New York – Pequeno Diário de Bordo 1
New York – (Com um PS. no final: Maureen Dowd, do NYTimes de domingo, com uma pérola!)
O Artista é Sempre Um Estrangeiro ou A Bandeira de Lugar Nenhum
Andando pela cidade ainda atordoado, como sempre, resolvi dar uma volta em torno do reservatório d’água, no Central Park. É oval, circular. Hoje ainda estava cheio de poças d’água. Os joggers, aqueles corredores doentios conectados ao iPod, correndo atrás de suas vidas, ou mais para perto da morte, berravam “room please” e todos nós, os mortais, abríamos caminho. Eles passam correndo, trotando e eu andava rápido, muito rápido, pensando na vida: “nunca irei me acostumar com o skyline dessa cidade. Mesmo vivendo aqui, no Rio e Londres e Alemanha, desde sempre, nunca irei me acostumar a lugar nenhum.”
Kafka, certamente um dos maiores autores da humanidade, mas que ultimamente circulou pelos blogs por motivos imbecis, é autor de uma frase que adoro: “Quando vou dormir à noite, me certifico de que tudo está em seu devido lugar. Quando acordo, acho estranhíssimo que tudo esteja no mesmo lugar em que deixei ao ir dormir”.
A turistada tá foda, aqui! Em Londres, semana passada, a turistada também tava foda. Sempre foi assim? Não, acho que não. O dólar está baixíssimo e isto torna Nova York mais acessível para todos: uma brasileira (sem a menor idéia do que estava dizendo) exclama: “Isso aqui é a minha cara!”
Quer dizer que ela é a cara do Chrysler Building, construído no auge do período “dark” da arquitetura “art deco”? Quer dizer que ela sabe exatamente quem era Frank Lloyd Wright e sabe o que ele fez com o concreto protendido, quando experimentou com o seu “Guggenheim” em espiral? Quer dizer que ela sabe o que a Lower East Side (Essex Street com Delancey, por exemplo) significa no calendário de um lituano imigrante? E ela sabe o que aconteceu com a “sua cara” (com sotaque de Vila Nova Conceição) em Saint Mark’s Place na década de 60 e 70? Não. Ela não sabe. Mas, mesmo assim, NY é a “sua cara”! E o pior é que é mesmo! Trump é democrático! Barbara Walters, que caminha anônima aqui ao lado, também é. (Acaba de pisar numa poça). Mas turista quer ver arquitetura, prédio, art deco? Claro que não! Turista vem aqui pra… fazer COMPRAS!!!!! E fazer BARULHO! E subir no Empire State Building para tirar fotos. E compram ingressos pra shows da Broadway sem nem saber que as origens dessa tradição foram contrafóbicas reações ao musiktheater, uma reação ao teatro musical europeu. Trocando em miúdos, o musical da Broadway vem a ser uma versão “action movie”, uma versão light da ÓPERA européia. Pasmem! Mas… a Macy’s está lotada! E a Bloomingdales também!
A Valéria me mandou um trecho que faz parte de um texto que escrevi pra Folha e esta publicado no livro o “Encenador de Si Mesmo” (Editora Perspectiva,1996) – Haroldo de Campos fez a curadoria a respeito de minha obra. Esse trechinho era a respeito do artista plástico Jasper Johns, um dos maiores, da turma do Raushenberg (morto faz pouco tempo), ambos descobertos pelo Leo Castelli, aquele que montou sua galeria na West Broadway, aquela via que divide o SoHo entre vivos e quase mortos!
Mas nesse sábado ensolarado aqui em NY eu endosso isso que escrevi há mais de 14 anos. Eu sou ele, o Johns. Ele vira eu. Somos todos feitos da mesma coisa: New York é uma mistura linda!
Essa mistura incoerente é, em si, uma celebração. Celebrações podem constatar momentos tristes. Como festas. Festas podem ser coisas tristes, como os lamentos do samba, os lamentos do jazz. Os lamentos do Blues. Só não ouve quem não quer.
Eis o texto: “O artista é sempre um estrangeiro”. Isso está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”
“O “elemento terra”, no artista, flutua sobre camadas espessas de influências, maleáveis e pessoais, a ponto de sofrer do mal itinerante (necessário) que os povos nômades sofreram no desesperador esforço de acumularem sofisticação durante seu percurso”.
“Criar inimigos sempre foi e sempre será a tática de todos aqueles que não conseguem mais se olhar no espelho ou tolerar a entrada de imagens estranhas àquelas que se admiram. E a cara do inimigo geralmente compreende todos os traços que a sua não tem. Tudo aquilo que a moldura do espelho contém pode ser chamado de “estrangeiro”. Alguns se penteiam perante o estrangeiro e se embelezam para ele. Outros jogam pedras no estrangeiro e o estilhaçam, confirmando mais uma superstição.”
“Toda arte produzida em grandes centros é descaracterizada de nacionalidade. Ela é urbana simplesmente. Essa urbanidade compreende a falta de identidade, a confusão étnica e mística que as vias de concreto propõem…”
“A produção artística dos centros urbanos é a natureza mais que morta, decrépita, mas, paradoxalmente, essa decrepitude contém todos os aspectos do homem moderno, suas várias nacionalidades – tudo justaposto, aglomerado, anárquico e fora de ordem, neste disfarce democrático fica difícil distinguir até o sexo da obra, quanto mais a sua origem étnica”.
“O artista é sempre um estrangeiro”. Isto está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”.
New York de então
New York de agora
O estado de espírito de sempre.
Gerald Thomas (alheio aos sons de Phelps e Spitz e ovações em Beijing, sorry: Pequim, Atchim!
(Vamp, ainda na edição)
PS 1- Maureen Dowd – Considerada a mais (ouch) “polêmica” colunista do New York Times escreve sobre… bem, leiam trechos, chama-se “A RÚSSIA não é a JAMAICA!”.
“A América está de volta à Guerra Fria e “W” (George Bush) entrou em férias novamente (…) Depois de oito anos ele continua ignorando a realidade; deixando de prever ou se previnir ou mesmo se preparar contra “disasters”: interpetando mal ou não interpretando os “reports” das agências de inteligência (…)
Ele passou 469 dias de sua presidência no rancho, dando coices, 450 dias em Camp David “dando pinta” (…) Isso tudo está acontecendo enquanto a Rússia avança para dentro da Geórgia (…)”
Trechos da BRILHANTE colunista que pega no pé de todo mundo, geralmente não sobre alguém específico: não adianta dizer que ela é isso ou aquilo: ela é simplesmete MateMática, como 1+1 são 2: Maureeen Dowd.
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: Alemanha, artista, Barbara Walters, Bloomingdales, Brodway, Central Pak, Chrysler Builing, dólar baixo, Empire State, Encenador de Si Mesmo, estrangeiro, Frank Lloyd Wright, Gerald Thomas, Guggenheim, Haroldo de Campos, imigrantes, IPod, Jasper Johns, joggers, Kafka, Leo Castelli, Londres, musiktheater, New York, Ópera, ópera européia, Pequim, Phelbs, Spitz, Trunp, turistas, West Brodway
Está uma luta achar seu livro, Gerald.
Sandra: eu te dou o livro pessoalmente em Sampa da proxima vez. A Livraria Cultura deveria ter mas o Herz eh um truque! Finge ser amigo mas eh da onca (com cedilha)
LOVE
G
Tene: Eu nao sei quem e onde vc recebe tuas informacoes mas eu estou comecando a ficar triste: mais do que ja estava
LOVE
G
mas tudo bem: aqui fala-se o que quiser!
Não Gerald Thomas, não estou inventando, de fato eu li, que o primeiro duelo na televisão, entre o Obama versus MacCain, este se saiu melhor do que àquele. Putz, não queria te aporrinhar em um momento tão triste para a sua Classe.
Sim no Brasil em São Paulo, mas como fala a minha mãe eu não fui fabricada em São Paulo, ainda fui fabricada em Damasco, eu tinha um irmão mais velho que sim ele nasceu lá, e ainda tenho 2 irmãos mais novos esses sim foram fabricados no Brasil, e eu fui morar lá para o programa Angel pois na minha cabeça os meus pais foram covardes, e hoje eu sei que eles foram muito corajosos, mas quando fui morar em Rosario foi para estudar, fazer um curso de Marketing para países em crise, e também acho que foi para fugir de casa pois morar em alojamento com quase 40 pessoas e 5 banheiros, mas Gerald vc sabe quem e filho de Israelense Arabe Sirio, ele e criado como se fosse voltar para lá, com suas tradições, mas eu me considero meia a meia, beijos a todos
Tene: nao se preocupe: Obama vai bem. McCain tem um unico drill: eh um POW e usa isso, martela isso sem parar: como eu fui torturado no Vietman. Mas olha, os dois sao AMERICANOS, assim como eu. No fundo, como diz meu parceiro Johh Hemingway, os dois serao encarregados de levar pra frente essa enorme CORPORACAO chamada America inc,
nao aguento mais falar sobre isso: ja discuto isso o dia inteiro aqui e debato dentro do partido dem. Sim, esse eh um dia tristissmo. Mas teatros e paises em chamas se reerguem No 60 minutes de hoje uma materia CHOCANTE (mais uma) sobre DARFUR!
Franciny: lindo isso de ser “fabricada em Damascus”, Tenho amigos na Syria e em Beirut e “achatar” a cara do inimigo eh uma das piores taticas dessa administracao. Tudo aquilo que fica pra la da grecia eh inimiga, a nao ser os sionistas e isso eh simplesmente um golpe e precisa ser DEBATIDO de forma calma e inteligente
LOVE
G
Não tem na Livraria Cultura!!!! Foi o primeiro lugar onde procurei!!!!
Franciny, também adorei o “fabricada em Damasco”!!
Só para informar às pessoas que procuraram e não encontraram.O livro está no nome dos organizadores.
No site da Livraria Cultura,onde geralmente compro todo mês meu suprimento de livros.
ENCENADOR DE SI MESMO, UM (em Portugues) (1996)
FERNANDES, SILVIA / GUINSBURG, JACO
PERSPECTIVA
ARTES-TEATRO
Preço = R$ 40,00
Marden, obrigado pela info.
Espero que a Sandra leia o comentario
Ainda te devo o email.
LOVE
G
Eu tinha achado, Gerald, mas não sabia que era o seu! Obrigada, Marden!
Depois você autografa para mim, Gerald?
Olá, sou Daniel, não o conheço muito bem, mas já ouvir falar muito! No entandoa a minha curiosidade e seria um ´prazer em conhecer você?! Saiba que dejeso tudo de bom para você e muita luz em seu caminho de seu novo e adimirador Daniel!.
lú mmmmmmmmmmmmmmuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiitttttttttttttttttttttttttooooooooooo llllleeeeeeeeeggggaaaaallllll