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17/06/2009 - 14:13

Crise Existencial Oriental – parte 1

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Torcida Gay do Flamengo

(Torcida Gay do Flamengo)

De um  AEROPORTO qualquer ai pelo mundo –  Gente, é o seguinte: estou num stress terrível. A torcida extremista gay do Flamengo não me deixa mais dormir. O goleiro Ahmadinejad levou um “frango”, mas está deitando e rolando na grama da corrupção e a galera está furiosa. Mas eu queria dizer que, POR FAVOR,  não descontem em gays, lésbicas ou nos gatos. Gatos, na Itália, são considerados diabólicos! Já vi gato sendo torturado na Toscana! Aqui na China gato é comida de primeira classe, mas a torcida do Flamengo preserva o gato pra…

Não sei mais o que escrevo. Estou muitíssimo perturbado. Noto que, segundo um artigo que leio online, “Relações homossexuais são quase universais no reino animal e podem ser agentes importantes de mudança evolutiva”, afirma uma dupla de pesquisadores dos EUA. No entanto, eles alertam que os zoólogos podem estar rotulando de “homossexualismo” uma série de comportamentos diferentes. O estudo, publicado hoje no periódico “Trends in Ecology and Evolution”, é uma revisão das pesquisas já feitas sobre relações homossexuais animais. Essa área ganhou grande atenção do público após 1999, quando o zoólogo Bruce Baghemil publicou o livro “Biological Exuberance”, documentando homossexualismo em mais de 400 espécies. Há milhares de exemplos na literatura. Que machos gostem de fazer sexo com machos e fêmeas com fêmeas é um enigma evolutivo. Afinal, um gene gay (ou vários genes) seria eliminado, pois à primeira vista ele não ajuda a espécie a se perpetuar. “A grande questão é como explicar qual é o sentido evolutivo”, diz César Ades, etólogo (especialista em comportamento animal) da USP (Universidade de São Paulo). Qual é, então, a vantagem da homossexualidade para os animais? Os autores do novo estudo, Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, dão um exemplo. Veja as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí. ”Essas aves se unem em casais lésbicos que às vezes duram a vida inteira para criar os filhotes, especialmente quando há escassez de machos. Até um terço dos casais da espécie são formados por fêmeas. O resultado é que elas têm mais sucesso do que fêmeas “solteiras” na criação dos filhotes. O comportamento homossexual, portanto, muda a dinâmica da população -e pode ter consequências evolutivas importantes.”

Vago pelo mundo como se fosse uma nau qualquer sem rumo. Um dia, quem sabe, voltarei a ser eu mesmo. Mas quem sou eu? Não sei.

Boa pergunta!

Fiquem felizes, vocês todos!

Um tremendo abraço!

Sim, Hollywood existe! Um dia explico tudo!

Gerald Thomas

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , ,
18/02/2009 - 15:05

O Brasil Precisa Voltar a se Enxergar

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“Cross Gender Restrooms”

 

New York – Reconhecemos que uma  sociedade é sofisticada quando ela lida com assuntos considerados “tabus” por outras. Um exemplo: Certas escolas primárias aqui já têm algo chamado “cross gender bathrooms ou restrooms”. O que vem a ser isso? Bem, isso vem a ser um banheiro, ou lugar de trocar roupa, nem para homem nem para mulher. É para aqueles que estão no meio, atrapalhados, atropelados e aprisionados em corpos que os traíram desde que nasceram. “São corpos de meninos, mas cabeças de meninas e vice- versa”. Sim, homossexualidade, mas um pouco mais complicado. Já lidando com ela desde a primeira fase da adolescência na escola, para que não levem pedrada dos colegas na hora de ir mijar ou trocar de roupa: a hora da humilhação de ter que decidir por um ícone ou outro. Aquele homenzinho estéril ou aquela mulherzinha estéril padronizada, estampada nas portas dos banheiros do mundo afora, pode ser apavorante para alguns. Geralmente aquelas figurinhas em azul.

 

Mas, enquanto não quebramos todos os tabus, tentamos lidar com alguns. Claro que os religiosos conservadores fanáticos e evangélicos (bible bashers) dos wastelands desse país afora, desde o Colorado até as Montanhas de Montana, não estão muito felizes com isso, mas, aos poucos, terão que engolir a revolução sexual que começou lá atrás, na década (qual década foi mesmo?), quando as Sufragettes se auto-flagelavam e Collette era seu expoente ou, décadas depois, quando Germaine Greer e Gloria Steinem escreviam seus manifestos e a contracultura ganhava um peso a mais que nada era Flower Power.

 

Mas por que escrevo isso?

 

Bill Clinton dava uma entrevista ontem. Longa entrevista. Não tão animado como eu imaginava. Em sua enorme biblioteca em Little Rock, Arkansas, ele falava de Hillary em sua primeira viagem como Secretária de Estado no Governo Obama. Não, não é sobre isso que quero escrever.

 

Recebo centenas de e-mails. Alguns me divertem profundamente. Alguns eu guardo para futuros estudos. Outros eu encaminho para amigos, muitos deles psicanalistas, como o João Carlos, aí no Brasil.

 

Um desses recorrentes e-mails é de alguém chamada “Lola” (como no filme “Run Lola Run”). É de uma menina alemã que conheci há uns vinte anos e que se tornou amiga, mas que hoje, infelizmente, não sabe mais distinguir um pão de um tijolo ou tijolo de areia, e escreve para amigos imaginários, já que não tem mais ninguém. O caso é meio triste. Mas, como dizemos em teatro, nenhuma tragédia é inteiramente trágica sem ser, ao mesmo tempo, cômica. E existe uma enorme verdade nisso.

 

Depois de traduzir alguns e-mails e longas cartas escritas a mão, num alemão meio gótico (como se estagnada na escuridão do pré-iluminismo), João Carlos do Espírito Santo leu tudo com atenção, e me devolveu algumas idéias interessantíssimas:

 

Medeia estéril 

“Tem mulheres que não ascendem sequer à condição de Medeia, úteros áridos e desertos que não dispõem sequer de filhos para o matricídio, são apequenadas em suas lascívias, são embrutecidas em suas toscas sexualidades, sempre na espera de que o outro as veja, as eleve, as empodere.Sim! Medeias sem filhos, sem a quem castigar, sem a quem assassinar, sem tela de projeção para as próprias  falências, para as incapacidades e as derrotas pessoais.Sem um palco, sem uma clássica tragédia para encenarem e sem expectadores, dão-se a quem em espetáculo?Mulherzinhas que se querem Cacilda, Medeias do raso cotidiano, sem serem amadas porque amargas.São Medeias que fazem do mundo representantes dos seus natimortos filhos, que assassinam ou pelo menos tentam - porque seus atos estarão sempre condenados ao fracasso - destruir tudo o que é sua antítese, não suportam a diferença. E sua antítese está na gênese, na criação, no começo, na relação, na fecundidade, na solidariedade, na alteridade, resgatada como valor, como ética.Sim, meu querido toda Medeia, toda Medeia rasa e rastejante não suporta quem inaugura, quem é marco, quem fecunda, quem move e promove a VIDA! Porque nestes gestos, nestas gestações, revela-se o NADA que são.Medeias capadas, clitóris simbólicos cortados, metafísicas lhe são impossíveis de compreensão porque acovardaram-se do necessário enfrentamento e, tendem, frustradas como são, a querer bloquear o fluxo sanguíneo que alimenta a VIDA!SIM A VIDA! É ISSO QUE ELAS NÃO SUPORTAMÉ PRECISO DIZER: A VIDA! É ISSO QUE NÃO SUPORTAM.”

 

Freud, estudante em Paris, assistindo as aulas do Professor Charcot, escreve em seu diário:  “Curioso como este homem, contrariando a medicina orgânica, se dispõe a tratar destes casos, destas mulheres que, sem nenhuma justificativa orgânica, sem nenhum problema físico não andam, não vêem, falam línguas incompreensíveis, convulsionam, se contorcem, se dão ao espetáculo. Negam a medicina e todos os estudos do corpo, da lógico-físico-química que aprendi em Viena. Que natureza é essa que se insurge contra todas as evidencias? Que corpo é esse que nega a natureza e se impõe como um enigma?”

Freud em Viena, anos depois:  Charcot tinha razão, porém a solução está na decifração da diferença entre o anatômico e o simbólico, entre o biológico e o imaginário.  

Mas o que quer uma mulher? De que desejo ela sofre? Qual  a sua queixa? Oscilam sempre entre TER e SER o Falus. A castração, de que todos sofrem. Existem homens histéricos também, levam, em alguns, a uma busca desenfreada pela reparação do que julgam ter perdido e que só o outro possui o que, por direito, acreditam ser seu, e quando chegam a isso, percebendo o equívoco e o peso de estar na posição fálica, de suportar esse peso, renunciam, gerando a constante e indefinida queixa contra a vida, sempre insatisfeitos, pois querem o que não desejam e desejam o que não querem. Precisam entender que necessidade é diferente de vontade. Não estão satisfeitos dentro de suas peles, acomodadas com os ditames de seus corpos. Os outros, para se livrarem do mesmo dilema, se sacrificam em espírito, negam o corpo e tendem a se manifestar enquanto puro espírito, mera abstração, meros rituais, dissociados de si mesmos. As minhas queridas histéricas – a quem devo minha descoberta da Psicanálise  - me dão exibição, seus corpos são para serem vistos, olhados, alvos de pena e de piedade, de atenção. Meus obsessivos negam seus corpos, sendo puramente pensamentos. 

Triste Fim. 

Continua João Carlos: 

“Começa mais um a semana de moda, mais uma Fashion Week no Rio, em São  Paulo ou em Paris. Ocupa em São Paulo o prédio da Bienal de artes que em sua ultima edição, deixou um andar inteiro vazio, ou melhor, com cinco extintores de incêndio que para muitos desavisados era a instalação de um anônimo e gastaram suas metafísicas e seus conceitos decorados posando de complexos analistas da historia da arte e da sua libertação da representação após o advento da fotografia (Susan Sontag). As passarelas montadas, a primeira fila repleta de celebridades, a musica, o conceito, a inspiração e la vamos nos.Mulheres cabides, descabeladas, desfiguradas, magérrimas, andando trôpegas, apáticas, sob as luzes dos flashes, sobre os aplausos, sob a fome negada, sob  a tirania compensada num reconhecimento patético que durara o tempo do desfile. Meninas em busca do quê?”

GT: Pois é. Pergunto-me e pergunto a todos: Em busca de quê? Lola, coitada, já deve ter cortado os pulsos em Passau, onde mora ou morava.  

No mais, ligando tudo isso ao “cross gender bathroom” e a falta de sofisticação de alguns países em relação a outros, me lembro que criticar o Brasil hoje em dia é sinônimo de anti-patriotismo, é sinônimo de Yankee go home, é a mesma coisa que o Stalinismo em seus dias mais cegos e úmbrios com as caras dele mesmo (e de Marx e de Lênin) enormes, ou a de Fidel em Cuba com aquelas bandeiras a la Rudchenko tornando uma critica construtiva numa máquina de destruição em massa: as pessoas não conseguem mais lidar com a critica. Se sentem rejeitadas. Entram em surto. Piram. Entram em pinóia. Viram uma máquina de movimentos espasmódicos e convulsivos que babam baboseiras porque sua identidade foi ameaçada.

Pergunto-me, sinceramente, se o Brasil não se tornou um país pré-Medeia. Um país (de certa forma) Medeia Estéril. Não consegue ter filhos e, quando consegue, não os mata exatamente, mas os coloca numa posição de limbo confuso, algo entre o absurdo e o a falta de vontade de vencer e ouvir. E ver! Melhor ainda, ENXERGAR!

 

Gerald Thomas

18 Fevereiro 2009

 

(Vamp na edição)

 

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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