Blog arrebentou! Virou FEBEAPA: os ossos de Sergio Porto rolam de rir em sua cova: “Luz nas trevas ideológicas dos aparelhos do ESTADO!!!!”
Ai, ai… Se eu ainda bebesse, juro que pediria um Drurys. Que dureza, viu?! Seria tão mais fácil seguir o rebanho, seguir essa corrente-pra-frente e cantar as maravilhas desse Brasil varonil. Elogiar os nossos governantes, agradecer esse povão que vem aqui arrotar sua cafonice explícita, com seu linguajar chulo, seu mau gosto deslumbrado. E ainda receber uns trocados do Governo para isso. Mas, definitivamente, não é esse o meu estilo.
Quando do início do Blog, Gerald Thomas exigiu que não houvesse qualquer tipo de censura aos comentários, nenhum controle, nenhuma restrição, que as pessoas se manifestassem com total liberdade. Pensei comigo mesmo: “Coitado do Gerald, acha que está lidando com dinamarqueses, com noruegueses, suecos. Não conhece as delicadezas de nossos selvagens tupiniquins.” Pois bem: até entendo a manifestação raivosa contra o post que falava de Gilberto Gil. Afinal, Gil é do Governo, é popular, negro, revolucionou a cultura da Banânia difundindo a… capoeira! Como sabemos, é pecado falar em Governo, em quem é popular, negro, e quer salvar a cultura nacional ensinando capoeira às nossas crianças. O que me surpreendeu foi o descontrole dessa gente com relação ao último post, sobre a Amy Winehouse: Gerald não escreveu uma linha sequer, citando, mesmo que de passagem, alguma instituição da Banânia. Não se referiu a nenhum brasileiro, nada! A reação, por incrível que pareça, foi a mesma: “Elitista, arrogante, preconceituoso! Como ousa, esse branquelo, nos ignorar dessa maneira? Estamos aqui, exibindo nossas feridas, mostrando nossos pés inchados, nossas úlceras. Se esse cabeludo não quer nos dar uma esmola, que ao menos nos demonstre alguma compaixão.”
Tadinhos, estão carentes. Não suportam mais a mesmice politicamente-correta dos blogues dos companheiros. Querem vir aqui, em busca de atenção, de um contato com pessoas diferentes de suas laias. Quando se enfurecem com críticas ao analfabetismo de seus governantes, é por sentirem-se atingidos, por se reconhecerem naquelas metáforas pobres, naquelas idéias toscas. Mas não gostam de ouvir críticas que venham “de fora”. Eles têm o direito até de se matarem mutuamente. Literalmente, como no caso de Santo André e Campinas, ou politicamente, como no caso do Ministro que quer acabar com a lei de Anistia com o objetivo porco de atingir Ministros de seu próprio Governo que tiveram passados de seqüestradores, assaltantes de bancos e terroristas. Entre eles, não há meio que não seja justificável por algum fim.
Pois bem! Querem um blog democrático, onde todos possam se expressar livremente? Então, é o seguinte: Terão que aprender também a ouvir. Aqui tem os dois lados, não é só vir buscar o bolsa-esmola, tem de trabalhar também, vagabundos! Ou pensam que por estarem nos governos, nas faculdades, nos sindicatos, todos têm de rezar por suas cartilhas? Coitados, leram algumas páginas de Marx e Gramsci, mas não sacam nada de Foucault! O Vamp vai jogar um pouco de luz nessas trevas ideológicas: O poder não é algo que possa ser conquistado, simplesmente, ao se tomar o Estado. Não, não existe “um poder” que se conquista juntamente com aparelhos de Estado. Os poderes periféricos e moleculares se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social. Quem tem poder é quem cria valores. E os valores que estão sendo criados neste exato momento são os valores do Individualismo, da meritocracia, da liberdade de pensamento e expressão, enfim, tudo aquilo que vocês mais abominam.
Putz!, devo ter estragado o dia de muita gente, he, he… Agora que descobriram que Papai Noel não existe, vão entrar em depressão profunda, tadinhos… Vamos combinar assim: Cada um na sua! Nós fazemos o nosso papel, escrevemos sobre o que bem entendermos. Vocês continuam lambendo as botas dos seus líderes e recebendo como prêmio aquele sanduba de mortadela pago pelo partido. Cada um na sua? Lembrei daquele funk, verdadeira obra-prima da cultura popular. O Gilberto Gil deve amá-la:
“Ado, a-ado, cada um nu seu quadrado!
Ado, a-ado, cada um nu seu quadrado!
Petralhas nu seu quadrado nu seu quadrado!
Gilberto Gil nu seu quadrado nu seu quadrado!
Capoeira nu seu quadrado nu seu quadrado!”
O Vampiro de Curitiba
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: blog, capoeira, cultura popular, dança do quadrado, Estado, Foucault, funk, Gerald Thomas, Gilberto Gil, governo, Gramsci, ideologia, imprensa, individualismo, Lei da Anistia, liberdade, liberdade de expressao, liberdade de pensamento, Marx, meritocracia, militares, O Vampiro de Curitiba, petralhas, poderes periféricos, povão, valores