Teatro Cultura Artística em Sampa: tudo acabado: minhas imensas solidariedades!
THE DAY AFTER: NÓS SOMOS OS RESPONSÁVEIS!!!!!!!
CONHECENDO O INTERIOR DOS TEATROS NO BRASIL COMO EU CONHEÇO, ESSA TRAGÉDIA ESTAVA ESPERANDO PARA ACONTECER. OS RESPONSÁVEIS SOMOS NÓS MESMOS!!!!!
1- URDIMENTOS: FIOS DESENCAPADOS, REFLETORES AGRUPADOS EM DUPLAS NUM CONGESTIONAMENTO “SPAGETTOLÂNDIA” QUE SERIA PROIBIDO EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO.
2- OS RACKS DE LUZ ESQUENTAM COM MUITA FACILIDADE: NÓS, OS RATOS DE TEATRO, NÃO FALAMOS NADA, NÃO FAZEMOS NADA.
3- CONDIÇÕES NO RIO DE JANEIRO, ENTÃO! SE COMEÇASSEM A INVESTIGAR… ACABARIAM COM TODOS OS TEATROS! SALVARIA-SE UM OU OUTRO TEATRO, MAS O RESTO SERIA INTERDITADO. O PÚBLICO NÃO SABE DA METADE: SÃO AS CHAMADAS “GALHARUFAS” (uma brincadeira entre nós da classe teatral) mas é a PURA VERDADE: ”ESSA NOITE SE IMPROVISA” nao é somente um texto de PIRANDELLO; é uma triste realidade TÉCNICA que pode acabar numa tragédia!
HOJE, segunda feira, É HORA DE PARAR COM O LAMENTO E DE SE PERGUNTAR O QUANTO NÓS MESMOS NÃO SOMOS RESPONSÁVEIS E “CO-CONSPIRADORES” PELO PÉSSIMO ESTADO DE NOSSOS TEATROS!!!
Apesar de termos “diretores de palco”, não existem no BR os “STAGE MANAGER” e os “PRODUCTION STAGE MANAGERS” e nem os “MASTER CARPENTERS” ou os “RIGGERS” !!!
O QUE ESSAS PESSOAS FAZEM? CUIDAM DA SEGURANçA DO PALCO DEPOIS QUE TODO MUNDO JÁ FOI EMBORA!!!!! Nesses 30 anos de teatro no Brasil estou cansado de ver Racks deixados ligados, de mesas de luz e máquinas de fumaças deixadas ligadas a noite inteira. (Instrumentos de luz APONTADOS FICAM QUENTES! APONTADOS SIGNIFICAM QUE ESTAO A 10% E NÃO A TOTAL. E ÀS VEZES UM SER HUMANO NÃO TREINADO NAO NOTA.
Material inflamável:
Em países de primeiro mundo: TUDO TEM QUE SER “SPRAYED” com material anti-chamas!!! Não é o caso no Brasil. Sim, está escrito na lei> mas ja vi serras elétricas, já vi LOUCURAS acontecendo debaixo das quarteladas do palco (nos fossos): deus me livre! agora que aconteceu é que a gente se dá conta de que SÓ NÃO CAI REFLETOR EM ATOR POR PURO MILAGRE!!!!!!!
(ESCRITO AO MEIO-DIA, horário de NY, por Gerald Thomas, 29 horas após o incêndio)
depoimento do ator MARCELO OLINTO DA CIA DOS ATORES QUE TRABALHAVA EM “O BEM AMADO”
18/08/2008 – 17:43Enviado por: Marcelo OlintoEstava trabalhando no Cultura Artística.
Como ator me sinto sem casa, literalmente, pois estava atuando em O BEM AMADO com o Marco Nanini e a minha companhia a Cia.dos Atores.
Os comentários levantados pelo Gerald procedem, porém devo dizer que tem muito profissional trabalhando duro pela manutenção e conservação dos nossos teatros e consequentemente das produções.
A situação dos teatros no Rio de Janeiro, minha cidade, não é das melhores.
Falta de equipamento, falta de equipe e falta de manutenção e conservação são apenas alguns dos muitos problemas que enfrentamos.
A situação é séria.
O teatro em geral conta com poucos apoios.
Infelizmente não contamos com um Ministério de Cultura ativo e atuante e devo dizer que o Ministro Gilberto Gil foi tarde.
Não vejo, da parte do governo, a associação entre educação e cultura – cultura e educação, mais isso é conversa para mais tarde.
A lista de teatros que estão fechados e/ou necessitam de reformas é enorme e citarei alguns: DULCINA, CACILDA BECKER, IPANEMA, COPACABANA entre outros.
A procura por espaços/teatros é grande.
A falta de espaços/teatros é enorme.
Salve Marieta Severo + Andrea Beltrão e Cláudia Lira e Leonardo Franco que levantaram teatros de altíssimo nível, oferecendo excelentes instalações para os artísticas e para o público.
Exemplos como esses deveriam se proliferar.
Infelizmente não é assim que a banda toca, infelizmente mesmo!!!
Me pergunto até quando assistiremos os nossos teatro serem destruídos para que alguma coisa aconteça, afinal é só lembrar dos incêndios que destruíram os teatro Casa Grande e o Sérgio Porto, o estado lamentável que se encontra o DULCINA e etc.
Este Tsunami nos pegou em cheio, comprovando que tudo na vida é efêmero e passageiro.
Estou, eu e meus companheiros de trabalho, tentando entender as coisas, levantar a cabeça e cantar para subir.
Tenho certeza que Marco Nanini e Fernando Libonati, da PEQUENA CENTRAL, vão se levantar e continuarão a produzir coisas maravilhosas.
É isso.
Marcelo Olinto
Cia.dos Atores
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(Escrito ONTEM, no calor (sem trocadilhos) da noite:
A TODOS!
Caramba, juro que não sei o que dizer! É o que nós mais tememos: O fogo. É pior que tudo! Quando temos pesadelos, é sobre isso que estamos sonhando: “O teatro esta em chamas.” Para quem faz teatro nao há nada pior!
Fico chocado que um teatro ainda pegue fogo hoje em dia! Mas fico muitíssimo triste! Penso no Nanini, no Nando e na Cia. dos Atores que estavam lá, lotando com “O Bem Amado”.
Estou simplesmente CHOCADO!
CHOCADO e sem palavras!
“
- Gerald Thomas: fico chocado que um teatro ainda pegue fogo
O incêndio mobilizou os bombeiros às 5h deste domingo e 18 viaturas foram enviadas ao local para combater o fogo. Segundo homens da corporação, o piso onde as salas de espetáculos estão localizadas ficou destruído.”
LOVE
Gerald
PS – favor ler o comentario do leitor Heitor Bonfim na tripa abaixo.
escreve Alberto Guzik em seu Blog
“incêndio: o teatro cultura artística pegou fogo. salvou-se o painel de pastilhas de di cavalcanti na fachada. mas a sala esther mesquita foi destruída. e uma grande parte dos equipamentos internos também. penso em meus colegas que iriam atuar lá esta noite. penso nos concertos que iriam realizar-se lá nos próximos dias e semanas. e penso que a destruição do teatro dói em mim como se fosse a de alguém próximo que eu amo. um teatro não é apenas um prédio. e sua destruição não é apenas um incêndio. tem sempre uma carga de metáfora imensa. além das memórias que acorrem. a quantidade de coisas que eu vi e vivi nesses anos todos no cultura… espero que como a fênix ele possa renascer das cinzas. mas imagino como isso será difícil. a cultura em são paulo perde um “local de culto”, e tem de vestir luto.”
da Folha (Ilustrada)
“Estado de choque”
O incêndio no Cultura Artística destruiu a sala Esther Mesquita, onde o ator Marco Nanini estava em cartaz desde o dia 19 de abril com a peça “O Bem Amado”, de Dias Gomes. Nanini havia terminado a primeira temporada há duas semanas e iria fazer mais seis semanas extras de espetáculo. “Ainda estou um pouco em estado de choque. Apresentei-me muitas vezes lá, só com “Irma Vap” foram cinco anos. Mas a perda do teatro é a pior coisa, é irreparável, pois era tradicional, uma sala boa e grande”, declarou Nanini. Diretor-presidente da Sociedade Cultura Artística, que gerencia o teatro, o empresário e bibliófilo José Mindlin disse que o incêndio foi “um desastre que aconteceu inesperadamente”. “Um teatro como este desaparecer é uma grande frustração porque havia sido uma conquista, e a perda da instituição é uma tristeza para todos, não é tão fácil reparar. O teatro enfrentou muitos problemas, mas a gente vai em frente, não pode desanimar”, afirmou. Diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, o maestro Roberto Minczuk foi vencedor, em 1985, como trompista, do Prêmio Eldorado de Música, do Teatro Cultura Artística. “A fachada está intacta, mas o interior parece ter sido completamente destruído. Fico triste, porque esse teatro é um dos mais importantes do Brasil, e um marco da vida musical de São Paulo”, disse.
Solidariedade
Diretor-Secretário da Sociedade Cultura Artística, e dono da rede de livrarias Cultura, Pedro Herz chegou ao teatro às 7h30 e em seguida foi ao hotel Maksoud Plaza, na região da avenida Paulista, onde a Sociedade criou um quartel-general para gerenciar a crise. “Dá vontade de chorar. Estamos todos abalados emocionalmente, tendo que enfrentar a situação e que resolver problemas enormes”, disse Herz. “Estou comovido com a solidariedade das pessoas, vinda através de telefonemas. O que mais peço é a compreensão dos assinantes e colaboradores.”
(EDUARDO SIMÕES e KLEBER TOMAZ)
TLD: pelo visto nem com os bombeiros nem com os políticos nem com os fiscais… Deve ter sido torturante ficar vendo o fogo lamber tudo enquanto os bombeiros não vinham… Eu já presenciei um incêndio de um prédio inteiro, em frente a minha antiga casa; fui a primeira a ligar – tava chegando em casa- , fiquei lá com eles um tempão esperando, muita gente ligou outras vezes além de mim; É frustrante ver um incêndio, e o olhar das pessoas que não acreditam que estão perdendo tudo, vira uma algazarra de gritos eufóricos e perturbadores; muitas crianças, senhores, gente saindo de qualquer jeito às 3 da manhã. Foi bonito ver alguns vizinhos do meu prédio descendo, a gente organizando roupas, chinelos etc. Mas isso é muito pouco. Aquele prédio era um dos mais simples da rua, e tinha gente na rua que não gostava do astral das pessoas… E o prédio foi lambido quase que totalmente, agora só está la a fachada antiga, linda…. os bombeiros chegaram quando não tinha mais quase nada, pedaços de janela caindo, aqueles estalidos, aquelas quedas, o cheiro, o calor, tudo é muito rápido e forte. E infelizmente estonteante de se ver. E a vergonha de entrar em casa depois de tudo? Ter pra onde ir, ter uma cama pra deitar etc. Não esqueço disso, das pessoas.
Lúcio Jr.: obrigada, vc é um amor!
Agora falta o artigo sobre a recepção…
Se for abuso colocar aqui, pode enviar pro meu email.
Gostei do seu texto, a antropofagia, pra mim, sempre foi uma seleção crítica; um novo uso tb; nos deram o que comer, comemos, depois de um tempo a gente degusta, umas coisas a gente volta a comer, ama, outras a gente cospe, ou reverte, ou vomita, ou brinca, mistura receitas; e o interessante é que a gente pode até pensar num termo outro no lugar de “devorar”, né? mesmo que ele esteja ligado à fagia… Fiquei pensando nisso, mas isso é outra coisa. E esta idéia do humano, fico pensando nesta história de ser humano, o que nos liga e assemelha? ( saindo desta concepção humana vinculada a um ideal tb…) Nossa, como eu penso nisso.
Mas confesso que tenho que dar uma nova olhada em Machado pra ver melhor o seu texto, claro que meio que percebo o que vc quer dizer, mas teria que imbricar nisso. Sim, gosto muito do ponto do vista sobre “os selvagens” que o Montaigne colocou. Mas o seu final, eu não sei dizer, vou ler de novo.
bjim
Entulho na Garganta, eu vejo, como a fome impiedosa, mas a falta de vontade de comer, o semblante que não relaxa, a voz tênue, fraca, formal e obediente, a parede do quarto tão próxima e tão distante, os olhos que custam a piscar, a lágrima que teima em não cair, o inexplicável ponto neutro, a inércia e o inerte tão medonhamente próximos de ti.
É uma pena, a questão das casas de espetáculos no Brasil, salvo algumas exceções – ha algo pior que são os estádios de futebol que não deixam de ser casas de espetáculos é a paixão da maioria dos brasileiros e ainda não aconteceu uma tragédia de grandes porporções por pura sorte – eu parei de frequentar estádios por medo, pois o balanço de alguns grandes estádios estão acima do limite técnico de engenharia (se estiver errado que o Tene Cheba me corrija por favor).
Oi, GT e pessoal. Eu é que agradeço pelo espaço. Vou procurar o outro artigo e vou publicar atendendo ao seu pedido (afinal, não quero encher de textos meus, o palco é do Gerald e do Vamp).
Abraços do Lúcio Jr.
Gerald, isso de ficar pensando no WTC nao vai trazer as torres de volta. O fato que elas nao existem mais eh um fato irreverssivel.
Eu estive no observatorio no topo varias vezes e cheguei a ir no restaurante Windows of the World que ficava na outra torre. Entao eu tambem tinha uma relacao afetiva com elas, as vezes passeava naquele mallzinho que ficava no subsolo. Fiquei muito chocado quando estava na California e vi pela televisao tudo ao vivo. Mas a vida continua, sinto por quem morreu la, sinto mesmo.
Mas infelizmente as consequencias as reacao americana a esse ato de odio foram desproporcionais, coisa que da muito pano pra manga. Take it easy…
Desculpe, Gerald, Bin no more.
Vamos lá artistas brasileiros, essa categoria empreendedora, reclamem e peçam dinheiro ao governo…
Lúcio Jr. : oba! e li o que escrevi pra vc, parece que não gostei mas eu gostei muito, gostei da maneira como vc escreve tb. É qeu eu li outras coisas, muitos comentários, e tudo foi misturando dentro de mim, e eu sou uma pessoa desviante por excelência, uma coisa vai ligando na outra, é uma loucura, se deixar tudo vai me atravessando de uma vez! ufa
Gerald: fiquei com ciúmes: vc pode autografar tb o meu/seu livro que já tá todo rabiscado em algum dia nessa vida?
Semiótica! aha hahaha
OLha, depois de ler que aquelas aves comiam o fígado de Prometeu, e no outro dia lá tava o fígado de novo, eu acho que existem artistas que captam no ar muito coisa, ou sei lá o que é isso! Mas vc é um deles.
Caramba, quantos muitos anos se passaram pra se saber que o fígado se regenerava? Ou já naquela época… bom deste assunto não entendo nada, só olho da beirada da cadeira!
E que este teatro ressurja das cinzas, como disse o Guzik!
Carlos ex- : bom te ver, mas vc falou grego pra mim quando citou uns nomes, uns dois se salvaram numa bóia furada, neste meu naufrágio de ignorâncias, e mesmo assim…
Paulo: depois de 9/11 eu trabalhei no Buraco por21 dias
no, it ain’t easy to take it easy, not yet…..
LOVE
G
Eu vou me abster de comentar a afirmação sobre o MST e Bin Laden…que bom né?
Valéria: te agradeço, bom te ler.
Que nomes você se refere? Eram os pintores?
Ahhh…Prometheus…ele é o culpado de tudo!!! Pois é, ele ficou ao lado dos coitados, inferiores e inúteis Homens quando Zeus quis liquidar nossa raça de vez. Foi punido, mas foi salvo depois…E aí a punição foi diferente: Zeus resolveu punir os Homens diretamente. E mandou ninguém menos do que a primeira MULHER, Pandora, pra iniciar a confusão! ahahah…muito bom. Essas histórias da mitologia são fantásticas. Roubei um livro ótimo a respeito e coincidentemente o leio esses dias. Não resisti comentar ao ver o que você escreveu…Mas não sei mais nada a respeito.
Boa noite. A minha carroça tem que ir…
(naousoemaio@hotmail.com)
Triste. Conheci pouco o Cultura, a tragédia Se encantou e perdeu o fator artificial.
Aqui no Brasil, até o segundo avião bater nas torres do WTC ninguém fazia idéia de que era um ataque terrorista. Eu via tudo pela MTV e não estava entendendo nada. Todos aqui acreditavam em um acidente. Não me lembro se foi no mesmo dia, mas um motor de jato caiu num bairro e incendiou várias casas, mas não tinha nada haver com o WTC.
Voltando ao Teatro Cultura Artística, de SP, os bombeiros demoraram uma hora e vinte minutos para começar a combater o incêndio, segundo TLD, acima. É muito tempo, pois às 4 da madrugada não tem tráfego. Das 4:15 as 5:40 é muito tempo. É muito estranho. Lendo todos os posts, aqui, vemos que há muitos teatros incendiados ou em via de desabar. Um contraste com as Olimpíadas, nem faço idéia dos bilhões de dólares envolvidos.
Há bastante material de leitura no site: http://www.geraldthomas.com
Vou me debruçar nele, boa madrugada.
Pessoal, dêem uma olhada pra cima. Tem texto novo. Adivinhem de quem!
Gerald, o termo é “GAMBIARRA”, “galharufa” é outra coisa.
Um abraço
Às vezes eu me pergunto: O que é cultura? Cultura é aquilo que falamos e ninguém entende, ler livros da moda, falar palavras que nem o Aurélio sabe explicar, achar que tudo é xenofobia.
Houve um tempo que cultura, era falar francês, ler Balzac, obras do Renascimento, comer comida francesa, ouvir musica clássica, conhecer o teatro grego, assistir operas, tocar piano. O tempo foi passando e a cultura foi mudando. Era chique assistir peças teatrais que só falavam palavrões, contavam piadas de baixo calão. Hoje cultura é fumar maconha, cheirar drogas, dançar e contar funk, grafitar muros (coisa horrível). Ta hora desse pessoal tomar cicuta.
Nao Targino: Cultura nada tem a ver com drogas. Ou melhor, existe a cultura das drogas, mas isso eh outra coisa: existe a cultura do alcoolismo, do automobolismo, da cavalaria, do equilibrismo.
Aquilo que vc achava que era cultura continua sendo cultura: ou voce acha que se monta JULIO CEZAR de Shakespeare com um kilo de maconha? De onde vem isso?
De onde surgem essas frases? A poesia de Yeates, a poesia de Pessoa ou de Erza Pound ou dos Irmaos Campos ainda vendem muito, digo MUITO! E de onde o senhos acha que isso eh cultura de maconha ou de cheirar alguma coisa?
Ou Caetano e CHICO? Desde quando se equaciona esses dois com drogas? Agora, para o seu desgosto total, Manoel Bandeira e Cole Porter esses dois eram Viciados em Cocaina. e ai??? o que dizes?
LOVE
G
Paulo: eu PRATICO teatro ha 30 anos. Se uso galharufa eh porque eh galharufa, aquilo que a gente manda calouro de teatro BUSCAR nos outros teatros. Conheco meus TERMOS teatrais,
Gambiarra eh um termo generico e nao se aplica unicamente a teatro
Cada um no seu galho!
G
triste.. muito triste.
alguma coisa tem que mudar.
Um pouco tarde Caca
depois de muitos Keploes implorando, essa tua frase (um pouco forcada e isolada) eh acolhida com carinho, solidao e incompreensao do que se passa la no nosso espaco.
Nao da assim
Nao da pra passar feio na frente de quem nos cede tao generosamente o espaco e nos financia o projeto.
Por que o silencio dos outros? Faz sentido? Existe alguma validade naquilo ou simplesmente rebeldia imbecil daquelas :suicoidas mesmo?
Que pena
vieram me avisar
e eu passei pra frente
quando eu chegar ai, provavelmente sera pra me despedir
G
17 de agosto. São Paulo. E um incêndio de grandes proporções destrói uma das mais tradicionais salas de espetáculos da cidade. O teatro Cultura Artística, emoldurado por belíssimo painel de Di Cavalcanti em sua fachada, arde sem possibilidade de controle, e se vê irmão, na história, de outro dos mais importantes espaços igualmente consumido pelo fogo, o TUCA. Não vivi aquela época. Mas estou vivo agora. E assisto e leio o lamento e revolta genuína por parte dos artistas.
Que nossas salas estão sucateadas, sabemos desde sempre. E aceito a frase que abre o texto de Gerald Thomas em seu blog: “nós somos os responsáveis”.
No entanto, o que adiantará lamentos, revoltas e textos como este? Absolutamente nada. É preciso ir mais radicalmente no âmago da questão e ter coragem de assumir posturas desagradáveis e responsáveis.
Culpamos facilmente os administradores, particulares ou públicos, por permitirem tamanho abandono das salas. Equipamentos sucateados, gambiarras elétricas e gatos por todos os cantos, materiais baratos sem acabamento antichamas. Não sou o artista mais experiente por aí, mas nesses poucos anos, já tampei mesa de luz com minha cabeça para que a goteira não caísse sobre ela, vi refletores despencarem, cabos cederem, e muitos foram os choques em tomadas improvisadas.
Exigir dos gestores melhor tratamento e acompanhamento das necessidades estruturais é o mínimo que cabe aos artistas. Mas apenas isso não resolve nada, pois continuamos ocupando, alugando, aproveitando, apresentando-nos nesses espaços mesmo sabendo de suas impossibilidades em oferecer qualquer segurança mínima aos que dentro do palco trabalham e aos que fora assistem.
Um desastre como o do Cultura Artística serve para nos trazer maior prontidão. A mídia se encarrega de tornar o incêndio uma tragédia. Cabe aos artistas se (re) posicionarem, puxar para si a responsabilidade para que as salas sejam devidamente equipadas e preparadas.
Não está perfeita? Simples, não alugamos, não nos apresentamos, não nos tornamos cúmplices. E talvez seja esse o maior desconforto que acompanha tanta tristeza, a certeza de que nosso silêncio, nossa passividade nos revela cúmplice.
Gerald está certo, somos os responsáveis. Mas quem está disposto a enfrentar verdadeiramente a situação? Desagradar amigos? Encarar parceiros? Conflitar valores?
Faço minha parte recusando. Sempre foi assim. Desde 2000 quando fotografei o porão do Centro Cultural São Paulo e precisei de mais de cem imagens para registrar os problemas. Minha vida custa tanto quanto a dos meus atores e meu público. Sou responsável por eles, sim. Perco espaço por isso e conto com muitos desagravos pelo mundo afora.
Sinceramente? Prefiro ter outros motivos para não dormir.