A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 2
E continuo com a pesquisa Gamer.br sobre a satisfação do jornalista de games brasileiro.
Relembrando que a parte 1 foi publicada na semana passada. A parte 2 começa agora.
Para quem não se recorda, este foi o método: ao longo das últimas semanas, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada em diversas áreas de atuação. De acordo com a condição profissional de cada um, perguntei sempre as mesmas perguntas, visando entender até que ponto está a insatisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. A seguir, o perfil dos entrevistados.
- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou não) e tem obrigações fixas com alguma empresa ou veículo;
- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente), sem vínculos fixos;
- O 17% restante são empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.
- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo – explicando este ponto melhor: algumas empresas preferem não ter vínculos oficiais com seus funcionários e trabalham em regime de “prestação de serviços”. Ou seja, o funcionário terceirizado executa o trabalho e passa um recibo para receber o pagamento.
- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).
E a segunda questão foi:
2. De acordo com sua quantidade de trabalho e com o que lhe é cobrado, você acha que ganha de acordo? Sim, não, poderia ser melhor?
Com essa pergunta, quis medir o quanto cada profissional se sente explorado em relação ao seu empregador. Grosso modo, a questão era a seguinte: “você acha que o que lhe pagam é justo ou você merecia mais dinheiro?”
E o resultado foi:
De todos os entrevistados, 47% dizer achar que poderiam ganhar melhor. 33% são mais taxativos e dizem que não ganham de acordo com a quantidade de trabalho que lhes são cobradas. Apenas 20% afirmam que sim, que são pagos de maneira justa.
A maior porcentagem entre os insatisfeitos, curiosamente, se encontra entre o grupo de empreendedores: 60% deles dizem não ganhar de acordo com a quantidade de trabalho que tem (o restante, 40%, diz que “poderia ganhar melhor”).
Há um conformismo moderado entre aqueles que são contratados com carteira assinada: 75% deles acha que poderia ganhar melhor. 25% diz que não ganha de acordo; e nenhuma pessoa (0%) declarou que sim, o salário está de acordo com a carga de trabalho.
Entre os contratados sem carteira assinada (ou seja, que passam nota fiscal), os números mudam: 57% diz não ganhar de acordo com o que trabalham. Por outro lado, um dado surpreendente: 29% afirmam que sim, recebem de maneira justa. Apenas 14% diz que poderia ganhar melhor.
Mas para mim, surpreendente mesmo foi ver a quantidade de free-lancers satisfeitos: 40% deles acham que ganham bem, de acordo com o que trabalham. Acredite se quiser, é o maior índice de satisfação entre todos os grupos. 50% dos frilas acham que poderiam ganhar melhor, e apenas 10% se declaram completamente insatisfeitos com os cachês pagos pelas colaborações.
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CONCLUSÃO: A maioria dos jornalistas se sente injustiçado quando o tema é salário, mas o tema se torna ainda mais problemático entre os profissionais que trabalham em regime fixo e com carteira assinada: ninguém se declara plenamente satisfeito com a valorização financeira proporcionada por seus chefes. A verdade é que reclamar de salário é um esporte tradicional de qualquer trabalhador que se preza, e os dados obtidos só comprovam isso.
Mas é curioso notar a porcentagem de free-lancers que se dizem bem pagos. Das duas uma: ou realmente estão ganhando bem (o que acho difícil), ou estão recebendo cada vez menos pedidos de serviço. O que, concluindo, significa só uma coisa: os funcionários que trabalham fixos nas redações estão cada vez mais sobrecarregados e, portanto, mal remunerados. Será que a solução é pedir as contas e virar frila? É o que iremos concluir na parte 3 da pesquisa.
Já os empreendedores, com suas respostas, mostraram que não é nada fácil ser seu próprio patrão. O curioso é que são esses mesmos empreendedores que, em sua totalidade, dizem ter grande expectativa de aumento de rendimentos nos próximos 12 meses (veja parte 1 da pesquisa). Ou seja, “eu bem que poderia ganhar mais hoje, mas tenho certeza absoluta que isso vai mudar em breve”. Pelo jeito, a esperança venceu o medo e as perspectivas são boas para 2010, pelo menos para a “gente que faz”. Será? Eu também estou achando que sim.
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E na semana que vem, se não chover muito, finalizo a pesquisa, avaliando o último item: insatisfação com a situação profissional atual.
Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom final de semana.
Notas relacionadas:
- Entrevista da Semana: Bertrand Chaverot (Ubisoft) – Parte 2
- O jornalista de games está satisfeito?
- A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1
