25/02/2009 - 02:31


Miami — Enquanto os brasileiros estão pulando seus últimos momentos de Carnaval e fazendo réplicas de Teatro Municipal na Marquês de Sapucaí (seria interessante, também, ver um contraponto: a Marquês de Sapucaí dentro do Municipal – e por sua vez, com uma réplica do próprio Municipal – criando um labirinto de Escher, infinito e ensurdecedor), os Estados Unidos da América estão no TRABALHO!
O Presidente Barack Obama falou ao membros do Congresso e Senado e Convidados especiais. Não era exatamente uma State of The Union Address apesar de ter a cara do State of the Union Address. Foi, certamente, o mais EMOCIONANTE discurso de qualquer presidente EVER que já vi ou já ouvi nesses 54 anos em que habito esse planeta.
Barack Obama fala normalmente. Não se trata de oratória. Não tem aquele canto, aquela projeção desnecessária que político adota uma vez que se percebe político (assim como ator que se percebe ator!).
Enquanto o País em crise permanente (o Brasil) festejava mais um longo e badalado feriado, Obama e os EUA foram à luta. O Brasil pré-Medeia, ou quase Hamlet, só fica na terra do “quase”. Aqui é o seguinte:
Desde que assumiu a liderança no dia 20 de janeiro, Obama vem lutando pra passar suas idéias. E não são poucas.
Hoje ele as delineou por 52 minutos na frente de seus inimigos republicanos e amigos democratas. E, ao contrário dos eternos panos quentes brasileiros onde NUNCA HÁ CRISE, aqui o Presidente é justamente o PRIMEIRO a dizer que estamos na PIOR recessão desde a Grande Depressão (1929). Mais ou menos como colocar a réplica do Teatro Municipal dentro do Teatro Municipal e assim por diante!
“Nós nos reconstruiremos, nos recuperaremos e os Estados Unidos irão emergir mais forte que antes”, dizia Obama, de pé, diante de Nancy Pelosi e seu vice Joe Biden. “Ninguém mexe com o Joe” (nobody messes with Joe!), citando uma frase de Mean Streets de Martin Scorcese. Temos um presidente culto, educado. Santo Deus, que diferença!
Até os republicanos apertaram sua mão quando fez sua entrada triunfal! E como foi triunfal! Pois é, que loucura!
Os jornais de amanhã trarão detalhes explícitos sobre o discurso. Não estou aqui para isso. Mas me impressiono, SIM, e me emociono, SIM, com alguém que tem a coragem e tem princípios de admitir os erros do passado sem (necessariamente) ter que perseguir aqueles que cometeram esses erros.
A América está caindo para trás da China e da Alemanha, do Japão e outras nações em termos de produção de energia limpa.
Será que ele esqueceu do Carnaval Brasileiro? Não se produz energia limpa no carnaval brasileiro? Afinal, são 6 dias sem se produzir porra nenhuma. E produzir porra nenhuma é… no mínimo, limpo. Não é?
Ah, claro. Tem esse bostinha do Bobby Jindal, de Louisiana, que os republicanos inventaram agora. Sarah Palin não deu certo, fez o partido de idiota total, então agora o GOP pegou uma pessoa de “pele escura”. Não são curiosos esses republicanos? Pois ele se pronunciou logo após o ovacionado Obama. Não tem importância. Já eram 11 da noite na Costa Leste. Ninguém ouviu, nem eu.
Claro, Obama tomou conhecimento do descontentamento do público sobre o bailout (salvamento) para os bancos, para indústria automobilística, etc.. Mas anunciou um FIM, num tom quase ditatorial que – com dinheiro PÚBLICO do contribuinte – os CEO’s desses bancos estariam com suas fichas transparentes de agora em diante e SEM JATINHOS PARTICULARES. FIM. FIM DE UMA ERA.
FIM DE PARTIDA.
Ah, sim, e em falar em fim de partida (já que ele foi o único senador a votar CONTRA a invasão do Iraque), hoje, mais uma vez, ele colocou seu plano de SAÍDA das tropas de lá. Não disse quando. E isso me preocupa cada vez mais. Pois parece cada vez mais longe.
Ah, claro. Falou que NOS ESTADOS UNIDOS NÃO SE TORTURA MAIS! (ovacionado até pelos militares presentes – e não eram poucos!). Referia-se ao fechamento da base de Guantánamo!
Ou seja: admitiu hoje, como em outras vezes, que JÁ SE USOU O MÉTODO DE TORTURA!
“Foi em momentos de crise profunda que esse País se ergueu. Na Guerra Civil nos colocamos nos trilhos. Na Depressão dos anos 30 construímos nossas autoestradas, foi numa crise que colocamos o homem na Lua! Não temos mais o DIRETO de ver a garotada cair fora das escolas porque cair fora das escolas significa cair fora dos Estados Unidos (Quitting América).”
Forte este último parágrafo para alguém que caiu fora da escola e aprendeu tudo sentado na vida ou numa biblioteca ou nos palcos de teatro… foi um pouco ditatorial, mas sei do que ele está falando. Ele fala (indiretamente) do nível baixíssimo do sistema educacional em que se chegou aqui. Fala (indiretamente) do outsourcing, da exportação da força de trabalho, do fato de que os USA inventaram a energia solar, mas quem fabrica a pilha é a Coréia do Sul ou a China e isso é enfurecedor!!!!! E ele fala também, assim como nenhum líder brasileiro tem CULHÃO de falar, porque o povo brasileiro não tem CULTURA pra ouvir que a ERA FORJADA da GUERRA FRIA acabou: “Nao usamos mais armas da época da guerra fria. Então, fim! Fim disso”.
Ovação
Assim, dessa mesma maneira, ele foi ovacionado quando respirou, olhou um por um nos olhos e disse: “olha aqui… podemos divergir em vários pontos. Afinal, política é isso. Mas eu tenho a certeza absoluta de uma coisa: somos todos cidadãos americanos nessa sala. Todos amamos esse país. Todos queremos que a América seja um sucesso”.
Gerald Thomas
( O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Alemanha, Brasil, carnaval, china, CONGRESSO, COSTA LESTE, crise, democratas, Estados Unidos, Hamlet, JAPÃO, Medeia, Miami, Obama, Política, republicanos, SENADO, TEATRO MUNICIPAL, UM MÊS COM OBAMA
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Sr. Gerald,
seu texto deixa a desejar,
a sua ingenuidade é grande.
Espero sinceramente que o
Sr. Obama tenha tanto sucesso
agora e daqui a seis anos, tanto
quanto o Sr. Lula tem agora,
porque se não tiver tal sucesso
a culpar será do nosso carnaval.
Pessoal, temos post novo lá em cima!
”Alienigena, otima comtaracao! Faltou dizer que os macaquinhos do norte de uma forma geral sao mais gordinhos pois gostam de se entupir de fast food, que tambemja eh apreciada por muitos macaquinhos do sul. Muitos macaquinhos do norte tendem a ser obesos e morrem em numero record de doencas do coracao. Tendem a ser solitarios, nao conseguem expresar afetividade, muitos sao pessoas emocionamente mortas. Mas isso ja se alastra entre os macaquinhos do sul tambem, apesar de de uma forma geral serem mais gregarios… mas como voce disse, macaquinho serao sempre macaquinhos, boys will be boys!!”( Paulo from the G spot )
Caríssimo Paulo, obrigado!
Os primatas norte-americanos são realmente comilões. Nosso pão com manteiga, frutas e etc. para eles não são parte de um bom café, pois eles gostam, nesse período, de entupir a pança de frituras: ovos fritos, nuggets e outros venenos. E o pior? ELES VENDEM O CARDÁPIO FUNESTO PARA TODO O MUNDO!
Salvem-se!, vocês terráqueos(óbvio)!
Anino 14:16, 14:24,
Oi Anino,
Ah, BEM LEGAL!
Eu sou católica, como já disse aqui, mas gosto de ler sobre todas as tradições religiosas , e todos os assuntos nesse sentido despertam o meu interesse.
Estou lendo agora ‘ Evangelho do Cristo Cósmico – A Busca da Unidade do Todo na Ciência e na Religião’, do Leonardo Boff.
Não é uma leitura das mais “fáceis” não, mas eu tô encarando…
Vc já leu os livros do Huberto Rohden? Tenho alguns e gosto muito.
Eu acredito que o cultivar de uma espiritualidade na vida da gente só nos faz abrir cada vez mais os olhos, ao contrário do que muitos pensam… Acho muito bom. Vejo o seu comentário das 14:47 como uma prova disto.
beijos
Sandra,
o libelo (se há um!) não era contra a cultura, mas contra a falta de humanidade.
O que quis dizer é que não adianta a pessoa ser extremamente culta e não conseguir perceber questões e valores fundamentais.
Existiam muitos homens cultos no governo Bush, mas não foram capazes de entender o absurdo que é Guatánamo, por exemplo.
Não há argumento que me justifique a morte de mais de 100.000 civis no Iraque.
Fico feliz que Geraldinho tenha utilizado de seu conhecimento para se posicionar a favor de causas importantes e em momentos importantes.
Não acredito que haja um país modelo. Existem países com índices de educação, renda e saúde (os três juntos inclusive) muito melhores que os EUA. Há países com democracia e política externa muito mais avançada que os EUA. Mas não creio que possam ser modelos pra ninguém.
Acredito sim que devemos investir mais em pesquisa, em tecnologia, em conhecimento próprio, com nosso DNA e com cooperações quando preciso. Mas não temos modelo.
Entendo que Geraldinho tenha se emocionado com o discurso de Obama, apenas não concordei com seus comentários. Que mal há nisso?
Cultos, incultos, precisamos de seres humanos que façam a diferença.
Se Obama contribuir para construção de um mundo melhor, excelente. Se Lula, um não diplomado (e pra mim, longe de ser inculto) puder contribuir, excelente também!
As asneiras que Lula já disse não foi por falta de escola, como não foi por excesso de escola as asneiras que também disse muitas vezes FHC.
Não idolatro diplomados, não idolatro ignorantes, muito me seduz a inteligência. Me emociono quando esta se encontra a serviço de causas justas. Seja em Gandhi, em Mandela, em Cristo, Rigoberta Menchú, …, …., …
26/02/2009 – 14:33
Enviado por: Sandra
“EEEEEEE EEEEEEEEEEEM TOOOOOOOOOOOOOOOOODOS OOOOOOOOOOOOOOOOS LU GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARES DOOOOOOOOOOO UUUUUUUUUUUNDOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ”
Senhores, quadro é grave.
Reinaldo
26/02/2009 – 13:35
Enviado por: Sandra
“Então é isso que quer dizer PQP, Gerald?”
Claro que não, tu acreditas em tudo o que o Gerald diz.
Reinaldo
Gente, foi só um discurso, fácil, todos podem fazer, mais ainda quem tem o dom da palavra, a realidade não se resume em discursos.
As igrejas são montadas na fé e no dom de se fazer crer…
26/02/2009 – 12:24
Enviado por: Sandra
“Leo, eu, sinceramente, não acho que os EUA foram ao Iraque pelo amor à democracia e direitos humanos (…)”
Concordo.
e nem acho que essa é sua obrigação. (…)”
Discordo.
Mas, como dizes, “é direito teu”, “é direito meu”.
Absurda e paradoxalmente, também dizes que “em uma discussão o que vale é a disputa.”
Reinaldo
26/02/2009 – 10:01
Enviado por: Sandra
“Não Reinaldo, não justifiquei o holocausto (…)”
Eu estava pensando também nas vítimas do imperialismo capitalista, do intervencionismo interesseiro, do desemprego no mundo, por conta dos EUA.
Sei, sei, “é direito meu”, não há porque discutirmos. E mais,
não quero te proporcionar o “prazer da disputa”.
Aproveitando, informa o Leo de que és mulher; portanto, não és cão-de-guarda do Gerald.
Reinaldo
Leo chamou ninguém de au au.
Me desculpe, Sr. Gerald ! Mas o senhor é muito parcial. Só vê os pontos positivos dos EUA e os negativos do Brasil. Quem disse que nos seis dias de carnaval ninguém faz nada no Brasil. Isso mostra que o senhor só conhece o Brasil pelos jornais, ou o pessoal de teatro, os intelectuais, etc. Pois saiba que muito gente trabalhou, e muito, no carnaval. Por que o senhor acha que (mesmo com toda bagunça, desonestidade dos políticos), bem ou mal o Brasil está sobrevivendo ? O Brasil é bem maior que nossos políticos, que o Rio, que Salvador, que o pessoal que brinca carnaval durante seis dias. Por favor, conheça mais o seu país! Ou, será que o seu país não é o Brasil ?
Te incomodo, Reinaldo? Onde será que acertei?
Achou meu caso grave, Reinaldo? Mas, como digo a minha filha, estatisticamente, de 6 bilhões de seres humanos, pelo menos um vai gostar de você exatamente do jeito que você é. Então, não precisa mudar para agradar ninguém.
Porque será que tem turista do mundo inteiro no Brasil no Carnaval?
Os Estados Unidos acabaram com a economia mundial e a culpa é do Lula?
Você deve ficar por aí mesmo que não faz falta.
Ai! Que intolerância, quem sabe qual é o desejo do menino no futuro, eu sei nem pai e nem mãe, mas seguir sua trajetória sua historia sua construção de vida, então vejo q uma criança tem de ser protegida de alguma boa forma e não servir de alvo de interesse individual de um ou outro, ele esta bem cuidado?, então o pai que ponha o saco na viola e se contente em ter um rebento que vai prosperar a sua virilidade para a a eternidade… É um absurdo crianças ser objeto de desejo… de propriedade…onde esta o humanitarismo com a criança?
Tal como você, entendo ser o presidente americano distinto na comparação com a maioria de seus antecessores, estamos assim sintonizados quanto as referencias a Obama.
Por outro lado se os americanos colocam habitualmente nas ruas seus tanques, orgulho-me de que nós brasileiros, colocarmo-nos na rua enquanto povo, que festeja a vida, que se exibe com uma manifestação cultural genuina.
O carnaval, que atrai turismo, divisas, gera emprego, estimula a criação artistica, cultural, especialisa mão de obra e jorra talentos.
O que tem háver o carnaval com Obama?
A resposta é que saimos as ruas com alegria, orgulho e esperança apesar de tudo dos “politicos” e dos nosso mediocres “intelectuais” e eles os Americamos “os especiais” com tamques para manter o terceiro mundo a alimentar suas farras financeiras e consumistas, bem como sua covardia bélica.
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