13/11/2009 - 18:26
A semana foi de notícias, muitas notícias. Algumas agradáveis, outras nem tanto. Acompanhe a seguir e veja se você sabe mesmo de tudo:
Modern Warfare 2 bate recorde de vendas: 4,7 milhões de cópias em um dia.
Duvido um pouco desse número, mas deve ser real. É de impressionar.
Ubisoft abre novas contratações e divulga parcerias no Brasil
Já mandou o seu currículo hoje? São 20 vagas disponíveis.
Microsoft baniu mais de 1 milhão de jogadores da rede Xbox Live
Pirateiros não podem mais jogar online. É para ter pena deles?
Electronic Arts anuncia prejuízo de US$ 391 milhões e demissões
Vale tudo para enxugar os gastos – até demitir 1500 pessoas. É triste.
Project Natal deve sair em novembro de 2010 para o Xbox 360
Se for verdade, será bem antes do que eu imaginava.
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Enquanto isso, no Brasil…
…uma franquia internacional de lojas de games se prepara para, em menos de três semanas, inaugurar seu primeiro ponto no país…
…os fãs de esporte eletrônico torcem pelos representantes brasileiros no World Cyber Games, na China – ainda estão no páreo nosso representante em Guitar Hero: World Tour (quartas de final), nosso jogador em FIFA 09 (oitavas de final) e nosso sinuqueiro de Carom 3D (semifinal). Os resultados saem neste domingo…
…a Level Up! anunciou a fundação de “Brasilis”, a cidade brasileira em Ragnarok Online, e também a comemoração do feriado de Proclamação da República nos games Maple Story e Grand Chase…
… a Nintendo se prepara para divulgar o lançamento New Super Mario Bros. Wii neste final de semana, em São Paulo e Rio (veja o flyer no post abaixo)…
… E a Sony, por sua vez, continua em silêncio. Pelo menos por enquanto.
É impressão minha ou o mercado lá de fora está ligeiramente mais agitado do que o nosso? Deve ser coisa da minha cabeça…
Para todos, um bom fim de semana.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: ea, ind, level, level up, microsoft, modern warfare 2, nintendo, project natal, sony, ubisoft, WCG, xbox live
31/07/2009 - 19:22
Tudo pronto? Então vamos lá.
Hoje mesmo tem palestra sobre Perspectivas do Mercado de Games no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, em São Paulo. Com participação de Bertrand Chaverot, da Ubisoft, André Penha, da Tectoy Digital e mediação do infalível Théo Azevedo. Eu não vou poder ir, mas, se fosse você, iria.
Começa às 20h. Corre que dá.
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E sobre o game bizarro do Mickey, você soube?
Eu achei genial.

Pateta, é você? Acho que não
Eu curto essas desconstruções que surgem de quando em quando na indústria dos games. O próximo passo agora seria uma versão fofinha e psicodélica de Resident Evil. Aí sim, vou acreditar na criatividade (ou não) dos produtores de games.
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E sobre o caso “importante distribuidor de games paulista preso”: meus amigos jornalistas sérios apuraram que a Polícia Federal não quer divulgar o nome da pessoa, ou dos envolvidos. O jeito é aguardar notícias “oficiais” sobre o caso. Quando eles quiserem divulgá-las, claro.
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A Microsoft está de assessoria de imprensa nova no Brasil. Sai a S2, após muitos anos respondendo pela empresa do Bill Gates por aqui para a entrada da FSB Comunicações. Desejo boa sorte a eles na empreitada.
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E hoje é dia: os meus sinceros e alegres parabéns ao Gustavo Petró, editor da revista EDGE, pelo nascimento de seu primeiro filho, o Vicente.
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E vamos pro final de semana, que estou precisando. Essa semana foi em ponto morto, mas na próxima garanto a programação quase normalizada.
Até segunda.
Autor: pablo - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo
Tags: assessoria, edge, gustavo petró, jornalismo, mercado, microsoft, tectoy, théo azevedo, ubisoft
02/06/2009 - 22:35
Acabei de dar um rolê extenso pelo South Hall e o West Hall do Convention Center.
Estou cansado, mas não por estar velho para o negócio. É o peso da mochila. Amanhã vou deixar metade das coisas no hotel.
Mas senti umas diferenças em relação à velha E3. A bagunça e a barulheira de 2006 voltaram. Mas está diferente. Mais vazio. Parece que metade do público tradicional ficou em casa dessa vez. Me parece que tem pouco jornalista. Muitos exibidores, muita gente do varejo, algumas pessoas que nem deveriam estar aqui. Em geral, a E3 2009 me parece meio murcha. É até fácil jogar qualquer coisa – isso quando elas estão disponíveis. Porque a maioria dos estandes não está deixando seus melhores games abertos ao público. Na Activision, não tem como jogar Guitar Hero 5 ou DJ Hero. Só através de encontros pré-marcados (os meus são na quinta-feira). Na Ubisoft, só vê de perto o novo Splinter Cell, o Avatar ou o Assassin’s Creed 2 quem marcou horário previamente. Na Nintendo, não tem o Super Mario Galaxy 2, nem o Metroid: Other M. Em compensação, sobram estações para se jogar o New Super Mario Bros. Wii. Não que isso seja grande coisa. Esse foi um dos únicos games que joguei de verdade hoje.
Joguei a modalidade 4 players simultâneos. Me decepcionei um pouco – acho que um game de ação side-scrolling como esse, cheio de tarefas e coisas acontecendo ao mesmo tempo, tem que ser uma experiência solitária. Funciona melhor. Não senti muita firmeza, achei caído. me lembrou um Mario Party sem as pausas entre uma competição e outra. Mas talvez isso mude, quem sabe. Espero de coração que isso não signifique que a criatividade da equipe de Shigeru Miyamoto tenha esgotado. Mas ele deve estar bastante ocupado com o Mario Galaxy 2. Ou com a próxima tecnologia revolucionária da Nintendo. Eu ainda não vi o homem por aqui. Amanhã verei – tenho uma entrevista marcada para amanhã. Mal posso esperar.
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Outro game com o qual gastei uns bons instantes foi aquele estrelado pelo Pelé, entende? Academy of Champions Football é exclusivo para o Wii e é uma criação do estúdio de Vancouver (Canadá) da Ubisoft. Umas 40 pessoas trabalham no projeto, inclusive um designer brasileiro chamado “Juan” (ou João, ainda não consegui apurar o sobrenome). Pelé foi escolhido como o garoto-propaganda porque é “um ídolo reconhecido no mundo todo, tanto por adultos como por crianças, até mesmo nos Estados Unidos”, definiu o finlandês Thomas Piriner, designer principal do game. Questionei sobre a possibilidade de um game baseado em outro jogador de futebol mais famoso – e há menos tempo aposentado – como Diego Maradona, por exemplo.
“Eu adoro o Maradona. Mas acho que Pelé teve uma vida mais estável”, explicou Piriner, se referindo ao passado de excessos e vexames do astro argentino. Mas não deixa de ser uma boa idéia. Imagine uma mistura de Academy of Champions com Grand Theft Auto? É brincadeira.
No mais, é um jogo de futebol para crianças que utiliza diversos dos aspectos únicos do Wii, inclusive o aprimorado Wii Motion Sensor do Wiimote. Lembra um pouco a pegada de FIFA Street até, aquela coisa bem descompromissada e arcade, misturado com um lance meio Quadribol do Harry Potter. O Pelé é um dos personagens jogáveis e possui vários poderes especiais, além de estar sempre sorridente. O forte do jogo, previsto para setembro, são os minigames e a historinha que permeia as partidas. Como jogo de futebol, não dá nem para levar em consideração, mas é preciso valorizar o fato de ser um game homenageando uma personalidade brasileira. Já faz tempo que o Rei merecia essa valorização digital - aquele game do Atari 2600 era ruim demais. Não que este seja uma maravilha, mas o que vale aqui é a boa intenção.
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E por falar em coisa nossa… ah, sim. PlayStation 3 no Brasil.
O furo foi do Théo Azevedo, que neste momento está aqui na mesa ao lado. Ele conversou com o homem da Sony para a América Latina, Mark Stanley (não confundir com Mark Wentley, o homem da Nintendo para a América Latina), que falou, vagamente, que vai lançar toda a linha PlayStation em nosso território. Disse até quando. Mas você aí acredita? Eu acredito vendo e acontecendo. Mas a notícia é boa.
E esse foi mesmo o ano do Brasil na E3.
Brasil na coletiva da Sony.
Pelé na coletiva da Ubisoft.
Modern Warfare 2 (e sua fase do Rio de Janeiro) na coletiva da Microsoft.
É pra animar? Eu animei. Sou um patriota, sabe como é.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009
Tags: e3, mercado, microsoft, nintendo, pelé, playstation 3, sony, ubisoft
27/05/2009 - 11:23
Semaninha agitada.
Primeiro, o Zeebo saiu lá no Rio. E já tem gente repercutindo positivamente - comprando, testando e aprovando. Ou xingando. Mas o “não vi, não gostei” é a coisa mais normal do mundo. Vejamos quando sair em São Paulo – ainda não há data certa para isso.
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Essa semana, saiu a EGW nova, lá da Tambor. E nesta sexta, deve chegar a Edge da editora Europa. E na outra semana, tem a Old! Gamer. Nunca, ou pelo menos há muito tempo, não rola tanta expectativa sobre lançamentos em banca - pelo menos no mercado de revistas de games.
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E tem o Hideo Kojima, esse fanfarrão, fazendo graça e zerando contadores no site sobre seu projeto secreto. Pelas minhas contas, este novo cronômetro irá finalizará às 19h do domingo. Daí, aposto que um novo contador irá ser iniciado, com mais 16 horas to go – terminaria daí às 11h de segunda, exatamente no “auge” da coletiva da Microsoft pré-E3.
Ou será um novo contador marcando 40 horas, que terminaria exatamente no início da coletiva da Sony, na terça-feira, também às 11h. Ou, 38 horas, com a grande revelação na coletiva da Nintendo, às 9h. Não, isso sim seria improvável.
Ou o Kojima vai acabar com a palhaçada já no domingo mesmo. Mas aí, que graça teria?
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E em meio a isso tudo, está todo mundo se preparando de alguma forma ou de outra para a E3. Se você for ao aeroporto de Guarulhos no sábado à noite, verá pelo menos uns quinze profissionais brasileiros fazendo check-in para voar para Los Angeles. Aquela área de embarque estará bem engraçada, para dizer o mínimo.
As empresas estão acertando os últimos detalhes de suas apresentações. Acabei de falar com o pessoal da Microsoft sobre minha agenda durante a feira – a coletiva, algumas apresentações fechadas, um ou outro oba-oba. Tudo certo com a Nintendo e a Sony também, além de Electronic Arts, Ubisoft, Bethesda e algumas outras. E tem The Beatles: Rock Band, que por conta de meu emprego diário (ah, aquela revista que fala de música e cultura pop), será meu foco principal de trabalho no evento. As entrevistas já estão marcadas, e a demo também. Mas ainda não é o bastante.
A toda hora, pretendo atualizar aqui, o site da Rolling Stone (e a revista, em julho e nos meses seguintes), o Twitter e mais alguns outros locais nessa imensidão que é a internet. Fique ligado.
Mas antes, vamos fechar a edição deste mês, que já demorou.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Tudo ao mesmo tempo
Tags: beatles, e3, electronic arts, kojima, konami, microsoft, nintendo, old gamer, rock band, sony, ubisoft, zeebo
20/01/2009 - 16:28
Eu primeiro reproduzo o release que acabei de receber, e deixo para você a tarefa de comentar:
Ubisoft compra a Southlogic Studios
Hoje a Ubisoft anunciou a aquisição da Southlogic Studios ®, estúdio independente de desenvolvimento de jogos com mais tempo de experiência no Brasil.
Fundada em 1996 em Porto Alegre, a equipe de 20 desenvolvedores da Southlogic criou títulos para PC, portáteis e consoles, assim como outsourcing para produção de arte digital. O estúdio realizou projetos para várias empresas européias, japonesas e americanas e, mais recentemente, desenvolveu ® Imagine: Wedding Designer Nintendo DS ™ para Ubisoft.
“Sendo o primeiro e mais experiente estúdio de desenvolvimento do Brasil, a Southlogic provou sua agilidade na adaptação a novas tecnologias e gêneros em várias plataformas”, declarou Christine Burgess-Quémard, Diretora Mundial dos estúdios da Ubisoft. “Esta aquisição reforça o nosso compromisso de atrair talentos na América do Sul e no Brasil em particular, dando mais impulso aos planos de expansão do grupo nessa região.”
O estúdio será integrado à Ubisoft São Paulo, reportando-se a Bertrand Chaverot, Diretor do estúdio brasileiro da Ubisoft. A Southlogic manterá sede em Porto Alegre, funcionando como um escritório satélite.
“Ficamos muito satisfeitos ao colaborar com a Ubisoft em sua linha de jogos Imagine.” declarou Christian Lykawka fundador da Southlogic. “Toda a equipe da Southlogic está animada com o potencial de crescimento ao integrar o grupo Ubisoft e com a possibilidade que nossas criações alcancem jogadores no mundo inteiro.”
***
Eu, em princípio, sempre fico com o pé atrás com esses tipos de aquisições de pequenos por grandes. Mas, no caso, em se tratando da Ubisoft e da Southlogic – desconhecida aqui dentro, mas famosa lá fora pela série de games de caça Deer Hunter – me parece fazer todo o sentido do mundo. É algo bom para ambas as partes, além de ser uma forma de valorização do produto nacional. Tenho até curiosidade em saber qual o valor do negócio, mas tenho certeza de que foi algo lucrativo para os nossos amigos de Porto Alegre. As consequências do negócio, boas ou ruins, só virão mais tarde, em um futuro distante. Deixemos a notícia falar por si mesma por enquanto.
***
Sim, estou devendo o restante das listas do Melhores de 2008 Gamer.br. Você aguenta esperar mais um pouco? A semana não está das melhores. Mas a gente chega lá!
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: mercado, ubisoft
01/09/2008 - 10:02

Na semana passada, você conferiu a primeira parte da entrevista exclusiva com Bertrand Chaverot, o responsável pelo estúdio de criação da Ubisoft em São Paulo. Agora, você confere a segunda parte da recheada entrevista (prometi para sexta, mas não foi possível postar – culpe o sistema). Bertrand falou muita coisa interessante sobre o mercado nacional, politicagens e mencionou aquilo que só o brasileiro tem – sempre no bom sentido. Confira o papo e não deixe de comentar no final.
Gamer:br: Como você acha que o profissional brasileiro pode contribuir na criação e elaboração dos jogos? Ou você acha que a cabeça dos criadores de jogos funciona da mesma forma, seja lá qual for o país de origem?
Bertrand Chaverot: Nosso objetivo é criar times mais polivalentes, mais femininos e mais loucos, capazes de criar universos e personagens originais, com profundidade para criar marcas internacionais que pudessem virar quadrinhos, filmes etc.
Você acha que a iniciativa da Ubisoft pode estimular outras empresas estrangeiras a fazer o mesmo, ou seja, instalar escritórios ou estúdios no Brasil?
BC: Absolutamente. Esperamos que outras empresas venham. Significaria que o ecossistema brasileiro virou mais acolhedor para a criação de produtos multimídia. Vou lhe dar um exemplo de um problema atual grave: importação de kits de desenvolvimento. Para fazer um jogo Nintendo, Sony ou Microsoft cada programador e cada dois artistas devem ter um kit desses.Esses kits são vendidos pela Nintendo/Sony/Microsoft e o valor é significativo. Não tem como fugir disso. Para importar essas maquinas para o Brasil, você paga 100% de impostos em cima do valor, do transporte e do seguro. É um absurdo total, uma lei contra-produtiva e anti-Brasil. Não tem como produzir essas pequenas máquinas no Brasil. Isso mata definitivamente a competitividade do país. O Brasil tem leis feitas para manter o país no antigo mundo das fronteiras fechadas. Não funciona mais. Tem que ser mais ágil e mais esperto que os outros, acreditando nas suas próprias forças. Vamos tentar liberar a importação desses kits com os órgãos políticos responsáveis. E se conseguimos isso, vai ajudar as empresas brasileiras – e as estrangeiras que virão depois – a desenvolver jogos com custos mais competitivos e se concentrar em inovação e criação em vez de problemas de alfândega.
E no que diz respeito ao mercado de consoles? A presença “física” da Ubisoft aqui faz diferença na redução de preços dos consoles da Nintendo (Wii e DS), Sony (PS3, PS2, PSP) e Microsoft (Xbox 360)? Ou a influência não é sentida?
BC: Nossa prioridade é favorecer a criação local de videogames.
Quanto ao consumo local, vamos trabalhar como outros atores da indústria dentro da ABES (Asociação Brasileira de Editores de Softwares), para obter redução dos custos de importação. Mas demora, porque é um assunto mais complexo que não inclui só os videogames. E [isso] não é prioridade, porque videogames ainda são vistos de maneira negativa. Nossa chance é que a nova geração de políticos que está chegando ao poder é nascida na década dos 60 – foi a primeira geração a jogar e curtir os videogames. Eles sabem que games de qualidade podem ser bons para desenvolver os pequenos, relaxar os adultos e, ultimamente, com os jogos sociais do tipo Rayman Raving Rabbids para Wii, fazer crianças e adultos passar momentos extraordinários rindo e fazendo exercícios físicos, em vez de assistir passivamente televisão no sofá como uma família de “couch potatoes”.
Por que o escritório da Ubisoft, que você comandava até o começo da década, fechou? O que levou a isso?
BC: Não fechou. Tirou um cochilo. O faturamento era bom, mais não era significativo [em relação] ao nível mundial. Em 2003, sabíamos que o mercado local de venda de videogames oficiais não ia crescer a curto prazo no Brasil, porque o mercado de PC estava reduzindo. Era o fim do PS2, e o PS3 ia ser lançado daqui a pouco no mundo, mas não no Brasil. Então, era melhor investir em outros países mais promissores e voltar mais tarde para produzir.
Você morou em São Paulo por um bom tempo, e agora está de volta. Com seu olhar de estrangeiro, defina: o que o brasileiro tem de melhor, profissionalmente falando? E no que ainda pode melhorar nesse sentido?
BC: Acho que as duas maiores qualidades dos profissionais brasileiros são: a resiliência, essa capacidade inalterável de sempre se recuperar e achar soluções criativas, apesar de todos os arcaísmos administrativos, fiscais e trabalhistas do país. E em segundo lugar, o “team-spirit” [espírito de equipe], que leva o grupo para cima usando bom humor e generosidade. Comportamentos egoístas são sempre a pior estratégia a longo prazo. Profissionais brasileiros sabem isso naturalmente, faz parte do DNA brasileiro: a longo prazo, trabalho, generosidade e bom humor não podem perder.
No que diz respeito ao mercado de games, o Brasil tem jeito? Veremos os consoles oficialmente no país a preços acessíveis, e os games sendo lançados simultaneamente?
BC: Vamos tentar fazer nossa parte com ações concretas para isso acontecer o mais breve possível. Vamos continuar a encontrar políticos brasileiros para explicar seriamente com muitos dados detalhados o que esta acontecendo nessa indústria, o que poderia acontecer no Brasil e convencê-los que não é mais uma indústria de nicho para moleques estúpidos, mas uma área estratégica da indústria do conhecimento, que relaciona muitas áreas e ciências – artes digitais 2D e 3D, animação de objetos virtuais, efeitos especiais, roteiros interativos, sociologia, psicologia, inteligência artificial, ciências da computação, linguagens de programação, linguagens de script, redes, gestão de bases de dados, arquitetura, design, internet, criação e animação de universos e comunidades virtuais, sons, músicas etc…
Nos Estados Unidos, o faturamento da indústria de videogames em 2007 superou o faturamento das indústrias de cinema e de música juntas. E em 2008, até o fim de julho, o faturamento da indústria de software já cresceu 41% se comparado com o mesmo período de 2007. Nunca houve um crescimento tão rápido de uma indústria de entretenimento. Nossa indústria só tem 30 anos. Com 30 anos de idade, nos anos 20, a indústria do cinema ainda fazia filmes em preto e branco ou levemente coloridos, e o Douglas Fairbanks fazia declarações de amor mudas para Mary Pickford. Temos muitas inovações pela frente em nosso mercado: em 2009, vai ser lançado Avatar, o primeiro jogo next gen em 3D da Ubisoft. Espero que seja lançado simultaneamente no Brasil.
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: bertrand chaverot, mercado, ubisoft
27/08/2008 - 21:52
Após um período no limbo (nem vou me explicar mais), retorno com um conteúdo prometido há tempos e aguardado por muitos. A entrevista exclusiva com o Bertrand Chaverot, o grande responsável pelo muito alardeado estúdio da Ubisoft em São Paulo. Francês de nascimento, mas brasileiro de coração (ele já mora por aqui há anos, entre idas e vindas), ele soltou o verbo sobre as grandes curiosidades que temos sobre a empreitada, que deve inaugurar oficialmente em setembro – ou seja, na semana que vem. Em meio aos últimos preparativos, reformas e contratações, ele conversou com o Gamer.br. O papo, de tão bom e extenso (grandes novidades), será dividido em duas partes. Amanhã posto a segunda. A primeira, você lê já.
***
Gamer.br: Em resumo, o que a Ubisoft enxergou no Brasil?
Bertrand Chaverot: Espirito criativo com cultura de base ocidental; algo diferente, que existe em nenhum outro país; quantidade de jovens talentos que querem mostrar do que são capazes; a atitude natural dos brasileiros de trabalhar de maneira positiva em grandes equipes multiculturais.
Foi divulgado que o estúdio terá 200 vagas de variadas funções. Como vai funcionar o processo de seleção desses funcionários? Vocês vão levar em consideração os milhares de currículos que estão recebendo, ou vão procurar pessoas em outras empresas e faculdades?
BC: Vamos usar de tudo para achar os melhores e os que têm maior potencial de crescimento: base de dados em www.vagas.com.br/ubisoft, networking nacional e internacional, contatos dos primeiros funcionários contratados, parcerias e estágios com universidades e escolas de artes etc…
E quais outros tipos de profissionais vocês contratarão, além de designers e animadores?
BC: Programadores, produtores e pessoas de marketing.
E qual será exatamente a sua função e atribuições no estúdio?
BC: Diretor Geral. Internamente: devo recrutar os melhores e dar-lhes os recursos para crescer e criar num ambiente energizante para produzir jogos que vão dar prazer a jogadores do mundo inteiro.
Externamente: evangelizar os políticos e as universidades para investir na formação e na inovação na área de softwares interativos nesse país. Hoje, o Brasil está muito atrasado na área de criação de conteúdo digital que é tão importante para o futuro. Em Quebec [Canadá], que tem só 7 milhões de habitantes, já há 130 mil pessoas trabalhando na área de multimídia, exportando para o mundo inteiro. Mas há soluções para que não seja assim. O Brasil tem como se recuperar rapidamente, fazer alianças com outros paises ou outras regiões e atrair empresas estrangeiras para acelerar o desenvolvimento de uma indústria local forte, que daqui alguns anos vai criar e exportar suas idéias para o mundo inteiro.
Foi divulgado que o estúdio paulistano terá foco em jogos voltados ao público infanto-juvenil e feminino, como os games da série Imagine. O que deve acontecer para o estúdio pegar um projeto realmente poderoso, como um novo game Tom Clancy, ou até mesmo algo de Prince of Persia ou Rayman?
BC: Demora de três a quatro anos antes de haver um estúdio com pessoas capazes de criar jogos next gen. Começar com jogos para Nintendo DS é uma boa aprendizagem, porque o design com a stilus, a voz e as duas telas é complexo e oferece muitas possibilidades de inovação. Também vamos mandar brasileiros para outros estúdios da Ubisoft. Se tem um rapaz excepcional, por exemplo, para criar efeitos especiais em 3D, e eu não preciso dele aqui hoje, vou mandá-lo para Montreal, para trabalhar num projeto de PS3 ou Xbox360. Ele voltará daqui quatro anos para São Paulo com a cabeça cheia de know-how para fazer um jogo de PS4 por aqui [Risos]. Entrar na Ubisoft é entrar numa carreira internacional e de longo prazo. Investimos nas pessoas porque só temos isso. Temos que nos reinventar a cada três anos. Adoramos mandar as pessoas para fora e misturar as culturas. Somos, de longe, a empresa mais pulverizada do setor. Temos vinte estúdios espalhados pelos cinco continentes.
E uma grande força para ter sucesso nesse mundo globalizado com “long tail” que nos espera pela frente. Nossa diversidade é nossa força. Para nossos concorrentes americanos ou japoneses, é mais difícil.
Existe hoje uma tendência mundial das empresas investirem em games casuais. Gostaria de saber então se há algum grande estúdio da Ubisoft trabalhando em um jogo casual de grande porte, ou se apenas os times novos e menos experientes fazem esse tipo de jogos? Você acha que a escolha de colocar os times novos para criarem games menores significa atribuir menos importância a esses games casuais?
[Pergunta feira por Fábio Bracht, de SP]
BC: A Ubisoft foi a primeira empresa a fazer jogos casuais para DS. Fomos a primeira publisher para DS em 2007 após a Nintendo e em termos de faturamento, bem à frente de todos os outros concorrentes.
Nossos times já criaram muitos sucessos desde 2006. Então, esse ano será a terceira geração de jogos como Imagine Babyz, Imagine Fashion Designers, Imagine Horse Riders, My Weight Coach, My Word Coach, I Quit Smoking etc… Então, esses não são mais equipes pouco experientes. Eles têm muita experiência, conhecem muito bem os desafios de fazer um jogo focado em pessoas sem cultura de videogame. Tudo tem que ser caprichado, com uma outra perspectiva de consumidor final: a acessibilidade, o tutorial, a curva de aprendizagem, a ergonomia da interface… E o nosso estúdio brasileiro vai fazer uso dessa experiência interna.
Fazer jogos casuais não é facil e é uma prioridade para a Ubisoft. Tem uma importância estratégica para o futuro e requer times muito mais polivalentes e ágeis que nossos times de criação de jogos next gen, onde as pessoas são cada vez mais especializadas. Requer também creative directors [diretores de criação] e game designers um pouco diferentes: uns que já têm filhos ou pelo menos que entendem bem a psicologia infantil, uns que entendem que mulheres não gostam de competir e destruir como nós, machos básicos, mas gostam de cuidar, criar e socializar. São mercados diferentes, mas o objetivo permanece o mesmo: transmitir emoções, trazendo desafios virtuais ou reais.
Você lê o restante da entrevista com Bertrand Chaverot, da Ubisoft, amanhã, aqui no Gamer.br.
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: Entrevista da Semana, ubisoft
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