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18/09/2009 - 07:09

A CHINA ESPANCA SEUS INTELECTUAIS

ilustrad São Paulo, quinta-feira, 17 de setembro de 2009

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Ai! Weiwei

Importante artista e ativista da China fala à Folha sobre arte e política no país; chinês se recupera de cirurgia após apanhar da polícia

RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM (Folha de S Paulo)

O ativismo político do mais famoso artista da China foi parar nesta semana em uma sala de cirurgia na Alemanha.

Um mês após apanhar da polícia chinesa em um protesto e sofrendo dores de cabeça, Ai Weiwei, 52, precisou da intervenção do bisturi para conter um sangramento interno.

Ai lançou uma campanha para dar nome às crianças vítimas do terremoto do ano passado em seu país, depois que o governo abafou o escândalo das “escolas de areia”.

Morreram em escolas de construção precária 5.535 crianças.

O governo calou o protesto dos pais das vítimas, que foi encampado pelo artista. Seu popular blog foi bloqueado em maio. No Twitter, também bloqueado na China, ele postou fotos pré e pós-cirurgia, feita em Munique.

O aumento do confronto verbal e físico entre Ai e as autoridades chinesas coincide com o auge do reconhecimento de sua obra. Ele foi para a Alemanha abrir a exposição “So Sorry” (sinto muito).

Até novembro, a maior retrospectiva de sua obra está em cartaz no museu Mori, de Tóquio, com 26 trabalhos desenvolvidos entre 1994 e 2009. A exposição apresenta os interesses múltiplos de Ai, da instalação e fotografia à provocação política e arquitetura.

Ai é conhecido por ter participado na concepção do Estádio Olímpico de Pequim, convidado pelos arquitetos suíços Herzog e De Meuron, o chamado “Ninho de Pássaro”.

De sua prancheta saíram mais de 50 construções, entre edifícios comerciais, residências, restaurantes e até uma vila de ateliês para amigos artistas, no bairro de Caochangdi, em Pequim.

Serpente e fadas

Em Tóquio, sua obra mais recente é uma longa serpente formada por centenas de mochilas escolares e que dá voltas pelo teto do museu.

“Depois do terremoto, havia milhares de mochilas espalhadas, única lembrança das crianças. E a serpente, para os chineses, sempre indica o perigo que está à espreita”, disse Ai para a Folha na semana passada, quando já se queixava de dores de cabeça.

Sua grande retrospectiva em Tóquio, visitada pela reportagem, também apresenta vídeos e fotos da performance que fez na Documenta de Kassel, em 2007. Em “Conto de Fadas”, ele levou 1.001 chineses que nunca tinham viajado ao exterior para o evento artístico na Alemanha, acompanhados de 1.001 cadeiras no estilo da dinastia Qing.

“Ocidente e Oriente precisam se encontrar, com o medo e a curiosidade que isso implica”, diz. “Acho que os participantes acham que aquela pequena cidade encantada alemã é o Ocidente. Voltaram mais confusos, o que é bom para a imaginação e a fantasia”, brinca o artista.

As galerias da pequena Kassel tiveram seus dias de superpopulação com 1.001 chineses de um lado para outro.

Várias obras tratam da nova China. Duas grandes tigelas estão recheadas de pérolas cultivadas, como por venda a quilo. “O luxo, quando em excesso, fica banal”, diz. “A China de hoje é obcecada em ficar rica e o Partido Comunista está cheio de corruptos, que não sabem como gastar”, diz.

Dificilmente a exposição será apresentada em Pequim. “Para a censura chinesa, arte só cabe se for propaganda ou inofensiva”, diz. “Mas sou otimista, algum dia vou exibir aqui.”

Ele não se empolga com os 60 anos da chegada do comunismo ao poder, que serão comemorados com pompa em 1º de outubro.

“Se eles não têm coragem de concorrer em eleições, se os burocratas estão ricos, se nosso povo é pobre, não há o que comemorar. Deveria ser tempo de silêncio, de reflexão.”

Ai só celebra o fim da bolha da inflacionada arte chinesa, graças à crise econômica internacional. “O mundo da arte como um todo precisava dessa chacoalhada. É uma lição para novos comportamentos; tomara que não só na arte.”

No Twitter, ele disse ontem que vai se recuperar logo. “Sou um artista bem-sucedido, posso me tratar bem. Milhões recebem o mesmo tratamento da polícia, mas sofrerão essas dores pelo resto da vida.”

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ANÁLISE

Arte e política inseparáveis

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ai Weiwei tem uma concepção muito particular do que é ser artista. “Acho que todo artista é um ativista e um bom ativista pode ser um artista”, disse no mês passado.

No caso de Ai, a definição não é um jogo de palavras. Arte e política -especialmente a política de terra arrasada da ditadura chinesa em relação à tradição- são polos inseparáveis de sua obra. A graça do trabalho dele é que a política não elimina as leituras infinitas da obra, não é o panfleto de um sentido só.

A história pessoal de Ai talvez ajude a entender essa concepção de arte. Quando era criança, seu pai, um dos grandes poetas da China moderna, foi mandado para o interior para limpar latrinas -era um castigo que visava reeducar a família “burguesa”, nos tempos da Revolução Cultural (1966-1976).

Após cursar cinema em Pequim, Ai conseguiu uma bolsa para estudar na Parson’s School de Nova York no início dos anos 1980, quando a cidade fervia com novos artistas, bandas punks e new wave e toda a arte conceitual dos anos 60 estava ao alcance das mãos.

Não é por acaso que um dos trabalhos de Ai cite frases de Marcel Duchamp, o artista que redefiniu a arte no século 20 ao transformar objetos ordinários em arte, e de Mao Tse-tung, o ditador que tirou a China da Idade Média.

É com esse mundo díspar, que equilibra Duchamp e Mao, que Ai faz o seu acerto de contas particular. Vem daí, talvez, o peso dramático de alguns dos seus trabalhos -e drama era tudo que a arte conceitual e o dadaísmo queriam matar. Ele faz trabalhos com mochilas de crianças mortas num terremoto, com madeira de templos budistas de mil anos que foram demolidos por ordem do Partido Comunista, com pés de imagens budistas destruídas. Usa tijolos de casas do século 14 que foram derrubadas em Pequim no ano passado para a cidade abrigar a Olimpíada 2008.

Para quem estava acostumado a uma certa assepsia da arte conceitual, é uma porrada. Para quem acha que assuntos mundanos e de interesse imediato não deveriam ser tratados pela arte, é um lembrete de que tudo pode ser arte; só depende da ação do artista.

O rigor formal é uma das estratégias que Ai usa para fugir do panfleto. Tudo é muito simples, mas quase nada é de entendimento imediato.

A faceta ativista de Ai não se restringe à arte. Ele cutuca o autoritarismo chinês em seu blog, no Twitter, em exposições que age como curador ou ao criar um bairro de artistas independentes em Pequim. Quando o governo chinês bloqueou seu blog, ele se recusou a continuar a fazê-lo nos EUA. Queria falar com os chineses. É por isso que virou um dos mais fortes candidatos ao exílio. A China não tolera dissidentes com seguidores.

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ai weiwei

Ai Weiwei

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02/08/2009 - 09:42

Cortina de Fumaça

        

São Paulo, domingo, 02 de agosto de 2009 

              

 

Cortina de fumaça

Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena

 

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer
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LUCAS NEVES

 

DA REPORTAGEM LOCAL 

 

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.
Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (”Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.
Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.
O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.
Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.
Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.
“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”
Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.Seu Zé e Dona Maria
Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.
“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”
Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”
Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça. 

 

Proibição do cigarro no teatro incomoda artistas

Lei que entra em vigor esta semana exige autorização judicial para fumar em cena

Exceção a cultos religiosos não se aplica a espetáculos cênicos; para atores e diretores, legislação ameaça liberdade artística

JOSÉ ORENSTEIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Onde tem fogo tem fumaça. E é na boca de cena que a coisa começa a esquentar. A partir de sexta-feira, dia 7 de agosto, entra em vigor em todo o Estado de São Paulo a lei que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo.
No extenso rol de lugares proscritos estão cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, hotéis, centros comerciais, bancos, supermercados, açougues e… teatros.
Quem quiser acender um cigarro, cachimbo ou charuto “cenográficos”, deverá pedir autorização judicial, explicando o porquê de a fumaça ter que se espalhar pelo palco. Ao juiz caberá decidir se o fumo é de fato imprescindível na construção dramática.
A medida vem preocupando alguns atores e diretores, que veem na lei um cerceamento da liberdade artística. É o caso da atriz Mika Lins, que está em cartaz no Sesc Consolação com a peça “Memórias do Subsolo”, uma adaptação do livro de Dostoiévski. “Eu fumo dois cigarros em cena, a frente do cenário tem um monte de bitucas. Faz parte da concepção do espetáculo, é quase um acessório de pensamento”, afirma.
“Acho o fim. É um absurdo essa história de ter que se justificar. Sei que tem multa, mas estou disposta a pagar ou recorrer na Justiça”, diz a atriz. A penalidade deve recair sobre o dono do estabelecimento.
Antonio Rocco, que dirige o teatro N.ex.t. -para onde Lins muda sua peça a partir do dia 11-, diz não estar preocupado. “É uma lei de saúde pública. Não foi pensada para espetáculos teatrais. Isso vai mudar.”
Salvo-conduto
Já o ator e diretor Celso Frateschi, em cartaz com duas peças no teatro Ágora -que não utilizam cigarros-, diz achar “patética” a lei. “Se tiver que usar cigarro em cena, vou usar sem dúvida. É uma hipocrisia uma cidade que não controla a poluição dos carros fazer isso. É quase revoltante”, comenta.
Além de tabacarias e afins, cultos religiosos “em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual” têm salvo-conduto.
“É uma incoerência que soa quase como um privilégio. Por que não há uma exceção de natureza artística?”, pergunta o diretor José Henrique de Paula. Sua peça “As Troianas”, em cartaz no Instituto Cultural Capobianco até dia 16, usava cigarros em cena, mas eles foram retirados a pedidos da instituição. “Não era um objeto crucial para a narrativa. Era um elemento que apenas ajudava numa concepção mais realista da peça”, conta.
O diretor do teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, que está ensaiando a peça “Cacilda!!”, com cenas em que se usa o cigarro, dá outra interpretação para a lei: “O teatro é um culto religioso, dionisíaco. Então, tá liberado!”.

 

“Teatrinho realista”
Rodolfo García Vázquez, diretor da peça “Justine”, que entra em cartaz no final do mês no Espaço Satyros, engrossa o coro: “Eu não sei qual a diferença entre ato religioso e artístico… Por que proibir só na arte?”.
Quem tem opinião diferente é Gerald Thomas. Radicado em Nova York, o ex-fumante acha a lei “ótima”. “O cigarro é uma merda, não dá barato, só traz câncer e miséria. As pessoas têm que parar de ver seus ídolos fumando”, diz Thomas. Para ele, não é só questão de saúde. “É uma besteira esse teatrinho realista, que precisa de uma mesa, de uma cadeira, de um cigarro. O artista tem que transcender isso tudo.”
  

PS: Moral da história: Se não formos capaz de fazer teatro, poesia, qualquer coisa “dependentes” de um “prop”, ou seja, de um objeto cênico ou uma mamadeira qualquer, é porque o ator é muito ruinzinho mesmo, ou porque não consegue mesmo usar o pouco que tem da sua imaginação para criar metáforas e deixar o PÚBLICO pensar ou imaginar coisas. Não é à toa que ninguém aguenta mais essa caretice: pior, essa caretice traz CÂNCER!!!!! Não, Zé Celso, nem TUDO é dionisíaco (tadinho de Dionísio! Daqui a pouco batida de tânsito também é “dionisíaco!”). E beijar, como diz o Fagundes, nada tem com fumar. Não se tranta de censura e sim de BOM SENSO. O público precisa de “roles models”. E os role models podem se beijar à vontade, mas não às custas da maldita indústria tabagista!

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): release Tags: , , , , , , , , , ,
23/07/2009 - 10:19

A Cultura do Desprezo no Brasil

 

 (A torcida do contra)

 

Os Concretistas, os Tropicalistas, o Modernismo. O que é revolucionário?

 

Zurich- Caetano Veloso deu uma mega entrevista para a Folha de São Paulo, há dois dias, que me emocionou. Daqui a pouco explico o porquê. “Na minha profissão” – explica Dalai Lama pensativo, calmo como sempre e risonho – “podemos trabalhar com a nossa espiritualidade, assim como se fôssemos souffles numa academia de ginástica”.

Como? Faz sentido?

Faz sentido?

Muitas coisas que são ditas ou lidas, especialmente por pessoas iluminadas, não fazem sentido, principalmente fora de um certo contexto. Muitas entrevistas são cortadas, editadas e, às vezes, até mutiladas (seja lá por qual motivo for). Onde o Dalai Lama queria chegar? Ah, era o fato de que o céu é azul e que, mesmo na pior das depressões, deveríamos tentar enxergá-lo sempre azul. Mas não soube dizê-lo assim, diretamente.

Caetano fala de uma cultura, no Brasil, de adoração ao desprezo. Entendo bem do que ele fala. O que se vem falando mal de Chico Buarque e dele, por N motivos, não está no dicionário!

Minha pergunta é a seguinte: se falam mal de Caetano e Chico, essas pessoas ouvem quem, dentro do que se convém chamar de “música brasileira”? Ou exagero? Ou não existem mais fronteiras? Quero dizer, como estou a cada dia num país diferente, afirmo: EXISTEM fronteiras, SIM! Eu, pelo menos (e uma fila enorme atrás de mim) tenho que mostrar passaporte, etc.

Cito Caetano: “… e o fito era nitidamente me tratar como se eu fosse um misto de Sarney com Dado Dolabella.Ao fim da quarta resposta, disse-lhe que fosse embora (Caetano se refere a uma repórter). Ela perguntou triunfante: “Você está me mandando embora?”. Respondi que estava e insisti para que fosse logo. Depois a Mônica Bergamo foi para o rádio gritar meu nome com aquela voz de taquara rachada, competindo em demagogia e má-fé com [o jornalista Ricardo] Boechat.Claro que não ouvi isso na hora: uma amiga me mandou por e-mail em MP3. Havia um desejo ridículo de criar um caso em que eu aparecesse como um cara que não merece respeito.Li artigos de outros na Folha (e cartas de leitores) meio eufóricos com isso. Uma pobreza.”

 Eu, Gerald, volto a perguntar: quem lucra em denegrir o Caetano?

Ou o Chico? 

O Brasil, como pouquíssimos países, fez a revolução modernista. A Alemanha foi um (Bauhaus de Weimar, etc.), Os Estados Unidos, unindo revolução industrial com Dadaísmo e Expressionismo Abstrato (e por aí vai), foi outro. O resto do mundo ainda é extremamente BARROCO. 

Os poetas concretos de São Paulo (falo dos irmãos Campos, da Semana de 22, etc., e até da péssima arquitetura de Niemeyer, aluno de Le Corbusier – que quase não construiu na França (by the way, era Suíço)! – tiveram um ENORME impacto no que diz respeito ao “respeito” pelas palavras e ao possível desrespeito por elas, no sentido de desconstruí-las (“Cale-se, afaste de mim esse Cálice, Pai”).

Os outros países da América Latina (apesar de Borges, Cortazar, Cazares, etc.) não têm essa enorme força, justamente porque estão PRESOS ao continente europeu.

Caetano Veloso é descendente de Godard, de Glauber, e irmão adotivo de Helio Oiticica e filho (sei lá o que estou dizendo) de Carmem Miranda. Sim, essa salada linda que o Tropicalismo fez. E chamá-lo de cantor, somente, é, em si, um insulto.

Mas, no Brasil de hoje, “rebaixar o outro” parece ser o que levanta o ego, ou a carreira de muitos.  Não sei como é essa fórmula, mas parece ser o que funciona. E entendo que Caetano ache isso triste, pobre, etc..

 Nos EUA não xingam Bob Dylan. Não se xinga. Ah, entenderam, não é? Valoriza-se a genialidade. Mesmo que o Oswald (o verdadeiro, o De Andrade) tenha dito que o gênio seja uma grande besteira.

É obvio que me mijo de rir ao ler a coluna de Reinaldo Azevedo sobre a entrevista do Caetano. O RA escreve como poucos e, em seu próprio ofício, não deixa ele próprio de ser um poeta:

Às vezes, parece que a própria Folha é cliente de Paula Lavigne. Entenderam ou fui muito sutil? Ah, sim: Paula e Caetano estão lançando o filme Coração Vagabundo, dirigido por um rapaz “bonitinho” (by Caetano) chamado Fernando Gronstein Andrade, 28 anos.

E por que Caetano está bravo ou “estrila”, como diz o jornal? Bem, em primeiro lugar, porque está lançando o filme e é hora de criar marola. Em segundo, porque a Folha noticiou, em reportagens honestas, que nada tinham de operação de marketing, que o cantor pleiteava — ou seus produtores — incentivos da Lei Rouanet para seus shows. Vocês conhecem a história. Eles foram negados pelo Ministério da Cultura, mas aquele ministro da área, como é mesmo o nome dele?, ficou bravo e demonstrou disposição de rever a decisão.

Pronto! Está criado um caso.” 

Bom, o resto está no Blog do Reinaldo. 

E, juro, não me refiro ao Reinaldo quando falo nessa “torcida contra”, já que ele lida mais com leis fiscais, incentivos. Eu falo do Caetano músico, poeta, inspirador e criador. Um cara que transformou várias gerações e continua transformando.

E esse Caetano é mais ou menos como o Dalai Lama: intocável, acima da crítica. Não importa se o show foi bom ou ruim ou o disco está assim ou assado. E por quê? Porque esse Caetano  é aquele que INICIOU tudo aquilo que somos! Não se esqueçam disso JAMAIS!

 

Gerald Thomas

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
17/07/2009 - 10:25

Juíz Proíbe Que Macaco Simão Escreva sobre Juliana Paes: Censura de Imprensa

Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes, mas não impede o auto-retrato de Rembrandt.

Atriz alega que teve a honra atingida; colunista vê censura e diz que decisão tolhe liberdade de expressão.

Zurich - Saí correndo de Amsterdam. Depois de sete dias,  sendo empurrado pela população e espremido nas ruelas e quase jogado nos canais, resolvi que essa foi minha trigésima e última vez na cidade holandesa. E como a ópera que estou produzindo é aqui, voltei correndo pra cá, só pra me deparar com esse ABSURDO, que leio na Folha! Ah, mas antes, preciso relatar algo. 

Rembrandt, que sempre foi meu preferido (ao lado de Duchamp e Rauschemberg e Bacon – períodos diferentes, óbvio), me tocou dessa vez de uma forma muitíssimo peculiar.

 

Muitíssimo peculiar. Tive uma espécie de tontura, vertigem, quando peguei o bonde numero cinco e parei na porta do museu e subi pro segundo andar. Lá no cantinho, quase escondido, estava esse auto-retrato, que ele pintou aos seus 55 anos de idade:

 

Rembrandt

 

Eu estou com 55 anos agora e… e o quê? Jamais achei que iria chegar a essa idade. Jamais achei que pudesse olhar no olho vivo desse quadro e dizer “caramba, estamos aqui, você e eu, em épocas diferentes – ele em 1633 e eu em 2009, mas ambos com a mesma idade”. Ele, um total gênio. Gênio dos gênios, da Ronda Noturna, da Dissecação do Cadáver. Aquele que meu mestre Ivan Serpa e meus pais me fizeram gostar. Não, não forçadamente, já que a paixão foi instantânea. E cá estava eu, como sempre estive desse lado do quadro, mudo, estarrecido e pasmo,  já que não sou um personagem de Lewis Carroll.

 

Saí de Amsterdam meio atordoado. Também, com tanto cheiro de maconha no ar, quem não sairia? E tanta comida ruim:  ah, descobri: só tem comida pra larica. Pizza, fries com maionese, mais pizza,  uns indonésios fast food… muito Mac Donalds e Burger King (mais que em qualquer outra cidade que já vi!!).

 

Esse auto-retrato, mais que qualquer outro,  me levou a um estado de emoção que poucas coisas em arte me levam. Pina Bausch me levava. Kazuo Ono e Sankai Juku me levam. E o levo comigo porque ele representa a grande quebra do homem que se olha no espelho na época logo após os descobrimentos  e se pinta dentro de sua simplicidade sem ter que se “vestir”. Quem é de teatro sabe o que é “se vestir”. Retrato era coisa para realeza. Rembrandt começou a pintar o dia a dia das pessoas e de si mesmo. Foi o Tchecov da pintura, só que 300 anos antes de Tchecov. Dá um frio na espinha.

 

 Pessoas que levam suas próprias imagens nas camisetas, como Jane Fonda, por exemplo:

 

 

 

Não sei que doença é essa. Ego? Nostalgia?

 

Mas a pior delas todas está aqui embaixo. Sim, porque ela demonstra total ignorância a respeito do veículo para o qual trabalha e não tem um pingo de humor a respeito dela mesma. Leiam:

 

“O juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, determinou que o colunista José Simão, da Folha, se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, sob pena de multa de R$ 10 mil por nota veiculada nos meios de comunicação. A atriz moveu duas ações de indenização, uma contra o jornal e outra contra o colunista. Ela alega que Simão “vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família”.Anteriormente, a atriz havia ajuizado ação só contra a Folha na 4ª Vara Cível do Rio de Janeiro, mas não obteve a medida liminar.”  (e blá blá blá…)

 

A (sei lá se ela é atriz… pelo jeito não é!) censora, está com seus mecanismos de defesa em alta. Ah, entendi, ela não gosta que notem que sua bunda é grande, segundo esse relato.

 

Continuando… “do “colunista” sobre a “poupança” da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável””.

 

Meu santo Deus! Que ridículo! Atrizes do mundo inteiro estão fazendo um tremendo esforço para SAÍREM de si mesmas. Adotam crianças em países, digamos assim, em estado de guerra. Tentam ser ativistas políticas da melhor forma possível. E essa aí…? 

 

“É coisa medieval”, afirmou. As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz Capanema de Souza “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.

 

Bem, Juliana Paes. Um dia, talvez bem mais próximo que você imagina, você estará virando um outro quadro de Rembrandt. Esse ai embaixo!

 

opened cow

 

Afinal, atores ou não, artistas ou não: somos produtos PERECÍVEIS.

 

 

 

Gerald Thomas, 17/Julho/2009.

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição) 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,
12/06/2009 - 12:47

O BRASIL QUER SER CONHECIDO POR INCENTIVAR SEQUESTRADORES?

Por que Sean ainda não foi?

Por Barbara Gancia, Folha de São Paulo

Com interferências minhas, Gerald.

“É fundamental que Sean Goldman seja devolvido com a maior brevidade possível à guarda de seu pai, David”

Barbara – “QUANDO COMECEI A FALAR sobre o caso da guarda pelo me nino Sean Goldman, 9, imaginava que o padrão verde-amarelo de sempre iria prevalecer. Somos um país de torcedores que não entra no mérito da disputa. Para nós, se há um brasuca na parada, é do lado dele que sempre iremos nos alinhar. Já devo ter dedicado uns dez ou 12 posts no meu blog mais uma coluna neste caderno Cotidiano à luta para ver quem fica com Sean, se o pai, David Goldman, ou se o padrasto, João Paulo Lins e Silva, apoiado pela família da mãe. E, até agora, descontando os comentários daqueles que se identificaram como amigos da mãe ou parentes de amiguinhos da escola de Sean, creio que posso dizer com alguma segurança que apenas 20% dos meus leitores apóiam a permanência do menino no Brasil. A maioria das pessoas que me escreveu até aqui para falar do caso se mostrou estupefata pelo fato de o menino ainda não ter sido devolvido ao pai. Alguns chegam a usar a palavra “sequestro” para descrever o ato que o viu subtraído de David Goldman nos Estados Unidos.”

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Gerald- Quando eu comecei a comentar o caso (reproduzindo inclusive o próprio Blog www.bringseanhome.org aqui), a resposta também foi “overwhelming”. O maior problema, nesse caso, é a lentidão  da Justiça Brasileira. Um juiz dá a sentença. Vai um Ministro do STF e anula! (O Dateline NBC acompanha o David nessas jornadas). De repente, o STF inteiro vai e anula a “última anulada” e devolve ao meritíssimo juiz que fez o ÓTIMO relatório de 82 páginas. Se fosse por ele, Sean já estaria aqui, nos braços do pai, em New Jersey. Isso pode demorar uma eternidade.

O mais surreal disso tudo? O Padrasto, João Paulo, parece não estar dando conta de tudo isso: então o garoto está sendo criado pela avó!!! Isso sendo que ele TEM UM PAI BIOLÓGICO que já fez, pelos meus cálculos, 14 viagens pro Brasil. Sean vive um pesadelo de Garcia Márquez só que reduzido aos seus nove anos. NOVE ANOS de SOLIDÃO!

Sua mãe, Bruna, infelizmente morta, ano passado, JAMAIS deveria tê-lo “seqüestrado” para o Brasil. Sim, foi uma abdução na medida em que ela mentiu pro David. “Eram férias de 3 semanas. David iria encontrá-los no BR no final das férias. Mas ela já mantinha um namoro (que virou casamento) com um poderosíssimo advogado, de uma linhagem de poderosíssimos advogados, chamados Lins e Silva.

Será que o Brasil quer ser conhecido por abduzir menores? Não, acho que não. Vocês também acham que não.

Prossegue o artigo da Bárbara:

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Bárbara – “Acho no mínimo interessante constatar que o meu leitor, que demonstra estar seguindo o caso com grande interesse e proximidade, tenha deixado o ufanismo de lado e resolvido tomar as dores do pai norte-americano em detrimento dos familiares brasileiros. Parece claro que tanto o padrasto quanto a família da mãe levam em consideração os melhores interesses de Sean. Ele é muito bem tratado, conduz uma vida regrada, tem tudo do bom e do melhor e é assistido 24 horas por dia nos 365 dias do ano. Mas a minha tendência é a de concordar não só com a opinião dos leitores do jornal e do blog, como com a decisão do juiz da 16ª Vara Federal do Rio, Rafael de Souza Pereira Pinto, que expediu sentença de 82 páginas sobre o caso. A decisão ressalta: “É fundamental que (…) seja devolvido com a maior brevidade possível à guarda de seu pai, de maneira que a sua readaptação à família paterna possa também reiniciar-se de maneira imediata” e que “chega mesmo ao plano do surrealismo” que uma pessoa sem poder familiar sobre o garoto (no caso, o padrasto) se oponha à entrega da criança ao pai. “Admitir a possibilidade significa abrir perigosas brechas capazes de consagrar verdadeiros absurdos.” Ouso dizer que não existe motivo nenhum para que Sean Goldman continue a viver com um padrasto que enviuvou jovem e que pode e deve voltar a se casar e a constituir família, quando tem um pai que nunca o abandonou ou teve a intenção de abrir mão dele. Quanto à hipótese de que o menino é quem tem que decidir se fica ou não no Brasil, o próprio pai do padrasto, o advogado Paulo Lins e Silva, especialista em alienação parental, poderia responder que essa não é a mais sábia das decisões. Em palestra disponível no YouTube, ele discorre longamente sobre o poder da mãe em uma separação e como, por passar mais tempo com os filhos, ela pode manobrar para colocá-los contra o pai. No caso de Sean, que tem nove anos, quem passa mais tempo com ele é a família da mãe.”

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Gerald- É legal constatar que não se trata de uma campanha somente de “gringos” (como vocês gostam de chamar). São milhares de brasileiros torcendo pela volta de Sean pra cá.

Mas ele vive nesse limbo. Pela lentidão de um Tribunal, jogando a bola pro outro e assim por diante, essa “coisa” poderá demorar anos. Quem sofre? O menino. E ele, ao que parece, já não está bem. Por quê? Porque não tem a figura paterna nem materna por perto. SOFRE DE ALGUNS ANOS DE SOLIDÃO. Mas tenho a certeza de que o Brasil não quer virar Macondo. Macondo, aquele lugar ou estado surreal e perdido, de Gabriel Garcia Márquez.

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Museu do Holocausto, Washington DC

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Eu ia escrever sobre o Holocausto dentro do Museu do Holocausto, anteontem, em Washington DC e os Nazis, etc.. Mas esse assunto é ainda mais surreal. Em pleno 2009 um cara mata um guarda negro do museu, consegue fugir. Os arianos, essa coisa de raça pura, deus me livre! Sei, claro, não sou inocente: sempre teremos esses “losers” e malucos que se preenchem quando seguem alguma suástica ou algum liderzinho de merda. Impressionante.

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Enfim,  mais uma vez, nesse blog eu termino: Bring Sean Home. In the meantime, good luck kiddo and don’t let them drive you crazy. We’re all rooting for you.

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Obs: fiquei felicíssimo ao ler a Folha e me deparar com esse artigo da Gancia.

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Gerald Thomas, New York, 12/06/2009

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , ,
12/12/2008 - 13:55

A Estréia de BATE MAN (Bait Man) de Gerald Thomas

13/12/2008 DO BLOG DO CAETANO VILELA:

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O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo


“Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim… É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/”Bait Man”)
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Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

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Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor… poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para ‘decantar’ deste evento uma nova ‘amizade’.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou…
Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam ‘estar siameses’ em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem eu disse “DO AUTOR” e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).
Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para ‘decantar’ e ‘autorar’ toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste ‘campo militar’, todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch… é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da…
Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o ‘autor-diretor’ criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.
Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês (repeticion) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: “(…) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou…”

 

          

                                                                                                

FOLHA DE SÃO PAULO 

São Paulo, quinta-feira, 11 de dezembro de 2008  

TEATRO
 
GERALD THOMAS DIRIGE O MONÓLOGO “BATE MAN”
 
Parte do projeto “Auto-Peças”, que comemora os 20 anos da Cia. dos Atores, o monólogo “Bate Man” estréia amanhã no Rio, no Teatro de Arena do Espaço Sesc (r. Domingos Ferreira, 160, Copacabana; tel. 0/xx/21/2547-0156; qui. a sáb., às 21h; dom., às 19h30; R$ 16; classificação: 16 anos; até 21/12). “Bate Man” é o primeiro solo de Marcelo Olinto e tem direção de Gerald Thomas.

 

FOTOS DE DANIELA VISCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DO BLOG DO CAETANO VILELA
    

Mal terminaram as óperas no Teatro S.Pedro/SP no domingo passado eu já embarquei para o Rio de Janeiro, na segunda, para outra parceria na iluminação (de última hora, mas sempre em boa hora!) com Gerald Thomas. Falo sobre “Bate Man” escrito e dirigido por GT na forma de um monólogo para Marcelo Olintho (acima num ensaio, fotografado por mim) defender no evento-efeméride “Auto Peças”, comemoração dos 20 anos da Cia. dos Atores no Sesc Copacabana.
Mais, depois falo! Enquanto isso o próprio GT dá uma idéia do que aguarda o público carioca, leiam aqui. Estou curioso para sentir as reações, pena que volto para SP neste domingo.
Se joga:
“Bate Man”, concepção/direção Gerald Thomas, monólogo com Marcelo Olintho
Sesc Copacabana/RJ
12 a 21 de dezembro (quinta a sábado 21h/domingo 19h30)

 

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PARTE DO TEXTO

(Vira de costas e toma mais banho de vinho.
Murmura pra si mesmo.)
Sabe que… eu acho nunca vi….
Sinceramente.
Eu vou dizer uma coisa para vocês…
Ai…
Sinceramente.
Ai….
(pigarreia algumas vezes, como se preparando para falar.
Murmurando.)
Acho que….
Eu nunca achei que agradar a Burguesia seria desperdiçar aquilo, aquilo que eles acreditam ter de melhor. E agora? Que eu fiz tudo isso aqui.
Qual será a próxima?
(tempo, pensando.
Conclui.)
Um banho de caviar?
Banho de caviar.
(olha para baixo e vê caixas de caviar.
Encontra caixas de caviar.
Se assusta com a surpresa.)
Ahhh…
NOSSA QUE COINCIDÊNCIA!!!!
OSSETRA!
BELUGA!
SEVRUGA!
Que loucura, as coisas estão todas aqui.
É uma doideira.
QUE COISA MAIS APROPOS!!!!
APROPOS!!
A  PRO  POS!!
APROPOS!!!
GENTE QUE LUXO.
CAVIAR VINDO DIRETO DA RÚSSIA, DO IRÃ, DO IRAQUE
Olha agora é sério.
Sério.
TUDO ISSO PRA DIZER O SEGUINTE:
TORTURA VALE A PENA SIM.
VALE A PENA E NÃO É SÓ ISSO NÃO!
NÃO É MESMO.
VALE A PENA RALAR E TER OS SEUS DIREITOS  COMPLETAMENTE CASTRADOS, VIOLADOS…
Eu não sei como explicar isso melhor hmmm……
Vou tentar explicar…. é….. é…. é….    CONFISCADOS… RAPTADOS…. é….
NO FINAL DE UM REGIME ASSIM TÃO, TÃO VIOLENTO, TÃO VIL, TÃO FILHO DA PUTA , CRUEL….
Ah…..VOCÊ TEM COMIDINHAS ÓTIMAS, BEBIDINHAS MARAVILHOSAS, entendeu?
TÃO GOSTOSINHAS.
(descobre alguma coisa genial.
Não acredita.)
E OLHA QUE LOUCURA ESSA AGORA!
MEU DEUS DO CÉU.
Roupas FASHION!
Não posso acreditar.
Um John Galiano direto da próxima coleção de verão!
WOW!
(entra música. Bate Bait se veste e começa a desfilar.)
Bait Man

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Copyright Gerald Thomas
New York – Nov 2008-11-25
Serviço – “Bate Man”
Texto e Direção: Gerald Thomas
Luz: Caetano Vilela
Musica: Patrick Grant
Com Marcelo Olinto
De 11 a 21 de dezembro
Teatro de Arena – Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana
De quinta a sábado, às 21h; domingos, às 19h30
Ingressos: R$ 16
Informações: (21) 2548-1088 / 2549-1616

 

( O Vampiro de Curitiba na Edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): release, shot cuts Tags: , , , , , , , , , ,
23/11/2008 - 16:45

COCAÍNA E EXTREMOS NÃO TÃO SIMPÁTICOS

Hoje este blog comemora seis meses aqui no IG. Esse último artigo, o de baixo, teve um acesso de mais de 17 mil pessoas, resultando em quase 800 comentários aprovados (coisa, aliás, sem precedentes). Dos mais insultosos aos mais carinhosos, acho que nunca vi ou vivi nada igual. Escrever sobre o Brasil (consideram alguns brasileiros) é escrever CONTRA o Brasil. A noção de  ‘crítica construtiva’ parece que caiu por água abaixo, junto com essa onda de analfabetismo e xenofobia que o pais adotou. Muito bem.

 

Esse artigo precisa ser linkado ao de baixo, “negros-2”, onde falo nada mais do que a Folha confirma hoje num caderno especial (e copio trechos aqui).

 

Outros assuntos: BlogNovela: “ O Cão que insultava Mulheres, Kepler the dog”.

 

O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the dog.

 

Pouco a pouco volto a reorganizar minha vida aqui em NY. Estranho isso. Alguns comentários deixados no texto “negros-2” são tão extremamente venenosos e recheados de FÚRIA que me pergunto sobre a patologia ou psicose do internauta que o deixa ou endossa tal comentário. E o resultado que isso traz, digo, o respaldo: Rimos muito, eu e amigos meus, quando lemos em voz alta alguns desses repetidos comentários. Sério. Não causam mais nenhum impacto, crianças!

 

O que ouvimos do palco, no final de um espetáculo, vindos de uma platéia escura, são aplausos ou vaias. Mas jamais saberemos a “verdade” do que realmente se passa na cabeça do espectador (Shakespeare escreveu a respeito) além daquela formalidade, digamos, protocolar. Mesmo depois de 30 anos de teatro e ópera pelos “mundos” afora, a quarta parede aqui dentro já foi quebrada há tanto tempo e se há um espelho do meu ego, esse já foi quebrado há décadas também. E por quê? Por causa de uma coisa simples, frágil, singela, singular… que chamo de AUTO-PROTEÇÃO.

 

Como assim? Sim, nós nos expomos. Claro. Damos a cara a socos e pontapés alheios quando escrevemos textos e encenamos/escrevemos espetáculos NOVOS (que não são REPETIÇÕES de textos clássicos, fáceis de serem remontados e remoídos e remoídos e regurgitados…). Mas, e dai?

 

E daí que nada disso importa. Teatro não importa. Arte não importa. O que importa é que a Ford Motor Company e os outros, como a GM, estão perto de fechar suas portas. E isso sim terá um impacto MUNDIAL (incluindo nosso querido Brasil que não aceita criticas…) Assim como numa peça teatral, a cortina fecha, o drama chega ao epílogo… e os grandes heróis de uma era não estão sabendo mais lidar com os tempos modernos de Chaplin e… pum, caem no chão! E, com isso, milhares, digo, milhões de empregos no mundo se evaporam. Milhares de famílias dignas viram homeless. Brincamos demais por tempo demais. Brincamos de Alan Greenspanismo, dessa desregulamentação! E esse será o preço. A coisa não começou ontem, não começou com Bush. Nada tem a ver com ele: tem a ver com Reagan/Thatcher que mandaram ver na desregulamentação e… a free market economy e a invasão japonesa e coreana e… agora o xeque-mate!

 

Então? COCAÍNA! Álcool. Drogas em geral. Dopamina. Neurotransmissores em confusão, serotonina em déficit, egos pedindo arrego. E uma pequena correção a fazer quando assisti meu grande amigo Reinaldo Azevedo no Jô, num link online (atrasado, coisa de mês atrás, quando o Reinaldo foi lá no programa). Disse o Reinaldo que essa coisa de “afro-americano” é besteira porque os brancos seriam o quê? Seriam “Euro-americanos”?

 

Sim, meu mais querido Rei. Aqui nos EUA a gente se classifica de Ítalian-American, Lithuanian-American ou simplesmente diz, mesmo já sendo terceira geração nascida aqui: I’M GREEK ou I’m Irish. Por isso, talvez, mantemos uma grande tradição das raízes de onde viemos. Talvez, por isso, mantemos um grande vínculo com os idiomas que nossos avós e pais falavam. E, no lado oposto da moeda… por isso talvez tenhamos GUETOS: I am Cuban (sendo ele americano, como Rick Sanchez da CNN, já nascido aqui). I’m Russian ou Italian ou Chinese ou seja lá o que for. E nesse seja lá o que for, ou que Ford, lendo a VEJA da semana passada no vôo de volta pra cá, não me choco com a reportagem feita com o Fábio Assunção.

 

Me choco com a hipocrisia feita em cima da reportagem. Sim, as redações , não especificamente da Veja, cheiram, se drogam, assim como em qualquer outro departamento da sociedade, e escrevem sobre algum ídolo da TV que se droga. Metalinguagem melhor, mesmo, somente seria um cego descrevendo uma paisagem.

 

Mas esquecem também que Jimi Hendrix morreu aos 27 anos. Causa oficial: engasgou em seu próprio vômito. Mas quem estava vivo naquela época (e eu estava) via que a tragédia estava pra acontecer: assim como toda sociedade que não sabe mais lidar com os xingamentos, vaias ou aplausos que recebe, porque TUDO TEM O MESMO SOM DO CONSUMO ou do FRACASSO DO CONSUMO, ou seja, o som do EPÍLOGO, Hendrix se deixou levar.

 

E foi o mesmo com Cazuza cuja “droga já vinha malhada” ou com Clapton sobre a mesma cocaína “she don’t lie, she don’t lie… cocaine!” e Joplin, Jim Morrison ou Sigmund Freud que, por assim dizer, a introduziu ao mundo clássico, neo-clássico, hostil da psicanálise.

 

Mas Rimbaud e Genet e, ah, claro!, Manoel Bandeira e Sérgio Porto e Vinicius de Moraes eram grandes fãs do pó! Pra não falar da cena intelectual de Paris dos anos da Belle Epoque onde era chamada de Café Blanche… Não, nada a ver com o Tennessee Williams, mas as reportagens freqüentemente esquecem Cole Porter que fazia a apologia da mesma! Estranho isso. Estranho esquecer Miles Davis, Porter, Ellington, Charlie Bird Parker, etc.. Mas tudo bem. Estranho não citarem a beat generation como Bill Boroughs ou Tim Leary que é conhecido, entre os não tão íntimos, como o “Papa das Drogas“.

 

Ou grupos inteiros de teatro que fazem a apologia de outras drogas para que se entre em “outro estado”. Qual estado? O de Israel? Sim, talvez tão provisório ou tão recente quanto o estado de Israel. Talvez não seja por acaso que a “designer drug” ecstasy tenha nascido nas festas RAVE em Israel. Estranho isso. Mas pensem na clausura, na cerca em volta, na quarta parede em tempo real daquele país que nasceu com seus kibutzes marxistas numa situação quase artificial em 48 e está sempre num regime tão frágil entre o existir e o não existir, eis a questão! 

 

Quem já não brincou, madrugada adentro, fazendo sexo-fantasia para quebrar tabus? Bem, eu brinquei. Não tive que lutar muito para sair, como os programas INTERVENTION querem mostrar dramatizando o drama. Mesma coisa foi com o terrível assassino CIGARRO: parar é só parar! É só parar dizendo assim: PAREI!

 

Mas… veneno, como diria Prospero para sua bruxinha preferida, a Sycorax, é algo temporário, e que, mais cedo ou mais tarde, estará matando ou ACORDANDO as pessoas através da HIPOCRISIA. Essa mesma hipocrisia xenofóbica que não permite mais que se fale mais criticamente do Racismo no Brasil e essa mesma hipocrisia que deixa que se venda bebidas alcoólicas aos montes em supermercados e cigarros aos montes, mas que se é obrigado a manter a “droga ilegal” em estado de ilegalidade, para que alguns lobbies ainda consigam pensar em leis e para que algumas ramificações das polícias, as várias, controlem o tráfico.

 

Tudo velado. Economia velada, vícios velados, governos velados e uma economia falida num sistema que (agora) se repensa. Que bom! Sou capitalista. E o capitalismo sempre teve que se repensar. Karl Marx, se lido a sério, examina o problema da mais-valia e acha necessário mesmo que o “tratamento de choque” na sociedade industrial que ele foi examinar na Inglaterra precisa mesmo ser reestruturado. E isso quebra muito ego. E ego precisa de psicanálise. Muita análise precisa de droga. Muita droga é legal. Muita droga legal também leva ao mesmo “escapismo” que a ilegal. Muita droga legal nos leva a crer que estamos CONTENDO as compulsões que queremos ter porque TUDO em volta está CAINDO aos PEDAÇOS. Tudo bem, se a farsa é pra ser farsesca, qual o problema em torná-la uma Comedia Dell’Arte? Para que minimizá-la e sorrir amarelo e ficar em constante ESTADO de DENIAL – de negação – dizendo para nossa quarta parede interior: “Não somos um país racista. Esse Gerald é uma merda mesmo, volta pro seu pais!”

 

Da FOLHA DE SÃO PAULO:

 

“Elite preta” se divide sobre extensão do preconceito

 

Para herdeiro, racismo ficou “mais velado’: diretor de banco diz que cor não importa

 

MARIO CESAR CARVALHO


DA REPORTAGEM LOCAL 



 

“O racismo não está diminuindo, só está ficando mais velado.

E racismo velado é pior”.
Carlos não é uma exceção entre quatro executivos negros ouvidos pela Folha, todos bem-sucedidos. Só um diz que nunca sofreu preconceito.
”Já me confundiram com motorista na porta de restaurante, mas bastou o cara olhar um pouco para pedir desculpas”

 

(quem quiser ler a excelente matéria do Mario, está na Folha de hoje)

 

“Ainda sou exceção”, diz Lázaro Ramos

LAURA MATTOS


DA REPORTAGEM LOCAL 



 

Para Milton Gonçalves, 74, que sempre lutou por personagens fora dos estereótipos e criou polêmica ao aceitar seu atual papel de político corrupto em “A Favorita”, até hoje “o negro aparece na TV só para dar uma cor local”. “É como a TV americana, que põe um apresentador branco, um negro, um latino e um asiático.” Ele avalia que a TV “está estagnada”. “Os protagonistas de Taís e Lázaro são conquistas, mas nada que tenha alterado. Com é que o fato de eu fazer um corrupto ainda causa irritação? Por que não podemos ser vilões?”
Joel Zito Araújo também acha “uma bobagem” discutir se o negro pode ou não interpretar vilões. “Minha crítica é a ausência de atores negros em papéis positivos. E os negros ainda continuam naquela cota de sempre de 10% do elenco.”
Para o cineasta, “a televisão piora a realidade do negro, que ainda é raramente incorporado. Para equilibrar um peso enorme da representação histórica, a TV deveria até retratar o negro de forma mais positiva porque certamente tem o papel de transformar a realidade”.
Ruth de Souza, primeira protagonista negra da teledramaturgia, em “A Cabana do Pai Tomás” (1969/70), novela sobre escravos, resume a questão com a sabedoria de quem chegou aos 87 anos, mais de 60 de uma carreira com consagrados papéis: “A TV conta histórias, e o negro tem que participar normalmente, como de todos os segmentos da sociedade”.

47 pontos
foi a audiência de “Da Cor do Pecado”, a maior já registrada pela Globo às 19h desde o Plano Real até hoje.

 

(quem quiser ler mais, está na Folha de hoje)

 

Bem, já está enorme essa matéria: mas também, querem o quê? Depois de 350 mil acessos em 6 meses e com um post que me rendeu mais de 700 comentários por eu ter dito que a HIPOCRISIA era o maior problema seja na questão do racismo, das drogas, em lidar com a morte, em lidar com seu melhor amigo, ou o mensalão, ou com POLÍTICA, ou tentar entender a natureza do ser humano… Seis meses de Blog no IG, quatro e meio no UOL e agradeço a todos. Vamp, obrigado por essa batalha diária. Quem está desse lado sabe como não é fácil. A todos no IG meu muitíssimo OBRIGADO. Juro que não sei se tenho forças pra manter o ritmo, mas sempre disse isso. Meu trabalho é contra a BURRICE, contra a FALTA DE CULTURA dentro da FALTA DE CULTURA e enquanto houver aqueles que não sabem quem foram Ovídio, Homero ou Shakespeare e berrarem do fundo de suas almas umas cretinices difíceis de serem curadas, eu não recomendo os REHABS que o Fábio Assunção frenqüenta (deus o queira bem!). E por quê? Porque, assim como no teatro, um rehab é como uma redação de jornal, revista, ou empresa qualquer: por trás o que existe não é o real interesse na recuperação de ninguém. O que existe é a propagação de alguma imagem. E essa imagem, infelizmente, está com falência múltipla de órgãos e justamente por causa dessa falência as pessoas têm sempre, ou quase sempre, a chamada RECAÍDA: WALL Street está aí para confirmar que CAÍMOS PORQUE SOMOS HIPÓCRITAS E GOSTAMOS MESMO É DE XINGAR OS OUTROS. E quando levantamos, assim como Ícaro já tentou, e Howard Hughes também, caímos de novo!

Por ora, chega!

MIL BEIJOS de uma gélida New York City

 

Gerald Thomas

(em homenagem ao meu mestre Samuel Beckett)

 

( O Vampiro de Curitiba na Edição)

  

  

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
13/11/2008 - 11:16

“LIVE”- AO VIVO – Ontem foi ao ar…. Mais Fotos e o Link para assistir à Blognovela

 

OBS: ABAIXO DAS FOTOS TEM O LINK PARA A BLOGNOVELA

 

PS: PATRICK GRANT NOS ENVIA NOVO LINK PARA A BLOGNOVELA:

 

http://www.strangemusic.com/GTBlogNovela.html

     

 

Do Blog do Caetano Vilela:

14/11/2008

 

‘Nonada’ com Gerald Thomas (*ou: Não demorou muito para eu descobrir o que as pessoas querem dizer com a minha destruição)

 

Nonada!
Como diria Guimarães Rosa no início do livro-painel “Grande Sertão: Veredas” ficamos literalmente “no nada” após o último ‘enter’ da
BlogNovela apresentada por Gerald Thomas/Cia. de Ópera Seca no Sesc Paulista com transmissão simultânea pelo portal Ig.

No post anterior alguns amigos me ‘apertaram o piercing’ dizendo que nada disso era inédito, que até filme baseado em Blog já havia estreado assim como outras produções também foram transmitidas pela internet. Sei disso, inclusive participei de dezenas! Dirigi com Marcelo Tas – o ‘rei da multimídia’ – uma ópera e uma peça que foram transmitidas ao vivo pela rede, sei de projetos de amigos que se conectaram entre três países e simultâneamente apresentaram um espetáculo com links ao vivo em fuso horários diferentes, também assisti na Europa experiência semelhante com Robert Lepage, etc, etc…, o que conta aqui é a DRAMATURGIA que Gerald propõe.

Quem acompanha o seu Blog sabe que a participação dos leitores é uma ferramenta à parte no diálogo que Gerald propõe com os seus leitores. Às vezes pode até parecer que são um bando de ‘xiitas culturais’ perigosissímos (por vezes são sim, até eu já tive comentário ‘clonado’ por lá), mas não conheço outro espaço na internet que provoque tantas ‘teses dramatúrgicas’ como lá.
E nisso a experiência beckettiana de Gerald é indispensável para tornar esse material ‘adaptável’ para os palcos.

Mais uma vez Fabiana Gugli comanda o caos tendo, dentre outros companheiros, os excelentes Duda Mamberti (às vezes um Vladimir e por outras um Estragon do clássico beckettiano) e Pancho Cappeletti (o reverso do travestismo, concentrando todo o universo masculino sempre presente na obra de Gerald, principalmente depois da ópera Mattogrosso, parceria com Philip Glass).
O que vemos e ouvimos é o cotidiano disfarçado em acasos, a interação cyber refletida nos conflitos mundiais e uma universalidade que pode parecer simplista quando se lê os comentários para os posts escritos por Gerald. É simples sim, mas poucos são capazes de interpretar esses simples sinais.

O regionalismo universal de Guimarães Rosa, o ‘newspeak’ de Orwel e a ‘dramaturgia online’ de Gerald sempre serão difíceis para os menos atentos. ARTE é difícil, TEATRO é difícil, LITERATURA é difícil de se fazer, assistir ou produzir! Claro que não estou falando isso ‘para’ o Brasil que tem um ministério da Cultura ‘aculturado’ em que se exige “contrapartida social” do artista.
Contrapartida Social? E qual é a contrapartida cultural que os brasileiros recebem? O tombamento da receita do acarajé, da capoeira, dos quilombolas (de repente viramos uma nação de quilombolas!); é sobre tudo isso e muito mais que os leitores do Blog do Gerald falam, discutem, brigam, e não só pelo prazer de discordar mas de unir, propor, combater…

 

Mais uma vez Gerald usa Led Zeppelin como ‘leitmotiv’ de um espetáculo, compreensível, afinal o que mais podemos dizer depois dos versos de Black Dog:

- “(…) watch your honey drip, can’t keep away (…)
Didn’t take too long before I found out, what people mean my down and out…”

 Alguns clics que fiz do último ensaio que fizemos para a equipe do Ig, para ajustarem as imagens com os ‘camera-men’, antes de abrir para o público, enjoy!

  

 

  

 

  

   

   

 

 

Em breve colocaremos a janela para a Blognovela, por enquanto, cliquem no link abaixo:

 

http://www.strangemusic.com/GThomas/blog_novela.mov 

(Nossos agredecimentos a Patrick Grant que fez a gravação e disponibilizou o Link)

   

No Blog do Alberto Guzik:

 

O impacto de “Kepler, the dog”

 

É muito poderoso o novo trabalho de gerald thomas, “o cão que insultava as mulheres, kepler, the dog”. vi ontem e ainda está girando na minha cabeça. as imagens, a força das idéias. tudo muito simples, muito despojado, e extremamente requintado. não parece o gerald capaz de inventar máquinas cênicas complicadíssimas. este gerald está interessado em explorar o palco nu, a caixa cênica desventrada, sem nenhuma moldura que a enfeite. o resultado é magnífico porque sofre o impacto da visão de mundo lúcida e arguta do encenador. fabiana gugli está esplêndida, cada vez mais precisa e senhora do palco. e também brilham duda mamberti e pancho capeletti, dominam a cena com extrema segurança. mas é das idéias do espetáculo que se precisa falar. não posso fazer isso agora. tenho um dia longo pela frente. reunião do projeto dos sonhos, depois santo andré, onde estrearemos “liz”, logo mais, no sesc de lá, às 21h. ontem ensaiamos até alta madrugada. e hoje tive de pular da cama bem cedo. então depois vou contar mais e melhor do que vi ontem, e narrar como foi que vi, porque não deixou de haver uma peripécia para que eu assistisse ao pontiagudo “kepler, the dog”, com que jerry está abrindo frentes e vertentes, criando uma dramaturgia a partir de textos do blog, fazendo um espetáculo que, segundo cálculos, seria visto por no mínimo 150 mil navegadores. porque “kepler” foi transmitido pelo portal ig, no igpapo. deixo para vocês uma foto de fabiana gugli e  duda mamberti, enquanto eram acompanhados pelas câmaras do ig, clicada pelo talentosíssimo caetano vilela, que colaborou com gerald na criação de uma luz de tirar o fôlego.

       

           Foto: Caetano Vilela

 

DO ÚLTIMO SEGUNDO:

SÃO PAULO – A nova obra do diretor e dramaturgo Gerald Thomas, “O Cão que Insultava Mulheres – Kepler, the Dog”, estréia nesta quinta-feira (13), às 21h30, no teatro do Sesc Paulista. Quem não puder comparecer terá a opção de ver pela internet, ao vivo, no IG Papo.

A peça é, na verdade, o primeiro capítulo de uma blognovela criada por Thomas em seu site. A segunda parte, ainda sem data de estréia definida, se chamará “O Cão Astrônomo que Estragava Planetas e Estrelas”.

O texto da peça é resultado de discussões e comentários de 11 capítulos anteriores da blognovela, todos criados no blog de Gerald Thomas. A montagem terá atores profissionais e amadores, recrutados a partir de vídeos enviados pela rede ao diretor.

Segundo Thomas, a obra é uma crítica ao universo masculino. “Os homens se consideram o máximo, mas são uns grandes imbecis sempre engajados em guerras, matanças, estupros, emboscadas”, explicou em seu blog.

A crítica, vale ressaltar, não é nada leve. Tanto que a peça tem cenas bastante fortes e, por isso, não é aconselhada para menores de 18 anos.

“O Cão que Ofende Mulheres” será apresentada no Sesc Paulista (Avenida Paulista, 119, Paraíso), a partir das 21h30. A entrada é gratuita. Para assistir, basta retirar senhas que serão distribuídas uma hora antes do espetáculo.

A transmissão pela internet será feita através do iG Papo, também a partir das 21h30. Será possível assistir à peça ao vivo e também comentá-la com outros internautas pela sala de chat. Saiba mais sobre o espetáculo no blog de Gerald Thomas.

 

Serviço
Data: 13 de novembro de 2008, quinta-feira, 21h30
Local: SESC Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 119 – Paraíso
Entrada franca; os ingressos devem ser retirados na bilheteria a partir das 20h30.

 

Ficha técnica
O Cão que Insultava Mulheres - Kepler, the dog
Projeto: Cia. Ópera Seca
Criação e direção: Gerald Thomas
Elenco: Anna Américo, Caca Manica, Duda Mamberti, Fabiana Gugli, Luciana Fróes, Pancho Cappeletti, Simone Martins.

Produção executiva: Dora Leão – PLATÔproduções
Assistência de produção: Hedra Rockenbach
Som: Claudia Dorei
Luz: Caetano Vilela

  

DA ILUSTRADA (FOLHA DE SÃO PAULO):

Gerald Thomas leva ao palco 1º capítulo de sua “blognovela”

Cão que Insultava Mulheres” se inspira em comentários de internautas 

 

 DA REPORTAGEM LOCAL

 

“Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando.” Na voz de Gerald Thomas, a gravação parcialmente transcrita acima abre “O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the Dog”, encenação do primeiro capítulo da “blognovela” do diretor, que tem ensaio aberto hoje à noite. No início da tarde de ontem, a produção informou que o espetáculo será transmitido em tempo real pelo portal iG. Boa parte da dramaturgia, que desafia descrições, foi construída a partir de comentários deixados por internautas no blog de Thomas (www. colunistas.ig.com.br/geraldthomas). Da internet também foi “importada” uma atriz- Thomas pediu que interessados enviassem vídeos inspirados nos textos postados por ele na internet. Em cena, Thomas e sua Cia. de Ópera Seca (em que se destaca Fabiana Guglielmetti) inicialmente sondam os elos entre arte e poder, mas logo se debruçam sobre as relações de gênero e a permanência de certa mentalidade sexista. As intelectuais americanas Camille Paglia e Susan Sontag (1933-2004) comparecem. Segundo o diretor, “Cão” fecha uma trilogia aberta por “Terra em Trânsito” (2006) e “Rainha Mentira” (2007). (LUCAS NEVES) 

 

O CÃO QUE INSULTAVA MULHERES, KEPLER, THE DOG 
Quando: hoje, às 21h30 
Onde: Sesc Avenida Paulista (av. Paulista, 119, 11º andar, tel. 0/xx/11/ 3179-3700; grátis) 
Classificação: não indicado a menores de 16 anos

 

 

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): release Tags: , , , , , , , , , , ,
12/10/2008 - 09:32

UM ANO SEM PAULO AUTRAN

 

Adeus a Paulo Autran – Ilustrada de segunda, 15 de Outubro de 2007, Folha de S Paulo

 

Paulo Autran dominou os truques dos mestres

Ator falava como Laurence Olivier e fisgava o público com seu olhar


GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Chego do velório e percebo que Paulo Autran morreu no Dia da Criança. Não poderia ter escolhido dia melhor. Talvez seja por isso que esse “ator/símbolo de si mesmo” tenha escolhido um dia como esse e tenha deixado sua mulher, Karin Rodrigues, com um sorriso lindo estampado na cara.

Num momento relaxado, indo buscar sua Karin na peça “O Médico e o Monstro” (há mais de dez anos), ele, Ney Latorraca e eu só falávamos cretinices. Sugeri que fôssemos visitar Haroldo de Campos, que morava a três quarteirões do Tuca, e Paulo brincou: “Mas eu tenho que me vestir de “concreto”? Símbolos? Há um mês e meio, ele estava sentado na minha platéia no Sesc Anchieta, numa quarta-feira, justamente duas semanas depois que ele mesmo havia sido “tombado” enquanto vivo, o que é raríssimo.

Sim, o visionário Danilo Santos de Miranda resolveu transformar o teatro do Sesc Pinheiros em teatro Paulo Autran. E o próprio Paulo pediu que fosse o grandíssimo Marco Nanini quem fizesse as cerimônias da ocasião. Assim como no filme “Quero Ser John Malkovich”, agora, finalmente, podia se “estar dentro” de Paulo Autran pagando ingresso. Ele riu disso entre um trago e outro (maldito cigarro!) enquanto discutíamos algo sobre o Terceiro Reich.

“Estar dentro”, dizia Paulo, “tem muitas conotações”. E ríamos… O espetáculo que acabara de ver era o meu “Rainha Mentira” e lidava com campos de concentração, mas o sempre bem-humorado intérprete (diferente de ator que representa) estava se referindo a coisas mais leves, obviamente. Sempre estive ao lado desse homem, e sempre “combinamos algo pra daqui a um ano” mas nunca compartilhamos o palco. Curioso. Fomos até chamados de “elitistas” pelo atual ministro da Cultura.

O restaurante Piselli era o nosso cruzamento acidental mais freqüente em Sampa e lá falávamos de tudo, assim como fazíamos ao longo desses 23 anos, desde a casa de Tonia Carrero, quando eu a dirigia (junto com Sergio Britto, em “Quartett”, de Heiner Mueller), em sua própria minimansão, onde Paulo e Karin se hospedavam, no Rio.

Ator erudito

Ele era um ator e não um representador. Era um intérprete, alguém que vive em todas as épocas, especialmente no futuro e vê tudo no passado. Paulo é, ainda no presente, um educador, um erudito como poucos nesta classe teatral. Ao contrário de tantos que andam por aí, com ele as conversas podiam perambular entre as razões da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, os filósofos gregos, a queda do Império Romano, a divisão da China pós-Revolução Cultural de Mao…

E seu registro de voz era estranhíssimo. Fora da língua portuguesa, digo, brasileira. Ele falava exatamente no mesmo registro (”pitch”) que Laurence Olivier. E, assim como uma criança, tinha a curiosidade de olhar para o céu e observar estrelas. Mas no teatro transformava as estrelas em refletores e nos devolvia a luz de uma lâmpada que batia em sua pupila e nos fisgava, não importa em que ponto ou fundura do palco ele se encontrava. Truques de grandes mestres, já que carisma não se explica.

Ele olhava a imensidão do universo com a mesma intensidade que o urdimento do teatro. Essa vivência é muito difícil de explicar. Mas Paulo será muito difícil de explicar porque, mesmo enfermo, ele não parava de ir ao teatro, de querer enxergar novos talentos, de querer estar no palco por eles, ou melhor, através deles.

O ator morre todos os dias, no momento em que se veste de personagem. Morre de novo quando o personagem morre ou quando a cortina fecha ou quando o público o aplaude ou na solidão do seu camarim.

Quem morreu na última sexta foi uma grandiosa criança chamada Paulo Autran, cujo legado não nos deixará nunca.

Quem sabe ele está estudando um novo método qualquer pra poder nos surpreender novamente. Vai com Deus, meu querido. Fique em paz!

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro

 

Quem quiser assistir a entrevista de Gerald Thomas com o Paulo Autran clique no link abaixo:

http://www2.uol.com.br/geraldthomas/new/entrevistas.htm

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
15/09/2008 - 20:30

CRASH Parte 4 – TRUMP:DOW Jones SOBE 382 pontos: a História revive seus Horrores! Os FEDs entram e SALVAM a AIG/ Pior depressão desde A DEPRESSÃO, dizem os analistas aqui em NY

New York - TRUMP

Tábula Rasa.  Entre os geniais “Porcos Voadores” de Damien Hirst e as acusações da Maureen Dowd de que a Carly Florina não seria (sequer) capaz de dirigir a Hewlett-Packard, o que acontece? Tudo isso está ligado à Sarah Palin e ao Crash econômico que hoje deu a tal melhorada “band-aid”. O Dow Jones subiu 382 pontos porque o plano de emergência do secretário do tesouro (tesoureiro, alfaiate!), Henry Poulson (que alias eh primo de uma cantora lírica soprano que já cantou numa ópera que dirigi em Stuttgart em 1990, “Perseo und Andrômeda”, de Salvatore Sciarrino), se reuniu com o Bush (tão impopular que nem o McCain quer atender seus telefonemas. Chega a ser engraçado de tão patético ou patético de tão engraçado).

Mas, justamente por isso, gosto de quem zomba dos que se levam tão a sério: AMO o Monty Python (ou o que resta deles) e Damien Hirst (ótima a matéria na Ilustrada de hoje). O Saachi está se mordendo e o Nigel Reynolds, do Daily Telegraph de Londres, também.

Maureen Dowd escreve:   Carly Fiorina, the woman John McCain sent out to defend Sarah Palin and rip anyone who calls her a tabula rasa on foreign policy and the economy, admitted Tuesday that Palin was not capable of running Hewlett-Packard.

That’s pretty damning coming from Fiorina, who also was not capable of running Hewlett-Packard.”

Estou sem saco pra traduzir. Ambos os presidenciáveis me deixam HOJE de mau humor: é muita palavra besta rodando pra lá e pra cá. E olhem (todos vcs que me lêem) que sou pelo Obama até o último dos tantos fios de cabelos que tenho.

Mas, vendo a entrevista do TRUMP na TV, não dá mais! Enchi. Ainda sou daqueles que conversa com pessoas. Ontem, num jantar muitíssimo agradável com pessoas cuja identidade preciso manter sob cuidados Fort Knoxianos, as máximas eram “O Governo é sempre o nosso pior inimigo, até que a gente precise de um amigo!”. Bush tem mentido tanto, mas tanto, mas tanto que hoje à tarde, finalmente ele não fez brincadeirinha nenhuma com os repórteres: brincou de fazer cara séria e falou sobre a crise. Ou melhor, brincou de “assegurar” à população de que tudo estaria OK. Claro que os editores pulam em cima e rodam os clips recentes onde ele se contradiz ferrenhamente! Cada dia é uma coisa.

Até que McCain em Iowa explode e diz que – no melhor estilo TRUMP – “would FIRE” (demitiria) todo mundo.

“Se eu fosse presidente, eu o demitiria”, dizia McCain, num tremendo esforço de se distanciar de “George W Bush”.

TRUMP, que apóia McCain, deve ter dado um sorriso. Seu topete virou marca registrada. Seu “You’re FIRED” também.

Damien Hirst e seus porcos voadores, sem saber, também virou marca registrada: porcos de batom.

Agora a coisa está mais ou menos assim: no BURACO. Também não é à toa. Os Suíços fizeram experimentações com supercondutores, não foi? Disseram que isso iria produzir um ou vários buracos negros no universo, não é? Bem, o queijo suíço mais famoso é o Emmentaler, cheio de buraco. O Gruyere não, nem o Appenzeller, mas o Emmentaler tem mais buraco do que queijo!

Já estamos no buraco desde que o Tene Cheba me avisou ontem, num comentário, como a última BlogNovela foi premonitória: Nós, os personagens “nadávamos para fora da crise do capitalismo” em direção ao paraíso: Cuba. Era uma tremenda gozação, óbvio. Paraíso uma ova! A idéia era a de que 200 milhões de americanos, cheios desse negócio de “capitalismo”, fugiriam em jangadas improvisadas das costas da Flórida e fariam a viagem em direção contrária para encontrar o líder ainda vivo e conseguir tocar nas barbas… do…

Ainda mais intrigante: o manuscrito (está no título: era uma forma de celebrar o 11 de setembro de uma forma pessoal) era encontrado, parcialmente queimado nos escombros de Ground Zero, lá onde o Word Trade Center caiu, foi explodido pelos… chega! Estou esgotado de tanta retórica. Está na hora da BlogNovela virar um projeto concreto. E estamos a caminho de fazê-lo. Fiquem atentos, queridos!

Gerald, quinta, dia mais brando do CRASH.

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New York – Quarta-feira, 5:30 da tarde.

Num dia de mais loucuras, onde o DOW Jones caiu mais 450 pontos, o que reina mesmo é a loucura. Não sou analista de sistemas, não sou economista, mas ouço as pessoas, ando pelas ruas e recebo telefonemas. Alguns deles, de pessoas desesperadas: “O que devo fazer? Tirar todo meu dinheiro do banco?”, era um dos amigos. Um outro, já mais velho, que passou por várias crises, vários crashes, acha que dessa vez a coisa é pra valer: “Nunca vi nada igual. As filas nos bancos estavam imensas. Tentei primeiro numa ATM (caixa eletrônica) e nada funcionou. Estamos vivendo um doomsday”.

Meus termômetros não são jornais nem as colunas ou os blogs, mas os amigos, os advogados e amigos que me explicam e me contam a coisa em retrospectiva histórica, não histérica.

“Gerald, você sabe que tudo isso vem de horas e horas e mais horas de pessoas sentadas no DK Room”

GT- DK room? O que é isso?

“É o Don’t Know Room. É pra onde os stock brokers vão, no final – depois que fecha a bolsa, a NYSE e “acertam” os pontos, os nós, tudo aquilo que ficou mais ou menos no ar, todo aquele negócio “subjetivo” que… Bem, você sabe do que estou falando”.

Tento. Esse Blog não é de economia. Mas todos nós que estamos alertas e vivemos com os olhos quase abertos e lembramos dos escândalos escandalosos das “montanhas de manteiga” na Europa (década de 70) (manteiga super produzida e que não tinha saída: Dinamarca, Holanda e Alemanha acumulavam montanhas desse produto da vaca) e todos que se lembram do escândalo chamado de “Great Salad Oil Swindle”, lá pelo início dos anos 70, sabe que o mercado financeiro é tão subjetivo quanto a ARTE. Hoje algo vale isso, amanhã, tal pintor, poeta, etc., não valem mais um tostão furado!

 O “Great Salad Oil Swindle” se resume num cara que ia medir um navio-tanque  (cargueiro) daqueles, ancorados aqui perto, em New Jersey. Ele ia com aqueles sticks… (me faltam palavras, oh blog… coisa rápida…) …stick… é vara! Isso! Vara de medir óleo, como aquelas, que medem o óleo do motor de seu carro. Só que enorme!

Ele ia medir a quantidade de óleo de salada (e depois dizem que Breton e Dali são os papas do surrealismo!) pra verificar a quantidade diária do cargueiro até que um dia… Até que um belo dia o cara leva um CHOQUE! Ele acende uma lanterna e se da conta de que estava medindo somente um pequeno cilindro. O cilindro estava cheio de óleo de salada, sim, mas o resto do navio cargueiro estava …. VAZIO!!!!

Doença da Vaca Louca!

Sim, esses são os tempos! Amanhã os jornais estarão repletos das mais perfeitas análises sobre esse, o dia 3 do mais profundo CRASH dos últimos tempos. Será profundo? Qual seu impacto psicológico? O quanto a mídia aumenta ele? Até que ponto as pessoas são levadas ao PÂNICO pelo que ouvem e pelo que vêem? Ai é que está a questão!

Já disse: ando pelas ruas. Não moro na Upper East ou na Upper West Side e nem no Village. Moro numa zona que não tem nome. Poderia chamar-se isso de Gramercy Park Área, com algum esforço. Mas hoje andei pacas, fui até a rua 12, subi e voltei. O telefone e o skype não pararam. O assunto foi….

O CRASH. Juro, as pessoas estão achando que amanhã estarão fazendo fila na porta da padaria (aqui não existem padarias como tal) com malas de dinheiro tal qual em 1929.

WAIT a second. Mas qual second? Vocês viram quantas demissões no mundo hoje?

Do centro do olho do furacão: Gerald !

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New York – EXTRA ! EXTRA ! Agora, nesse momento, terca-feira, horas após o fechamento da bolsa (NYSE) os Feds oferecem “esmola” temporária à MEGA – ASSEGURADORA “AIG”. O preço desse bail out? 85 bilhões de dollares!  AIG está envolvido no 401K, em empréstimos, em business, em assegurar bancos, etc. Se eles “caissem”, como Merril Lynch e Lehman Bros, seria o fim de Hollywood, por exemplo, pois AIG são as subseguradoras de filmes de Hollywood e até de, pasmem, Angelina Jolie!

Pronto! Os Feds entraram em campo! Nao iria demorar. Agora é imprimir mais dinheiro e a inflação irá pros céus (no mau sentido). E que as nuvens sejam o limite. E McCain ainda pede uma comissão parlamentar para investigar. COMISSÃO PARLAMENTAR? Pra quê? Estão TODOS envolvidos!

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Esse é o CRASH! Essa é considerada a depressão das depressões! Não que eu entenda dessas coisas. Mas entendo quando vejo um âncora como o Brian Williams, da NBC, se “mudando” pros financial headquarters da mesma TV, a MSNBC ou CSNBC ou algo que o valha, com uma expressão de terror e tremor – entre uma e outra, narrando as notícias e perambulando entre as mesas dos experts que ganham a vida “analisando” o dinheiro alheio. “Dessa vez”, dizia Williams, “o problema chegou até nós, pela primeira vez. Amanhã você poderá não estar mais sentado ai”. Wow!

Já cedo de manhã, Fernando Rodrigues (da Folha), havia cancelado os planos de almoço. Senti, pelas notícias de ontem a noite, tarde, que o NYSE, a bolsa de NY, teria um dia duro pela frente pelos eventos da última sexta.

Mas hoje? Caramba… hoje?

Não existe mais a Merril Lynch como tal. É como se deixasse de existir a KIBOM pra vocês. Lynch foi comprada pela BankAmerica e o DOW Jones CAIU 500 pontos. Parece a ilha de Galveston no Texas, que recebeu uma onda (o IKE) e pouco sobrou.

E a Lehman Brothers? BANKRUPCY! E ainda vem aquelas caras empresariais de sempre, com o sorrriso de sempre, dizer “não se preocupem com nada, seu dinheiro está garantido, assegurado!

Como assegurado se um dos maiores grupos financeiros EVER, o AIG, está em Águas Mais Profundas do que Houston, Texas? A própria AIG não sabe como sair dessa. Numa reunião com os Feds, os Feds saíram andando….

Não vou aqui falar muita bobagem, pois deixo que os cadernos de Economia os façam por mim. Só posso dizer que 8 anos de governo Republicano, de subprime, de brincar com dinheiro, deu nisso. As imagens na televisão, dos empregados deixando seus escritórios com as bolsas e caixas com pertences nas mãos é absolutamente deprimente. Mas os governantes estarão sempre sorrindo para nós. Como nos campos de concentração. Não eram chamados assim. Eram “campos de trabalho”: bem vindos. Arbeit Macht Frei.

Gerald Thomas no dia da Depressão das Depressões FINANCEIRAS em NY.

 

Do blog do Fernando Rodrigues:

 

“Na crise dos EUA, um nome emerge: John Thain

Nova York – o blogueiro mata as saudades da reportagem diária na economia. É divertido falar com essa galera apavorada em Wall Street. Eles não sabem o que é ter passado por isso no Brasil tantas vezes.

Mas os operadores estão olhando longe. Querem ver o que sobra do atual pandemônio. E um nome emerge da crise: John Thain, o CEO da Merrill Lynch que conduziu a venda desse banco de investimentos para o Bank of America de maneira até, vamos dizer, macia –dado o ambiente tumultuado.

Thain assumiu a Merrill Lynch caindo aos pedaços em dezembro passado. A ML tinha sido depauperada pelo chefe anterior, Stanley O’Neal, que perdera bilhões na farra dos títulos imobiliários podres.

Thain assumiu e não teimou com a realidade. A Merrill Lynch se livrou de mais US$ 30 bilhões de títulos imobiliários podres (deu tudo a preço de banana para a Lone Star). Vendeu também a participação da ML na empresa de mídia Bloomberg. Em outras palavras, enquanto muitos ficaram esperando ajuda do governo, Thain foi saneando a empresa.”

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
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