iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

01/10/2008 - 07:51

Desencapados e Desterrados

 

Miami- South Beach

Depois de dias com um post aqui em baixo, que atingiu mais de seis mil hits, sobre pedófilos, me senti na obrigação de relatar um pouco do que tenho assistido numa conferência que aborda assuntos como exilados, desterrados,  aqueles que buscam trabalho porque se sentem reféns em seus próprios países. Sei, pela minha família, o que é isso. Digo, ser refém.

Bem, esse assunto também não é exatamente novo para mim, não. Na década de 70 eu trabalhava como voluntário no Secretariado Internacional da Amnesty International em Londres, a favor dos presos políticos, exilados, torturados, desaparecidos, etc., no Brasil. Eram 24 horas sobre 24 horas de trabalho. Trabalhávamos com telex! Urgent Action! Os telegramas para que as torturas sobre A, B ou C cessassem tinham que estar na mesa do Almirante Helio Leite ou Julio de Sá Bierrenbach no Superior Tribunal Militar, em Brasília, em questão de horas e… assinados por chefes de Estados de democracias cristãs européias ou monarquistas! Bem, não vou aqui repetir essa história. Quem sabe, sabe, e quem não sabe, não precisa!

Nunca acreditei que o Estado devesse ter/pudesse ter qualquer tipo de PODER sobre o cidadão! Por que isso? Porque metade da minha família virou carvão em Auschwitz justamente por causa de ABUSO de poder!

Mas, de volta á essa conferência: haitianos, cubanos, mexicanos que cavam túneis ou são trazidos pelos coyotes,  ou hondurenhos e mesmo paquistaneses que nada têm a ver com a Al Qaeda, mas tentam a entrada pela costa da Flórida ou Louisiana (via Jamaica ou Trinidad) depositam todas as suas vidas e esperanças para poder entrar aqui. São pessoas ou famílias inteiras que se arriscam a barquinho (aquilo com que brinco nas BlogNovelas e agora estou completamente arrasado pois os vi de frente) e que, às vezes, são interceptados pela Coast Guard Americana e mandados de volta para os tubarões.

Como o Gustavo, um peruano. Uma vez aqui dentro, trabalha como carregador de navios de turistas, como a Carneval Cruises. Não está legalizado e leva insultos de pessoas nessa cidade onde é permitido andar de moto sem capacete. Por que os insultos? Porque não fala uma palavra de inglês. “Mas tudo bem”, digo eu.
“Ninguém em Miami fala inglês: espanhol é a língua oficial”. “No, boss! Los grandes hablan en russingles!”

Ah…

Miami onde tudo é possível. Onde o “concierge” do hotel consegue tudo. Entendem? TUDO (deixem suas fantasias irem longe e os dólares voarem)!  Miami, aonde a crise da Wall Street não chegou e onde a Collins Avenue ou a Lincoln Road são  povoadas por tijuanos e  dependem do serviço de imigrantes ilegais, esse assunto ainda é, continua sendo, o mais controverso.

McCain é, há mais de duas décadas, o senador do estado do Arizona. Quando estive em Tucson, conversei com os motoristas de táxi que vão para caça à noite com night vision. Cada cabeça trazida lhes vale 100 dólares. “Mas não é pelo dinheiro”, brincava um (enquanto eu, entre o espanto e quase lágrimas, me encolhia no assento de seu táxi). “É pelo esporte mesmo!”.

Ontem eu estava numa tal depressão, mas tal depressão que recebi esse e-mail do meu fiel e real amigo, um verdadeiro psicanalista, João Carlos do Espírito Santo. Acho que o conteúdo do e-mail diz tudo. Sobre o meu estado após a convenção, lhe escrevi e ele respondeu:

“… Este era meu medo ao sabê-lo ouvindo os depoimentos: os ecos que despertariam.

Sim! O desejo de quem minimamente está vivo, é este, anular-se ou explodir toda esta perversão diária. Quando pensamos que chegamos ao final do poço, descobrimos que tem mais um pouco, que alguém escavou mais. Só não tem escada para subir, sair do que os cínicos aprofundam sentados em suas indiferenças, em suas armadilhas em que a palavra dissociou-se da coisa, da referência, e foi à deriva do mau-caratismo.

Sim Gerald  e não há sequer consolo pensar que isso está circunscrito a países periféricos, esta é a tônica da contemporaneidade: A ABJETA, sórdida relação com toda a alteridade.

Esta é a herança dos nossos tempos, de nossos territórios: deturpação, esvaziamento da ética, implosão da moral em discurso pervertido, em bestialogias diárias, em sórdidos sorrisos chamados mercados. Reduzem-nos a isso, mercadoria para troca ou para o descarte, o refugo, o lixo.

Mas, previne-te, que nestes ataques intensos às sensibilidades reside o maior ardil, Derrubam, se nos vencem, os últimos resistentes, os que colocam o dedo na ferida, os que nomeiam o que eles negam. Sobrevivemos para ver campos de concentração sem muros, para viver torpor social, ausência de solidariedade. Atravessamos o século XX para entregar, jogar a toalha? De jeito nenhum, vamos a resistência, pois o silêncio é o que esperam para enfim, arquitetar a destruição final. Aqui vale recordar os mortos – todos os que valem a pena prantear – e elevar-se a condição superior do anacrônico e dizes:

NÃO!

NÃO! AINDA NÃO CHEGAMOS AO FINAL, SE SOMOS PONTO É PARA INÍCIO DE PARÁGRAFO.

NÃO! Um seco não, um claro e inequívoco não em nome do SIM, que dás a tantos anos, que teimo em resgatar em meus pacientes, pois do contrário, cederemos às cinzas, ruiremos em nossas vidas com o que ainda espera, com o horizonte do viável.

Recobra-te, em silêncio chora o que está, mas não te renda ao que querem que seja. 

Só há um caminho: SEGUIR SEMPRE!

Se ainda houver tempo hoje, responda-me, pois sinto os estragos do dia de hoje em seu mais íntimo ser.

Um grande, solidário, triste e querido abraço.”

João Carlos

 

Sim, seguindo em frente sempre! Às vezes me pergunto…

COMO?

 

Gerald Thomas

Ainda em Setembro, último dia do mês, 2008.

 

 

(O Vampiro de Curitiba, na edição)

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
20/09/2008 - 13:19

Segunda-feira: Mais um ciclone: Ações caem drasticamente em 372 pontos!Tourada Capitalista? História vista por dois ângulos.

Medo! Petróleo sobe. Viagra desce! Parece estar tudo numa montanha russa. Não, russa não, americana. Não, americana não, globalizada!

Ivestidores com tremores de medo e com ele na reta porque o pessoal aqui em Washington está demorando para mostrar um plano detalhado de como será o MAIOR RESGATE GOVERNAMENTAL DA HISTÓRIA. Como assunto mais que batido da semana passada, essa é a mera continuação do tal “bailout” que o Fed e o Governo estão fazendo. Mas a incerteza deixou os ivestidores inseguros e esse “abalo”, esse, digamos assim, SUSTO (coisa de bruxaria, parece vudu) deixou todo mundo cabisbaixo como num filme “noir” ou com a cara no ar! E… pimba! O Dow Jones cai 372 pontos e o barril de petróleo sobe pra 16 dólares e esse blog não fala em outra coisa, mas logo, logo, volta a se falar em cultura.

Ah… o que eu posso dizer? Todos os mercados estão fora de controle agora” diz Tom Bentz, analista da BNP Paribas. Ah… o teatro também está fora de controle, digo eu, e vem aí INTERVENTION (não é estranho?) no SESC da Av Paulista, assim que eu chegar ao Brasil.

___________________________________________________________________________________________________

                      Socialismo para os ricos

 

 

John Hemingway

 

 

A primeira panacéia de uma nação mal governada é a inflação monetária; a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária; ambas trazem uma ruína permanente. Ambas são o refúgio de políticos e economistas oportunistas” (Ernest Hemingway, 1932)

 

É esse o grande terremoto? O arraso, digo colapso financeiro que alguns previam nos últimos dois anos? Bom, eu não sou nenhum “expert”, mas quando o governo americano investe ou simplesmente “entrega” 85 bilhões de dolares para praticamente nacionalizar a maior companhia de seguros do mundo (AIG), então mudanças fundamentais estão vindo.

 

Os fornecedores do capitalismo e do “choque e espanto”, os conquistadores de Bagdá, os destruidores de Nova Orleans, aqueles que são os “condutores do nosso Senhor” (através de “W”. Bush, através de quem Deus fala), abraçaram o socialismo! Pelo menos para os ricos.

 

 

 Longe de ser um ignorante sobre finanças, McCain estava correto quando disse que a economia é basicamente saudavel. Nosso sistema de bancos, firmas de seguro e empresas funciona para proteger os que estão no poder. São geridos pela elite do país (o Fed não é um banco estatal). É um sistema fechado onde os lucros (quando os tempos estão bons e a grande bolha está crescendo) são privatizados e as perdas socializadas. Os apostadores da bolsa americanos e os jogadores da ciranda financeira de Wall Street que causaram o arraso são os primeiros a passar a bola para a frente. Nós, filhos e netos, estaremos pagando esse fiasco deles por anos e anos. O que significa menos dinheiro para a educação, saúde, para reconstruir nossas cidades decadentes nem para nada que melhore nossas vidas.

 

E será isso que a elite irá chamar de um doce acordo!

 

(tradução de Lucio Jr.)

 

 

 

 

 

 

                      Capitalismo Para os Pobres

 

O Vampiro de Curitiba

 

Não, a crise não quebrou o Mundo Civilizado! As bolsas do mundo inteiro se recuperam e a Economia dá sinais de que a normalidade está próxima.

A Al Qaeda se precipitou na comemoração. Ainda não podemos eleger  Irã, Cuba ou Venezuela como paraísos na Terra. Teremos que conviver, por mais uns séculos, com a democracia e a liberdade. Parece que estamos mesmo fadados a sermos livres. Acostumem-se!

Analisando, agora, sem radicalismos, os últimos acontecimentos nos Estados Unidos e, por conseqüência, no mundo, pergunto? Quem foram os responsáveis pelo início da quebradeira (que não aconteceu)? Eu mesmo respondo: Aqueles que não honraram suas dívidas levando uma desconfiança generalizada ao mercado financeiro. Ou seja: Aqueles que não pagaram suas hipotecas. Melhor ainda: Os mais pobres. E quem evitou a quebradeira geral? Bush, claro. Mas com o dinheiro de quem? Daqueles que pagam seus impostos e não dão calotes em financeiras: os mais ricos.

Eu sou contra a intervenção do Governo na Economia. Agora, chamar esta intervenção de “Socialismo” ou coisa que o valha, me desculpem, mas me parece delírio. Tirar dinheiro público que poderia estar sendo usado na guerra contra o Terror para salvar milhões de empregos em todo o mundo não é, definitivamente, socializar prejuízos.

Ahh, por falar em Guerra, sou a favor. De todas. Afinal, não se evita uma guerra, apenas adia-se o seu início. Seria muito bom se não existisse Hitler, Saddam, Osama (eu disse Osama!), mas enquanto existirem vermes como estes torcendo pelo fim do mundo livre,  nada melhor que uma guerra para nos tirar do tédio.

John, sinceramente, eu não consigo entender: Se Bush socorre o sistema, está “socializando o prejuízo”. Se não socorre, é insensível, não se preocupa com milhares de empregos que desapareceriam de uma hora para outra… Realmente, é uma “estranha tribo”.

 

PS.: Reinaldo Azevedo, morra de inveja! Enquanto você fica batendo boca com mascates e anões morais do submundo, eu estou aqui, discutindo com Gerald Thomas e John Hemingway. A vida é mesmo injusta para alguns, né?

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
18/08/2008 - 23:34

PEQUENAS FERIDAS E A GRANDE FERIDA, pelo Vampiro de Curitiba

 

O Vampiro de Curitiba 

                           o cérebro mistico

Joguem pedras, meus amores!” Lembram dessa famosa expressão do Gerald? Então! Alguns leitores quiseram me transformar na “Geni” do Blog. Por quê? Porque, em suas cabecinhas, represento a opressão, a censura, esse papo de sempre…

 

Não, o motivo da fúria desses leitores, nesses últimos dias, não teve nada a ver com a “censura” imposta por este moderador. Mas teve, sim!, a ver com o tema “liberdade de expressão”. A patrulha petralha não gostou nada de ler Gerald Thomas exaltando os valores da democracia norte-americana. Ou seja: todos querem ter a liberdade de se expressar, mas nem todos estão sempre dispostos a ouvir a expressão do outro. Não foi por outro motivo, aliás, que alguns leitores deixaram (ou ameaçaram deixar) de frequentar o blog. Todos são muito respeitosos, muito bem articulados… desde que o conteúdo do texto coincida com seus valores. Têm suas opiniões formadas, pré-noções solidificadas por décadas de adestramento ideológico. Quando alguém expõe um pensamento divergente, esse mesmo alguém é logo tachado de… preconceituoso!

 

Muitas vezes, antes de postar algum comentário, tenho a impressão de que deveria começar a escrever pedindo desculpas aos demais leitores. Como se o simples fato de expressar minha opinião fosse ofender, fosse ferir alguns desses leitores. Algo assim como ocorrerá com o John McCain se vier a vencer as eleições no EUA: em seu primeiro discurso como presidente eleito, o coitado deverá começar pedindo desculpas à boa parte do povo americano por ter frustrado suas ilusões, seus ideais de “mudanças” representados por Obama. Quando na realidade é justamente McCain quem representa o ideal do Novo Mundo, enquanto Obama parece agradar mais à Velha Europa com seus ideais ultrapassados. (Calma, Gerald!)

 

E aí, Vamp, não vai pedir desculpas? Vai evitar os tabus?”  Óbvio que não, estúpido! Pelo contrário. Eu vou mesmo é meter o dedo na ferida. Quero discutir o maior tabu da história, a grande ferida da Humanidade: deus.

 

Reparei que há uma imensa preocupação em “respeitar” a “crença das pessoas”. Por quê? Podemos discutir qualquer assunto, por mais importância que ele signifique para essas mesmas pessoas. Mas não podemos opinar a respeito de algo que sequer existe?

 

                                           Vamp X Religião                 

Devemos respeitar a religião do outro, mas só no mesmo sentido e na mesma proporção com que respeitamos sua teoria de que sua mulher é linda e que seus filhos são inteligentes”. (H. L. Mencken)

 

Não estou criticando apenas aqueles chatos fanáticos, adoradores daquele deus com seus cabelos brancos, chicote na mão, que simultaneamente manipula e castiga seus “filhos”, simples marionetes nas mãos de um desvairado. Estou criticando e “desrespeitando” todos aqueles que acreditam em qualquer poder superior ao Homem. “Energia”? Oras, um pedaço de carvão produz energia. “Leis Naturais”? Claro, elas existem. Porém, como bem disse Carl Sagan, não há muito sentido em rezar para a lei da gravidade.

 futuros fanáticos

Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama Religião.” (Robert M.Pirsig)

 

Temo ter desagradado meus últimos defensores nesse Blog. Mas não percam seus preciosos tempos me rogando pragas. Afinal, se vocês estiverem certos, eu irei mesmo apodrecer nos quintos dos infernos! Não joguem pedras, meus amores!

 

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
Voltar ao topo