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18/08/2011 - 20:59

Entrevista da Semana: Guilherme Gamer (GameTV)

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A Entrevista da Semana é com o Guilherme Gamer.

Se você não o conhece, deveria. Atualmente, ele é um dos comunicadores da área de games mais prestigiados do Brasil (ele tem até fã-clube). Carioca (nasceu em São Paulo mas mora no Rio desde sempre), o jornalista de 27 anos se encarrega de atingir, sozinho, um público amplo e diversificado através dos vídeos caseiros que elabora. Produzindo por conta própria desde 2009, Guilherme Gamer (ou Guedes, oficialmente) acumula números absurdos para os padrões nacionais – são seis milhões de visualizações (alguns vídeos ultrapassam 100 mil views), 35 mil inscritos no canal de YouTube, mais de 20 mil seguidores no Twitter.

Ele próprio relata: “Eu comecei e ainda estou no Consoles e Jogos Brasil (CJBr). Atualmente o meu maior projeto é o Gamer Point, um programa semanal que reúne muitas notícias, analises dos games lançados na semana, curiosidades, e uma pitada de humor”. Recentemente, Guilherme ganhou um espaço no canal PlayTV – o GameTV, um drops diário de notícias. “Espero que isso possa abrir portas pra mim. Pretendo manter meu trabalho independente mas não quero me segregar da mídia especializada. Pelo contrário: quero trazer minha contribuição”, diz.

Na entrevista a seguir, Guilherme Gamer divagou sobre os diferentes tipos de público, deu dicas para iniciantes, discutiu polêmicas, distribuiu elogios (e alfinetadas) e opinou sobre o mercado nacional. Leia até o fim, passe para frente e comente no final.

***

Gamer.br: Vamos começar do começo. Como se iniciou sua carreira de jornalista de games?
Guilherme Gamer:
Eu, antes de tudo comecei como jornalista “basicão”. Daí pra chegar ao raciocínio lógico de unir a minha paixão pessoal com a paixão profissional foi meio óbvio. Os primeiros passos foram fazendo vídeos comentados contendo gameplays de jogos na internet, no blog Consoles e Jogos Brasil. A partir disso, veio uma aceitação razoável do público e esse foi um grande incentivo – e é até hoje. Eu digo que comecei de uma maneira diferente da maioria que eu conheço. Não tive um estágio em uma revista, por exemplo. Foi muita ralação e aprendi tudo “na marra”.

Você quer dizer, fazendo sozinho? Quais foram suas inspirações então?
GG:
Minha inspiração básica mesmo veio de mim mesmo. Dos meus gostos. Tudo que fiz no jornalismo gamer até hoje veio das coisas que eu assistia, lia, consumia. Claro que não descarto fazer algo rotineiro, como escrever análises para uma revista, por exemplo. Mas em tudo que faço procuro dar meu toque pessoal. Deixar a minha presença marcada ali. Não gosto de fazer mais do mesmo. Mesmo tendo inspirações também em sites e programas estrangeiros, procuro dar a minha cara em tudo que faço e não seguir um roteiro padrão.

Na prática, quando você teve certeza de que seu negócio seria falar de games? Houve esse “momento” definidor?
GG:
Eu tive a certeza que era isso que eu queria a partir do momento em que vi que as pessoas estavam gostando do meu trabalho. O feedback me fez pensar: “Ei! Que tal se eu fizesse disso não apenas meu hobby, mas também minha profissão?” O jornalismo em si eu sempre gostei, tanto que fiz faculdade. Eu costumo dizer que eu tinha mesmo que ser jornalista gamer, pois não escolhi isso apenas. Isso me escolheu, entende? Então esse momento especial foi ao longo dos primeiros meses, dos primeiros vídeos, do processo da minha aprendizagem, tentativas, erros e acertos.

Você nasceu nos anos 80 (tem 27 anos), cresceu em um momento em que os games começavam a alcançar popularidade e se acostumou com a internet desde cedo. Um diferencial de seu trabalho é a maneira de utilizar os novos recursos tecnológicos em seu favor – no caso, vídeos e fóruns de internet – para alcançar o público. Quão importante é compreender bem essas ferramentas na manutenção do trabalho? Você acha que é obrigatório hoje em dia saber lidar com as “novas” ferramentas, ou ainda haveria espaço para o jornalismo “antigo”, tradicional?
GG:
Eu acredito que há lugar para todos os bons jornalistas, mas os que não acompanham as tendências têm menos chances de se manter firme no mercado. Eu comecei com isso no meu DNA. Eu faço parte disso, eu respiro essas “novas” ferramentas. Coloco entre aspas, pois algumas já podem até serem consideradas velhas. Eu acredito que o ideal é o ponto de equilíbrio entre modernidade e tradicionalismo. Uma revista que eu acho bacana sabe se comunicar através das suas preciosas folhas de papel, mas também dialoga com seu público em outros meios.

Como você descobriu o formato ideal para atingir o seu público? E mais, o que você acha, por experiência, que mais atrai o público no seu trabalho?
GG:
Eu acredito que ainda não descobri. Acho isso fundamental: buscar sempre melhorar e evoluir. Nunca ficar 100% satisfeito. Tenho sempre essa inquietação em mim. Mas, ao longo deste tempo que tenho produzido conteúdo, descobri, claro, algumas coisas que funcionam. O que mais atrai a galera que curte meu trabalho são dinamismo, descontração, a proximidade com eles. Isso é fundamental. Essa comunicação com o público. Quem usa uma conta no Twitter para apenas divulgar seu trabalho, não se comunica. Pelo contrário: se utiliza de uma ferramenta nova de uma maneira antiga.

Falando de maneira prática – quando você notou que havia um público cativo e muito dedicado ao seu trabalho? Notar que a coisa “deu certo” mudou alguma coisa em sua maneira de fazer?
GG:
Eu notei que havia essa galera que curte meu trabalho mesmo quando chegou o dia que eu estava passando mais tempo respondendo mensagens que propriamente fazendo os vídeos. A partir disso, minha dedicação ao trabalho aumentou demais. Investi tempo, dinheiro, tudo. Deixei de lado outros trabalhos para investir 100% nisso.
Mas a mudança foi apenas mesmo na dedicação. Procuro não fazer um trabalho voltado especificamente pensando na aceitação do público. Se aceitarem, ótimo. Fico muito feliz. Mas acho fundamental continuar mantendo a essência da diversão no que eu faço, sabe? Acredito que, com isso se tornando cada vez mais profissional, acabe sendo mais difícil, mas vou sempre tentar manter.

Como todo mundo que está em evidência, você obviamente sofre críticas – seja de parte do público que não o segue, seja por colegas da imprensa. Como lida com elas?
GG:
Primeiramente, por parte do público: sou muito feliz e agradecido ao público que consome meu trabalho. Raramente recebo uma crítica puramente destrutiva, sabe? Em sua maioria as críticas são construtivas, tentando me ajudar a crescer e sou muito grato a elas, muito mesmo. Tanto quanto aos elogios. Já por parte de colegas de imprensa, eu não sei dizer exatamente como lido, pois nunca chegou a mim diretamente. Eu sei que existem conversas entre outros jornalistas falando de maneira negativa sobre o meu trabalho e, de coração, gostaria de saber exatamente o que falam. Acredito que seja um preconceito por eu vir de um meio onde pessoas sem talento algum podem e às vezes conseguem se destacar, mas gostaria de um voto de confiança.
Felizmente, alguns colegas estão dando este voto. O maior exemplo disso é o Luciano Amaral, da PlayTV. Ele acreditou no meu trabalho e potencial desde o início e foi fator fundamental para minha ida para a PlayTV. Outro é você que está me abrindo as portas aqui do seu blog com esta entrevista. Lucas Patrício é outro que me disse palavras muito bacanas, e outros, como o Pablo e Cláudio, do UOL. Mas a resistência comigo ainda acredito ser grande, mas vou tentar provar para eles que, pelo menos, vou continuar fazendo meu trabalho da melhor maneira possível e com ética e respeito.

Você acredita ainda haver algum tipo de segregação no jornalismo de games? Há mesmo separação de público e, consequentemente, disputas entre os diversos tipos de leitor? Cito isso retomando um caso recente que você se lembra, sobre a distinção entre os tipos de consumidores (“true gamers” ou não)…
GG:
Obrigado pela oportunidade de falar sobre isso. O termo criado “true gamer”, gerou uma imagem errada sobre sua utilização. Ele foi pensado para ser utilizado dentro de um projeto de web-programa que participei. Mais como uma brincadeira e menos como uma forma de segregar pessoas. Quem utiliza o termo de maneira séria apenas gosta de pensar que truegamer é um gamer que é ativo na comunidade, quer ver o mercado crescer, não utiliza pirataria, coisas assim. Mais uma vez eu imagino que a grande não-aceitação por parte de outros jornalistas em relação ao termo é pelo fato dele ter sido criado na internet e se alastrado rapidamente dentro da mesma. Ainda há muito preconceito com isso. Mas eu de forma alguma pretendo me focar apenas em um tipo de público. Quem eu acredito que contribuem para esta segregação são alguns jornalistas que insistem em falar para uma “elite”, para o mesmo grupo sempre. Eu quero e sempre busco fazer um trabalho de qualidade que possa ser facilmente identificável por todos que gostem e queiram saber alguma coisa a mais sobre a nossa fonte de trabalho: os games.

Você então se sente, de alguma forma, representando um público “oprimido” ou “negligenciado” anteriormente pela imprensa tradicional especializada?
GG:
Certamente. Digo isso não baseado em uma pesquisa acadêmica ou algo do tipo, mas sim no que sinto deste próprio público. Grande parte se refere a mim como o único “jornalista gamer” que eles conhecem. Claro que eles provavelmente sabem que existem revistas e sites que tratam sobre videogame, mas acabam não se identificando com nenhum deles. Acredito que isso se deva justamente a essa distância que grande parte dos jornalistas de games atualmente cria. Eu quero falar pra todo mundo: pra quem joga desde o Telejogo, quem começou no PS2, quem começou na geração atual e quem ainda sonha em ter um videogame. É isso que eu busco e sinto que tenho conquistado cada vez mais este objetivo. Não sonho em ser uma unanimidade, óbvio, mas sonho em fazer o melhor trabalho possível para a maior parte das pessoas que gostem de alguma forma de games.
Eu sinto que, de forma generalizada, a imprensa especializada tem preconceito deste grande público. E eu não falo para uma elite apenas de revistas de games, por exemplo, então este preconceito acabou “grudando” em mim também. Faço atualmente um jornalismo do meu jeito, sem seguir uma escola padronizada. Acredito que isso incomode, mas gostaria que pelo menos respeitassem este trabalho. Não sei se é pedir muito, é? [Risos]

Retomando a pergunta lá atrás: qual é o segredo para se comunicar e “tocar” esse público mais amplo, menos elitizado? Porque existe todo um método correto – nem todo mundo consegue. Tem a ver com a linguagem, temas abordados, estilo?
GG:
A linguagem conta muito, com certeza. Não precisamos também imaginar que só por não ser da elite que esta pessoa é burra ou ignorante. A elite a que eu me refiro não se baseia apenas na questão financeira, e sim cultural. Continuando: a linguagem que utilizo é como se eu realmente estivesse contando pra um amigo sobre um determinado jogo que vai ser lançado ou mesmo explicando pra ele, com minhas palavras, como passar de uma fase complicada, por exemplo. Outro ponto importantíssimo é o veículo de informação. É o que eu disse lá atrás: não adianta um jornalista de uma revista simplesmente criar uma conta no Twitter para divulgar suas matérias. Ele precisa estar em constante sintonia com esse público. Ver o que dá certo, adaptar o que não funciona. É um ecossistema vivo e em constante mudança. Quem fica parado no tempo, não evolui. Pode até manter seu emprego, mas não vai sair daquilo. Eu busco sempre evoluir. Tanto como uma busca pessoal mesmo por um processo evolutivo constante quanto por uma busca no aperfeiçoamento da minha comunicação com o público. Sem o público, não somos nada. No final das contas, o que importa é o público, e não o nosso próprio umbigo ou ego.

No caso de seus vídeos, você pretende investir em equipamento para profissionalizar ainda mais o negócio, ou o esquema é parecer mesmo “do it yourself”?
GG:
Estou sempre buscando evoluir a questão técnica para tentar me aproximar do resultado visual como sendo algo mais profissional, mas, claro, sem perder a essência do meu trabalho que falei um pouco antes. Me sinto muito feliz de ver os primeiros vídeos do Gamer Point e ver os mais recentes. Modéstia de lado, a evolução foi gigante. Tanto minha como apresentador quanto da questão visual. E me sinto mais realizado ainda quando o próprio público manifesta que tem percebido esta constante evolução. Mais uma vez: é tudo pro público.

Como você divide esse trabalho a serviço do gamer com seu trabalho “normal”, digamos assim? Compensa o tempo gasto? Está rendendo alguma grana?
GG:
Foram muitos meses de investimento sem retorno (obrigado a minha querida mãe, Vilma, que me deu todo o apoio). Claro que foi um tiro no escuro: podia ou não dar certo. Agora sim, está dando certo. O Gamer Point tem patrocínio e trabalho formalmente na PlayTV. Jornalista gamer é meu trabalho “normal” agora de verdade [risos]. Mas claro que ainda estou bem no começo de uma longa e infinita jornada. Quero crescer muito profissionalmente ainda. Principalmente aprender. Aprender com o público e com os jornalistas mais experientes.

Nesse último vídeo deu para perceber que você separa notícias gerais das notícias específicas do mercado brasileiro. Você acha que o seu público se interessa mesmo pelo que está rolando no país – reduções de preço, lançamentos oficiais, traduções – ou eles estão mais interessados em temas mais amplos? Ou seja, o “Brasil dos games” rende pauta o suficiente? O público se importa com isso ou quer mais é jogar e pronto?
GG:
Eu acredito que seja bem dividido. Tem a galera que quer ver o mercado crescer, é entusiasta e tem os que só querem ver o trailer daquele game que vai ser lançado. Por isso eu procuro atender a todos. Mas estou sempre batalhando pra tentar passar a minha mensagem de jornalista opinativo e propagando o que eu acredito ser importante. Quando mais entusiastas tivermos, melhor para o país crescer. E tenho notado um aumento no interesse da galera que acompanha meu trabalho por este tipo de tema. Então sinto que estou cumprindo meu papel de jornalista gamer e também de cidadão gamer brasileiro.

Como você enxerga a situação atual do mercado de games – como jornalista e como consumidor? A situação está mesmo tão melhor como grande parte da imprensa propaga?
GG:
Falando de Brasil, acredito que sim. Grandes lojas estão começando a diminuir preços que, no final das contas, é o que mais importa para o consumidor final neste momento. Outro grande ponto é o interesse de empresas grandes criando estratégias para o Brasil. Temos as três grandes Nintendo, Sony e Microsoft atuando de alguma maneira aqui. Há toda uma movimentação para aumentar o volume de jogos adaptados para nosso idioma, lançamentos ocorrendo aqui junto com o lançamento mundial. Acho isso ótimo. Faz os gamers brasileiros se sentirem inseridos cada vez mais no mercado mundial, e não segregados. Mas ainda falta muito para dizer que as coisas estão boas. Sinto que qualquer melhora que tenhamos sentido nos últimos meses tem a ver mais com atitudes individuais e de empresas do que com o apoio do governo. Falta o governo se mexer, diminuir os impostos, aumentar os incentivos. É um mercado gigante no mundo que ainda engatinha por aqui. Então não está bom, mas certamente está melhorando. É hora de ficar feliz e comemorarmos as vitórias, mas com a consciência de que a batalha está apenas começando.

Então o “Brasil gamer” tem jeito? O que precisa acontecer para chegarmos ao topo – se é que ele existe?
GG:
Não acho nem quero acreditar que exista um topo. Até porque quando uma coisa chega ao topo, a tendência é começar a cair, né? O caminho para o Brasil gamer melhorar e evoluir passa por dois aspectos fundamentais: governo e conscientização dos gamers. O governo não vai estar sendo bonzinho incentivando nosso mercado a crescer. Eles vão lucrar mais. No final das contas, basta sermos todos um pouco egoístas: o governo tem que querer lucrar, nós temos que querer jogos baratos, localizados e ações efetivas no nosso mercado e as empresas tem que lutar para faturar cada vez mais por aqui, investindo no Brasil. Desse jeito, todos saem ganhando. Já passei por momentos de tristeza e desilusão, pensando: poxa, não tem jeito de mudar essa bagaça não. Melhor mudar pros Estados Unidos. Mas o momento de lutar e tentar fazer a diferença é agora. Então não vamos desistir. Considero meu papel (e de outros jornalistas) fundamental para esta mudança por sermos, de certa forma, formadores de opinião. ainda. Principalmente aprender. Aprender com o público e com os jornalistas mais experientes.

Para quem se inspirou pela sua história e gostaria de arriscar também, o que você recomenda? Há espaço para outros Guilhermes Gamers no Brasil?
GG:
Nossa, pra muitos. A internet agora, e cada vez mais, proporciona um ambiente democrático para exposição de opiniões, material, texto, vídeo, áudio. Não sou ninguém ainda pra dar recomendações, mas sugiro que busquem fazer um trabalho ético, investir e buscar sempre evoluir. Não tem problema se inspirar no trabalho de outra pessoa que a gente curta, mas temos que dar nosso toque pessoal. Aproveitando: fico muito honrado quando vem um garoto dizer pra mim que está começando uma faculdade de jornalismo inspirado em mim. Nossa, isso não tem preço e faz valer a pena cada momento investido neste trabalho.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Julio Vieitez (Level Up! Games)
  2. Entrevista da Semana: Eduardo Trivella (D&T p/ PlayStation)
  3. Entrevista da Semana: Odair Braz Junior (GameTV)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
06/07/2010 - 19:25

Como foi a festa da Blizzard

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É mesmo! Faltou falar sobre o evento da Blizzard no Brasil.

Certamente você já leu aqui, ou viu aqui. Mas tudo bem. Vou falar.

A festa rolou na quarta-feira passada, em um buffet estiloso no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. E estava realmente todo mundo lá – até mesmo gente que andava afastada desse tipo de evento mais específico. Foi muito bem organizado e democrático. Havia gente de grandes portais e blogueiros, sem preconceito. Trabalhar direto na comunidade é isso aí.

Enfim, aparentemente deu tudo certo no primeiro grande evento da Blizzard em território brasileiro. Começou com Steve Huot, diretor de operações da empresa para a América Latina, dando as caras no melhor estilo “executivo americano bom de discurso”. Ele falou bem e bonito, mostrou números e encheu a sardinha do mercado brasileiro. Daí, revelou o plano mirabolante da Blizzard para conquistar o nosso País: primeiro, “vender ao núcleo”, ou seja, atingir o público fiel com uma campanha que envolve colocar o preço do game lá embaixo e fomentar uma comunidade ativa e interessada; em seguida, “vender para todo mundo que possui banda larga”, o que significa utilizar modelos de assinatura por período (30 a 60 dias) e investir em recursos para o fortalecimento da marca em nosso território.

Pareceu bem convincente. Exceto pelo fato de que temos que ver se esse esquema de “game barato + assinatura posteriormente” vai funcionar por aqui. Mas falemos sobre isso daqui a pouco.

O jogo em questão, Starcraft II: Wings of Liberty, é o  sucessor de um dos games mais resistentes da história, StarCraft, lançado em 1998 e jogado até hoje nas internets. A grande novidade é o lançamento por aqui simultaneamente ao mercado norte-americano, em 27 de julho, em versão inteiramente localizada para nosso idioma, o português (mais o espanhol – sem opção de inglês) e… por apenas R$ 49,90.

Mas, aí eles explicaram tudo: R$ 49,90 dá direito a levar o game para casa e a jogar por seis meses, seja no modo individual, seja no modo online. Expirado esse período, o usuário precisa optar por pacotes de 30 ou 60 dias para continuar jogando. Será possível pagar via cartão de crédito ou boleto bancário, e os preços das mensalidades ainda não foram revelados pela Blizzard. Pelos comentários que ouvi ao final do evento, as opiniões dos colegas de imprensa foram dúbias: muitos comemoravam o fato de o game ser vendido tão barato; outros, reclamaram que esse esquema de jogar por seis meses e pagar depois não é tão interessante, e que no fim das contas, o consumidor irá gastar mais. O fato é que tem muito jogador brasileiro acostumado a pagar mensalidade (vide o sucesso por aqui de World of WarCraft, também da Blizzard). E não há como negar que, em se tratando de marketing, foi mesmo boa essa ideia de lançar um game de ponta a um preço tão baixo: o público desavisado, dito “casual”, certamente irá prestar atenção a um game “famoso” sendo vendido por apenas cinquentinha na prateleira do supermercado.

Para quem não quiser se dar ao trabalho de pagar assinatura, a Blizzard irá lançar uma edição especial do game, somente digital, sem limitações e mais cara, além de uma outra versão, “para colecionador”, cheia de extras e bela embalagem. Mais detalhes sobre isso serão divulgados mais perto da data de chegada do game às lojas (aliás, dizem que irá rolar uma grande festa de lançamento para promover StarCraft II no Brasil).

No evento, vimos demonstrações do game no telão, nos quais se deu mais atenção à dublagem do que à jogabilidade em si. Ouvi gente reclamando das coisas de sempre, dizendo que não havia tanta naturalidade nos diálogos, mas eu já presenciei coisas bem piores. Não percebi muitos problemas, para falar a verdade. São detalhes que somente os mais hardcore vão perceber, principalmente aqueles já antenados com o universo StarCraft. Já que a intenção da Blizzard é ampliar seu público e popularizar a marca, então me parece que o serviço de localização foi feito da maneira adequada. Aliás, outra notícia interessante: a Blizzard pretende oferecer servidores dedicados à América Latina, o que significa que você não precisará se preocupar em tomar surras online de algum coreano campeão. Porém, para quem já se considera jogador de nível avançado, não parece ser uma opção interessante batalhar apenas contra latino-americanos (para jogar em servidores internacionais, será preciso adquirir versões do jogo lançadas em outros países. Isso ainda está confuso e deve ser esclarecido mais adiante). O que deu a entender é que a Blizzard pretende estimular o crescimento de uma comunidade continental de fãs e aficionados. Muito justo.

(Aliás, entrevistei o Steve Huot e prometo em breve publicar a íntegra do papo aqui. Ele até falou sobre World of WarCraft e o Brasil.).

Finalizado o blá-blá sobre StarCraft II, falou-se sobre a equipe brasileira da Blizzard. Um dos integrantes do time é um velho conhecido do mercado nacional – o Ivan Kako, que foi gerente de produto na Electronic Arts Brasil durante alguns anos. Ele será o gerente regional de desenvolvimento, o que significa que ele estará bastante ligado a todas as decisões importantes relacionadas aos games Blizzard no Brasil. Cara de confiança, competente e totalmente bem-intencionado, Kako tem tudo para fazer um ótimo trabalho. Experiência de sobra ele tem.

O outro brasileiro na Blizzard é o goiano Washington Andrade, que exercerá o cargo de gerente de comunidades. Ele, que mora há alguns anos em San Francisco e chegou a jogar WarCraft 3 profissionalmente, conseguiu sua vaga através daquele processo de seleção aberto que divulguei há uns meses, vencendo algumas centenas de concorrentes. Por enquanto, ele está morando em Irvine (também na Califórnia), e trabalha na sede da Blizzard. É bem provável que ele prossiga suas atividades lá dos Estados Unidos mesmo (afinal, o fato de ele já morar nos EUA deve ter sido crucial em sua escolha para o cargo). Ainda um desconhecido do mercado nacional, Washington se esforçava para lidar com o assédio pesado dos convidados no final da festa.

Já a parte de comunicação com imprensa está a cargo do Andre de Abreu, que também foi o mestre de cerimônias do evento e já se mostrou bem integrado com a imprensa especializada. A propósito, a Blizzard não revelou ainda onde será seu escritório em São Paulo, e nem deixou claro se pretende abrir mais vagas para profissionais brasileiros num futuro próximo. Já eu, aposto que sim: pelo tamanho das intenções demonstradas, é bem provável que a empreitada Blizzard no Brasil cresça a olhos vistos.  A gente torce, pelo menos.

E você ai, ficou animado?

***

E saiu a matéria sobre a Blizzard assinada pelo Luciano Amaral, do PlayTV. Se ligue nas participações especiais:

Notas relacionadas:

  1. E a Blizzard sopra no Brasil
  2. A vida pré-E3, a Blizzard a caminho e o maior evento de games do Brasil
  3. Dias de Festa…
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
20/05/2010 - 17:13

Xbox Live no Brasil – será?

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Opa, mas que semana agitada.

Não sei para você, mas para mim está uma loucura. E as notícias não param de chegar. O que tem de gente especulando coisas às escondidas… esse é o lado bom de não ter o rabo (muito) preso: a gente fala o que pensa, e aguenta as consequências depois.

Por exemplo, há quem jure que a Microsoft irá anunciar na E3 2010 algum avanço na questão da rede Xbox Live no Brasil. Antes mesmo de essa especulação surgir e se alastrar pelas redes sociais, eu já estava cogitando a mesma coisa. E a ideia apenas se consolidou quando descobri que haverá mais um evento da Microsoft na E3 além da coletiva tradicional e do circo do Project Natal.

Será no dia 15 de junho, na parte da noite, e há quem garanta que haverá notícias especiais para os brasileiros. Eu particularmente duvido que seja uma festa para anunciar uma nova aventura de Halo em nosso território.  Logo, concluo que é bastante provável que surja alguma novidade realmente interessante para nós durante essa E3. Pensamento positivo é isso.

***

Por outro lado, alguém tem dúvidas de que a Sony também irá revelar algo sobre o Brasil durante a E3? Talvez não aconteça lá em Los Angeles, mas é quase certo que o braço brasileiro da empresa finalmente quebrará o silêncio para revelar o que queremos ouvir – ou seja, PlayStation 3 oficialmente no Brasil, com direito a rede PlayStation Network funcionando. Seria incrível, não?

E a coletiva da Sony na E3 já foi confirmada. Será no dia 15 de junho, no belíssimo Shrine Auditorium, a partir das 11h30 (horário de Los Angeles), ou 15h30 (horário de Brasília).

Sim, é isso mesmo o que você pensou (ou será que só eu me importo com isso?): a coletiva começa no exato momento do início da primeira partida do Brasil na Copa do Mundo.

Já estou combinando com os colegas brasileiros sobre esqueminha de TV portátil, radinho de pilha ou alguma nova tecnologia. Se bem que a Sony poderia disponibilizar umas novíssimas TVs 3D e espalhar pelo Shrine Auditorium… Fica aí a dica.

***

E a Nintendo?

Essa também confirmou sua festinha na E3: será também em 15 de junho, lá no Nokia Theater, no centro de Los Angeles. E será às 9h da manhã, como sempre. E dessa vez, eu juro que não faço a mínima ideia do que eles irão mostrar.

Alguém tem sugestões?

***

Muita gente me escreve aqui pedindo para eu esclarecer a quantas anda o projeto “Imposto Justo para Videogames”. Bem, não dá para falar muita coisa, porque esta tudo naquela inevitável fase de confidencialidade. Só dá para dizer que há pessoas graúdas e importantes de Brasília interessadas nessa pauta. E mais gente do que você pensa se preocupando e trabalhando muito para que o projeto siga adiante.

E juro que quando eu puder, abro mais o bico.

***

Eu também não posso falar muito, mas ouvi dizer que em breve a Blizzard fará alguma espécie de evento voltado para a imprensa por aqui. Deve ser em junho, e deve ser com o objetivo de inaugurar os trabalhos da produtora em solo brasileiro.

Mais sobre isso – se rolar mesmo, porque não é certo -, falo em breve.

***

E tem novidade lá na PlayTV.

O onipresente Luciano Amaral, que hoje é o apresentador do programa MOK, está ocupando um novo cargo: agora ele também é o diretor artístico do canal, e assume a função com o objetivo “de fortalecer a identidade do canal por meio da unificação das linguagens utilizadas em cada programa”, segundo o release divulgado ontem.

“Queremos nos tornar uma marca ainda mais reconhecida no mercado da cultura pop e focada no público jovem. Para isso, o primeiro passo será a reformulação de vinhetas, artes e infografias da programação. Acreditamos que ter unidade na produção fará com que o público crie mais facilmente uma identificação com a PlayTV”, afirma Luciano.

O Gamer.br deseja boa sorte ao Luciano – que segundo consta, também irá cobrir a E3 direto de Los Angeles. Aliás, uma excursão às lanchonetes mais engorduradas da cidade já está em planejanento.

E boa semana para todo mundo.

Notas relacionadas:

  1. 2 anos de Xbox 360 no Brasil: a Microsoft fala
  2. Enquanto isso, no Xbox 360…
  3. Toma lá dá cá: Microsoft reduz preços e lança novos modelos de Xbox 360 no Brasil
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
15/10/2009 - 18:07

Coisas que talvez você (ainda) não saiba

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O Capitão Lou Albano morreu ontem, aos 76 anos.

Quem tem mais de 21 anos nas costas deve se lembrar quem ele é: é simplesmente o cara que fazia o papel do Mario (aquele!) em um seriado televisivo exibido antes do “The Super Mario Bros. Super Show!”, aquele desenho animado pirado bancado pela Nintendo – no Brasil, ele ficou no ar por um bom tempo graças ao glorioso programa da Xuxa.

lou.jpgPara nós, ele era apenas a encarnação humana daquele encanador de bigode. Nos Estados Unidos, Albano era muito cult. Foi um dos mais famosos e odiados lutadores da liga World Wrestling Enterprise (WWE)  durante muito tempo. Também participou de um monte de clipes da Cindy Lauper (inclusive aquele famoso dos Goonies) e fez participações em seriados e vários filmes. Mas ficou eternizado como o Super Mario mais realista da história da ficção. Nem a interpretação do Bob Hoskins (que fez o papel do herói naquele filme ridículo para os cinemas) chegava perto do Mario “Jumpman” Mario eternizado por Captain Lou.

É o tipo de notícia que só serve para nos lembrar da falta que aquela época ainda faz.

***

E lembra da Luiza Gottschalk?

luiza.jpgO público do Play TV sabe muito bem quem é – Luiza foi VJ e apresentadora do canal durante alguns bons anos. Fez o “Combo Fala+Joga”, entre outros programas, alguns ao lado do Luciano Amaral. Daí houve um monte de reformulações na emissora, ela partiu para outros projetos e há muito não se ouvia falar dela.

O release que recebi esses dias (com a foto ao lado, bem recente) dá pistas do que a Luiza anda fazendo:

“Após figurar na telinha como apresentadora da Play TV, Luiza Gottschalk retoma à montagem de espetáculos teatrais e assina a produção da peça O Arquiteto e o Imperador da Assíria, protagonizada por Paulo Vilhena e Beto Bellini. O espetáculo entrou em cartaz no último dia 08 de outubro, no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro e fica até 20 de dezembro, de quinta à sábado, às 21h e aos domingos, às 20h.
Luiza acaba de voltar da Europa, viagem realizada com o objetivo de estudar e buscar novos formatos e ideias para o teatro e a televisão. “

E há quem ainda chore pela possibilidade de a Luiza retomar sua carreira dedicada aos games na televisão. Será que um dia ela volta?

***

E sobre os novos comandantes das revistas EGW e a Nintendo World? Alguém aí já sabe de alguma novidade?

Eu sei e agora divido com vocês. Com a palavra, o publisher da Tambor, André Forastieri:

“O editor-chefe do núcleo de Tecnologia e Games da Tambor, Fernando Souza Filho, é o responsável por todo o conteúdo destes segmentos. Fernando é editor do site www.pcmag.com.br e ex-editor da revista PC Magazine.

O Fernando e eu [Forastieri] estamos envolvidos em uma atualização do projeto do EGW. Não se trata de mudar tudo, mas naturalmente estes momentos de mudança na equipe são momentos de reflexão. Fazemos a revista faz sete anos, e na mudança de EGM para EGW evitamos ao máximo mudar a revista, queríamos que a continuidade fosse clara. Agora vamos dar alguns passos no sentido de a revista ser mais reflexiva, com mais espaço para opinião, dando mais voz a players de todos os segmentos do mercado.

O plano de transição é nos envolvermos muito para a EGW, revista e site, ficarem exatamente com a cara que queremos. Quando este update no projeto editorial, as novas seções e os ajustes no design do EGW estiverem bem definidos e solidificados, nos afastaremos e traremos um gestor para a EGW. Vamos ver se conseguimos no prazo que nos propusemos, três meses.

(…)

Falando em velhos amigos, o novo editor da Nintendo World é o Renato Siqueira. A revista vai ficar com mais cara de Nintendo. Até porque o Renato foi da Pokémon Club, colaborador da Nintendo World de outros carnavais, e conhecidíssimo no mundo do anime e mangá.”

O Gamer. br dá boa sorte para os envolvidos na empreitada. E você, o que achou disso tudo?

Notas relacionadas:

  1. Novo site. E “nova” revista
  2. Entrevista da Semana: André Forastieri (EGW)
  3. Editores das revistas EGW e Nintendo World deixam cargos e abrem empresa própria
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
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