Arquivo de março, 2009
31/03/2009 - 14:38
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Ah, vai ser uma delícia recebê-lo. Há anos não nos vemos! Escrevo, emocionado e orgulhoso, de Zé Celso e de sua companhia maravilhosa de atores “reais”, nobres, engraçados, farsescos, berrantes, bacantes, na boca do lixo, na boca de cena do teatro aberto ao berro do mundo, ao grito para o mundo: esse mundo que não pára nunca de estar no caos.
Então, eu pego os dois no aeroporto, o Zé e o Marcelo, e os trago aqui em casa para começar uma longuíssima conversa que terá prosseguimento com o testemunho do público no Theater Lab (informações aí em baixo). Zé é o grande artista do teatro, de todos os teatros, de todas as formas de teatro, dos “Sertões” até Schiller, e faz um Hamlet que eu chamei de “O maior Espetáculo da Terra”. E era mesmo. Raramente fiquei tão emocionado em teatro. EVER!!!!
A premissa do Zé em teatro não precisa ser explicada. Como o pessoal aqui vai receber o DVD das “Bacantes”, não sei. São entendimentos e compreensões distantes, já que a carnavalização e a antropofagia não fazem parte (culturalmente) do cotidiano cultural americano. Mas Nova York não é a América, propriamente. A Antropofagia aqui se dá em outro nível: é política. É a fagia mesmo, a do ataque bélico. Não a do ‘happening’, que Oswald de Andrade gozoso misturou na semana de 22, e nem aquela que Julian Beck despiu como se fosse o “Nu Descendo a Escada”, de Duchamp.
Com Zé Celso quero poder enxergar o fantasma, os fantasmas ideológicos que existem em mim. Ou melhor, quero poder enxergar os denominadores comuns que nos unem. Por que falei em fantasma? Porque o pai assassinado de Hamlet era um fantasma e Zé Celso é o pai do teatro brasileiro ainda VIVO e muito vivo, o que talvez nos torne um tanto quanto… Mortos. Na verdade estamos todos imobilizados em nossas ações, como o príncipe dinamarquês. E acho que no “Q&A” (perguntas e respostas), depois da exibição do vídeo, vai rolar muito sobre quem somos, o quanto valemos além das palavras, palavras, palavras.
Welcome to New York, Zé Celso!
Gerald Thomas
THEATERLAB 137 West Fourteenth Street – New York
presents
The North American premiere screening of
AS BACANTES 2009


As Bacantes 2009 is a lyrcial Brazilian
re-creation of Eurípedes’
tragi-comedy-orgy The Bacchae as told
in the context of Carneval, first staged
by Ze Celso in 1996.
April 2, 2009 beginning at 5 PM
(3 hrs 35 min w/ intermission)
with English Subtitles
FREE Admission
followed by a Q&A with Brazilian theater legend
Ze Celso (José Celso Martinez Corrêa)
in his first US appearance
Hosted by playwright & director Gerald Thomas
Reservations Recommended – 212-929-2545
Na edição: O Vampiro de Curitiba
Colaboração de Patrick Grant
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos, release
Tags: "As Bacantes 2009", Eurípedes, Gerald Thomas, José Carlos Martinez Corrêa, New York, Patrick Grant, teatro, TheaterLab, Zé Celso
29/03/2009 - 18:40
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Lula no programa GPS, de Fareed Zakaria, da CNN.
New York – Todo mundo gosta de enfrentar um entrevistador elogioso. Nada de perguntas “sensíveis”, nada de controvérsias, nada de perguntas sobre a corrupção interna e os escândalos que vêm acompanhando seu mandato. Aqui o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi entrevistado como o líder de uma nação “potente”, “o país do futuro”, etc.
Olha, até que fiquei impressionado. Fora algumas datas que ele errou (tudo bem), Lula falava em deus o tempo todo e disse ter dado muitos conselhos a Obama. Por que deus? Será que Lula se sente um iluminado? Um escolhido? Bem, o aspecto “proletário” dele foi um fato bastante explorado. Sim, o metalúrgico que subiu ao poder e tal…”Sim, eu conheço a pobreza. Na minha casa haviam inundações de um metro e meio. Flutuavam ratos e baratas quando isso acontecia então… sei muito bem o que é ser pobre!” - dizia um deslumbrado Lula a um deslumbrado Zakaria (que me parece ser paquistanês, não sei ao certo). Ambos deslumbrados, Lula completava: “às vezes me pergunto o que estou fazendo no meio desses líderes mundiais todos.” Os dois se olhavam deslumbrados. Acho que Zakaria também nunca imaginou que teria um programa na CNN.
Em nenhum minuto o presidente brasileiro foi questionado sobre a violência interna em seu país. Quando Musharaff foi entrevistado (já depois de deposto como presidente do Paquistão), as perguntas eram muito mais agressivas, óbvio. Era Al Qaeda pra lá, Al Qaeda pra cá, e como pequenos grupos seletos protegiam os terroristas em vilarejos na fronteira com o Afeganistão. E assim foi com outros líderes políticos que já deram seu depoimento a Zakaria.
Já na sua intro, o apresentador deixou muito claro: “aqui estará sentado um presidente de um país dos mais importantes e sobre o qual você sabe menos”.
Acho impressionante como Fareed Zakaria conseguiu apresentar o Lula como o líder mais “popular do mundo” (com 80 por cento de aprovação), sem entrar em detalhes de como esses dados são colhidos. Não se falou em voto obrigatório. Não se falou em mensalão e outros escândalos.
Acho de uma irresponsabilidade ÚNICA um canal como a CNN apresentar um presidente de um país como o Brasil sem que se mostre antes uma reportagem sobre a “realidade do país” que esse líder governa.
Lula falou muito nas alianças entre países de terceiro mundo, como Índia e China. Foi cauteloso quando falava na China, parecia não ter muitos dados. Falou com cautela também sobre Hugo Chavez e, aí sim, foi interrompido algumas vezes. Mas disse que a Venezuela é parceira econômica do Brasil, e que não se sentia livre para falar criticamente de seu companheiro, o ditador Hugo Chavez, e seus métodos nada ortodoxos de se manter no poder. Lula falou que “deve-se respeitar a cultura de cada país”. Bem, se formos seguir esse raciocínio, é melhor deixar o genocídio do Congo e em Darfur prosseguir, porque, afinal, deve ser algo tribal e, portanto, cultural. Enfim, sem comentários.
Bem… ao mesmo tempo, digo o seguinte: Lula não se saiu mal. Se todos os entrevistadores do mundo fossem tão “amáveis” quanto Fareed Zakaria (cuja única pergunta realmente sensível foi: “O senhor disse a Obama para levantar o embargo a Cuba?”), seria sempre fácil.
Primeiro Lula procurou desconversar. Depois se confundiu com as datas. Mas acertou que a revolução de Sierra Maestra foi em 59 e disse que não fazia nenhum sentido “manter um embargo quando na verdade o Obama foi eleito, em grande parte, por cubanos residentes aqui”. O que o Lula talvez não saiba é que esses cubanos residentes aqui são EXILADOS FORAGIDOS, pessoas que remaram, que nadaram, que quase foram comidas por tubarões para chegarem à costa da Flórida e que ODEIAM Fidel.
Mas se Zakaria não interrompe, do que adianta ficar desse lado da tela, ficar esperneando?
Ps.: A fala do presidente foi dublada para o Inglês por um intérprete com a voz idêntica a do Lula.
Gerald Thomas, 29/Março/2009.
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PS. do Vamp: Pessoal, é preciso sempre atualizar a página ( F5,”atualizar” ou “refresh”), pois a mesma nem sempre atualiza automaticamente.
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: 1959, AL QAEDA, Brasil, CNN, Congo, Cuba, Darfur, embargo a Cuba, Entrevista com Lula na CNN, Fared Zakaria, Fidel Castro, GPS, Hugo Chavez, Lula, Musharaff, Obama, Paquistão, refugiados cubanos, Sierra Maestra, TV Americana, Venezuela
27/03/2009 - 18:13
Por: O Vampiro de Curitiba

A pérola acima nem precisa ter creditada a autoria, né? Quem mais falaria algo parecido? O constrangimento do Primeiro Ministro inglês Gordon Brown, que assistia a tudo boquiaberto, só não foi maior porque, afinal, não se chama Gordon White.
Essa história de racismo às avessas praticado pelo Governo Lula não é de hoje. Tempos atrás a Ministra da Igualdade(?) Racial, Matilde Ribeiro, havia incentivado essa estranha forma de “igualdade” quando disse considerar normal o racismo de negros contra brancos. Depois disso foi pega, como todo bom petista, pagando despesas pessoais com o cartão corporativo e teve que ir pregar suas idéias bizarras fora do Governo.
A Patrulha Petralha, formada pela Polícia Política Petista e alguns magistrados justiceiros, entendeu o recado do presidente Lula e começou a caça às bruxas. Eliana Tranchesi, proprietária da Daslu, mesmo não sendo tão loura assim, foi presa e condenada a noventa e oito anos de cana! Noventa e oito anos por sonegação de impostos. O mensalão? O mulato Zé Dirceu anda livre, leve e solto. Foi encarregado pelo próprio presidente da República para ser o articulador da campanha de Dilma à presidência. O crioulo Delúbio Soares promete ser o tesoureiro.
Preconceito Seletivo
Falando em “PPP” (Polícia Política Petista), a PF desencadeou mais uma pirotecnia, digo, mais uma de suas operações. A “Castelo de Areia” acusa a empreiteira Camargo Corrêa de, entre outros crimes, favorecer ilegalmente políticos de vários partidos. “Por dentro”, quem mais recebeu dinheiro da empreiteira foi Gleisi Hoffmann, canditada à prefeitura da minha Curitiba. Loura e de olhos azuis, a petista é esposa do Ministro do Planejamento do Governo, Paulo Bernardo. A esposa–candidata recebeu R$500.000,00 da Camargo Corrêa para sua candidatura. Não adiantou. Levou uma surra do PSDB nas eleições. Perdeu a prefeitura e seis das nove vagas na câmara de vereadores. A Camargo Corrêa recebeu desde 2003 R$354,9 milhões em verbas federais. Do PAC, a empresa receberá do BNDES, dinheiro público, a modesta quantia de R$7,2 bilhões.
Como vemos, esse preconceito do presidente contra essa gente loura e de olhos azuis é um tanto quanto seletivo. Mas não é apenas a loura Gleisi que tem a simpatia do presidente Lula. A sua “galega”, convenhamos, não chega a ser nenhuma “afro-descendente” (sic). Aliás, a Primeira Dama está cada vez mais parecida com outra loura petista, a eterna candidata a qualquer cargo, Marta Suplicy, também conhecida como Marta Frave, ou, se preferirem, Marta Wermus. Marta também não é nenhuma Benedita Silva…
Vamos ver se a ministra Dilma vai adotar, agora que prepara um novo visual para a campanha, um visual “afro”. Já imaginaram a ministra com penteado Black Power?
De qualquer maneira, diante de todo o racismo e preconceito que nós, louros de olhos azuis, sofremos, só nos resta exigir cotas nas universidades e no funcionalismo público para “euro-descendentes”. Óbvio, tenho que pensar no meu futuro. Lula já pediu cidadania em Angola (será que lá também os banqueiros são brancos de olhos azuis?), eu tenho que me virar por aqui mesmo.
Essa gente branca e de olhos azuis
Já que o petismo escolheu o branco de olhos azuis como o novo judeu do mundo e já que não podemos mais culpar “Jórgi Buxi” por todos os males do Universo e o Obama não é exatamente, digamos, louro e de olhos azuis, precisamos escolher alguém em que possamos descarregar toda a nossa raiva contida. Quem você escolhe para ser o culpado do nosso fracasso? Quem merece ser o “louro-expiatório” de todo o nosso ressentimento?
a) ( ) Larry Rohter, jornalista NY Times. É acusado de insinuar que todas as asneiras rosnadas pelo nosso presidente são causadas pelo abuso de álcool.
b) ( ) Ana Carolina do BBB9. Embora Pedro Bial torça abertamente pela morena Priscila e o Boninho ameace arrancar seus braços, Ana insiste em ser “individualista” e a querer ganhar o prêmio de um milhão. Os demais concorrentes querem apenas salvar a humanidade.
c) ( ) Daniel Dantas. Acusado de ser o “criminoso-geral da República”. Tudo é culpa dele. Se o seu filho, leitor, que é zelador de algum zoológico, aparecer com R$15.000.000,00 culpe logo o Dantas. Se você, caro jornalista, usar o jornal em que trabalhe para achacar políticos e autoridades e, por isso, levar um pé-na-bunda de seu patrão, não tenha dúvidas: culpe o Dantas.
d) ( ) O Vampiro de Curitiba. Esse espécime da raça ariana (embora se diga judeu) é acusado de afirmar o absurdo de que julgar o caráter das pessoas pela cor da pele ou dos olhos, como fez o presidente Lula, é racismo, é crime inafiançável. É acusado de, juntamente com o delegado Protógenes Queiroz e com Paulo Henrique Amorim, tramar o impeachement do Lula.
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O Vampiro de Curitiba.
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Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: Ana BBB9, BBB9, Camargo Corrêa, Castelo de Areia, cotas raciais, Curitiba, Daniel Dantas, Gleisi Hoffmann, Gordon Brown, Lula, Marta Suplicy, O Vampiro de Curitiba, Paulo Bernardo, Polícia Federal, Policia Politica Petista, racismo
26/03/2009 - 11:25
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Top Chef e Projeto Runway
New York – Tudo no Brasil começa em outro lugar. Tudo é imitado. Chega a ser irritante como nada é original. As pessoas me dizem (com dez, vinte anos de atraso), “agora no Brasil também já temos …”. Sim, mas até hoje, São Paulo não tem um metro que preste e não enterrou seus fios. Os postes não são somente risíveis. São deploráveis. Os postes são uma anomalia urbana. Há quem venha de “fora” (aliás, esse conceito de “fora” e de “dentro” também é muito peculiar) para fotografar esses postes e seus fios em plena paulicéia, com seus pesados transformadores, etc. Um horror!
Mas faço esse prefácio da imitação por causa desse Big Brother Brasil, essa catástrofe. Nem nome brasileiro tem. “Big Brother”. Sei! Não sabem nem quem foi George Orwell e esse “abestalhamento” monumental que joga o país meio século para trás. Olham a televisão bestificada para ver “quem está com quem”. Cacete!
Mas nem todos os realities shows no mundo são imbecis.
Top Chef e Project Runway são interessantes. Claro, dentro da medida do possível.
Top Chef é um entre tantos programas na TV americana que lida com a situação “Restaurante”: Cozinha, assistentes, frentista, garçom, etc. Julga-se entre os times participantes. Vão-se reduzindo o número dos que estão vencendo. Entramos na vida emocional deles. Aprendemos sobre a vida particular deles, sobre seus sofrimentos e ambições e, obviamente, tomamos partido e começa uma torcida fervorosa.
E como não poderia deixar de ser, odiamos os críticos: afinal, quem são eles? Bandas de rock? Modelitos de fashion? Um único crítico da Zagat ou da Vogue ou Vanity Fair? Unfair.
No final de uma rodada de programas, a equipe de quase vencedores é trazida para New Orleans e a challenge é que se façam pratos ”cajum”, ou seja, da cozinha creole/francesa, apimentados (coisas do Sul dos USA). Enfim. Não importa. O que importa é que o julgamento é rigoroso e que, no final, sairão equipes ducaralho desses programas. Ambiciosos, talentosos e hábeis. Às vezes, futuros gênios da cozinha.
O mesmo acontece com “PROJECT RUNWAY” (tradução possível seria: Projeto Passarela) onde a mesma coisa acontece com jovens que virarão estilistas, costureiros, desenhistas como o Galiano, Herchcovitch, McQueen, etc. As equipes são levadas para as lojas de gente famosíssima como a Furstenberg e é dado o start no cronômetro: eles têm 3 minutos para pegar o quanto tecido quiserem. Depois, mais 3 horas, ou sei lá quanto, para modelarem algo em torno de um tema ou uma época e está cada um por si: de novo, aprendemos um pouco (através de entrevistas individuais) quem é quem, de onde vieram, o quanto são ou não ambiciosos, e no final temos um “winner” para a próxima etapa. Ah sim, tanto no Top Chef quanto no Project Runway, participamos das discussões entre os críticos. Ficamos a par dos critérios de eliminação ou de adoção, etc.
Já o mesmo não acontece na política ou no que é publicado a respeito de resoluções políticas! Por exemplo: a queima de pneus! Sempre queimam pneus. Por que isso, não sei. Mas virou um símbolo! Será que se comeria um pneu queimado, com o molho apropriado? Oficiais americanos afirmam que têm a prova de que existem links diretos entre o Talibã e o Paquistão. Dizem que vem de informantes confiáveis e de “electronic surveillance” (aquilo que George Orwell descrevia como sendo Big Brother, já que ninguém nunca pode provar). Está ai! Os militares paquistaneses e os líderes civis, ambos negam publicamente que tenham qualquer conexão com esses grupos militantes. Ha! Como provar qualquer coisa? Nada prova nada! Então se invoca “electronic surveillance” e pronto. Não resta mais dúvida numa possível próxima invasão militar e sua justificativa perante o Senado. Oh, Jesus!
Vamos voltar pro Top Chef? Não. É bonitinho e tal, mas depois de ver o cara ou a menina tremendo, montando o peixe que já caiu do prato quinhentas vezes e o doce que cozinhou demais e fracassou, que diabos!!!!! Queremos mesmo o quê? Investigar as centenas de incógnitas que ainda permanecem obscuras no verso da nota de um dólar? NÃO, não, não! Deixa aquela pirâmide cortada com aquele olho que emite raios (linda), pois é aquela nota que rege as regras do mundo: desde os pneus queimando até quem vai ganhar o Top Chef ou se o Drug Lord da Rocinha, agora alojado na ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, irá sobreviver ou não!
Olha, uma sugestão: Vamos investigar a vida de Freeman Dyson.
Quem é? O que faz? Venham-me com as respostas. Estou exausto ou então… fica para o próximo artigo, isso é, se não me colocarem num desses eternos pneus que queimam ou se um Top Chef da vida não resolver fazer um prato de inverno meio primavera intitulado “Salada de putos, veados e vagabundos regados a balsâmico”. Ah, estaria me banhando de balsâmico de Modena agora, se o Top Chef fosse gente boa!
Gerald Thomas, 26/Março/2009
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "eletronic surveillance", Big Brother, Brasil, cozinha, cozinheiros, EUA, Feeman Dyson", Galiano, George Orwell, Hercovih, McQueen, New Orleans, New York, Paquistão, programas de TV, Project Runway, Reality Show, São Paulo, Talibã, Top Chef, TV, TV Americana, USA, Vanity Fair, Vogue, Zagat
24/03/2009 - 10:40
New York – Caramba! Com os “cartéis” dominando o mundo, acho que nós, os putos, veados e vagabundos deveríamos tentar rebatizar a globalização para “cartelização” do mundo. Leio que Andrew Cuomo, filho do maravilhoso ex-governador do Estado aqui de NY, Mario Cuomo, e agora o nosso Attorney General, diz que convenceu nove entre dez dos principais recipientes dos bônus do AIG a devolverem a grana. Algo em torno de 50 milhões de dólares. Nada mal. Nove em Dez. “Nine out of ten movie stars make me cry, I’m alive” (Caetano Veloso… descendo a Portobello Road, no exílio em Londres, Notting Hill Gate…)
Enquanto isso, o cartel mexicano de drogas se estende até à cidade de Sarah Palin, Anchorage! Caramba! Mas também (pensem!) com baleias e neve ao redor não resta muito o que fazer: o sujeito deve andar que nem um zumbi atrás de qualquer tipo de droga, não é? Diferente do Rio de Janeiro, SITIADA pela POLÍCIA E PELOS BANDIDOS!!!! Por quê? Maconha, cocaína e armas! “Seja marginal, seja herói!“, aquela coisa do Helio Oiticica já era! BASTA! Aquilo era naquela época. Soava bonitinho. Era logo depois de Sartre qie havia endossado Jean Genet com Saint Genet e artistas do mundo inteiro (como Warhol, por exemplo, declaravam seu amor pelo underground [ alguns com velvet, outros nao]. O Helio ainda in love com o Cara de Cavalo. Mas agora? Olha a merda que deu! BASTA! Sério. Eles hoje olhariam tudo isso com REPUGNÂNCIA!
Sim, a cartelização do mundo! E ainda tem gente que defende a tese de que o teatro deve ser feito de “tarjas”. Mas isso é para quem ainda acha que o teatro é o “novo lugar” para ser descoberto. Nós, os veados, putos e vagabundos, que temos uma vivência um pouco mais abrangente, tentamos nos (des)preocupar com a merda que acontece no mundo, como: a China que toma conta de tudo, as pequenas guerras localizadas e que estão extraindo o pouco de ‘humano’ que ainda resta em nós, as doenças RADICAIS e que não precisariam existir se todo o dinheiro do mundo fosse gasto nas coisas certas (e não em bônus para CEO corrupto, que agora devolve…vamos ver…), as pequenas guerras frias entre paises como o Irã, a merdalha entre Israel e vizinhos, a merdalha entre os próprios árabes que não se entendem, a merdalha do Afeganistão que voltou a ser um campo de papoula (imagine a polícia do Rio subindo a Ladeira dos Taba-Maha- jahras! Brigando com o Taleban).
Ah, a cartelização do mundo…
Era sobre Descartes que eu escrevia? Não, né? É sobre os escrotos mesmo. Eles não querem deixar nós, os putos e vagabundos, em paz.
PS.- Ontem foi aniversário do Blog: 10 meses de IG. E obrigado pelos quase 600 comentários do Post anterior!
Ah, não falei em flores e na grande depressão, ou melhor, na CRISE econômica: mas andando na Sexta e no Sábado pelo Village ou Soho e assistindo um ensaio do Philip Glass na City Winery (tudo lotado, sempre, tudo completamente acumulado de gente, e a Dow Jones – the Devil in Miss Jones – estourando novos índices para CIMA) começo a ter minhas dúvidas o quanto é retórica e o quanto não é “remanejamento” dos… cartéis!
Gerald Thomas
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: 10 meses de Blog no IG, AIG, Andrew Cuomo, Caetano Veloso, Cartelização do Mundo, CEO, cocaína, Descartes, Dow Jones, Globalização, Helio Oiticica, Londres, maconha, Mario Cuomo, New York, Philip Glass, policia, Rio de Janeiro, Sarah Palin, Sartre, Taleban, teatro, tráfico de drogas
20/03/2009 - 10:41
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New York – Mas os políticos e banqueiros, todos vestidinhos com seus terninhos, ah… Que bonitinhos… Tão limpinhos! Volta e meia, tombam. Para cada um que aparece ou é “pego em flagrante”, como o ex-governador de NY, o Eliott Spitzer (num ring de prostituição e drogas), ou o ex-governador de New Jersey (pego em flagra na cama com outro homem), imaginem aqueles tantos que não são pegos.
Quero dizer, eu não imagino. No meu círculo eu ouço mesmo! Sim, pessoas são nomeadas. É cada coisa! Pelo menos nós, artistas veados, putos e vagabundos nada temos a esconder. Drogados e sanguessugas que somos, sempre colocamos tudo no topo da mesa, nós mesmos, sem meias palavras: desde Puck (no “Sonho de uma Noite de Verão”), até o Bobo (em “Rei Lear”), ambas de Shakespeare, os dois mentem dizendo a verdade. Ambos deitam e rolam em mentiras (que vem a ser a essência da verdade). Ambos falam asneiras (que vem a ser a mais pura razão).
E mesmo quatrocentos e tantos anos depois de Shakespeare a politicalha ainda não aprendeu que é melhor “escancarar”, ou seja, que é melhor ter a nossa cara do que se fingir de certinho! Incrível. Incrível mesmo, porque… mais cedo ou mais tarde (assim como aconteceu com o ex-prefeito de Washington DC), vão pegar o cara fumando crack, ou vão pegar alguém dando o cu, ou vão pegar alguém trocando de papeis e falando frases que não são deles ou delas. Teatro! Esse é o nosso papel. Estamos sendo roubados todos os dias! Os políticos não assaltam somente os cofres públicos: assaltam a NOSSA PROFISSÃO!
É justamente isso que fazemos todos os dias, nós, os putos, os veados, os vagabundos! E nos aplaudem em pé! Quando não nos vaiam, claro. Mas mesmo quando nos vaiam, estão demonstrando uma forma de repugnância não propriamente a nós, mas à nossa forma de representar vocês, eles, a sociedade como um todo. Daí talvez o choque.
Ah, e quanto ao aplauso: ele dói aos ouvidos. Por quê? Porque não existe nada mais hipócrita. Melhor mesmo seria enfiar o sorvete de casquinha no meio da testa! Aí, sim, tudo estaria nos conformes.
Ah, os artistas e os políticos e a sociedade…
Nós não temos jeito mesmo! E agora, para mais um ato! O Ato final? Como seria? Mais ou menos como esse do AIG que temos presenciado. Um diz uma coisa. Outro dia outro diz outra. No terceiro dia aparece outro que diz “eu preveni a todos que seria assim, já faz anos”. Daí aparece o antagonista dos antagonistas: Bernie Madoff.
A comédia do terror não tem fim.
Ou melhor, tem sim. Com muita maquilagem e muito cristal japonês, o verdadeiro teatro nunca esteve no palco. Que M.E.R.D.A.!
Gerald Thomas, 20 de Março de 2009.
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Rei Lear", "Sonho de uma Noite de Verão", AIG, artistas, banqueiros, Barnie Madoff, Bobo, Eliott Spitzer, hipocrisia, New Jersey, NY, Política, políticos, Puck, Shakespeare, sociedade, teatro, Washington
18/03/2009 - 14:57

New York – No Capitólio agora a pouco, nesta Quarta-feira, um Deputado fez uma piada quase aos prantos citando um velho e conhecido produto das prateleiras americanas: “I can’t believe it’s not butter” (não posso acreditar que não seja manteiga).Óbvio que se trata de uma margarina com um gosto praticamente igual à manteiga. Prosseguia o deputado: “Pelo menos eles têm a DECÊNCIA de dizer que não se trata de manteiga. Por que a AIG também não nos informou algo como “I can’t believe it’s not insurance?”
Todo mundo riu. Mas depois do discurso inflamado do já inflamadíssimo Barney Frank, as coisas por aqui não terminam em pizza, não. A AIG é o gigante das seguradoras. Ela assegura as outras seguradoras. Ela assegura os grandes filmes de Hollywood, as plataformas de petróleo, enfim, coisas enorrrmes.
Mas se qualquer uma dessas empresas fosse à falência, a AIG não teria como pagar, porque essa enorme máquina está falida. Mas mesmo falida, estava sendo subsidiada pelo “bailout” do governo. E como se isso não bastasse, seus chefões estavam se dando “bônus” na ordem de milhões de dólares. Milhões! E de quem é esse dinheiro? Nosso. Do contribuinte. Está todo mundo puto. E serão obrigados a devolver. No momento em que escrevo, o Presidente Obama está na televisão em rede nacional falando justamente sobre a AIG. Pronto: a bomba (mais uma) estourou: Wall Street está em coma. Mesmo com o Dow Jones em alta nos últimos dias, esse fenômeno dos CEO’s se beneficiando sem qualquer tipo de moral ou julgamento… bem esses dias acabaram. A festa acabou, rapazes. Os good guys de ontem são os vilões de hoje. Nada que ficções ou filmes como “Wall Street” ou “Money”, ou editoriais já não vem dizendo há anos.
Sim, a recessão vai durar um ano. Tem previsão para isso. E depois disso nasce a Phoenix das cinzas. Como? O que digo? Utopia? É mais ou menos assim. Matou a família e foi ao cinema. Ninguém tem qualquer senso de História.
Exemplo: tenho aqui na minha cozinha um jarro de Maple Syrup, um sorbet de Blueberry e vários itens (como manteiga de amendoim orgânica). Mas se eu perguntar a qualquer mortal qual a origem real desses produtos, o que vou receber em retorno? Se eu perguntar ao vizinho o que significa o “SEC”, ou o “FDA”, realmente, vou receber um berro mudo, uma boca aberta. Ninguém sabe nada. São muitas siglas. Ninguém é perfeito. E por isso mesmo, os CEO’s nadam e rolam, porque “They can’t believe it’s not butter” e nós não podemos acreditar no que eles fazem. Mas que fazem, fazem! E agora… ha, ha, vão PAGAR CARO!
Gerald Thomas, 18/Março/2009
PS.: Se esse post não serviu para nada, considerem o seguinte: eu os apresentei a Barney Frank. Quem é ele? É o primeiro “abertamente gay” deputado e presidente do Comitê de Finanças do Congresso.
Ah, e além disso, a AIG é a seguradora das seguradoras. Chega a ser uma piada metalingüística mesmo. Disse alguém no meu ouvido: “é como se fosse um banco que não é um banco, ou um ônibus que não é um ônibus”. Ou seja, a AIG, cujo prédio eu vejo todas as vezes em que vou comer ostras no South Street Seaport, é um monstro de Loch Ness. Não existe!!!
(O Vampiro de Curitiba na edição)
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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Money", AIG, Barney Frank, crise econômica, crise financeira, FDA, Hollywood, Loch Ness, Obama, SEC, South Street Seaport, WALL STREET
16/03/2009 - 14:46

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Terça-feira, 16 de março de 2009
Peça do inglês Tom Stoppard é lida hoje na Folha
“Travesties” flagra efervescência de Zurique no fim da década de 1910, quando lá moravam Tristan Tzara, James Joyce e Lênin

Elenco e diretor (ao centro, de camisa verde) de “Travesties’ durante ensaio para a leitura
REPORTAGEM LOCAL
Na Zurique de 1917, consta que o revolucionário Lênin (1870-1924), o precursor do dadaísmo Tristan Tzara (1896-1963) e o escritor James Joyce (1882-1941) viviam na mesma rua, mas nunca se cruzaram.
O dramaturgo inglês Tom Stoppard “consertou” esse infortúnio histórico em “Travesties”, peça de 1974 lida hoje, no auditório da Folha, com direção de Caetano Vilela -que pretende montá-la como “Farsas Burlescas”.
No enredo, a sala da casa do funcionário da embaixada britânica Henry Carr (outra figura que de fato existiu) e uma biblioteca da cidade suíça acolhem encontros ocasionais do trio de notáveis.
O relato é conduzido pela memória de um Carr já velho, cheia de imprecisões e solavancos -mas capaz de manter intactas as discussões sobre a função política do artista e o estado da arte em regimes totalitários que pautaram sua relação com as figuras históricas. Como é caro a Stoppard, a dramaturgia de “Travesties” tem traços de metalinguagem.
Aqui, ele dialoga com “A Importância de Ser Fiel”, crítica de costumes de Oscar Wilde (1854-1900): ator diletante, Carr é convencido a participar de uma montagem do clássico.Ópera Seca
Vilela, que faz sua estreia como diretor da Cia. de Ópera Seca (fundada por Gerald Thomas), conta que descobriu o texto durante a preparação da ópera “Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk”, há três anos: “Pesquisando a censura dessa ópera [pelo Partido Comunista russo, em 1936], cheguei a autores contemporâneos que tratavam de arte e poder. E Stoppard era um deles. Quis adaptar “Rock’n'roll” (2006), mas os direitos tinham sido comprados. Então me lembrei do ‘Travesties’.
Em uma conversa telefônica, Stoppard avisou: “Veja bem, esse é um dos meus textos mais difíceis. Você não sabe onde está se metendo”. O diretor não se assustou: “Apesar do discurso político sobre o papel do artista na sociedade e da linguagem elaborada, ele mesmo disse que não era para ver a peça como tese: tratava-se de uma comédia, um divertimento”.
Sessão dupla
A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. “Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard”, explica Vilela.
A ideia é reunir “Travesties” e “A Importância de Ser Prudente” no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. “O espetáculo nada tem a ver com o termo ‘travestis’, mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde.”
A leitura de “Travesties” reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio –também responsável pela tradução da obra–, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.
Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.
LEITURA DA PEÇA “TRAVESTIES”
Quando: hoje, às 20h
Onde: auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos)
Classificação: não indicada a menores de 14 anos
Autor: gthomas - Categoria(s): release
Tags: "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk", "Travesties", Caetano Vilela, Folha, James Joyce, Lênin, ópera Seca, teatro, Tom Stoppard, Tristan Tzara
12/03/2009 - 14:20

(Madoff saindo da Corte Fedral de NY)
MULHER NÃO BRINCA DE FOGUETINHO!
New York – Ontem de madrugada, conversando com Gustavo Ariani (pelo skype), falamos de tudo, como sempre falamos. Com a câmera do MacBook ligada eu fazia um tour pelo apartamento e ele tocava, no violão, uma lindíssima peça de Villa Lobos. Mas falávamos das nossas intensas indignações também, já que ele dirige a CAL no Rio. A CAL é uma escola de artes dramáticas. E, depois de uma hora de conversa, chegamos onde sempre chegamos: aos risos, aos choros, às náuseas habituais até ao caso David Goldman (que chegou ao Rio ontem), e, como sempre, tecemos longas teorias sobre por que o mundo está como o mundo está.
Não, querido leitor. Não irei entrar em detalhes. O Caso do David e Sean Goldman está “all over” nesse blog e já viramos um instrumento de defesa em sua causa.
Agora, o escândalo é mesmo esse filho da puta do Bernard Madoff. Mas se a desconstrução do nome já não diz tudo - MAD OFF, ou se seguimos a pronuncia “Made Off” (with the money, correu com a grana) - então não sei se o diabólico e a cólica não se misturam numa liquidificação da parabólica!
Ah, claro! A minha Ellen Stewart (antes que todos perguntem) está de volta ao hospital, em estado anti-crítico/super crítico, para não falar em anti-Edipo, entubada e embutida, mas dando um sorriso que faz o pavilhão inteiro do oitavo andar passar lá para pegar carona no seu carisma.
Gustavo, indignado, dizia: “que loucura essa coisa da economia mundial, colapsou!”. E eu já o interrompia. “Gustavo, pelo amor de deus, pare com economia. Ninguém aqui fala em outra coisa!” Eu chego ao cúmulo masoquista de ver o “Countdown”, programa do Keith Olberman, além de todos os outros, para me certificar again e again que o Down Jones parece mesmo aquele filme pornô da década de 60, “The Devil in Miss Jones”, PÉSSIMO!
Nós, os homens, temos a capacidade de estragar tudo. Olha esse crápula do MAD OFF. Não são mais 50 BILHÕES de dólares. Agora parece que são 65 BILHÕES. Quem sabe, amanhã ouviremos que serão 100 BILHÕES ou até mais?. É o caso mais comentado entre amigos, em cafés ou patisseries pela cidade. Sim, os homens têm uma capacidade impressionante de se destruir e de conseguir destruir o outro assim… digo, assim, sem mais nem menos: é algo… o quê? Vem de onde? Não, não sou o Clausevitz nem o Paul Virilio nem um expert nessas coisas. Mas uma frase me fica na cabeça e não sei de onde veio:
-Estou tentando me comunicar com você. Você não me ouve? Hein? Hey, hey, você mesmo! É com você que estou falando. Não consegue me ouvir? Que pena! Estou bem atrás de você, quase encostando na sua nuca, no seu ombro e você não nota a minha presença.
Lembro muito de Haroldo de Campos em muitas horas do meu dia.
Em Miami na semana retrasada, conversando com o Walter Greulach, conversávamos muito sobre os fantásticos escritores argentinos, do qual ele faz parte. Não sei porque mencionei o Haroldo. Ah sim, porque além da sua meta isso e aquilo e paixão por Joyce e Pound e tudo, era um INDIGNADO! Mas destruía e desconstruia também as línguas que falamos e digitamos, e isso é fantástico por…Por quê? Porque somos prisioneiros delas! Deles! Dos idiomas.
Sim, nos destruímos e partimos para briga. Um xinga o outro. Olhem os comentários nesse blog. Mas o Gustavo (num tom de briga e depois de dedilhar lindamente um Vila Lobos no violão), contrafobicamente me retrucou: “MAS NÃO É SOMENTE ISSO, NÃO, MEU IRMÃO! SE NÃO FOSSEM NÓS, OS HOMENS, NÃO TERÍAMOS A PARTE BOA DA VIDA”.
“Como assim, Gustavo, parte boa da vida?”
“SIM, NÃO TERÍAMOS AVANÇOS INCRÍVEIS NA TECNOLOGIA, NA MEDICINA, NA ENGENHARIA E ARQUITETURA E NA FILOSOFIA… e foi você mesmo que diz na tua peça “Kepler the Dog”: Não tem mulher compositora clássica. E, quer saber? O HOMEM NÃO TERIA IDO À LUA PORQUE MULHER NÂO BRINCA DE FOGUETINHO!!!”
Bem, diante disso tivemos ambos uma crise de riso. É, Stalin, Hitler, Napoleão, Franco, os Faraós, as Dinastias, os Imperadores, os Kaisers, sim, até Ghandi e suas sandálias eram masculinas. Judith Malina escreve sobre Erwin Piscator (um dos maiores gênios do teatro do século XX), penso: Brincamos do que brincamos porque, até certo ponto, aceitamos que a vida é um risco. RISCO ! Sem ela não teríamos a dialética ou esse balanço sobre o qual está baseado o sistema econômico! Bah e viva!
As mulheres nos colocam aqui. Nos preservam de tanta besteira que fazemos. Ao mesmo tempo nos excitam e incentivam. Às vezes, passamos pro outro lado e ficamos SÓS, digo, S.O.S.
Não há certo nem errado, não é? Grande besteira quem diss isso. Óbvio que há. Existe o Meu e o Teu certo e errado e puxamos o gatilho em nome dele! Sartre sacaneou Humbold (só um exemplo) mas nós, os supostos brincalhões da história, somos os predadores, os vomitadores que falham e falham sempre.
Talvez a resposta esteja não exatamente na promessa, mas na expectativa, e Madoff era a expectativa de TANTOS em enriquecer trocando dinheiro por… mais dinheiro.
Ah, sim, porque somos sempre acusados disso e daquilo: os próprios leitores do blog dizem “vc não sabe nada sobre a realidade brasileira e fica aí vendo a vista do East River”. Minha resposta está num dos comentários: a Vejinha Rio estreou seu número 1 com “a Vanguarda sobe o morro”: passei 3 dias na Rocinha e de lá não saí mais. Os carnavais subseqüentes que construí com eles foram… (bem, isso é para outra coluna) e as minhas subidas à Mangueira ainda quando menino, com o Helio Oiticica… ah, o Cartola lá em cima… ah… não, não vivo de nostalgia porque EU BRINCO DE FOGUETINHO E A VIDA É UM RISCO. E SÓ POR ISSO VALE A PENA. E, QUER SABER?
SE MAIS UM ENGRAÇADINHO AQUI CHAMAR O DAVID GOLDMAN DE (…) vai tomar na VAGA!
Tenham um ótimo fim de semana!
O Lula vai ter: afinal, estará nos Estados Unidos da América e deverá me ligar. Será que eu irei atender?
Gerald Thomas
PS. URGENTE: Enquanto eu escrevia a coluna, o desgraçado Madoff estava sendo algemado e levado para a prisão! Esse homem brincou demais com o seu foguetinho e seu esquema furado (Ponzi scheme é como se chama esse tipo de malandragem aqui), agora teve um final (in)feliz, depois que alguns se suicidaram e os BILHÕES continuam DESAPARECIDOS.
VEM CÁ: O homem está pra lá dos 70 anos. Se pegar 3 penas consecutivas de 50 anos, mesmo com todo o Açai e todos os anti-oxidantes como CQ-10, green tea ou Madoffberry que existem no Mercado orgânico…o que vai acontecer? Ele morre de ataque cardíaco em 3 anos e? E?
(O Vampiro de Curitiba na Edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Bernard Madoff, Caso Madoff, Caso Sean Goldman, Clausevitz, crise mundial, David Goldman, Dow Jones, Ellen Stewart, Erwin Piscator, Gustavo Ariani, Haroldo de Campo, Hitler, Joyce, Judith Malina, Keith Olberman, Kepler the dog, Madoff, Mangueira, Paul Virilio, Pound, Rocinha, Sartre, Stalin, Vejinha Rio, Villa Lobos
10/03/2009 - 07:09
Por: O Vampiro de Curitiba
“Para desgarrar muitos do rebanho, foi para isso que vim.”
(F. Nietzsche: Assim falou Zaratustra)

Orgulho-me de alguns textos que escrevi. Orgulho-me, também, daqueles que deixei de escrever. Principalmente se esse deixar de escrever significa não seguir o rebanho. Falo do caso do Bispo que excomungou uma menina que havia sido estuprada pelo padrasto? Também.
Não escrevi sobre esse drama porque o assunto é de tamanha miséria humana que não me senti confortável em comentá-lo. Em respeito mesmo à familia. Sinto orgulho em não ter feito parte da manada que se aproveitou de uma catástrofe familiar para pregar o ódio e a intolerância, o preconceito e a ignorância. O caso, como vocês estão cansados de saber, começou quando uma mãe de duas meninas levou para morar na sua casa um maníaco. Enquanto ela assistia a novela das sete o maníaco violentava suas filhas. Engravidou uma de 9 anos de idade, que era violentada desde os seis. Levada aos médicos por sentir dores, a menina foi submetida a um aborto. A Igreja Católica, que defende a vida e considera o aborto um assassinato, excomungou todos aqueles que participaram do ato. O estuprador foi preso. Pois bem. O rebanho se indignou com o estuprador? Com a mãe que era conivente com tanta crueldade praticada contra suas próprias filhas? Não, a mãe amante do maníaco é mulher, é pobre… Está mais para vítima que para algoz. Não faz parte do ideário “progressista” se indignar contra uma verdadeira “oprimida”. O alvo da ira santa da manada foi o Bispo que comunicou a tal excomunhão.
Olhem aqui: não sou católico, não sou cristão, não creio em deuses. Seria muito cômodo para mim me aproveitar dessa tragédia e descer o sarrafo na Igreja, como todos fizeram. Conseguiria uns 15minutos de fama e algumas centenas de comentários. Mas sejamos sinceros: O único que agiu com coerência nessa triste história foi o Bispo. Ele foi coerente com sua Igreja. Tanto é que o Vaticano saiu em sua defesa. Aliás, o que faltou a essa familia foram justamente certos valores pregados, inclusive, pelo catolicismo. Afinal, se a mãe não houvesse se divorciado do pai de suas filhas, nada disso teria acontecido, não é mesmo?
Então por que tanto ódio ao tal do Bispo? Porque o rebanho não suporta ver pessoas fiéis a seus princípios quando este mesmo rebanho vive do relativismo moral, da hipocrisia, da auto-ilusão. Esse Bispo é a antítese dos progressistas que têm seus valores relativizados sempre conforme às circunstâncias. Para eles, a corrupção é algo pernicioso quando praticada pelos inimigos. No entanto, quando um deles é pego assaltando cofres públicos, inventam mil e uma razões para justificar a atitude do companheiro. Lembram do Collor? Não era o demônio em pessoa? Agora é um fiel senador da base aliada. Será o fiscal do PAC. O fiscal da Dilma. Chegou a tão cobiçado cargo pelas mãos de Renan Calheiros. Renan só não foi cassado porque o PT o protegeu. Collor e Renan serão eternamente gratos ao PT.
Da mesma forma, acordos internacionais serão cumpridos. Desde que sejam benéficos aos nossos interesses, óbvio. No caso David Goldmam (ver post abaixo), por exemplo, exigimos que se cumpram os acordos da Convenção de Haia, mas quando outros países exigem o cumprimento, inventamos mil e uma hipóteses para fugirmos de nossas responsabilidades.
O mesmo rebanho oficial que se apressou em comparar o povo suíço a corvos, quando do caso da brasileira que teria sido agredida por racistas; o mesmo rebanho que quis excomungar o Bispo, como se o Bispo tivesse inventado algo terrível; o mesmo rebanho que demonizou Collor e agora o tem como aliado; esse mesmo rebanho está agora santificando um homem: Protógenes Queiroz. Protógenes, dizem, está lançando sua biografia: “Protógenes, a lenda.” O Governo Lula tirou Protógenes da Operação Satiagraha. O Governo Lula afastou o padrinho de Protógenes, delegado Paulo Lacerda, da Abin. O Governo Lula está investigando Protógenes. A Polícia Federal divulgou documentos onde mostra claramente que Protógenes agiu fora da lei, investigando, por conta própria, desde o filho do presidente Lula até Zé Dirceu, passando pela ministra Dilma. Protógenes, no entanto, virou herói nacional do rebanho. Para a manada quem praticou o crime não foi nem o Governo Lula, nem Protógenes Queiroz, foi… a Revista Veja! Por ter publicado os documentos da PF (que não estão sob segredo de Justiça).
O fato é que eles criaram um mito. Um santo que iria prender toda a “burguesia”. Iria limpar o Brasil dos corruptos. Na confusão mental em que vivem, não são capazes de verificar que se o delegado Protógenes estiver certo, quem está errado é o Governo Lula, governo que eles defendem. Não são capazes de perceber que, mais uma vez, foram traídos por aquele que tinham como Salvador.
“Aquele a quem chamam Redentor impôs-lhes grilhões…”( Nietzsche, Assim falou Zaratustra”)

O Vampiro de Curitiba
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0/03/2009 – 19h12
“Travesties”, texto inédito de Tom Stoppard no Brasil, ganha leitura na Folha
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As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações
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MAIARA CAMARGO
colaboração para a Folha Online
A Folha promove em seu auditório na próxima segunda-feira (16), às 20h, a leitura dramática da peça “Travesties”, inédita no Brasil. O texto do escritor e dramaturgo inglês Tom Stoppard ganha direção de Caetano Vilela e encenação da Cia. de Ópera Seca. A tradução é de Marco Antônio Pâmio.
Os interessados devem se inscrever gratuitamente nesta quinta (12), sexta (13) e segunda-feira, das 14h às 19h, pelo telefone 0/xx/11/3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br. É preciso informar nome completo, RG e telefone.
Escrita nos anos 1970, a comédia se passa em 1917 –durante a Revolução Russa–, na cidade suíça de Zurique, e reúne personagens reais e fictícios. No palco, o escritor James Joyce, o poeta Tristan Tzara e o líder político Vladimir Lênin (1870-1924) se juntam a personagens de “A Importância de Ser Prudente”, obra de Oscar Wilde.
“O texto é uma grande farsa que discute a função do artista e da política na arte contemporânea, além do papel da revolução nas artes”, explica Caetano Vilela, que assina a direção da leitura. O trabalho marca a primeira vez que a Cia. de Ópera Seca é comandada por outro diretor que não Gerald Thomas.
Sessão dupla
A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. “Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard”, explica Vilela.
A ideia é reunir “Travesties” e “A Importância de Ser Prudente” no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. “O espetáculo nada tem a ver com o termo ‘travestis’, mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde.”
A leitura de “Travesties” reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio –também responsável pela tradução da obra–, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.
Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: Abin, Collor, Dilma Roussef, Igreja Católica, Lula, Nietzsche, O Vampiro de Curitiba, Operação Satiagraha, Paulo Lacerda, Polícia Federal, Protógenes Queiroz, PT, rebanho, Renan Calheiros, Veja, Zé Dirceu
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