03/06/2009 - 09:20

New York- Estou escrevendo com o coração partido e lágrimas nos olhos. O vôo da Air France levava meu amigo, o regente/maestro Silvio Barbato.
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Mas vou escrever sobre algo que me deixou extremamente feliz também: a Justiça Brasileira determinou que o menino Sean Goldman deve ficar junto ao seu pai biológico, David Goldman. Esse Blog, já há meses, embarcou na campanha www.bringseanhome.org , chegando, inclusive, a publicar o blog deles na íntegra. Minha correspondência com Mark DeAgelis (coordenador da campanha aqui em New Jersey) é freqüente, muitíssimo freqüente.
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Parabéns à justiça brasileira pela decisão!
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Ao mesmo tempo, essa notícia me pega num dia onde não consigo superar a dor: Silvio Barbato foi meu maestro na mais controversa de todas as óperas que encenei: “Tristão e Isolda”, no Municipal do Rio. Sim, aquela em que acabei mostrando a bunda porque… ah, deixa isso pra lá!
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Olha só que loucura o destino: Fazia anos que Silvio e eu não nos falávamos. Cheguei de viagem, de volta pra NY, na Sexta passada. Surge um e-mail dele: “Posso te ligar pra fazer uma entrevista com você? Em que número te ligo?” Respondi na hora e às 5 da tarde do meu horário o Silvio me ligava da Rádio Roquette-Pinto, no Rio. “Oi cara, que prazer, há quanto tempo, etc..”
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Fomos companheiríssimos desde o “Navio Fantasma”, que dirigi no Municipal do Rio, em 1987, no qual ele era assistente do maestro Eugene Cohen, do Metropolitan, aqui de NY. Anos depois, já maestro, veio o “Tristão e Isolda”. A entrevista foi, primordialmente, sobre Wagner. Richard Wagner e o anti-semitismo. E o GIGANTISMO de Wagner e quantas óperas ainda poderíamos realizar juntos, como “Parsifal”, por exemplo.
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Ele me falou que andava mais fora do Brasil do que “dentro” e falou, repedidas vezes, em Belgrado. Foi uma das conversas mais legais, inusitadas e veio com uma promessa, agora interrompida (nossa, estou aos prantos!): “Vou te visitar ai em New York, cara! Mas depois vou pra ‘minha cidade, Chicago”. Eu te perdôo, Silvio, dizia eu, hoje Chicago é sinônimo de tudo que há de bom, pois é a CIDADE OBAMA.
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Agora veio essa bomba de notícia. O Gustavo Ariani me manda um email ainda ontem à noite dizendo: “perdemos o Silvio Barbato nesse vôo”. Fiquei perplexo, paralisado diante da tela e desabei a chorar, enquanto procurava seu nome em sites, etc.
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Como pode, em pleno século XXI, um Airbus novo ser derrubado dessa forma? Sumir do mapa? Ser controlado não por homens, mas por instrumentos?
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Eu vôo muito, como vocês já perceberam. E o pior, adoro turbulência. Pra mim é como cadeira de balanço! Sinto-me como se estivesse nos braços da minha mãe sendo colocado pra ninar.
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Gente, desculpa, mas não está dando pra continuar. A perda do Silvio é enorme. Não dá pra entender mais nada. Falávamos-nos e falávamos sobre a última ARIA de Tristão, aquela cantada por Isolda, o “LIEBESTOD”, essa palavra que não canso de repetir nesse blog: é o amor através da morte, o “amormorte”, a “morteamor”.
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Silvio, meu mais querido: onde quer que você esteja, nosso coração está com você! Que merda de vida é essa, caralho???? Não dá mesmo pra entender!
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Alguém, algum dia, por favor, me explique!
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And Sean Goldman: we wish you the best life in the world next to your real father, David. And we want you to know that all of América WELCOMES YOU with open arms, kiddo!
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Gerald Thomas
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. Maestro Silvio Barbato (Fotografia enviada por Sandra Barbato, filha do maestro)
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(O Vampiro de Curitiba na edição)
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PS. do Vamp: Pessoal, o Gerald escreveu este texto ontem, na parte da tarde. Ainda não sabíamos da decisão do Supremo de manter o menino Sean aqui no Brasil…
Vai ser complicado explicar para o pai do garoto e para todos os americanos, inclusive para o presidente Obama, como funciona nossa Justiça. Esse caso se desenrola há anos, mas o Supremo precisa de MAIS tempo para julgar. Incrível!!!
Foi só elogiar a Justiça e…
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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Airbus, Belgrado, Chicago, David Goldman, Eugene Cohen, Gustavo Ariani, Liebestod, Mark DeAgelis, Navio Fantasma, Parsifal, Rádio Roquette-Pinto, Richard Wagner, Sean Goldman, Silvio Barbato, Tristão e Isolda, Vôo da Air France
12/03/2009 - 14:20

(Madoff saindo da Corte Fedral de NY)
MULHER NÃO BRINCA DE FOGUETINHO!
New York – Ontem de madrugada, conversando com Gustavo Ariani (pelo skype), falamos de tudo, como sempre falamos. Com a câmera do MacBook ligada eu fazia um tour pelo apartamento e ele tocava, no violão, uma lindíssima peça de Villa Lobos. Mas falávamos das nossas intensas indignações também, já que ele dirige a CAL no Rio. A CAL é uma escola de artes dramáticas. E, depois de uma hora de conversa, chegamos onde sempre chegamos: aos risos, aos choros, às náuseas habituais até ao caso David Goldman (que chegou ao Rio ontem), e, como sempre, tecemos longas teorias sobre por que o mundo está como o mundo está.
Não, querido leitor. Não irei entrar em detalhes. O Caso do David e Sean Goldman está “all over” nesse blog e já viramos um instrumento de defesa em sua causa.
Agora, o escândalo é mesmo esse filho da puta do Bernard Madoff. Mas se a desconstrução do nome já não diz tudo - MAD OFF, ou se seguimos a pronuncia “Made Off” (with the money, correu com a grana) - então não sei se o diabólico e a cólica não se misturam numa liquidificação da parabólica!
Ah, claro! A minha Ellen Stewart (antes que todos perguntem) está de volta ao hospital, em estado anti-crítico/super crítico, para não falar em anti-Edipo, entubada e embutida, mas dando um sorriso que faz o pavilhão inteiro do oitavo andar passar lá para pegar carona no seu carisma.
Gustavo, indignado, dizia: “que loucura essa coisa da economia mundial, colapsou!”. E eu já o interrompia. “Gustavo, pelo amor de deus, pare com economia. Ninguém aqui fala em outra coisa!” Eu chego ao cúmulo masoquista de ver o “Countdown”, programa do Keith Olberman, além de todos os outros, para me certificar again e again que o Down Jones parece mesmo aquele filme pornô da década de 60, “The Devil in Miss Jones”, PÉSSIMO!
Nós, os homens, temos a capacidade de estragar tudo. Olha esse crápula do MAD OFF. Não são mais 50 BILHÕES de dólares. Agora parece que são 65 BILHÕES. Quem sabe, amanhã ouviremos que serão 100 BILHÕES ou até mais?. É o caso mais comentado entre amigos, em cafés ou patisseries pela cidade. Sim, os homens têm uma capacidade impressionante de se destruir e de conseguir destruir o outro assim… digo, assim, sem mais nem menos: é algo… o quê? Vem de onde? Não, não sou o Clausevitz nem o Paul Virilio nem um expert nessas coisas. Mas uma frase me fica na cabeça e não sei de onde veio:
-Estou tentando me comunicar com você. Você não me ouve? Hein? Hey, hey, você mesmo! É com você que estou falando. Não consegue me ouvir? Que pena! Estou bem atrás de você, quase encostando na sua nuca, no seu ombro e você não nota a minha presença.
Lembro muito de Haroldo de Campos em muitas horas do meu dia.
Em Miami na semana retrasada, conversando com o Walter Greulach, conversávamos muito sobre os fantásticos escritores argentinos, do qual ele faz parte. Não sei porque mencionei o Haroldo. Ah sim, porque além da sua meta isso e aquilo e paixão por Joyce e Pound e tudo, era um INDIGNADO! Mas destruía e desconstruia também as línguas que falamos e digitamos, e isso é fantástico por…Por quê? Porque somos prisioneiros delas! Deles! Dos idiomas.
Sim, nos destruímos e partimos para briga. Um xinga o outro. Olhem os comentários nesse blog. Mas o Gustavo (num tom de briga e depois de dedilhar lindamente um Vila Lobos no violão), contrafobicamente me retrucou: “MAS NÃO É SOMENTE ISSO, NÃO, MEU IRMÃO! SE NÃO FOSSEM NÓS, OS HOMENS, NÃO TERÍAMOS A PARTE BOA DA VIDA”.
“Como assim, Gustavo, parte boa da vida?”
“SIM, NÃO TERÍAMOS AVANÇOS INCRÍVEIS NA TECNOLOGIA, NA MEDICINA, NA ENGENHARIA E ARQUITETURA E NA FILOSOFIA… e foi você mesmo que diz na tua peça “Kepler the Dog”: Não tem mulher compositora clássica. E, quer saber? O HOMEM NÃO TERIA IDO À LUA PORQUE MULHER NÂO BRINCA DE FOGUETINHO!!!”
Bem, diante disso tivemos ambos uma crise de riso. É, Stalin, Hitler, Napoleão, Franco, os Faraós, as Dinastias, os Imperadores, os Kaisers, sim, até Ghandi e suas sandálias eram masculinas. Judith Malina escreve sobre Erwin Piscator (um dos maiores gênios do teatro do século XX), penso: Brincamos do que brincamos porque, até certo ponto, aceitamos que a vida é um risco. RISCO ! Sem ela não teríamos a dialética ou esse balanço sobre o qual está baseado o sistema econômico! Bah e viva!
As mulheres nos colocam aqui. Nos preservam de tanta besteira que fazemos. Ao mesmo tempo nos excitam e incentivam. Às vezes, passamos pro outro lado e ficamos SÓS, digo, S.O.S.
Não há certo nem errado, não é? Grande besteira quem diss isso. Óbvio que há. Existe o Meu e o Teu certo e errado e puxamos o gatilho em nome dele! Sartre sacaneou Humbold (só um exemplo) mas nós, os supostos brincalhões da história, somos os predadores, os vomitadores que falham e falham sempre.
Talvez a resposta esteja não exatamente na promessa, mas na expectativa, e Madoff era a expectativa de TANTOS em enriquecer trocando dinheiro por… mais dinheiro.
Ah, sim, porque somos sempre acusados disso e daquilo: os próprios leitores do blog dizem “vc não sabe nada sobre a realidade brasileira e fica aí vendo a vista do East River”. Minha resposta está num dos comentários: a Vejinha Rio estreou seu número 1 com “a Vanguarda sobe o morro”: passei 3 dias na Rocinha e de lá não saí mais. Os carnavais subseqüentes que construí com eles foram… (bem, isso é para outra coluna) e as minhas subidas à Mangueira ainda quando menino, com o Helio Oiticica… ah, o Cartola lá em cima… ah… não, não vivo de nostalgia porque EU BRINCO DE FOGUETINHO E A VIDA É UM RISCO. E SÓ POR ISSO VALE A PENA. E, QUER SABER?
SE MAIS UM ENGRAÇADINHO AQUI CHAMAR O DAVID GOLDMAN DE (…) vai tomar na VAGA!
Tenham um ótimo fim de semana!
O Lula vai ter: afinal, estará nos Estados Unidos da América e deverá me ligar. Será que eu irei atender?
Gerald Thomas
PS. URGENTE: Enquanto eu escrevia a coluna, o desgraçado Madoff estava sendo algemado e levado para a prisão! Esse homem brincou demais com o seu foguetinho e seu esquema furado (Ponzi scheme é como se chama esse tipo de malandragem aqui), agora teve um final (in)feliz, depois que alguns se suicidaram e os BILHÕES continuam DESAPARECIDOS.
VEM CÁ: O homem está pra lá dos 70 anos. Se pegar 3 penas consecutivas de 50 anos, mesmo com todo o Açai e todos os anti-oxidantes como CQ-10, green tea ou Madoffberry que existem no Mercado orgânico…o que vai acontecer? Ele morre de ataque cardíaco em 3 anos e? E?
(O Vampiro de Curitiba na Edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Bernard Madoff, Caso Madoff, Caso Sean Goldman, Clausevitz, crise mundial, David Goldman, Dow Jones, Ellen Stewart, Erwin Piscator, Gustavo Ariani, Haroldo de Campo, Hitler, Joyce, Judith Malina, Keith Olberman, Kepler the dog, Madoff, Mangueira, Paul Virilio, Pound, Rocinha, Sartre, Stalin, Vejinha Rio, Villa Lobos