New York – Caramba! Com os “cartéis” dominando o mundo, acho que nós, os putos, veados e vagabundos deveríamos tentar rebatizar a globalização para “cartelização” do mundo. Leio que Andrew Cuomo, filho do maravilhoso ex-governador do Estado aqui de NY, Mario Cuomo, e agora o nosso Attorney General, diz que convenceu nove entre dez dos principais recipientes dos bônus do AIG a devolverema grana. Algo em torno de 50 milhões de dólares. Nada mal. Nove em Dez. “Nine out of ten movie stars make me cry, I’m alive” (Caetano Veloso… descendo a Portobello Road, no exílio em Londres, Notting Hill Gate…)
Enquanto isso, o cartel mexicano de drogas se estende até à cidade de Sarah Palin, Anchorage! Caramba! Mas também (pensem!) com baleias e neve ao redor não resta muito o que fazer: o sujeito deve andar que nem um zumbi atrás de qualquer tipo de droga, não é? Diferente do Rio de Janeiro, SITIADA pela POLÍCIA E PELOS BANDIDOS!!!! Por quê? Maconha, cocaína e armas! “Seja marginal, seja herói!“, aquela coisa do Helio Oiticica já era! BASTA! Aquilo era naquela época. Soava bonitinho. Era logo depois de Sartre qie havia endossado Jean Genet com Saint Genet e artistas do mundo inteiro (como Warhol, por exemplo, declaravam seu amor pelo underground [ alguns com velvet, outros nao]. O Helio ainda in love com o Cara de Cavalo. Mas agora? Olha a merda que deu! BASTA! Sério. Eles hoje olhariam tudo isso com REPUGNÂNCIA!
Sim,a cartelização do mundo! E ainda tem gente que defende a tese de que o teatro deve ser feito de “tarjas”. Mas isso é para quem ainda acha que o teatro é o “novo lugar” para ser descoberto. Nós, os veados, putos e vagabundos, que temos uma vivência um pouco mais abrangente, tentamos nos (des)preocupar com a merda que acontece no mundo, como: a China que toma conta de tudo, as pequenas guerras localizadas e que estão extraindo o pouco de ‘humano’ que ainda resta em nós, as doenças RADICAISe que não precisariam existir se todo o dinheiro do mundo fosse gasto nas coisas certas (e não em bônus para CEO corrupto, que agora devolve…vamos ver…), as pequenas guerras frias entre paises como o Irã, a merdalha entre Israel e vizinhos, a merdalha entre os próprios árabes que não se entendem, a merdalha do Afeganistão que voltou a ser um campo de papoula (imagine a polícia do Rio subindo a Ladeira dos Taba-Maha- jahras! Brigando com o Taleban).
Ah, a cartelização do mundo…
Era sobre Descartes que eu escrevia? Não, né? É sobre os escrotos mesmo. Eles não querem deixar nós, os putos e vagabundos, em paz.
PS.- Ontem foi aniversário do Blog: 10 meses de IG. E obrigado pelos quase 600 comentários do Post anterior!
Ah, não falei em flores e na grande depressão, ou melhor, na CRISE econômica: mas andando na Sexta e no Sábado pelo Village ou Soho e assistindo um ensaio do Philip Glass na City Winery (tudo lotado, sempre, tudo completamente acumulado de gente, e a Dow Jones – the Devil in Miss Jones – estourando novos índices para CIMA) começo a ter minhas dúvidas o quanto é retórica e o quanto não é “remanejamento” dos… cartéis!
Por que digo isso? Caiu aqui na data de Thanksgiving. A maior parte de nossos “serviços” como telefonia, servidor de internet e coisas assim são feitas via Índia, via Mumbai: “Hello, my name is Paul and how can I help you today?”, uma voz carregada com sotaque indiano me atende todas as vezes que tenho problemas com a Verizon DSL ou com a Time Warner Cable ou com qualquer outra questãoresolvível por telefone. Não, o nome dele não é “Paul”, coisíssima nenhuma! Deve ser “Sanjay”, e é justamente aí que começam os problemas.
O ataque horrendo aos hotéis e ao Centro Judaico e aos restaurantes de Mumbai não são os primeiros na Índia. Ano passado e em 2006 foram estações de trem e trens em movimento. Isso sem contar com a guerra contra o Paquistão, a libertação de Kashmir, um sectário contra o outro, a luta contra os colonizadores (os ingleses) e a incrível batalha para estabelecer uma identidade própria e um parlamento.
Mas ataques com essa precisão e com essa formalidade, digo, com esse tipo de alvo: QUEREMOS PESSOAS DE NACIONALIDADE AMERICANA OU INGLESA…
Bem, a Índia, assim como tantos países europeus, tem um número enorme de muçulmanos. Claro que os governos não acham uma forma clara de diálogo com eles, mas…
Mas… quem é que disse realmente quese trata de uma facção chamada “Deccan of Mujad Adeen”? Por que as agências de notícias nos dão essa informação?
Posso estar aqui dando um tiro no próprio pé, mas posso também “aventurar” um palpite:
Justamente alguns dias depois da FALÊNCIA prematura das 3 grandes fábricas da indústria automobilística em Detroit, acho que bateu fundo no coração americano a questão do OUTSOURCING.
Sim, Mumbai , e não a China, é o centro da concorrência do Outsourcing. Na Índia a segurança é fraca (na China não se entra. No país, militarizado e comunista, ninguém entra: pena de morte!)
Sim, Mumbai. Falar…. com quem falar?
Dia de Thanksgiving. Milhares de americanos desempregados e indo comer seu thanksgiving dinner em soup kitchens. O que é isso? Uma coisa linda, linda e triste. Mas tem que se viver aqui pra saber o que é.
A Índia e o Paquistão são potências NUCLEARES: estão a TRÊS minutos (eu disse TRÊS MINUTOS) de distância de apertar um botão que destruiria Nova Dehli ou Calcutta ou Puhna ou Islamabad ou…
Tudo por causa de Kashmir? Óbvio que não! Tudo por causa de um possível interesse num Afeganistão caindo aos pedaços porque a política de Bush não deu certo (a tática de derrubar o Taliban está se provando um total fracasso: forças divididas entre o Iraque, onde não deveríamos estar em primeiro lugar!).
De volta aos ataques!
Resolver o quê? Como?
O Paquistão é uma questão irresolvível. Mataram o Bhutto, o Zia era um cafajeste. Pula um, dois, o Musharaff era gillete e agora, o marido da Benazir (que todos nós tentamos amar) está lá sentado, depois de assaltar os cofres públicos e possuir as mansões/castelos mais fantásticos da Grã-Bretanha que existem. Não é lindo? E o “IRA” foi matar/explodir o Lord Mountbatten na década de 70, um dos que entediam do asssunto. Se não me engano, o homem nasceu em uma das ex-colônias. Sim, nasceu na Índia.
O PREÇO.
Esse é o preço do capitalismo? Esse é o preço que se paga?
E quem disse que os ataques param aqui?
Não, acho que não param. Esse é o preço que pagamos pelo tal “expansionismo”. Esse foi o 11 de Setembro, ou o Julho, em Londres, em 2005. A Espanha paga essse preço até hoje por uma (des)união por causa de Franco. Seja o ETA, seja a cabeça dura de alguns bascos separatistas.
Deixe os espanhóis e a Guernica pra lá!
A crise em Mumbai – terceiro dia.
- 143 mortos. E, pra quê? Para que os investidores americanos tenham MEDO de ir para lá? E os INGLESES e ALEMÃES também? Óbvio.
Foi um espetáculo horrendo escolhido a dedo para ser “tocado” na tv enquanto a classe média americana, horrorizada, dava seu Thanks e devorava seu peru recheado de coisicas. Era um espetáculo feito para ser televisionado e para que nós pensássemos!
Assim como aquilo que me traumatiza até hoje porque eu estava aqui, vendo da minha janela, os ataques que derrubaram as torres gêmeas – mas algo de estranho ainda me aflige a respeito! Inexplicável… estranho… 11 de setembro de 2001 até hoje não… Deixa pra lá!
Cinco reféns ainda estão nas mãos de não se sabe quem. E o impacto? Sei… o impacto! Talvez seja bom para a Bolsa de Valores de NY na Segunda-feira. Guerra é good business. Que horror! Terror é good business. Que horror! Pelo menos para mostrar, talvez, quem sabe, que, nesse dia de ontem, um velho e falido George W. Bushestava em seu rancho, como sempre está… telefonando para as tropas no Iraque… e para mostrar como ainda ESTAMOS SEGUROS AQUI EM CASA!
Mais explosões chacoalharam o “Nariman House”, lar dos JudeusOrthodoxos, parte doChabad Lubavitch, onde o Exército Indiano passou parte do dia lutando e matando os terroristas. Deverão matá-los todos. No final deverão dizer que são “estrangeiros” ligados a uma “nova facção disso ou daquilo”. Quem somos nós para duvidar? Quem somos nós para acreditar?
COMO SEGURANÇA CUSTA CARO!!!!
Só nos damos conta disso quando vemos o mundo em chamas ou quando descobrimos ou abrimos as portas de campos onde reina um Arbeit Mach Frei e o povo que se diz ignorante de tudo isso, abre a boca e, diante do horror e do terror, diz que não sabia o que estava acontecendo.
Agora sabemos. E sabemos em tempo real. Mas a conspiração continua tão bem escondida que pouca diferença faz quem são os jogadores/perdedores/ganhadores, uma vez que a questão do TEMPO nos mostra que, historicamente… historicamente essa coisa de atacar e lucrar e querer lucrar com a morte dos outros não é somente um crime, mas uma enorme ILUSÂO. Melhor ainda, um PESADELO. Um pesadelo entre entidades corporativas que se chama… (odeio isso) Movimentos Obsessivos e Redundantes entre Políticos, Deuses, Causas e EMPREGOS. Não há sigla para isso. Não há teatro e não há arte que acompanhe tamanha desgraça. Até o berro silencioso de Munch está aos gritos e eu aos prantos.