41 Enviado por: Cláudio de OliveiraÉ isso ai, até quem fim um tema para o Sr. comentar sem parecer ou ser arrogância pura. Gostei do Sr. falando de suas experiências profissionais, o sr. que se acha assim tão acima de todas as coisas, porém tive uma certeza, vc é realmente um grande bunda-mole um Datena intelectualoide. Estudou na escola do Ratinho, àqueles que berram e berram o óbvio, chamam o prefeito, o governador, o cantor o trabalhador de merda, de burro e vive disso. Por isso acha-se muito esperto, apesar das nove óperas todas de autores clássicos e neo clássicos. ui?
Somos um paizinho mesmo, onde já se viu alguém preferir Luiz Gonzaga a Wagner? Sua Suna a Beckt?
Seu problema é que não sabe chegar e sair dos lugares, jamais vai saber o que é alimentar-se de boa comida, banhar-se de sol, dar uma boa gargalhada, não sabe por que não pode, tem de ficar ai alimentando o fetiche de branquelos infelizes que sentem-se insultados com o suor dos corpos dos trópicos.
A grande dificuldade do sr. é entender por que deseja tanto ser possuido por esse povo, por que apesar de tanta superioridade o sr. perde tão nobre tempo espizinhando o povo brasileiro.
Olha branquelo, nascesse antes, seria o Diretor ideal para os espetáculo da alemanha de Hitler e foda-se se vc for judeu…