24/10/2008 - 07:43
By: O VAMPIRO DE CURITIBA
O Blog
Ontem, dia 23, completamos cinco meses de blog aqui no IG. Neste curto espaço de tempo foram mais de 250.000 acessos. Se formos analisar por páginas acessadas, o número fica bem maior. Este blog, além de ser o mais democrático, onde, vejam só!, até os petralhas têm voz, também é o mais transparente: É o único blog que disponibiliza o “sitemeter” para quem quiser saber o número de pessoas e a região do Mundo de onde o estão acessando. Pelo menos é o único que eu conheço. E se eu não conheço, não dever ser lá muito importante. O moderador? Bom, o Vamp pode não ser o mais eficiente, o mais ágil e tal… Mas, com certeza, é o mais belo da blogosfera mundial.

A Frase da Semana
Como presente aos cinco meses de existência, teremos de volta a temida, a odiada, a famigerada “Frase da Semana”. Bem que o Gerald resistiu à idéia, mas não suportou a pressão dos milhões de internautas raivosos que exigiram a volta da Frase. Milhares de pessoas se posicionaram em frente ao SESC da Paulista com suas faixas exigindo a volta da Frase. Centenas de donas de casas, batendo panelas em frente ao IG, ameaçavam não mais entrar no Balaio do velhinho amigo do Lula caso a Frase não fosse restabelecida.
A Frase desta semana é do leitor “Aninomyous” (ou algo parecido) e foi uma sugestão da Sandra, a miss simpatia do Blog, mais conhecida como “Sandra Quântica”, ou simplesmente “Sandríssima”, para os mais íntimos.
Eis a pérola:

“… mas às vezes na pressa as pessoas não chegam neste ponto, pois não tem sono profundo e a inspiração se perde diluída nos sonhos que continuam poluindo a mente que não consegue cagar…o espírito caga, a mente caga, o corpo caga…quanta merda.”
Parabéns, Aninomyous!
Este comentário do inspiradíssimo leitor, como não poderia ser diferente, ensejou uma ampla discussão sobre a… merda.
Em discussão, a merda

Nestes cinco meses de Blog já dialogamos sobre praticamente tudo. E a proposta inicial, cinco meses atrás, era exatamente esta: De Lula a Mick Jagger, de açaí a deus, não pouparíamos nada nem ninguém. Tudo seria motivo para debates. Faltava o quê? A merda.
Com o propósito de contribuir com o debate, achei este trecho do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, do escritor Milan Kundera. O personagem principal, como vocês sabem, tem o sugestivo nome de “Tomas”. Sem “h”, que ninguém é perfeito.
Dá-lhe Kundera: “Sem o menor preparo teológico, a criança que eu era naquela época compreendia espontaneamente que existe uma incompatibilidade entre a merda e Deus, e, por dedução, percebia a fragilidade da tese fundamental da antropologia cristã, segundo a qual o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Das duas uma: ou o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus - e então Deus tem intestinos -, ou Deus não tem intestinos e o homem não se parece com ele.
Os antigos gnósticos pensavam tão claro como eu aos cinco anos. Para resolver esse maldito problema, Valentino, Grão-Mestre da Gnose do século
ll, afirmava que Jesus “comia, bebia, mas não defecava”.
A merda é um problema teológico mais penoso que o mal. Deus dá liberdade ao homem e podemos admitir que ele não seja o responsável pelos crimes da humanidade. Mas a responsabilidade pela merda cabe inteiramente àquele que criou o homem, somente a ele.” (Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser)
O VAMPIRO DE CURITIBA, cagando e andando para a crítica.
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores, Frase da Semana
Tags: "A Insustentável Leveza do Ser", A Frase da Semana, ateísmo, blog, cristianismo, debate, deus, Gerald Thomas, Gnosticismo, Lula, merda, Mick Jagger, Milan Kundera, O Vampiro de Curitiba, Sitemeter, Valentino
09/09/2008 - 02:35
Contagem anual: 9, 10, 11… de setembro dos INFERNOS!!!!
E a cada ano fica pior. Eu achava, lá no inicio, digo, em 2002, 2003, que iria melhorar. Nada. Essa merda só piora! Vem mais um aí. A data está dobrando a esquina. E a lista de pedidos de entrevista são os mesmos ou um pouco diferentes, mas o martelo bate como se fosse o personagem Clov na cabeça de Hamm em “Fim de Jogo”, de Beckett. Som de lata! Sim, aquele dia foi um final de jogo, um fim de mundo, um final das contas, o holocausto ao vivo. O holocausto dentro dos EUA. Para aqueles que não estiveram em Kosovo, ou no Vietnam, ou em Sarajevo, Uganda, Ruanda, sim, esse aqui foi o que nos atingiu. Não me falem em Hiroshima, Nagasaki, Dresden, Auschwitz, Dachau, Buchenwald porque os ossos de meus parentes estão em cinzas lá. Sem lágrimas. Na boa!
Também vi Vigário Geral!
11 de setembro e as ruínas onde fui trabalhar e, ao voltar empoeirado, massacrado e sem fibra, escrevia meu depoimento para a “Folha”.
Mas o que veio depois foi ainda pior: A política de Bush. Não posso acreditar que estou em 2008 escrevendo isso. Leiam o que quiserem e acreditem em quem quiserem, juro que não agüento mais discutir como estrelar um ovo. Você agüenta? Não, não agüenta. Tenho aqui na minha frente todos os livros de Woodward e o 9/11 Commission Report e o livro de George Tenet e o de Frank Rich e uma pilha de livros que nem eu mais agüento ver ou ler. Náusea. Não, nada a ver com o Sartre, não.
Não posso acreditar que estou em 2008 me vendo diante de John McCain e Sarah Palin e sua pequena vila pentecostal no Alasca. Essa radical quase fundamentalista que transborda “pecados” por todos os lados. Transborda? Como assim? Sim. Marido bêbado que é pego dirigindo “sob a influência”… “DUI”, chama-se isso aqui.
“Deus quis”… Ai, meu deus! Qual deus? Qual deus? “Deus é o maior problema, não a solução”, dizia um grafiti numa calçada em Brooklyn, nos dias após os ataques.
Não. Esse jogo de novo, não. Sou de teatro, mas odeio a repetição!
Será que escrevo sobre os ingressos do show da Madonna na Argentina que esgotaram em questão de horas? Digo, a mesma Argentina que vaiava Madonna por interpretar Evita Perón na sacada da Casa Rosada… Não, não irei entrar nessa de falar sobre a Madonna. Vou tentar me distrair com a ótima entrevista concedida por Alec Baldwin ao ”60 Minutes” de domingo último, em que demonstrava ser “outrageous”. Um cara de coragem singular por ter se “excluído” de Hollywood. Sim, e por quê? Porque sim! Porque George Bernard Shaw diria que ele seria um caso muito “peculiar” e que pertenceria ao equivalente a Fabian Society ou que ele atrairia muito mais atenção sendo um excluído! Faz sentido. Pouco. Tanto quanto Palin, Deus, Jews for Jesus ou campanha eleitoral onde VALE TUDO, ou seja, nada!
De volta a realidade, Gerald! Volta! O ex-pastor, ministro, sei lá como se chama isso, da igreja de Sarah Palin (a Wasilla Assembly of God) falam em jivês, em gírias. Não, gírias, não. Falam como se fala no candomblé. Ou seja, quem é de fora não entende. É para não entender. É que nem o meu teatro. Epa! O ex-pastor de lá, o tal de Brickner, dos Jews for JESUS (Judeus por Jesus) acha que os ataques a Israel são justificados pelo seguinte: Ouçam bem: porque os judeus não procuraram por JESUS!!!
OLHEM o NÍVEL de loucura em que está metida a nossa potencial VICE presidente! E eu, tentando fazer o meu anual memorial sobre o 11 de setembro que vem sombrio, sóbrio, frio, estúpido, como todo setembro vem! ESTÚPIDO!
Olhem o potencial nível de loucura ao que chegou o Jihad propagandístico da política: É um deus contra o outro.
O que eu vi da minha janela na Kent Avenue em Williamsburg, naquela terça-feira de manhã? Os aviões batendo no WTC, os prédios em chamas, os prédios caindo… muita gente morrendo e eu indo trabalhar em GROUND ZERO por VINTE E UM DIAS. Foi o que eu vi e vivi. Mas o que foi que aconteceu, por trás das paredes políticas dos que escrevem o DRAMA?
E, fora o petróleo, e a indústria bélica e a indústria do lucro, qual outra intenção? A de estabelecer uma nova ordem religiosa, a new religious RIGHT no mundo, usando Bin Laden (ex Cia nas Afghan mountains contra os russos)… Será? Não, estou sendo um Hamletzinho. Agora que o Musharaff nem “está” mais no Paquistão e o marido da Benazir pegou o poder… o que será? Caos total? A ordem é essa?
Para que liberassem um bando de mentiras?
E que construíssem uma CONSTITUIÇÃO paralela, mentirosa, ilegal… Não, não foi para isso que engoli kilos de asbestos, de amianto. Não foi para isso que segurei sapato com um pé dentro ou camisas… Chega!
Palin mudou de igreja, mas, como pergunta Larry King, “o que nós temos a ver com isso?” Por que isso determinaria o futuro do Commander-in-Chief? Desde quando isso é assunto? Agora ela freqüenta outra pentecostal , mais parecida com uma pipeline (oleoduto), a coisa mais cobiçada pelo estado do salmão, dos esquimós e do bacalhau negro!
Ah, a igreja agora é a outra, do outro lado da rua, e os pastores mudam de nome, vão de Tim McGraw até Larry Kroon, mas são todos a favor desse abominarrável Jews for Jesus, Jesus for Cheese, Cheese for Jesus, Jesus for Cristus, I for Isus, Pumpkins for Ravolis, Ricotas for Veal and so on, e assim por diante e com essa CARTA BRANCA se entra em qualquer país, se destrói, se desmonta, se mente em nome do santíssimo. E se sorri marotamente, assim como Madonna (olha o nome, que ironia!) sorria nos balcões da Casa Rosada com um sorriso amarelo quando a população portenha queria expulsá-la porque a sua santíssima Evita Perón havia sido manchada de um sangue impuro, assim como Brunhilde havia sido manchada com o sangue dos planetas e no desmanchar do castelo de Walhalla… E a Sarah Palin ainda vai me pertencer a uma organização obscura????? (sim, ela existe) Que acredita QUE O MUNDO ESTÁ PERTO DO SEU FIM!!!! E QUE O ALASCA SERÁ O ÚNICO LUGAR SALVO PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM JESUS. Caramba! Está uma coisa muito… o que mesmo?
Isso ultrapassou os limites de uma campanha presidencial. Isso aqui virou uma verdadeira AMEAÇA!
Gerald Thomas
Sobrevivente. Contagem regressiva e ainda sofrendo de Post Traumatic Shock Syndrome!
(Na edição: O Vampiro de Curitiba)
09/09/2008 – 23:29Enviado por: Tene ChebaGerald Thomas, sinceramente, o Iraque foi uma disponibilidade que não poderia ser dispensada, na minha opinião.Também para mim, foi um consenso político entre os Democratas e Republicanos, não se gasta o PIB do Chile por ano com uma alçada apenas.No meu ponto de vista,(coisa mais antiga, propaganda de ótica, Ponto de Vista, a melhor), o Iraque serviu para três coisas, desmobilizar um estado com tendências muito perigosas, criar uma barreira geográfica para proteger Israel, Arábia Saudita e menores laterais, vizualizar o Irã mais proximamente.Eu não acredito, que com as poderosas ferramentas disponíveis para tomar decisões, o despropósito ocorreu.A Jordânia vendia petróleo iraquiano, furando o bloqueio da ONU, Kofi Anan, este sim, através do seu filho, deitou os cabelos, e depois foi réu confesso.Não sei, alguém teria que alterar aquele absurdo, 5.000 curdos, mais os xiitas, um motivador e tanto. Gostei, só para variar, do seu texto, incrível que seus textos sempre nos desorganiza, ficamos atordoados, as quatro estações, rir, chorar, feliz e triste, perplexos, no parágrafo final, beijamos a lona. Você é demais.
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: 11 de Setembro, Alasca, Alec Baldwin, Argentina, Auschwitz, Benazir, Bin Laden, Buchenwald, Bush, campanha eleitora americana, Dachau, deus, Dresden, EUA, Frank Rich, George Bernard Shaw, George Tenet, ground zero, Hiroshima, Hollywood, industria bélica, Jesus, Jews for Jesus, judeus, Kent Avenue, Larry King, Madonna, McCain, Musharaff, Nagasaki, new religious right, Obama, obscurantismo, Paquistão, Ruanda, Sarah Palin, Sarajevo, Tim McGraw, Traumatic Shock Syndrome, Uganda, Vietnam, Vigário Geral, Wasilla Assembly of god, wtc