iG

Publicidade

Publicidade

23/10/2010 - 18:33

O Vai-e-vem do mercado brasileiro de games

Compartilhe: Twitter

Aloha!

Foi só eu sair de férias que as coisas começaram a acontecer no Brasil. Perdi um monte de notícias, mas vou aproveitar as horas livres aqui para retomar o tempo perdido.

***

Milton Beck não é mais o diretor da divisão Xbox da Microsoft Brasil. O executivo, um dos responsáveis pelo lançamento do Xbox 360 no país em 2006, deixou a empresa há algumas semanas e ainda não revelou quais serão seus próximos planos profissionais. Por meio de sua assessoria, a Microsoft Brasil, afirmou que não iria comentar a saída de Beck.

***

O que a Microsoft anunciou, por sua vez, foi a data de sua coletiva de imprensa para revelar suas novidades para o fim do ano. Em 4 de novembro, a fabricante irá falar sobre o lançamento do Kinect e a chegada tão aguardada da rede Xbox Live em território nacional – a qual deverá estar em funcionamento a partir de 10 de novembro. De 2010. Acredita? Só vendo mesmo.

***

A Latamel, responsável pelos movimentos da Nintendo of America por aqui, agora funciona sob outro nome: Gaming do Brasil. A operação também funciona sob o comando de um country manager, cujo nome ainda não foi divulgado oficialmente (mas muita gente já sabe quem é). Semana que vem conto mais sobre isso.

***

O site Kotaku Brasil está em fase de contratação. Até a semana passada, a equipe do portal já havia recebido mais de 200 currículos para apenas três vagas. Os nomes dos profissionais escolhidos serão revelados nos próximos dias.

***

Essa já é relativamente antiga: a Ubisoft não irá mais desenvolver games no Brasil. O escritório de São Paulo será mantido, mas com foco principal em marketing, ainda sob o comando do executivo francês Bertrand Chaverot.

***

E o vai-e-vem continua:

- Gerson Sousa, ex-country manager da Sony, agora está na Oelli Brasil, empresa que organizou a feira EGS há alguns anos.

- Um dos mais conhecidos representantes da Level Up! Games no Brasil deixou o cargo recentemente.

- Uma das mais tradicionais revistas de games em atividade no país está com editor novo.

- O portal Arena Turbo está de redator novo: Douglas Pereira, que antigamente escrevia no Blogeek.

***

E na semana que vem a gente continua…

Notas relacionadas:

  1. A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1
  2. A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 2
  3. O Vai-e-Vem do Mercado Brasileiro – no bom sentido
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
02/02/2010 - 15:40

Toma lá dá cá: Microsoft reduz preços e lança novos modelos de Xbox 360 no Brasil

Compartilhe: Twitter

E a Microsoft confirmou o que a gente já especulava há uns meses.

O furo foi do Gustavo Petró, amigo repórter do G1: Xbox 360 versões Elite e Arcade saem no Brasil, a R$ 2000 e R$ 1250, respectivamente.

Já estava mais do que na hora de isso acontecer. Em agosto do ano passado, cogitei aqui no Gamer.br sobre os lançamentos das versões diferenciadas do console, mais a descontinuidade da versão atual, a Pro. Em novembro, questionei o Milton Beck, o executivo da Microsoft Brasil, que disse que ainda era cedo para se falar sobre o tema. Agora, enfim, a notícia foi confirmada. Em alguns minutos a assessoria de imprensa da fabricante deve soltar o release oficial.

Resumindo a história, a partir de quinta, depois de amanhã, a Microsoft passa a vender duas versões do Xbox 360: a Arcade, mais enxuta e barata, com 256 MB de memória interna, cabo HDMI e dois games, Fable II e Banjo-Kazooie – tudo por R$ 1250; e a versão Elite, na cor preta, que tem HD interno de 120 GB e os mesmos itens da versão Arcade, tudo por R$ 2000. Aquela versão Pro a que estávamos acostumados não vai mais existir.

Agora, só falta a Sony anunciar, enfim, a chegada oficial do PlayStation 3 a um preço bem competitivo por aqui. E claro, a redução do preço do PS2 também. Aí sim, essa brincadeira de videogame começará a ficar divertida no Brasil… Março promete.

Mais logo mais.

Notas relacionadas:

  1. 2 anos de Xbox 360 no Brasil: a Microsoft fala
  2. Cai preço do Xbox no Brasil: agora “apenas” R$ 1799
  3. Enquanto isso, no Xbox 360…
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
15/12/2009 - 12:21

Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft Brasil) – Parte 2

Compartilhe: Twitter

Demorou, mas não falhou.

Publico agora a parte 2 da Entrevista da Semana com Milton Beck, da Microsoft Brasil (a parte 1 está aqui). Neste segmento da longa conversa, o executivo responsável pelo lançamento do Xbox 360 no país fala de maneira franca sobre vários temas, de pirataria a banimento de consoles modificados, da chegada da Sony à não-chegada da rede Xbox Live, de impostos a jornalismo. Tire um tempo para si mesmo, leia tudo e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: O dia 1º de dezembro marcou o aniversário de três anos do Xbox 360 no Brasil. Como a Microsoft avalia esses três anos? Todos os produtos planejados foram lançados? As vendas de games e consoles ficaram no patamar esperado? Poderia ter sido melhor ou foi melhor do que poderia?
Milton Beck:
Como em todo projeto, há coisas que foram bem e outras que não foram tão bem. O fato de termos lançado o 360 já foi uma coisa boa. O primeiro Xbox nós não conseguimos lançar aqui. Então, o fato de o console ter sido lançado no Brasil permite que o consumidor vá a uma loja “normal” e tenha uma experiência de compra em um ambiente seguro; ele pode comprar um produto parcelado, com suporte estabelecido; tem acesso a um website em português com as informações dos produtos; tem a possibilidade de comprar os jogos quase que simultaneamente com o dia do lançamento; e permite que os pais saibam que o produto que estão foi certificado pelo Ministério da Justiça. Aqui há um consumidor ávido por games. Na indústria de consumo no Brasil, de um modo geral, o videogame está no top five da lista de objetos de desejo. Infelizmente, o produto não está ainda em um patamar de preço que possa atingir mais gente do que gostaríamos.

beck09O que influencia diretamente no preço cobrado nos videogames?
MB:
São dois os grandes fatores que influenciam. Um deles é a falsificação, que vem caindo, já que o consumidor cada vez mais entende as desvantagens do produto ilegal. E tem o problema da carga tributária, que é muito importante quando se fala sobre esse tipo produto, e é o que o torna realmente um pouco caro para grande parcela da população. Portanto, o fato de a Microsoft ter entrado no país é importante. Até 2006, não havia ninguém por aqui – nem a Microsoft, nem qualquer outra fabricante. O mercado era muito voltado para games de PC, muito por causa do tamanho da base instalada no país. Nesse mercado, o Brasil ainda é o quinto ou sexto do mundo. Quando a Microsoft entrou com o Xbox 360, ela estimulou muitos publishers a olhar o Brasil com olhos diferentes. Imagine que você é um publisher, olha o nosso mercado e vê que nem Microsoft, nem Nintendo ou Sony estão atuando: talvez você direcione seus esforços para um outro mercado. Na hora em que a Microsoft entrou, abriu os olhos de muita gente. Então, muito do que se vê hoje em termos de mais distribuidoras de jogos, desenvolvimentos de empresas criando games, jovens estudando, eu diria que a Microsoft tem uma corresponsabilidade – ou uma parcela – nesse desenvolvimento.

Eu sei o quanto você é cuidadoso para falar sobre a concorrência, mas não é interessante o fato de os publishers não conseguirem seguir o modelo de negocio que a Microsoft executa no Brasil?  Por que a atuação da Microsoft é mais intensa do que a dos concorrentes? É por causa do tamanho da empresa?
MB:
São várias coisas. A Microsoft está já há 20 anos no Brasil. Foi um processo de aprendizado grande. Existe, de verdade, uma cultura de comprometimento com o país e com o consumidor. Agora, eu entendo que para muitas empresas de fora, quando olham para o Brasil, não é fácil tomar as decisões de entrada em um mercado onde é muito difícil de operar. Se você é uma empresa de software que enfrenta certa burocracia para trazer o produto e fazer com que chegue à mão do consumidor final, acaba optando por trabalhar onde conseguirá chegar mais rápido aos seus objetivos. É duro dizer que uma empresa deveria fazer diferente, afinal, cada um sabe onde lhe dói o calo, né? O Brasil está na crista da onda, todo mundo olha para cá, sabe o tamanho do potencia do país. Agora, as decisões de cada um, sobre por que não crescem ao tamanho ideal… Tem muito a ver com as características do mercado. E é um mercado difícil de operar.

Ainda falando sobre essa dificuldade do mercado brasileiro…
MB:
[Interrompe] Só para usar as palavras certas, talvez o termo correto seja dizer: é desafiador trabalhar com games no Brasil. Este é um mercado em que basicamente as empresas dependem da venda de jogos e em que a falsificação no setor de software é muito alta, apesar de estar melhorando. A Microsoft, outras empresas de software, o setor público, estão todos trabalhando com o mesmo objetivo, mas obviamente não é um caminho que vá se resolver com uma bala de prata de um dia para o outro. E o fato de os impostos sobre os consoles serem muito altos serve como um estímulo para que o cara entre no mercado paralelo. E muitas vezes ele é estimulado – pelo próprio vendedor do mercado paralelo – a comprar um console modificado para rodar softwares piratas. Aí é muito complicado. O custo de desenvolvimento de cada jogo é altíssimo, pode chegar a US$ 40, 50 milhões. O custo de tradução e dublagem é alto, o custo de marketing é alto, ou seja, a receita gerada precisa ser proporcional.

Há anos você está envolvido nessa união das empresas em torno da diminuição da carga tributária junto ao governo. Ao que consta, esse projeto acabou parando nas mãos de alguma instância superior e não avançou mais, e dificilmente será trabalhado em 2010, já que é ano de eleições presidenciais. Existe alguma novidade nessa história?
MB:
De verdade, eu não sei se parou em alguém. Eu já fui várias vezes para Brasília, com vários representantes da indústria, para demonstrar os benefícios que o pais teria com uma redução de impostos. Existe uma boa aceitação e um entendimento do caso. Eu não sei dizer se está amarrado com a eleição. Não tenho esse conhecimento político todo. Mas não houve nenhuma sinalização de que o negócio parou e não vai andar.

Mas está andando ou não?
MB:
Bem, andando significaria que mudou. Mudou, não mudou: está igual. Não é igual a um processo de doença, que vai melhorando. Para mudar algo, tem que acontecer algo. Hoje você tem um IPI [impostos sobre produtos industrializados] de 50% sobre o preço do console.

Qual é a proposta de vocês? Reduzir esse IPI para quanto?
MB:
A valores parecidos com os da indústria eletrônica em geral. Em torno de 10, 15, 20, conforme o tipo de produto.

Mas vocês estão se movimentando para saber qual a situação atual da proposta?
MB:
A ABES [Associação Brasileira das Empresas de Software] tem interesse em trabalhar esse assunto, porque obviamente quanto mais aumenta o mercado oficial, mas a indústria de software se desenvolve. Por exemplo, não existe uma indústria local com capital o suficiente para criar um game como Halo, ou Call of Duty, mas poderia haver um crescimento de desenvolvedores de jogos menores, com outro nível de sofisticação, que poderiam ser comercializados a outra faixa de preço. Mas se tudo é vendido por aí a R$ 10, não há como criar essa “escadinha”. Tudo isso é muito ruim para a indústria em geral.

A pirataria de jogos do Xbox 360 é mesmo um problema para vocês atualmente? Há dados que comprovem isso?
MB:
Eu diria que, hoje, 90% é falsificação.

Tudo isso? É surpreendente. Posso afirmar que, em tantos anos trabalhando nessa área, não lembro de uma época em que tanta gente afirma usar produtos originais…
MB:
E olha que tem mesmo. Você está certo, no sentido em que está mesmo diminuindo [o uso de pirataria]. Por exemplo, se compararmos a imprensa especializada de alguns anos atrás, era normal ver as revistas falando de produtos falsificados, e até dando dicas de jogos desse tipo. Mas hoje está muito melhor do que há anos. Mas é um caminho bem longo. A falsificação não é uma coisa que dá para falar que “é do Brasil”. É no mundo inteiro. Por aqui, a polícia tem feito um bom trabalho, as entidades estão fazendo um bom serviço de conscientização… Mas isso não é algo que vai mudar de um dia para o outro.

Uma das maneiras que a Microsoft tem usado para conscientizar, ou definir de maneira mais firme sua postura em relação à pirataria, é com os banimentos de jogadores que utilizam consoles chipados da rede Xbox Live. Existe muita reclamação de consumidores indignados, inclusive no Brasil…
MB:
Por que ficam indignados?

Ah, porque eles não acham que deveriam ser banidos, porque a rede está esvaziada, entre outras alegações. Mas alguns leitores do Gamer.br me alertaram sobre outra coisa que pode estar rolando: que a Microsoft estaria ameaçando banir jogadores brasileiros do Live, que usam consoles legalizados, simplesmente porque os brasileiros não poderiam jogar online, uma vez que o serviço não está disponível no Brasil. Isso procede?
MB:
Eu não tenho nenhuma informação sobre isso. O que eu sei é sobre o banimento dos consoles modificados. O Live não está disponível no Brasil, isso é ponto sabido. Agora, eu não tenho informação nenhuma sobre banimentos de jogadores que usam consoles que não foram modificados. Estou falando o que eu sei. Não tenho nenhuma informação a mais sobre isso. Falando sobre justiça ou injustiça: na hora em que você compra um console, você está de acordo com a forma de utilização dele. Se você está modificando o console para jogar um produto, você está lesando a empresa que gerou empregos, arriscou, desenvolveu o software, que espera uma remuneração pelo trabalho. É a premissa básica do negócio.
Agora, se coloque no lugar daqueles jogadores que compraram o console, não o modificaram e estão agindo certo. Muitas vezes estão sendo lesados porque outros jogadores estão usando de artifícios para ganhar. Essa é uma maneira de proteger o jogador que quer jogar da forma certa. Eu acho que quem optou por fazer uma modificação sabia muito bem o que estava fazendo. Nós temos que cuidar daqueles que estão jogando de acordo com as regras do jogo.

Justamente por ter sido uma medida drástica, e ter havido muita reclamação, você acredita que exista alguma possibilidade remota de a Microsoft voltar atrás nesse tipo de decisão?
MB:
A gente não participou desse processo de decisão – foi uma resolução da corporação. Mas eu não consigo ver muito claramente porque ela voltaria atrás. Não é óbvio para mim quais são as variáveis que fariam a empresa mudar sua decisão.
Vou dar um exemplo: se você trabalha em uma revista e é pago para escrever. Existem todos os custos envolvidos na produção da publicação, e, além disso, eles pagam o seu salário de jornalista. Daí, você faz uma entrevista bombástica. A Rolling Stone publica sua matéria. Um dia antes de a revista ir às bancas, alguém furta um exemplar, escaneia a matéria e envia para milhões de pessoas. Quem vai pagar pelo seu furo de reportagem? Você entendeu? Quem trabalha com conteúdo sabe bem a dificuldade que é. Mas não sei se isso é óbvio para todo mundo.

A Microsoft recentemente anunciou a redução de preço do kit oficial do 360, de R$ 2399 para R$ 1799 [a entrevista ocorreu dias antes da redução do preço para R$ 1499]. Esperava-se que fossem anunciados os lançamentos dos kits Elite e Arcade e a conseqüente descontinuidade do kit tradicional – dando prosseguimento ao que já aconteceu no mercado norte-americano. O que vai acontecer com o Xbox no Brasil afinal de contas? Daria para interpretarmos que a redução de preço do kit tradicional se deu porque novas opções de kit estariam chegando às lojas? Quando vocês vão poder falar sobre isso?
MB:
A pergunta você já respondeu. Não tenho ainda nenhuma informação pública sobre lançamentos de novos consoles. Eu entendo a pergunta, entendo o motivo da pergunta, só não tenho uma resposta para te dar agora.

Ótimo, vou então tocar em outro tema sobre o qual provavelmente você não irá responder, mas vou perguntar mesmo assim: quais os progressos alcançados até agora para o lançamento da rede Xbox Live no país? Quais os empecilhos enfrentados?
MB:
Um dos grandes valores da plataforma Xbox é o Live. Nem todo país do mundo onde o 360 foi lançado tem o Live. Para você oferecer a experiência completa do produto, é uma tendência ter o Xbox Live. Há alguns anos eu tenho dado a mesma resposta, e a resposta que eu tenho para dar agora é: nós não estamos alheios a isso, estamos conscientes do desejo do consumidor. Nós queremos lançar, e acho que o futuro está realmente nos serviços online. O aumento das conexões de banda larga no país é um estímulo ainda maior para isso. Mas, infelizmente, eu não tenho nada para anunciar em termos de data. Mas não é preciso tentar nos convencer da importância de ter o Xbox Live aqui. Nós temos advogados, funcionários, todos trabalhando internamente, fazendo tudo o que é possível.

E qual é a atual posição oficial da Microsoft Brasil em relação ao jogador que tenta se cadastrar na Xbox Live usando um endereço internacional? Existe algum discurso pronto, do tipo “esse serviço não está disponível no Brasil”?
MB:
Exatamente isso: o serviço não está disponível no Brasil.

Quer dizer, nada impede as pessoas de tentar, afinal, cada um sabe o que faz. É mais ou menos por aí?
MB:
Bem, eu não vou colocar suas palavras na minha boca. Mas, simplesmente, hoje nós não temos o serviço disponível no Brasil. Não temos suporte, sistema de billing… Quando não se tem uma ideia total do negócio, não se entende bem quais são as facilidades e as dificuldades envolvidas. Para lançar um produto da forma correta, existem n aspectos, como localização, cobrança, jurídico, suporte, estruturação de servidores… E vai indo. Eu entendo que é difícil para o consumidor saber essas coisas – e não é obrigação dele saber. Nosso papel é explicar dentro do que a gente pode, o máximo possível. O que a gente anunciou quando entramos no país com o 360 foi: o serviço não está disponível e nós vamos trabalhar para lançá-lo. Eu gostaria de fazer um anúncio mais bacana, dizer quando vamos lançá-lo, mas infelizmente não tenho essa data para te falar. O que eu posso dizer é que estamos conscientes e trabalhando duro para isso.

Para terminar, sobre a chegada da Sony ao Brasil: na condição do representante da maior empresa atuante no mercado brasileiro, como afeta positivamente essa entrada oficial da sua grande concorrente, ainda que por linhas tortas?
MB:
Por linhas tortas ou retas, eu digo há anos que quanto maior a presença oficial dos grandes fabricantes, melhor para indústria. Do ponto de vista do marketing, isso faz o bolo crescer, e isso é bom para a indústria, para os fabricantes e para o consumidor, que tem uma experiência melhor de compra. Quanto mais concorrentes, quanto mais saudável a concorrência, quanto mais a gente disputar a preferência do consumidor, melhor. Cada empresa tem seus pontos fortes e ninguém está aí por acaso. Não existe empresa ruim nesse segmento, são todas fortíssimas, marcas valiosíssimas com produtos muito bons, tanto Microsoft, Sony e Nintendo. Então, quanto mais presentes estas empresas estiverem, quanto mais conseguirem alavancar o negócio, isso só vai estimular a concorrência, o crescimento, e permitirá que o consumidor faça uma escolha baseada nas características que ele gosta. Eu só vejo com bons olhos. De verdade, fiquei muito feliz que a Sony entrou oficialmente no país, e acho que é super benéfico para o mercado. Agora, sobre a maneira como ela vai entrar: vamos ver, né?

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Luis Pazos Paredes (Microsoft)
  2. Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)
  3. Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
02/12/2009 - 19:24

Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)

Compartilhe: Twitter

Conforme o combinado, a Entrevista da Semana da vez é com Milton Beck, diretor da área de games e entretenimento da Microsoft Brasil. Há pouco mais de uma semana, bati um longo papo ao vivo com o executivo, que ganhou notoriedade como o principal porta-voz da fabricante do Xbox 360 no Brasil: o objetivo da conversa era, além de esclarecer mais sobre a visão da empresa sobre a crise mundial, chegar a algumas conclusões sobre o terceiro ano de atuação do console em nosso território ( o aniversário do 360 aconteceu exatamente ontem, 1 de dezembro). E claro, serviu também para perguntar a opinião da Microsoft Brasil sobre a chegada da Sony ao país.

Nesta primeira parte da entrevista, Beck falou sobre a relativa “blindagem” com que o Brasil enfrentou a crise econômica, pirataria, o perfil do consumidor brasileiro e as perspectivas para o mercado nacional. Leia, confira e não deixe de comentar no final. E o restante, publicarei depois.

***

Gamer.br: Em resumo, como a Microsoft resume o ano de 2009 para o mercado de games brasileiro?
Milton Beck:
Em outubro de 2008, a crise começou a aumentar. O mercado de videogames foi, efetivamente, menos afetado pela recessão do que outras áreas da empresa. Quando existe risco de perda de emprego e a família tem menos dinheiro, as pessoas cortam normalmente as atividades de lazer, o que significa ficar mais tempo em casa. Então, o Xbox, ou o videogame de modo geral, é uma categoria que permite ficar em casa por um custo relativamente mais baixo do que outras áreas do divertimento.
Ou seja, o mercado de videogames sentiu um pouco menos, mas sentiu. O que aconteceu foi que a partir de maio, o mercado começou a se recuperar. O começo do ano não foi bom, o dólar disparou… Com o dólar baixando, os preços caindo, as pessoas não perdendo os empregos, maior confiança na economia. Acabou que o Brasil passou relativamente bem pela crise mundial. Para nós, principalmente após o primeiro trimestre, ficamos relativamente bem.

Essa crise mundial que apavorou o planeta, aparentemente atingiu muito de leve o Brasil em 2009. Então o “Brasil dos games” estava mesmo blindado da crise?
MB:
Eu não falei “blindado”. Eu acho que aqui houve relativamente menos efeito da crise do que em outros países. Mas foi sentido aqui também. Mas, em função da economia, dos fundamentos de macroeconomia nos quais o país se baseia, no fato de os bancos estarem bem estruturados… Acho que o Brasil estava melhor preparado, e isso já é público e notório. Na área de games em particular, acho que há um lado que é interpretado pela economia de um modo geral. Ou seja, somos muito afetados pela variação do dólar. Se o dólar cai, isso tem um reflexo imediato no preço dos produtos.
Mas é preciso dizer que somos mais afetados pelo tamanho do mercado informal no Brasil e por quanto a informalidade consegue atuar. Porque o mercado oficial ainda é pequeno se comparado com que há de informalidade no país – especificamente no segmento dos videogames.

Quais são os fatos ocorridos em 2009 que você destacaria como os mais positivos e os mais negativos no mercado brasileiro? Do ponto de vista da Microsoft, houve algum acontecimento especial que fez de 2009 um ano muito melhor – ou pior – do que 2008?
MB: Nós estamos evoluindo com os lançamentos. Ainda não atingimos os patamares que deveríamos, em termo do potencial do mercado. Se comparado com outros países da América Latina, o país deveria ter um peso muito maior do que tem. Temos um peso maior em todas as linhas de produtos, mas em videogame temos menos – isso se comparado com o México, por exemplo, onde o mercado é 30, 40 vezes maior do que o Brasil. Então, continuamos em um cenário em que o Brasil não tem o seu “fair share” da indústria mundial de videogames. Continuamos em um cenário em que uma grande parte dos produtos não entra no país oficialmente, e esse fato prejudica não apenas o consumidor, que não tem a experiência plena do produto, mas também tudo o que navega em volta dessa indústria. E prejudica o varejo: apesar de aqui termos um varejo muito bem estruturado, diferente de outros países do BRIC [grupo de países em desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, Índia e China], as categorias não possuem o tamanho que elas deveriam ser.
Ainda não existe todo o portifólio de games, nem todas as empresas third parties estão aqui, os jogos ainda estão na sua língua nativa, os preços não são acessíveis para uma massa de clientes… E muitos ainda não entendem o valor de um jogo como produto, e que um game possui um custo de desenvolvimento altíssimo. Em geral, o fato de o consumidor compreender o valor de um produto legalizado está evoluindo, mas há um longo caminho pela frente.

Para você, a indústria de games no Brasil cresceu nos últimos anos?
MB:
Comparado ao que era há dois, três anos? Cresceu, mas ainda não está nem perto do potencial que deveria ter. E muito disso é, infelizmente, em função dos preços que são praticados no Brasil, comparado com o mercado informal. Isso é o que faz muita gente optar pelo mercado informal. Existe um trabalho de médio-longo prazo que deve ser feito, que é o de educar, conscientizar, mostrar para o consumidor os malefícios de se usar produtos falsificados. No mercado norte-americano também existe falsificação. Mas lá, por exemplo, o jogador tem um “budget” para comprar seis jogos por ano: ele faz uma seleção e opta pelos melhores. Aqui no Brasil, tem gente que compra 50, 60 jogos por ano, porque sente que precisa ter tudo. E não há bolso que aguente comprar tanto. Essa vontade de ter todos os jogos lançados simplesmente não funciona. Assim como você não tem condição de jogar 30 jogos por ano, também não tem condições de ir a todos os restaurantes que quer.
É que aqui, ainda não está tão claro que há uma diferença entre o produto legal e o ilegal. A Microsoft atua muito no sentido de conscientizar o consumidor, trabalhando com os órgãos públicos para inibir a comercialização dos produtos falsificados e fazendo com que a experiência do usuário de produtos legais seja melhor que a do consumidor de ilegais.

A Entrevista da Semana com Milton Beck continua nos próximos dias, aqui no Gamer.br. Aguarde e confie.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Luis Pazos Paredes (Microsoft)
  2. Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)
  3. 2 anos de Xbox 360 no Brasil: a Microsoft fala
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
29/01/2007 - 12:14

Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)

Compartilhe: Twitter

Segunda-feira, como não poderia deixar de ser, é dia de Entrevista da Semana. O sabatinado da vez é considerado o mais importante executivo do mercado de games brasileiro (rótulo que ele próprio renega): Milton Beck, 43 anos, diretor da divisão de jogos e entretenimento da Microsoft no Brasil. Desde 2002 trabalhando na área de games da multinacional, Beck foi um dos responsáveis pelo aguardado lançamento do Xbox 360 no país. No papo a seguir, ele faz um balanço dos dois primeiros meses do console em território nacional. Leia, e como sempre, opine no final.

***

Gamer.br: O Xbox foi lançado no Brasil há exatamente dois meses. Qual o saldo deste período?
Milton Beck: Não citando números, eu diria que ficamos muito felizes com o lançamento do Brasil. Principalmente do ponto de vista qualitativo, por diversos motivos. Nossas vendas sempre são consideradas de acordo com uma expectativa inicial. Os jogos estão se mostrando um grande sucesso. A métrica que levamos em consideração – quantidade de jogos vendidos por console – está bastante alta. Acreditamos que isso tenha ocorrido em função da base instalada que já existia antes do lançamento oficial. Alguns dos games que colocamos no mercado foram grandes sucessos, como Viva Piñata e Gears of War. Em termos de divulgação, conseguimos muita mídia espontânea, geralmente positiva, sempre comentando o quanto é importante a entrada dos consoles no Brasil. Acho que o lançamento foi positivo em todos os modos,seja na relação com os parceiros e varejistas, seja também na participação da Microsoft no cenário de games, que funcionou como um primeiro passo para estimular que as outras empresas também venham para o Brasil. Isso é bom para a concorrência e para os consumidores, de um modo geral.

Quais são os próximos passos do Xbox no Brasil? Quando teremos novidades, lançamentos? Com que velocidade eles vão rolar?
É claro que ainda temos muita coisa pra evoluir, mas já estamos preparando dois lançamentos para fevereiro: Crackdown e Fusion Frenzy, isso falando de títulos publicados pela Microsoft. E em março, teremos o Winning Eleven. Este, ainda não está definido quem irá publicar. Sempre teremos novos títulos saindo, jogos Microsoft e third parties, lançados por empresas como Electronic Arts, Ubisoft, entre outras.

O que mudou na questão do governo brasileiro e os impostos sobre os videogames? Alguma novidade nesse sentido nos dois últimos meses?
Eu não sei se [o processo] está parado, mas também não sei de nenhuma evolução. Não estou ciente de qualquer mudança que possa ter ocorrido.

Existe uma previsão de redução de preços do Xbox no Brasil e seus jogos? Dá para imaginar que isso acontecerá dentro de um ano?
Olha, a [matriz da] Microsoft por enquanto não fala sobre queda de preços, então não vejo sinais disso acontecer no mercado internacional. Desde que a gente siga as políticas internacionais de preços, não há sinais claros da redução no Brasil, pelo menos por enquanto.

Quando o console foi anunciado a R$ 2.999, houve reclamações sobre o valor, elevado para os padrões nacionais. Você acha que o preço esteja fazendo alguma diferença no número de vendas apresentado até agora? Quer dizer, as pessoas deixam de comprar porque está caro, ou compram independente do preço?
Eu acho que, como qualquer produto, existe uma curva de elasticidade de preço. O produto é vendido a R$ 2999, e à medida que os preços caem, aumenta o tamanho do que chamamos de “mercado interessado”. É obvio que o tamanho desse mercado interessado no país é menor do que se o Xbox 360 custasse R$ 2.000, ou R$ 1.500. É claro que o fator preço é importante, mas existem limites pelo o que as pessoas podem gastar.

Você acha que o brasileiro reclama demais do preço das coisas?
Eu não diria isso. Não é uma questão do brasileiro só reclamar do preço. Todo mundo sabe a dificuldade que é ganhar dinheiro, e cada um quer ter o melhor pelo o que gasta. Faz parte do direito do consumidor. Uma das grandes reclamações dos consumidores é sobre o preço dos jogos. Os jogos eram chamados de “joguinhos” e vendidos por R$ 5 nos camelôs, então se criou uma dificuldade grande para as pessoas entenderem o que significa o “valor intelectual” de um produto. As pessoas costumam achar que o custo de um game deveria ser menor de um show ou DVD. Na maioria das vezes, não se tem noção de quanto custa produzir um jogo. A enorme disponibilidade de produtos falsificados gera essa distorção de valores. Não existe “bala de prata” que vá resolver isso. O consumidor tem todo o direito de lutar por preços melhores, isso é um pedido justo. Só não é justo querer preços iguais aos da pirataria. Fizemos várias pesquisas qualitativas e alguns entrevistados disseram que não querem pagar mais do que um preço de um pirata. Ou seja, o que determina um preço hoje é quanto ele vale no mercado pirata.

Com o Xbox no Brasil, a Microsoft se vê mais à vontade para participar de eventos, fazer anúncios na TV e colocar mais a cara para bater no mercado brasileiro?
Não sei o que você quis dizer com “colocar a cara para bater”, mas sim, o objetivo é aparecer cada vez mais na mídia, aparecer e fazer campanhas, principalmente nos períodos sazonais, como Dia das Crianças e Natal.

O que pode ser feito então para haver melhorias em nosso mercado? Depende de quem? Governo, empresas, consumidores?
É preciso haver um aumento no número de pessoas interessadas em desenvolvimento de jogos. A popularização das ferramentas de criação, como a plataforma XNA, ajuda nesse sentido. A abrangência de títulos de diversas camadas de preço também é essencial, uma vez que é preciso haver jogos pra todos os gostos e bolsos. De forma geral, estamos relativamente bem servidos. Já na área de consoles ainda não estamos aonde deveríamos estar… a concorrência não entrou de forma massiva e a falsificação ainda é grande.

No Brasil, os MMORPGs para PC fazem bastante sucesso. Você acha que isso indica que o mercado brasileiro é mais parecido com o coreano do que com o norte-americano, por exemplo?
Eu não sou um expert em Coréia, mas o que eu sei que um dos motivos para o mercado de videogames não ter entrado lá foi porque existia uma certa rivalidade comercial com o Japão. O fato de haver uma restrição comercial entre os paises tornou os videogames caros demais para os coreanos. E o PC sempre foi mais barato que o console. Houve também os incentivos do governo, o aumento da conexão banda larga, o surgimento de milhares de lan houses, canais de TV para transmissões de partidas de StarCraft… [...] Existe muita diferença entre o brasileiro e o coreano. Eles gostam de jogar somente Estratégia e MMORPG, algo muito diferente das comunidades internacionais. Há narradores em torneios online, as pessoas idolatram os jogadores profissionais… . Eles têm um modelo que agrada aos consumidores deles. Se esse modelo é replicável em outros países ou não, isso é outra historia.
Eu não vejo esse tipo de coisa acontecendo no Brasil. A característica do brasileiro é diferente, o perfil é outro. O coreano usou muito desses Internet Cafés como um local de integração social, é uma característica cultural deles. No Brasil não funciona assim, não há uma parte tão significativa da população que freqüenta esses lugares. As culturas são muito diferentes, são mais áreas de diferenças do que similaridades.

O que você, Milton Beck, gostaria de ver no mercado brasileiro que ainda não viu?
Um quadro ideal seria o que se vê em um país com os Estados Unidos, onde existe uma proliferação grande de propagandas de jogos novos em TV aberta, programas especializados em várias emissoras, grande quantidade de revistas, a possibilidade de se comprar jogos em grandes cadeias de lojas. Mais ou menos algo parecido com o que existe nos EUA, Inglaterra e Japão. Trazendo para uma realidade mais próxima, o cenário mexicano está hoje bem mais avançado do que o nosso. No México, todos os players estão presentes, os preços são mais acessíveis, todos os consoles foram lançados, o preço de venda é mais próximo ao poder de compra da população, as propagandas são mais massificadas. O Brasil não tem isso ainda. Estamos melhores do que estávamos no dia 30 de novembro [dia anterior ao lançamento do Xbox 360 no Brasil], mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, temos uma etapa longa para o Brasil se ver inserido nesse contexto. Enquanto a falsificação estiver em níveis tão altos, a produção de produtos nacionais será inibida. Estamos melhores, mas longe do que deveríamos ser.

Você é considerado o principal executivo do mercado de games nacional. Como é lidar com isso?
Eu não sei. Eu acho que sou aquele que mais responde entrevistas, talvez por falta de interlocutores na concorrência. Por um lado é interessante – eu gosto de falar com a imprensa, e é através da mídia que faço nossa mensagem chegar ao consumidor final – mesmo que as respostas que eu tenha não agradem, ou se eu não puder passar todas as informações por motivos “polítcos”. Espero continuar assim no futuro, mas espero que meus concorrentes também tenham uma presença aqui, à medida que o mercado for crescendo. O principal beneficiado com isso é o consumidor: daí ele poderá fazer suas escolhas baseado em critérios “normais”.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Luis Pazos Paredes (Microsoft)
  2. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
  3. Entrevista da Semana: Jocelyn Auricchio (O Estado de SP)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
Voltar ao topo