O que é o Brasil dos Games, Parte 1
Eu prometi surpresas nesse mês final de Gamer.br. Vou cumprir.
Convidei amigos e personalidades da indústria nacional para utilizar o espaço a seguir para discussões relevantes. Pedi a todos eles contribuições baseadas no tema “BRASIL DOS GAMES”. E recebi ótimos materiais, que postarei aqui, dia sim, dia não. Tem de tudo – ensaios analíticos, pensatas elaboradas, gente que fugiu do assunto totalmente (mas manteve o sentido)… quem viver, lerá. Prestigie a riqueza de opiniões e opine sempre que tiver algo interessante a acrescentar. Todos ganham com esse debate.
E começamos com o glorioso André Faure, atual senior producer da Aeria Games, com quem trabalhei na Conrad/Futuro (e que já passou por Microsoft e Tectoy).
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O Brasil dos Games
Por André Faure*
O ano era 1998. Eu acabava de ser contratado pela Microsoft como assistente de uma área pequenina, que mal justificava seus próprios gastos, mas era considerada um dos maiores potenciais da empresa, especialmente no Brasil. O departamento? Games.
Meu primeiro lançamento foi Mechwarrior 4, para PC. Caixona de papelão, manual em inglês, com um folheto de instalação rápida em português. O jogo em inglês, claro. Quem, em sã consciência, localizaria um jogo para um mercado com 99,5% de pirataria? O Brasil dos Games, naquela época, era o Trono do Inferno do mercado de games mundial.

O Inferno de Dante, ou o Mercado Brasileiro de Games na década de 1990. Você escolhe (Clique para ampliar – Fonte: Revista Mundo Estranho)
Mas, é importante deixar claro que para as pessoas que trabalhavam naquela época, existiria um momento de florescimento onde todo o potencial daquele país jovem que adorava tecnologia recompensaria aqueles que ali investiam.
Treze anos mais tarde, muita coisa aconteceu. Muita coisa mesmo. Graças a uma série de iniciativas ao longo dos anos, uma certa ajuda do cenário internacional, a solidificação do Brasil como uma economia estável e muito trabalho, hoje o Brasil dos Games é outro mundo, bem diferente daquele inferno lá de cima.
Conta aí comigo: as três grandes (Microsoft, Sony e Nintendo) possuem operações oficiais no Brasil; a pirataria recuou (ainda é um problema, mas 99,5%? Nunca mais, bate na madeira); a distribuição digital, com a penetração da banda larga, é uma realidade, assim como o florescimento de Social Games e MMOG (gratuitos ou não); vários publishers já abriram ou estão abrindo escritórios por aqui; jogos em português são uma banalidade; a imprensa de games cresceu e amadureceu, assim como o varejo e a distribuição; este ano vamos ter TRÊS feiras de games; e por aí vai.
Já percorremos um longo (e doloroso) caminho, e citar todos que colaboraram é praticamente impossível, mas vocês sabem quem são. Ainda estamos longe do momento ideal, e fico feliz de dizer que cada vez, mais e mais gente tem colaborado, nas mais diferentes esferas, para que nosso país torne-se um dos grandes mercados mundiais de games, e não somente um alfinete verde no mapa-múndi na entrada das grandes corporações do setor.
Recentemente a Microsoft anunciou games a partir de R$ 129. Vocês ouviram bem? Mais um pouco não vai valer a pena comprar games nos EUA. Parece um sonho, mas não é. Sony e Big N devem vir logo atrás, assim como Valve/Steam, Blizzard e demais pilares de mercado.
Fica aqui a minha conclusão: para se trabalhar no Brasil dos Games de 1998 era necessário excesso de otimismo. Conseguimos, em 2011, que este otimismo se transformasse em ações concretas e maduras. Dá para comemorar? Claro. O trabalho terminou? Estamos longe. Desistir? Jamais.
Para encerrar, fica aqui o meu agradecimento pelo lisonjeiro convite feito para contribuir nessa série de despedida do Gamer.br. Este sempre foi um canal aberto, democrático, feito com amor exatamente para quem ama games. O Pablo é dos amigos que fiz neste mercado, e que acompanhei crescer e acontecer. Se há alguém que tem muito a ensinar a quem está começando agora, é Pablo Miyazawa. Se ao mesmo tempo que fico triste pela partida deste blog essencial ao mercado, tenho certeza que muitos outros virão, porque finalmente chegamos naquele momento onde ignorar o mercado brasileiro de games é mais do que omissão, é simplesmente burrice.
*André Faure (afaure@aeriagames.com) é senior producer da Aeria Games.
Notas relacionadas:
- A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1
- A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 2
- Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft Brasil) – Parte 2















