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21/08/2009 - 21:02

A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 2

E continuo com a pesquisa Gamer.br sobre a satisfação do jornalista de games brasileiro.

Relembrando que a parte 1 foi publicada na semana passada. A parte 2 começa agora.

Para quem não se recorda, este foi o método: ao longo das últimas semanas, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada em diversas áreas de atuação. De acordo com a condição profissional de cada um, perguntei sempre as mesmas perguntas, visando entender até que ponto está a insatisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. A seguir, o perfil dos entrevistados.

- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou não) e tem obrigações fixas com alguma empresa ou veículo;

- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente), sem vínculos fixos;

- O 17% restante são empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.

- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo – explicando este ponto melhor: algumas empresas preferem não ter vínculos oficiais com seus funcionários e trabalham em regime de “prestação de serviços”. Ou seja, o funcionário terceirizado executa o trabalho e passa um recibo para receber o pagamento.

- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).

E a segunda questão foi:


2. De acordo com sua quantidade de trabalho e com o que lhe é cobrado, você acha que ganha de acordo? Sim, não, poderia ser melhor?

Com essa pergunta, quis medir o quanto cada profissional se sente explorado em relação ao seu empregador. Grosso modo, a questão era a seguinte: “você acha que o que lhe pagam é justo ou você merecia mais dinheiro?”

E o resultado foi:

De todos os entrevistados, 47% dizer achar que poderiam ganhar melhor. 33% são mais taxativos e dizem que não ganham de acordo com a quantidade de trabalho que lhes são cobradas. Apenas 20% afirmam que sim, que são pagos de maneira justa.

A maior porcentagem entre os insatisfeitos, curiosamente, se encontra entre o grupo de empreendedores: 60% deles dizem não ganhar de acordo com a quantidade de trabalho que tem (o restante, 40%, diz que “poderia ganhar melhor”).

Há um conformismo moderado entre aqueles que são contratados com carteira assinada: 75% deles acha que poderia ganhar melhor. 25% diz que não ganha de acordo; e nenhuma pessoa (0%) declarou que sim, o salário está de acordo com a carga de trabalho.

Entre os contratados sem carteira assinada (ou seja, que passam nota fiscal), os números mudam: 57% diz não ganhar de acordo com o que trabalham. Por outro lado, um dado surpreendente: 29% afirmam que sim, recebem de maneira justa. Apenas 14% diz que poderia ganhar melhor.

Mas para mim, surpreendente mesmo foi ver a quantidade de free-lancers satisfeitos: 40% deles acham que ganham bem, de acordo com o que trabalham. Acredite se quiser, é o maior índice de satisfação entre todos os grupos. 50% dos frilas acham que poderiam ganhar melhor, e apenas 10% se declaram completamente insatisfeitos com os cachês pagos pelas colaborações.

***

CONCLUSÃO: A maioria dos jornalistas se sente injustiçado quando o tema é salário, mas o tema se torna ainda mais problemático entre os profissionais que trabalham em regime fixo e com carteira assinada: ninguém se declara plenamente satisfeito com a valorização financeira proporcionada por seus chefes. A verdade é que reclamar de salário é um esporte tradicional de qualquer trabalhador que se preza, e os dados obtidos só comprovam isso.

Mas é curioso notar a porcentagem de free-lancers que se dizem bem pagos. Das duas uma: ou realmente estão ganhando bem (o que acho difícil), ou estão recebendo cada vez menos pedidos de serviço. O que, concluindo, significa só uma coisa: os funcionários que trabalham fixos nas redações estão cada vez mais sobrecarregados e, portanto, mal remunerados. Será que a solução é pedir as contas e virar frila? É o que iremos concluir na parte 3 da pesquisa.

Já os empreendedores, com suas respostas, mostraram que não é nada fácil ser seu próprio patrão. O curioso é que são esses mesmos empreendedores que, em sua totalidade, dizem ter grande expectativa de aumento de rendimentos nos próximos 12 meses (veja parte 1 da pesquisa). Ou seja, “eu bem que poderia ganhar mais hoje, mas tenho certeza absoluta que isso vai mudar em breve”. Pelo jeito, a esperança venceu o medo e as perspectivas são boas para 2010, pelo menos para a “gente que faz”. Será? Eu também estou achando que sim.

***

E na semana que vem, se não chover muito, finalizo a pesquisa, avaliando o último item: insatisfação com a situação profissional atual.

Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom final de semana.

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
14/08/2009 - 20:21

A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1

E aqui está.

Após um tanto de pesquisa e enrolação, cheguei ao resultado de minha pesquisa sobre a satisfação do jornalista brasileiro de games.

Ao longo da semana passada, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada de diversas áreas de atuação. Escolhi apenas jornalistas que trabalham principalmente com videogames. De acordo com a condição profissional de cada um, fiz sempre as mesmas perguntas, anotando as respostas. Juntei tudo e tracei um perfil. Simples assim.

Obviamente (e senão não haveria graça nenhuma), as questões foram um tanto capiciosas e davam margem a reclamações diversas. Pense comigo: será que tem alguém por aí que acha que já ganha bem o suficiente e NÃO deveria receber mais? Portanto, fiz o questionário já meio que sabendo o que iria ouvir de cada um. O que não quer dizer que as respostas recebidas foram muito parecidas umas com as outras.

Aliás, muito pelo contrário, como você irá conferir.

Através desta pesquisa, procurei entender até que ponto está a satisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. Além disso, quis pescar algumas opiniões sobre o otimismo (ou não) com o mercado nacional e a profissão. Vale a pena ser contratado hoje em dia sem ter os benefícios da carteira assinada? Ou é melhor frilar para todo mundo, sem ter nenhum vínculo? Mas será que as empresas pagam bem pelos frilas? E os salários? Estão melhorando?

Não quis ser indelicado de perguntar sobre valores aos entrevistados, e acho que nem seria bem o propósito deste estudo. O objetivo aqui não era descobrir quanto é o salário médio, o teto e o mínimo da profissão, mas sim entender o que pensam essas pessoas. Acredito que o grupo de entrevistados (30) representa uma boa amostra dos jornalistas brasileiros que trabalham com videogames diariamente (a grande maioria é residente na região Sudeste do país). E para evitar problemas óbvios com chefes irados, decidi por preservar a identidade dos entrevistados. Eles sabem quem são, e está mais do que bom.

Estatísticas são sempre legais:

- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou passando nota fiscal) e tem obrigações fixas com alguma empresa;

- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente, salvo exceções raras), mas sem vínculos fixos;

- O 17% restante é formado por empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.

- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo (ou CCDA).

- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).

***

E a primeira questão foi:

1. Você tem expectativa que seu salário suba/melhores nos próximos 12 meses?

Com essa pergunta, quis medir o nível de otimismo em relação à situação profissional de cada um. Grosso modo, a questão era a seguinte: “seja você contratado, frila ou empreendedor, você acha que vai ganhar mais dinheiro trabalhando com games em um futuro bem próximo?”

O resultado foi o seguinte:

De todos os entrevistados, 57% dizem ter grandes expectativas que seus rendimentos aumentem nos próximos 12 meses. O valor é acima da média por causa do otimismo daqueles que se declaram “empreendedores”: 100% dos donos de sites dizem ter certeza absoluta que seus rendimentos subirão.

Agora, se esses empreendedores não forem incluídos no coro dos otimistas, este índice diminuiria para 40%. Se forem levados em consideração apenas os profissionais contratados, o índice ficaria em 53%. E se levados em consideração somente os freelancers, o índice diminuiria para 40%.

Curiosamente, o índice de otimismo é ligeiramente maior entre funcionários que passam nota fiscal (57%) do que aqueles que possuem carteira assinada (38%).

Por outro lado, 30% do total de entrevistados se declarou completamente pessimista sobre a possibilidade de aumentos nos rendimentos nos próximos 12 meses. O índice aumenta entre os freelancers (40%) e se mantém em 33% entre os contratados.

Os restante dos entrevistados (13%) se declara indeciso sobre o tema: eles dizem não ter muita segurança sobre se terão ou não aumento de rendimentos nos próximos meses. A porcentagem dos que responderam “talvez” é levemente maior entre os free-lancers (20%) do que entre os contratados (13%).

***

CONCLUSÃO: Quando o assunto é  dinheiro, o otimismo parece estar ao lado de quem investe tempo e dedicação em um negócio próprio. Por conta da escassez de trabalho e da diminuição  (ou corte) nos cachês, depender de frilas e colaborações esporádicas se mostra a solução cada vez menos atraente e lucrativa. Mas mesmo entre quem tem emprego fixo, está parecendo difícil para a maioria acreditar na melhoria das perspectivas – e isso independe de a pessoa ter carteira assinada ou emitir nota fiscal. Triste? Um pouco. Eu esperava um quadro um pouco mais animador para os funcionários fixos de carteira assinada, mas fiquei feliz pelo nível otimista dos empreendedores. Para os frilas, eu já imaginava que a vida estava dura.

***

E semana que vem, continuo a oferecer mais dados sobre esta pesquisa, avaliando dois itens: nível de exploração chefe-funcionário e insatisfação com o mercado atual.

Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom sábado e domingo.

Autor: pablo - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
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