Rápido e rasteiro, cá está a segunda parte da Entrevista da Semana com Anderson Gracias, gerente geral da Divisão PlayStation da Sony Brasil. Lembrando que ontem, a fabricante divulgou preço e data de lançamento do PS3 no território nacional (a partir de ontem, por R$ 1999, veja o post anterior). Mas falamos sobre outros temas também relevantes na conversa que reproduzo abaixo, na íntegra, sem interrupções. A parte 1 está aqui, para quem não viu.
Aproveite, que é longa, sincera e cheia de detalhes. Não se esqueça de comentar lá embaixo. E divulgue para quem mais quiser ler.
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Gamer.br: Falando sobre os games: tenho conversando com todas as empresas atuantes no Brasil e mencionam sempre que a redução nos preços dos jogos passaria por outro caminho. Os jogos são caros basicamente porque são fabricados lá fora. Se fossem prensados no Brasil, tudo poderia mudar. E daí, fala-se na movimentação das empresas para realizar essa prensagem coletiva aqui, como já acontece com os filmes de DVD e blu-ray. Obviamente, a Sony possui os recursos para fazer esse tipo de coisa e ajudar o processo de suas parceiras, no caso, as publishers que lançam jogos para PlayStation 3. Como está essa situação?
Anderson Gracias: Jogos para PlayStation 2 já são feitos no Brasil, porque são DVDs e é um processo mais simples. Para o PlayStation 3, estamos trabalhando para começar a fazer no Brasil muito em breve, realmente muito em breve. Terá redução de preço? Aí temos uma questão. Hoje a gente já faz certo subsídio para termos o preço que temos. Quando lançamos o God of War 3 a R$ 199,00, todos estavam vendendo lançamentos a R$ 249. E nós colocamos a R$ 199. Hoje, temos lançamentos a R$199, o catálogo e [a linha] Greatest Hits. O lançamento, que é sempre a referência do mercado, é sempre o preço mais alto, e já está sendo subsidiado para ter esse valor, porque hoje os importamos. Mas quando produzir localmente, em um primeiro momento… gradativamente, começaremos a viabilizar melhores preços.
Isso terá a ver com volume também, quantidade de peças produzidas?
AG: A gente tem um compromisso e o objetivo de viabilizar os melhores preços e a melhor experiência para o gamer brasileiro. Isso é fato. E isso passa por preço, pelas lojas, por disponibilidade de produtos, quais tipos de jogos a gente vai trazer, por tradução de jogos para o português do Brasil, seja com voz, seja com legenda… Enfim, tudo isso faz parte do nosso dia a dia, da nossa rotina – viabilizar os melhores preços possíveis para o gamer brasileiro. E isso não é segredo. A gente realmente vai trabalhar para reduzir preços. Agora, se fizermos jogos no Brasil teremos um impacto imediatamente? Talvez não imediatamente. Mas, certamente, em um segundo momento.
Você sabe dizer qual seria o valor ideal cobrado por um game? Se R$ 199 é o preço mínimo que você consegue fazer por um produto que importa, qual seria o valor mais baixo se você produzisse o game aqui?
AG: Como eu já coloco dinheiro nesse R$ 199, ele não seria em princípio esse preço – seria uns R$ 249. Então, é muito difícil estimar isso agora. Não dá para dizer. Quando essa operação se iniciar, teremos estudos de custo para saber o que será possível. Não dá para estimar um percentual de redução de preço.
O pessoal da Warner Games me chutou um valor que achei interessante: se um game lá fora custa US$ 59, mais os impostos, então um preço legal para se cobrar no Brasil seria R$ 130. Eu perguntei: “Mas dá pra fazer isso?” E eles responderam: “Se a gente fizer os jogos aqui, dá sim”.
AG: Seria excelente, um valor fantástico. Se eu tivesse um lançamento a R$ 130 seria demais. Mas não sei, é difícil dizer isso agora. É difícil precisar.
A Microsoft, quando lançou Halo 3 no Brasil, conseguiu fazer um preço de lançamento bastante em conta. Você acha que eles subsidiaram bastante esse valor?
AG: Investiram, com certeza.
Porque atualmente já não se lança mais jogos a R$ 129 por aqui…
AG: Certamente eles investiram bastante. Não tem mágica. Tem que colocar dinheiro [em cima] para poder viabilizar esse preço.
Talvez quando eu publicar essa entrevista o PlayStation 3 já tenha sido lançado no Brasil [a entrevista ocorreu em 22 de julho]. Do momento do lançamento até o final do ano, onde você espera que essa operação Playstation esteja? Porque este ano temos uma iniciativa online da sua principal concorrente, e aqui vocês estarão lançando o console com relativo atraso. Em que posição a Sony Brasil vai estar?
AG: Nós teremos um segundo semestre fantástico pela frente. Começa com o Move. Não sei se você teve a oportunidade de jogar lá na E3. O Move, diferentemente talvez da concorrência, não é um controle só para o casual gamer, mas é para toda a família e também para o hardcore gamer. Estamos falando aí de Heavy Rain com o Move, jogos de tiro em primeira pessoa, esporte, enfim. Vamos movimentar fortemente o mercado com o lançamento do Playstation Move. Daqui para o final do ano teremos vários jogos compatíveis com ele, além de jogos em 3D, que é uma questão que cresce a cada dia que passa. Em 2 de novembro teremos o lançamento de Gran Turismo 5 em 3D, que certamente será o maior lançamento do ano. Vamos investir bastante, fazer muito barulho. Temos várias ações sendo desenhadas para isso.
E o que a gente espera em dezembro, qual é o sonho nosso? O mercado estar mais oficial em relação ao PlayStation 3. A gente tem certeza de que não estará 100%, longe disso. Mas certamente o varejo brasileiro estará vendendo o PlayStation oficial, os acessórios do Playstation Move,e toda a gama de jogos que a gente vai oferecer. Com relação ao volumes de vendas, hoje estamos num patamar legal na América Latina. No México, lógico que o mercado é maior, bem mais maduro do que o nosso. Eles já lançaram o Playstation 3 há mais tempo, mas estamos muito próximos disso, e o nosso potencial é de ser ainda maior. Dentro da América Latina, certamente seremos segundo colocados até o final do ano, mas já encostando. E em volume de vendas, estaremos super bem.
Vocês pretendem lançar o Move simultaneamente ao mercado norte-americano?
AG: No mesmo dia, independente do dia que seja. É uma coisa global. Quando a gente entrou nesse negócio, foi para jogar o jogo. O Brasil não é para ser um seguidor, a gente entrou para fazer parte do negócio seriamente. God of War 3, por exemplo: lançamos três dias depois do lançamento mundial, e não era o que a gente queria. Queríamos lançar no mesmo dia, mas aconteceu um pequeno atraso.
Você trabalha na Sony Brasil há muitos anos e deve concordar que o processo de criação dessa Divisão PlayStation foi mais lento do que se gostaria. Por que você acha que ocorreu essa relativa demora para a Sony mundiall enxergar o Brasil como um mercado com potencial?
AG: O negócio da PlayStation no Brasil vem sendo estudado há muitos anos, e certamente a carga tributária foi um dos pontos que sempre pesou mais na balança. Pensamos: vamos lançar o produto, mas ele é dominado hoje pelo mercado cinza e vendido a X. Por que iríamos colocá-lo para venda custando Y? Esse é um dos fatores. E como desenhar isso ao longo do tempo? E são tantas prioridades! A Sony Brasil, como você sabe, tem também uma divisão profissional de broadcasting, a divisão consumer, com câmera digital, notebooks, filmadoras, áudios portáteis, walkman, enfim, toda uma infinidade de produtos. E agora, a gente tem a divisão Playstation. Não é que o PlayStation fosse menos importante do que as outras categorias, mas talvez o PlayStation tivesse questões mais difíceis de acertar do que outras. Temos uma fábrica em Manaus que produz tudo, mas o PlayStation não é produzido fora de sua fábrica original. Acho que esse é um ponto que pesou bastante na ordem das coisas. E a questão tributária, que certamente pesou um pouco mais. Mas a gente vem tentando viabilizar isso há muitos anos.
Sobre o potencial do mercado brasileiro: a Sony Corporation não demorou a enxergar o Brasil como um mercado potencial para games, de forma alguma. A gente tem números, sabemos qual é o potencial do mercado. É uma questão de acertar a melhor forma de entrar. Nós demoramos ou nós nos antecipamos? Não dá para dizer que a gente demorou e nem que a gente veio antes, mas digo que ainda tem muita coisa a ser feita. Seria muito ruim esperarmos mais um ano para fazermos, mas certamente mais um ano de trabalho ajudaria a acertar o mercado. Talvez esse trabalho junto ao governo fosse melhor ter sido feito antes de lançarmos qualquer coisa. Ou talvez o lançamento ajude a antecipar a redução e a reclassificação dos impostos. Então, foi o momento certo? Talvez tenha sido o melhor momento. Foi o que deu. Tanto é que começamos com o PlayStation 2, e o PlayStation 3 está vindo agora.
A Sony é uma grande player de aparelhos de TV 3D, e o Playstation 3 é um grande chamariz pra puxar para isso. Como é que funciona isso internamente na Sony Brasil? Como é trabalhada a importância da divisão Playstation para a empresa?
AG: É totalmente integrado. O PlayStation 3 é uma das grandes vantagens competitivas que a gente tem. Ele é o player 3D mais instalado no país. A gente trabalha com uma base instalada próxima a meio milhão de consoles. Toda essa base vai tocar 3D. E agora a gente vai lançá-lo oficialmente. Quer dizer, estará totalmente integrado ao mundo 3D Sony. Se você visitar uma loja que tenha um corner da Sony 3D, estarão lá o PlayStation 3 junto a todos os equipamentos, conectados a um home theater e a um LCD 3D da Sony. Tudo totalmente integrado.
E agora, a questão do online. Uma vez lançado o produto, haverá a necessidade de se oferecer todos os serviços possíveis. No caso do PlayStation 3, assim como o Xbox, o videogame precisa estar ligado à Internet para ser possível a melhor experiência. E observando mais uma vez a concorrência, a Microsoft levou quatro anos entre conseguir lançar o console por aqui e lançar sua rede online. Eu só espero que a Sony não demore tanto.
AG: Não, não vai demorar tanto. É claro que a gente não vai conseguir lançar simultaneamente. A Playstation Network Brasil, eu divido em três fases. A fase 1 é a Playstation Network Brasil traduzida, que vai ser o primeiro momento e estamos trabalhando para que seja dentro deste ano-calendário, bem no finalzinho do ano. Será muito difícil conseguir viabilizar isso, mas é um objetivo. A fase 2 será a Playstation Network Brasil com pedaços de costumização, com uma parte de conteúdo provido por nós mesmo, conteúdo para interagir com a nossa comunidade, com nossa mídia, enfim. E a fase 3 é a Playstation Network completa, full, que é a mais demorada e mais complicada, com a Playstation Store, com venda e downloads. Nem a fase 1, nem a 2 e nem a 3 têm datas. A 1 é a mais próxima de acontecer e o nosso objetivo é o final do ano. E as fases 2 e 3 são as mais complexas mesmo. Principalmente a 3, que envolve operações com cartões.
Porque é tão difícil isso no Brasil? A Microsoft sempre colocou o sistema de billing como a grande dificuldade em concretizar essas operações…
AG: Sinceramente, eu não sei explicar em detalhes. Temos um time trabalhando nisso que envolve o departamento jurídico, a controladoria, as finanças. Tem um pouco de tudo, um pouco de questões legais, contratuais. Tanto nós, como certamente a Microsoft, temos que lidar com questões como “quem é a subsidiária”, “onde é que o dinheiro fica”, “pra quem vai”, “quanto fica para quem”. Tem um pouco de tudo isso, e tem os impostos. Eu dividiria assim: questões legais, questões internas e impostos. Tem um pouco de tudo, e isso acaba complicando um pouco mais.
Você está há nove anos na empresa. Como você entende que a Sony enxerga o mercado brasileiro. A gente escuta a história do BRIC [conjunto de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China] há muito tempo. Atualmente, o Brasil está em um momento de relativa estabilidade. Você enxerga que somos vistos de uma maneira diferente?
AG: Somos extremamente o foco. Há muito pouco tempo, em eventos mundiais da Sony, de vez em quando se escutava falar da América Latina. Eu, nesses nove anos, já fui a muitos desses eventos. Às vezes se escutava falar em America Latina e aparecia o mapinha. De quatro anos para cá, começamos a escutar muito sobre a América Latina, e de dois para cá, a gente ouve muito Brasil. A gente escuta o nosso presidente mundial falando, e o Brasil está no discurso sempre. E agora tem a questão da Copa do Mundo de 2014. Lembrando: a Sony é a patrocinadora oficial da FIFA, inclusive para a Copa que será no Brasil. Todos os olhos estão voltados para cá, e isso gera benefícios, investimento. A Sony Brasil está muito bem e faz parte da estratégia mundial da empresa.
Não era assim antes? O fato de o Brasil ter passado quase incólume pela crise mundial de 2008 contou também pontos a favor para que o Brasil se tornasse um país interessante para a Sony?
AG: É uma opinião pessoal: eu acredito que sim. Eu não diria que o Brasil estivesse lá embaixo na lista de prioridades da Sony. Eu acho que fomos crescendo, ganhando corpo. Todo país tem que se provar viável, toda a operação no país precisa mostrar resultado, e a Sony Brasil mostrou e vem mostrando resultados a cada ano. E aí, junte a isso à capacidade técnica da operação brasileira, junta com o potencial do mercado: é a combinação perfeita. E não tem outra forma a não ser apostar.
O que se dizia é que o Brasil tinha uma imagem muito ruim lá fora por conta dessa propagação do mercado cinza e pelo fato de nada conseguir ser feito de modo adequado por aqui. Quando eu trabalhava na Nintendo World, em reuniões com o pessoal da NOA, ouvia muito dizer que não dava para se trabalhar sério no Brasil. A imagem do Brasil era muito ruim lá fora, pelo menos nesse caso. A gente já limpou a nossa barra?
AG: Eu te digo: em nove anos de Sony, eu nunca ouvi algo parecido. Tanto dos altos executivos dos Estados Unidos, com os quais interagi muito, quanto dos japoneses, eu nunca ouvi isso. Aliás, dentro da Sony, existe mundialmente uma paixão pela Sony Brasil e isso é muito positivo. Todo mundo sabe o que acontece no país, os meios de comunicação e a Internet acabaram ajudando a divulgar o que acontece. Ao longo dos últimos anos, é impressionante a capacitação técnica da liderança local da Sony Brasil. Se olharmos quem são os líderes, pessoas que estão aqui há anos. É uma base que vem crescendo. São jovens e isso conta lá fora. Então nunca existiu esse tipo de comentário e sentimento, muito pelo contrário. Existe um carinho todo especial pela Sony Brasil dentro da Sony.
Você passou por todos os departamentos da empresa e agora está lidando com videogames. Não sei se você almejou isso na sua carreira. Está se divertindo?
AG: Está sendo divertido, talvez mais para os meus filhos [risos].
Quantos filhos você tem?
AG: Tenho dois, um vai fazer oito e o outro vai fazer 16.
É exatamente o seu público alvo.
AG: Público alvo total. São hardcore gamers, posso garantir. Está sendo divertido, mas está sendo mais difícil do que eu imaginava. Eu me cobro muito, sou muito focado em resultados. Eu entrei aqui para lançar a câmera Cybershot. Foi um trabalho muito legal, mas difícil, porque parece muito com o que a gente está enfrentando agora, porque o mercado paralelo para câmeras era impressionante. Ele ainda é grande, mas a gente conseguiu reverter isso ao longo dos anos esse jogo. Eu também fui responsável por filmadoras, depois eu fui para a área de áudio, até o momento em que eu fui para vendas. Fui gerente regional de vendas quase para o Brasil inteiro, já morei no Sul, gerenciei o Sudeste morando no Rio de Janeiro, o interior de São Paulo, Triângulo Mineiro, contas nacionais. Todo o grande varejo, Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza, enfim, todos eles. As experiências de vendas e marketing juntas me facilitam um pouco do trabalho agora, mas está mais difícil que eu imaginava, por conta de resultados. Eu gosto de mostrar resultados e esse atraso que a gente falou, essa dificuldade toda, me incomoda um pouco. Mas está sendo divertido.
Você se cobra muito nesse sentido?
AG: Eu me cobro mais do que o meu chefe me cobra.
Imagino que você leia tudo que na imprensa sobre as ações da Sony Brasil e que deve encontrar várias críticas a que adoraria responder pessoalmente…
AG: É, responder. Eu pensei isso várias vezes, principalmente no começo, Até conseguimos ao longo dos meses reverter um pouco disso, mas, no começo, era só crítica. E eu leio tudo. Tudo o que se fala de Playstation e Sony Brasil, eu leio. Eu vou a blogs, sites e vejo tudo. Leio e penso como gostaria de poder responder, interargir. Mas muitas coisas a gente não pode, não é a forma correta e nem o momento correto de abordar. Uma das coisas que prezo muito é: quando você abre um canal de comunicação com o consumidor final, esse canal precisa permanecer. Então, entrar em comunicação direta com o consumidor dentro de um blog é algo muito arriscado. Se você entra, dá uma resposta e sai de cena, aquele canal tem que ser mantido aberto. E a gente não consegue fazer isso agora, mas vai chegar o momento que faremos a questão da interação com as comunidades, com as redes sociais. Ainda não existe um canal oficial no Twitter ou no Facebook.
Existe esse plano de limpar a barra da empresa, melhorar a imagem?
AG: Existe, existe. Mas sabe como? Mostrando. Pode ver: a gente ainda nunca respondeu a essas críticas, e eu já li críticas muito pesadas. No começo, não sabiam quem era o responsável pelo PlayStation no Brasil. Hoje, sabem que é o Anderson Gracias. Eu acho que se soubessem no começo, com certeza o meu nome ia estar lá: “Aquele imbecil do Anderson Gracias…”. Mas é difícil a gente explicar para cada um o que acontece. E mais difícil ainda é fazer aquela pessoa entender e acreditar que a nossa vontade é a mesma que a dela, de viabilizar aquele negócio. Eu acho que a gente tem essa missão de limpar, mas mostrando, com visão de longo prazo. Eu sempre digo isso: a gente não veio se aventurar aqui. A gente veio fazer um negócio e que ele perpetue ao longo de muitos anos. O PlayStation vai ter muitas gerações e esse negócio está começando agora. Ele vai realmente perpetuar, eu tenho certeza.
Mas, a gente só consegue fazer isso mostrando, lançando jogos bons, fazendo campanhas de lançamentos, viabilizando um preço bom para o consumidor. Eu comecei a ler já comentários do tipo: “que legal”, quando fizemos a redução de preços. “A equipe da Sony Brasil está realmente trabalhando”, ou “Não é o ideal, mas já melhorou muito”. Porque já fizemos alguns reajustes de preços e vamos fazer muito mais, vamos viabilizar muito mais. É com essa filosofia que vamos trabalhar. Às vezes, é muito doloroso ler e ver o que está sendo falado sobre a sua estratégia, que ela está sendo mal compreendida. Mas não podemos entrar lá e dizer que entenderam errado. Não é isso: você precisa mostrar. E a gente está, devagar, mostrando.
Lá fora, existe a grande rivalidade entre as fabricantes. No Brasil, eu enxergo que o grande adversário da Sony é a própria Sony. O Xbox 360 já está no mercado. Existe essa dúvida ainda sobre qual console o consumidor deve comprar, mas quando o PlayStation 3 entrar de verdade no Brasil, a questão vai mudar. Encontrar um lugar nesse mercado só dependerá da própria Sony.
AG: É, eu penso assim também. Hoje a gente não trabalha com market share, quanto tem a Microsoft, quanto tem a Nintendo etc. Porque o nosso momento é diferente. O nosso momento é de juntar forças, de todos esses grandes fabricantes conseguirem fazer com que o segmento de games cresça oficialmente e que o governo e as autoridades entendam o trabalho que tem que ser feito e nos apóie. E que a gente apóie eles, e que tudo seja recíproco. Esse é o momento que a gente vive, com os três grandes fomentando cada vez mais esse negócio. Mas que seja pelo lado oficial, não pelo paralelo.
Você conversa com as outras empresas? Existe esse canal aberto?
AG: Não, ele não existe. A gente conversa, troca informações, mas ainda é muito informal. Talvez nós e a Microsoft, enfim, deveríamos liderar esse comitê. Estamos superdispostos a isso. É uma forma que a gente enxerga como interessante e boa para se trabalhar, principalmente no mercado brasileiro neste momento. Com o Guilherme [Camargo, gerente de marketing da Microsoft] eu já me encontrei. Até por conta da E3, nos falamos por telefone.
Você acha que a criação desse “comitê” não-oficial, a união dos principais players, pode mesmo ser efetiva? Ou é uma ação de apelo mais “marqueteiro”?
AG: Eu acho que é efetiva sim. Porque é claro que existe a parte da estratégia confidencial, mas há uma parte da conversa que pode ser compartilhada. Porque o seu competidor pode estar adotando a mesma estratégia, e juntos é possível decidir mudar o cenário. Eu sou um gestor de negócios, não sou um hardcore gamer, e dentro do segmento, que estou aprendendo a cada dia que passa, existe muita gente correta e muita gente incorreta. Essa é minha opinião. Há os incorretos que querem se passar por corretos; e tem os corretos que, às vezes, dão uma escorregada. Se a gente criar um comitê, essa seleção será natural. Porque eu como Sony Brasil não farei parte de um mesmo fórum de um “incorreto”. Mas isso acontecerá a partir do momento em que eu descobrir e constatar quem realmente é incorreto. E daí, talvez esse grupo fique realmente forte e interessante de se trabalhar. Fica aí uma sugestão. Somos abertos a isso. Claro, alguém vai ter que dar o primeiro passo. Talvez a gente dê. Talvez o dia a dia de cada um que impossibilite. Talvez a Microsoft esteja sofrendo muito para fazer seus lançamentos aqui, já que eles têm um projeto superagressivo para o final do ano. São as prioridades. Mas eu sou favorável a isso, com certeza.
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Leia a primeira parte da entrevista com Anderson Gracias aqui.