18/09/2009 - 07:09
São Paulo, quinta-feira, 17 de setembro de 2009
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Ai! Weiwei
Importante artista e ativista da China fala à Folha sobre arte e política no país; chinês se recupera de cirurgia após apanhar da polícia
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM (Folha de S Paulo)
O ativismo político do mais famoso artista da China foi parar nesta semana em uma sala de cirurgia na Alemanha.
Um mês após apanhar da polícia chinesa em um protesto e sofrendo dores de cabeça, Ai Weiwei, 52, precisou da intervenção do bisturi para conter um sangramento interno.
Ai lançou uma campanha para dar nome às crianças vítimas do terremoto do ano passado em seu país, depois que o governo abafou o escândalo das “escolas de areia”.
Morreram em escolas de construção precária 5.535 crianças.
O governo calou o protesto dos pais das vítimas, que foi encampado pelo artista. Seu popular blog foi bloqueado em maio. No Twitter, também bloqueado na China, ele postou fotos pré e pós-cirurgia, feita em Munique.
O aumento do confronto verbal e físico entre Ai e as autoridades chinesas coincide com o auge do reconhecimento de sua obra. Ele foi para a Alemanha abrir a exposição “So Sorry” (sinto muito).
Até novembro, a maior retrospectiva de sua obra está em cartaz no museu Mori, de Tóquio, com 26 trabalhos desenvolvidos entre 1994 e 2009. A exposição apresenta os interesses múltiplos de Ai, da instalação e fotografia à provocação política e arquitetura.
Ai é conhecido por ter participado na concepção do Estádio Olímpico de Pequim, convidado pelos arquitetos suíços Herzog e De Meuron, o chamado “Ninho de Pássaro”.
De sua prancheta saíram mais de 50 construções, entre edifícios comerciais, residências, restaurantes e até uma vila de ateliês para amigos artistas, no bairro de Caochangdi, em Pequim.
Serpente e fadas
Em Tóquio, sua obra mais recente é uma longa serpente formada por centenas de mochilas escolares e que dá voltas pelo teto do museu.
“Depois do terremoto, havia milhares de mochilas espalhadas, única lembrança das crianças. E a serpente, para os chineses, sempre indica o perigo que está à espreita”, disse Ai para a Folha na semana passada, quando já se queixava de dores de cabeça.
Sua grande retrospectiva em Tóquio, visitada pela reportagem, também apresenta vídeos e fotos da performance que fez na Documenta de Kassel, em 2007. Em “Conto de Fadas”, ele levou 1.001 chineses que nunca tinham viajado ao exterior para o evento artístico na Alemanha, acompanhados de 1.001 cadeiras no estilo da dinastia Qing.
“Ocidente e Oriente precisam se encontrar, com o medo e a curiosidade que isso implica”, diz. “Acho que os participantes acham que aquela pequena cidade encantada alemã é o Ocidente. Voltaram mais confusos, o que é bom para a imaginação e a fantasia”, brinca o artista.
As galerias da pequena Kassel tiveram seus dias de superpopulação com 1.001 chineses de um lado para outro.
Várias obras tratam da nova China. Duas grandes tigelas estão recheadas de pérolas cultivadas, como por venda a quilo. “O luxo, quando em excesso, fica banal”, diz. “A China de hoje é obcecada em ficar rica e o Partido Comunista está cheio de corruptos, que não sabem como gastar”, diz.
Dificilmente a exposição será apresentada em Pequim. “Para a censura chinesa, arte só cabe se for propaganda ou inofensiva”, diz. “Mas sou otimista, algum dia vou exibir aqui.”
Ele não se empolga com os 60 anos da chegada do comunismo ao poder, que serão comemorados com pompa em 1º de outubro.
“Se eles não têm coragem de concorrer em eleições, se os burocratas estão ricos, se nosso povo é pobre, não há o que comemorar. Deveria ser tempo de silêncio, de reflexão.”
Ai só celebra o fim da bolha da inflacionada arte chinesa, graças à crise econômica internacional. “O mundo da arte como um todo precisava dessa chacoalhada. É uma lição para novos comportamentos; tomara que não só na arte.”
No Twitter, ele disse ontem que vai se recuperar logo. “Sou um artista bem-sucedido, posso me tratar bem. Milhões recebem o mesmo tratamento da polícia, mas sofrerão essas dores pelo resto da vida.”
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ANÁLISE
Arte e política inseparáveis
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Ai Weiwei tem uma concepção muito particular do que é ser artista. “Acho que todo artista é um ativista e um bom ativista pode ser um artista”, disse no mês passado.
No caso de Ai, a definição não é um jogo de palavras. Arte e política -especialmente a política de terra arrasada da ditadura chinesa em relação à tradição- são polos inseparáveis de sua obra. A graça do trabalho dele é que a política não elimina as leituras infinitas da obra, não é o panfleto de um sentido só.
A história pessoal de Ai talvez ajude a entender essa concepção de arte. Quando era criança, seu pai, um dos grandes poetas da China moderna, foi mandado para o interior para limpar latrinas -era um castigo que visava reeducar a família “burguesa”, nos tempos da Revolução Cultural (1966-1976).
Após cursar cinema em Pequim, Ai conseguiu uma bolsa para estudar na Parson’s School de Nova York no início dos anos 1980, quando a cidade fervia com novos artistas, bandas punks e new wave e toda a arte conceitual dos anos 60 estava ao alcance das mãos.
Não é por acaso que um dos trabalhos de Ai cite frases de Marcel Duchamp, o artista que redefiniu a arte no século 20 ao transformar objetos ordinários em arte, e de Mao Tse-tung, o ditador que tirou a China da Idade Média.
É com esse mundo díspar, que equilibra Duchamp e Mao, que Ai faz o seu acerto de contas particular. Vem daí, talvez, o peso dramático de alguns dos seus trabalhos -e drama era tudo que a arte conceitual e o dadaísmo queriam matar. Ele faz trabalhos com mochilas de crianças mortas num terremoto, com madeira de templos budistas de mil anos que foram demolidos por ordem do Partido Comunista, com pés de imagens budistas destruídas. Usa tijolos de casas do século 14 que foram derrubadas em Pequim no ano passado para a cidade abrigar a Olimpíada 2008.
Para quem estava acostumado a uma certa assepsia da arte conceitual, é uma porrada. Para quem acha que assuntos mundanos e de interesse imediato não deveriam ser tratados pela arte, é um lembrete de que tudo pode ser arte; só depende da ação do artista.
O rigor formal é uma das estratégias que Ai usa para fugir do panfleto. Tudo é muito simples, mas quase nada é de entendimento imediato.
A faceta ativista de Ai não se restringe à arte. Ele cutuca o autoritarismo chinês em seu blog, no Twitter, em exposições que age como curador ou ao criar um bairro de artistas independentes em Pequim. Quando o governo chinês bloqueou seu blog, ele se recusou a continuar a fazê-lo nos EUA. Queria falar com os chineses. É por isso que virou um dos mais fortes candidatos ao exílio. A China não tolera dissidentes com seguidores.
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Ai Weiwei
Autor: gthomas - Categoria(s): release
Tags: Ai! Weiwei, Alemanha, arte, budismo, Censura, china, construção precária, Conto de fadas, dadaísmo, dinastia qing, EUA, exílio, exposição, Folha de São Paulo, Gerald Thomas, Herzog, História, idade média, Mao Tse Tung, Marce lDuchamp, Munique, Museu, olimpíada 2008, oriente, partido comunista, Pequim, polícia chinesa, Política, propaganda, protesto, reeducação, terremoto, Tóquio, twitter
30/07/2009 - 13:14
New York – Gente, acontece o seguinte: chegamos a uma espécie de “deadlock”, ou impasse aqui no Blog. Vários são os motivos.
Um deles, certamente, está ligado ao contrato (que só fui ler ontem: “escrever sobre assuntos culturais e, eventualmente, política mundial…”). Mas o que está pegando mesmo é o stress! Stress não tem cura, não tem remédio, não tem solução!
Recebi um comunicado (ou orientação, como preferirem) da direção do IG, anteontem, pra que eu focasse o Blog em “assuntos culturais”. Era, na verdade, a idéia desde o início. Falo, sim, sobre Presidente Obama (e não “Barack Hussein”, como quer e insiste denegrir um amigo meu, blogueiro que amo, mas que não se conforma que meu presidente foi de fato eleito), mas procuro encaixar meu Presidente em assuntos relacionados a algum fato cultural. Sei lá como encontro conexões, mas encontro. Seja via Rembrandt (ultimamente), seja via junkies nas ruas de Amsterdam ou uma severa brincadeira com o “Esquadrão da Morte Suíço”, que, ora bolas, não existe (e muitos levaram a sério).
Houve um sério problema pessoal aqui. Vocês devem ter notado que o Vamp postou uma excelente matéria, “O RETRATO DO PODER”, que ficou em destaque por um tempo enorme e rendeu 14 mil acessos, etc .,e ficou um dia e meio no ar.
Bem, ocorre que havia morrido Merce Cunningham. Já no domingo eu sabia disso e fiquei me segurando por que não queria interromper a matéria do Vamp.
Mas quando chegamos na Terça, não pude mais segurar. A Folha estava com a matéria na capa, assim como todos os jornais do mundo (o NYTimes estava com a matéria online no mesmo dia, domingo mesmo), e eu “interrompi” o fluxo de quase 700 comentários (UFA) do artigo do Vamp, e postei a tal matéria sobre o maior gênio da coreografia, da dança teatro, que morreu menos de um mês após a Pina Bausch, também aqui registrado (escrevi pra Folha e re-publiquei aqui).
O que quero dizer com tudo isso?
Blog não pode ser precisosista! É como papel higiênico. Vocês todos conhecem outros blogs e sabem muito bem que uma matéria está em cima agora de manhã e, à noite ela já está lá embaixo ou até já desapareceu! Aqui, por algum motivo, se convencionou “manter” (com unhas e dentes) uma matéria por dias e dias, talvez por eu não ser ‘blogueiro’, por eu não ter esse pique de escrever o dia inteiro. Justamente pelo fato de ter óperas, peças de teatro e um filme pra dirigir. E não está fácil!
Então, o impasse: como sugere o IG. Menos matérias. Talvez uma por semana. Se surgir algum fato INACREDITÁVEL, talvez duas.
A minha identidade está toda ali, exposta. Esse é realmente meu nome, etc. Minha cidadania mista não me permite, de fato, falar ou escrever sobre assuntos políticos internos brasileiros.
Como ficamos nos comentários? Não sei. Bela pergunta. Do jeito que está, não está . Ontem à noite cheguei em casa por volta das 9 da noite (horário daqui, uma hora a menos que no BR) e haviam 21 comentários na moderação. Às vezes acordo e tem uns 17 na moderação. Juro, juro e juro que não agüento fazer esse tipo de trabalho. Espero que entendam. O IG sugeriu “coluna” sem comentários e eu disse que não, que manteríamos os comentários. Esse é justamente o “charme” do blog. Mas como fazer?
O Vamp acabou de deixar um comentário no post de baixo que prefiro nao comentar. Se eu fosse comentar, meu sangue subiria e eu teria que vomitar uma série de coisas aqui. Não quero. Prefiro simplesmente dizer o seguinte:
Está tudo muito difícil. Muito difícil. Estou a um passo de “entregar” o blog. São 5 anos e meio, juntando com o do UOL.
O teatro está muito difícil. O “Ghost Writer” está muito difícil. As Óperas estão extremamente difíceis. O Blog, que deveria ser um prazer, por motivos que prefiro não expor, se torna um enorme peso.
Então, antes de fechá-lo, prefiro agir com calma e… simplesmente, como diz o “Bruno” (Sasha Baron Cohen), colocar um pé na frente do outro pra ver se consigo equilibrar o passo e o compasso. Nem sempre um artigo vem a ser poético. Nem sempre se termina com uma frase retumbante. Às vezes é o coração que bate forte,
Hoje, esse é o caso.
Gerald Thomas
Comentário do Vamp:
Fiquei revoltado. Mas a revolta, como já dizia o maior de todos, é um valor dos escravos.
Não sou contratado do IG, mas do Gerald Thomas. E isto responde à pergunta se voltarei a escrever ou não. Se o Gerald achar conveniente que eu escreva, eu escrevo, se achar que não, não escrevo. Simples assim. E aproveito para salientar que o Gerald sempre me deu total liberade para escrever sobre qualquer assunto ou pessoa, mesmo tendo, muitas vezes, opinião contrária à minha e mesmo já tendo enfrentado grandes problemas em consequência de um texto que escrevi sobre uma empresa do Governo.
O real motivo do atrito ocorrido entre eu e Gerald, acreditem, foi uma falha de comunicação e um tremendo mal entendido, tudo potencializado pela vaidade, de minha parte e pelo stress, por parte do Gerald.
O meu comentário sobre a “facada nas costas” não tinha como alvo o Gerald. Achei que isso ficaria óbvio. Mas admito que, dentro do contexto dos comentários, acabou ofendendo-o, sim. E por isso venho publicamente pedir desculpas ao mestre Gerald Thomas, o que já fiz por telefone e celular.
Também gostaria de agradecer a todos que se manisfestaram em meu apoio e dizer que, independentemente do que vier acontecer com o blog daqui pra frente, espero sempre contar com a amizade tanto do mestre Gerald como de boa parte dos leitores deste blog.
Para aqueles que me odeiam, ainda não foi dessa vez.
O Vampiro de Curitiba
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: blog, Censura, Ghost Writer, IG
17/07/2009 - 10:25
Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes, mas não impede o auto-retrato de Rembrandt.
Atriz alega que teve a honra atingida; colunista vê censura e diz que decisão tolhe liberdade de expressão.
Zurich - Saí correndo de Amsterdam. Depois de sete dias, sendo empurrado pela população e espremido nas ruelas e quase jogado nos canais, resolvi que essa foi minha trigésima e última vez na cidade holandesa. E como a ópera que estou produzindo é aqui, voltei correndo pra cá, só pra me deparar com esse ABSURDO, que leio na Folha! Ah, mas antes, preciso relatar algo.
Rembrandt, que sempre foi meu preferido (ao lado de Duchamp e Rauschemberg e Bacon – períodos diferentes, óbvio), me tocou dessa vez de uma forma muitíssimo peculiar.
Muitíssimo peculiar. Tive uma espécie de tontura, vertigem, quando peguei o bonde numero cinco e parei na porta do museu e subi pro segundo andar. Lá no cantinho, quase escondido, estava esse auto-retrato, que ele pintou aos seus 55 anos de idade:

Eu estou com 55 anos agora e… e o quê? Jamais achei que iria chegar a essa idade. Jamais achei que pudesse olhar no olho vivo desse quadro e dizer “caramba, estamos aqui, você e eu, em épocas diferentes – ele em 1633 e eu em 2009, mas ambos com a mesma idade”. Ele, um total gênio. Gênio dos gênios, da Ronda Noturna, da Dissecação do Cadáver. Aquele que meu mestre Ivan Serpa e meus pais me fizeram gostar. Não, não forçadamente, já que a paixão foi instantânea. E cá estava eu, como sempre estive desse lado do quadro, mudo, estarrecido e pasmo, já que não sou um personagem de Lewis Carroll.
Saí de Amsterdam meio atordoado. Também, com tanto cheiro de maconha no ar, quem não sairia? E tanta comida ruim: ah, descobri: só tem comida pra larica. Pizza, fries com maionese, mais pizza, uns indonésios fast food… muito Mac Donalds e Burger King (mais que em qualquer outra cidade que já vi!!).
Esse auto-retrato, mais que qualquer outro, me levou a um estado de emoção que poucas coisas em arte me levam. Pina Bausch me levava. Kazuo Ono e Sankai Juku me levam. E o levo comigo porque ele representa a grande quebra do homem que se olha no espelho na época logo após os descobrimentos e se pinta dentro de sua simplicidade sem ter que se “vestir”. Quem é de teatro sabe o que é “se vestir”. Retrato era coisa para realeza. Rembrandt começou a pintar o dia a dia das pessoas e de si mesmo. Foi o Tchecov da pintura, só que 300 anos antes de Tchecov. Dá um frio na espinha.
Pessoas que levam suas próprias imagens nas camisetas, como Jane Fonda, por exemplo:

Não sei que doença é essa. Ego? Nostalgia?
Mas a pior delas todas está aqui embaixo. Sim, porque ela demonstra total ignorância a respeito do veículo para o qual trabalha e não tem um pingo de humor a respeito dela mesma. Leiam:
“O juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, determinou que o colunista José Simão, da Folha, se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, sob pena de multa de R$ 10 mil por nota veiculada nos meios de comunicação.
A atriz moveu duas ações de indenização, uma contra o jornal e outra contra o colunista. Ela alega que Simão “vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família”.
Anteriormente, a atriz havia ajuizado ação só contra a Folha na 4ª Vara Cível do Rio de Janeiro, mas não obteve a medida liminar.” (e blá blá blá…)
A (sei lá se ela é atriz… pelo jeito não é!) censora, está com seus mecanismos de defesa em alta. Ah, entendi, ela não gosta que notem que sua bunda é grande, segundo esse relato.
Continuando… “do “colunista” sobre a “poupança” da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável””.
Meu santo Deus! Que ridículo! Atrizes do mundo inteiro estão fazendo um tremendo esforço para SAÍREM de si mesmas. Adotam crianças em países, digamos assim, em estado de guerra. Tentam ser ativistas políticas da melhor forma possível. E essa aí…?
“É coisa medieval”, afirmou.
As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz Capanema de Souza “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.
Bem, Juliana Paes. Um dia, talvez bem mais próximo que você imagina, você estará virando um outro quadro de Rembrandt. Esse ai embaixo!

Afinal, atores ou não, artistas ou não: somos produtos PERECÍVEIS.
Gerald Thomas, 17/Julho/2009.
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Amsterdam, Censura, Duchamp, Folha de São Paulo, Francis Bacon, imprensa, Jane Fonda, José Simão, Juliana Paes, Kazuo Ono, liberdade de expressao, Macaco Simão, Rauschemberg, Rembrandt, Sankai Juku, Tchecov, Zurich
04/09/2008 - 10:57
Por: O Vampiro de Curitiba
Já discutimos, aqui no Blog, sobre deus, sobre açaí, sobre arte, sobre… O que mais está faltando discutirmos? O próprio “discutir”. O ato de opinar. Sim, caro leitor e comentarista, chegamos a esse ponto!
Nestes tempos de ataques contra a privacidade, ataques estes possivelmente desferidos por órgãos do Governo (e que deveriam ser órgãos de Estado), com gravações de conversas telefônicas até do Ministro do Supremo Tribunal Federal, passou meio que batido um assunto tão ou ainda mais importante: a liberdade de expressão.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acabou de manter as restrições ao uso da Internet para divulgação e expressão de idéias no período eleitoral negando a concessão de uma liminar em um mandado de segurança promovido pelo Portal IG no dia 15 de Agosto deste ano. O TSE iguala, desta forma, a Internet à TV e às rádios, mantendo uma série de restrições aos internautas durante o período eleitoral. O que o IG pretende nada mais é que “garantir o livre fluxo de informações, da liberdade de opinião ou expressão, com vistas a possibilitar a manutenção de um espaço de comunicação caracterizado pelo pluralismo político e cultural”, nas palavras dos advogados do IG.
A internet não pode ser tratada da mesma forma que a TV e as rádios, pelo simples fato que a Internet, pela sua própria natureza, é muito mais interativa, muito mais dinâmica e mesmo democrática que aqueles demais meios. A pretensão do IG, com a anulação de dois artigos da Resolução 22.718, é tão somente dar à Internet os mesmos critérios dados à mídia impressa quanto à divulgação de idéias e pensamentos.
O TSE, ao invés de estimular o debate e a troca de idéias no período eleitoral, faz o quê? Exatamente o contrário: CENSURA a liberdade de expressão de milhões de pessoas que não mais podem se manifestar livremente pela Internet, indo contra os princípios mais elementares da nossa Constituição. Não vai apenas contra a liberdade de expressão, vai contra a própria evolução da Sociedade. Evolução técnica- científica e humana. Técnica-científica porque não consegue ver na Internet um meio ágil e seguro de comunicação. Talvez fosse mais seguro aos brasileiros voltarmos à idade das pedras, assim não precisaríamos nos preocupar com tanta liberdade (sic)! Humana porque vê nos usuários da rede um bando de idiotas que não sabem se valer de seu senso crítico. Idiotas que precisam que o TSE lhes diga o que pode e o que não pode ser visto por eles. Precisam dos cuidados e proteção de Iluminados Ministros do TSE.
Gerald Thomas é filiado ao Partido Democrata nos EUA. Recebe e fornece instruções referentes á campanha de Barack Obama, óbvio, pela Internet. Lá a Internet é a principal ferramenta de distribuição de idéias, mensagens e até mesmo para arrecadação de fundos. Aqui na Banânia teme-se que até os motoristas de táxi fiquem proibidos de conversarem com seus passageiros sobre eleições. Em período eleitoral, claro! Que coisa mais absurda: falar em eleição em período eleitoral! E somos nós os idiotas!
Estamos a caminho de um Estado paternalista, para não dizer fascista, que sabe o que é bom ou mau para nós. Querem pensar por nós, querem nos defender da liberdade, essa coisa monstruosa e pecaminosa!
Queremos, nós, os idiotas, continuar opinando sobre tudo, quando e como quisermos. Dispensamos tanta atenção por parte do TSE e seus iluminados Ministros. É hora de apoiarmos a iniciativa do IG, o mérito da questão ainda será julgado.
O Vampiro de Curitiba
PS. Para se ter uma idéia de como funciona a Internet com liberdade plena nos EUA:
From: Jon Carson, BarackObama.com <info@barackobama.com>
To: Gerald Sievers <dryopera@aol.com>
Sent: Thu, 21 Aug 2008 10:46 pm
Subject: Don’t miss it
Gerald –
Barack will accept the Democratic nomination one week from tonight –
and you can be part of the moment.
Supporters like you will be coming together all across the country to
watch Barack’s acceptance speech and celebrate how far we’ve come.
It’s a great opportunity to be inspired, share a piece of history, and
keep building this movement right through Election Day.
Sign up to host or attend a Convention Watch Party in your community.
From the beginning, this campaign has depended on ordinary people
doing extraordinary things.
Grassroots supporters like you have brought us this far, but after the
convention, we’ll be heading into the final stretch.
That’s why on Labor Day Weekend, right after the convention, we need
everyone to take part in a nationwide Weekend of Action.
At the Convention Watch Parties, you can help plan canvasses, phone
banks, and other volunteer activities. To win in November, we’ll need
to register as many new voters and reach out to as many new supporters
as possible in just a few short weeks.
We can win this election and make things better for all Americans. But
it’s going to take all of us working together.
Find a Convention Watch Party near you — or host a party of your own
– next Thursday, August 28th:
http://my.barackobama.com/organizeforchange
Thanks for everything you’re doing to build this movement,
Jon
Jon Carson
National Field Director
Obama for America
É TUDO PELA INTERNET, SENHORES DO TSE!
Do Gerald (em Tarrytown, NY):
SOBRE O FALECIMENTO DO MEU EX-SOGRO FERNANDO TORRES
Nanda, Fernandona, Claudio: I’m so sorry. Vcs foram tao lindos quando minha mae morreu. Nao sei o que dizer. Estou aos prantos e IMPOTENTE aqui, isolado do mundo. O que dizer? O que fazer? Me digam???
Meus mais sinceros…
Meus mais sinceros!
LOVE meus queridos: o sorriso dele em Copenhagen vai ficar no meu coracao pra sempre!
Gerald
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: Barack Obama, Brasil, Censura, eleições, EUA, Evolução da Sociedade, fascismo, Gerald Thomas, idiotas, IG, Internet, liberdade de expressao, livre-pensar, maifestação de idéias, O Vampiro de Curitiba, opinião, Partido Democrata, totalitarismo, TSE
26/07/2008 - 10:16
O Caso do fotógrafo que foi barrado no Iraque
Um freelance, ou, como brasileiro prefere dizer, “frilancer”, foi banido depois que colocou várias fotos de Marines (quem não souber quem são os Marines, saiam do artigo já!) na internet. Ah, detalhe: muitos dos Marines, nas fotos, estavam mortos.
Entra-se, aqui, num território perigoso e sensível sobre jornalista que cobre guerra, invasão, etc.: a que ponto ele/ela tem sua autonomia ou são submetidos às Autoridades Militares para controle de imagem e informação?
Sim, assunto de extrema sensibilidade em estados que se dizem “democráticos” e que dispõe do FIRST Amendment. Essa “emenda”, na Constituição dos US, conserva o direito de livre expressão. Mas até que ponto? Quando vemos um jornalista “embedded” (o vemos dentro dos tanques, nas trincheiras, etc.) junto com as tropas, o quanto sabemos sobre suas atividades ou cumplicidades com elas, as tropas? O quanto sabemos sobre a Rede de TV que está nos trazendo àquela notícia? Isenção? Não, não existe! Existem os anunciantes. Isso, sim, existe! Ah, e os ‘Nielsen’ ratings… o Mr. Ibope!
Pois então!
No caso específico de Zoriah Miller, o tal fotógrafo: Se os militares conseguirem, de fato, barrá-lo (como querem) de tirar mais fotos em território Iraquiano, a palavra real seria Censura!
Mas por quantas não passamos todos os dias sem sequer sentirmos mais o seu odor? Na convenção de blogueiros e blogueiras se estabeleceu que nem os blogs estão livres de censura, pois os patrocinadores não gostam de certos “temas” e se irritam com certos assuntos.
Esse século 21 está transformando, manipulando a mídia – mais que nunca – num brinquedo Orwelliano (pior que Orwell jamais pôde pensar, ou Kafka jamais descreveu em seus “Processos”, “Castelos”, etc.), e por quê? E por que você pergunta?
Porque o ataque, a censura, não vem diretamente. O inimigo não tem visibilidade e as conversas com editores nunca são francas, transparentes ou abertas. Nesse mundo “tão redondo que não se sabe onde começa ou acaba” (Colombo não previa isso, seu ovo tão pouco), os assuntos nos vêm através de FILTROS.
E através deles vivemos. Achamos que estamos descobrindo coisas; a geração que realmente entendia a fusão das raças e das tribos que compõe as terras Árabes de hoje, a Europa e suas fronteiras provisórias, as emboscadas étnicas (ou essa Europa do Euro, como ela se encontra depois da queda do MURO hoje, etc.), essas pessoas estão desaparecendo. Difícil explicar para um jovem que o Irã não é um país Árabe. Difícil explicar que a Turquia também NÃO é árabe!!!!!! A geopolítica do ódio tende a transformar a cara do “inimigo numa coisa só”. Por isso, muitas vezes, Buenos Aires ainda é a capital do Brazzzzilllll e Rio de Jeneeeirooo fica na Argent’aina’, com suas lindas mulatas dançando el tango! Eta! Não, eta são os separatistas bascos!
No mais, o resto virou gelatina sem memória e filtrada de forma não-orwelliana, não ostensiva. No caso do tal fotógrafo, ele receberá um grande e sonoro NÃO, provavelmente. Mas no nosso, o acesso à informação ainda (e sempre) será completamente subjetiva, mesmo quando o repórter se diz independente, trabalhando pra uma agência de notícias “neutra ou imparcial” (piada maior não poderia existir).
Ora, meu senhores! Este artigo não pretende ser uma longa tese aprofundada sobre os “direitos” ou liberdade de expressão. Longe disso. Numa sociedade onde qualquer um entra anonimamente na vida do outro e câmeras CCTV te pegam em elevadores ou podem estar instaladas em quartos do teu hotel (sorria, você está sendo filmado!) , onde os yellow cabs e livery cabs novayorkinos nos filmam enquanto as mini-tvs que o prefeito Bloomberg instalou nos táxis não desligam nem quando se clica OFF (o Al Roker continua falando, falando, falando!), e os provedores sabem onde estamos através de nosso IP ou sabem de onde estamos falando por causa do GPS instalado em nosso celular, o “ataque da mídia como um todo” parece ser um inferno mesmo.
Não se sabe até hoje 0 dia da convenção de blogueiros, três dias após a convenção de teatrólogos, cinco dias após a convenção dos ecologistas. 8 dias após a convenção dos pedófilos, 10 dias após a convenção de Genebra, 13 dias após a convenção dos Alcoólatras Anônimos (que querem introduzir um décimo terceiro “passo” porque doze não estão mais dando), e 24 dias após a convenção dos ex-amigos de Marilia Gabi Gabriela, e 46 dias após a convenção dos que organizam convenções, sempre irei lembrar-me de uma frase gloriosa de Marcelo Tas: “Blog é uma coisa que se faz quando se vai ao banheiro de manhã, antes de puxar a descarga”.
Eu, modestamente, estenderia isso ao resto da mídia, como um todo.
Ah, Reinaldo (Azevedo), MIL E TRÊS perdões por ontem. Fiquei super mal. Erro meu. Mas, me deixe sofrer. Não me tire esse direito, já que sei que errei, errei, errei (o eco se ouve nas montanhas enquanto as auto-chibatas já acumulam 80 mil)
Gerald Thomas
obrigado Vamp mais uma vez pela edicao!
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "filtros" disfarcados de censura, anunciantes e convencao de ex-amigos de Marilia Gabriel, CCTV, Censura, First Amendment, GPS, Ibope, liberdade de expressao, Midia controlada, Orwell, Piada: midia IMPARCIAL, Zoriah Miller
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