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08/06/2011 - 21:24

E3 2011: Entrevista Exclusiva – Reggie Fils-Aime, Presidente da Nintendo, explica o Wii U (e promete novidades para o Brasil)

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No meio da correria da E3 2011, entrevistei Reggie Fils-Aime, o presidente da Nintendo of America. Na conversa franca e direta (como lhe é de praxe), o carismático executivo despejou frases de efeito e conceitos sobre o Wii U, console a ser lançado em 2012, além de dar dicas sobre as próximas ações efetivas da Nintendo no mercado brasileiro – além de confessar que provavelmente fará uma primeira visita ao país no segundo semestre. Confira a seguir a conversa exclusiva e bastante reveladora, realizada há poucos minutos, no estande da Nintendo na E3:

Gamer.br: Quando conversamos pela primeira vez, há cinco anos, a situação era muito diferente para a Nintendo. Vocês revelaram o Revolution, que viria a se tornar o Wii, mas naquele ano não mostraram nada sobre ele além do visual do console. Nenhum sinal de games, muito menos do joystick. Naquela ocasião, quando entrevistei Shigeru Miyamoto, ele disse que a ideia era não dar informações que inspirassem a concorrência. Agora, nessa E3, vocês fizeram justamente o contrário: revelaram o joystick e meio que não falaram muito sobre o console em si.
Reggie Fils-Aime: É incrível que você tenha relembrado de 2005. Porque aquela situação, em que revelamos ao mundo sobre o Wii, é bastante semelhante em relação ao que estamos mostrando agora sobre o Wii U. Ele será lançado em algum momento após 1º de abril de 2012, então temos mais ou menos um ano até colocá-lo no mercado. Nessa E3, achamos que seria importante que a imprensa e os consumidores compreendessem nossa visão. E nossa visão é: jogar games em casa com duas telas – em uma tela grande, na sala, e em uma menor, nas suas mãos. Acreditamos que as opções de jogo que estamos criando serão empolgantes para os consumidores. Conversamos com desenvolvedores, e eles estão bastante empolgados também.
Voltando a sua pergunta sobre o porquê de divulgarmos essas informações tão antecipadamente: é porque achamos que nossos concorrentes estão presos em uma direção. Além disso, eles acabaram de lançar novos acessórios – seja uma câmera, no caso de um, seja um controle com sensores de movimento, no caso do outro. Eles estão presos, indo para um lado, enquanto nós estamos indo para o outro. Sentimos que, nesse momento, é importante dividir o que estamos fazendo. Precisamos trazer mais desenvolvedores de jogos para o nosso barco, e estamos confiantes que conseguiremos levar essa tecnologia ao mercado antes de qualquer um de nossos concorrentes.


Reggie Fils-Aime posa com o Wii U: console será lançado “entre abril e dezembro de 2012”

Gamer.br: E por que não revelar muitas informações sobre o hardware?
RFA: Bem, nós dissemos tudo o que é preciso sobre o hardware. Divulgamos que será 1080p; que o hardware irá gerar energia ao controller, o que quer dizer que ele não é um produto separado, que poderá ser levado por aí como um dispositivo móvel. Ele foi feito para ser conectado ao console; divulgamos que ele será retrocompatível; que terá diversas entradas USB para adicionar memórias. No nosso ponto de vista, divulgamos o que precisávamos divulgar. Será um sistema poderoso, capaz de gráficos incríveis, capaz de explorar bastante a capacidade de processamento. E isso é tudo o que as pessoas precisam saber. O resto está na experiência.

Gamer.br: No meu ponto de vista, me parece que a idéia por trás do Wii U é a seguinte: a Nintendo já possui uma posição vantajosa no mercado de consoles portáteis. Além disso, vocês sabem como atrair a atenção dos mais variados tipos de consumidores no mercado de consoles caseiros. Então, seria algo mais do que natural misturar as duas coisas. É isso mesmo?
RFA: De novo, eu enxergo isso como duas novas oportunidades. Acabamos de lançar um novo console portátil, o Nintendo 3DS. E acabamos de anunciar seis games para ele, que serão lançados um atrás do outro. É uma plataforma independente que tem um caminho próprio a seguir. Agora, divulgamos o Wii U. E revelamos também que Mr. [Masahiro] Sakurai está trabalhando em um game [Smash Bros.] que irá unir essas duas plataformas. A questão não é que precisávamos criar um novo portátil: nós já temos um, novinho em folha. O que sentimos é que, para o ambiente caseiro, o conceito de ter duas telas seria uma boa idéia. E é isso o que pretendemos oferecer.

Gamer.br: Os tablets hoje são maiores do que nunca. O sucesso de produtos como o iPad contribuíram, de alguma forma, com a criação do conceito do Wii U?
RFA: Nós já estávamos bastante avançados no desenvolvimento do Wii U quando o mercado de tablets explodiu globalmente. Então, o que aconteceu nesse caso é certamente relevante. Mas digo uma coisa: de diversas maneiras, o que está ocorrendo com os tablets só prova o quanto a nossa ideia é mesmo a correta. Veja por esse lado: em muitas casas, você tem pessoas assistindo a TV, enquanto a outra está usando algum tablet. Estão todas no mesmo ambiente, mas não estão conectadas, uma vez que o tablet não está interagindo com o que acontece na televisão. Com o nosso sistema, não apenas os amigos e família dividem a experiência (como mostramos na demo de Chase Mii), mas também as telas não estão conectadas. Esse é outro indicativo de que nossa idéia é muito poderosa.

Gamer.br: Com o Wii U, a Nintendo parece querer trazer os jogadores hardcore de volta, ao mesmo tempo em que pretende manter o público casual ainda interessado. Quão difícil é balancear essas duas intenções?
RFA: Não é difícil. E isso ocorre porque temos experiências de que os novos consumidores irão gostar, como aquela simulação de golfe que todos aplaudiram em nossa coletiva. Mas também acreditamos que com grandes games third party, como Assassin’s Creed e Madden, os hardcore ficaram ansiosos também. Acho que, pela primeira vez, temos um sistema o qual todos os tipos de consumidores estão empolgados para jogar.

Gamer.br:…O que não foi o que aconteceu em primeiro momento com o Wii.
RFA: [Mexe a cabeça] …Mas sejamos justos: vendendo 86 milhões de cópias no mundo todo, dá para dizer que temos uma boa quantidade de consumidores casuais e uma boa quantidade de hardcore entre nossos compradores de Wii.

Gamer.br: Em 2005, a indústria era bem diferente, assim como a situação da Nintendo na guerra dos consoles. Agora, vocês estão em outro patamar, onde podem liderar as tendências e, talvez, definir o que seus competidores farão daqui pra frente. Parece óbvio que Sony e Microsoft irão seguir as direções da Nintendo, queiram vocês ou não. Você disse que eles estão indo para uma direção oposta, mas parece que as ações da Nintendo fatalmente serão de alguma forma copiadas por eles. Como é ter esse poder de definir as regras do jogo?
RFA: É maravilhoso. E o que é interessante é que, em todo esse tempo que trabalho na Nintendo, sempre estivemos seguindo nosso próprio caminho. Quando entrei na empresa, estávamos nos preparando para lançar o NIntendo DS. Naquele momento, nosso rival anunciou que iria lançar um console portátil mais potente. Nós criamos um produto que vendeu quase duas vezes mais e proporcionou experiências muito mais amplas. Quando lançamos o Wii, deixamos bem claro que estávamos indo em uma direção diferente. Naquele tempo, gráficos bonitos não eram, na nossa visão, necessários ou obrigatórios para se ter uma grande experiência. 86 milhões de unidades vendidas depois, temos um quadro em que o competidor mais próximo possui, talvez, uns dois terços dessa quantidade. Visto isso, pretendemos continuar a inovar e a seguir nas direções que achamos que são as melhores para o consumidor.

Gamer.br: Sei que ainda não há o que ser dito sobre o preço e a data de lançamento, mas você disse que pretende lançar o Wii U após 1º de abril , que é quando se iniciará o ano novo fiscal. Dá para dizer que será um preço de alguma maneira parecido com o que vocês cobraram inicialmente pelo Wii, uma vez que as máquinas, de certa forma, se parecem?
RFA: Não estamos falando sobre preços ainda, mas as máquinas são diferentes, muito por causa desse controller tão único [aponta]. Mas o que posso dizer é que a Nintendo acredita em oferecer valor a quem compra os seus produtos. Então, qualquer que seja o preço, eu garanto que será um produto de valor para o consumidor.

Gamer.br: Eu ouvi rumores de que você irá visitar o Brasil ainda esse ano. Confirma?
RFA: [Hesita] Eu certamente… espero visitar o Brasil. Ainda não tive a oportunidade de experienciar o mercado brasileiro. Estive no México, no Panamá, e sei que preciso ver o Brasil de perto. É um mercado muito importante para nós, ainda mais nesse momento, em que nos preparamos para lançar oficialmente o Nintendo 3DS lá. Então, sim, provavelmente nesse outono [primavera no Brasil, período entre setembro e dezembro], eu gostaria muito de visitar esse mercado e ver como podemos ser mais efetivos na região.


Fils-Aime: planos de visitar o Brasil pela primeira vez no segundo semestre

Gamer.br: Você obviamente está a par das dificuldades históricas de se fazer negócios no Brasil. Como somos parte do chamado “BRIC” [grupo de países emergentes formado por Brasil, China, Índia e Rússia], há hoje muitas possibilidades abertas no país. Como presidente da Nintendo, como você enxerga o país nesse momento?
RFA: Nós sempre enxergamos o Brasil como uma tremenda oportunidade. Nós precisávamos que nossa equipe interna estivesse preparada para um projeto dessa magnitude – já temos isso agora. Precisávamos de um parceiro de negocio para nos ajudar a atacar esse mercado – e temos isso agora. Precisávamos compreender como as coisas funcionam no Brasil – nós estudamos o país bem de perto e temos essas respostas agora. Foi necessária uma grande quantidade de trabalho para entender profundamente esse mercado, mas acredito que enfim conseguimos alcançar isso. Agora, espero que consigamos grandes resultados no Brasil.

Gamer.br: Na prática, quais são esses planos? Vocês pretendem fabricar consoles no país?
RFA: Nesse momento, não estaremos fabricando no Brasil. Estaremos importando os produtos, e pretendemos fazer isso da maneira mais eficiente o possível.

Gamer.br: E traduções de games e produtos para o português?
RFA: Nesse momento, temos o hardware [do 3DS] que será traduzido para o português, e isso inclui algumas de suas aplicações. O software ainda não será traduzido para o português, mas certamente esse é o próximo passo. É aquela história do ovo e a galinha: precisamos ver bons resultados de vendas, para isso nos dar a motivação para fazer esse tipo de ação.

Gamer.br: Para finalizar, se você tivesse de explicar rapidamente a um consumidor desavisado sobre o Wii U, como o faria?
RFA: Vou começar pelo conceito: criar uma experiência de duas telas. Porque no nosso ponto de vista, duas telas são melhores do que uma. E o modo como isso será feito é através de um console poderoso, equipado com um controller realmente único.
Sobre o nome, Wii U: ele foi criado para dizer que este é um videogame para você – seja você um gamer ativo, seja você um novato. Ele é para todo mundo.

Notas relacionadas:

  1. Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada
  2. E3 2011: O Café no Bule da Nintendo
  3. E3 2011: Por Dentro da Coletiva da Nintendo (AO VIVO)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
07/06/2011 - 10:57

E3 2011: O Café no Bule da Nintendo

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A E3 2011 propriamente dita começa hoje, após a coletiva da Nintendo lá no Nokia Theater, em Downtown LA. Antes disso, é o que chamamos vulgarmente de pré-E3.

Em sua apresentação para a imprensa, a última entre as grandes fabricantes, a Big N deve revelar ao mundo detalhes de seu novo console de videogame. O nome-código, Project Cafe, dá o que falar e gera dezenas de piadinhas e trocadilhos horríveis (vide o meu título). Todos especulam, mas ninguém sabe ao certo o que esperar do sucessor do Wii.

É uma novidade em se tratando da Nintendo, a ousadia de mostrar detalhes de um novo console doméstico antes da concorrência. Nas gerações anteriores, a fabricante japonesa sempre pegou o bonde andando – seja por vacilo mesmo (no caso do Nintendo 64 e do GameCube), seja para esconder o jogo e enganar os competidores (no caso do Wii). Com o o Cafe, a ideia é sair na frente e mostrar que a Nintendo pensa diferente, adiante e está em outro patamar – pelo menos é isso que o movimento ousado dá a entender. Saberemos melhor em exatamente duas horas e 15 minutos.

O que você está esperando? Eu prefiro não especular.

***

Ainda hoje, também saberemos mais sobre a atuação da Sony no Brasil. É real o rumor de que a rede PSN enfim se tornará uma realidade, com PS Store nacional e tudo? A fabricante deve (ou não) confirmar a informação ainda hoje. Existe um otimismo entre a imprensa nacional cobrindo a E3 – mesmo porque, se a notícia não se concretizar, é porque estamos mesmo em baixa (o que não é o caso, sabemos bem).

***

Relembre comigo como foi o primeiro dia de E3 2011 (clique e prestigie):

Como foi a coletiva da Microsoft, onde eles mostraram que Kinect é o grande barato.

Como foi a coletiva da EA, onde eles admitiram que futebol é o maior negócio do mundo.

Como foi a coletiva da Ubisoft, onde eles confessaram que são os melhores, e pronto.

Como foi a coletiva da Sony, onde eles pediram desculpas e mostraram o portártil PSVITA.

Como foi a festa pós-Sony, onde o Jane’s Addiction ganhou uns trocados a mais.

Notas relacionadas:

  1. Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro
  2. A Nintendo no Brasil, a Sony em 3D, as idas e vindas do mercado
  3. E3 2011: Começou de novo
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
06/06/2011 - 06:12

E3 2011: Começou de novo

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Cá estou ao vivo, direto de Los Angeles.

A E3 2011 vai começar amanhã. Estamos cansados, exaustos, mas vamos nessa. Tudo pode acontecer. E as tradições, de certa forma, vão se repetindo.

Nessa segunda-feira logo cedo, 9h daqui (13h no horário de Brasília), a Microsoft vai começar a brincadeira, mostrando suas armas em sua coletiva de imprensa no suntuoso Galen Center. E isso não significa exibir mais um console em seu repertório iniciado há não muito tempo com o Xbox. Vale lembrar que, em 2009, o grande momento da coletiva da Microsoft foi a aparição de dois quartos dos Beatles – Paul e Ringo; no ano passado, foi a vez do Kinect (os jornalistas e convidados foram utilizados como cobaias do brinquedo). E esse ano?

Mais tarde, a Sony tentará se redimir de seus pecados com o maior e mais longo evento para a imprensa da história da E3. Deve começar às 17h e terminar bem tarde. Tudo pode acontecer – literalmente: há quem diga que até o Brasil terá novidades (PS Store nacional?). Mas e se hackers decidirem atacar para estragar a festa?

E no dia seguinte, a Nintendo finalmente, e pela primeira vez na história, vai mostrar seu novo videogame antes da concorrência. O tal do Project Cafe estará disponível e em detalhes – poderemos até encostar no dito cujo. Quem sabe jogá-lo? Revelar tanto e com tamanha antecedência não faz parte da tradição da Nintendo. Ou será que é pegadinha para pegar os adversários de jeito?

E3 é isso aí: emoções, decepções, especulações, noites sem dormir. Mas não estou ouvindo ninguém reclamar.

Até logo mais, aqui mesmo e em tempo real no Gamer.br e por aqui.

Notas relacionadas:

  1. E3 2009: Começou. Ou quase
  2. Xbox Live Brasil: Já Começou
  3. Sony Brasil reduz preços de games (de novo)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
17/03/2011 - 13:24

Não Gaste seu Dinheiro em Qualquer Porcaria

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Como estão as coisas por aí? Aqui vão bem.

São muitos eventos rolando em São Paulo nesse momento. O GameWorld, que aconteceu no final de semana passado, foi um sucesso de público. Ontem, a Activision revelou suas novidades para 2011 em um encontro com a imprensa (não compareci).  E escutei bons boatos esses dias sobre um evento de games de proporções ainda maiores no segundo semestre (muitos de vocês já sabem do que estou falando). Mas logo volto a fofocar sobre isso.

Por enquanto, para ninguém dizer que não ligo mais para games, epublico agora um texto que fiz para a revista EGW de dezembro, sobre consumismo desenfreado. Acho que é um tema que continuará eternamente em voga, então sempre vale a pena discutir o assunto.

E logo mais volto por aqui.

***

Jogos Demais, Tempo de Menos
O mercado está entupido de novos jogos e acessórios, mas nem todos valem o seu suado dinheiro

Novembro foi um mês agitado para quem mexe com games no Brasil, seja profissionalmente, seja casualmente.

A Microsoft lançou a rede Xbox Live por aqui. E isso por si só já deveria ser o bastante para ocupar todo mundo. Havia quem não acreditasse que aconteceria. Mas deu certo (ou melhor, espero que tenha dado. Escrevo esta coluna no dia anterior à estreia do sistema, e rezo para que esteja funcionando direito no momento em que você estiver lendo isso. A Microsoft garantiu que funcionaria, então é melhor a gente crer). E, uma semana depois, o Kinect, também da Microsoft, chegaria às lojas brasileiras – dessa vez, com apenas duas semanas de atraso em relação aos Estados Unidos. Tudo ao mesmo tempo agora.

Enquanto isso, a Sony Brasil não fala muita coisa a respeito do seu lado da história – no caso, a rede PSN e o acessório PlayStation Move. Questão de timing e estratégia. Afinal, a Microsoft levou “apenas” quatro anos para anunciar a chegada da Live no Brasil (o Xbox 360 foi lançado aqui no final de 2006). A Sony, por sua vez, se mantém adequada ao seu cronograma, por assim dizer: o PS3 também chegou por aqui com quase quatro anos de atraso em relação ao lançamento oficial. Então, no fim das contas, está tudo de acordo com o esperado.

E é claro, precisamos nos lembrar de que este fim de ano é o período critico de lançamentos, o tal do “fall” norte-americano. É aquela louca proporção de um game por dia. Enxugando tudo e dispensando o que não presta, dá para dizer que o período oferece bem menos do que uma dezena de games imperdíveis. Em meio a tudo isso, eu fico aqui pensando quem é que tem dinheiro para consumir tanta coisa. Você tem? Porque eu não tenho.

Você pode dizer que não tenho do que reclamar porque recebo tudo de graça no conforto de meu lar. Isso é meia verdade. Recebo algumas coisas, outras tenho que comprar, como todo mundo costuma fazer. E se já acho complicado gastar tanta grana com um ou outro game, fico imaginando um cara honesto como você, que não tem nenhuma boiada e precisa comprar tudo “na raça”.

Na real, a indústria dos games não está nem um pouco preocupada com isso. Talvez eles nem enxerguem a situação como um problema de verdade. Eles devem dizer: “Ruim seria não haver game nenhum para escolher!” E para reforçar essa tese, as empresas lançam mais produtos do que conseguiríamos comprar e jogar. Melhor sobrar do que faltar? Eu acho que não é bem por aí.

É até difícil apontar um game ruim em meio a tantos jogos “mais ou menos”. Com esse excesso de novidades, se torna mais trabalhoso o processo de garimpagem, e é quando o bom senso do consumidor se faz mais do que necessário. Algumas perguntas, porém, são de difícil resposta: é possível apostar com absoluta certeza em um game criado por uma desenvolvedora consagrada? Uma continuação de um jogo incrível será necessariamente um jogo incrível? Devemos confiar em todos os reviews positivos publicados pela imprensa?

Penso que o consumidor deve ter essas questões em mente, mas relembro também algo mais importante (e que muita gente parece se esquecer): você não é obrigado a desperdiçar seu suado salário em qualquer porcaria. Não é porque a indústria abarrota as prateleiras que você precisa engolir qualquer sapo. Dê um basta no consumo desenfreado: 1. Jogos ruins e feitos às pressas não devem ser levados em consideração. 2. Continuações pouco criativas não precisam necessariamente ser consumidas, mesmo que você seja um fã ardoroso de determinada série. 3. Gênios também falham, então você não precisa comprar um game de gosto duvidoso apenas porque foi supervisionado por seu designer japonês favorito.

Investigue, teste, enlouqueça o cara da loja, mas tenha absoluta certeza antes de gastar um único centavo. Não entregue o seu dinheiro a quem não merece. E se estiver difícil de decidir, pergunte a quem você mais confia. Às vezes, a opinião de seu melhor amigo pode ser muito mais válida do que a de um jornalista…

* Texto originalmente publicado na edição 108 da EGW, dezembro de 2010.

Notas relacionadas:

  1. Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro
  2. A Activision quer ser a melhor do mundo (gastando muito dinheiro para isso)
  3. Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
17/03/2010 - 18:48

Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro

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Opa, voltamos.

Estou em Austin, Texas. Sabe onde é?

Aqui está rolando o festival South by Southwest (SXSW para os íntimos). É o evento cultural mais bacana e abrangente dos Estados Unidos na atualidade. Não só porque é super democrático e amigável, mas porque ele não se limita a música. Rola também cinema e, acredite, games.

Na verdade, eles chamam o segmento de “interactive”. Quer dizer, internet e midias sociais entram na jogada. Mas rola games também. Principalmente os casuais – ou alguém diria “independentes”. Muita coisa interessante foi mostrada, como você pode ver aqui. Como bem disse o fulano entrevistado, “South by Southwest is like springbreak for nerds”. Acho que deu para entender. Dê uma olhada no site oficial do evento, que eles explicam melhor o que rolou por aqui.

Pra variar, cheguei atrasado à cidade. A parte interativa terminou ontem. Hoje começa a musical. Ossos do ofício. E a cidade já está tomada por gente tatuada e carregando cases de guitarra por aí.

***

Não foi o único evento em que cheguei atrasado. Estava em San Francisco, Calif’ornia, até ontem. E lá, como você bem sabe, rolou a Game Developers Conference (GDC para os íntimos). Terminou na sexta, e foi o dia em que cheguei. Passei raspando e perdi a chance de ver de perto o PlayStation Move, controle sensível ao movimento para o PS3. Quem sabe na E3, em junho…

Mas o fato é que estou em Austin, e se algo interessante se desenrolar, vou tentar reportar aqui.

***

Enquanto isso, no Brasil…

A Tambor, editora que publica a revista EGW (ex-EGM) e a Nintendo World, stá anunciando com alarde o conteúdo de seu grande evento de games brasileiro, o Troféu Gameworld.

Você já deve estar sabendo, mas lá vai: é a premiação dos melhores games de 2009, com direito à presença de algumas das principais empresas do segmento. Será no dia 31 de março, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. E o que era para ser apenas uma entrega de troféus se tornou uma feira de games por si só, com entrada aberta e gr’atis ao público a partir de 30/3 (só mesmo a entrega dos prêmios, no dia 31, é exclusiva para convidados). Visite o site oficial e confira as outras atrações, entre elas, a presença física de Nintendo, Microsoft e Sony.

Segundo o André Forastieri, diretor editorial da Tambor e idealizador do Troféu Gameworld, esta é a primeira vez que as três principais fabricantes de consoles irão marcar presença em um evento brasileiro. Com a palavra, o Forasta:

“A participação das três gigantes dos games, juntas pela primeira vez em um evento no Brasil, demonstra a importância do Gameworld 2010, a capacidade de articulação da Tambor e o potencial que o mercado nacional de games representa neste momento. Com a crise internacional, todos os grandes players de internet, tecnologia e games estão vindo para o Brasil com tudo. Ainda bem que a Tambor já passou dos três milhões de usuários mensais, todos fãs de tecnologia e entretenimento. Estávamos aguardando seis mil pessoas nos dois dias, agora esperamos 8 mil…”

Em resumo, Nintendo, Microsoft e Sony mostrarão seus games novos (no caso da ultima, God of War III e Heavy Rain). Todas distribuirão brindes e farão sorteios com o público. E do lado da Nintendo, o evento promete  a presença de Charles Martinet, o dublador do Mario nos games desde 1996. Conheci o cara em uma E3 qualquer, e garanto: ele é um sarro. nem parece de verdade, se é que você me entende.

André Martins, comandante da Tambor, acrescentou: “O evento deste ano é um grande passo para o mercado de games no Brasil, mas que ainda falta muita coisa. As empresas precisam se dedicar mais aos negócios, o mercado anunciante tem que prestar mais atenção neste segmento e a Tambor continuará batalhando por isso. Vamos iniciar uma campanha massiva para redução de impostos, dando mais atenção para o tema na revista, descobrindo com quem devemos reclamar e como, inclusive no próprio evento vamos começar um abaixo assinado por essa redução”.

Recado dado. Estaremos lá. Nos vemos?

E deixa eu correr por aqui que estou atrasado para o rock & roll.

Notas relacionadas:

  1. O Vai-e-Vem do Mercado Brasileiro – no bom sentido
  2. Editores das revistas EGW e Nintendo World deixam cargos e abrem empresa própria
  3. Sony inicia venda oficial de games no Brasil – menos o PlayStation 3
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
16/11/2009 - 23:36

Yes, nós temos medalha de ouro. E Zeebo para todos

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E aí, seu fim de semana foi tão agitado quanto o meu? Espero que sim.

Foi tão agitado que nem pude comparecer ao evento promovido pela Nintendo (Latamel) em São Paulo neste domingo de feriado. Falhei, e até tomei um puxão de orelha dos próprios organizadores por não ter comparecido. Quem foi, disse que foi bacana. Para quem quiser saber mais sobre o evento em si e o jogo lá exibido (a saber, o New Super Mario Bros. Wii), leia a resenha escrita pelo hiperativo Gus Lanzetta, que esteve lá e viu tudo com os próprios olhos.

***

E você viu essa? O Brasil é campeão mundial de Guitar Hero.

Isso se você considerar o World Cyber Games como o verdadeiro e único campeonato de videogames do planeta. Como não há outro com tanto peso e nome, então podemos dizer que sim, o Brasil tem o melhor jogador do mundo em Guitar Hero: World Tour.

O paulistano Fábio Jardim, codinome caiomenudo13, foi o campeão da modalidade no World Cyber Games 2009, que rolou neste final de semana em Chengdu, China. Após ter passado invicto para a fase eliminatória, Fábio eliminou um inglês e dois norte-americanos para merecer a medalha de ouro. É digno de parabéns o feito, visto que Fábio tem apenas 14 anos e enfrentou caras mais velhos e, teoricamente, mais preparados – se é que, com a globalização, faz alguma diferença o fato de um game ter sido desenvolvido nos Estados Unidos. Não faz, mas digamos que faça.

O Brasil teria ficado em segundo lugar na classificação geral se tivesse ganho mais uma medalha de ouro no game de snooker Carom 3DJean Michel dos Reis Monico, o jeantek, de Vitória (ES), fez valer a tradição brasileira nesse game (o Brasil levou o bronze em 2008, e ouro e bronze em 2007) e alcançou a final. O rapaz de 20 anos acabou perdendo para o representante sul-coreano e ficou com a prata. No total, a delegação brasileira somou duas medalhas e ficou em quarto lugar no geral, atrás de Coréia do Sul. Suécia e Alemanha.

wcg2009
Jean (à esq.) e Fábio, medalhistas no WCG 2009

Vale também ressaltar que os rapazes campeões não trouxeram apenas medalhas da China, mas também grana: Fábio levou um cheque de US$ 7 mil pelo título. Jean, pelo segundo lugar, ganhou US$ 3 mil. Nada mal para um campeonato de joguinhos, não?

Levada em conta a campanha, o saldo da delegação brasileira foi bem positivo: viajaram nove cyberatletas, que competiram em cinco modalidades e trouxeram um ouro e uma prata. É infinitamente melhor do que no ano passado, quando os 17 jogadores brasileiros enviados para Köln (Alemanha) trouxeram apenas uma medalha de bronze.

Imagino que alguém lá na Samsung Brasil deva estar bastante satisfeito neste momento…

***

E claro, tem o Zeebo.

O console fabricado pela Tectoy (em parceria com a Qualcomm) finalmente será lançado no restante do Brasil – anteriormente, havia sido colocado à venda apenas no Rio de Janeiro. E a novidade é o novo preço de sugestão ao consumidor: R$ 299 pelo console, com um joystick e dois games já na memória. Jogos exclusivos e com nomes sugestivos como Zeebo Extreme Bóia Cross e Boomerang Sports Queimada poderão ser comprados em breve, diretamente pela rede 3G do Zeebo, por preços a partir de R$ 9,90.

A Tectoy alega que a queda no preço foi garantida graças às vendas do Zeebo também no México: “os componentes passam a ser produzidos em maior escala e por custo menor, o que torna possível a redução do preço do videogame em todo o mundo”, diz o release divulgado para a imprensa. Outra explicação é, ainda conforme o release, “o câmbio estável e o volume de downloads de jogos também permitiram o lançamento em nível nacional por um preço bem menor do que o inicialmente previsto”.

Acredito que algumas reações de veículos da grande imprensa ao preço inicial do console e ao visual dos primeiros games também tenha colaborado para essa significativa redução. Mas isso é só um comentário, quem sou eu para ter certeza de alguma coisa. Vejamos como a máquina se sai no teste das lojas no período de fim de ano. Afinal, o Natal está aí e todo mundo gosta de ganhar presente.

Eu gosto, você gosta?

***

E você adorou Modern Warfare 2? Não? Então espero (mesmo) que sua reação não tenha sido semelhante a esta:


Nem vale a pena traduzir ou buscar legendas…

De vez em quando, só de vez em quando, tenho um pouco de medo desse mundo dos games. Mas logo passa e tudo fica bem.

Notas relacionadas:

  1. Genie-Zeebo: mas que bicho é esse?
  2. A hora do Zeebo
  3. O Zeebo chegou – ao Rio
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura WCG 2009, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
06/11/2009 - 20:52

Sábado à Noite ao Vivo

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A sexta chegou!

Foi uma semana complexa pra mim, como deu para notar. Deve ter sido também pra você. Talvez tenha sido o calor, a secura do ar… pelo menos, choveu e as coisas melhoraram.

A boa é que o final de semana musical promete para quem está em São Paulo. Tem o festival Planeta Terra para os alternativos, o Maquinária para os metaleiros e até o Dragonforce para os fãs de Guitar Hero. E para aqueles que detestam rótulos ridículos, ainda tem o show da banda Gameboys – aquela instrumental que interpreta temas clássicos de games.

Fui convidado pessoalmente pelos caras da banda, mas infelizmente não vou poder ir – terei que comparecer ao Faith No More no Maquinária.  Mas fica aí a dica com o flyer que eles me enviaram:

Gameboys_Livraria

Quem for, depois me conte o que achou.

E amanhã subirei aqui a entrevista que fiz há algumas semanas com o Herman Li, o guitarrista maluco do Dragonforce. Eles, que ficaram famosos de verdade por causa de uma música em Guitar Hero III (embora digam que “já eram famosos antes”), tocam amanhã em Curitiba e no domingo em São Paulo. Quem vai?

***

E a Nintendo no Brasil faz até evento. Você sabia? E é aberto ao público. Quem quiser, pode ir. No caso, é o lançamento oficial de New Super Mario Bros. Wii (clique na imagem para aumentar):

new super mario

O evento rolará em pleno feriadão de Proclamação da República, mas quem estiver de bobeira pode comparecer, testar o game e ainda ganhar brinde. E depois você fica reclamando que nunca rola nada de novo por aqui…

Não fui irônico. Talvez só um pouquinho, mas faz parte.

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Vários games infestaram minha mesa de trabalho ao longo da semana: GTA IV: Episodes from Liberty City, Forza Motosport 3, DJ Hero… mas, estranhamente, tudo o que consegui jogar esses dias foi Bioshock. Aquele mesmo, de 2007. Devo estar em um momento nostálgico.

Mas depois que a poeira baixar pra valer darei meus pitacos aqui sobre esses e outros games recém-lançados. Mas prefiro que você me fale: quais dos games lançados nas últimas semanas mereceram a compra? Quais são as grandes tranqueiras? Há algum absurdo a ser citado, como essa edição das letras das músicas de Band Hero?

Aliás, a Activision não aprende – ou faz de propósito, o que na prática dá no mesmo:  o No Doubt está processando a empresa por ter sido colocado de maneira inadequada no game. É o lance do “assinou, não leu”, ou há má fé envolvida nessa história? É exatamente o que rolou com a Courtney Love em Guitar Hero 5.  Ou seja, que preguiça.

Pois então, nos vemos em algum desses shows? Ou se preferir,  retorne logo mais, para a atualização do final de semana.

Fui.

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Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , ,
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