06/11/2009 - 20:52
A sexta chegou!
Foi uma semana complexa pra mim, como deu para notar. Deve ter sido também pra você. Talvez tenha sido o calor, a secura do ar… pelo menos, choveu e as coisas melhoraram.
A boa é que o final de semana musical promete para quem está em São Paulo. Tem o festival Planeta Terra para os alternativos, o Maquinária para os metaleiros e até o Dragonforce para os fãs de Guitar Hero. E para aqueles que detestam rótulos ridículos, ainda tem o show da banda Gameboys – aquela instrumental que interpreta temas clássicos de games.
Fui convidado pessoalmente pelos caras da banda, mas infelizmente não vou poder ir – terei que comparecer ao Faith No More no Maquinária. Mas fica aí a dica com o flyer que eles me enviaram:

Quem for, depois me conte o que achou.
E amanhã subirei aqui a entrevista que fiz há algumas semanas com o Herman Li, o guitarrista maluco do Dragonforce. Eles, que ficaram famosos de verdade por causa de uma música em Guitar Hero III (embora digam que “já eram famosos antes”), tocam amanhã em Curitiba e no domingo em São Paulo. Quem vai?
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E a Nintendo no Brasil faz até evento. Você sabia? E é aberto ao público. Quem quiser, pode ir. No caso, é o lançamento oficial de New Super Mario Bros. Wii (clique na imagem para aumentar):

O evento rolará em pleno feriadão de Proclamação da República, mas quem estiver de bobeira pode comparecer, testar o game e ainda ganhar brinde. E depois você fica reclamando que nunca rola nada de novo por aqui…
Não fui irônico. Talvez só um pouquinho, mas faz parte.
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Vários games infestaram minha mesa de trabalho ao longo da semana: GTA IV: Episodes from Liberty City, Forza Motosport 3, DJ Hero… mas, estranhamente, tudo o que consegui jogar esses dias foi Bioshock. Aquele mesmo, de 2007. Devo estar em um momento nostálgico.
Mas depois que a poeira baixar pra valer darei meus pitacos aqui sobre esses e outros games recém-lançados. Mas prefiro que você me fale: quais dos games lançados nas últimas semanas mereceram a compra? Quais são as grandes tranqueiras? Há algum absurdo a ser citado, como essa edição das letras das músicas de Band Hero?
Aliás, a Activision não aprende – ou faz de propósito, o que na prática dá no mesmo: o No Doubt está processando a empresa por ter sido colocado de maneira inadequada no game. É o lance do “assinou, não leu”, ou há má fé envolvida nessa história? É exatamente o que rolou com a Courtney Love em Guitar Hero 5. Ou seja, que preguiça.
Pois então, nos vemos em algum desses shows? Ou se preferir, retorne logo mais, para a atualização do final de semana.
Fui.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: activision, band hero, courtney love, dragonforce, faith no more, gameboys, guitar hero, kurt cobain, maquinária, mercado, new super mario bros. wii, nintendo brasil, no doubt, planeta terra
06/10/2009 - 03:06
A Entrevista da Semana do Gamer.br encarou o norte-americano Tommy Tallarico. Para os já-iniciados, o nome é conhecido – ele é um compositor de trilhas sonoras de videogames que acabou formulando uma ideia maluca que deu certo: o Video Games Live, que pode ser porcamente descrito como uma mistureba de trilhas sonoras de games, orquestra sinfônica, telão, raio laser e interatividade, tudo diante de uma plateia sentada.

Parece um absurdo se levada em conta só a descrição, mas o fato é que a brincadeira deu certo. Os espetáculos do VGL são concorridos ao redor do mundo, e os brasileiros, aparentemente, abraçaram a causa: é o quarto ano consecutivo que Tallarico e sua gangue desembarcam no Brasil. Desta vez, foram quatro datas em uma semana: Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, onde eles terminam a turnê nesta quarta-feira, 7 de outubro (no HSBC Brasil). E olha que nem é preciso ser muito inteirado no negócio para curtir o espetáculo, que homenageia games das antigas, passa por clássicos recentes e tem diversos momentos de interatividade com o público devoto e aficionado, tudo ao som da Orquestra Sinfônica da Petrobras e com Tallarico fazendo o papel de animador de festa.
Bati um papo com Tallarico (que, veja só, é primo de Steven Tyler do Aerosmith) dias antes de ele pousar no Brasil. Na entrevista a seguir, ele não apenas vende o peixe do Video Games Live, como opina sobre a febre dos games musicais, comenta o recente imbróglio envolvendo Kurt Cobain e Guitar Hero e dá suas sugestões sobre como deveriam ser os próximos simuladores nos videogames.
Como sempre, aqui vai a receita: leia, não deixe de comentar no final… e compareça ao último show do Video Games Live, que ainda há ingressos à venda.
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Gamer.br: É sua quarta vez com o Video Games Live no Brasil. Quais as principais diferenças entre seus primeiros shows aqui, em 2006, e esses novos?
Tommy Tallarico: Acho que o público e os fãs sabem um pouco melhor o que esperar a esta altura. Eles sabem que tudo bem enlouquecer, bater palmas e gritar durante a apresentação, mesmo que seja um espetáculo com uma orquestra sinfônica. Nós mesmos encorajamos as pessoas a se divertirem pra valer – não queremos que achem que só porque tem uma orquestra no palco é preciso ficar em silencio. Eu gosto de descrever o Video Games Live como uma combinação entre o poder e a emoção de uma orquestra sinfônica com a energia e a excitação de um show de rock, adicionado a isso a interatividade, o visual de última geração, a tecnologia e a diversão que os games oferecem. Então, eu diria que as diferenças em relação há quatro anos é que o público se envolve mais com a performance a cada ano. Nós também melhoramos a qualidade e a tecnologia do show de um modo geral, e também refinamos o repertório, de modo a dar aos brasileiros exatamente o que eles vem nos pedindo nesses anos.
O que você diria a alguém que já assistiu aos espetáculos anteriores e não está exatamente empolgado em ver novamente?
TT: Nós criamos mais de 60 segmentos diferentes para o Video Games Live, mas só conseguimos tocar uns 20 a cada show. Então alguém que já viu o espetáculo irá perder dessa vez os segmentos de Shadow of Colossus, Mega Man, Silent Hill, Chrono Trigger e Chrono Cross, além dos novos segmentos destinados a Metal Gear Solid e Zelda com os convidados especiais, incluindo o compositor japonês da série Metal Gear: Norihiko Hibino estará no palco e tocará sua própria música ao lado da orquestra. A cada ano, o nosso objetivo é trazer novas maneiras de entreter a platéia e fazer todo mundo se empolgar com a ideia de rever o show novamente.
Há algo que você já tentou fazer no palco, mas não conseguiu, por alguma limitação técnica?
TT: Por enquanto, não… Aliás, estou preparando uma tecnologia holográfica em 3D neste exato momento, que deverá levar o quesito efeitos especiais do show para uma direção absurda.

Os jogos de música agora são parte determinante da indústria, especialmente agora que grandes nomes estão tomando parte do processo também – por exemplo, os Beatles, a MTV etc. Como compositor de músicas para jogos, você não fica preocupado com o futuro das trilhas sonoras originais nos videogames?
TT: Não, absolutamente, não. Nem um pouco. Eu acho que isso só ajuda a legitimizar nossa indústria como uma expressão artística séria. Nesse sentido, a indústria dos games é muito parecida com a cinematográfica. Tanto música original quanto licenciada têm espaço, e ambas podem sobreviver e se complementar. Você jamais ouvirá musica licenciada em games como Final Fantasy, e provavelmente não escutará trilha sonora original em um jogo de futebol americano como Madden. Depende do gênero do jogo. Em jogos esportivos, é mais provável que você escute música licenciada, e para jogos de ação e aventura você deverá ouvir mais trilhas originais. Pegue um filme como Homem-Aranha ou Matrix: ambos possuem tanto música licenciada quanto trilha original, e ambas funcionam muito bem juntas! Os games são capazes de fazer a mesma coisa. Grand Theft Auto, Guitar Hero e FIFA não iriam soar tão bem se só tivessem músicas originais. Mas sempre haverá a necessidade de se ter trilha sonora original, e ela sempre será a música mais amada e lembrada da experiência de jogar um game. Jogos como Kingdom Hearts e Halo possuem faixas licenciadas, mas é justamente a trilha sonora composta exclusivamente para os games que as pessoas se recordam mais. Os jogadores sempre irão amar e celebrar as trilhas de jogos como Mario, Zelda e Castlevania. Não tenho certeza se elas conseguiriam citar a lista de músicas do FIFA 2004, por exemplo. [Risos]
Você enxerga os games como Guitar Hero e Rock Band como uma boa maneira de as pessoas prestarem atenção à música enquanto jogam? Ou você acha que esses jogos, na verdade, causam uma impressão errada sobre o verdadeiro significado da música nos videogames?
TT: Acho que eles são algo muito positivo, com certeza. E o fantástico aumento de vendas de instrumentos musicais (especialmente guitarras) nos últimos dois anos são uma prova disso. Centenas de pessoas vêm falar comigo após os shows e me dizem que, por causa de Guitar Hero e Rock Band, eles saíram e compraram uma guitarra ou um baixo para aprender as músicas pra valer. O Video Games Live também tem esse mesmo efeito nas pessoas! Nós recebemos quilos de e-mails e cartas após os espetáculos, de pais dizendo que seus filhos foram aos nossos shows e no dia seguinte pediram para fazer aulas de violino, porque queriam tocar músicas de Halo, Final Fantasy, Kingdom Hearts ou coisa parecida. A música é uma coisa poderosa… e os videogames também. Juntos eles estão causando um impacto cultural nas vidas de milhões ao redor do mundo.
Quando Guitar Hero e Rock Band se tornaram muito grandes, culturalmente falando, eu confesso que me preocupei com o futuro do Video Games Live e seu verdadeiro propósito, que é celebrar a música composta originalmente para os games. Essa sempre foi a sua missão – tornar a música de games relevante – e agora parece que todo mundo que tirar uma casquinha disso. Como você se sente?
TT: É uma honra saber que, nos meus 20 anos de carreira como compositor de games, eu tenha contribuído positivamente para o reconhecimento dos videogames como uma forma de arte superior. É um trabalho de equipe em nível mundial, que envolve muitas empresas diferentes, para fazer isso acontecer, e é legal saber que fiz parte disso de alguma forma. Entretanto, ainda acho que há muito para acontecer. Todas as pessoas com 40 anos de idade para baixo cresceram jogando videogames. Quando essas pessoas de 40 anos tiverem 60, você terá muitos avós por aí ouvindo e curtindo músicas de games e jogos eletrônicos de um modo geral. Os videogames estão se transformando em um elemento primordial de nossa cultura, e estão rapidamente se tornando a principal ferramenta de entretenimento do século 21.
Dito isso, então: qual o melhor game musical da atualidade – e de todos os tempos?
TT: Minha música favorita de um game como um todo é provavelmente Final Fantasy VIII. Mas meu game musical preferido provavelmente será o Guitar Hero: Van Halen, porque sou um grande fã da música deles, especialmente da guitarra de Eddie Van Halen.
Por falar em Guitar Hero, preciso te perguntar isso: o que você achou dessa controvérsia sobre o Kurt Cobain e o avatar dele em Guitar Hero 5?
TT: Essa é difícil, porque acho que ambos os lados possuem opiniões legítimas. Apesar de ser fácil para o lado do artista reclamar que aquilo não é algo que Kurt teria aprovado, a realidade é que milhões de pessoas (e muitos jovens que nem eram exatamente fãs de Kurt) agora serão expostos a sua música e ao seu legado graças à natureza interativa do game. Então, eu consigo ver razão para os dois lados. Dito isso, preste atenção a quantos discos dos Beatles e do Van Halen serão vendidos daqui até o final do ano. Muito disso pode ser creditado a Rock Band e a Guitar Hero. A realidade é que a indústria dos games está ajudando a recuperar e salvar alguns segmentos da indústria musical… e a indústria musical está bem consciente disso. E olha que eu mesmo venho tentando dizer isso a eles há duas décadas! [Risos]
Você é primo do Steven Tyler do Aerosmith. Você já falou com ele sobre a participação virtual dele em Guitar Hero: Aerosmith? Acha que ele curtiu o resultado?
TT: Ah, sim. Absolutamente. E diferente da Courtney Love… ele adorou! [Risos]
Uma história engraçada que ele me contou sobre a experiência é que no início, eles pretendiam chamar outras pessoas para fazer toda a captura de imagens para o jogo. Assim que Steven ouviu isso, falou: “Eu tenho interpretado o Steven Tyler a minha vida toda e ninguém faz isso melhor do que eu!”. Então ele e a banda foram felizes da vida para a Califórnia, onde participaram de algumas sessões de captura de imagem durante algumas semanas. Essas marcas registradas do Steven Tyler que você vê no game… são realmente ele e os outros caras fazendo o que sabem fazer de melhor! O Aerosmith sempre esteve na crista da onda de coisas como essas, e eu fiquei bem feliz em ser o cara com quem a Activision conversou inicialmente para criar o primeiro Guitar Hero focado em uma banda.
Ainda há espaço no mercado para mais grandes games como The Beatles: Rock Band? Ou você acha que esse gênero já foi espremido até o bagaço?
TT: Eu acho que há espaço ainda. Ainda precisamos do Led Zeppelin, do Pink Floyd etc. Mas a indústria precisa ter cuidado de não massacrar um único estilo musical. Vamos expandir a coisa além do rock. Você vê que algumas empresas grandes já estão fazendo jogos como DJ Hero. Vamos fazer o “Piano Hero” também! Vamos colocar estilos como blues, clássico e jazz nessa mistura. Vamos fazer toda uma geração que talvez nunca se importou com games finalmente pegar um joystick. Eu só sei que se existisse um game sobre o Elvis Presley dos anos 50, meu pai e minha mãe seriam certamente os primeiros da fila a comprar!
A Nintendo tem provado nos últimos anos, com o Wii, que outras pessoas além dos jogadores hardcore estão afim de jogar videogames. Vamos tentar seguir essa mesma mentalidade nos games musicais também. Vamos expandir para música clássica ou outros instrumentos, como violinos, teclados, sopros etc. Eu acho que há muita gente interessada se você fornecer exatamente o que elas querem e gostam.
Eu tenho certeza que o futuro da música e dos games só vai se tornar maior, melhor, mais brilhante e muito mais interessante ao longo dessa década. E será divertido participar dessa viagem louca. Se segure! [Risos]
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: activision, Aerosmith, Chrono Cross, Chrono Trigger, courtney love, dj hero, Eddie Van Halen, fifa, FIFA 2004, Final Fantasy VIII, Grand Theft Auto, guitar hero, guitar hero 5, Guitar Hero: Van Halen, halo, Hsbc Brasil, jack wall, Kingdom Hearts, kurt cobain, Madden, Mega Man, metal gear, Nintendo Wii, Norihiko Hibino, rock band, Shadow of Colossus, Silent Hill, Steven Tyler, the beatles rock band, tommy tallarico, vgl, video games live, zelda
10/09/2009 - 20:25
Você leu antes aqui no Gamer.br: Kurt Cobain pagou mico em Guitar Hero 5.
Para a surpresa de todo mundo, a versão digitalizada do falecido líder do Nirvana não apenas canta músicas de sua ex-banda no recém-lançado game, mas também de todos os outros artistas cujas músicas estão disponíveis no produto. E Kurt não apenas as canta, mas também pode tocar baixo, guitarra e bateria. E veja que bizarro, ao mesmo tempo! Imagine uma única banda formada por kuatro, ops, quatro Kurts, empolgadíssimos, felizes e performáticos. Menos Kurt, impossível.
E olha que nem é preciso ir muito longe no game para conseguir a proeza – alguns cheat codes espertos (a saber, pressione azul, azul, verde, verde, vermelho, verde, vermelho, amarelo) liberam o Kurt para a utilização como “personagem jogável” desde o primeiro minuto de jogo. Há quem se choque. Há quem ache tudo muito divertido. Eu fiquei chocado antes de jogar. Depois, fazendo um rock com um bando de amigos em minha sala, com a cabeça cheia de cerveja, achei hilariante a possibilidade. Esse “Kurt” é mesmo um fanfarrão. Um autêntico entertainer.
E essa história poderia ter parado por aí e morrido nos twitters e fóruns da vida. Mas não.
Daí, a Courtney Love, viúva e responsável pela imagem do finado Kurt, se deu conta de como tudo aquilo era esquisito. E se fez de louca, dizendo que foi enganada. Ela está possessa. E disse que quer processar a Activision. Se alguém quiser compreender, tente segui-la no Twitter (@courtneylover79). É difícil, mas prestando atenção, dá para tirar algo dali. O fato é que ela diz que não assinou nada. E se assinou, ela só o fez porque não havia sido especificado que aquilo seria feito com o Kurt-avatar. E também acrescentou que se aprovou alguma coisa, foi só o visual do personagem. E que quer que o game seja recolhido das lojas. E que os advogados dela já estão trabalhando no caso. Uau.
A Activision, na condição de fabricante, soltou uma declaração curta e bem grossa:
“Guitar Hero secured the necessary licensing rights from the Cobain estate in a written agreement signed by Courtney Love to use Kurt Cobain’s likeness as a fully playable character in Guitar Hero 5.’
Ou seja “a Courtney assinou sim e nós estamos protegidos”.
Vale ressaltar que Dave Grohl e Krist Novoselic nada tem a ver com isso, uma vez que não são shareholders da imagem de Kurt Cobain, mas apenas da música do Nirvana (apesar de Courtney alegar em certo momento que “a culpa é de Dave!”). Mas os dois ex-parceiros também acharam bem esquisita essa história de Cobain virar um performático cantor de covers em Guitar Hero 5. E acabaram se pronunciando oficialmente hoje (roubei do site do Seattle Post-Intelligencer (não vou traduzir para não distorcer):
“We want people to know that we are dismayed and very disappointed in the way a facsimile of Kurt is used in the Guitar Hero game. The name and likeness of Kurt Cobain are the sole property of his estate – we have no control whatsoever in that area. While we were aware of Kurt’s image being used with two Nirvana songs, we didn’t know players have the ability to unlock the character. This feature allows the character to be used with any kind of song the player wants. We urge Activision to do the right thing in “re-locking” Kurt’s character so that this won’t continue in the future. It’s hard to watch an image of Kurt pantomiming other artists’ music alongside cartoon characters. Kurt Cobain wrote songs that hold a lot of meaning to people all over the world. We feel he deserves better.”
Ou seja, Dave e Krist alegam que sabiam que Kurt tocaria músicas do Nirvana, mas não imaginavam que seria possível utilizá-lo em outras canções. E que é difícil ver uma imagem de Kurt cantando obras de outros artistas ao lado de personagens virtuais, e que ele “merecia um destino melhor que esse”. Eles também solicitam, ainda que não explicitamente, um recall do game por conta da Activision, e que essa “nova versão” venha sem a possibilidade de acionar Kurt Cobain como um personagem jogável.
Cá entre nós, acho bastante difícil de isso acontecer, ou seja, a Activision recolher os Guitar Hero 5 das lojas e simplesmente perder na justiça o direito de explorar a imagem digitalizada de Kurt Cobain. Mas também não é algo simples de ser resolvido – e os teores inflamados das declarações dos envolvidos só servem para confirmar isso. O engraçado é que é uma história que começou como piada acabou ganhando corpo e ainda deve dar muito pano pra manga. Aliás, acredito piamente que este caso será um marco na discussão sobre o impacto dos videogames na cultura pop. Por mais bobagem que possa parecer (e no fundo, o é), também é algo que merece ser levado a sério.
Até que enfim! Que o debate comece.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: activision, courtney love, dave grohl, guitar hero, guitar hero 5, krist novoselic, kurt cobain, nirvana, rolling stone, youtube
01/09/2009 - 20:11
Hoje é o dia Guitar Hero 5. Você sabe o que isso significa?
É dia de ver o Kurt Cobain passando ridículo. O vídeo abaixo, criado por um gamer rapidinho (visto que o jogo chegou às lojas hoje de manhã), fala por si.
Sim, no game, é possível ser o Kurt e cantar Bon Jovi. Megadeth. Blink-182. E tantas outras bandas que provavelmente não estavam na lista de preferidas do maior ícone falecido da minha geração.
Pensando bem, ter o símbolo roqueiro do anti-corporativismo como um personagem jogável do mais novo lançamento do gênero mais vendido da indústria do entretenimento não é algo tão legal assim. Mas nem dá para culpar a Activision por ter tido a ideia genial. São os detentores do legado de Kurt – Courtney Love liderando tudo – que poderiam ter se preocupado um pouco mais com o que isso representaria (tal qual fizeram os “shareholders” dos Beatles, para citar um acontecimento mais recente). Kurt costumava dizer que pouco se importava com o culto à imagem e muito menos em ser um exemplo para a juventude. Mas talvez ele já prevesse o que viria a acontecer. Esse negócio de rebeldia adolescente, conforme Kurt bem esbravejou em “Serve the Servants”, já deu o que tinha que dar há tempos.
Teenage angst has paid off well
Now Im bored and old.
No fim das contas, não é o Kurt icônico das camisetas do Nirvana, o Kurt deprimido das capas de revista ou o Kurt performático dos videoclipes que ficarão para a posteridade. É a imagem deste Kurt Cobain bizarramente atípico, estranhamente versátil e porcamente desenhado de Guitar Hero 5 que terá validade e crédito para as gerações vindouras. E o tempo irá confirmar esse fato.
Kurt, seja lá onde estiver agora, talvez merecesse um destino um pouco melhor.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Melhores de 2007, Tudo ao mesmo tempo
Tags: acivision, guitar hero, guitar hero 5, kurt cobain
28/08/2009 - 22:24
Sexta-feira daquelas. Estou em fechamento, mas dá tempo de sugerir umas clicadas para você dormir tranquilo – ou passar o fim de semana feliz. Ou, dependendo da notícia, triste.
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Viu o mais novo comercial do Rock Band dos Beatles? Neste sim, eles se superaram.
Ao mesmo tempo, achei assustador e um tanto bizarro. É pra ficar perturbado.
E não deixe de reparar na narração no final. Dizem que é a voz do Dhani Harrison, o filho do George Harrison. Se você não sabe quem é, então tem ainda mais obrigação de jogar o novo Rock Band. Ou talvez seja melhor deixar pra lá e jogar Halo 3: ODST. A escolha é sua.
UPDATE: Aliás, olhei bem e vi que o Dhani Harrison não apenas empresta a voz, como também se finge de pai… perceba o trecho aos 11 segundos… é o próprio Dhani, maquiado como se fosse George, pegando a guitarrinha de plástico. Sabendo disso, ficou mais creepy ainda.
Só falta aquele Lennon sorridente do final ser o Julian Lennon. Acho que não.
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E por falar em assustador…
Viu o Kurt Cobain no Guitar Hero 5? Pois então.
A Rolling Stone americana fez uma matéria interessante sobre o caminho até Kurt – ou essa versão bizarra dele – chegar ao game, além da influência da viúva Courtney Love no processo.
Eu não sei o que você achou, mas eu… simplesmente fiquei incomodado. Fora a camiseta, não é o Kurt. Ele bem que poderia ter ficado sem essa. E a Red Octane, após tantos Guitar Heroes nas costas, já poderia ter se aprimorado na arte de recriar ícones digitalmente. Mas vai saber o quanto a Courtney contribuiu nisso. Ela é meio doida, você sabe.
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E por falar em Guitar Hero…
O DJ AM morreu. O corpo foi encontrado hoje em Nova York. Overdose, provavelmente.
Se você não sabe quem é, ele é um dos DJs famosos que estrela o aguardado game DJ Hero, previsto para o mês que vem. Comprove.
DJ AM estava realmente engajado na ideia de DJ Hero. Falou em nome do game, fez consultoria, contribuiu com remixes. E para coroar a participação, fez uma apresentação ao vivo na festa da Activision durante a E3 2009, ao lado do baterista Travis Barker, do Blink-182. A apresentação, aliás, foi incrível – AM (Adam Goldstein na certidão de nascimento) soltava batidas variadas baseadas em clássicos do pop, enquanto Travis acompanhava com a bateria. Chato na descrição, mas sensacional de ser visto ao vivo. Eu estava lá e curti – mais até do que o show de Jay Z e Eminem que rolou na sequência.
Juntos, Travis e DJ AM também escaparam da morte certa em setembro de 2008, quando sobreviveram a um acidente de avião no qual quatro pessoas morreram. Ao que consta, ambos ficaram deveras traumatizados com o ocorrido. Quem não ficaria?
Corra já atrás da música que ele andava fazendo. Serve como homenagem e vale a pena.
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Não é interessante que as três notícias acima tenham a ver com música e games? Pois é.
E bom fim de semana.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Tudo ao mesmo tempo
Tags: dj am, dj hero, guitar hero, harmonix, kurt cobain, red octane, the beatles rock band, travis barker
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