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23/07/2009 - 10:19

A Cultura do Desprezo no Brasil

 

 (A torcida do contra)

 

Os Concretistas, os Tropicalistas, o Modernismo. O que é revolucionário?

 

Zurich- Caetano Veloso deu uma mega entrevista para a Folha de São Paulo, há dois dias, que me emocionou. Daqui a pouco explico o porquê. “Na minha profissão” – explica Dalai Lama pensativo, calmo como sempre e risonho – “podemos trabalhar com a nossa espiritualidade, assim como se fôssemos souffles numa academia de ginástica”.

Como? Faz sentido?

Faz sentido?

Muitas coisas que são ditas ou lidas, especialmente por pessoas iluminadas, não fazem sentido, principalmente fora de um certo contexto. Muitas entrevistas são cortadas, editadas e, às vezes, até mutiladas (seja lá por qual motivo for). Onde o Dalai Lama queria chegar? Ah, era o fato de que o céu é azul e que, mesmo na pior das depressões, deveríamos tentar enxergá-lo sempre azul. Mas não soube dizê-lo assim, diretamente.

Caetano fala de uma cultura, no Brasil, de adoração ao desprezo. Entendo bem do que ele fala. O que se vem falando mal de Chico Buarque e dele, por N motivos, não está no dicionário!

Minha pergunta é a seguinte: se falam mal de Caetano e Chico, essas pessoas ouvem quem, dentro do que se convém chamar de “música brasileira”? Ou exagero? Ou não existem mais fronteiras? Quero dizer, como estou a cada dia num país diferente, afirmo: EXISTEM fronteiras, SIM! Eu, pelo menos (e uma fila enorme atrás de mim) tenho que mostrar passaporte, etc.

Cito Caetano: “… e o fito era nitidamente me tratar como se eu fosse um misto de Sarney com Dado Dolabella.Ao fim da quarta resposta, disse-lhe que fosse embora (Caetano se refere a uma repórter). Ela perguntou triunfante: “Você está me mandando embora?”. Respondi que estava e insisti para que fosse logo. Depois a Mônica Bergamo foi para o rádio gritar meu nome com aquela voz de taquara rachada, competindo em demagogia e má-fé com [o jornalista Ricardo] Boechat.Claro que não ouvi isso na hora: uma amiga me mandou por e-mail em MP3. Havia um desejo ridículo de criar um caso em que eu aparecesse como um cara que não merece respeito.Li artigos de outros na Folha (e cartas de leitores) meio eufóricos com isso. Uma pobreza.”

 Eu, Gerald, volto a perguntar: quem lucra em denegrir o Caetano?

Ou o Chico? 

O Brasil, como pouquíssimos países, fez a revolução modernista. A Alemanha foi um (Bauhaus de Weimar, etc.), Os Estados Unidos, unindo revolução industrial com Dadaísmo e Expressionismo Abstrato (e por aí vai), foi outro. O resto do mundo ainda é extremamente BARROCO. 

Os poetas concretos de São Paulo (falo dos irmãos Campos, da Semana de 22, etc., e até da péssima arquitetura de Niemeyer, aluno de Le Corbusier – que quase não construiu na França (by the way, era Suíço)! – tiveram um ENORME impacto no que diz respeito ao “respeito” pelas palavras e ao possível desrespeito por elas, no sentido de desconstruí-las (“Cale-se, afaste de mim esse Cálice, Pai”).

Os outros países da América Latina (apesar de Borges, Cortazar, Cazares, etc.) não têm essa enorme força, justamente porque estão PRESOS ao continente europeu.

Caetano Veloso é descendente de Godard, de Glauber, e irmão adotivo de Helio Oiticica e filho (sei lá o que estou dizendo) de Carmem Miranda. Sim, essa salada linda que o Tropicalismo fez. E chamá-lo de cantor, somente, é, em si, um insulto.

Mas, no Brasil de hoje, “rebaixar o outro” parece ser o que levanta o ego, ou a carreira de muitos.  Não sei como é essa fórmula, mas parece ser o que funciona. E entendo que Caetano ache isso triste, pobre, etc..

 Nos EUA não xingam Bob Dylan. Não se xinga. Ah, entenderam, não é? Valoriza-se a genialidade. Mesmo que o Oswald (o verdadeiro, o De Andrade) tenha dito que o gênio seja uma grande besteira.

É obvio que me mijo de rir ao ler a coluna de Reinaldo Azevedo sobre a entrevista do Caetano. O RA escreve como poucos e, em seu próprio ofício, não deixa ele próprio de ser um poeta:

Às vezes, parece que a própria Folha é cliente de Paula Lavigne. Entenderam ou fui muito sutil? Ah, sim: Paula e Caetano estão lançando o filme Coração Vagabundo, dirigido por um rapaz “bonitinho” (by Caetano) chamado Fernando Gronstein Andrade, 28 anos.

E por que Caetano está bravo ou “estrila”, como diz o jornal? Bem, em primeiro lugar, porque está lançando o filme e é hora de criar marola. Em segundo, porque a Folha noticiou, em reportagens honestas, que nada tinham de operação de marketing, que o cantor pleiteava — ou seus produtores — incentivos da Lei Rouanet para seus shows. Vocês conhecem a história. Eles foram negados pelo Ministério da Cultura, mas aquele ministro da área, como é mesmo o nome dele?, ficou bravo e demonstrou disposição de rever a decisão.

Pronto! Está criado um caso.” 

Bom, o resto está no Blog do Reinaldo. 

E, juro, não me refiro ao Reinaldo quando falo nessa “torcida contra”, já que ele lida mais com leis fiscais, incentivos. Eu falo do Caetano músico, poeta, inspirador e criador. Um cara que transformou várias gerações e continua transformando.

E esse Caetano é mais ou menos como o Dalai Lama: intocável, acima da crítica. Não importa se o show foi bom ou ruim ou o disco está assim ou assado. E por quê? Porque esse Caetano  é aquele que INICIOU tudo aquilo que somos! Não se esqueçam disso JAMAIS!

 

Gerald Thomas

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
25/06/2008 - 13:24

Um espetáculo que não termina nunca, mas tem de tudo

Cena 1 – Aeroporto Ben-Gurion, Israel — Um policial israelense, plantado num topo de um prédio a cem metros do presidente Sarkozy e do primeiro ministro Olmert, olha em volta, cospe no chão, limpa a sua arma pela última vez, dá uma olhada para o céu claro do oriente médio e acaba disparando um tiro em si mesmo. Digo, em sua própria cabeça. Os guarda-costas, rapidamente, se jogam pra cima de Sarkozy e, o que se vê, é Carla Bruni subindo rapidamente as escadas do avião presidencial, e Sarkozy, meio perdido, ainda querendo apertar as mãos de todos os guarda-costas, soldados, etc, porque, sim, à essas alturas, o Olmert e Simon Peres já tinham desaparecido. Levaram “os homem” em outra direção.

Estranho: num país tão preocupado com terrorismo, segurança, e ainda existe essa babaquice de cerimônia de despedida aberta em aeroporto: por quê os presidentes não embarcam em gates, ao invés de ao ar livre? Bem, Carla Bruni mostrou que deixaria seu marido pra trás na primeira ocasião.

E o policial? Deu mesmo um tiro em si mesmo? Ali, naquele lugar? Suicídio? Tudo bem, a gente se acostumou a “comprar” o que a mídia nos vende mas……na boa! Um soldado israelense se suicida ao ser “detail” de segurança na patrulha de despedida de Sarkozy, depois do presidente da França passar 3 dias em solo israelense. Tá ótimo. Vamos nessa!

Óbvio que o porta voz da polícia, Micky Rosenfeld, negou que houvesse qualquer tentativa de assassinato, ou sequer plano de assassinar o Sarkozy (o que me faz pensar: tanta, mas tanta segurança é normal? Digo, os telhados repletos de policiais, a Mossad em tudo que é lugar, gente à paisana espalhada em tudo que é parte e, de repente, BUM! A banda toca alto, um soldado se mata e cai na pista do aeroporto, e um lençol o cobre).

Nelson Rodrigues? Vlacav Havel? “Clear and Present Danger?”

Um filme de Polanski? Não, genial demais pra isso. De John Frankenheimer? Não, esse era ótimo! Vamos ver…ah, deixa pra lá.

Na verdade eu não entendo bem o que Presidentes ocidentais vão fazer em Israel, fora o ôba-ôba e reforçar o tal “êpa, eu sou neutro: eu gosto de vocês, mas AMO os islâmicos, palestinos, os extremistas também, porque lá em casa tem uma caralhada deles e eles queimam meus carros, fazem uma zona ducaralho nos subúrbios de Paris”. Sim, ele foi fazer o que todos vão fazer. Falou no Knesset (parlamento), “advertiu seriamente” a política externa isralense (tem que fazer isso pelo número de islâmicos que habitam a França hoje). Ai meu santo. Dá um cansaço! De repente, vê-se a protocolar foto do presidente francês com o líder palestino Mahmoud Abbas (que não é nem de longe tão divertido quanto o exótico Arafat) (não se fazem mais líderes como antigamente: ah, o De Gaulle com aquele narigão… Esse sim escapou de Hitler (quase se rendeu) e do assassino Chacal). Ah, la belle époque. Sim, Sarkozy foi “apertar” os parafusos soltos entre a França e Israel, tudo bem. As visitas presidenciais devem mesmo servir pra isso. Enquanto isso, o povo baba olhando a Carla Bruni.

“Em nome da França, gostaria de dizer que nos Amamos Israel e Vive la France!”, disse um empolgado Sarkozy, que, as vezes parece um menino de ginásio que não cresceu direito.

Mas – pra que essa preocupação toda? Um policial se matou ali na frente dele e jamais saberemos porquê! O que terá sido?

Cena 2 – A Argentina está à beira de um colapso e eu amo aquele país. Amo. Não sou o Sarkozy e não preciso dizer em nome de ninguém que estou apavorado com uma (possível) nova crise argentina. Será que deveríamos mandar o Sarkozy pra lá, pra ele dizer que o povo da França também “verdadeiramente ama os argentinos?” Sarkozy é parcialmente judeu, por parte de pai e nada tem de argentino. Pena. Um dia ainda teremos um presidente Francês verdadeiramente argentino. Já é tempo! Os argentinos dominam a cena cultural de Paris há tempos. Não vou entrar em detalhes. Leiam um “Manual para Manuel”, de Cortázar. Não é sobre argentinos mas é de um argentino.

Cena 3 – O Hamas, ontem mesmo, quebrou com qualquer possibilidade de paz: mandou ver. Três mísseis mandados por eles foram cair na fronteira israelense.

Mas também, dias antes, a força aérea de Israel, voava a centímetros do espaço aéreo do Iran. Como vocês vêem, esse é um espetáculo que não tem fim. Ele começou bem antes de 1948 e vai continuar até que o último soldado de ambos os lados, plantados em telhados, se dêem um tiro na cabeça, perplexos com o que vêem.

E eu, perplexo com a morte de Da. Ruth Cardoso, continuo a afirmar, que 2008 está engolindo mais gente do que a década inteira de 1990.

Gerald Thomas

Autor: Ana - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
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