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25/02/2009 - 02:31

Obama e o Carnaval Brasileiro

 

Miami — Enquanto os brasileiros estão pulando seus últimos momentos de Carnaval e fazendo réplicas de Teatro Municipal na Marquês de Sapucaí (seria interessante, também, ver um contraponto: a Marquês de Sapucaí dentro do Municipal – e por sua vez, com uma réplica do próprio Municipal – criando um labirinto de Escher, infinito e ensurdecedor), os Estados Unidos da América estão no TRABALHO!

  
O Presidente Barack Obama falou ao membros do Congresso e Senado e Convidados especiais. Não era exatamente uma State of The Union Address apesar de ter a cara do State of the Union Address. Foi, certamente, o mais EMOCIONANTE discurso de qualquer presidente EVER que já vi ou já ouvi nesses 54 anos em que habito esse planeta.

 

Barack Obama fala normalmente. Não se trata de oratória. Não tem aquele canto, aquela projeção desnecessária que político adota uma vez que se percebe político (assim como ator que se percebe ator!).

 

Enquanto o País em crise permanente (o Brasil) festejava mais um longo e badalado feriado, Obama e os EUA foram à luta. O Brasil pré-Medeia, ou quase Hamlet, só fica na terra do “quase”. Aqui é o seguinte:

 

Desde que assumiu a liderança no dia 20 de janeiro, Obama vem lutando pra passar suas idéias. E não são poucas.

 

Hoje ele as delineou por 52 minutos na frente de seus inimigos republicanos e amigos democratas. E, ao contrário dos eternos panos quentes brasileiros onde NUNCA HÁ CRISE, aqui o Presidente é justamente o PRIMEIRO a dizer que estamos na PIOR recessão desde a Grande Depressão (1929). Mais ou menos como colocar a réplica do Teatro Municipal dentro do Teatro Municipal e assim por diante!

 

“Nós nos reconstruiremos, nos recuperaremos e os Estados Unidos irão emergir mais forte que antes”, dizia Obama, de pé, diante de Nancy Pelosi e seu vice Joe Biden. “Ninguém mexe com o Joe” (nobody messes with Joe!), citando uma frase de Mean Streets de Martin Scorcese. Temos um presidente culto, educado. Santo Deus, que diferença!

 

Até os republicanos apertaram sua mão quando fez sua entrada triunfal! E como foi triunfal! Pois é, que loucura!

 

Os jornais de amanhã trarão detalhes explícitos sobre o discurso. Não estou aqui para isso. Mas me impressiono, SIM, e me emociono, SIM, com alguém que tem a coragem e tem princípios de admitir os erros do passado sem (necessariamente) ter que perseguir aqueles que cometeram esses erros.

 

A América está caindo para trás da China e da Alemanha, do Japão e outras nações em termos de produção de energia limpa.

 

Será que ele esqueceu do Carnaval Brasileiro? Não se produz energia limpa no carnaval brasileiro? Afinal, são 6 dias sem se produzir porra nenhuma. E produzir porra nenhuma é… no mínimo, limpo. Não é?

 

Ah, claro. Tem esse bostinha do Bobby Jindal, de Louisiana, que os republicanos inventaram agora. Sarah Palin não deu certo, fez o partido de idiota total, então agora o GOP pegou uma pessoa de “pele escura”. Não são curiosos esses republicanos? Pois ele se pronunciou logo após o ovacionado Obama. Não tem importância. Já eram 11 da noite na Costa Leste. Ninguém ouviu, nem eu.

 

Claro, Obama tomou conhecimento do descontentamento do público sobre o bailout (salvamento) para os bancos, para indústria automobilística, etc.. Mas anunciou um FIM, num tom quase ditatorial que – com dinheiro PÚBLICO do contribuinte –  os CEO’s desses bancos estariam com suas fichas transparentes de agora em diante e SEM JATINHOS PARTICULARES. FIM. FIM DE UMA ERA.

 

FIM DE PARTIDA.

 

Ah, sim, e em falar em fim de partida (já que ele foi o único senador a votar CONTRA a invasão do Iraque), hoje, mais uma vez, ele colocou seu plano de SAÍDA das tropas de lá. Não disse quando. E isso me preocupa cada vez mais. Pois parece cada vez mais longe.

 

Ah, claro. Falou que NOS ESTADOS UNIDOS NÃO SE TORTURA MAIS! (ovacionado até pelos militares presentes – e não eram poucos!). Referia-se ao fechamento da base de Guantánamo!

Ou seja: admitiu hoje, como em outras vezes, que JÁ SE USOU O MÉTODO DE TORTURA!

 

“Foi em momentos de crise profunda que esse País se ergueu. Na Guerra Civil  nos colocamos nos trilhos. Na Depressão dos anos 30 construímos nossas autoestradas, foi numa crise que colocamos o homem na Lua! Não temos mais o DIRETO de ver a garotada cair fora das escolas porque cair fora das escolas significa cair fora dos Estados Unidos (Quitting América).”

 


Forte este último parágrafo para alguém que caiu fora da escola e aprendeu tudo sentado na vida ou numa biblioteca ou nos palcos de teatro… foi um pouco ditatorial, mas sei do que ele está falando. Ele fala (indiretamente) do nível baixíssimo do sistema educacional em que se chegou aqui. Fala (indiretamente) do outsourcing, da exportação da força de trabalho, do fato de que os USA inventaram a energia solar,  mas quem fabrica a pilha é a Coréia do Sul ou a China e isso é enfurecedor!!!!! E ele fala também, assim como nenhum líder brasileiro tem CULHÃO de falar, porque o povo brasileiro não tem CULTURA pra ouvir que a ERA FORJADA da GUERRA FRIA acabou: “Nao usamos mais armas da época da guerra fria. Então, fim! Fim disso”.

 

Ovação

 

Assim, dessa mesma maneira, ele foi ovacionado quando respirou, olhou um por um nos olhos e disse: “olha aqui… podemos divergir em vários pontos. Afinal, política é isso. Mas eu tenho a certeza absoluta de uma coisa: somos todos cidadãos americanos nessa sala. Todos amamos esse país. Todos queremos que a América seja um sucesso”.

 

Gerald Thomas

 

 

 ( O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
15/08/2008 - 00:41

TOLERÂNCIA ZERO

TOLERÂNCIA ZERO – possivelmente um último artigo TEXTO REVISADO (elogiando os dois comentarios escolhidos para ilustrar o texto: o do Carlos e o do Anonimyous)

“’Terra de maluco’, você quer dizer, o Blog”?- indago a uma amiga que me escreve indignada.

 Mas, caramba, qual é o nível de tolerância que se quer ou se exige de uma legião de pessoas que interagem e discordam sobre temas? “Você quer um “designer blog”, feito só para você? “Sim, muitos blogs são pura “self promotion”, muitos são somente sobre UM assunto e muitos são sobre aquele assunto específico.

 Ontem mesmo, o IG quis me classificar como “aquele que escreve sobre teatro”. Reclamei dizendo que posso até ver o mundo e suas (idiot)sincrasias a partir de referências teatrais. Afinal, as grandes obras de grandes dramaturgos olhavam para o palco do mundo e faziam dele uma maquete para o seu pequeno microcosmo.

Mas não escrevo sobre teatro e sim eu “fervo” sobre eventos do mundo atual. Atual? Não, que atual nada. Eu trago para a atualidade “coisas” como no texto de ontem, tipo o Muro de Berlin, ou levo para a perspectiva histórica a lenta e gradual morte de Amy Winehouse. Ou ainda falo de Cartola como se ele estivesse onipresente. Meto o pau na imprensa toda por ser um monólito – monobloco, monocordio,  incapaz de enxergar o homem LIVRE nesse labirinto de seres humanos em busca de uma identidade digna num mundo de regimes xenofóbicos e fundamentalistas. Ah, sim… Muitos estão para renunciar e muitos oportunizam a situação. Muitos, como o Sarkozy, são presidentes que são mera “photo opportunity”, mas como nada tenho a ver com a “Vive la France”, não serei eu a meter o pau nele. Dona Carla fará isso!

Não, não escrevo sobre teatro. Escrevo sobre a teatralização ou a bestialização do absurdo que as coisas tomam em sua dimensão quando nicknames e pseudônimos começam a travar uma guerra entre sí e o tema da matéria fica completamente esquecida: dedos em riste, os blogueiros me chamam de qualquer nome, me advertem com o indicador no meu nariz e dizem tudo aquilo que eu já sei e já vivi (mas que eles não têm noção de que eu já vivi), entende, dona Maria? Porque naquele momento o brio e brilho são somente DELES, ou melhor, de vocês. E ameaçam: “Nunca mais entrarei nesse blog!”

Eu ameaço de volta: “estou fechando o blog”. Criando, assim, uma típica e dupla e tripla  e volúptica relação passional ‘dramática e teatral” sim, só que não descrita por mim, mas pairando no ar. Alguns voltam, eu volto. Alguns jamais voltarão, pro bem de ambos. Nervos estressados, unhas roídas, mas todos com as portas entreabertas, ou semi-fechadas, ou olhos bem fechados e ouvidos bem abertos! Os egos estão feridos!

Vocês só querem ler aquilo que  acomode as banalidades  que lhes facilitam a vida? Mesmo? Tem tanto blog de auto-ajuda por aí… Tem tanto teatro que tem a fórmula do choro por aí, colocando gente pelo ladrão! E Tem-Tanto-Político-Enchendo-os-Bolsos-com-o-Teu-Dinheiro (TTPEBTD) fazendo isso descaradamente e impunemente… Eu, Mané? Tô fora!

Olhem só esses dois comentários do post abaixo, sobre Tio Sam: Isso sim da alegria de ler:

Carlos, EX-BLOGUEIRO:

“Como eu dizia mais acima: a facilidade de se opinar não significa que não temos que ter responsabilidade sobre o que é escrito!

A questão dos EUA, dos brasileiros, dos imigrantes, enfim, é muito, muito mais complexa do que dizer que um é melhor do que o outro, ou de atacar um país e defender o outro. Pela própria história dos EUA, desde seu princípio, a questão da liberdade e da ideologia americana é extremamente complexa!! Não dá pra analisar só o que é bom ou só o que é ruim!!
Vamos com calma nessas discussões.

Eu lia na Economist sobre aquele monumento em Mount Rushmore, aquele com as figuras de George Washington, Lincoln, etc, encravadas nas pedras no alto da montanha. Pois bem, para os índios que ainda vivem naquela região, o monumento é o próprio símbolo do total desrespeito e descaso contra eles. Isso porque era uma região que pertencia (e teoricamente ainda pertence) aos índios Sioux e que foi violentada (assim como ocorreu no Brasil…etc). E porque me refiro a isso??? Justamente pra mostrar a complexidade dessas questões!! De um lado, o ideal Republicano, a independência dos EUA, a essência de uma nova Nação, a liberdade do cidadão americano contra a exploração dos Ingleses, do outro os seres humanos que já estavam ali e que foram massacrados pelo homem branco em sua NECESSIDADE de criar um Mundo Novo. O fato de milhões de latinos terem “invadido” Los Angeles (olhem o nome da cidade, é inglês?) tem diversas causas que vão lá pro século XVIII!!! Em dez segundos, olhem o que achei nessa nossa internet: “In 1781, 44 settlers of mixed Spanish, Indian, and African descent staked out turf for the pueblo that would become Los Angeles”.
E depois disso teve a guerra entre México e EUA, onde o Estado do Texas foi anexado aos EUA…ou seja, CLARO que existem milhões e milhões de mexicanos nos EUA. FORA ISSO, a corrupção, a pobreza no México é ENDÊMICA. Assim como no Brasil. Oras…pra onde ir??? Claro que o caminho é os Estados Unidos!!! Daí origina os ilegais os muros, a polícia…etc,etc….VAMOS PESQUISAR sobre os assuntos ANTES de colocar frases feitas, antes de tomar posições maniqueístas sobre as coisas! Esse é o grau de complexidade de um pequeno sub-tópico: Estados Unidos e imigração!! A coisa vai longe!!
O blog pode ser uma grande ferramenta pra educar a todos.
Precisa calma…de todos os lados…”(fim).

E tem mais esse:

Enviado por: Aninomyous

“Ser anti ou não ser é social demais para mim, intelectual demais para um insignificante ser humano como eu, so que dentro da minha lucidez quero falar um pouco de Deus, apenas na parte que me toca….na verdade, todos são responsáveis por seus atos, diferentemente de religião ou política que são SEMPRE eventos SOCIAIS, eu busco sim a Deus, só que isoladamente, confesso que também não sou totalmente AMOR como deveria ser ao me chamar de Cristão, ou se puder escolher eu encarar Deus na forma Humana, face a face, saber que ele sentiu na ‘pele’ o que é ser Homem e que talvez até ele tenha sofrido mais que eu, até pelos ‘meus’ pecados…sem ataques pessoais, nem qualquer tipo de agressões…afirmo que pude apreciar sempre e encontrar o centro de minha ignorância, não nego ter ela e que ela é tão infinita quanto o vazio que cerca minha existência! não me envergonho pois uso esse vazio para preencher com um pouco do que se manifesta em meus atos, meus objetivos e minha personalidade, consciente ou inconsciente…mais tolo seria eu querer me dizer responsável por mim, querer me ‘chamar’ de EU…Eu isso…Eu aquilo…se simplesmente não sou nada! 
Eu poderia ‘guardar’ comigo todos os elogios ou críticas, me encher de vaidade ou cair na maior deprê…só que…não sou nada! não vou reter mais do que as escolhas que eu mesmo fiz em meu caminho, e trato da mesma forma aos elogios e críticas…prefiro não tê-los, ser anônimo embora reconhecidamente individual…mas não é de mim que eu quero falar aos incredulos, mas de Deus! no pouco de experiência que eu tenho nesta busca, pelo que eu saiba, nenhum gênio da Humanidade se fez sozinho, sequer algum deles ou sua tão bajulada Ciência fez algo do nada, e de vazio eu entendo, porque nossas mães não tem o conhecimento para nos gerar, e mesmo assim o fazem (inicialmente no mó prazer, depois na mó paciência, pra finalmente nos conceber geralmente com grande dor) tudo bem, me chamem de FDP pois sou mesmo! mas minha mãezinha éra uma santa….eu sou, não ela! ok?
Pelo contrário, quanto mais ignorantes mais filhos elas ‘fazem’…tudo isso desde a mais remota era…independente de falar da teoria o sujeitinho x ou y, eu queria dizer que para ‘mim’ pessoalmente, mesmo eu sendo um FDP, tendo gente que eu simplesmente ‘esmagaria’ feito uma ‘barata’, ainda sim acho tudo isso sagrado…’amo muito tudo isso’ apenas pelo verdadeiro Rei, estes corpos são templos onde habitam nossos espíritos (de porco ou não) sagrados porém, embora quase sempre habitados por espiritos sem fé…já chego lá…calma…toda essa experiência para a infelicidade dos egoistas e materialistas não é voltada ao sujeito deles, mas sim para Deus e sua Obra…pobres tolos não sabem que estão na História Dele e não são nada, porque se ou quando Deus lhes retirar isso, nem isso eles poderão ter mais…porém outra revelação é que faz com que me toque a parte Cristã, e somente por Ele é que perco meu Sagrado tempo de vida em responder assim…é que aqueles que escolhem ser ‘pecado’ assim serão, serão um com o pecado, e os que escolhem ser ‘espírito’ assim serão, um com o Espírito…porém Deus é espírito, e aqui temos o Holy Gost (assim escreve?) Espírito Santo de Deus…o que retorna à questão, se vc não é nada e tem a oportunidade de ser, escolhe não ser? esse é o direito da livre escolha, e em seu livre arbítrio não dirás nunca ter sido avisado das consequências, pois antes este corpo não é teu, mas grava tudo que faz, pensa ou vê, é testemunha dos outros, mas mais ainda é mais testemunha de ti…pode ser ele a te julgar no teu fim! com tua imagem serás condenado pois teu corpo grava tudo o que vc pensa ser em suas atitudes esnobes.
Obrigado a quem ler isso…eu não quero converter ninguém e nem dizer essa ou aquela religião, só deixar um pouco da minha insignificância no ar se assim for permitido.” (fim).

Não sei muito explicar porque selecionei esses dois comentários (ou melhor: sei sim, Sao GENIAIS!!!), para explicar  o seguinte: Sinceramente não sei se vale a pena, para mim, dramaturgo e diretor (que não pára quieto,  pulando de país em país), reportando suas viagens, ponto e vírgula… e essas reportagens poderiam ser “ducacete”, mas não! PARECEM SER OFENSAS PESSOAIS a maioria de VOCÊS leitores e isso eu não entendo, pôrra! Plagiando Tom Jobim nesses 50 anos de bossa nova: “No Brasil, o sucesso alheio é OFENSA PESSOAL.”

Sim, o Brasil tem uma questão SERíSSIMA com a questão do “outro”. “Inveja” seria dizer pouco.

 Se sou feliz? Isso não é da conta de vocês. Meu erro foi contar muito da minha vida pessoal. O que vocês  acham é sempre PREconceituso. Se sou feliz? Vocês acham que estou por aí “TURISTANDO”?

Não preciso me justificar para vocês!

Mas uma coisa é séria: não acredito mais nessa forma de ser julgado. Aceito que o texto seja lido e, pra quem tiver tido alguma experiência relativa ao texto, ótimo: se manifeste. Mas não: “EU ODEIO os EUA!” (de gente que nunca pisou aqui e equaciona governo e política com vida: isso seria equacionar o período da DITADURA MILITAR BRASILEIRA COM A POPULAÇÃO DA ÉPOCA. FAZ SENTIDO?)

NÂO MESMO! Mas o clichê mais forte do PREconceito é o de criar uma máscara pronta e vestir o inimigo com a cara de um fantasma qualquer que odiamos!

Muito menos acredito nessa forma de ainda persistir em escrever pessoalmente para alguns amigos e amigas, para saber o que aconteceu, e levar uma esnobada! No way! Tem me acontecido isso nesse ano de 2008. Devem ser os planetas. Deve ser o Clarke Kent. Sei que sei muito as coisas que não sei ainda, mas nunca cansarei de ir atrás porque a internet não é e nunca foi a minha prioridade, e sim, o palco, a literatura.

Vou ficando por aqui. Confesso que não está sendo fácil ser racional, formular algo sóbrio num estado sóbrio. Não deve ter sido fácil se despedir em vida de alguém que ainda não morreu. Mas estou em luto ou de luto e num estado difícil de descrever.

Talvez a melhor maneira será mesmo a de não escrever. Dessa forma ficarei mais focado em meu trabalho teatral e o IG poderá, com orgulho, me classificar como um “escritor teatral”.  No meio tempo, esse “meantime”, que é “mean” enquanto também é “time”, malvado como ele, só esse tempo, me dará a chance de viver a Convenção dos Democratas em Denver, desenvolver os trabalhos de ópera e teatro que estão mais que devidos e parar de responder como um RÉU DIÁRIO as mais ridículas acusações.

Desejo a vocês tudo de bom. E, do fundo do meu coração, eu agradeço. Mesmo! E, me autoplagiando (da peça “Ventriloquist”): “Vou sentir saudades. Vou mesmo!”

LOVE

Gerald Thomas

New York 15 de agosto de 2008

(Vamp, na última edição)

tres comentarios (2 a favor, 1 contra)

 

  1. Enviado por: Sergio FonsecaPrezado Gerald Thomas,
    Gostaria de fazer um apelo a voce para que continue articulando o seu blog. Voce é especial e seus textos são diferentes, contém algo de vivo, na verdade, vital para o nosso espírito pós-moderno de insatisfação total com tudo e todos. Não é só o “seu” teatro e a sua biografia, os seus pensamentos são um emaranhado de sentimentos fortes, contraditórios e vivos. Exatamente como é a vida pós-moderna. Não sei se voce vê algo na pós-modernidade ou se vê mesmo a pós-modernidade, de qualquer forma o seu itinerário intelectual e biográfico lhe põe no centro da pós-modernidade. Para nós é uma oportunidade magnífica de ver o grande autor teatral lidando com as questões atuais, mostrando nas entre-linhas como que é gestado no coração e na mente de um dramartugo as idéias e percepções das criações artisticas. Não vá Thomas, não nos deixe sós!
  2. 15/08/2008 – 11:03Enviado por: Jose Pacheco FilhoPessoal atenção.
    Vamos nos unir e solicitar ao maquinista que não deixe o nosso trem sem condutor. Já deu para notar que forçando a barra nós podemos conseguir uma reconsideração.Quem sabe poderemos ter mais lá na frente um:-diga aos blogueiros que fico.O maquinista toma seu lugar.O trem retorna seu caminho e damos o assunto por encerrado.E eu ficarei feliz continuando esta viagem que eu mal comecei a tomar gosto e de repente vi a ameaça de ter que ficar no meio do caminho.Vampiro você que é mais chegado em relacionamento faça um apelo de caráter pessoal.Ou outros ai que estão viajando a mais tempo do que eu.Apelem,apelem e apelem.Mais valem as lagrimas de não ter vencido do que a vergonha de não ter lutado(esta frase eu copiei em um bar de Santa Catarina e nem sei porque me recordei agora.Mas parece que ficou bacana e assim vou encerrando.Obrigado.
    Pacheco.
  3. 15/08/2008 – 11:14Enviado por: Rogério SimõesNa era do marketing tudo vira produto e se é um produto tem que ter um rótulo com as informações bem explicadas, quer dizer mastigadas.
    Não tem problema não, pessoas como você são extremamente necessárias, esse blog fecha aqui, mas já já estará aberto em outro lugar.
mais um (bem legal)
15/08/2008 – 12:41Enviado por: StefanoDa minha parte posso apenas dizer: debate! Acho que o que pegou mesmo foi que o texto de Gerald, seu texto sobre Tio Sam, acabou colocando você na defensiva no DEBATE. Eu, que não tenho contato nem relações aqui – só entrei umas 3 vezes, acabei citando Guantánamo e aí a coisa pegou fogo. Você se sentiu forçado a explicar o óbvio, como disse, é contra qualquer tipo de tortura . Cansativo manter um blog polêmico, com certeza há que se por na balança, prejuXbenefício. Não foi nada de bobeira, tipo você é isso, você é aquilo, foi a hiperexposição, como se você, Gerald, tivesse que justificar suas posições e firmá-las, mas e se você não tem a convicção da certeza das idéias? Obrigar-se a uma coerência cansa também. Espero que o blog continue, mesmo que eu apenas seja um leitor casual, há muita coisa mesmo para se fazer na vida. Abração GealdThomas e aos demais participantes.   

 

O CORVO (daqui a pouco te publico aqui, mas o espaco esta diminuindo)

marden bretas, cade tu?

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,
24/06/2008 - 12:44

“True Lies!”, sim aquele filme de 1994, a morte de George Carlin e um pau duro na mão sem um orgasmo à vista!

New York –  George Carlin está morto. Aliás ele falava muito da falcatrua sexual em tudo. Como? Não entendeu? Falcatrua no sentido do pacto/ corporativo/ orgiástico/ governamental/ religioso: sim…. trepar, em orgasmos, desde o próprio, o gozo, ou o gozo político. Gozava de tudo. E gozavamos com ele. Agora, morto, estamos todos secos. Esse tipo de obituário mórbido nenhum jornal publica. Digo, nós da (ex)contracultura que ainda berrávamos, ainda berramos, ainda tentamos ser politicamente incorretos, estamos um pouco mais amputados, amputados assim como Manhattan ficou no dia em que o Word Trade Center foi derrubado.

As torres gêmeas eram um símbolo fálico, se assim quiserem. Bin Laden derrubou aquilo que Andy Warhol chamava de “nada vezes dois” ou os prédios que eu vi crescer, e que eu chamava de arquitetura da minha era (já que eu os vi tombar da minha janela em Brooklyn), eu os comparava a “Esperando Godot”, uma peça em dois atos onde “nada acontece” (palavras do ex-crítico Walter Kerr). Mas por que tudo isso? Ah sim, porque algo nos calou. Até Carlin… até hoje….mas temos a campanha de Barack Obama.

Carlin, cara, era o MÁXIMO. Sua fase “dura-hippie-FM” começou na década de 70. Mas todo mundo ontem falou sobre isso. O programa do Larry King teve o Jerry Seinfeld e Bill Mahr e outros convidados, e a OpEd page do NYTimes de hoje traz um artigo do proprio Seifeld sobre o mais venenoso “americano-anti-americano” de todos os comediantes (“estou velho mesmo, o que eles podem fazer comigo?”, dizia ele). Morreu mais ou menos dez dias após Tim Russert, e umas três semanas depois de Bo Diddley. Em 2008 é um por semana que vai. Merda!

Querem saber? O público ria de nervoso do humor antipatriótico e agnóstico de Carlin. Mas aqui não se fala em outra coisa senão o preço da gasolina e do barril de petróleo (black gold) e dos Saudis Saudis Saudis (como se fosse uma saudacão!) e de reservas de carvão no Canadá que “viram” gasolina através de um processo químico, e da indepêndencia do Brasil e da Venezuela de petróleo estrangeiro. Ah, fala-se também do etanol e dos carros flex, e está todo mundo sem saber o que fazer com os seus enormes SUVs que “bebem” gasolina!!!! Portanto, a morte de um artista não vale nada. Melhor, vale pouco: a população quer seus carros, suas highways lotadas, suas SUVs e Hummers na estrada e? E o quê? Com o galão a mais de 4 dólares e centavos, está todo mundo com o cu na mão.

O que era lindo ontem, é um monstro hoje!

Estranho isso. Estranho uma ova. Pra quem não conhece o curso da História, tudo é estranho. Tudo é um ninho, tudo passa a ser um passáro sem asas, castrado, em seu próprio ninho, berrando em grego clássico algo como “platão platão, venha pro diálogo!” Ninguem entende nada. Reportagens mil, e o povo começa a entender quem detém o real (real de royal) poder no mundo: os arabes: os Saudis. Ou aqueles que sentam em cima dos terrenos que ainda JORRAM, ejaculam petróleo e mandam em seus preços!

Ah sim, ejaculam.

Mas quem ouviu, desde cedo, como eu ouvi que “um dia, o caseiro largou tudo, e apontou o dedo na nossa cara e nos chamou de JUDEUS, e disse que voltaria com sua turma pra se apossar da casa”, nada assusta. Isso, contava minha minha mãe, meu pai, minha avó, era 1936. Berlim.

Sim, algumas coisas assustam: a dificuldade de se chegar ao orgasmo.

Cade você Willem Reich?
Mas quando se toma antidepressivos o efeito “buffer” eh de fato, estranho. Tentar distinguir entre metáfora e realidade fica difícil. Chora-se com bobagem. A emoção fica longe, porém aqui dentro num ‘rehab’ interno, presa, querendo sair. Estranho mesmo.
Deveria ter um obituário diário para aqueles que não conseguem ter orgasmos: esses antidepressivos deprimem. Não, não é que deprimam. Te afastam da vida. Sim, melhora um pouco. Mas te deixam com o pau na mão.

“TRUE LIES”

Já o filme de 1994 de Jim Cameron, com Schwarzenegger, “True Lies”- “Verdades mentirosas” ou “mentiras verdadeiras” (tanto faz), pode ser uma maneira interessante de nos contar como chegamos até aqui. Digo até aqui, a administração Bush, e a administração do próprio Arnie, hoje governador da Califórnia, republicano com um pé no partido democrático pois é casado com Maria Shriver, uma Kennedy. Arnie está cogitado pra ser um dos membros do próximo gabinete de Obama, se eleito.

Parece mentira. Ou melhor. Parece vidência. Ou estava tudo nas entrelinhas. Já vi esse filme, escrevi sobre ele quando eu tinha coluna no Globo (está no meu livro, o “Encenador de Si Mesmo”), e outro dia ele passou no TNT. Essa “pérola” de 1994, talvez possa nos revelar porque entramos na era Bush do jeito que entramos. E mais: lembram quando Bill Clinton estava sendo investigado por Ken Starr (por causa do blow job de Monica Lewinsky), e Hillary falava de uma “right wing conspiracy” em Washington?

Pois bem. Não estou mais em Graz, Áustria. Estou escrevendo em junho de 2008, New York, e faltam 8 meses pra que Bush termine seu segundo termo. Ufa!

Muito do que a administração Bush pregou (entre o criminoso Rumsfeld e o desastroso Ashcroft) estão estampados nos fotogramas aqui. Está tudo nesse filme: desde as “ameaças” de terroristas islâmicos radicais querendo destruir “uma cidade Americana por dia seja com uma bomba, ou de outra forma”…ou através dos jargões que hoje ouvimos do Al Qaeda. Ou Jim Cameron é vidente ou…sei lá: de qualquer forma o filme é mais que um simples action movie. É genial. Uma triste e bela metáfora pros desatrosos tempos de 2008 (guerra, destruição, ameaças através de terrorismo espalhado pelo mundo usando petróleo como “refém”), só que “released” em 94, ou seja, deve ter sido concebido, produzido, filmado, etc, em 92, 93 , por aí. Hum…!

Sim, Carlin está morto, Arnie talvez componha com Obama (que loucura : cada um tem o Kissinger que merece!), e o posto de gasolina aqui perto é um símbolo fálico de que saem poucas gotas das longas mangueiras de suas bombas. Sinal dos tempos, meninos. A tendência é piorar, diz Frank Sesno, da CNN, um mega repórter. E depois, numa situação de emergência, de offshore drilling, de alternative fuel development, de não sei o que lá, depois que não restar mais uma espiga de milho pra se comer (adeus Andre Valli, Visconde de Sabugosa), porquê foi tudo pro etanol, quem sabe começaremos a gozar da vida e a gozar de novo. A ejaculação nao será mais monopólio dos poços de petróleo.

Gerald Thomas
24 Junho 08

Autor: Ana - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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