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14/10/2008 - 12:47

NUDEZ – Somos todos Voyeurs! + o ULTIMO DEBATE nos USA

Voyeurismo

NUDEZ

Acho que Pedro Cardoso enlouqueceu. Tudo bem. As pessoas têm todo o direito a serem ciumentas, possessivas, sisudas, mau humoradas (mesmo sendo comediantes e tal). Agora, lançarem um “manifesto” contra a nudez e justamente no cinema, é de uma imbecilidade ÚNICA!

E por quê?

Porque cinema significa, necessariamente, voyeurismo. É isso que a câmera faz pela gente. Ela “penetra” os lugares mais impróprios, fura os lugares mais privados e indevidos, sejam eles físicos, metafísicos, zoides ou esquizóides. Esse é o poder da LENTE. Essa é a beleza da lumiere.

Assim é o mundo virtual. Querer restringi-lo, censurá-lo é querer impôr um regime de forca (com ou sem cedilha) num país e num mundo que já está se tornando extremamente VIGIADO por falsos puritanismos e por FALSOS valores e pudores. Ah, sim, você pergunta: Falsos valores e pudores… por quê? Porque temos que ser “polite” (educados) dentro desse mundo de EXTREMISTAS, seja de um lado, seja de outro.

E, justamente quando o mundo está numa tremenda NUDEZ FINANCEIRA (ou seria melhor chamá-la de “re-design”, repaginação?), vem o Pedro Cardoso e lança um manifesto Castigando a Nudez!!!

Digo isso com a consciência limpa, já que encenei pouquíssima gente nua no palco, homens ou mulheres. Mas NÃO condeno aqueles que encenam ou esculpem ou pintam a nudez, desde Michelangelo até Goya, passando por Lucien Freud.  Que bobagem!  Adoro o Pedro como autor e ator, diga-se de passagem.

Mais interessante seria lançar um manifesto contra a nossa “passividade” relativa ao CIRCO de HORRORES na questão da Bolsa de Valores, como Citigroup e a  JPMorgan Chase e os bilhões injetados no Bank of America, que está comprando a Merrill Lynch, e a Wells Fargo, que, por sua vez, compra a Wachovia Corporation. Eles receberão  $25 billion. Goldman Sachs and Morgan Stanley receberão $10 bilhões cada. Ah, e a nudez do Bank of New York Mellon and State Street ganhará $2 ou $3 bilhões, isso hoje, depois do fracassado “bailout”.

E Pedro Cardoso quer nos tirar o voyeurismo. Entendam a palavra voyeurismo como tudo o que temos nesse momento: vemos as guerras pela tv como um espetáculo de horrores sendo entrecortado por anúncios de homens e mulheres VESTIDOS! Ou crianças famintas entrecortados por comerciais de automóveis, esses sim, nus! Um automóvel deveria estar VESTIDO, Pedro?

Pedro: SOMOS voyeurs. Ou será que você poderia nos explicar a beleza do “Discreto Charme da Burguesia”, de Bunuel ou aquela foda linda entre Marlon Brando e Maria Schneider em “O Último Tango em Paris”? Ah, esqueci. Você não é Marlon Brando. Talvez seja isso.

Amargura pura!

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

PS. DO VAMP:

 

Pessoal, o bagulho tá louco!
Os comentários entram aleatoriamente, não seguem uma ordem cronológica.
É bom sempre reler desde o começo, pois as respostas estão, muitas vezes, entrando antes das perguntas.
Eu tô adorando esse caos hahahahahahhah…

PS.2, especialmente para aqueles que querem derrubar o Vamp:

MAU humorada é a maneira da pessoa “SER” (MAU é oposto  de BOM)

MAL humorada é a maneira da pessoa “ESTAR” (MAL é oposto de BEM)

O ULTIMO DEBATE

 

 

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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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319 comentários para “NUDEZ – Somos todos Voyeurs! + o ULTIMO DEBATE nos USA”

  1. O Vampiro de Curitiba disse:

    Acho que consegui resolver o problema dos comentários. Vamos ver…

  2. Londrina disse:

    Vamp:

    A eleição nos EUA é tão complicada, diferente do resto do mundo.
    Nem sempre o que ganha com o voto popular torna-se presidente. Vamp. Talves pqe eu seja uma petista, pra mim é muito dificil entender a eleição nos EUA rsrsrsrs. E pra maioria das pessoas também .

  3. O Vampiro de Curitiba disse:

    Pessoal. tem post novo lá em cima!

  4. sincera disse:

    vc falou o óbvio somente para pessoas da formação, deformação, vivência e prepotência de gente como você.

  5. Ivo Veiga disse:

    Pessoal, quem tá com a atualização automática do windows tá adiantado, tem que mudar no manual, porisso a Ana Luiza, me respondeu 49 minutos antes de eu perguntar,.Acabei de rever A Última Ceia com a Halle Berry, vem ser bonita assim aqui em casa.Vamp vc. apareceu deixou a prontidão no 5o BatLog?. Ezir obrigado pela parte que me toca.
    Abraços
    Ivo

  6. Ivo Veiga disse:

    Já descobri quem tá com horário adiantado é o IG, eu comentei as 0,11Horas, e tá dando como 01,11. IG muda o relógio.
    Ivo

  7. Sandra disse:

    Aninomyous, há dominações e dominações. O que não aceito é: estupro ou abuso de poder. Já a dominação sedutora, consensual, entre dois adultos… Aceito e aplaudo.

    Respeito também é um conceito que requer uma definição. Para mim, respeitar o parceiro é, por exemplo, não fazer sexo se estiver com uma DST, ou então tomar as devidas precauções para não contagiá-lo (e avisá-lo). É ser responsável.

  8. Bianca disse:

    sincera…mente…:Gerald Thomas é um banquete. Desfrutemos, desfrutemos…Não há frutos do mar, crustáceos, moluscos…PTsaudações.Há pessoas mágicas,trágicas,sádicas e até mesmo orgásticas, e porque não as haveria também antropofágicas?… rs

  9. Sandra disse:

    É claro que, havendo amor, o respeito vem incluso. Para mim, sexo deve vir junto com amor. Mas aceito quem não pense assim, desde que cuidem dos seus parceiros e assumam as conseqüências de seus atos.

  10. Ivo Veiga disse:

    Ezir eu agradeci sua menção, mas a única participação minha no debate sexual da Sandra e do Anionymous(etâ nick difícil) é que aquilo já tava virando o Relatório Kinsey(aliás belo filme com o Lian Neeson). IG muda o relógio .
    Abraços
    Ivo

  11. Ivo Veiga disse:

    I don’t believe SandraX Ani(simplifiquei, fica mais fácil) 2a parte, agora é o Relatório Sandra&Ani. But go ahead.
    Abraço
    Ivo

  12. Ivo Veiga disse:

    O José Bento Monteiro Lobato em 1928, escreveu O Presidente Negro, mas ele errou ele dizia que os americanos prefeririam eleger uma mulher a um negro. Mas chegou perto quem suporia lá nos idos de 1928 que Hilary e Obama estavam disputando o direito a disputar a presidência. Monteiro Lobato ser iluminado vê longe.
    Ivo

  13. Ivo Veiga disse:

    Prá quem não sabe o Monteiro Lobato foi em 1939, morar em N.Y., para ser o representante comercial do governo de Getúlio e lá ele arrumou comprador pró café brasileiro que tava apodrecendo e que foi queimado, pois bem o comprador era a URSS, mas o Getúlio muito amigo na época de Adolph Hitler, se negou a fazer négocio com a URSS. e o Monteiro Lobato como são os dignos pediu exoneração do cargo mandou Getulio as favas e continuou sua vida.Depois em 1942 o Getúlio foi “gentilmente” convencido pelo Roosevelt a mudar de opinião, o que também não é lá muita vantagem pois o filme O Grande Ditador de Chaplin que ficou pronto em 1940 só foi autorizado a passar nos States em 1942, após Pearl Harbor, porque antes iria
    irritar os 23% de americanos descendentes de Alemães e o próprio Adolph que teve como maior contribuidor Henry Ford.
    Esta é a edificante história da humanidade.
    Ivo

  14. Ana Luiza disse:

    Ezie .. ezir….

    Sempre complexa e me matando de riri….

    Amoooo seus posts… fingir orgamos para ganharem carros… tadinhas.. mas, tem outro jeito,,,rsrsrsrrs

  15. Agostinho disse:

    Pense nisso! Todo mundo pelado num grande centro urbano embaixo de um sol de 38º graus num metro lotado ou naquelas procissões La do norte segurando aquela Corda, a nudez seria algo irrelevante.

  16. gthomas disse:

    Repostando um LIndissimo texto do Felipe Fortuna que aparentemente sumiu dos comentarios e pedindo desculpas

    POESIA E TÉCNICA: CAMPOS ALEATÓRIOS
    Felipe Fortuna

    Encontra-se na internet (e, portanto, ao alcance de todos) a revista MnemoZine, cujo número 4 é inteiramente dedicado a Augusto de Campos: http://www.cronopios.com.br/mnemozine/. Tanto por sua qualidade gráfica quanto pela pertinência do material reunido (poemas, artigos, depoimentos e traduções), o exemplar virtual de MnemoZine deve ser referência para as publicações literárias que se arriscam na rede eletrônica. Editada por Marcelo Tápia e Edson Cruz, e transformada em objeto multimídia por Pipol, a revista, expandindo-se em www, faz circular a obra do poeta, crítico e tradutor como jamais se pensou: a massa pode agora comer o biscoito fino que Augusto de Campos fabrica desde a estréia, com O Rei Menos o Reino (1951).
    Mas a maior circulação do poeta concretista não é tudo: a revista também apresenta textos cinéticos e se vale de recursos sonoros e visuais que trazem à poesia concreta aquilo que não se encontrava na versão impressa em papel. É o que acontece, por exemplo, com os poemas “Osso” e “Intradução: Guillotine Apollinaire”, este último uma composição lúdica e bem-humorada, no qual até a página branca, quando se cortam todas as palavras, também é degolada. Fatos inesperados, escuta-se o poeta a interpretar “Chegou a Noite”, samba composto pelo pai, Eurico de Campos, que contém o verso paulistano “lá vem a gaze da garoa”; e ainda, como em diálogo, o próprio pai a cantar “Samba Concreto”, de sua autoria, no qual garante que num quadro (e não num poema, note-se) feito segundo os princípios do concretismo “havia 100% de expressão e sentimento”.
    O importante conjunto de MnemoZine agora se junta à reunião de ensaios organizada por Flora Süssekind e Júlio Castañon Guimarães em Sobre Augusto de Campos (2004), concebida em torno de seis grupos temáticos, entre os quais “Poesia e Técnica”. Em vista das possibilidades abertas à criação artística pelas tecnologias digitais e pelos meios eletrônicos de divulgação, de que tanto se vale a mencionada revista literária, o tema “Poesia e Técnica” revela-se de fato produtivo para uma discussão sobre um aspecto da poesia de Augusto de Campos. Aproveita-se também uma coincidência: a professora Lucia Santaella escreveu um ensaio em MnemoZine (“A Invenção Viva da Poesia Concreta”) e outro ensaio no citado livro (“A Poética Antecipatória de Augusto de Campos”). Em ambos, defendeu a tese de que “a poética de Augusto de Campos é aquela que mais coerentemente permaneceu fiel a seus precursores como Mallarmé, Cummings, Pound, e à própria poesia concreta de que foi fundador e participante. Por isso mesmo, é a poética que antecipou e, no seu desenvolvimento interno, sempre em progresso, veio, ela mesma, desembocar na poesia digital contemporânea.”
    É difícil aceitar a integralidade das afirmações acima. A professora aponta, primeiramente, o paradoxo da fidelidade de Augusto de Campos aos princípios ortodoxos do concretismo, que teria conduzido a obra à forma mais atual de poesia (e acrescenta: “por ironia inesperada para os críticos”). Lucia Santaella seguramente não considera o recorte realizado pelos poetas concretos, pela via do paideuma, para assegurar em Mallarmé, Cummings e Pound aquilo que tinha serventia às idéias fixas do grupo: apenas uma parte da obra, escolhida à la carte. Ao mesmo tempo, persegue o tipo de evolucionismo histórico-literário criado pelo grupo de poetas concretistas – e não apenas por Augusto de Campos – para explicar a poesia que produzem. Sobre o autor, informa que “sua produção poética avançou pari passu, sincronizando-se com o potencial apresentado pelas novas tecnologias”. Por isso mesmo, mencionam-se as palavras “progresso” e “desembocar”: a primeira, com a noção distorcida de que se atingiu um patamar superior ou que o mais moderno é o melhor; a segunda, com a insistência num processo de desenvolvimento (que existiu na ilusão de todos os planos-piloto) que tem um resultado final ou um ponto de chegada.
    Mais incongruente ainda é a afirmação de que Augusto de Campos produziu uma “poética que antecipou” a poesia digital contemporânea. Alguns poemas concretos, como “Osso” e “Intradução”, ganharam elementos de visualidade graças às novas tecnologias – mas, infelizmente, na velocidade e na direção que oferece o poeta ou o editor, e não mais nas que o olho do leitor captava ao abrir uma página. Do suporte do livro para o suporte digital, como se vê, há perdas e ganhos. O que falta na argumentação é um sopro de dialética: um artista ou um crítico deveria ficar alerta para a imprevisibilidade e mesmo para as mutações (e não o progresso) que as técnicas impõem sobre o ser em todas as suas atividades, e não apenas as poéticas. Ao tratar das interações entre tecnologia e literatura, Hugh Kenner, em The Mechanic Muse (1987), soube interpretar que “a tecnologia tendeu a subjugar as pessoas gradualmente, forçando-as a um comportamento do qual não faziam idéia. E ela alterou os seus mundos, de tal modo que um datilógrafo de 1910 não poderia ter imaginado como a sua contraparte de 1880 costumava passar o dia.”
    A tecnologia tem a capacidade de alterar os sentidos, sem perder ambivalências e casualidades. O objeto verbivocovisual, por fim, é um ato de criação com fundas repercussões para a literatura, e Augusto de Campos começou a produzi-lo com a tecnologia existente à época: primeiramente, os recortes de letras e palavras impressas nas revistas; em seguida, as folhas de plástico do Letraset. Tivesse escrito seus argumentos nos anos 70, Lucia Santaella afirmaria que o seu poeta antecipou a técnica do decalque a seco!
    Por outro lado, talvez haja interesse em distinguir os poemas que, posteriormente, ganharam aspectos inovadores com o uso da técnica digital daqueles poemas que foram diretamente concebidos com os novos recursos. Aplique-se tecnologia digital, por exemplo, a qualquer um dos poemas visuais portugueses do século XVII – e decerto seria obtida outra antecipação.
    O poema “SOS”, um dos mais bem realizados de Augusto de Campos, foi publicado em MnemoZine do mesmo modo como está impresso no livro Despoesia (1994). Consulte-se, no entanto, www2.uol.com.br/augustodecampos/clippoemas.htm: ali, “SOS” ganha cor, movimento e som, e se transforma, ao que parece, em outro poema, igualmente extraordinário. O que a tecnologia fez foi transformar ambos os poemas em dois objetos distintos, impulsionados pelos sinais de desespero e de solidão que acompanham cada um de nós desde sempre.

  17. Lúcio Jr disse:

    Oi, GT, não resisto e mando mais uma tese!

    A Era da Incerteza

    Tudo o que era sólido desmanchou no ar, nos anos 80. A década de 80 começou com o assassinato de Lennon e terminou com o colapso do mundo comunista, seguido da invasão do Panamá e da guerra do golfo, ainda na gestão do ex-diretor da Cia George Bush, versão light de seu antecessor, Ronald Reagan. A revolução sexual parecia consolidada, só que surgiu a AIDS para derrotá-la. Os anos 80 começavam com clima de contra-revolução, fim do sonho hippie. Jerry Rubin, militante radical dos 60 e autor da frase “não confie em ninguém com mais de trinta”, virava notícia em 1980 por ter arrumado emprego em Wall Street. Na passagem de 70/80 foram retomados mitos como Elvis e os Beatles, e na onda da nostalgia da Era de Aquário, voltaram conjuntos como Rolling Stones, Animals e afins, Simon and Garfunkel se reuniram num megaconcerto no Central Park, gravaram discos, fizeram turnês, tudo aproveitando o desejo de volta à juventude de desiludidos mas endinheirados baby-boomers.
    O ex-ator Ronald Reagan, canastrão em Hollywood, foi exercer sua canastrice na casa branca. Exumou a paranóia da guerra fria após o governo de Jimmy Carter, repleto de fracassos que davam a sensação de fracasso nacional aos EUA. Reagan decidiu jogar pesado, ameaçando atacar a Nicarágua e ocupando a ilha de Granada em 1983, após a subida ao poder de um governo de esquerda neste pequeno país caribenho. Reagan chamou a União Soviética de “Império do Mal”, e criou uma fase de prosperidade que comprometeu as economias de países da América Latina, por exemplo, mas beneficiou os EUA. E gerou os yuppies.
    O nome yuppie é uma sigla, significando Young Urban People, Pessoas Jovens Urbanas, ao pé da letra. Se John e Yoko haviam sido o casal símbolo dos 70, e Bob Dylan e Joan Baez o dos 60, o dos 80 seria o empresário Donald Trump e sua esposa. Renegando os valores dos beatniks e dos hippies, estes jovens estavam decididos a fazer o jogo do Sistema e faturar alto. Como trabalhavam obsessivamente, precisavam tomar estimulantes, e um dos preferidos foi a cocaína. Aliás foi nesta década que o narcotráfico dominou a Colômbia, tornando-a o país mais violento do mundo.Uma extravagância típica dos jovens executivos de Wall Street era beber a àgua mineral francesa Perrier, símbolo de status. Eles não desprezavam inteiramente a contestação, mas preferiam consumi-la do que vivenciá-la.Os anos 80 foram, por assim dizer, o império do efêmero. A obsessão com o descartável nos faz imaginar que poderiam inventar as pessoas descartáveis:e lá estão elas no filme de Ridley Scott, Blade Runner, baseado no romance de Phillip K. Dick, O Caçador de Andróides. Os replicantes do filme, cópias de cópias, condenados à busca de uma origem que não existe, são os protagonistas por excelência da década. Os anos 80 são uma volta ao que havia antes, aos anos 50, mas agora pior. As tendências da moda são agora ditadas até por dirigentes políticos como Reagan e surgem manifestações culturais de tendência claramente reacionária.
    Um disco que foi tão influente para este tempo quanto o Sergeant Peppers dos Beatles era para os hippies é The Wall, do Pink Floyd, aliás o canto de cisne deste conjunto de rock nascido na Londres psicodélica e que viveu seu auge com Dark Side of the Moon(73), fazendo o chamado rock progressivo, uma fusão com a música clássica européia. The Wall é uma ópera-rock bombástica composta em 1979 quase que só por Roger Waters, baixista do Floyd, que acabara tornando os outros músicos uma mera banda de acompanhamento para sua egotrip. O disco duplo-teria ficado ainda maior se não tivesse sofrido cortes de Waters-conta a história de Pink, um roqueiro enfastiado com a tríade sexo, droga e rock. Seu pai”voou através do oceano” e deixou-lhe apenas mais um tijolo no muro, uma morte entre tantas na batalha de Ânzio, na Itália.Quando cresceu criado pela mãe dominadora e autoritária, foi para a escola onde havia certos professores que “machucavam as crianças/ Despejando sua zombaria/ Sobre qualquer coisa que fizéssemos / Expondo todas as fraquezas/ Por mais cuidadosamente que tenham sido escondidas pelas crianças”. Uma vez no mundo do rock, descobriu que “é melhor você maquiar seu rosto/com seu disfarce favorito”e tornou-se um ídolo deprimido, atormentado, pois” a criança cresceu, o sonho se foi”e para se manter toma umas picadinhas de agulha que o deixam confortavelmente anestesiado, mas em condiçoes de dar prosseguimento ao show. Em carne e osso ele é um ídolo que se veste de uniformes parecidos com os dos nazifascistas e persegue as bichas, os pretos e judeus que ousem comparecer a seu show. Ele avisa que fãs devem ser colocados em seus devidos lugares e que “se fosse à minha maneira , mandaria todos serem fuzilados”. Se alguém quiser descobrir o quê há por trás daqueles olhos frios, será preciso abrir caminho, com as garras, através do disfarce.
    No cinema alguns filmes trouxeram traços distintivos dos anos 80: em Atração Fatal o predador implacável de mulhers, em Wall Street o de mercados financeiros. Kim Bassinger foi musa do eros yuppie em Nove e Meia Semanas de Amor. Sexo, Mentiras e Videoteipe definiu os dois tipos de homem do final da década:o egoísta, o yuppie; e o problemático, mas altruísta e perturbado, que só consegue sentir prazer assistindo a vídeos de mulheres falando de sexo. Rumble Fish e Vidas Sem Rumo, filmes de Coppola baseados em livros de Susan E. Hinton, mostraram a desidratação da contracultura nos anos 80, nestas histórias de adolescentes desajustados que se reúnem formando gangues ou turmas, às voltas com os valores de uma sociedade que oscila entre reprimir esta rebeldia com brutalidade ou domesticá-la, cuidando de absorvê-la na medida do possível. Este processo de absorção teve seu auge nos 80, com a subsequente diluição através da moda. Surgem, em meio à moda da caretice, os roqueiros reacionários, exemplificados muito bem pelos Guns And Roses, que cantam músicas machistas, protestando contra os “crioulos”, “bichas”e “imigrantes” que chegam aos EUA e “acham que podem fazer o que quiserem”.
    Isso talvez esteja ligado ao fato de que o padrão estabelecido pelos jovens dos anos 60 foi muito alto. As drogas, o orientalismo, a Pop Art, isto tudo representou uma mudança inédita. A única inovação que se compara é a dos punks, que tornaram moda entre os adolescentes uma parafernália nazista e sadomasoquista-só que o punk queria era chocar, e logo o look punk se tornou comum, devido à superexposição na mídia. Alguns de seus protagonistas enriqueceram e se converteram ao materialismo rutilante de Hollywood, como Johnny Rotten(Lydon) e Billy Idol. Este último tornou-se uma estrela ao vender o punk diluído para as massas americanas, posando de “Elvis punk”. Isso após participar da banda Generation X, onde fazia performances musicais, teatrais e poéticas. Idol passou a vender a inovação a preços módicos, ganhando com isso fama e fortuna. Nos anos 80 surgiram os punks de vitrine, dos quais Idol é um bom exemplo, numa repetição do que ocorreu com os hippies.
    Os anos 80 foram anfetamínicos, marcados pelo lema “viver para trabalhar”, e por um estilo de vida marcado pela ostentação, busca de prestígio e eventualmente pela cocaína. Como diz Jay McInerney em seu livro Brilho da Noite, Cidade Grande, o cérebro do yuppie é “formado por soldadinhos bolivianos cansados da marcha. Precisam ser alimentados. Precisam do pó boliviano para marchar.” E por falar em América Latina, este continente viveu na década em questão um período de aberturas democráticas, conjugado com o mergulho na crise de suas economias. Foi a chamada década perdida. Vimos o “trailer” de todas as mudanças chamadas “pós-modernas”, aqui no Brasil.
    Para os estes “anos yuppies” ou pós-modernos, posso sugerir uma epígrafe: “It is Hip to Be Square”, da banda Huey Lewis and the News, que colocou uma canção com este nome nas paradas de sucesso, junto com outras de suas músicas, como “The Power of Love”, do filme De Volta Para o Futuro; ou seja, é legal ser careta nos 80.
    11/10/2007

  18. Sandra disse:

    Lúcio, ARRASOU!!!!!!!!!!!

  19. Josie disse:

    Uis me banho na sabedoria desses comments,ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii xD
    E sobre minha nudez e minha vulgaridade me reservo ao direito de assumir minha nudez moral,essa é a que mais fere o ego das massas e deveria ser a mais valorizada xD…Já que a nudez das roupas não exibe mais do que pelancas e imperfeições à toda prova…xD

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