Morre Pina Bausch: Essa que todos nós invejávamos e amávamos tanto!
São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009 ![]() |
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OPINIÃONós, do teatro, a invejávamos Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança GERALD THOMAS
Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão. Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal. Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento. Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!” Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental. Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza. GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro. Saiba mais sobre essa mulher GENIAL (da Folha de São Paulo) A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).”Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch. Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas. Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança. Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco. Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos. Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos. Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal. As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.
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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos, release Tags: balé clássico, Bob Wilson, Christopher Knowles, Dança, Pina Bausch, Richard Wagner, Samuel Beckett, Tadeuz Kantor, teatro



Nunca assisti uma peça de Pina Bausch, mas aplaudi todas: não é balé clássico.
Entre as coisas que detesto, estão balé clássico, ópera clássica e solo de bateria.
Reinaldo
Zehr gut!
Oi, Gerald
Eu nunca comentei por aqui, mas dessa vez não resisti. Perdemos a nossa musa. O que achei incrível foi termos apontado em nossas crônicas de blog os mesmos dois momentos mágicos: a lágrima solitária escorrendo e o “posso te amar por 30 segundos?”
Nossa. Fiquei vazia.
Beijos/ Noga
Como ela conseguia atingir o sublime com tanta facilidade…
nos seus espetaculos, as vezes me pegava gargalhando, as vezes com lagrimas nos olhos com tanta delicadeza e poesia
sao muitos poucos que conseguem isso na sua arte
uma inspiracao muito forte na minha vida
e eterna admiracao…
um dia tive o privilegio de participar de um jantar em sua homenagem com sua cia depois de um espetaculo seu em Sao Paulo
e lembro que falei com varios de seus bailarinos, em especial, uma italiana que amo, Cristiana Morganti, que danca um solo lindo de uma mulher numa festa, engracada, fumando cigarros
suas imagens eram tao poderosas que nao saem nunca da nossa cabeca
ah, que pena, que Pina teve que ir tao cedo…
Bom dia,
Logo de manhã me deparar com um post que traduz de maneira cristalina quem foi Pina, primorosamente o fez o GT.
Nos trouxe a luz a trajetória de vida de uma mulher fantástica , na sua angular privilegiiada de master das artes.
“Não me interesso como as pessoas se movem mas o que as move”, sim o que nos move, nos leva ao movimento, amei Pina, pena que tardiamente.
Sua memória estará agora tb guardada.
Entre Pina bailarina , chimarrão, Povo do sul, higiênico ou não…me veio uma musiquinha da Adriana Calcanhoto que amo.
Ciranda da Bailarina
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,
tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem
um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem,
todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem
Ondas de afeto e carinho a todos!
God rest her soul in his holly peace.
Aplausos a bailarina.
Quanto a caixa de aviso que aparece ao abrir o blog e/ou quando abre p acessar os comentários/comentar do blog.
Lento demais o acesso e depois aparece a caixa de mensagem.
Continua a mesma novela das 8.
Trancrevo de novo:
Pergunta: Deseja interromper a exe do Script?
Um script da página está provocando a exe lenta do Internet Explorer.
Se vc continuar a executar, seu computador poderá deixar de responder.
Duas guias: Sim ou Não.
O óbvio seria p continuar optar pelo não, e seguir abrindo a página, que trava, ou p os mais precavidos desistir de acessar o blog. fechando a página.
No entanto a opão SIM dá, continuidae embora lenta, acaba-se abrindo
O ideal e lógico, seria ver onde está o erro no script que está provocando lentidão e acabando por travar o computador dos frequentadores do blog GT.
Um saco isso.
“…e era a “senhora Beckett” da dança”. (Gerald)
Não precisa dizer mais nada.
mnc, comuniquei novamente a equipe técnica do IG sobre este problema. Me parece que acontece apenas com usuários do Internet Explorer.
BOM DIA !
Gerald, PARABÉNS !
Feliz Aniversário!!
Muita Saúde, Paz, Amor, Sucesso!
“chegou a hora de apagar a velinha! vamos cantar aquela musiquinhaaa, parabéns pra vc, parabéns pra vc! pelo seu aniversáárioo!
que Deus lhe dê! muita saúde e paaaz! e! e que os anjos digam amém! parabéns pra vc, parabéns pra vc! pelo seu aniversáárioo!”
*essa musiquinha sempre é cantada aqui na Bahia!
beijos!
Cintia
Da Alusão à ilusão.
Eis que um caminho sem pedras, é igual à uma vida sem dor, mas do que me vale uma vida sem pedras, se não há no mundo amor que resista, sem um dia sentir dor.
Gerald, PARABÉNS !
Tristissimo essa morte da Pina.
Prematura como a do M Jackson.
Mas eu queria deixar bem claro uma coisa:
Nunca vi NINGUEM
FUMAR
FUMAR
FUMAR
E
FUMAR
FUMAR
FUMAR
FUMAR
TANTO
TANTO
TANTO
QUANTO ELA
Mesmo Heiner Mueller (que sempre tinha um charuto na boca, como Brecht, seu mentor) morreu de cancer no esofago.
O CIGARRO TEM CONSEQUENCIAS HORRENDAS
HORRENDAS
E NAO NOS TRAZ NADA
ALEM DO CATARRO
UM CHEIRO DE CINZEIRO PODRE
E LEVES LEMBRANCAS DE AUSCHWITZ
Obrigado por aqueles que me desejam (…..) mas pra mim eh triste
PERDER mais um ano
mnc, bom dia!
Enquanto não resolve o problema, baixa o Mozilla Firefox (site Baixaki ótimo) e fica usando o Mozilla. É o que eu estou fazendo.
Parabéns, guerreiro!!!
No meu imaginário bailarina era sempre como a música acima…
A Pina desconstroe esse mito da bailarina bibelô…
Tinha 2 primas que eram vizinhas da vó de Daniela Thomas na rua Piauí,, eram bailarinas, eu ficava meio desconcertada diante da impecabilidade delas, estavam sempre tão bonequinhas, e eu era meio assim largada, moleque mesmo…
Nem quando íamos p a fazenda elas sempre arrumadérrimas…
Hoje as amigas delas me chamam de a prima gurú de Porto Seguro da Telma e Thaís…rsrsrs…é que leio o Tarôt e tem os colares e anéis talismãs de pedras costumizados e exclusivos, p pagar a viagem…
Minimalista Backet de saias, cebolas, mostra de fotos de família.
Optar pela leveza e alegria diante de um mundo moderno caótico.
Taí amei a Pina.
Vou depois ver se vejo algum vídeo com sua obra.
Agora a cadelinha neném cato Australian não sei mais das quantas do primo acaba de fazer sua obra no chão da sala…que merda.
A bichinha parece uma lobinha pois na sua mistura tem o cão selvagem da Austrália…dentinhos afiados,
.Dei-lhe uma bronca e ela está acuada lá debaixo da cama do primo que fica com pena de por limites nela…
Fazem 3 noites que ela dorme na casinha dela lá fora, nas primeiras 2 chorou e arranhava a pota de vidro a noite toda…stresss…
Ainda bem que essa noite ela ficou de boa, dormiu tranquila…
Acho que dessa vez ela não faz mais na sala, vai p caixa de areia lá fora.
.Até mais tarde e um bom dia a todos.
Quanto ao paredão de calcário ficou p sábado quando minha tia vier p fazer compania p a sanfoneira….e a galera de Bh que escala tb chega..
Vamos ao museu do homem pre-histórico de lagoa Santa, eles deixaram inúmeras mensagens pitográficas, gruta da Lapinha….adentrar a cavena…a sanfo vai com a gente, é um passeio ligth.
Cíntia Valeu, bjs, vc é uma flor de pessoa!!!
Até mais trade!
gthomas 09:13,
Ai, Credo 1 !
gthomas 09:14,
Ai, Credo 2 ! Poxa Gerald… é mais um ano ganho… vivido, conquistado, celebrado… se avéxe não (baianês)…
Feliz Aniversário, Gerald Thomas.
“Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” (Pina Bausch)
Gerald, quanto a Pina Bausch… Como vocês se parecem…