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04/07/2009 - 09:15

Independência ou Morte Súbita!



(Refugiados negros pintados de branco tocando “Kashmir” do Led Zeppelin em Zurique‏)

Independence Day, 4th of JULY

Domicilio: Lugar Nenhum!

Alpes Suíços- Essa terá sido uma das poucas vezes em que não passo o 4 de julho em Nova York, vendo os fogos de artifício da Macy’s estourando bem próximo à minha janela no East River.

Nao sei porquê. Algumas coisas simples não têm explicação. Outras, complexas, também não.

Vim dar uma estudada em projetos futuros aqui na Europa. Aliás, as últimas peças e óperas (de 1996 até as mais recentes) já estão disponíveis online no www.geraldthomas.com, clicando em “vídeos”. Especialmente o “Moses und Aron” de Schoenberg (1998, Áustria) me deixa besta! Sorry pela modéstia. Mas “Ventriloquist” ou “Nietzsche Contra Wagner” ou mesmo “Narzissus” estão lá.

E, revendo tudo isso, estou aqui, nesse Independence Day, lutando pela minha própria independência, notando mais um ENORME GAP entre JUSTIÇA e injustiça.

Num tribunal federal de Manhattan o juiz de primeira instância Denny Chin sentenciou Bernard Madoff a 150 anos de prisão. Era o máximo que a lei permitia para as 11 acusações nas quais o empresário admitiu ser culpado.
Madoff foi condenado por perpetrar uma fraude avaliada em cerca de US$ 65 bilhões.

Ótimo! Se fosse por mim, pegaria paredão! O que esse filho da puta fez com milhares de vidas não está no gibi! Não deixa de ser um assassino.

Aqui na Suíça inventou-se algo interessante: africanos, (nigerianos, kenianos, etc.), de saco cheio de serem “repatriados”, inventaram uma fórmula interessante de ingressar no país e FICAR.

Dizem: “Não sei de onde sou”. E, com uma resposta dessas (e sem passaporte na mão), a imigração Suíça não pode devolvê-los a lugar algum. Era o que chamávamos (quando eu trabalhava na Amnesty International em Londres, anos 70) de “desterrados”. Então o que acontece? Dão a eles uma graninha curta e moradia simples em lugares distantes dos grandes centros como Zurique, Basel, Bern, etc., e uma hora específica para estarem de volta, e assim levam a vida de exilados DE LUGAR NENHUM.

ISSO JUSTAMENTE QUANDO O LULA sancionou uma lei que permitirá normalizar a permanência de cerca de 50 mil estrangeiros que vivem de maneira irregular em solo brasileiro.
A decisão vai em sentido oposto ao endurecimento que marca a política de imigração de países ricos. O caso mais recente e deplorável é o da Itália, que tem no primeiro-ministro Silvio Berlusconi um incentivador do racismo, como atestam suas estapafúrdias declarações -a mais recente delas, durante as eleições regionais realizadas no mês passado, lamentando que Milão parecesse “uma cidade africana”.
É verdade que no Brasil o cenário difere daquele que se observa no mundo economicamente mais avançado.

Não me diga! Quer dizer que o Brasil não faz parte do primeiro mundo ainda? Que tremenda decepção. Logo esse Brasil que mora dentro do meu coração e que vai ser o tema do meu filme, “Ghost Writer”.

Embora seja em sua história um país aberto a fluxos migratórios, entre nós a presença de estrangeiros caiu nos últimos dez anos – ao passo que aumenta a saída de cidadãos para o exterior, o Brasil…  ah, o Brasil! Que terra linda! Que país lindo!

Bem diferente é o quadro nas nações ricas, que atraem quantidades crescentes de migrantes de regiões menos favorecidas em busca de melhores condições de vida.

Mas o Brasil tem futebol, tem praia e tem feriados, muitos feriados. Nao é somente o de Julho, que tem o dia em que os USA lutaram até o último fio de cabelo contra a colonização Inglesa. Não, o Brasil tem o chopp mais gelado do mundo e a bolsa família e NÀO PRENDE SEUS CORRUPTOS, NÃO PRENDE SEUS VILÕES. Já NOS EUA, Martha Stewart, Leona Helmsley e Madoff levam CANA mesmo.

Mas existem soluções. O Comandante (ou piloto) Peter Lessmann (27 anos de Varig e 5 de ETHIAD, Emirados Árabes) tem algumas sugestões para um Brasil fora do campo do Futebol:

1) “Montar um banco de dados em um site com tudo como, por exemplo, o currículo pessoal de políticos, os processos contra eles em andamento ou condenações, se for o caso, aquela declaração de renda/bens, que se diz, são obrigados a fazer antes de assumir certos cargos, etc., enfim, tudo que possa interessar sobre o perfil de políticos, ex-políticos ou candidatos. Junto com isso pode-se associar imagens, textos, filmes, documentários, qualquer coisa que ajude um eleitor a tomar a sua decisão de voto.

2) Outro banco de dados acumularia tudo que há de informações disponíveis sobre o governo em todas as esferas possíveis nos 3 poderes, se possível acompanhado de comparações entre governos aqui e fora do país. Sei que hoje há como levantar isso se você for persistente e tiver muito tempo para pesquisar, mas desconheço se há um site onde estas informações ou o caminho para chegar nelas esteja disponível.”

Pois é! A vida é um sonho, já dizia Calderon De La Barca, o clássico autor espanhol.

Alguns países conseguiram atingir esse sonho segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. Os Africanos de Lugar Nenhum estão entre um e outro ou em nenhum e noutro, já que não retornarão e ficar onde estão me parece uma vida perdida.

INDEPENDÊNCIA é uma prioridade absoluta na vida de uma nação, a auto-estima, a alta auto-estima de uma nação, o orgulho de um povo, a proliferação de uma cultura. Mas, antes de mais nada, a gente deveria tentar entender o que “independência” significa. E, se ela tocar nas raízes da ignorância ou alguém lucrar com ela, nada feito. De volta a estaca ZERO. É uma linha quase invisível. Como aquela que o bandeirinha indica que o cara estava no impedimento depois que a torcida berrava GOOOOOOLLLLLLL !

Tenham um ótimo fim de semana!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
10/12/2008 - 03:16

O Homem Isca – Porque o Espancam e Lhe Devolvem o SILÊNCIO

Terrorismo real X Terrorismo psicológico

(Terrorismo real e terrorismo psicológico)

 

Escrevo às 4 da manhã. Exausto de um dia de ensaio puxado, repetitivo, às vezes frustrante, discussões  técnicas, entrevistas, conversas com a equipe e o skype tocando… me encontro entre um ponto FINAL e outro, o de interrogação, assim como o personagem de “Bate Man”, ou “Bait Man” (homem Isca) que estréia em alguns dias.

Muito estranho como nós acabamos sempre no mesmo buraco que os textos que geramos para teatro. Ou será que é justamente o contrário? Pouco importa. A essa hora da madrugada, lutando pra conseguir algumas horas de sono e começar a nova batalha e me pergunto: Por que batalho, me “entrego” ou me confesso através da última fala do ator num palco de terra, caixas de vinho pelo chão, Bordeaux 1933 e Barolo 1945?

Tudo detonado. Nada mais no palco a não ser uma isca, de onde ele estava pendurado no início do espetáculo sendo espancado pela sua própria culpa ou incoerência por estar vivendo e vivenciando  o susto de ter nas mãos garrafas de vinho com datas tão significativas e, no entanto, contendo sangue humano.

Assim estou agora. Sentado num hotel, comendo pudim de leite e berrando paro o mundo o que o meu “Bait Man” fala depois que cai num desfile de modas absurdo nos dias de CRASH ECONÔMICO, onde a imagem do EU vai ficar suspensa por um tempo ou entrará num surto psicótico.

Depois de torturado, ou se deixar torturar, pela nona vez num curto espaço de tempo, “Bait Man”, ensangüentado, encharcado de suor e vinho e terra,  encara o público:

-“Proteção! Que proteção, porra nenhuma! Isso é o ESTADO entrando em nossas vidas como ESTUPRO! Não, não! Me recuso. Vou para a batalha com um Bordeaux na mão, divino como um ser humano divino, ou com um Barollo contendo sangue humano, porque assim nós somos! Assim sempre fomos.”

Nossa! 

Meu desejo é o de atacar, entendem?

Por isso mesmo DEVOREI quatro milhões de metros cúbicos de CONCRETO. É, está tudo aqui dentro. Tudo!

E-N-G-O-L-I-D-O, entenderam? Esse concreto todo!

Aqui dentro. Junto com esse vinho humano.

Uma delícia!

Delícia! Poesia concreta, arte concreta, morte concreta! É, tudo aqui dentro do meu estômago.

E, assim, eu migro pelos mundos, como se fosse o SABÃO nas mãos de Poncio Pilatos ou uma esponja na sola de Mick Jagger. É isso.

Pronto: É o que tenho a dizer, Kurt Cobain!

Ah, aquela parte da tortura… e que ela vale a pena? Deus me livre! A gente diz tanta coisa, né?

Vive tanta coisa, né? Tanto afastamento, tanto silêncio…

SILÊNCIO!

Caramba!

Como a gente vive num tremendo SILÊNCIO que as pessoas nos devolvem… isto é, quando elas não nos POSSUEM, ou querem possuir, elas nos dão os ombros e o silêncio BRUTAL.

Como é BRUTAL o significado de tudo isso!

Como tem gente escondida dentro desse silêncio. É quase como nessas garrafas, mas sem o sangue. Hoje, NEM MAIS SANGUE HUMANO TEM.

POR ISSO ME ESPANCAM! AH, ENTENDI!

BRUTAL, o significado de tudo isso! Gente escondida dentro desse GIGANTESCO silêncio. E  nessas garrafas? Todas as obras inacabadas da humanidade?

E os imbecis solitários as bebendo sem saber, nos bares e nos restaurantes, olhando o rótulo, sendo enganados por algum sommelier dando pinta, dizendo: “Bem, esse aqui tem um sabor arredondado e cheio, digamos, com o carvalho ainda no céu da boca, por assim dizer, e a fruta fresca levemente mordida pelo selênio, uma fruta ainda em estado de ‘crescimento’ e portanto algo híbrido, merlot, cabernet e… recém chegado da coleção  de um milionário australiano…”

PORRA! Mal sabe ele que lá dentro pode se esconder a obra inacabada de um Franz Kafka ou de um Calderon de La Barca ou mesmo… Ai que desespero! Todo mundo bebendo literatura inacabada ou sangue de assassinos ou mártires e nós aqui, posando de…

Que Tortura! O Analfabetismo! Digo, essa nova forma de braile através da degustação de vinhos humanos. Não funciona! O leitor, digo, sei lá, ficará bêbado e não se lembrará do que leu, ou seja, bebeu!

Educação… pra quê? Ah, para que a gente tenha uma noção de “cultivo da memória” e de “memória da lembrança”, ou vice-versa. Gente! Quem está aí fora?

ÍCARO? ERA ISSO então? Ou Átila? Ou Homero? Ou o quê? O que é para eu aprender aqui? Sério?

Gente, agora é sério!

Rolhas? Sangue Royal? Virar uma Pintura VIVA de Francis Bacon desfilando para ser comprado pelo Damien Hirst e virar uma sátira de mim mesmo? NÃO! Não sou mais quem eu sou porque não estou mais pensando quem eu penso no que estou pensando e vocês nao estão vendo exatamente o que vocês ACHAM o que vocês estão vendo, então sugiro uma… PAUSA de… um mês. Ou então o aplauso que o Próspero pediu ou uma condenação que Prometeus pediu ou então o silêncio que foi concedido a Hamlet pelo Fortinbras porquê…

Porque…

Porque…

Porque…

Gerald Thomas

Dez, 2008

(O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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