iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
24/07/2008 - 11:50

Sociedade dopada por Psicotropicos! Pequenas sociedades Secretas. Todo mundo dopado, dopa-minado!

Pequenas Sociedades Secretas

Me sinto estranho às vezes, ansioso, não sei o que fazer, quero espancar as paredes” – me diz um dos meus vizinhos, ex-editor da revista PRINT, Marty Fox. Com seus 76 anos bem vividos, esse editor e também autor de teatro, é um ser extremamente ansioso.

Marty, por que você não tenta tomar Rivotril ou um outro ‘benzo’ qualquer?” Ele não quer. Não quer saber de Valium ou Frontal, Lexotan ou esses que baixam a bola.

Mas Marty parece ser um caso único.

A sociedade moderna está dopada. Ou dopa-minada. Ou minada por total! Pior que isso: está psicotropicamente congestionada. Quem dera a palavra psico-trópico tivesse sua base aqui nos lindos balneáreos caribenhos ou brasileiros, movimentos tropicalistas, mas não: mais tem a ver com o famoso livro “Tristes Trópicos” de Claude Levi-Strauss, o mais famoso antropólogo do século XX.

Falo de experiência própria: faz uns dois meses encarei uma psiquiatra em Nova York. Tudo bem. Depois de uma hora e meia de “entrevista” ela anotava algumas coisas que eu não considerava de nenhuma relevância:

1- Você tem pânico quando esta no meio de pessoas?

2- Você tem pânico quando está abrindo a porta ao sair de casa?

A vontade era a de bocejar. Tendo passado por verdadeiros mestres Freudianos e Lacanianos e tomando um poderoso Topamax + Rivotril, desde que ví, da minha janela em Brooklyn, a queda do World Trade Center naquele dia trágico (e ainda tendo que trabalhar como ‘voluntário’ no buraco- ground zero – por 21 dias) eu estava um caco, um estilhaço. Quatro dias depois de 11 de setembro eu era o próprio personagem rasgado de Beckett, com suas roupas empoeiradas…..mente em frangalhos!

Bem, voltando a tal entrevista com a tal psiquiatra: saí de lá com uma prescription (receita) de Lexapro. Primeiro eu deveria tomar 5 mg ao dia e subir para 10 mg no décimo dia.

Eu ainda me lembro de ter perguntado sobre efeitos colaterais: “Não, não terás nada. Imagine. Se, por acaso , no início, tiver algum pânico, alguma tremedeira, como muita ansiedade, quebre uma pílula de Rivotril ao meio e tome”, ela me disse.

Estranho porque, entrando no site do Lexapro, dizia-se que o medicamento era usado justamente para combater o pânico e ansiedade!!!

Tomei por 21 dias e chutei o pau da barraca! Não agüentei. Claro que por alguns dias, o mundo ficou LINDO, deu aquela fome de comer ‘fondue’ e traçar todos os queijos suíços, mas e a libido????

Assim como já havia acontecido com o Prozac, a libido foi dar uma caminhada na Sibéria. Ao contrário do Zoloft (que também experimentei por um tempo, mas abandonei porque é como uma sinfonia de Brahms: não se chega ao orgasmo NUNCA!!!!!) o Lexapro é, sim senhor, um tremendo broxante!

Curioso: faz um tempinho, um amigo muitíssimo querido, também analista, me deu um Viagra pra experimentar. Um dia experiementei. Confesso que minha visão ficou tão blurred (embassada) , tão completamente turva, que PERDI a mulher que estava na minha frente. Me deu até um pouco de náusea e… tudo foi pra baixo!

Voltando pros psicos, ou psycos (como a gente chama os loucos nos EUA), a sociedade parece mesmo não se agüentar! Só mesmo se juntando a essas pequenas sociedades secretas é que se descobre que todos os amigos também estão tomando.

Lexapro? Porra, tô com ele e não abro, já faz dois anos” Não foram duas ou três pessoas, foram mais de dez. E quem não falou do Lexapro, falou do Effexor, do Praxil, do Wellbutrin ou sei lá do quê; ESTÁ TODO MUNDO DOPADO, ou melhor, todo mundo “seratoninando” com esses SSRI!!!

Que locura! É mais ou menos como entrar em qualquer outra sociedade secreta! Terreiro de umbanda, por exemplo: caminhos sigilosos pra chegar não sei até onde…e, de repente, chegando lá: generais quatro estrelas, policias, artistas, arquitetos renomados, sorveteiros, políticos, etc. Parece o próprio “O Balcão” de Jean Genet!!!

Isso tudo me remete a uma única coisa!!! Ao meu mestre Samuel Beckett, cada dia mais montado e cada dia mais trivializado! Abro as páginas dos jornais do mundo e, dá-lhe Beckett. Desde os “Dias Felizes”, com a Fiona Shaw, até o Micha Barishnickov, fazendo os Beckett Shorts (Eh Joe) ou Peter Brook, passeando pelo Brasil e pelo mundo com seu pocket Beckett e Ralph Fiennes e Liam Neeson interpetando, entre outras coisas “First Love” (Primeiro Amor), no Lincoln Center Festival.

Gerald Thomas e Samuel Beckett

Foto: Gerald Thomas e Samuel Beckett em Paris, 1984

Ah, que saudades do Lincoln Center Festival! Eu e as Fernandas (Monetenegro e Torres) fazendo o nosso Flash and Crash Days. Eu nem sabia que, aqueles sim, eram dias…felizes. Explico: a enorme empatia entre os textos CINZAS de Beckett com os dias de hoje não são à toa! Uma maneira de sair desse tom cinza é tomando antidepressivo. O outro, é formar , ou fazer parte, como fiz por anos a fio, anos e anos, dessa sociedade (agora nada secreta) de aficcionados por textos de Samuel Beckett, que celebram o eterno lamento do berço até o túmulo (the same old moans and groans from the cradle to the grave).

Encarar a realidade custa caro: com psicotrópicos, mais caro ainda. Talvez, colocar um manto cinza e recitar no palco, dia após dia, “Imaginação Morta, Imagine”, ainda seja a farsa mais holística de encarar a vida de frente, já que sabemos como somos e quão frágeis somos perante a imensidão do desconhecido de nossas próprias mentes.

Gerald Thomas

(na edicao, obrigado: Vampiro de Curitiba)

Autor: gthomas - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,

164 comentários para “Sociedade dopada por Psicotropicos! Pequenas sociedades Secretas. Todo mundo dopado, dopa-minado!”

  1. Sílvio Alves disse:

    Gerald Thomas, Sandra, Valéria,

    Estou participando pela primeira vez do blog. Talvez, se fosse colocado algum filtro, algum controle, eu não teria tido essa oportunidade de interagir com essas pessoas.

    Achei o assunto levantado pelo Gerald Thomas muito interessante, aliás sempre pertinente e atual, pois se trata de um problema que envolve a natureza humana. Além disso, curti muitos comentários: a poesia do Fábio Zuccolotto, alguns da própria Sandra, da Ana, entre vários outros. A cláudia gostou do meu comentário e talvez outros mais tenham se identificado.

    Além dessa minha impressão positiva dos “colegas virtuais”, penso que a dirvergência e a controvérsia podem ajudar a enriquecer o debate. Aliás, esses estados emocionais que foram colocados em pauta: a depressão, a tristeza, a dor, não são conflitos que podem ajudar no nosso autoconhecimento?

    E viva a divergência e o diferente!

  2. eu disse:

    Voce censura minhas mensagens? Tem medo de quem nao te venera? de que nao te puxa o saco? Medo da crítica? Medo de quem nao tem nada a perder(o que nao eh os eu caso). Medo de quem nao patrocina nem eh patrocinado? Cara,voce fez muitos acordos. Voce se vendeu muito.Mostrou demais o seu traseiro. E agora voce quer apoiar o Barak Obama? Comos e voce fosse bløack american e pah? Acorda. Voce fez fama no Brasil.Tudo bem que voce se inscrevia em todas as brechas que existiam para diretores gringos na Europa. Mas voce era brasileiro,dependendo de verba brasileira. Embora rolassem uns festivais e tal. Outra coisa: sem a Daniela Thomas voce decaiu e decaiu. Acho que seu melhor tempo foi mesmo Frash and Crash com as fernandas. Bem… resuscista-te,baby!

  3. Sandra disse:

    Sílvio, sempre temos discussões acaloradíssimas no blog do Gerald, inclusive com ele, e sempre fomos ouvidos. Mas, como disse o Mau “ATÉ PRA DISCORDAR É PRECISO CLASSE”.

  4. Sílvio Alves disse:

    Bom, não sei se é ter CLASSE ou bom gosto, mas acho que é questão de bom senso. Não se pode dar tanta atenção a alguém que não a merece.

    Algumas pessoas têm a necessidade de se afirmar pela negação vazia. Se elas acham o tema ou os comentários são ruins não precisam participar. No entanto, outras pessoas, que têm interesse somente no debate, e não em questões pejorativas, políticas, pessoais ou difusas, não podem ser penalizadas.

    É por isso que afirmo que o conflito PODE ser interessante. Além disso, comentários difusos não geram conflitos que sejam pertinentes e só fazem eco se dermos atenção.

  5. Límerson disse:

    ótimo texto, Gerald. não tenho comentários ou opiniões sobre ele, pois condiz em (in) exatidão as minhas reflexões mais atuais. só fez com que me aprofundasse mais neste assunto do entorpecimento, narcisonarcose. não há alimento.
    (comentário fora de contexto)

  6. eu disse:

    Olá líder e discípulos

    Até onde vai a democracia tao defendida neste espacinho? Quem aceita o papel de blogueiro está sujeito a tudo.Nao perdi tempo aqui.Simplesmente mostrei que se você discorda,se você tem opinião contrária,pode ser expulso,perseguido e chamado de vagabundo e ou maconheiro.Eu discordo de voce, Gerald Thomas. Acho voce um saco. E daí? Vai mandar a veraneio vascaína me prender e torturar?Infelizmente a mentalidade de muitos pseudo-gênios brasileiros ainda é ditatorial e mesquinha.Querem ouvir apenas o que lhes agrada e nao entendem que web 2.0 é isso mesmo: todo mundo entra,opina e vai embora. Se nao guenta pra que veio?
    Mas voce tem razao, caro Gerald, andar pelas ruas da Europa é melhor do que ler seu blog. Sendo que nao moro na Europa. Seu rastreador foi falho.Procure um mais eficaz. Bjssssss.

  7. Sandra disse:

    Sílvio, acho que as duas situações têm vantagens e desvantagens. Respeito qualquer decisão do Gerald.

  8. Aconselho aos senhores bloguistas, a riscarem do mapa as supostas ofensas de ordem racial ou religiosa – os blogs a meu ver são uma das maiores descobertas dos ultimos anos.O titular, se de vida pública, se expõe francamente nesses debates,que podem descarná-lo, o que até certo ponto é util ,para uma perda da personalidade.Mas existe a ética acima de tudo – nós obedecemos a uma ética internacional.Para os que não sabem, a moderna ciencia por exemplo,já espancou a questão do conceito de raça , para o desgosto de ofensores e ofendidos, pois esses ultimos, inclusive a propria Igreja Católica, faz ganha pão , por 2000 anos- o problema é exclusivamente de ordem religiosa, e ao se lançar mão de supostas ofensas baseadas em segregacionismo, o autor, está ao alcance de Leis, que vetaram esses atos, ademais, perde terreno para os titulares de blogs, geralmente pessoas bastante esclarecidas e atualizadas culturalmente, como é o caso do seu Thomas.Os argumentos devem ser objetivos e coerentes, com a realidade politico-social do mundo- o blog é fascinante , entre outras coisas por isso : é livre, democrático, mas ao mesmo tempo é privado.Só se deve entrar no blog de alguem, se subjetivamente houver uma especie de ressonancia, entre o estranho e o titular. A intromissão se torna implicita, vamos dizer, é uma intromissão consentida, mas por vezes até escrupulosa- aí está uma face extraordinária dos blogs.Recomendo aos preconceituosos incautos ,que leiam, a respeito de questões raciais, o livro “Os Khazares (origens do judaismo moderno) de Arthur Koester traduzido por Klabin, Ed. Relume.Ao se tentar ofender gratuita e indevidamente as pessoas, por problemas de raça côr ou credo, além de se colocar ao alcance dos dispositivos legais em vigor ,perde-se tempo e terreno para argumentações , pois tais argumentos são facilmentes banidos pelos titulares, que como disse acima,são bastante esclarecidos buscando normalmente , um nivel de discussão regular e coerenteDesculpem a intromissão.

  9. Luana disse:

    Sandra, sinto muito mas não vou discutir religião com vc, pois nem sabe quem sou, nem sabe o que sei sobre elas, e nem rpeciso provar nada a ng.
    Só disse que TODAS, merecem serem respeitadas. E o que posso e quero dizer é q antes de qq coisa, sou jornalista e como tal sei mto bem o que ele quiz dizer nas entrelinhas. É comum isso nesse tipo de texto.
    Concorco com vc que cada um segue o que quer, mas tentou me provocar ao questionar sobre a fragilidade de tal….rs. Misericordia senhor, eles não sabem o que falam….
    Não é a religião que salvará o mundo nem essas porcarias de remedios e sim a união de todos os povos em prol do amor pelo Divino e pela Terra. Não quero nem pretendo criar discordias, apenas pedi respeito àqueles que nem estão aqui para se defender.

    Namastê.

  10. Sandra disse:

    Luana, volto a afirmar que não vi nada de desrespeitoso no texto do Gerald. E eu não disse que umbanda é frágil, mas que, se ela não for, aceitará que alguém diga que não gosta dela, pois sobrarão milhares que gostarão. O que eu não aceito é ódio.

    Dizer coisas como: fora umbandistas, morram católicos, linchemos os judeus, exterminemos os mulçumanos, e pérolas dessa natureza É ÓDIO!

    Dizer: não gosto da roupas da umbanda, não gosto do fato catolicismo aceitar santos, não gosto de rituais com animais,… é justamente o que faz com que uma pessoa escolha uma religião em vez da outra. Se eu gostasse de tudo na umbanda seria umbandista, se eu gostasse de tudo no catolicismo seria católica. Eu, por exemplo, fiz minha opção pela dúvida, mas cada um que escolha seu caminho.

    E eu não tenho a mínima idéia do que salvará o mundo.

  11. claudia disse:

    Silvio Alves

    Obrigada por sua resposta. Achei interessante a sua tese. Falei em tarja preta porque parece que todos a minha volta estão nessa, e falam com tremendo orgulho. Podemos conversar sobre issso, sim, se quiser.
    Abraço
    Claudia

  12. Juliana disse:

    Mais marketing que saúde.

    Livro conta como fabricantes de medicamentos “criam” doenças, patrocinam pesquisas e fazem lobby milionário para vender cada vez mais remédios aos consumidores americanos.

    O suíço Daniel Vasella, presidente da Novartis, é um dos expoentes da indústria farmacêutica mundial. Médico de formação, ele decidiu abandonar o consultório em 1988, aos 35 anos de idade, para trabalhar na área de vendas da fabricante de medicamentos americana Sandoz. Vasella fez, então, uma carreira rápida e bem-sucedida e, em 1996, assumiu o comando da Novartis, empresa resultante da fusão da Sandoz com a Ciba-Geigy e uma das cinco maiores do mundo no setor. Anos atrás, durante uma entrevista, Vasella foi perguntado sobre como sua empresa conseguia criar os medicamentos de sucesso exigidos pelos investidores. Sua resposta foi tão direta quanto surpreendente. “Você cria um desejo”, afirmou ele, como se estivesse falando de um produto de consumo como qualquer outro.

    Quem fez a pergunta a Vasella foi a jornalista Melody Petersen, ex-repórter do The New York Times, especializada na cobertura da indústria farmacêutica. Depois de vários anos nesse privilegiado posto de observação, Melody decidiu revelar os meandros do bilionário mercado de saúde. O resultado está no recém-lançado Our Daily Meds — How the Pharmaceutical Companies Transformed Themselves into Slick Marketing Machines and Hooked the Nation on Prescription Drugs (numa tradução livre, “Os remédios nossos de cada dia: como as empresas farmacêuticas se transformaram em máquinas de marketing escorregadias e viciaram a nação em drogas prescritas”). Para Melody, os tempos quase românticos em que a indústria farmacêutica era movida por cientistas e médicos interessados em pesquisar a cura de doenças graves ficaram inexoravelmente para trás. Agora, o setor — fundamental para o bem-estar e para a longevidade — é dominado por marqueteiros. “Vender remédios, e não inventá-los, tornou-se a obsessão”, diz ela.

    As empresas parecem estar triunfando nessa nova missão. Em 2005, os americanos gastaram 250 bilhões de dólares em remédios vendidos sob prescrição médica — mais do que consumiram com fast food ou gasolina, por exemplo. Se comparado a outros países, esse volume é ainda mais impressionante. Os Estados Unidos gastam mais com remédios que Japão, Alemanha, França, Itália, Espanha, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, México, Brasil e Argentina — juntos. Em 2006, um americano tomou, em média, 12 remédios prescritos por médicos — em 1994, a média foi oito. Entre a população idosa, o índice chega a 30 drogas anualmente. Graças a essa epidemia, entre 1995 e 2002, a indústria farmacêutica foi o setor mais lucrativo da economia americana. Em 2004, segundo dados da revista Fortune, a cada dólar vendido pelas farmacêuticas, 16 centavos se transformavam em lucro — ante a média de 5 centavos dos outros setores.

    Para alcançar esse resultado fabuloso, é preciso investir muito dinheiro. Uma das mais importantes frentes de batalha das companhias farmacêuticas é travada em Washington. Entre 1998 e 2004, a indústria farmacêutica gastou mais em lobby do que qualquer outro setor. Em 2004, o número de lobistas trabalhando para as farmacêuticas instaladas nos Estados Unidos somava o dobro de representantes do Congresso americano. Para a autora do livro, o efeito desse corpo-a-corpo é imediato. Os Estados Unidos são o único país desenvolvido que não controla o preço dos remédios vendidos sob prescrição. Além disso, são um dos raros países no mundo que permitem propaganda de remédios prescritos para consumidores (a Nova Zelândia é a outra exceção).

    Com o caminho livre, as empresas investem fortunas para propagandear seus produtos. Segundo Melody, cerca de 25% do preço de um medicamento prescrito corresponde a gastos com marketing — a soma é maior que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, por exemplo. Um dos maiores exemplos da força dessa máquina foi o lançamento do Detrol, no final dos anos 90. Fabricado pela Pharmacia (que viria a ser comprada pela Pfizer), o Detrol surgiu para curar uma doença até então desconhecida dos americanos e batizada pelo fabricante de “bexiga hiperativa”. Uma das preocupações iniciais dos executivos da Pharmacia foi que a doença não fosse confundida com a já conhecida incontinência — um mal que, para muitos médicos, não poderia ser tratado com medicamentos e que faria parte do processo natural de envelhecimento. Para isso, o primeiro passo foi arregimentar médicos. A Pharmacia organizou dois simpósios em Londres, em 1997 e em 1999, e bancou praticamente todas as despesas dos participantes. Alguns doutores chegaram a entrar na folha de pagamentos da empresa, como consultores ou palestrantes — prática amplamente utilizada pela indústria.

    Nesses dois encontros, os médicos definiram os sintomas do novo mal (um deles é ir ao banheiro mais de oito vezes em 24 horas). Uma vez criada a doença, era hora de torná-la conhecida do grande público. Além do boca-a-boca dos médicos, a Pharmacia contou com uma campanha publicitária que incluiu anúncios em revistas de circulação nacional e até a contratação da atriz Debbie Reynolds. A protagonista do filme Dançando na Chuva fazia questão de declarar em entrevistas que depois que começou a tomar o Detrol sua vida na estrada — ela ainda fazia turnês pelo país — tinha ficado muito mais fácil. (Debbie só não falava que alguns pacientes medicados com Detrol começaram a ter alucinações…).

    Usar a imagem de gente famosa para promover remédios prescritos, aliás, tornou-se um dos expedientes mais usados pela indústria. A Bristol-Myers Squibb, por exemplo, contratou o ciclista Lance Armstrong. Vítima de câncer aos 25 anos de idade, ele venceu a doença e sagrou-se o maior campeão de todos os tempos da Volta da França, a prova ciclística mais tradicional do planeta. A Bristol tornou-se uma das principais patrocinadoras da Live Strong, ONG que Armstrong mantém para ajudar vítimas da doença — e o atleta começou a creditar sua recuperação a um remédio do fabricante. Depois de uma das vitórias do ciclista, a farmacêutica veiculou um anúncio em que dizia: “Este milagre foi trazido a você pela Bristol-Myers Squibb”. A verdade, porém, não era exatamente essa. O tal milagre fora resultado de uma pesquisa da Michigan State University, feita com dinheiro do governo — e não uma descoberta da Bristol. À empresa farmacêutica coube apenas licenciar o produto e colocá-lo à venda.

    O efeito colateral dessa avalanche de medicamentos é perturbador. Especialistas estimam que 100 000 americanos morram todos os anos por problemas decorrentes do uso de remédios. Feitas as contas, são cerca de 270 vítimas diariamente — o dobro das mortes causadas por acidentes com automóveis. “Os remédios com prescrição matam mais americanos que o diabetes ou o mal de Alzheimer”, diz Melody. Para piorar, mesmo entupidos de remédios, os americanos não estão conseguindo aumentar sua expectativa de vida. Segundo a autora, em 1980 uma americana de 65 anos de idade tinha expectativa de vida maior do que quase todas as mulheres nascidas em outros países do mundo. Em 2002, numa avaliação da longevidade da população da qual participaram 30 países, as senhoras americanas ficaram com uma modesta 17a posição. A expectativa de vida dos homens nos Estados Unidos também caiu — um americano de 65 anos corre hoje o risco de morrer mais cedo que um mexicano da mesma idade.

    Embora o livro tenha um quê de teoria conspiratória (lembra o estilo de País Fast Food, publicado pelo jornalista Eric Schlosser em 2001, que tinha como alvo a indústria de alimentação rápida dos Estados Unidos), parte da crítica feita por Melody começa a ser, de algum modo, reconhecida. Em junho, algumas das maiores companhias americanas, como Merck e Pfizer, concordaram em fazer uma espécie de moratória e suspender por seis meses a veiculação de anúncios de novos medicamentos vendidos sob prescrição médica. Além disso, elas vão reavaliar a participação de médicos em suas propagandas. Pode ser o começo de sua reabilitação.
    Fonte: EXAME

  13. regina disse:

    luana, a jornalista:

    intrometida sou, sim, e me regalo em tal condição. sem a mínima intenção de criar desavenças, preconceituosas ou não, lego-me o direito de intervir por exclusiva paixão à escrita do português brasileiro … correto.
    sigo dizendo … jornalista e formador de opinião estão intimamente ligados, portanto, luana seu pequeno texto precisa ser revisto quanto aos erros de grafia e concordância – e não venha dizer que profissionalmente não os comete, pois, não acreditarei.

    abaixo, seu texto seguido das minhas considerações:

    Sandra, sinto muito mas não vou discutir religião com vc, pois nem sabe quem sou, nem sabe o que sei sobre elas, e nem rpeciso provar nada a ng.
    Só disse que TODAS, merecem serem respeitadas. E o que posso e quero dizer é q antes de qq coisa, sou jornalista e como tal sei mto bem o que ele quiz dizer nas entrelinhas. É comum isso nesse tipo de texto.
    Concorco com vc que cada um segue o que quer, mas tentou me provocar ao questionar sobre a fragilidade de tal….rs. Misericordia senhor, eles não sabem o que falam….
    Não é a religião que salvará o mundo nem essas porcarias de remedios e sim a união de todos os povos em prol do amor pelo Divino e pela Terra. Não quero nem pretendo criar discordias, apenas pedi respeito àqueles que nem estão aqui para se defender.

    Namastê.

    agora, eu:

    a frase … merecem serem – deve ser substituída por, merecem ser;
    quiz – deve ser substituída por quis – um professor de português dizia quanto à inserção da letra z em 3 verbos: você pode querer pôr, mas não deve. portanto, para que não paire dúvidas, os verbos pôr e seus derivados, poder e querer, não aceitam a letra z.

    os outros erros são, nitidamente, erros de digitação, pressa ou quetais.

  14. regina disse:

    lá no comecinho … eu escrevi e colo com data e hora:

    24/07/2008 – 16:51

    Enviado por: regina claudia

    sabe o que mais???
    sinto saudade do tempo que dava vontade de comer alguma coisa e demorava pra descobrir o que era …. alguém da publicidade, um dia, inventou que poderia ser o bis …. bons tempos aqueles!!!!

    era tudo bem mais simples e mais velado. dizia-se pouco sobre muito.
    os mal amados continuavam assim, os mal comidos também, e nem reclamavam, não existiam barreiras para o preconceito, e era horrível isto, em suma, havia o mínimo possível de controle de qualidade sobre tudo.

    hj não como tanto bis e sou bem mais feliz … perdão pela rima idiota.

  15. Luana disse:

    Obrigada Regina.
    É mto bom ver aprender sempre um pouco mais com pessoas que comprovam os erros.
    Obrigada, mesmo.

    Agora o seu último texto postado esta corretissimo né? rs

  16. Luana disse:

    Ah sorry, coloquei esse ver, antes de aprender…. ficou sem sentido. E não da mais para apagar. Só pra avisar.

  17. regina disse:

    meu último texto postado onde???
    tenho explicação pra tudo … rsrs … mostre a cobra morta, ou o pau que a tombou … rsrs … e a gente conversa.
    se houverem erros, uma coisa é certa, não uso placa de jornalista. se vc não levantasse a sua, seu texto teria passado ileso.

    quanto ao ver e ao aprender, mera falha de digitação, pouco relevante e perfeitamente compreensível. o que não prestou foi o quiz e o merecem serem … se é que vc me entende???

    legal que tenha respondido, pois, é sempre bom contribuir com a cultura.

  18. sociedades dopada p disse:

    sociedade dopada psic

Voltar ao topo