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02/02/2009 - 08:52

O Que Eu Sou e o Que não Sou

LondresPois é! Esta cidade amanheceu soterrada por quase 30 cm de neve. Já ontem a noite o carro patinava pelas ruas como se fosse uma nave desgovernada. Para quem está em plena crise existencial, isso é a própria metáfora perfeita. 

Olha, vou tentar explicar: o blog me reduz. Por favor, não me leiam mal. Mas, sim, ele me reduz. Ao mesmo tempo, eu vivo dizendo aqui que “estou me despedindo do blog, que estou acabando com isso aqui”. 

A razão é simples. Talvez nem tanto. 

Seguinte: Eu sou um ser político. 

Não sou um ser político. 

Bem, não é bem isso. 

Este blog comemorou ontem CINCO anos de existência, contando com o do UOL.  Mas, numa recente entrevista que o Philip Glass deu a meu respeito (linda, deslumbrante, e que o Vamp irá disponibilizar aqui para vocês nos próximos dias), ele me situa dentro do mundo TEATRAL, assim como a Ellen Stewart, a minha MaMa, do La MaMa, também havia feito, a cerca de umas semanas em sua cama de hospital em Nova York. 

O BLOG 

Isto aqui  acabou virando uma tela de Pollock. Mas não lúdica. Não estamos no campo da cultura, como eu havia me proposto. Acabo me vendo no campo das “mundanices” respondendo e atacando coisas e pessoas que são, em última instância, a MENOR das minhas preocupações. 

Me vejo pequeno! 

Sim, me vejo pequeno. Não nasci blogueiro. Sou autor e diretor teatral e , desde que essa entrevista do Philip foi editada, eu tenho pensado o que fazer da vida, qualitativamente. O que fazer? 

Claro que durante esse último ano o assunto era Obama. Eu não poderia deixar de comentar com PAIXÃO aquilo que mais me movia e comovia no campo da política, cultura e comportamento mundial e Barack Obama compreendia tudo isso.  

Mas Obama agora é presidente. Pronto. Já aconteceu. Agora o Presidente Obama completa praticamente 2 semanas desde o seu ‘comando’ na Casa Branca. 

Lula, lulismo, Castro e castrismo, Brown e brownismo, Merkel e merkelismo e ficar reclamando disso e daquilo não é o meu barato.  Tem gente muito mais qualificada para fazer isso.  Entenderam? 

Estou escrevendo “HARD SHOULDER” (Acostamento), um novo espetáculo. E… não posso e não irei mais ficar blogando a favor ou contra aspectos “menores” de governos locais. Sim, é isso. Daqui de Londres eu poderia estar comentando o que o mais recente PLOT da MI5 contra os paquistaneses extremistas-islâmicos tem… Mas não vou. Poderia falar do ETERNO debate local sobre a ETERNA luta contra o a UNIÃO EUROPEIA em que Edward Heath jogou o Reino Unido… e que hoje traz para cá uma quantia desproporcional de romenos, de croatas, de búlgaros, enfim, do Leste Europeu e que ‘não estavam no contrato’ quando Heath (Primeiro Ministro nos anos 70) queria ligar a ilha ao ‘continente’ (significando França, Alemanha, Itália e olhe lá!!!!).  MAS, mais uma vez, não vou falar disso. UFA! 

Então, este artigo é um artigo de alguém em plena crise. Quando o Vamp quiser escrever sobre problemas políticos locais, tá ótimo. Vocês comentam, pulem em cima, se rebelem, mas, por favor, prestem atenção na assinatura do artigo: ele é ele e eu sou eu. 

Nem de Obama eu falo mais.  

Nem sei exatamente sobre o que escreverei até maio próximo. Sei que de política estou de saco repleto. E porquê? O motivo é simplérrimo: é só voltar para Londres para se ter uma sensação de que o tempo parou. 

Encapsulou-se o tempo. Deu-se um pulo para trás. São as mesmas reclamações conservadoras ou trabalhistas de sempre e sempre… 

Mas eu não sou um sujeito do “sempre e sempre”. 

Prefiro ser do NUNCA e nunca. Ou na linha do Risco, sem rede embaixo. Afinal é teatro, ou não? Estou mais para Lewis Carroll ou Borges do que para esses Saramagos que resmungam e resmungam. 

Tenho um dia enorme pela frente. Estou de bem com a vida: acreditem. Londres me faz bem, me “aterra” apesar de ser o lugar da Madness of King George e do avô de Mick Jagger! E no mais, obrigado a todos vocês por terem me aturado por esse tempo todo! 

Vou tentar me mover nessa cidade nevada e, debaixo do braço, alguns livros ‘basicos’: “Náusea”, “1984″ (acreditem se quiser) e outros menos conhecidos como “O que fazer?”

 

Gerald Thomas

2 Fevereiro 2009, Londres

 

PS do Vamp: Sempre que entrarem no Blog teclem “F5″ para atualizar a página, pois a mesma não está atualizando automaticamente.

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

237 comentários para “O Que Eu Sou e o Que não Sou”

  1. Reinaldo Pedroso disse:

    03/02/2009 – 21:36
    Enviado por: susan judia (…)

    Susan
    Afino com o Targino.
    Beijo,
    Reinaldo

  2. Reinaldo Pedroso disse:

    Santanna
    “Entrevero” e “veneta” são termos muito usados por nós gaúchos.
    Reinaldo

  3. Ronald. disse:

    84% de aprovação???
    Joseph Goebbels deve estar coordenando as pesquisas.

  4. Reinaldo Pedroso disse:

    02/02/2009 – 17:58
    Enviado por: susan judia
    “O QUE EU SOU E O QUE NÃO SOU …
    Sugestões minhas (…)”

    Quáááá!!!!
    Reinaldo

  5. santanna disse:

    Jorge Plato Platon, 14:01,

    Jorge, é isso aí… Hoje é tudo tão alucinantemente rápido, tudo tão rapidamente descartável, tudo tão apocalíptico… que realmente parece que nós mesmos não acompanhamos a realidade.
    No filme ‘O Sonho de Cassandra’, do Woody Allen, um personagem diz que ” a vida tem vida própria”, ou seja, muitas vezes ela nos foge totalmente ao controle, e hoje, parece que a própria “realidade” também criou vida própria! independente de seus “fazedores”. As “novas realidades” nos atropelam e vamos nos adaptando a elas aos trancos e não sei se lá muito satisfeitos…

    A propósito, segue interessante texto do Frei Betto.

    abraços

    Passeio Socrático

    Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

    Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:

    - ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’
    Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

    - ‘Não foi à aula?’

    Ela respondeu: – ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei:

    - ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’.

    - ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’

    - ‘Que tanta coisa?’, perguntei.

    - ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

    Fiquei pensando: – ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’
    Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

    Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! – Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

    Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

    A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’ ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

    Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’ O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

    Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

    Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…

    Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno…. Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…

    Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’ Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: ‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz’.

  6. 50 anos de La Bamba.

    La Bamba
    Richie Valens
    Composição: Folclore Mexicano/ Adap.Richie Valens

    Para bailar la bamba,
    Para bailar la bamba,
    Se necesita una poca de gracia.
    Una poca de gracia por mí, por ti.
    Ay arriba y arriba
    Y arriba y arriba, por ti seré,
    Por ti seré.
    Por ti seré.

    Yo no soy marinero.
    Yo no soy marinero, soy capitan.
    Soy capitan.
    Soy capitan.

    Bam-ba-bamba,
    Bam-ba-bamba,
    Bam-ba-bamba,
    Ba…

    Para bailar la bamba,
    Para bailar la bamba,
    Se necesita una poca de gracia.
    Una poca de gracia por mí, por ti.
    Ay arriba y arriba.

    R-r-r-r-r, Ja! Ja!

    Para bailar la bamba,
    Para bailar la bamba,
    Se necesita una poca de gracia.
    Una poca de gracia por mí,por ti.
    Ay arriba y arriba
    Ay arriba y arriba, por ti seré,
    Por ti seré.
    Por ti seré.

    Bam-ba-bamba.
    Bam-ba-bamba.
    Bam-ba-bamba.

    O avião tem nos levado muita coisa boa.
    O pássaro da morte.

    Carlos Gardel.
    Agostinho dos Santos.
    Mamonas Assassinas.
    Glenn Miller

  7. Reinaldo Pedroso disse:

    “DOENÇAS MORAIS E TARAS INATAS ADQUIRIDAS”

    “Doenças” Morais…?
    Taras Inatas “Adquiridas”…?

    Reinaldo

  8. Tene Cheba disse:

    Lucidez, palidez. pálidas nuvens,
    pálidas pratas, pálidos pálidos,
    lucidez palidez,pálidos encantos,
    pálida e anêmica luz, gritos, uaares,
    mentas.me mintas esperanças,
    uivos, gritos, latidos, latas catadas,
    chicletes, cabelos e pentelhos.
    Mas, minha poesia nítida,
    minha Lua, minha fonte pálida,
    minha crase suprimida, os gemidos de dor,
    nove gêneros, nove notas musicais,
    dó ré mi, mai doi tu dei, nera vera,
    sem trema, sem chapéu, sem turbante,
    comer o chá e beber a tea, com o sedutor salgado.
    Trema acima do u,não mais.

  9. Reinaldo Pedroso disse:

    Em algum post deste blog alguém perguntou se é possível conhecer mesmo alguém em blogs.
    Sim, basta ler criticamente o conjunto dos seus textos.
    Alguém pode não ser o que parece se avaliado pontualmente.
    Reinaldo

  10. Reinaldo Pedroso disse:

    A principal causa da crise financeira e econômica é o capitalismo.
    Reinaldo

  11. santanna disse:

    “Era filho do Espirito Santo.”
    (Targino, 22:51)

    Pô Targino, qualé??
    Cê estragou tudo no final!

  12. santanna disse:

    Zé Youssef,

    Je suis desolée!
    Nenhum homem por aqui manifestou concordância com aquela minha opinião….! :(
    Diante disso, daqui a uns 5 anos vou correndo pra uma clínica de botox!!!
    E em seguida, of course, fazer que nem a Madonna, arranjar rapidinho um Jesus pra chamar de meu!! :)

  13. FRANCINY CHEQUER disse:

    oi

  14. Lombardi. disse:

    A vida é assim mesmo, porém para aqueles que tem a emoção a flor da pele e amam, muitas vezes acabam por descobrir que não vale a pena ter opinião formada porque o argumento se dissolve ao ver uma imagem, sentir um odor, ouvir um lamento, perceber uma lágrima ou vestir outra roupa.
    Não adianta ser também uma ‘metamorfose ambulante’ simplesmente para se safar das culpas porém é salutar perceber que a certeza só existe na cabeça dos tolos.
    Se não houver um caminho a nossa frente melhor ainda porque caberá a nós desbravar, aplainar e direcionar até o próximo desemboque.
    Sobre as pedras de tropeço é bom que elas existam para que passamos retira-las ou passarmos sobre elas ou convivermos com elas para que aprendamos o que é sinergia.

  15. Neto disse:

    A ministra dança COMEMORANDO O INFANTIC[IDIO cometido em GAZA. Em cada música que ela ouvia na boite, os moradores de Gaza ouviam o choro das crianças despeddaçadas pelas bombbas de fósforo e urânio. Era esta a reação desproporcional que Israel queria. Assim o mundo fica sabendo das verdades. Pena que nem todos os sites mostraram isto. O IG ficou devendo. Não mostrou. Pq? Ninguém do IG comentou. PQ? A alegria da ministra mostra tudo. E ela disse que foi pouco o que Israel fez em Gaza. É uma coisa nojenta esta imagem. Tão nojenta quanto às imagens das crianças despedaçadas. Alguém pode comentar????? Terra
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  16. Alessandro disse:

    teste

  17. Liliane disse:

    As pessoas gostam de ler sobre o tempo. Também conheço algumas que curtem horóscopos. E sempre se pode falar da vida alheia. Arrasar personalidades publicas dá ibope. Enfim,…

    Espero estar ajudando, pois amo ajudar os outros.

    Aff.

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