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03/05/2009 - 03:45

Boal Morto: Quantos Ainda Pensam a Sua “Própria” ARTE?

A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia

 New York- Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.

Muito poucos.

Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir a palavra KILL ou MATAR ou MORRER a cada 3 minutos (se não mais) e o Ibope exige que os programas sejam baseados na vida e na relação polícia versus bandido e os procedimentos legais: são milhares de programas, em milhares de formatos. Na política é a mesma coisa. A retórica é a mesma.

Pontes explodem, carros explodem, pessoas explodem. Raramente nota-se que já existiu uma sinfonia como a de Mahler, a SEGUNDA, a Ressureição, para ser mais preciso. Poucas vezes a mídia, seja ela qual for, nos remete a uma sinfonia de Beethoven ou a uma ópera da Wagner. Não há mistérios! É a violência que dá audiência mesmo. E, se não é a violência bruta, a crassa, então é o melodrama barato, estúpido. E se não é isso, somos consumidos pela notícia do PÂNICO (como o terror da gripe suína e outras coisas do tipo. Nossa vida sempre em “perigo de vida” e a tal chamada guerra dos mundos, que Orson Welles tão magnificamente satirizou pelo rádio). Ah…

Boal morreu. Seu Teatro do Oprimido não era a “minha coisa”. Mas faz pensar. Faz pensar o que ele pensava sobre seu teatro. E isso não é pouco. E nos faz pensar sobre a vida, ou melhor, a morte.  Os grandes artistas, ou melhor, a ARTE GENIAL, como a de Mahler, como a de Beckett, como a de Joyce ou a de Gogol, Tolstoy ou Conrad ou seja lá qual for seu autor predileto, faz pensar sobre a morte: como deve ser, como somos imbecis com nossos valores materiais aqui nesta terra. Claro, Goethe e seu Fausto, assim como Marlowe e seu Fausto. Shakespeare e as comédias trágicas e as tragédias trágicas ou as moderadas.

O sistema nos traiu. Sim, fomos traídos. Somos todos cornos! Estamos vivendo há uma década, ou mais, sob falsas pretensões e sob falsos valores esperando um messias.

Somos uns imbecis achando que o dia de amanhã será melhor porque o politico A, B, ou C nos salvará da crise absoluta do sistema vigente. Não nos salvará.

E Boal nisso tudo? Bem, Boal tinha suas convicções. Podia não me convencer com seu teatro “em prática”, mas ele já previa e já cantava essa bola há muito tempo. Qual bola? A de que somos cornos de um sistema que nos trai. Mas ele, diferente do Living Theater, diferente dos outros que cantavam a mesma bola, levou seu teatro pro lugar do consumo: o supermercado, ou o lugar onde se consumia aquilo que o sistema martelava na gente! Teatro de Martelo! Um ensaio permanente e inocente (até) de como fazer de corno um sistema que nos faz de corno. Boal estudou aqui na Columbia University e fez grandes amigos.  Mas era outra era, outro tempo.

Esse tempo hoje:

Um bando de imbecis tweetando, ou twitando, como preferirem, achando que estão na “última”, exacerbando o ego e elevando o seu anonimato berrando pros oito cantos do mundo o “nada” do que fazem todos os dias. Que lindo! Já o teatro do invisível de Boal já cantava a bola justamente desse invisível ou desse oprimido (que somos nós, todos nós. Não necessariamente se fala de uma CLASSE, e sim de um estado de ser).

A Arte volta a fazer parte de nossas vidas e de nossas lágrimas. Tentei resistir e não escrever, pois não gosto de escrever emocionado. Augusto Boal morreu e com a morte dele se percebe que morreu um artista.

Isso deixa a ARTE num estado de fragilidade. Ou com a imunidade baixa, fraca.

O mundo não é feito, mas “está” feito de programas que trivializam a alma, que derrubam o ser humano para um lugar onde ele não merece estar: a sua pior ignorância.

É isso. Escrevo pois pesa o peso da M.O.R.T.E. e, nesses dias de angústia, a falta de um ser que construiu um vocabulário teatral é realmente triste. Muito triste.

Quantos construíram um vocabulário teatral?

Quantos sequer “pensaram” sua arte?

Estamos sendo traídos pelo sistema: talvez seja hora de pararmos de nos acusar uns aos outros e pensarmos na CENA de ORIGEM. Sim, aquela que os filósofos invocam quando têm de enfrentar a GRANDE CRISE, ou melhor,  GRANDE ARTE, ou seja: a morte!

 

Gerald Thomas, 3 de Maio de 2009.

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
09/11/2008 - 20:57

An American Idol e a Morte da Imprensa

 

Se o Obama fala com o Berlusconi, mas não fala com o Lula, pensem:

A América chama “América” por causa do Américo Vespúcio. Ah, sim, quase ia esquecendo o Colombo! E, óbvio, a Itália fala “Euros”. Razões históricas são históricas! Raízes, descobrimentos, sorry: com gaffe e tudo, o “tycoon” da TV, e primeiro ministro da Itália, ainda comanda suas rédeas!

Lula vai ficar na fila, tsc, tsc!

Nunca vi ou li uma semana com tanta BESTEIRA escrita na imprensa mundial (exceto na dos EUA e na inglesa ou alemã!!!). “Superstar” disso e daquilo.

Superstar? Obama é formado em Ciências Políticas pela Columbia University e em DIREITO pela Harvard. E os analfabetos do mundo ou editores diletantes querem lhe dar “conselhos” de “como governar”. Por que será? Para que o mundo continue essa mesma merda em que se encontra? Alguma “political agenda” escondida por trás, seus espertinhos?

Quando um dos fundadores de um dos portais online me falou, no meu próprio apartamento, no Brooklyn (1996), que “em poucos anos não teremos mais jornais”, eu não acreditei. Agora rezo para que seja verdade. Pompa besta! Rezo para que esses escrotos da imprensa (quase toda ela marrom) sumam, desapareçam!

Quem sabe o público não migra logo pros blogs e esquece esses jornais, bem como seus pomposos editores e seus arrogantes opinadores?

Mudando e não mudando de assunto, olhem, ao fim do texto, o que um self made man consegue nos transmitir. Não, não falo de Obama, e sim de Steve Jobs, com legendas em português! Assistam só  essa entrevista EMOCIONANTE.

Quando ele fala de “RITO de PASSAGEM”, morte, sucesso, fracasso, aproveitar esse momento (o “agora”)… e não aceitar conselhos de ninguém, muito menos seguir DOGMAS.

Não que com os blogs seja muito diferente da imprensa. Não que alguns blogs não sejam pura propaganda ideológica ou desculpa para descarregar dogma. Mas aqui berramos e não se paga a polpa da pompa! A pompa é descartável e a interação (pelo menos isso) é maior. Com direito DIRETO de resposta!

Pena que George Carlin, o comediante mais áspero dos últimos tempos, não tenha sobrevivido à essa eleição para ESCULHAMBAR esse besteirol de pompa que anda solta pelo mundo: todos querem DAR CONSELHOS A BARACK OBAMA.

O homem ainda nem sentou no Oval Office e os senhores edirores já lhe dão conselhos! Ora bolas, quem são vocês?????

Se alguém acha que pode aconselhá-lo, acho melhor sentar debaixo do Minhocão e conversar com os sem-tetos de Sampa!

George Carlin falava muito da falcatrua que dominava a mídia. Não entenderam? Então não me expressei bem. Falcatrua no sentido do pacto-corporativo-orgiástico-governamental-religioso: Sim, falcatrua no sentido orgiástico: a “orgia falcatruada” (falsa, encenada): trepar sem orgasmos, trepar para as câmeras, assim como o famoso beijo da novela, o beijo do cinema!

Editor de jornal deve pensar assim. Carlin estaria acabando com eles.

Querem saber? O público ria de nervoso do humor antipatriótico e agnóstico de Carlin.

Ser “do contra” faz bem a saúde. Não há duvidas. Mas dar conselhos, dá náusea. Carlin torcia a favor mas esculhambava, era áspero. Mas, isso, depois que o homem já tivesse completado 100 dias na Casa Branca, uma espécie de tradição americana. Ou como Cristóvão Colombo talvez dissesse e Vespucio talvez colocasse em seu caderno: “em 100 dias de Oval Office, O Presidente Obama está começando a limpar o lixo deixado por oito anos da administração anterior e, como Professor de Ciências Políticas e História da Lei, encontrou um velho testamento com uma pintura deixada numa das gavetas das galerias da West Wing… ela parecia um ovo colocado em pé.

Um ovo, um novo mundo. O meu ovo,  meu novo mundo.”

Cristóvão Colombo.

 

Gerald Thomas

(Vamp, na edição)

 

PS: O vídeo com Steve Jobs está em duas partes, a segunda aparecerá automaticamente ao final da primeira, na janela a baixo.

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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