03/09/2009 - 19:48
Vamos à nossa dose diária de Beatles?
Conforme o combinado, mas com um dia de atraso (não poderia perder a chance de falar de Guitar Hero ontem), continuo agora a Entrevista da Semana com Josh Randall, o designer principal do aguardado e muito falado The Beatles: Rock Band. Aquele game que sai no dia 9 de setembro de 2009 e é considerado o maior lançamento da indústria do entretenimento em 2009. Sabe qual é? Pois é.
Lembre-se que a parte 1 da entrevista pode ser lida aqui. Neste novo trecho da conversa ocorrida em Los Angeles, em junho passado, Randall entra mais em detalhes sobre a participação dos próprios Beatles no projeto, projeta o legado da banda para as novas gerações de fãs e fala sobre o futuro dos games musicais.
O caminho, você já sabe: leia, pense e comente no final.
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Gamer.br: Quão perto vocês acham que chegaram dos movimentos e do estilo dos Beatles de verdade?
Josh Randall: Acho que chegamos bem perto. Esses caras são rockstars conhecidos, estavam sempre no limite da moda. Usavam certas roupas e, um disco depois, já estavam vestidos totalmente diferentes, com cabelos compridos, bigodes… É engraçado até a gente se referir a um “John Lennon antigo”, ou a um “Paul McCartney antigo”, sendo que aquelas eram imagens de só um ano antes. Se você pensar que eles ficaram juntos por sete anos, é um período tão curto… Nenhuma banda chegou perto do que eles fizeram e alcançaram em tão pouco tempo. Então, estudamos os movimentos e tentamos entender o que faz as pessoas reconhecerem o Paul como Paul, o que faz de John o John, sabe? E gastamos um bom tempo nisso. Quando a banda está tocando, exprime muita alegria – eles estão sempre sorrindo e parecem estar sempre contando uma piada um para o outro no palco. Daí, pensamos: “Ok, temos que arrumar uma maneira de capturar essa alegria desses ‘marionetes tridimensionais’”. Então trabalhamos muito em onde os olhos dos personagens apontam, adicionamos uns sorrisos aqui e ali, fizemos eles olharem entre si, para a câmera, para o público, e tentamos fazer o jogador criar uma ligação emocional com eles, do tipo: “Uau, eles estao ali mesmo, são realmente os Beatles, e estão olhando pra mim!”.
A maneira com que eles se comportam muda de uma música para outra?
JR: A gente dispôs as coisas de maneira meio randômica, as câmeras e as animações também, então você pode assisti-las diversas vezes e sempre ver algo diferente.
Fale um pouco sobre o envolvimento de Paul McCartney e Ringo Starr com o jogo.
JR: Bem no inicio do desenvolvimento, criamos um “vídeo-boneco” curtinho e bem emocional, baseado em Rock Band 2: usamos os personagens do jogo e só esculpimos as cabeças dos quatro Beatles. Não tinha animação, eles basicamente só ficavam lá parados, tocando no palco. E daí sincronizamos a música. Mostramos a eles e dissemos: “Imaginem como seria…” Acho que a musica era “Day Tripper”. Basicamente, mostramos a eles o Rock Band 2: esse é o jogo, é assim que funciona etc. É mais ou menos assim que uma versão dos Beatles seria.
Então eles nunca haviam ouvido falar do game antes?
JR: Acho que alguns deles conheciam sim. O Dhani Harrison, o filho de George, foi um dos caras que curtia muito nossos games anteriores e foi o primeiro a dizer: “Ei, vocês deveriam fazer um game dos Beatles”. Então levamos o game ao caminho máximo que podíamos, daí definimos metas: vamos encontrar cada um dos detentores da obra dos Beatles e pegar opiniões sobre o que eles gostariam de ver no jogo. Essas reuniões foram muito importantes, porque nos ajudaram a ter certeza que o espírito do game estava fiel. Na verdade, esse game deveria vir com uma mensagem escrita: “Feito pelos Beatles”. Porque os caras participaram de verdade.
Você teve a chance de encontrar todos juntos?
JR: A agenda deles era tão complicada… No caso de Paul, era assim: “Ele estará em Londres durante um dia e vocês terão meia hora com ele”. E se não aproveitassemos esse encontro, ele não estaria disponível por mais um mês. Daí a gente dizia, na hora: “Ok, estamos indo!” [risos] É incrível que eles ainda sejam todos tão ativos fazendo coisas por ai. Por conta disso, nós tínhamos que encontrar cada um separadamente.
Então a primeira vez que todos se encontraram juntos por causa do jogo foi na coletiva da Microsoft na E3?
JR: Acho que não. Não tenho certeza. Mas sim, estávamos todos ali no backstage do evento da Microsoft. E foi muito legal. Falaram que acharam o game ótimo e tudo o mais. Eu quase chorei. Tive que fingir que havia algo no meu olho. Foi um momento realmente mágico.
Você acha que os Beatles enxergam o game como uma maneira de levar a história da banda a uma nova geração, ou eles o vêem como “apenas mais um negócio”, ou “só mais uma maneira de fazer grana”?
JR: Na verdade, eu acho que o sentimento deles é o seguinte: anos atrás, eles fizeram o Anthology, que era mais ou menos um “esta é a maneira de se saber tudo sobre os Beatles”. Acho que agora eles enxergam o jogo como se fosse um “novo Anthology”, tipo, uma nova maneira das pessoas aprenderem sobre o que aconteceu com a banda.
O que eu acho é que eles estão realmente empolgados com o que fato de o jogo introduzir a música deles a uma nova geração de fãs, e também uma maneira de juntar as famílias, pais que eram fãs, e seus filhos. Eu como pai compraria esse jogo sem dúvidas, porque agora consigo jogar videogame com meus filhos. Afinal, se eu amo os Beatles, quero dividir isso com minha família. E acho que os Beatles reconhecem isso. Eles sempre estiveram na vanguarda, na crista da onda de tudo, então essa é a mensagem deles: “Este é o Beatles no século XXI.”
Você parou para pensar que este é o jeito que a nova geração, inclusive aquela que ainda não nasceu ainda, irá conhecer os Beatles?
JR: Sim, com certeza. E outra coisa que pegou para nós foi: “É melhor fazermos direito”. Ou seja, é melhor ser legítimo. Não queremos começar essa nova história de um modo a não ter o mesmo espírito do que realmente rolou.
E o envolvimento do Dhani Harrison?
JR: Dhani é um fã de games, então eu enviava a ele versões do jogo à medida que íamos progredindo na produção. Daí ele ia até a Harmonix e nos dizia: “Seria legal se fizessem isso, ou aquilo”, ou “seria legal se vocês usassem essas roupas”, ou “coloquem essa música”. Quando o jogo ia ficando mais pronto, eu mandava as novas versões. Daí, ele me enviava fotos dele ao lado da TV, com a pontuação máxima e frases do tipo, “Vai, Harmonix, tomem dessa. Fiz esse placar tocando bateria e cantando ao mesmo tempo!” A piada interna é que colocaríamos truques que nos permitiram conseguir bater as pontuações dele… [risos]
Como era a atitude dele? “Sou filho do cara, me respeitem”, ou “sou jogador de videogame, sei do que estou falando?”
JR: Ele é um cara criativo, fez faculdade de design e é um músico. O pai dele fez parte da banda, então obviamente ele adora a música dos Beatles. Eu acho que ele sempre estava representando os interesses da banda toda. Não exatamente representando a banda, mas as intenções. Tipo, “esses caras eram incríveis, então eles tem ter um game que mostre o quão legais eles são”.
O que cada um deles falou após terem visto o game pronto? Ficaram emocionados?
JR: Acho que… [pensa] Eu lembro de ter mostrado para a Olivia [Harrison, viúva de George] a fase do Shea Stadium, e ela ficou pedindo para ver de novo. Me pareceu muito emocionada. Acho que todos foram superpositivos. Eu vi o Ringo Starr no backstage [da coletiva da Microsoft], e ele falou: “Está ótimo!” Acho que ele inclusive chegou a comentar: “Eu nunca tinha me visto dessa maneira”. Ele quis dizer com isso que nunca havia visto um “Ringo 3D”. Eles estão bem felizes. Eu gostaria muito de ser uma mosquinha só para ver como será quando eles jogarem o game com as famílias deles no Natal. Ou algo parecido, só pra ver as reações. Estou muito orgulhoso de ter a aprovação deles.
Do ponto de vista “business” da coisa: não acha que este é o topo que dá para se chegar com um game musical, e que não há mais nada para se fazer nesse gênero? O que há ainda para a Harmonix ou a Activision tentarem? Digo, é o Rock Band dos Beatles! Não sobrou mais nada!
JR: Sabe, esse certamente é o maior jogo de todos, mas a música é uma coisa tão ampla que há outras avenidas pelas quais podemos passar, sabe? Ou podemos ter apelo com outro tipo de público que ainda não alcançamos… Sobre fazer um jogo baseado em uma banda, dá para contar nos dedos aquelas que mereçam esse mesmo nível de atenção, ou um game como esse. Então…
E quais seriam?
JR: Tem algumas. Não muitas. São só algumas que acho que mereciam um jogo, mas eu não vou citar. Mas temos nossos sonhos. Talvez depois que este jogo sair, mais pessoas entrem em contato com a gente para discutir o assunto. Quem sabe?
Que tal The Rolling Stones: Rock Band?
JR: Por que não? Nunca se sabe [risos].
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: dhani harrison, e3, george harrison, harmonix, josh randall, microsoft, olivia harrison, paul mccartney, ringo starr, the beatles rock band, the rolling stones: rock band, yoko ono
31/08/2009 - 23:37
A Entrevista da Semana continua em clima de The Beatles: Rock Band.
Conforme o prometido, publico agora mais uma entrevista com um membro da equipe de criação do jogo (a proposito, leu a da semana passada com o Dare Matheson, artista principal do game?). Pois sim, o Josh Randall é o lead designer, ou o designer principal do game, o cara que decidiu a cara do jogo e a direção que ele deveria seguir. Foi por ele que passaram todas as decisões relacionadas ao conteúdo, assim como a responsabilidade de ser o papel de porta-voz da Harmonix para negociar com os “shareholders” do legado dos Beatles – em outras palavras, Paul McCartney, Ringo Starr, e as estimadas viúvas Yoko Ono Lennon e Olivia Harrison.
Conversei com Josh também no último dia de E3, em junho, em Los Angeles, algumas horas antes do desfecho da feira. Ele se mostrou solícito e falou sobre todos os temas perguntados: a história da criação do maior game musical de todos os tempos, encontros pessoais com os Beatles, o uso de drogas, o futuro dos jogos musicais e muito mais.
Hoje, publico a primeira parte da conversa, que foi gigantesca. Amanhã, publicarei o restante. Leia tudo e não deixe de comentar no final.
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Gamer.br: Então, você é o cara de Beatles: Rock Band?
Josh Randall: Sim, sou um deles [risos].
Quantas pessoas trabalharam na criação do game?
JR: São umas 300 pessoas na Harmonix. À medida que o projeto ia e voltava, o número variava em cima disso.
E quais foram os principais desafios da produção?
JR: Acho que foi o próprio fato de tentar criar um game baseado na banda mais famosa do mundo. E especialmente a parte visual, porque todo mundo já conhece essas músicas. Quando se escuta “Here Comes the Sun”, é como se já houvesse uma imagem pré-definida em sua cabeça. Então tínhamos que criar algo que sentíssemos que correspondesse a essas ideias, ou as superasse. E isso em si é algo bem desafiador [risos].
Você quer dizer, criar um game baseado em personagens tão conhecidos, cujas imagens são tão icônicas…
JR: Isso mesmo. No caso, estamos falando de algumas das pessoas mais famosas do mundo. Então, como criar avatares em 3D desses caras que todo mundo sabe quem são, o que eles fazem quando falam ou cantam, como se movem no palco, como os cabelos deles se movem… São muitos detalhes, e é preciso ter certeza de que são reproduzidos da maneira correta, ou então… não são os Beatles.
O fato de dois deles não estarem mais vivos fez diferença no processo de caracterização? Uma vez que vocês tinham Ringo e Paul à disposição, seria possível capturar os movimentos deles. Ou não?
JR: Não, na verdade havia tantas imagens em vídeo desses caras que nós podíamos trabalhar a partir daí mesmo. Estudamos horas e horas de filmagens para captar as pequenas nuances de cada um.
Qual foi a fonte primária de informação? O documentário Anthology?
JR: Assim que começamos a trabalhar no game, pegamos o Anthology e assistíamos diariamente, tipo, um capítulo por dia. A partir disso, vimos os filmes e mais um monte de coisa espalhada pela net. A Apple Corps trabalhou diretamente conosco, nos dando acesso a todo o arquivo deles. Por exemplo, se precisávamos saber os detalhes do tecido de uma roupa que eles usaram em certa ocasião, eles nos ofereceriam as soluções, ou as referências que precisávamos, para recriarmos as coisas da maneira adequada.
Quão fã dos Beatles você é?
JR: Hoje eu sou um grande fã. Eu cresci com os Beatles. Meus pais curtiam bastante os primeiros discos. Minha mãe era muito fanática quando adolescente. Quando ouvi o Sgt Pepper’s, fui fisgado. Me apaixonei por esse disco e comprei todos os outros. Acho que o Álbum Branco foi o primeiro CD que comprei na vida. Na verdade, eu estava um pouco preocupado quando me engajei com esse projeto, porque tinha medo de ser obrigado a escutar tanto a música dos Beatles que acabaria de saco cheio. Eu não queria perder a minha banda favorita, sabe? Mas isso não aconteceu. Eu ainda consigo ouvir as músicas e adorar.
E esse lance de criar um visual cartunesco, e não exatamente realista? Foi essa a sua ideia inicial?
JR: Desde o começo, tentamos definir a estética do jogo para ter certeza de que não iríamos ficar tão realistas ao ponto de ficar bizarro. Como no conceito de “uncanny valley”, sabe? Não sei se você já ouviu esse termo antes, mas é basicamente o seguinte: quanto mais perto você chega do realismo, mais distante você fica do ponto de fazer aquilo realmente parecer humano. Então, decidimos estilizar os personagens para atrair os jogadores, fazê-los como caras bacanas e atraentes. Eles eram os caras mais boa-pinta do mundo, então queríamos ter certeza de que o visual seria incrível.
Como funcionou a pesquisa nos arquivos da Apple Corps?
JR: Tinha um pouco de tudo. Nós temos uma parceria com a Apple Corps, então criamos um conceito, mostramos a eles e recebemos opiniões e novas ideias sobre aquilo. Houve muita proximidade. Nos encontramos com Olivia [viúva de George Harrison], por exemplo, que nos convidou a irmos à casa onde George morou. Ela disse: “Ei, vamos ver o arquivo dele”, e trouxe pilhas e mais pilhas de objetos para olharmos. Se víssemos algo que achássemos que poderia nos ajudar a fazer um jogo melhor, pediamos para fazer uma copia. Levamos um monte de coisas. Ela também nos ofereceu: “Querem ver as guitarras dele?” E nós: “… Sim!” [risos] Pudemos entrar naquela sala cheia de guitarras, o que foi algo inacreditável. Aquele foi o primeiro momento em que pensei: “Uau, eles são caras de verdade!” Gente de verdade, que faziam música maravilhosa. Eles sempre fizeram parte de meu mundo desde que nasci, então vê-los como humanos foi algo que abriu meus olhos.
Esse tipo de abertura também rolou com Yoko, Paul e Ringo?
JR: Bem, Yoko foi ao estúdio e trabalhou conosco em aspectos ligados ao John [Lennon]: como ele se mexia, se comportava, essas coisas. Foi incrível e nos encorajou muito a captar o verdadeiro espírito dele.
Havia algo que vocês evitavam fazer porque pensavam: “Ah, o homem está morto, portanto temos que mostrar respeito à figura dele”?
JR: Eu acho que já existe um respeito natural por esses quatro caras. Só queríamos garantir que tudo o que fizéssemos fosse classudo, legítimo e autêntico. Sendo a gente um bando de americanos que não cresceram em Londres nos anos 60, acho que havia uma preocupação de que o game pudesse ter um ar do tipo “groove, baby!”. Aquela coisa meio Austin Powers, sabe? Seria uma interpretação bem pobre da época da “Swinging London”. E a Apple compreendeu o que significava capturar o espírito daquele tempo, mas também o mantendo moderno, de modo a não parecer kitsch ou muito esquisito. Acho que conseguimos, sabe? Para isso, trabalhamos muito próximos a Giles Martin, o produtor musical do game. Ele nos sugeriu que não viéssemos com aquela ideia manjada do “psicodelia dos anos 60”, e sim que criássemos um visual totalmente novo, algo como uma versão modernizada da psicodelia. Foi uma ótima direção a ser tomada, porque havia o risco de cairmos nos estereótipos de sempre. Nós até brincamos um pouco com essas coisas, mas tentamos criar algo, e não refazer o que já foi feito.
Vocês tiveram acesso total aos arquivos musicais dos Beatles?
JR: Giles Martin teve acesso a todas as músicas para remixá-las para o jogo. E enquanto ele fazia isso, encontrou incríveis trechos sonoros que as pessoas nunca ouviram: o som de alguém afinando a guitarra, ou aquecendo a voz antes de cantar, falando bobagens ao microfone… No game, temos diversos desses momentos que ninguém jamais ouviu. Se você falhar em uma música, escutará uma frase do tipo “Ei, alguém tocou uma nota errada!”, ou algo parecido. Ou na hora de recomeçar, ouvirá um “tomada 3!”. Isso faz você sentir que está mesmo dentro da sala com os caras, no momento em que a música está sendo gravada. A ideia foi fazer com que o jogador sentisse que tudo está acontecendo neste exato momento. Não queríamos dar uma aula de história, entende?
E as sequências de sonho (dreamscapes)? De onde surgiram?
JR: Essas foram basicamente começamos com nós em uma sala ouvindo as músicas e rabiscando ideias, meio do tipo, o que as canções nos faziam sentir. A gente não queria ficar muito preso às letras de uma forma muito literal. Como em “Octopus’s Garden”, por exemplo. Não queríamos simplesmente colocar um polvo gigante dançando ali. Queríamos, sim, passar a vibração daquele ambiente, mas sem exagerar no óbvio. Há tantos elementos visuais em “I Am The Walrus”, por exemplo, que seria fácil bolar algo óbvio que fizesse as pessoas dizerem: “Ok, entendi”. Mas tentamos encontrar o espírito de cada musica e tentar criar algo que tocasse emocionalmente as pessoas. A primeira dreamscape que fizemos foi para “Here Comes the Sun”. Eu me lembro de ver todas as pessoas da sala sorrindo ao assisti-la. Na hora, pensei: “Uau, acho que conseguimos.” Quando eu jogo videogames, não costumo ter esse tipo de envolvimento. Nunca me senti fisgado emocionalmente por ver uma cena de um game. Então, chegamos a uma conclusão: “Ok, este é o lance do game, fazer as pessoas terem conexão emocional com esses personagens e com o espírito da banda”.
Mas estas cenas são tão psicodélicas… você não acha que muita gente vai querer chapar antes de jogar, só para curtir de maneira, digamos, diferente?
JR: [Risos] Vejamos. Eu sei de pessoas… [hesita] Eu joguei com pessoas que estavam “em clima de festa”, por assim dizer, e é bem divertido. Mas acho que tem coisas no jogo que você não precisa de outras substâncias para curtir.
Mas vocês usaram “algo” para criar essas cenas?
JR: Não. As pessoas sempre perguntam: “Ei, vocês usaram alguma coisa?” Não, não… a gente não usou nada! Era um dia de trabalho normal! Talvez tivéssemos um monte de cafeína na cabeça, no máximo.
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A entrevista com Josh Randall continua amanhã, aqui no Gamer.br. Até lá.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: activision, apple corps, dhani harrison, george harrison, giles martin, john lennon, josh randall, microsoft, olivia harrison, paul mccartney, ringo starr, swinging london, the beatles rock band, uncanny valley, yoko ono