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	<title>Gerald Thomas &#187; Conrad</title>
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		<title>Boal Morto: Quantos Ainda Pensam a Sua &#8220;Própria&#8221; ARTE?</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 06:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia
 New York- Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.
Muito poucos.
Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><span><strong><span><strong><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10005 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></strong></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong> New York-</strong> Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Muito poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir a palavra KILL ou MATAR ou MORRER a cada 3 minutos (se não mais) e o Ibope exige que os programas sejam baseados na vida e na relação polícia versus bandido e os procedimentos legais: são milhares de programas, em milhares de formatos. Na política é a mesma coisa. A retórica é a mesma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Pontes explodem, carros explodem, pessoas explodem. Raramente nota-se que já existiu uma sinfonia como a de Mahler, a SEGUNDA, a Ressureição, para ser mais preciso. Poucas vezes a mídia, seja ela qual for, nos remete a uma sinfonia de Beethoven ou a uma ópera da Wagner. Não há mistérios! É a violência que dá audiência mesmo. E, se não é a violência bruta, a crassa, então é o melodrama barato, estúpido. E se não é isso, somos consumidos pela notícia do PÂNICO (como o terror da gripe suína e outras coisas do tipo. Nossa vida sempre em “perigo de vida” e a tal chamada guerra dos mundos, que Orson Welles tão magnificamente satirizou pelo rádio). Ah&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Boal morreu. Seu Teatro do Oprimido não era a “minha coisa”. Mas faz pensar. Faz pensar o que ele pensava sobre seu teatro. E isso não é pouco. E nos faz pensar sobre a vida, ou melhor, a morte.<span>  </span>Os grandes artistas, ou melhor, a ARTE GENIAL, como a de Mahler, como a de Beckett, como a de Joyce ou a de Gogol, Tolstoy ou Conrad ou seja lá qual for seu autor predileto, faz pensar sobre a morte: como deve ser, como somos imbecis com nossos valores materiais aqui nesta terra. Claro, Goethe e seu Fausto, assim como Marlowe e seu Fausto. Shakespeare e as comédias trágicas e as tragédias trágicas ou as moderadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O sistema nos traiu. Sim, fomos traídos. Somos todos cornos! Estamos vivendo há uma década, ou mais, sob falsas pretensões e sob falsos valores esperando um messias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Somos uns imbecis achando que o dia de amanhã será melhor porque o politico A, B, ou C nos salvará da crise absoluta do sistema vigente. Não nos salvará.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>E Boal nisso tudo? Bem, Boal tinha suas convicções. Podia não me convencer com seu teatro “em prática”, mas ele já previa e já cantava essa bola há muito tempo. Qual bola? A de que somos cornos de um sistema que nos trai. Mas ele, diferente do Living Theater, diferente dos outros que cantavam a mesma bola, levou seu teatro pro lugar do consumo: o supermercado, ou o lugar onde se consumia aquilo que o sistema martelava na gente! Teatro de Martelo! Um ensaio permanente e inocente (até) de como fazer de corno um sistema que nos faz de corno. Boal estudou aqui na Columbia University e fez grandes amigos. <span> </span>Mas era outra era, outro tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Esse tempo hoje:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Um bando de imbecis tweetando, ou twitando, como preferirem, achando que estão na “última”, exacerbando o ego e elevando o seu anonimato berrando pros oito cantos do mundo o “nada” do que fazem todos os dias. Que lindo! Já o teatro do invisível de Boal já cantava a bola justamente desse invisível ou desse oprimido (que somos nós, todos nós. Não necessariamente se fala de uma CLASSE, e sim de um estado de ser).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>A Arte volta a fazer parte de nossas vidas e de nossas lágrimas. Tentei resistir e não escrever, pois não gosto de escrever emocionado. Augusto Boal morreu e com a morte dele se percebe que morreu um artista.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Isso deixa a ARTE num estado de fragilidade. Ou com a imunidade baixa, fraca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O mundo não é feito, mas “está” feito de programas que trivializam a alma, que derrubam o ser humano para um lugar onde ele não merece estar: a sua pior ignorância.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>É isso. Escrevo pois pesa o peso da M.O.R.T.E. e, nesses dias de angústia, a falta de um ser que construiu um vocabulário teatral é realmente triste. Muito triste.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos construíram um vocabulário teatral?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos sequer “pensaram” sua arte?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Estamos sendo traídos pelo sistema: talvez seja hora de pararmos de nos acusar uns aos outros e pensarmos na CENA de ORIGEM. Sim, aquela que os filósofos invocam quando têm de enfrentar a GRANDE CRISE, ou melhor,<span>  </span>GRANDE ARTE, ou seja: a morte!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Gerald Thomas</strong>, </span><span>3 de Maio de 2009.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p><!--EndFragment--></p>
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