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10/03/2009 - 07:09

Contra o Rebanho

 

Por: O Vampiro de Curitiba

 

 “Para desgarrar muitos do rebanho, foi para isso que vim.”

(F. Nietzsche: Assim falou Zaratustra)

 

Orgulho-me de alguns textos que escrevi. Orgulho-me, também, daqueles que deixei de escrever. Principalmente se esse deixar de escrever significa não seguir o rebanho. Falo do caso do Bispo que excomungou uma menina que havia sido estuprada pelo padrasto? Também.

Não escrevi sobre esse drama porque o assunto é de tamanha miséria humana que não me senti confortável em comentá-lo. Em respeito mesmo à familia. Sinto orgulho em não ter feito parte da manada que se aproveitou de uma catástrofe familiar para pregar o ódio e a intolerância, o preconceito e a ignorância. O caso, como vocês estão cansados de saber, começou quando uma mãe de duas meninas levou para morar na sua casa um maníaco. Enquanto ela assistia a novela das sete o maníaco violentava suas filhas. Engravidou uma de 9 anos de idade, que era violentada desde os seis.  Levada aos médicos por sentir dores, a menina foi submetida a um aborto. A Igreja Católica, que defende a vida e considera o aborto um assassinato, excomungou todos aqueles que participaram do ato. O estuprador foi preso. Pois bem. O  rebanho se indignou com o estuprador? Com a mãe que era conivente com tanta crueldade praticada contra suas próprias filhas? Não, a mãe amante do maníaco é mulher, é pobre… Está mais para vítima que para algoz. Não faz parte do ideário “progressista” se indignar contra uma verdadeira “oprimida”. O alvo da ira santa da manada foi o Bispo que comunicou a tal excomunhão.

Olhem aqui: não sou católico, não sou cristão, não creio em deuses. Seria muito cômodo para mim me aproveitar dessa tragédia e descer o sarrafo na Igreja, como todos fizeram. Conseguiria uns 15minutos de fama e algumas centenas de comentários. Mas sejamos sinceros: O único que agiu com coerência nessa triste história foi o Bispo. Ele foi coerente com sua Igreja. Tanto é que o Vaticano saiu em sua defesa. Aliás, o que faltou a essa familia foram justamente certos valores pregados, inclusive, pelo catolicismo. Afinal, se a mãe não houvesse se divorciado do pai de suas filhas, nada disso teria acontecido, não é mesmo? 

Então por que tanto ódio ao tal do Bispo? Porque o rebanho não suporta ver pessoas fiéis a seus princípios quando este mesmo rebanho vive do relativismo moral, da hipocrisia, da auto-ilusão. Esse Bispo é a antítese dos progressistas que têm seus valores relativizados sempre conforme às circunstâncias. Para eles, a corrupção é algo pernicioso quando praticada pelos inimigos. No entanto, quando um deles é pego assaltando cofres públicos, inventam mil e uma razões para justificar a atitude do companheiro. Lembram do Collor? Não era o demônio em pessoa? Agora é um fiel senador da base aliada. Será o fiscal do PAC. O fiscal da Dilma. Chegou a tão cobiçado cargo pelas mãos de Renan Calheiros. Renan só não foi cassado porque o PT o protegeu. Collor e Renan serão eternamente gratos ao PT.

Da mesma forma, acordos internacionais serão cumpridos. Desde que sejam benéficos aos nossos interesses, óbvio. No caso David Goldmam (ver post abaixo), por exemplo, exigimos que se cumpram os acordos da Convenção de Haia, mas quando outros países exigem o cumprimento, inventamos mil e uma hipóteses para fugirmos de nossas responsabilidades.

O mesmo rebanho oficial que se apressou em comparar o povo suíço a corvos, quando do caso da brasileira que teria sido agredida por racistas; o mesmo rebanho que quis excomungar o Bispo, como se o Bispo tivesse inventado algo terrível; o mesmo rebanho que demonizou Collor e agora o tem como aliado; esse mesmo rebanho está agora santificando um homem: Protógenes Queiroz.  Protógenes, dizem, está lançando sua biografia: “Protógenes, a lenda.” O Governo Lula tirou Protógenes da Operação Satiagraha. O Governo Lula afastou o padrinho de Protógenes, delegado Paulo Lacerda, da Abin. O Governo Lula está investigando Protógenes. A Polícia Federal  divulgou documentos onde mostra claramente que Protógenes agiu fora da lei, investigando, por conta própria, desde o filho do presidente Lula até Zé Dirceu, passando pela ministra Dilma. Protógenes, no entanto, virou herói nacional do rebanho. Para a manada quem praticou o crime não foi nem o Governo Lula, nem Protógenes Queiroz, foi… a Revista Veja! Por ter publicado os documentos da PF (que não estão sob segredo de Justiça).

O fato é que eles criaram um mito. Um santo que iria prender toda a “burguesia”. Iria limpar o Brasil dos corruptos. Na confusão mental em que vivem, não são capazes de verificar que se o delegado Protógenes estiver certo, quem está errado é o Governo Lula, governo que eles defendem. Não são capazes de perceber que, mais uma vez, foram traídos por aquele que tinham como Salvador.

“Aquele a quem chamam Redentor impôs-lhes grilhões…”( Nietzsche, Assim falou Zaratustra”)

 

 

 

O Vampiro de Curitiba 

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0/03/2009 – 19h12

“Travesties”, texto inédito de Tom Stoppard no Brasil, ganha leitura na Folha

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações
MAIARA CAMARGO
colaboração para a Folha Online

A Folha promove em seu auditório na próxima segunda-feira (16), às 20h, a leitura dramática da peça “Travesties”, inédita no Brasil. O texto do escritor e dramaturgo inglês Tom Stoppard ganha direção de Caetano Vilela e encenação da Cia. de Ópera Seca. A tradução é de Marco Antônio Pâmio. 

Os interessados devem se inscrever gratuitamente nesta quinta (12), sexta (13) e segunda-feira, das 14h às 19h, pelo telefone 0/xx/11/3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br. É preciso informar nome completo, RG e telefone.

Escrita nos anos 1970, a comédia se passa em 1917 –durante a Revolução Russa–, na cidade suíça de Zurique, e reúne personagens reais e fictícios. No palco, o escritor James Joyce, o poeta Tristan Tzara e o líder político Vladimir Lênin (1870-1924) se juntam a personagens de “A Importância de Ser Prudente”, obra de Oscar Wilde.

“O texto é uma grande farsa que discute a função do artista e da política na arte contemporânea, além do papel da revolução nas artes”, explica Caetano Vilela, que assina a direção da leitura. O trabalho marca a primeira vez que a Cia. de Ópera Seca é comandada por outro diretor que não Gerald Thomas.

 

Sessão dupla

A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. “Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard”, explica Vilela.

A ideia é reunir “Travesties” e “A Importância de Ser Prudente” no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. “O espetáculo nada tem a ver com o termo ‘travestis’, mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde.”

A leitura de “Travesties” reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio –também responsável pela tradução da obra–, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.

Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.

 

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

451 comentários para “Contra o Rebanho”

  1. Sue disse:

    Para falar de amenidades:

    A modelo gaúcha Nádia Jaqueline Blauth, 21 anos, de Nova Petrópolis (RS), foi eleita a representante da boneca Barbie no Brasil. A modelo foi recém-contratada pela fabricante Mattel para interpretar a Barbie em eventos comemorativos pelos 50 anos da boneca. De acordo com a assessoria de imprensa da Mattel, não houve concurso para a escolha, apenas uma análise de perfis. Até o fim deste ano, a modelo deve visitar cidades de Santa Catarina, Paraná e São Paulo em ações de divulgação da boneca (Foto: Daniela Xu/Pioneiro/Agência RBS)

  2. Sandra disse:

    Voltando ao tema.
    Anino, você escreveu “seremos cobrados do uso ou mal uso com relação a isto”.
    Como seria essa cobrança?

    De qualquer forma, sua frase lembroi-me de uma conversa que tive com minha filha. A professora dela convidou-nos para uma aula de apoio, e ela me perguntou por que também não era convidada, mas intimada, para as aulas.

    Eu disse:
    -Pois não! Você está convidada a estudar em vez de ter que pegar num cabo de enxada de sol a sol, longe da família, pegar piolhos, trabalhar como adulto e ganhar como criança, como o seu avô teve de fazer na sua idade.

    Para mim, essa é a maneira como somos cobrados por nossos atos. Gostaria de saber se você tem uma visão mais… sei lá… mística dessa cobrança.

  3. Sandra disse:

    A Igreja analisa equivocadamente a relação de causa e efeito quando diz que se a mãe não tivesse se divorciado, nem casado de novo, teria evitado o estupro das filhas.
    Explico: há crianças que são estupradas pelos pais. Se isso ocorresse, as leis da Igreja não seriam idênticas? Vida da garota em risco, aborto, excomunhão automática para os envolvidos no aborto, e não para o monstro estuprador?
    Não passa pela minha cabeça porque aborto é pecado para excomunhão, e assassinato, inclusive infanticídio, não. Por que aqueles bárbaros que esquartejaram as crianças em Sampa e jogaram seus pedaços em lixeiras não foram penalizados da mesma forma? Por que um infanticídio cometido uma hora depois da criança nascer não é penalizado com excomunhão? A Igreja faz suas leis e ninguém é obrigado a segui-las, mas que elas não têm lógica, não têm.

  4. Michel Pereira disse:

    Teu blog é geminiano. Gostei. Belo post.

  5. gthomas disse:

    Gente

    SUBIMOS PRO NOVO TEXTO

    AI EM CIMA

    MULHER NAO BRINCA DE FOGUETINHO

    O CASO MADOFF

  6. O Vampiro de Curitiba disse:

    Pessoal, temos post novo lá em cima!
    Vamos lá?
    Venham!

  7. Sandra disse:

    Anino, não acho que o padre queria a morte da menina. Ele quis salvar os bebezinhos. São vidas também. Muitos falaram de casos bem sucedidos onde meninas muito jovens deram à luz bebês saudáveis e sobreviveram sem danos “físicos”. Quando se diz que a vida de uma pessoa corre risco, significa que há uma chance GRANDE dela morrer. Claro que sempre haverá os poucos que conseguirão escapar desse destino. O bispo apostou nesse sucesso, e queria salvar as três vidas, mas os pais e os médicos ponderaram que o risco de insucesso era MUITO grande. Então, embora o bispo tenha agido com boa intenção, deveria ter tido mais jogo de cintura e ficado quieto, pois até eu que sou muito cartesiana percebi que essa lei é para ser usada em momentos muito especiais.

  8. savtamimi disse:

    estou confirmada…“Travesties”
    novamente obrigada pela dica,
    bjs

  9. Contrera disse:

    devo estar lá, se o trânsito deixar.
    contrera

  10. Jeftapajos disse:

    Caro Geraldo Tomás,

    Tire-me uma dúvida. Esse Vampiro de Curitiba é o próprio Vampiro de Curtiba (”D. Trevis” – Dalton Trevisan), é você ou é alguém se fazendo passar pelo verdadeiro Vampiro?

    Best wishes,

  11. Leandro disse:

    Tou meio atrasado neh…

    A Mãe da menina cometeu sim extrema agressão a sua filha, omitindo atenção necessária, sendo leniente com um estuprador.
    Agora, da mesma maneira como vc, Vampiro, acusa seguidores de Lula por terem sidos lenientes com a mãe, seus opositores (entre osquais vc deve incluir-se, provavelmente) são lenientes com as desigualdades sociais, creem nesse tal “Fim da História” de Fukuyama (e a Veja está nesse balaio).

    Bem, se a Direita é leniente com o desemprego e miséria, dizem isto ser um mal necessário para o progresso (Hayek diz isso, acredito que os outros teóricos neoliberais tb), NÃO está, MORALMENTE, tão distante da Esquerda, que não condena os (não-)atos desta mãe, por considerar isto uma espécie de “fatalidade” que sempre existirá enquanto existir miséria. Questão de ponto de vista
    Miséria desumaniza, amigo. Transforma um ser humano em bicho, pense nisso.
    No mais, sou de esquerda, e acho que ninguém consegue ser justo plenamente. Os (não-)atos da mãe, pra mim, são pequenos detalhes detsa tragédia. Já a posiçã da Igreja, não.

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