Tectoy | Gamer.BR, por Pablo Miyazawa
iG

Publicidade

Publicidade

08/09/2011 - 15:26

O que é o Brasil dos Games, Parte 1

Compartilhe: Twitter

Eu prometi surpresas nesse mês final de Gamer.br. Vou cumprir.

Convidei amigos e personalidades da indústria nacional para utilizar o espaço a seguir para discussões relevantes. Pedi a todos eles contribuições baseadas no tema “BRASIL DOS GAMES”. E recebi ótimos materiais, que postarei aqui, dia sim, dia não. Tem de tudo – ensaios analíticos, pensatas elaboradas, gente que fugiu do assunto totalmente (mas manteve o sentido)… quem viver, lerá. Prestigie a riqueza de opiniões e opine sempre que tiver algo interessante a acrescentar. Todos ganham com esse debate.

E começamos com o glorioso André Faure, atual senior producer da Aeria Games, com quem trabalhei na Conrad/Futuro (e que já passou por Microsoft e Tectoy).

***

O Brasil dos Games

Por André Faure*

O ano era 1998. Eu acabava de ser contratado pela Microsoft como assistente de uma área pequenina, que mal justificava seus próprios gastos, mas era considerada um dos maiores potenciais da empresa, especialmente no Brasil. O departamento? Games.

Meu primeiro lançamento foi Mechwarrior 4, para PC. Caixona de papelão, manual em inglês, com um folheto de instalação rápida em português. O jogo em inglês, claro. Quem, em sã consciência, localizaria um jogo para um mercado com 99,5% de pirataria? O Brasil dos Games, naquela época, era o Trono do Inferno do mercado de games mundial.


O Inferno de Dante, ou o Mercado Brasileiro de Games na década de 1990. Você escolhe (
Clique para ampliar – Fonte: Revista Mundo Estranho)

Mas, é importante deixar claro que para as pessoas que trabalhavam naquela época, existiria um momento de florescimento onde todo o potencial daquele país jovem que adorava tecnologia recompensaria aqueles que ali investiam.

Treze anos mais tarde, muita coisa aconteceu. Muita coisa mesmo. Graças a uma série de iniciativas ao longo dos anos, uma certa ajuda do cenário internacional, a solidificação do Brasil como uma economia estável e muito trabalho, hoje o Brasil dos Games é outro mundo, bem diferente daquele inferno lá de cima.

Conta aí comigo: as três grandes (Microsoft, Sony e Nintendo) possuem operações oficiais no Brasil; a pirataria recuou (ainda é um problema, mas 99,5%? Nunca mais, bate na madeira); a distribuição digital, com a penetração da banda larga, é uma realidade, assim como o florescimento de Social Games e MMOG (gratuitos ou não); vários publishers já abriram ou estão abrindo escritórios por aqui; jogos em português são uma banalidade; a imprensa de games cresceu e amadureceu, assim como o varejo e a distribuição; este ano vamos ter TRÊS feiras de games; e por aí vai.

Já percorremos um longo (e doloroso) caminho, e citar todos que colaboraram é praticamente impossível, mas vocês sabem quem são. Ainda estamos longe do momento ideal, e fico feliz de dizer que cada vez, mais e mais gente tem colaborado, nas mais diferentes esferas, para que nosso país torne-se um dos grandes mercados mundiais de games, e não somente um alfinete verde no mapa-múndi na entrada das grandes corporações do setor.

Recentemente a Microsoft anunciou games a partir de R$ 129. Vocês ouviram bem? Mais um pouco não vai valer a pena comprar games nos EUA. Parece um sonho, mas não é. Sony e Big N devem vir logo atrás, assim como Valve/Steam, Blizzard e demais pilares de mercado.

Fica aqui a minha conclusão: para se trabalhar no Brasil dos Games de 1998 era necessário excesso de otimismo. Conseguimos, em 2011, que este otimismo se transformasse em ações concretas e maduras. Dá para comemorar? Claro. O trabalho terminou? Estamos longe. Desistir? Jamais.

Para encerrar, fica aqui o meu agradecimento pelo lisonjeiro convite feito para contribuir nessa série de despedida do Gamer.br. Este sempre foi um canal aberto, democrático, feito com amor exatamente para quem ama games. O Pablo é dos amigos que fiz neste mercado, e que acompanhei crescer e acontecer. Se há alguém que tem muito a ensinar a quem está começando agora, é Pablo Miyazawa. Se ao mesmo tempo que fico triste pela partida deste blog essencial ao mercado, tenho certeza que muitos outros virão, porque finalmente chegamos naquele momento onde ignorar o mercado brasileiro de games é mais do que omissão, é simplesmente burrice.

*André Faure (afaure@aeriagames.com) é senior producer da Aeria Games.

Notas relacionadas:

  1. A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1
  2. A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 2
  3. Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft Brasil) – Parte 2
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
16/11/2009 - 23:36

Yes, nós temos medalha de ouro. E Zeebo para todos

Compartilhe: Twitter

E aí, seu fim de semana foi tão agitado quanto o meu? Espero que sim.

Foi tão agitado que nem pude comparecer ao evento promovido pela Nintendo (Latamel) em São Paulo neste domingo de feriado. Falhei, e até tomei um puxão de orelha dos próprios organizadores por não ter comparecido. Quem foi, disse que foi bacana. Para quem quiser saber mais sobre o evento em si e o jogo lá exibido (a saber, o New Super Mario Bros. Wii), leia a resenha escrita pelo hiperativo Gus Lanzetta, que esteve lá e viu tudo com os próprios olhos.

***

E você viu essa? O Brasil é campeão mundial de Guitar Hero.

Isso se você considerar o World Cyber Games como o verdadeiro e único campeonato de videogames do planeta. Como não há outro com tanto peso e nome, então podemos dizer que sim, o Brasil tem o melhor jogador do mundo em Guitar Hero: World Tour.

O paulistano Fábio Jardim, codinome caiomenudo13, foi o campeão da modalidade no World Cyber Games 2009, que rolou neste final de semana em Chengdu, China. Após ter passado invicto para a fase eliminatória, Fábio eliminou um inglês e dois norte-americanos para merecer a medalha de ouro. É digno de parabéns o feito, visto que Fábio tem apenas 14 anos e enfrentou caras mais velhos e, teoricamente, mais preparados – se é que, com a globalização, faz alguma diferença o fato de um game ter sido desenvolvido nos Estados Unidos. Não faz, mas digamos que faça.

O Brasil teria ficado em segundo lugar na classificação geral se tivesse ganho mais uma medalha de ouro no game de snooker Carom 3D.  Jean Michel dos Reis Monico, o jeantek, de Vitória (ES), fez valer a tradição brasileira nesse game (o Brasil levou o bronze em 2008, e ouro e bronze em 2007) e alcançou a final. O rapaz de 20 anos acabou perdendo para o representante sul-coreano e ficou com a prata. No total, a delegação brasileira somou duas medalhas e ficou em quarto lugar no geral, atrás de Coréia do Sul. Suécia e Alemanha.

wcg2009
Jean (à esq.) e Fábio, medalhistas no WCG 2009

Vale também ressaltar que os rapazes campeões não trouxeram apenas medalhas da China, mas também grana: Fábio levou um cheque de US$ 7 mil pelo título. Jean, pelo segundo lugar, ganhou US$ 3 mil. Nada mal para um campeonato de joguinhos, não?

Levada em conta a campanha, o saldo da delegação brasileira foi bem positivo: viajaram nove cyberatletas, que competiram em cinco modalidades e trouxeram um ouro e uma prata. É infinitamente melhor do que no ano passado, quando os 17 jogadores brasileiros enviados para Köln (Alemanha) trouxeram apenas uma medalha de bronze.

Imagino que alguém lá na Samsung Brasil deva estar bastante satisfeito neste momento…

***

E claro, tem o Zeebo.

O console fabricado pela Tectoy (em parceria com a Qualcomm) finalmente será lançado no restante do Brasil – anteriormente, havia sido colocado à venda apenas no Rio de Janeiro. E a novidade é o novo preço de sugestão ao consumidor: R$ 299 pelo console, com um joystick e dois games já na memória. Jogos exclusivos e com nomes sugestivos como Zeebo Extreme Bóia Cross e Boomerang Sports Queimada poderão ser comprados em breve, diretamente pela rede 3G do Zeebo, por preços a partir de R$ 9,90.

A Tectoy alega que a queda no preço foi garantida graças às vendas do Zeebo também no México: “os componentes passam a ser produzidos em maior escala e por custo menor, o que torna possível a redução do preço do videogame em todo o mundo”, diz o release divulgado para a imprensa. Outra explicação é, ainda conforme o release, “o câmbio estável e o volume de downloads de jogos também permitiram o lançamento em nível nacional por um preço bem menor do que o inicialmente previsto”.

Acredito que algumas reações de veículos da grande imprensa ao preço inicial do console e ao visual dos primeiros games também tenha colaborado para essa significativa redução. Mas isso é só um comentário, quem sou eu para ter certeza de alguma coisa. Vejamos como a máquina se sai no teste das lojas no período de fim de ano. Afinal, o Natal está aí e todo mundo gosta de ganhar presente.

Eu gosto, você gosta?

***

E você adorou Modern Warfare 2? Não? Então espero (mesmo) que sua reação não tenha sido semelhante a esta:


Nem vale a pena traduzir ou buscar legendas…

De vez em quando, só de vez em quando, tenho um pouco de medo desse mundo dos games. Mas logo passa e tudo fica bem.

Notas relacionadas:

  1. Genie-Zeebo: mas que bicho é esse?
  2. A hora do Zeebo
  3. O Zeebo chegou – ao Rio
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura WCG 2009, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
31/07/2009 - 19:22

Clique Comigo

Compartilhe: Twitter

Tudo pronto? Então vamos lá.

Hoje mesmo tem palestra sobre Perspectivas do Mercado de Games no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, em São Paulo. Com participação de Bertrand Chaverot, da Ubisoft, André Penha, da Tectoy Digital e mediação do infalível Théo Azevedo. Eu não vou poder ir, mas, se fosse você, iria.

Começa às 20h. Corre que dá.

***

E sobre o game bizarro do Mickey, você soube?

Eu achei genial.


Pateta, é você? Acho que não

Eu curto essas desconstruções que surgem de quando em quando na indústria dos games. O próximo passo agora seria uma versão fofinha e psicodélica de Resident Evil. Aí sim, vou acreditar na criatividade (ou não) dos produtores de games.

***

E sobre o caso “importante distribuidor de games paulista preso”: meus amigos jornalistas sérios apuraram que a Polícia Federal não quer divulgar o nome da pessoa, ou dos envolvidos. O jeito é aguardar notícias “oficiais” sobre o caso. Quando eles quiserem divulgá-las, claro.

***

A Microsoft está de assessoria de imprensa nova no Brasil. Sai a S2, após muitos anos respondendo pela empresa do Bill Gates por aqui para a entrada da FSB Comunicações. Desejo boa sorte a eles na empreitada.

***

E hoje é dia: os meus sinceros e alegres parabéns ao Gustavo Petró, editor da revista EDGE, pelo nascimento de seu primeiro filho, o Vicente.

***

E vamos pro final de semana, que estou precisando. Essa semana foi em ponto morto, mas na próxima garanto a programação quase normalizada.

Até segunda.

Notas relacionadas:

  1. Me disseram…
  2. Falar para ser ouvido
  3. Clique Comigo
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
25/05/2009 - 13:03

O Zeebo chegou – ao Rio

Compartilhe: Twitter

Segunda-feira, você sabe como é. A semana começa e a gente ainda se sente no domingo.

Como está tudo morno, dou uma aquecida reproduzindo o release que acabei de receber. Começou a era do Zeebo no Brasil. Pelo menos, no Rio de Janeiro:

“Zeebo chega às lojas do Rio de Janeiro

Começa nessa semana, nas principais redes varejistas do Rio de Janeiro, as vendas do tão esperado videogame da Tectoy, o Zeebo. Em breve, o videogame que deve ser um divisor na indústria de entretenimento digital, chegará às lojas de todo o Brasil, e ainda esse ano, em outros países, com foco especial nos mercados emergentes.
Com preço sugerido de R$ 499,00, o Zeebo está disponível nas principais lojas de varejo do Rio de Janeiro e também nos sites de ecommerce. Nesta fase de lançamento, vem com três jogos já na memória (FIFA 2009, Need For Speed Carbon e Treino Cerebral, todos em português) e outros três (Prey Evil, Quake I e II) estão disponíveis para download gratuito.

Além dos três jogos que já estão embarcados e dos três que podem ser baixados gratuitamente, o consumidor poderá adquirir novos jogos entre os nove títulos que serão disponibilizados a partir do lançamento. Para isso, será necessário adquirir Z-Credits, moeda virtual usada para a compra de jogos. O processo é simples e feito através do próprio console. Os Z-Credits podem ser comprados com cartão de crédito, boleto bancário ou débito em conta corrente e ficam disponíveis na conta do usuário, que é associada diretamente ao console. O preço dos jogos varia de R$ 9,90 a 29,90.

A campanha de lançamento do produto no Rio de Janeiro conta com promotores para demonstração do videogame, treinamento da equipe de vendas, comerciais na TV aberta, TV a cabo, mídia impressa, internet e outdoors.”

Leitores do Rio, não deixem de comentar a respeito do produto nas lojas. Quem adquirir o Zeebo, também diga o que achou. Enquanto isso, continuo atrás do pessoal da Tectoy para conversar sobre o lançamento.

Mais, mais tarde. A semana só começou.

Notas relacionadas:

  1. Genie-Zeebo: mas que bicho é esse?
  2. A hora do Zeebo
  3. Bruxa solta
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
18/11/2008 - 14:23

Bruxa solta

Compartilhe: Twitter

Quando alguém ou alguma coisa está na boca do povo, tudo conspira para que continuemos falando sobre aquele assunto. Você crê nesse tipo de coisa? Sinceramente, eu acredito.

Tomemos a Tectoy como exemplo.

Na semana passada, o braço brasileiro da empresa anunciou seu novo produto, o Zeebo, um console de videogame que será vendido a partir de 2009 a um preço popular (R$ 599? Bem…) e com uma campanha focada no combate ao lançamento nacional do PlayStation 2. A imprensa especializada, de modo geral, criticou o anúncio e ficou com o pé atrás. Acham que o console já nasce com a validade vencida, que os jogos não compensam o esforço e que o foco não está muito bem definido. Seja como for, é difícil falar qualquer coisa antes de ver o brinquedo no mercado, e funcionando.

Essa semana, não exatamente por causa do Zeebo, a Tectoy voltou a ser assunto. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a empresa divulgou que um incêndio danificou suas instalações em Manaus, o que causou a paralisação das atividades industriais por tempo indeterminado:

Manaus, 17 de novembro de 2008

Em cumprimento à Instrução CVM n.º 358/02, a Tectoy informa que, na madrugada de 17 de novembro de 2008, um incêndio, já extinto e sem vítimas, atingiu parte das instalações da Companhia em Manaus, AM. As causas são ainda desconhecidas e serão apuradas pelas autoridades competentes. O incêndio atingiu áreas administrativas e uma parte do departamento de expedição. O incêndio não atingiu as linhas de produção, que restaram intactas. Em virtude de problemas gerados para as instalações elétricas, as atividades industriais ficarão temporariamente suspensas. Todas as áreas atingidas são objeto de seguro, com cobertura para esse tipo de sinistro. Eventuais novas informações relevantes serão prestadas assim que se fizerem disponíveis.

Quase simultaneamente, por coincidência ou não, outra notícia esquisita veio à tona: ontem, alguns funcionários da Tectoy ligados ao lançamento do Zeebo foram mandados embora. Os motivos não são conhecidos, mas estima-se que tenha mais a ver com corte de gastos do que com algum motivo relacionado ao produto em si. De qualquer maneira, soa como uma estranha coincidência isso tudo acontecer em um espaço tão curto de tempo.

Superstição ou não, eu acho que o ideal, por enquanto, seria a empresa fugir um pouco dos holofotes. Só para garantir…

Notas relacionadas:

  1. Jeanie (não) é um gênio
  2. Genie-Zeebo: mas que bicho é esse?
  3. A hora do Zeebo
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
Voltar ao topo