‘Nonada’ com Gerald Thomas (*ou: Não demorou muito para eu descobrir o que as pessoas querem dizer com a minha destruição)
Nonada!
Como diria Guimarães Rosa no início do livro-painel “Grande Sertão: Veredas” ficamos literalmente “no nada” após o último ‘enter’ da BlogNovela apresentada por Gerald Thomas/Cia. de Ópera Seca no Sesc Paulista com transmissão simultânea pelo portal Ig.
No post anterior alguns amigos me ‘apertaram o piercing’ dizendo que nada disso era inédito, que até filme baseado em Blog já havia estreado assim como outras produções também foram transmitidas pela internet. Sei disso, inclusive participei de dezenas! Dirigi com Marcelo Tas – o ‘rei da multimídia’ – uma ópera e uma peça que foram transmitidas ao vivo pela rede, sei de projetos de amigos que se conectaram entre três países e simultâneamente apresentaram um espetáculo com links ao vivo em fuso horários diferentes, também assisti na Europa experiência semelhante com Robert Lepage, etc, etc…, o que conta aqui é a DRAMATURGIA que Gerald propõe.
Quem acompanha o seu Blog sabe que a participação dos leitores é uma ferramenta à parte no diálogo que Gerald propõe com os seus leitores. Às vezes pode até parecer que são um bando de ‘xiitas culturais’ perigosissímos (por vezes são sim, até eu já tive comentário ‘clonado’ por lá), mas não conheço outro espaço na internet que provoque tantas ‘teses dramatúrgicas’ como lá.
E nisso a experiência beckettiana de Gerald é indispensável para tornar esse material ‘adaptável’ para os palcos.
Mais uma vez Fabiana Gugli comanda o caos tendo, dentre outros companheiros, os excelentes Duda Mamberti (às vezes um Vladimir e por outras um Estragon do clássico beckettiano) e Pancho Cappeletti (o reverso do travestismo, concentrando todo o universo masculino sempre presente na obra de Gerald, principalmente depois da ópera Mattogrosso, parceria com Philip Glass).
O que vemos e ouvimos é o cotidiano disfarçado em acasos, a interação cyber refletida nos conflitos mundiais e uma universalidade que pode parecer simplista quando se lê os comentários para os posts escritos por Gerald. É simples sim, mas poucos são capazes de interpretar esses simples sinais.
O regionalismo universal de Guimarães Rosa, o ‘newspeak’ de Orwel e a ‘dramaturgia online’ de Gerald sempre serão difíceis para os menos atentos. ARTE é difícil, TEATRO é difícil, LITERATURA é difícil de se fazer, assistir ou produzir! Claro que não estou falando isso ‘para’ o Brasil que tem um ministério da Cultura ‘aculturado’ em que se exige “contrapartida social” do artista.
Contrapartida Social? E qual é a contrapartida cultural que os brasileiros recebem? O tombamento da receita do acarajé, da capoeira, dos quilombolas (de repente viramos uma nação de quilombolas!); é sobre tudo isso e muito mais que os leitores do Blog do Gerald falam, discutem, brigam, e não só pelo prazer de discordar mas de unir, propor, combater…
Mais uma vez Gerald usa Led Zeppelin como ‘leitmotiv’ de um espetáculo, compreensível, afinal o que mais podemos dizer depois dos versos de Black Dog:
- “(…) watch your honey drip, can’t keep away (…)
Didn’t take too long before I found out, what people mean my down and out…”
Alguns clics que fiz do último ensaio que fizemos para a equipe do Ig, para ajustarem as imagens com os ‘camera-men’, antes de abrir para o público, enjoy!
Em breve colocaremos a janela para a Blognovela, por enquanto, cliquem no link abaixo:
(Nossos agredecimentos a Patrick Grant que fez a gravação e disponibilizou o Link)
No Blog do Alberto Guzik:
O impacto de “Kepler, the dog”
É muito poderoso o novo trabalho de gerald thomas, “o cão que insultava as mulheres, kepler, the dog”. vi ontem e ainda está girando na minha cabeça. as imagens, a força das idéias. tudo muito simples, muito despojado, e extremamente requintado. não parece o gerald capaz de inventar máquinas cênicas complicadíssimas. este gerald está interessado em explorar o palco nu, a caixa cênica desventrada, sem nenhuma moldura que a enfeite. o resultado é magnífico porque sofre o impacto da visão de mundo lúcida e arguta do encenador. fabiana gugli está esplêndida, cada vez mais precisa e senhora do palco. e também brilham duda mamberti e pancho capeletti, dominam a cena com extrema segurança. mas é das idéias do espetáculo que se precisa falar. não posso fazer isso agora. tenho um dia longo pela frente. reunião do projeto dos sonhos, depois santo andré, onde estrearemos “liz”, logo mais, no sesc de lá, às 21h. ontem ensaiamos até alta madrugada. e hoje tive de pular da cama bem cedo. então depois vou contar mais e melhor do que vi ontem, e narrar como foi que vi, porque não deixou de haver uma peripécia para que eu assistisse ao pontiagudo “kepler, the dog”, com que jerry está abrindo frentes e vertentes, criando uma dramaturgia a partir de textos do blog, fazendo um espetáculo que, segundo cálculos, seria visto por no mínimo 150 mil navegadores. porque “kepler” foi transmitido pelo portal ig, no igpapo. deixo para vocês uma foto de fabiana gugli e duda mamberti, enquanto eram acompanhados pelas câmaras do ig, clicada pelo talentosíssimo caetano vilela, que colaborou com gerald na criação de uma luz de tirar o fôlego.
Foto: Caetano Vilela
DO ÚLTIMO SEGUNDO:
SÃO PAULO – A nova obra do diretor e dramaturgo Gerald Thomas, “O Cão que Insultava Mulheres – Kepler, the Dog”, estréia nesta quinta-feira (13), às 21h30, no teatro do Sesc Paulista. Quem não puder comparecer terá a opção de ver pela internet, ao vivo, no IG Papo.
A peça é, na verdade, o primeiro capítulo de uma blognovela criada por Thomas em seu site. A segunda parte, ainda sem data de estréia definida, se chamará “O Cão Astrônomo que Estragava Planetas e Estrelas”.
O texto da peça é resultado de discussões e comentários de 11 capítulos anteriores da blognovela, todos criados no blog de Gerald Thomas. A montagem terá atores profissionais e amadores, recrutados a partir de vídeos enviados pela rede ao diretor.
Segundo Thomas, a obra é uma crítica ao universo masculino. “Os homens se consideram o máximo, mas são uns grandes imbecis sempre engajados em guerras, matanças, estupros, emboscadas”, explicou em seu blog.
A crítica, vale ressaltar, não é nada leve. Tanto que a peça tem cenas bastante fortes e, por isso, não é aconselhada para menores de 18 anos.
“O Cão que Ofende Mulheres” será apresentada no Sesc Paulista (Avenida Paulista, 119, Paraíso), a partir das 21h30. A entrada é gratuita. Para assistir, basta retirar senhas que serão distribuídas uma hora antes do espetáculo.
A transmissão pela internet será feita através do iG Papo, também a partir das 21h30. Será possível assistir à peça ao vivo e também comentá-la com outros internautas pela sala de chat. Saiba mais sobre o espetáculo no blog de Gerald Thomas.
Serviço
Data: 13 de novembro de 2008, quinta-feira, 21h30
Local: SESC Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 119 – Paraíso
Entrada franca; os ingressos devem ser retirados na bilheteria a partir das 20h30.
Ficha técnica
O Cão que Insultava Mulheres - Kepler, the dog
Projeto: Cia. Ópera Seca
Criação e direção: Gerald Thomas
Elenco: Anna Américo, Caca Manica, Duda Mamberti, Fabiana Gugli, Luciana Fróes, Pancho Cappeletti, Simone Martins.
Produção executiva: Dora Leão – PLATÔproduções
Assistência de produção: Hedra Rockenbach
Som: Claudia Dorei
Luz: Caetano Vilela
DA ILUSTRADA (FOLHA DE SÃO PAULO):
Gerald Thomas leva ao palco 1º capítulo de sua “blognovela”
Cão que Insultava Mulheres” se inspira em comentários de internautas
DA REPORTAGEM LOCAL
“Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando.” Na voz de Gerald Thomas, a gravação parcialmente transcrita acima abre “O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the Dog”, encenação do primeiro capítulo da “blognovela” do diretor, que tem ensaio aberto hoje à noite. No início da tarde de ontem, a produção informou que o espetáculo será transmitido em tempo real pelo portal iG. Boa parte da dramaturgia, que desafia descrições, foi construída a partir de comentários deixados por internautas no blog de Thomas (www. colunistas.ig.com.br/geraldthomas). Da internet também foi “importada” uma atriz- Thomas pediu que interessados enviassem vídeos inspirados nos textos postados por ele na internet. Em cena, Thomas e sua Cia. de Ópera Seca (em que se destaca Fabiana Guglielmetti) inicialmente sondam os elos entre arte e poder, mas logo se debruçam sobre as relações de gênero e a permanência de certa mentalidade sexista. As intelectuais americanas Camille Paglia e Susan Sontag (1933-2004) comparecem. Segundo o diretor, “Cão” fecha uma trilogia aberta por “Terra em Trânsito” (2006) e “Rainha Mentira” (2007). (LUCAS NEVES)
O CÃO QUE INSULTAVA MULHERES, KEPLER, THE DOG
Quando: hoje, às 21h30
Onde: Sesc Avenida Paulista (av. Paulista, 119, 11º andar, tel. 0/xx/11/ 3179-3700; grátis)
Classificação: não indicado a menores de 16 anos
A PRIMEIRA BLOGNOVELA CRIADA E TRANSMITIDA PELA INTERNET
QUINTA-FEIRA, 9:30 DA NOITE
PARTE I
AQUI PELO IG
Fotos: Lenise Pinheiro
Mais detalhes nos próximos dias! Haja fôlego.
SIM, é o que vocês estão pensando, SIM!
Os homens se consideram o Máximo, mas são uns grandes imbecis sempre engajados em guerras, matanças, estupros, emboscadas…. insultando e humilhando as mulheres…. cometendo o genocídio através de todos os tempos e do TEMPO da nossa HISTÓRIA…
Ah, sim, e quanto aquele coco, enxerguem ele como se fosse um ovo, como aquele de Colombo.
Sim, aquele desde os descobrimentos ou dos CRIADORES, muitos OVOS foram colocados de pé, mas a melhor pergunta ainda seria…Quantas milhões de dúzias não foram estraçalhadas????
Gerald Thomas
DO GLOBO ON LINE:
DRAMATURGIA INTERATIVA
Gerald Thomas cria blog novela e transmite pela web episódio feminista ‘O cão que ofende mulheres’
SÃO PAULO – No que depender do irriquieto encenador Gerald Thomas, nada será como antes. Cansado da mesmice, o diretor quis criar uma nova linguagem e inventou o blog novela. Um dos episódios, “O cão que ofende mulheres”, vai ser encenado no Sesc Avenida Paulista nesta quinta-feira, gravado e transmitido em seu blog. Trata-se de uma “dramaturgia interativa”, como define Gerald.
- Teatro é chato pra burro. Blog tá meio chato. Jornal é chato. A internet tem essas possibilidades. Resolvi então criar um híbrido. Fui postando capítulos de uma novela. Aproveitei os comentários de meus internautas mais fiéis e criei uma dramaturgia interativa para fazer o texto de “O cão que ofende mulheres” – explicou.
O sugestivo título não tem nada a ver com o episódio que recentemente movimentou o noticiário de celebridades: o rompimento do noivado entre Luana Piovani e Dado Dolabella, após uma briga na qual ele teria dado um tapa na ex-noiva e empurrado a camareira Esmê em uma boate carioca.
Gerald conta que nunca ouviu falar em Dado, mas conheceu Luana na época em que morava em Nova York, quando a atriz passou uma temporada de estudos por lá:
Minha história mostra que o homem é um imbecil. É ele quem se engaja em guerras, enquanto a mulher é aquela em busca de paz
- Minha história é bem mais alegórica que isto, mas mostra que o homem é um imbecil. É ele quem se engaja em guerras, enquanto a mulher é aquela em busca de paz. Espero que este sujeito (Dado) esteja preso. Toda a minha simpatia à Luana.
O cenário é uma caixa preta e a encenação começa com três mulheres presas de ponta cabeça por um dos pés encontadas na parede do fundo do teatro. Uma narrativa em off fala de desmoramento e compara arte e poder enquanto convida o público a duvidar. Um executivo entra em cena tentando se equilibrar em sandálias de salto alto. Enquanto filosofa sobre Aristóteles, um cachorro faz cocô. Acompanhando a trilha sonora, Gerald Thomas diverte-se tocando guitarra. O texto faz referências críticas sobre as feministas Camille Paglia e Susan Sontag, além do artista Marcel Duchamp.
Para conferir o episódio e ler outros capítulos da blog novela, basta acessar o site do dramaturgo .
A gravação de “O cão que ofende mulheres” será aberta ao público e acontece na quinta-feira, às 21h30, no Sesc Avenida Paulista com entrada franca. (Avenida Paulista, nº119, 11° andar. Tel: 11 3179-3700).
Gerald Thomas convida você a enviar o seu vídeo. É como um teste de elenco online. Se você for escolhido poderá fazer parte de uma peça de teatro interativa que será encenada em São Paulo no mês de novembro.
Sugerimos que os interessados leiam os capítulos da BlogNovela já publicados aqui no blog e mandem vídeos com interpretações relacionadas a esses capítulos.
Todos podem usar a área de comentários deste post para eliminar qualquer dúvida e enviar sugestões.
Depois de dias com um post aqui em baixo, que atingiu mais de seis mil hits, sobre pedófilos, me senti na obrigação de relatar um pouco do que tenho assistido numa conferência que aborda assuntos como exilados, desterrados, aqueles que buscam trabalho porque se sentem reféns em seus próprios países. Sei, pela minha família, o que é isso. Digo, ser refém.
Bem, esse assunto também não é exatamente novo para mim, não. Na década de 70 eu trabalhava como voluntário no Secretariado Internacional da Amnesty International em Londres, a favor dos presos políticos, exilados, torturados, desaparecidos, etc., no Brasil. Eram 24 horas sobre 24 horas de trabalho. Trabalhávamos com telex! Urgent Action! Os telegramas para que as torturas sobre A, B ou C cessassem tinham que estar na mesa do Almirante Helio Leite ou Julio de Sá Bierrenbach no Superior Tribunal Militar, em Brasília, em questão de horas e… assinados por chefes de Estados de democracias cristãs européias ou monarquistas! Bem, não vou aqui repetir essa história. Quem sabe, sabe, e quem não sabe, não precisa!
Nunca acreditei que o Estado devesse ter/pudesse ter qualquer tipo de PODER sobre o cidadão! Por que isso? Porque metade da minha família virou carvão em Auschwitz justamente por causa de ABUSO de poder!
Mas, de volta á essa conferência: haitianos, cubanos, mexicanos que cavam túneis ou são trazidos pelos coyotes, ou hondurenhos e mesmo paquistaneses que nada têm a ver com a Al Qaeda, mas tentam a entrada pela costa da Flórida ou Louisiana (via Jamaica ou Trinidad) depositam todas as suas vidas e esperanças para poder entrar aqui. São pessoas ou famílias inteiras que se arriscam a barquinho (aquilo com que brinco nas BlogNovelas e agora estou completamente arrasado pois os vi de frente) e que, às vezes, são interceptados pela Coast Guard Americana e mandados de volta para os tubarões.
Como o Gustavo, um peruano. Uma vez aqui dentro, trabalha como carregador de navios de turistas, como a Carneval Cruises. Não está legalizado e leva insultos de pessoas nessa cidade onde é permitido andar de moto sem capacete. Por que os insultos? Porque não fala uma palavra de inglês. “Mas tudo bem”, digo eu.
“Ninguém em Miami fala inglês: espanhol é a língua oficial”. “No, boss! Los grandes hablan en russingles!”
Ah…
Miami onde tudo é possível. Onde o “concierge” do hotel consegue tudo. Entendem? TUDO (deixem suas fantasias irem longe e os dólares voarem)! Miami, aonde a crise da Wall Street não chegou e onde a Collins Avenue ou a Lincoln Road são povoadas por tijuanos e dependem do serviço de imigrantes ilegais, esse assunto ainda é, continua sendo, o mais controverso.
McCain é, há mais de duas décadas, o senador do estado do Arizona. Quando estive em Tucson, conversei com os motoristas de táxi que vão para caça à noite com night vision. Cada cabeça trazida lhes vale 100 dólares. “Mas não é pelo dinheiro”, brincava um (enquanto eu, entre o espanto e quase lágrimas, me encolhia no assento de seu táxi). “É pelo esporte mesmo!”.
Ontem eu estava numa tal depressão, mas tal depressão que recebi esse e-mail do meu fiel e real amigo, um verdadeiro psicanalista, João Carlos do Espírito Santo. Acho que o conteúdo do e-mail diz tudo. Sobre o meu estado após a convenção, lhe escrevi e ele respondeu:
“… Este era meu medo ao sabê-lo ouvindo os depoimentos: os ecos que despertariam.
Sim! O desejo de quem minimamente está vivo, é este, anular-se ou explodir toda esta perversão diária. Quando pensamos que chegamos ao final do poço, descobrimos que tem mais um pouco, que alguém escavou mais. Só não tem escada para subir, sair do que os cínicos aprofundam sentados em suas indiferenças, em suas armadilhas em que a palavra dissociou-se da coisa, da referência, e foi à deriva do mau-caratismo.
Sim Gerald e não há sequer consolo pensar que isso está circunscrito a países periféricos, esta é a tônica da contemporaneidade: A ABJETA, sórdida relação com toda a alteridade.
Esta é a herança dos nossos tempos, de nossos territórios: deturpação, esvaziamento da ética, implosão da moral em discurso pervertido, em bestialogias diárias, em sórdidos sorrisos chamados mercados. Reduzem-nos a isso, mercadoria para troca ou para o descarte, o refugo, o lixo.
Mas, previne-te, que nestes ataques intensos às sensibilidades reside o maior ardil, Derrubam, se nos vencem, os últimos resistentes, os que colocam o dedo na ferida, os que nomeiam o que eles negam. Sobrevivemos para ver campos de concentração sem muros, para viver torpor social, ausência de solidariedade. Atravessamos o século XX para entregar, jogar a toalha? De jeito nenhum, vamos a resistência, pois o silêncio é o que esperam para enfim, arquitetar a destruição final. Aqui vale recordar os mortos – todos os que valem a pena prantear – e elevar-se a condição superior do anacrônico e dizes:
NÃO!
NÃO! AINDA NÃO CHEGAMOS AO FINAL, SE SOMOS PONTO É PARA INÍCIO DE PARÁGRAFO.
NÃO! Um seco não, um claro e inequívoco não em nome do SIM, que dás a tantos anos, que teimo em resgatar em meus pacientes, pois do contrário, cederemos às cinzas, ruiremos em nossas vidas com o que ainda espera, com o horizonte do viável.
Recobra-te, em silêncio chora o que está, mas não te renda ao que querem que seja.
Só há um caminho: SEGUIR SEMPRE!
Se ainda houver tempo hoje, responda-me, pois sinto os estragos do dia de hoje em seu mais íntimo ser.
Um grande, solidário, triste e querido abraço.”
João Carlos
Sim, seguindo em frente sempre! Às vezes me pergunto…
Blog: quatro meses. Leia o UPDATE de QUINTA á Noite lá embaixo, nessa mesma coluna, *em ingles” do NYTimes, estou tentando dar um tempo… tentando relaxar… em Miami (obviamente não consigo). GT
Não, não é bem um blog e sim mistura de BlogHosting com BlogNovela. Não sou blogueiro ou bloguista ou blognauta. Sou autor e diretor teatral, uma arte em momento fundamental de se repensar, de se reapresentar e de se re-encenar. Assim como no magnífico prefácio de Alberto Guzik pro “Encenador de Si Mesmo” (uma coletânea que Haroldo de Campos, Jacó Guinsburg e Silvia Fernandes fizeram sobre o meu trabalho), a arte da encenação não pode bater na primeira e única tecla e não pode ficar na era do primeiro e último retorno. Ou seja, morremos todos os dias. No fechar do pano, no teatro, acabamos com as nossas vidas, as vidas de nossos personagens. Se o teatro pega fogo e o espetáculo não volta mais, acabou. Bem, mas até Hamlet já dizia isso.
Anteontem, conversando coma última beatnick do teatro livre, a Judith Malina, trêmulo de emoção por todos os motivos do mundo (a morte de seu companheiro Hanon há seis meses e a de Julian Beck há 23 anos) eu senti que estamos, nós do teatro, entrando num clima estranho. Mesmo o seu Living Theater – com esse nome – vive dias estranhos. Sinto que DEVERÍAMOS SER CAPAZES DE TROCAR DE NOME E DE IDENTIDADE pelo menos uma, duas, três vezes na vida. Vocês acham justo que “atacham” um nome e um número na gente e… that’s it?
Estranho!Termo estranho esse termo… estranho. Pois! Mais e mais gente no mundo quer entrar para o teatro, mas… Entrar para quê? Entrar para dizer o quê? Naquela mini-entrevista no YouTube, em inglês, http://www.youtube.com/watch?v=kfZaz3s5VV0, eu falo sobre essa crise.
Essa gente tem o que dizer? São pensadores? São, em primeiro lugar, ARTISTAS? Não, não são. Esse Blog comemorou ontem 4 meses aqui no IG e foi além dos 178 mil hits e cada post vira um ‘hub’, um fórum de debatescom seus pra mais de 400 comentários e isso me deixa extremamente orgulhoso.
Mas e qual o pararelo entre Blog e Teatro? O Berro. A BlogNovela. O BlogHosting. A intensa interatividade que existe num tempo quase real de performance art que acontece aqui.
No próximo capítulo da BlogNovela estaremos remando de volta paro o CRASH novayorkino de onde eununca saí. Encenador de si mesmo? Não, nada disso. Encenador do que está em minha volta. Um imenso barulho que Maureen Dowd chama de “apocalipstick” , se referindo ao batom no porco e ao apocalíptico mundo de mentiras editorias em que vivemos.
O que vem a ser um artista? O que dá a alguém o direito de ocupar o palco e estar na luz? Pois é, justamente! Tudo está turvo, tem gente demais querendo dizer coisas demais nesses reality shows. Gente que não tem passado, que não colocou um pé na lama e outro na merda, como diz um mestre do teatro. Mesmo assim, o ego do anonimato está crescendo dia a dia de uma forma apocalíptica. Os 15 minutos de fama de Warhol parecem ter se tornado uma eternidade e ninguém, digo, os do palco, consegue lidar com a crítica. Talvez porque a crítica não consiga mais lidar com eles.
Há um rombo imenso no diálogo na arte mundial. É disso que ria o Damien Hirst outro dia quando comprou sua própria obra…
Pena que nós não consigamos lotar os teatros com nossos próprios egos ou transformar os blogs em leitura casual. Para mim isso virou um caso visceral e eu queria agradecer a vocês todos por me darem essa chance.
LOVE
Gerald
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Desta quinta, do New York Times:
It does no good, Mr. Dodd said, “to be distracted for two or three hours by political theater.”
The senator was apparently alluding to a growing revolt by conservative House Republicans against the proposed $700 billion rescue, and the fact that Senator McCain has not yet endorsed the plan, whose concept runs contrary to the policy positions he has taken for years.
Mr. McCain and his Democratic opponent, SenatorBarack Obama, left the White House by a side entrance without commenting. The initial silence of the presidential candidates reinforced the impression that thorny issues still need to be addressed before an accord is achieved.
Shortly afterward, Mr. Obama said in an interview on CNN that he was confident that a deal would be reached “eventually,” but he said, “I think there’s still some work that needs to be done.”
WASHINGTON — With their first presidential debate awash in uncertainty, Senator Barack Obama interrupted his preparations in Florida and arrived here Thursday afternoon to join Senator John McCain for an extraordinary White House meeting intended to spark an agreement on the $700 billion government plan to bail out the nation’s financial institutions.
PS. do Vamp: Como vocês devem ter percebido, tivemos uns probleminhas no WordPress. Enquanto o Gerald está lá em Miami, se estressando com aquela paisagem maravilhosa, eu “estarei resolvendo” (gerúndio é foda, né?) o problema. Enquanto isso, mandem ver nos comentários.
Hoje, exatamente Hoje, esse blog completa um mês de idade. Eu esperava, la no inicio, que chegaríamos – no maximo – a uns 40 mil hits. Caramba! Olhei o sitemeter agora e….estamos bem alem dos 60 mil. O que foi que aconteceu?
Desde artigos “culturais” ate uma BlogNovela que autopsiava uma traveca encontrada com um bafômetro entalada no esôfago ate artigos fervorosamente pro Obama ou textos do Vampiro de Curitiba, ácidos, sobre o caso Dantas/Nahas etc, ou meus sobre Duchamp e orgias de heteros homofobicose mesmo….Chega! Quem leu, leu e quem não leu que va aos arquivos.
Quero agradecer minha parceira de mais de 4 anos, Ana Peluso, e a incrível equipe do IG (Caique, Marcela, Rafa e Clarice e todos que me atendem quando ligo pedindo SOS!!!), Caio Túlio Costa e meus eternos e queridíssimos comentaristas de sempre. Eles sabem quem são. Fico evidentemente incomodado com o baixo nível de alguns comentários mas, ao mesmo tempo me orgulho de deixar “vazar todos”, mostrando assim a verdadeira cara do Brasilinternetizado (ainda um mínima elite de bobalhões que me “advertem” nos comentários: “Va arranjar trabalho, seu vagabundo!!!“). So olhando, rindo e me perguntando qual pobre infeliz sentado num escritório de 9 as 5 sofrendo de algum TOC ou outros compulsivos…Mas não. Não estou aqui pra agredir o leitor.
Comecei o dia telefonando para a Carmen, viuva de Haroldo de Campose estou indo visitar Jacó e Gita Guinsburg, velhos parceiros (editores dos livros a respeito da minha obra), quando deparo com um interessante artigo de Ali Kamel publicado hoje na Folha. Liguei pra ele na hora. Ligação internacional via skype, olhando um na cara do outro: eu na Síria, ele de plantão no sul do Brasil, fronteira com o Uruguay.
Kamel – Padilha (cineasta , Tropa de Elite) disse que há no Brasil 11,5 milhões de pessoas passando fome. Como esse número não é correto, escrevi artigo no “Globo” contestando-o.
Gerald – Ali, perai. O Padilha faz cinema!Cinema e ficção estão lado a lado. O Brasil esta bem nutrido, a bolsa esmola esta dando super certo! Nunca vi povo mais bem informado e mais bem nutrido que esse aqui (mental e fisicamente: outro dia, no meio da Caatinga, me ofereceram “confit de canard, acompanhado de puree de mandioquinha com molho de vinho do Porto regado a vinho Tignanello, safra 86“), e tudo isso vindo dos Cofres Públicos do Sr Lula. Será que você não sabe mesmo ou esta se fazendo de bobo?
Kamel – Nas famílias que passam fome no Ceará, as crianças, na falta de comida, alimentam-se de uma mistura de água e açúcar, a garapa, daí o nome do filme. Padilha e Menezes enfrentaram as questões que propus com algumas provocações e muitos erros. Vou ignorar as provocações, mas apontar os erros principais. 1) Padilha e Menezes disseram: “A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, de 2002-2003, revelou que, nos domicílios de até um salário mínimo ……
Gerald – Para! Para, por favor para, Ali, digo, para, Kamel!!!! Já disse que o Padilha esta maluco e que esta aficcionado! Nada sabe sobre a real! Você não pode ignorar as provocações! Eu tava conversando anteontem com o Reinaldo (Azevedo) justamente sobre como esse Brasil esta exemplar e como isso aqui deveria ser o grande modelo da verdadeira ORDEM, PROGRESSO e JUSTICA !. O recente caso do STF, do Protogenes (lenda mítica grega, criada por Sófocles!) contra, a favor e contra de novo sobre o vilão/herói Dantas de Inferno. Por exemplo….
Kamel -Isso é inteiramente falso, tão falso que não imagino como alguém que faz um filme sobre fome erre assim. A POF mostra que, nas famílias mais pobres (rendimento per capita de até um quarto de salário mínimo), a dieta é composta por 69% de carboidratos, 12% de proteínas e 19% de gorduras.
Gerald – Você e suas estatísticas! Juro! Que saco. Se recusam a ver que Fidel Castro e Chavez resolveram o problema. Não tem essa de carbs ou proteína mais!!! Hoje em dia o negociose faz assim: distribui-se uma tela de Portinari (reprodução em lito, ou em serigrafia ou mesmo em xérox) e o povo se alimenta “espiritualmente” daquilo. Depois, vão orar! Todo mundo ora! Levantam as mãos, se dão as mãos, choram, berram, caem no chão em êxtase múltiplo, um orgasmo ecumênico e PRONTO. Não adianta usar a Santa Estatística: nem o Vaticano,….
Kamel – A Bolsa Família …..
Gerald – Não me ofenda Ali querido, não me ofenda. Vamos la fora. Estou arregaçando as mangas. Partir pra briga!
Kamel – Serio! Apenas quem passa fome e aumenta o valor recebido pelos beneficiários. E perguntam: “Ora, mas, nesse caso, o que aconteceria com as famílias excluídas do programa?”
Gerald – Não, não vou continuar discutindo cifras com você. Você se RECUSA a ver que o Brasil esta um PARAISO, se recusa a enxergar que o Brasil esta completamente LIMPO de qualquer tipo de corrupção. Se recusa a enxergar que o brasileiro virou o povo mais CULTO, bem informado (olha so O GLOBO, afinal… a edição diária não eh de 6 milhoes de exemplares so embancas? E a Folha? Ta uma loucura isso! Pessoas brigando pra ler um exemplar! Não existe mais papel!!! Já passa de 10 milhoes de exemplares, fora os assinantes online que devem estar na ordem de 140 milhoes já que o pais esta COMPLETAMENTE cabeado ou wi-fi ou cartão via ondas curtas medias e FM!!! Digo, FHC! Não, Elio Gaspari)
Trata-se do Primeiro Mundo mas você, Ali não quer ou não consegue enxergar que o Lula transformou (sim, sim, com todo seu autismo, ele não vê, não ouve, não consegue apalpar nada em volta e mesmo assim….) ele transformou o Brasil numa Suécia!
Kamel – Não consigo mais discutir com você! Por isso cancelei a tua coluna no Globo….Liguei pro Erlanger e….
Gerald- Não, eu que fui pra Folha! Fui pro Die Zeit, pro….
Kamel- Mas agora você esta perdido nesse mundo sujo dos Blogs,do lado do Nassif ai..que horror!
Gerald – Mas eu tenho meu teatro.
Kamel – Do “teatrinho” como o Xexeo chamou com toda a razão! E para de me encher o saco que eu tenho que ligar pro Zuenir!
Gerald- Poxa! Logo no dia do aniversario do Blog, Ali!!!
Pois! Assim a vida passa. A uva também. Na verrdade quero mesmo dar os parabéns a todos, principalmente aos meus eternos queridos aqui do Blog. Ah e, claro, aos meus DETRATORES, VIDA ETERNA!!!!!! Hurra!
Gerald Thomas – 23 de Julho data de Independência Universal do Reino dos Blogs
Alguém entra no quarto. O autor não presta atenção, mas a porta abre lentamente. Uma sombra de figura aparece e pára na Franca Rame da porta. O que foi que eu disse? Franca Rame? Moldura, óbvio. Que bobagem. Moldura da porta. A porta não passa de uma pintura híper realista.
Nesse momento acontece algo inédito. Não, inédito não. Autor e narrador se confundem, ou melhor se fundem e viram uma só pessoa. Assim como no parágrafo acima, o narrador se “entrega” e diz “O que foi que EU disse?”
Pronto. A BlogNovela chega a um ponto crucial. Narrador e personagem jamais podem ser vistos juntos assim como Clarke Kent e Superman ou Lula e o autista, digo, artista da esquina. Assim, ao abrir da porta, o autor se dá conta de que, além do enorme clarão de luz, um ser muitíssimo estranho estava lá de pé. Digo estranho e de pé. Plantado lá, e ainda assim, e de pé. O autor no chão, como numa câmara de tortura, dias sem luz e água, num chão de cimento, incomunicado e incomunicável no pior estilo Guantanamo, e já sendo procurado pelos seus blogueiros e pela Amnesty International, Human Rights Watch e Red Cross International, a figura de pé finalmente diz alguma coisa.
F - Era que…
Autor – Como?
F -Era que….
Autor – Desculpa, mas…..está escuro, molhado, digo….úmido, digo, húmido, quente, essa fumaça e eu não esperava…
Autor – Vem, deita aqui do meu lado. Tô carente, nu, molhado….vem.
F- Sou Juiz dos Céus!. Pára com isso! Os papéis estão aqui (faz sinal de comando pros guardas)
O autor é carregado pra fora da cela. Dão um rápido banho nele. Devolvem-lhe o terno, gravatas de Sobel, e ainda ganha um sapato da Prada.
Autor – Foi a Franca Rame? Foi O Dario Fo?
F- Não, foi o Supremo. Foi o Reino Supremo de Deus. Aqui não queremos prender ninguém. Você é poderoso. Têm as costas e os membros duros e quentes. Sabe muita coisa. Sabe quem é Franca Rame e Dario Fo, Pirandello e outros italianos que escrevem ou escreviam. Pronto, aqui estão os teus papéis querido: pega o primeiro avião. Estás solto. Não tem mais problema. Ninguém mais te põe a mão.
Autor – Mas e essa investigação, esse sofrimento, há quatro anos? Eu morria de medo, entende? Por isso me meti na tal. Não, Natal não, na tal da BlogNovela…pra tentar desaparecer..
F – Não se preocupe. Aqui é assim. Preferimos Hamlet ou melhor, Fortimbras, o braço forte de Shakespeare, seu contraregra, seu ítalo/brasileiro, BRAS, isso lá em 1500 e caquerada…e o resto é silencio! Se, por acaso alguém te ameaçar de novo, tem problema não (tosse!)
Autor – Saúde!
F- Sei lá, preciso cuidar da saúde. Mantive uma curiosa relação com um transex….Esquece. Demos um jeito naquilo, naquela também. Introduzi os bombons de licor!
Autor – Aquela traveca com o bafômetro foi o Senhor?
F – Temos as nossas Listerines, não é?. Vá. Vá pra casa e defenda os seus opportunities meu filho.
Autor e F se despedem. Assim, como no pior estilo de um filme pulp, o autor atravessa uma longa pista de aerporto coberta de fog. Ainda olha pra trás pra ver se Ingrid Bergman o está seguindo para chamá-lo de volta. Mas percebe que a cena está invertida. O jatinho hoje é moderno e não estão em Casablanca. O triste tema “A Dream is just is just a dream” não lhe sai da cabeça enquanto pensa “eu sou livre” e “He’s looking at you kid”. Mas livre do quê? E todos os meus amigos? Todos aqueles amigos do Blog com quem eu queria montar M.O.R.T.E. versão 3?
Ainda do alto da escada no jatinho, o autor acena para o juiz e percebe que terá o restos de seus dias SOZINHO, mesmo que em liberdade.
O avião decola. Algumas pessoas assistem e notam um logo estranho, novo na cauda do avião: “DantasAir/ Devine Comedy”
Minutos apos a decolagem, ouve-se uma enorme explosão. FLASH and CRASH!!!!
No rádio e na TV os rumores são de que o autor, finalmente, conseguiu montar seu M.O.R.T.E. finalmente na mais santa impunidade e seguindo a regra sagrada do país que ama, onde roubar ainda é uma arte sagrada quando se faz parte de uma elite intocável.
Está mesmo dando o que falar a Blognovela, né? Eu, que já cometi a ousadia de escrever sobre Dostoievski mesmo sem ter sido seu íntimo ou pesquisado junto à sua esposa (sic) não poderia deixar de dar meus pitacos sobre os últimos acontecimentos na Blognovela.
Qual a característica que consagrou o ineditismo de Gerald Thomas nesta questão? O fato de ele criar uma trama utilizando-se de comentários reais de leitores e transformar isso numa novela virtual. Isto aconteceu de maneira perfeita nos dois primeiros capítulos. Gerald usou seu poder de criação, a mesma fantástica imaginação que usa em suas peças, para dar vida às personagens que já existiam na realidade, quais sejam: nós, leitores do Blog. A partir do terceiro capítulo, como não surgiram mais os polêmicos artigos de Gerald, e, conseqüentemente, desapareceram os comentários a respeito dos assuntos cotidianos e ficaram apenas aqueles referentes à própria Blognovela, nós, personagens, deixamos de ser reais para virarmos comentadores de nós mesmos. Não, não viramos personagens “pirandelicamente” à busca de um autor. Transformamos-nos, cada qual, em co-autores da trama, querendo influenciar no destino da novela, sugerindo caminhos (alguns realmente brilhantes), propondo finais, etc… Poderia dar certo? Óbvio que não! Como o Carlos alertou, nós, próprios personagens, acabamos nos destruindo no intuito de colaborar com os destinos de nossos personagens. Acho que todos sabem a minha opinião quanto ao coletivo na criação da arte. Aqui se deu a confirmação dessa minha opinião: Só Gerald é o autor, nós somos e devemos permanecer apenas como personagens. Se assim não for, vira bagunça.
Sejamos sinceros: a Blognovela tem sido brilhante devido ao brilhantismo particular do Gerald, muito mais do que por nossos comentários. Até porque, deixamos de ser “reais” em nossos comentários. Aí se percebe o ciclo vicioso, a verdadeira cilada: Não temos sido reais em nossos comentários porque, simplesmente, não houve texto, não houve assunto para se comentar. E como fazer uma blognovela utilizando comentários reais se não existem esses comentários reais? Sei como é chato ser lógico e racional, mas é preciso: Os artigos de Gerald, falando sobre tudo e todos, com uma visão única, sua análise singular de artista, sua crítica sem preconceitos e sem rabo-preso precisam voltar. É preciso alternar artigos com os capítulos da Blognovela, ou, se for o caso, da blogsérie.
“E aí, Vamp, não vai falar nada sobre a baixaria que você protagonizou no capítulo 7?” Já falei no local apropriado. Apenas gostaria de registrar que foram justamente os valentes progressistas aqueles que mais ficaram chocados com as peripécias deste Vampiro conservador. E Cláudia: Sei que não foi em Paris, não teve nem ao menos um vinhozinho, mas nunca se esqueça: Você foi a primeira na primeira blognovela da história.
Andréa N. – Tudo isso porque vocês não comem uma dieta apropriada
Gerald: Quietos um segundo por favor… Estão me ligando da Torre de Pisa…peraí …um Segundo…. É o Nanini (OI, QUERIDO, você consegue me ouvir????) Gente, vou ter que fazer uma pausa: 20 minutos por favor!
Elenco: ele nos trata como animais mesmo…
Vamp: acho que vou fazer um teste lá no Felipe Hirsch.
Começo da parte 4
(Faz-se um silêncio sepulcral na sala. Escuridão total. Total. Ninguém tem lanterna ou vela. Ana perdeu seu isqueiro. Desespero).
(Por alguns instantes ninguem se move. Algo cheira mal. Cheiro de medo. Pavor. De repente uma voz bem conhecida se manifesta, ainda na escuridão)
Ellen Stewart: Gerald, baby! What the hell do you think you’re doing down here? I need you up there in New York!
Gerald: But Mama, I am in New York. This is just a virtual space and…
Ellen: Virtual space my ass. Shut this computer down right now.
Gerald: It’s dark in here and I can’t see a thing. Ellen, these are my friends….my friends from the Blog.
Ellen: Blog? Have you been at it again? I told you to….
(Alguém acende uma vela e percebe-se que Gerald está falando sozinho. Não havia Ellen Stewart nenhuma no lugar. Quem havia entrado no recinto era, na verdade, Amy Winehouse, completamente drogada. Mas Gerald tinha que disfarçar. Afinal, o Blackout era uma tática teatral também (pra fazer atores e atrizes entrarem ou sumirem do palco).
Cacá: Caralho! CARALHO!!!! TEM ALGUÉM MORTO AQUI. TEM ALGUÉM MORTO AQUI. TEM UM MORTO AQUI. TEM UM MORTO AQUI. GENTE!!!! PESSOAS, TEM UM MORTO AQUI!!!!! NINGUÉM REAGE???? TEM UM MORTO AQUI !
AIIIIII. É UMA MORTA.
SÃO DUAS MORTAS.
(Ninguém do elenco é visto. Sumiram todos)
Gustavo: We needed a body. Precisávamos de um corpo. Já estava ficando chato. Era só palavras palavras palavras. Ninguém prestou atenção no que o Vitor da Argentina falou. Aqui só se fala em vibrador, Deus e Açaí. Agora temos um assassino.
Cacá: Mas cadê o resto do elenco?
Elizabeth: Cadê o resto do elenco?
Zeca (chegando de Montreal): Cadê o resto do elenco?
Todos (os que restam): Quem é voce?
Zeca: Eu? Como assim, quem sou eu? Como assim? Querem que eu me apresente? Ja escrevi aqui nesse espaço, ora! Vão à merda. Sou das antigas.
Sandra (escondida, agachada atrás de um tambor de petróleo vazio; murmura baixinho): “fui eu. Fui eu. Não é uma morte propriamente. É uma morte quântica. Assim como o vibrador do Gerald, que é um liquidificador, algo que causa uma reação química. Sei que ali se escondem mistérios. Nao sei quem era essa penetra aí. Parecia a Amy Winehouse.
Cacá: Meu deus do Céu! Nunca vi gente morta antes, mesmo gente não-morta-morta. Se bem que a Amy…
Carlos: Putz, chato hein? Que mistureba, que viagem pra hum mil oitocentos e bolinhas…. Pô Cacá, fala sério, deu mesmo uma olhada pra ver se é a Amy Winehouse? Pode ser o Stockhousen, pode ser o Pierre Boulez. Pode ser o que sobrou do John Cage ou do Philip Glass.
Andréa N.- John Cage era macrobiótico, e já está morto há muito tempo, pergunta pro Merce Cunningham, seu parceiro.
Carlos: O que vale é o social, ir pra igreja, pra sinagoga, pra mesquita, rezar, ter fé em alguma coisa, fazer o sinal da cruz, pagar o dízimo, seguir todos os rituais, comer carne, não comer carne, jejuar, não jejuar, etc,etc, etc,etc….ninguém se lembra de Deus não, portanto não precisa ficar repetindo isso como se fosse algo revelador. Mas daí você tenta colocar Dostoevsky na parada, poxa, o Fabio tem razão, não precisa querer formular tese. Escreve só algumas linhas falando do populacho, isso você tem razão (!!!!), mas daí a diferenciar ópio e álcool
Andrea N. – Mas quem falou em deus? A Dra. Paloma falou em Deus? É, a Amy Winehouse gostava muito de ópio o álcool….
Gerald: CALA A BOCA TODO O MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
Ufa! Cansei. Eu ainda queria falar uns 10 desses. Mas não deu. Paloma, me ajuda! Aqui ninguém entende merda nenhuma de teatro, e está todo mundo palpitando. Essa não é nenhuma Amy porra nenhuma. É uma das travecas do Ronaldo. Não dá pra ver que tem um, olha só (levanta a saia e…)
Andréa N. entra em choque mas fica excitada.”É enorme!!!”
Cacá e Gustavo em uníssono: – Poxa, tínhamos um corpo morto, quer dizer, temos um corpo morto. Podia, no mínimo, ser uma celebridade! Agora é uma mera traveca!
Gerald: Respeito com as travecas. Elas valem mais que nós! Já havia previsto essa tragédia, está em Julio Cezar de Shakespeare. Estou só aguardando a chegada do Alberto Guzik pra explicar pra vocês o que representa ter um verdadeiro travesti trabalhando numa companhia. No caso dele, a Cia Satyros. Quer dizer, agora estão em Cuba, mas ele conhece bem a história, e vai contar como são as discussões internas.
(a luz treme, ameaca cair de novo. O que resta do elenco olha com medo)
Gerald: Tratem de ressucitar essa, esse….. antes do Alberto chegar! E RÁPIDO!
Cacá: mas como?
Gerald: Com a maioria das travecas só tem um jeito: boquete!
(todos notam que o celular estava “on” o tempo todo)
Gerald: Caramba: O Nanini ouviu tudo isso? Nanini, você ainda está aí? Nanini? Nanini? Onde está o resto dessa porra desse elenco?
Sandra: acho que com o Blackout deve ter dado um problema na internet de todo mundo, então….
Gerald: Ah… esse negócio de novela Virtual é foda mesmo! E o SEXO? E a deformação da auto imagem? Onde ficam? Cadê o PLOT dessa BlogNovela? Tenho que arrumar um lugar físico logo, porque essa coisa quântica não dignifica o homem, nem o hímem.
Alberto Guzik bate na porta.
Gerald: RÁPIDO! RÁPIDO, ele não pode ver o cadáver!!!
Amanhã, a parte 5 da primeira BlogNovela da internet.