15/10/2009 - 18:07
O Capitão Lou Albano morreu ontem, aos 76 anos.
Quem tem mais de 21 anos nas costas deve se lembrar quem ele é: é simplesmente o cara que fazia o papel do Mario (aquele!) em um seriado televisivo exibido antes do “The Super Mario Bros. Super Show!”, aquele desenho animado pirado bancado pela Nintendo – no Brasil, ele ficou no ar por um bom tempo graças ao glorioso programa da Xuxa.
Para nós, ele era apenas a encarnação humana daquele encanador de bigode. Nos Estados Unidos, Albano era muito cult. Foi um dos mais famosos e odiados lutadores da liga World Wrestling Enterprise (WWE) durante muito tempo. Também participou de um monte de clipes da Cindy Lauper (inclusive aquele famoso dos Goonies) e fez participações em seriados e vários filmes. Mas ficou eternizado como o Super Mario mais realista da história da ficção. Nem a interpretação do Bob Hoskins (que fez o papel do herói naquele filme ridículo para os cinemas) chegava perto do Mario “Jumpman” Mario eternizado por Captain Lou.
É o tipo de notícia que só serve para nos lembrar da falta que aquela época ainda faz.
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E lembra da Luiza Gottschalk?
O público do Play TV sabe muito bem quem é – Luiza foi VJ e apresentadora do canal durante alguns bons anos. Fez o “Combo Fala+Joga”, entre outros programas, alguns ao lado do Luciano Amaral. Daí houve um monte de reformulações na emissora, ela partiu para outros projetos e há muito não se ouvia falar dela.
O release que recebi esses dias (com a foto ao lado, bem recente) dá pistas do que a Luiza anda fazendo:
“Após figurar na telinha como apresentadora da Play TV, Luiza Gottschalk retoma à montagem de espetáculos teatrais e assina a produção da peça O Arquiteto e o Imperador da Assíria, protagonizada por Paulo Vilhena e Beto Bellini. O espetáculo entrou em cartaz no último dia 08 de outubro, no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro e fica até 20 de dezembro, de quinta à sábado, às 21h e aos domingos, às 20h.
Luiza acaba de voltar da Europa, viagem realizada com o objetivo de estudar e buscar novos formatos e ideias para o teatro e a televisão. “
E há quem ainda chore pela possibilidade de a Luiza retomar sua carreira dedicada aos games na televisão. Será que um dia ela volta?
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E sobre os novos comandantes das revistas EGW e a Nintendo World? Alguém aí já sabe de alguma novidade?
Eu sei e agora divido com vocês. Com a palavra, o publisher da Tambor, André Forastieri:
“O editor-chefe do núcleo de Tecnologia e Games da Tambor, Fernando Souza Filho, é o responsável por todo o conteúdo destes segmentos. Fernando é editor do site www.pcmag.com.br e ex-editor da revista PC Magazine.
O Fernando e eu [Forastieri] estamos envolvidos em uma atualização do projeto do EGW. Não se trata de mudar tudo, mas naturalmente estes momentos de mudança na equipe são momentos de reflexão. Fazemos a revista faz sete anos, e na mudança de EGM para EGW evitamos ao máximo mudar a revista, queríamos que a continuidade fosse clara. Agora vamos dar alguns passos no sentido de a revista ser mais reflexiva, com mais espaço para opinião, dando mais voz a players de todos os segmentos do mercado.
O plano de transição é nos envolvermos muito para a EGW, revista e site, ficarem exatamente com a cara que queremos. Quando este update no projeto editorial, as novas seções e os ajustes no design do EGW estiverem bem definidos e solidificados, nos afastaremos e traremos um gestor para a EGW. Vamos ver se conseguimos no prazo que nos propusemos, três meses.
(…)
Falando em velhos amigos, o novo editor da Nintendo World é o Renato Siqueira. A revista vai ficar com mais cara de Nintendo. Até porque o Renato foi da Pokémon Club, colaborador da Nintendo World de outros carnavais, e conhecidíssimo no mundo do anime e mangá.”
O Gamer. br dá boa sorte para os envolvidos na empreitada. E você, o que achou disso tudo?
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: andré forastieri, combo fala+joga, egm, egw, jornalismo, lou albano, luciano amaral, luiza gottchalk, mercado, nintendo world, play tv, super mario bros. super show!, tambor
08/10/2009 - 11:54
Algum de vocês esteve no Video Games Live ontem?
Foi bom. Divertido. Não sei dizer se foi o melhor que já vi. Pensando bem, nem foi. O de 2006 foi sem dúvidas o melhor. Este ano não havia tanto fator supresa, fora umas músicas diferentes (o bis com Mega Man e Chrono Trigger/Cross, por exemplo). Achei que o volume estava relativamente baixo – o fato de o público ali da geral conversar muito durante a apresentação e gritar a cada dez segundos não ajudava muito.
Aliás, é preciso dizer que o HSBC Brasil não é o melhor lugar do mundo para um evento como esse. Acho estranho o povo ter que ver um espetáculo desses de pé, “ensardinhado” lá no fundo. É a maldita lógica segregadora que se aplica no universo do entretenimento musical como um todo: quem tem grana é “VIP” e assiste lá da frente, sentadinho e confortável. Os menos abastados sofrem quase três horas plantados e sem lugares definidos. Nos anos anteriores, quando o VGL tocou no Via Funchal, todo mundo estava sentado diante de mesas – algumas eram distantes do palco, mas pelo menos o público parecia bem acomodado e conseguia assistir/escutar decentemente.
Penso que o Tommy Tallarico não deveria ficar tocando guitarra e se exibindo em certas músicas. Ficou over e não combinou com a sonoridade que se espera de uma orquestra. Também achei exagerado o uso de bases pré-gravadas (não havia notado isso de forma tão evidente nos anos anteriores). Me esforcei para distinguir quais sons estavam mesmo sendo tocados por instrumentos acústicos da sinfônica e quais vinham das bases eletrônicas. Será que não dava mesmo para ser no velho esquema “quem sabe faz ao vivo”? Mas foi um show interessante. Pelo menos, não escutei quase ninguém reclamando por ali. Não é coincidência o fato de Tallarico ter eleito o Brasil “o melhor lugar do mundo para se apresentar”. O público, ali no caso, foi a alma do espetáculo. Sem a empolgação do povo, não tem Video Games Live. E Tallarico sabe bem disso.
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E você já descobriu qual é o primeiro grande projeto do SKY7, empresa recém-formada pelo Ricardo Farah e Orlando Ortiz, ex-editores das revistas EGW e Nintendo World?
Eles me contaram ontem: são os responsáveis pelo conteúdo da área de games do POP. Para quem não conhece, o POP é um portal de conteúdo gerido pelo grupo paranaense GVT. “A SKY7 presta serviços de design e gestão de conteúdo para o POP”, explicou o Orlando. “Temos liberdade editorial para gerir o site, atendendo às expectativas da empresa e adequando o conteúdo para o público-alvo, que envolve até mesmo uma grande parcela de usuários que hoje acessam através da conexão discada. É um desafio muito interessante.”
A necessidade da reformulação da área de games do portal surgiu no mesmo momento em que Ricardo e Orlando planejavam a nova empreitada. “Foi coincidência total”, complementou Farah. “O que, eu diria, que resultou em um belo casamento, pois poder trabalhar em parceria com a GVT e, principalmente, cuidar de um dos principais canais do POP, é uma responsabilidade enorme e um grande desafio para qualquer um.”
O responsável pelo projeto junto com a dupla será o Odir Brandão, que há até pouco tempo participava da equipe das revistas da Tambor. “Na EGW e Nintendo World, eu era editor de reviews e coordenava todo o processo. Agora no POP poderei também acompanhar todos os passos deste novo projeto e firmar um conteúdo forte e completo sobre games”, definiu o novo editor.
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E por falar em revistas, o novo editor da Nintendo World, ao que consta, já foi escolhido. Logo mais ele deverá ser revelado oficialmente ao mundo. Duvido que você descubra quem é.
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Mudanças também no mercado editorial lá de fora. John Davidson, eterno guru da Ziff Davis, ex-editor da EGM, que fazia um site bem interessante (What They Play), retornou ao mundo das revistas e se tornou o novo manda-chuva da polêmica e eterna GamerPro.
Enquanto isso, o mercado norte-americano – e o mundial, por que não? – aguarda ansiosamente o retorno da EGM, nas mãos do editor-fundador Steve Harris. Ele cita “December 1″ como possível data de lançamento da primeira edição. Você conta com isso?
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O Rio de Janeiro não sediará apenas as Olimpíadas e a final da Copa do Mundo. Começa hoje e vai até sábado o SBGames 2009, evento que acontece no campus da PUC e agrega especialistas, interessados, produtores, criadores e pensadores na área do entretenimento digital. Um amigo descreveu o SBGames como “o melhor evento do Brasil” (ele, aliás, está lá). Eu, se pudesse, compareceria. Se você pode, compareça e me represente.
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E vamos trabalhar que a semana, infelizmente, ainda não acabou.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: Chrono Trigger, egm, egw, GamePro, Hsbc Brasil, John Davidson, jornalismo, mercado, nintendo world, POP, SBGames, SKY7, tommy tallarico, UOL Jogos, video games live
02/10/2009 - 17:38
E é uma sexta-feira daquelas, cheia de grandes novidades.
O Rio de Janeiro será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A notícia é boa ou não? Para mim, é. Mas há quem discorde. Mas nem vou entrar nesse mérito. Se for para fazer campanha ou algo parecido, que seja para eleger o Blanka como o mascote olímpico. A campanha surgiu no Twitter evil do Jovem Nerd e obviamente se espalhou em questão de segundos.

É claro que é brincadeira, mas poderia ser verdade.
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Mas falemos da novidade que eu havia dito no início da semana, sobre possíveis mudanças no mercado editorial brasileiro. Já está rolando por aí a informação sobre as saídas de Ricardo Farah e Orlando Ortiz da editora Tambor, que publica as revistas EGW e Nintendo World. A dupla de editores divulgou hoje a novidade, na forma de um release:
“É com imenso prazer que eu (Ricardo Farah, atual editor da revista EGM Brasil/EGW) e Orlando Ortiz (atual editor da revista Nintendo World) gostaríamos de apresentar a você o nosso novo projeto.
Fundamos uma empresa chamada SKY7, focada exclusivamente no mercado de entretenimento brasileiro. Estamos muito orgulhosos por realizar esse sonho. A SKY7 já está trabalhando com novos parceiros e clientes, e nossos esforços garantem a comunicação com mais de dois milhões de jogadores de videogame por mês.
Como uma equipe própria, a SKY7 desde já oferece os seguintes serviços de qualidade:
- Conteúdo para veículos impressos & online
- Consultoria sobre o mercado de videogames brasileiro
- Tradução & Localização de conteúdo
- Web Design e projetos especiais para internet
- Palestras e aulas sobre o mercado de games
- Cobertura de eventos ao redor do planeta
Em breve, a SKY7 lançará a sua própria carta de produtos. Nossos parceiros estão preparando seus lançamentos oficiais, então aqui vai uma prévia:
- O maior e mais completo portal de games feito sob encomenda para um dos principais portais de entretenimento do Brasil;
- Palestras e aulas para duas grandes distribuidoras de games em nosso país;
- Localização de um conhecido MMORPG para uma empresa Nipo-Americana;”
Para esclarecer melhor esse empreendimento, nada melhor do que conversar com os próprios empreendedores. Acompanhe a seguir a conversa franca que acabei de ter com o Ricardo e o Orlando sobre a novidade:
Gamer.br: Primeiro, como vocês decidiram trabalhar juntos e de maneira independente? Foi uma decisão natural?
Ricardo Farah: Acho que foi uma consequência da amizade que construímos por onde passamos. O Orlando até costuma brincar que quando nos conhecemos, ele me achava um mala e que não seria tão legal trabalhar comigo. E hoje, quase cinco anos trabalhando juntos, descobrimos que temos muito em comum tanto no que diz respeito a objetivos profissionais, éticas de trabalho, costumes familiares, enfim, há uma confiança plena no trabalho de cada um. E abrir uma empresa em sociedade é como casar com alguém que você confia plenamente e sabe que pode construir uma história bacana de vida. Neste caso, profissional.
No que consiste basicamente esta empresa que vocês estão abrindo? Que tipo de serviços querem oferecer?
Orlando Ortiz: A SKY7 quer oferecer “mais” para o mercado nacional, não apenas no nicho de games, mas entretenimento em geral. E também é nosso sonho poder guiar novos talentos de forma a lapidar o potencial de cada um. A nossa empresa é mais uma opção para parceiros, no tocante comercial, além de ser uma casa nova para formar talentos e construir carreira.
RF: No que diz respeito a serviços, desde já estamos oferecendo conteúdo editorial tanto para veículos impressos quanto online. Estamos trabalhando com projetos especiais com algumas empresas de grande porte, realizando consultoria sobre o mercado de videogames brasileiro, palestras e aulas sobre o mercado de games e cobertura de eventos.
E, além disso, estamos trabalhando em alguns projetos gráficos, como criação de hotsites, anúncios especiais para internet e revistas e iniciando as operações para um trabalho de localização de um novo MMORPG para uma empresa nipo-americana.

Ortiz e Farah, ex-editores, hoje sócios na SKY7
Por que essa novidade agora? O que os motivou a fazer isto neste momento?
RF: A ideia de trabalharmos por conta própria não nasceu do dia para a noite. Estamos cultivando este novo rumo para nossas carreiras já faz quase um ano. Hoje, estamos plenamente seguros de como colocar em prática nossas ideias e expandir nossos rumos profissionais. E confiantes de que nosso trabalho como editores das revistas da Tambor foi concluído com êxito.
O que vocês tiram desse período que passaram fazendo essas revistas?
RF: Que o mercado brasileiro de games e entretenimento digital ainda está em uma fase muito prematura. Mas possui um potencial gigantesco (tanto do ponto de vista comercial quanto cultural), capaz de fazer frente aos maiores países que já fazem tudo isso há muito tempo.
OO: Editar as revistas EGW e Nintendo World, como você mesmo sabe, é um processo muito trabalhoso. E que, sem esforço e dedicação, não há como evoluir. É necessário dar um passo adiante, dar as caras e mostrar ao mercado o que você sabe e pode fazer.
Esse passo adiante, para acontecer, tinha que ser feito fora da editora? O que a independência pode favorecê-los nesse sentido?
OO: Para dar esse passo adiante, era imprescindível ter o nosso próprio escritório, a nossa própria equipe e a nossa própria rotina de trabalho. Sem isso, ficava inviável conciliar o trabalho de edição de revistas e sites da Tambor, ao mesmo passo que surgiam novos clientes e oportunidades.
RF: E o mais importante: estamos falando aqui de liberdade editorial para realizarmos o trabalho mais competente possível, atendendo a todas as necessidades de nossos parceiros.
Como ficará a participação de vocês dois nas revistas que comandavam, EGW e Nintendo World?
RF: Ainda não ficou decidido quanto e qual tipo de conteúdo que a SKY7 prestará para as revistas EGW e Nintendo World. Mas a parceria já existe e, sim, os leitores de ambas as revistas podem ficar seguros de que ainda encontrarão material com a qualidade que sempre buscamos, agora mais lapidada.
E como ficam as revistas com as saídas de vocês? Vocês sabem?
OO: Tudo o que sabemos é que as revistas provavelmente ganharão novos editores.
RF: E a SKY7 cuidará de boa parte do conteúdo que será produzido para ambas revistas. Com jornalistas já conhecidos no mercado editorial (e novos talentos que estamos treinando).
Como a saída de vocês foi recebida pela direção da Tambor?
OO: Para todos, foi uma surpresa. Para alguns, boa. Para outros, nem tanto. Afinal, saíram dois editores que comandavam o núcleo de games e ajudavam em diversos outros projetos. Mas foi uma saída amigável, naturalmente.
E quando vocês irão revelar o primeiro grande projeto da SKY7? Dá para dar uma pista?
RF: O primeiro grande projeto será revelado entre uma semana e 10 dias. O que podemos adiantar é que é um projeto grande, online e para uma empresa grande.
***
Ricardo e Orlando ainda avisam que os interessados nos préstimos da SKY7 podem entrar em contato pelos e-mails ricardo.farah@sky7.com.br ou orlando.ortiz@sky7.com.br.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: blanka, egm, egw, jornalismo, mercado, nintendo world, orlando ortiz, ricardo farah, tambor
23/09/2009 - 02:34
O mercado jornalístico brasileiro está em eterna mutação. E nos games também não é diferente.
Foi tanta coisa que rolou nos últimos tempos que preferi juntar tudo em um só documento. Será que foi tanta mudança assim? Vejamos:
- O Gustavo Petró, que era um dos editores da revista EDGE (Editora Europa), agora faz parte da equipe do site G1…
-…no lugar do Renato Bueno, que a partir de agora é o comandante dos sites PlayTV e GameTV…
- …no lugar do Odair Braz Junior, que agora faz parte da equipe do portal R7, da Record.
- E não poderia deixar de citar as mudanças na própria Ed. Europa: o Felipe Azevedo, que era editor da N-Gamer, agora está na EDGE, junto com o Fabio Santana. Por consequência, a revista N-Gamer já está nas mãos do eterno Eduardo Trivella.
- O André Faure não faz mais parte do C.E.S.A.R., e o Rafael Arbulu não é mais o editor do portal MSN Games, site que é editado pela Tambor. Ambos estão já, cada um na sua, envolvidos com novos projetos.
- A Beatriz Sant´Ana, que foi editora da EGM e atualmente estava editando o portal EGW, agora está editando a revista Movie na mesma editora Tambor.
- Por outro lado, a EGW revista ganhou a participação do primeiro editor da publicação, Renato Viliegas (ainda quando se chamava EGM Brasil), que vai assinar uma coluna mensal na revista. A partir de agora, inclusive. A equipe da editora, aliás, cresceu e está cheia de sangue novo.
- Enquanto isso, alguns felizardos desembarcaram no Japão para cobrir a feira Tokyo Game Show: o Bruno Vasone, pelo Arena Turbo, do IG; o Bruno Abreu, pelo OuterSpace; o Theo Azevedo e o Akira Suzuki, pelo UOL; e o Fernando Mucioli, pelo GameTV. Isso pelo que estou sabendo. Deve ter mais brazucas desbravando Toquio neste instante. Sortudos.
- E o onipresente Claudio Batistuzzo, do Games Brasil, foi gentil o bastante para me passar o link da matéria do Flávio Croffi, que listou a maioria dos jornalistas de games nacionais que twitam no Twitter. Se faltava um ou outro em sua lista de seguidores, nem falta mais.
E você chegou a ouvir o podcast do Gus Lanzetta sobre jornalismo de games? Pois deveria.
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Passei pela FNAC Pinheiros hoje e me surpreendi ao ver o Halo 3: ODST sendo vendido normalmente – surpresa porque a Microsoft cumpriu a data de lancamento mundial inclusive por aqui, ou seja, hoje. A imprensa, por sua vez, recebeu o game hoje também. Direitos iguais, é o que dizem.
***
E por falar em lancamento aguardado, alguém viu o belo trailer/comercial de FIFA 10? Com o Rooney, o Xavi, o Schweinsteiger e uns outros boleiros: Serve bem até para quem odeia futebol. Ou games de futebol. Ou as duas coisas.
E concluo nessa semana aquela velha pesquisa que realizei sobre a Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro. Como deu para notar, muita coisa mudou no mercado desde que publiquei a primeira parte. Assim que é bom. Mudanças são sempre positivas. Mesmo quando são repentinas e aparentemente inexplicáveis. Tal qual a vida real.
E boa semana para todo mundo.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: C.E.S.A.R., ea, edge, egm, egw, europa, FIFA 2010, G1, Games Brasil, GameTV, Halo 3: ODST, jornalismo, mercado, microsoft, N-Gamer, PlayTV, r7, tambor, Tokyo Game Show
21/08/2009 - 21:02
E continuo com a pesquisa Gamer.br sobre a satisfação do jornalista de games brasileiro.
Relembrando que a parte 1 foi publicada na semana passada. A parte 2 começa agora.
Para quem não se recorda, este foi o método: ao longo das últimas semanas, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada em diversas áreas de atuação. De acordo com a condição profissional de cada um, perguntei sempre as mesmas perguntas, visando entender até que ponto está a insatisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. A seguir, o perfil dos entrevistados.
- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou não) e tem obrigações fixas com alguma empresa ou veículo;
- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente), sem vínculos fixos;
- O 17% restante são empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.
- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo – explicando este ponto melhor: algumas empresas preferem não ter vínculos oficiais com seus funcionários e trabalham em regime de “prestação de serviços”. Ou seja, o funcionário terceirizado executa o trabalho e passa um recibo para receber o pagamento.
- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).
E a segunda questão foi:
2. De acordo com sua quantidade de trabalho e com o que lhe é cobrado, você acha que ganha de acordo? Sim, não, poderia ser melhor?
Com essa pergunta, quis medir o quanto cada profissional se sente explorado em relação ao seu empregador. Grosso modo, a questão era a seguinte: “você acha que o que lhe pagam é justo ou você merecia mais dinheiro?”
E o resultado foi:
De todos os entrevistados, 47% dizer achar que poderiam ganhar melhor. 33% são mais taxativos e dizem que não ganham de acordo com a quantidade de trabalho que lhes são cobradas. Apenas 20% afirmam que sim, que são pagos de maneira justa.
A maior porcentagem entre os insatisfeitos, curiosamente, se encontra entre o grupo de empreendedores: 60% deles dizem não ganhar de acordo com a quantidade de trabalho que tem (o restante, 40%, diz que “poderia ganhar melhor”).
Há um conformismo moderado entre aqueles que são contratados com carteira assinada: 75% deles acha que poderia ganhar melhor. 25% diz que não ganha de acordo; e nenhuma pessoa (0%) declarou que sim, o salário está de acordo com a carga de trabalho.
Entre os contratados sem carteira assinada (ou seja, que passam nota fiscal), os números mudam: 57% diz não ganhar de acordo com o que trabalham. Por outro lado, um dado surpreendente: 29% afirmam que sim, recebem de maneira justa. Apenas 14% diz que poderia ganhar melhor.
Mas para mim, surpreendente mesmo foi ver a quantidade de free-lancers satisfeitos: 40% deles acham que ganham bem, de acordo com o que trabalham. Acredite se quiser, é o maior índice de satisfação entre todos os grupos. 50% dos frilas acham que poderiam ganhar melhor, e apenas 10% se declaram completamente insatisfeitos com os cachês pagos pelas colaborações.
***
CONCLUSÃO: A maioria dos jornalistas se sente injustiçado quando o tema é salário, mas o tema se torna ainda mais problemático entre os profissionais que trabalham em regime fixo e com carteira assinada: ninguém se declara plenamente satisfeito com a valorização financeira proporcionada por seus chefes. A verdade é que reclamar de salário é um esporte tradicional de qualquer trabalhador que se preza, e os dados obtidos só comprovam isso.
Mas é curioso notar a porcentagem de free-lancers que se dizem bem pagos. Das duas uma: ou realmente estão ganhando bem (o que acho difícil), ou estão recebendo cada vez menos pedidos de serviço. O que, concluindo, significa só uma coisa: os funcionários que trabalham fixos nas redações estão cada vez mais sobrecarregados e, portanto, mal remunerados. Será que a solução é pedir as contas e virar frila? É o que iremos concluir na parte 3 da pesquisa.
Já os empreendedores, com suas respostas, mostraram que não é nada fácil ser seu próprio patrão. O curioso é que são esses mesmos empreendedores que, em sua totalidade, dizem ter grande expectativa de aumento de rendimentos nos próximos 12 meses (veja parte 1 da pesquisa). Ou seja, “eu bem que poderia ganhar mais hoje, mas tenho certeza absoluta que isso vai mudar em breve”. Pelo jeito, a esperança venceu o medo e as perspectivas são boas para 2010, pelo menos para a “gente que faz”. Será? Eu também estou achando que sim.
***
E na semana que vem, se não chover muito, finalizo a pesquisa, avaliando o último item: insatisfação com a situação profissional atual.
Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom final de semana.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: jornalismo, mercado, salário
17/08/2009 - 20:12
A Entrevista da Semana continua insistindo no jornalismo de games (por que será?).
O papo desta vez é com a Flávia Gasi, repórter do programa Scrap, da MTV.
A história dela nesta área não é recente: Flávia começou no jornalismo de games trabalhando em revistas (da Conrad e mais tarde da Editora Europa) e passou por sites (o antigo Eurogames, atual Limão); hoje em dia, ela fala semanalmente sobre games na MTV, além de cuidar da área de blogs de games do site da emissora. Flávia falou (muito) sobre mercado, preconceito, o poder da televisão e até comentou sobre os indicados da categoria “Games” da premiação VMB. Como dá para ver, a conversa rendeu.
Confira tudo e, como sempre, não deixe de comentar no final.
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Gamer.br: Sua trajetória no jornalismo de games é um tanto inusitada. Como tudo começou?
Flávia Gasi: Bom, eu estava lá na Conrad (quando ela ainda tinha livros, mangás e revistas), para dar uma entrevista sobre o novo filme de Final Fantasy. O pessoal da Herói (e, com isso, leia-se a Arianne Brogini) queria uma opinião feminina sobre as expectativas para a adaptação e tal. Ela queria uma menina gamer. Foi aí que eu entrei em contato com gente mega bacana como você, o [Odair Braz] Junior, o Trivas [Eduardo Trivella], o Eric [Araki] etc. Afinal, eu era uma menina gamer, apaixonada por Final Fantasy, mitologia, filosofia… essa coisa que estavam “atrás dos games”. Mas poxa, eu não acho inusitada. Acho que sou bem sortuda na verdade. Só lembro que eu não gostei que saiu na Herói. Eu tinha vergonha de usar aparelho de dentes.
Como foi que aconteceu a transição de “pessoa interessada” no assunto para trabalhar diretamente com o tema? Quais os degraus que você teve que enfrentar quando viu que levava jeito?
FG: A primeira coisa foi que eu tive que encher o saco de muita gente, e isso realmente é chato, ao menos pra mim, detesto encher os outros. Mas não tinha muito o que fazer. Eu queria escrever uma matéria sobre a mitologia por trás de Final Fantasy. Então, eu disse: “sabe, eu sempre quis escrever sobre isso. Que tal eu tentar?” Não sei se me levaram a sério ou se só acharam bonitinho aquela menina de aparelho querer falar de games, mas deixaram que eu entregasse o texto. Me disseram que era a primeira vez que ia ter uma matéria de mitologia na Nintendo World, e fiquei bem feliz. Mas, claro, a primeira coisa que acontece quando você entrega o primeiro texto é exatamente o que você tem que aprender a lidar no “segundo degrau”: aprender a ouvir crítica, calar a boca e estudar. Eu sempre fui bem nerd, então estudar não era o problema. Mas falar sobre game é muito mais do que saber jogar e ter um texto passável, você tem que estar conectado com todo um universo cultural, por um lado, e de programação e física, por outro.
Depois disso, você começa a escrever mesmo e aprende mais uma coisa: você não vai fazer o que quer. Isto é, você vai escrever muito detonado, muita dica e recusar muita análise do jogo da Barbie (pô, jogo da Barbie era onde eu traçava minha linha invisível, do tipo: sou menina, mas não tão cor-de-rosa) para começar a falar sobre aquilo que você realmente quer. Eu cheguei a me afastar do mercado um pouco, porque achei que ninguém nunca ia entender que uma mulher não é um bicho estranho quando se trata de games. Sempre imaginava que quando havia uma vaga e tinha um menino disputando comigo, o menino ganharia, simplesmente porque eu não nasci de bigodes. O lance é que eu não conseguia ficar longe, daí tive que voltar e tentar de novo. E estudar muito, porque eu tinha que provar que eu podia ser tão boa quanto qualquer menino.
Isso aconteceu há quanto tempo, uns sete anos? Você acha que se fosse hoje em dia, seria desse jeito? Ou você teria que tentar maneiras diferentes de se colocar no mercado?
FG: Olha, eu acho que sempre existe as mesmas duas reações quando uma mulher fala com propriedade com games. A primeira é: “Que maneiro! ela manja de games e é menina”. E a segunda é quando o cara vira pro amigo e fala: “Ah, ela é (bonitinha, feinha, algo do tipo), mas não entende nada”. Até hoje, quando eu escrevo algo que um cara não concorda, eu chego a escutar: “Putz, menina não entende nada mesmo!”.
Por outro lado, há muito mais mulheres no mercado hoje em dia. E acho que, aos poucos, acaba essa noção boba que menina não gosta de games. Inclusive, pelos dados dos EUA, o mercado de jogos já é 40% feminino. Ah, aproveito o espaço para deixar felicitações para as Girls of War, que fazem um trabalho bem bacana. De qualquer maneira, eu iria ser tão teimosa agora como fui antes… Isso com toda a certeza.
Você já frilou em revista, editou e fez site. Agora encontrou a linguagem da televisão. Onde acha que se adaptou melhor? E onde há ainda espaço para se desenvolver?
FG: Hmmm, essa é difícil. Tem vários aspectos nada a ver com games, mas não jornalismo, que eu gosto muito. Quando estava na [produtora e agência] Hive, tinha toda uma questão de criar projeto, apresentar, fazer reunião, que eu comecei a gostar. É a mesma coisa quando você edita uma revista, não tem só a ver com texto, mas com organização.Por conta disso, a web é uma das coisas mais geniais do mundo: você pode criar um projeto e levá-lo até o fim, sozinho se você quiser. Eu acho que a web apresenta desafios que eu curto mais. Tem essa diferença… Eu acho que revista é uma obra de arte. E acho que a web é uma obra de arte sempre inacabada. Gosto mais do inacabado, tem coisas novas a fazer. A televisão foi algo que caiu no meu colo. Eu tinha feito alguma coisa de TV na RedePUC e me apaixonado. Para mim, a câmera (de TV, não de foto) é uma coisa natural. É uma maneira de eu falar para você, sem que você esteja presente no mesmo ambiente. E pode atingir muita gente. Eu adoro essa coisa de falar a verdade, sem rebuscamento demais. É comunicar, sem confundir. E acho que a TV permite isso, como a web, porque há um quê de intimismo.
Acho que minha trajetória como editora de revista vai ficar em um hiato… ao menos, por enquanto. Tem, também, outras paixões que eu exerço, mas que ainda não tem divulgação.
Falando sobre o aspecto prático de estar na TV: como funciona? Existe aquela coisa de “virar pessoa pública”? As pessoas apontam na rua? Ganha-se uma legitimidade maior por estar na TV, ou é justamente o contrário – as pessoas não valorizariam tanto, porque justamente acham que “na TV só é preciso sair bem na foto e falar direito”?
FG: Pô, Pablito, eu não sou famosa. Acho que não senti nenhum efeito de “ser pessoa pública” ainda não. Sou só repórter, não estou na tela todo o dia. Ninguém me aponta na rua, nem me reconhece no mercado. Me reconhecem em eventos e coisas do tipo, e eu fico muito grata, porque sei que meu trabalho está atingindo o público certo. O que significa que alguma coisa certa eu devo fazer [risos].
Posso só especular pra você que devem acontecer as coisas: deve-se ganhar legitimidade para muitos projetos e para pessoas que não necessariamente entendem desse nosso mercado de games. Por outro lado, tem um tipo de pessoa que acha que sabe tudo sobre a sua vida, só porque te viu na TV. No começo do trabalho da MTV, eu recebia muitos comentários que diziam: “A MTV é burra mesmo, quer falar de games e escolhe uma menina que não manja nada, só porque é menina”. Mas, estou vacinada.
Então, ainda existe preconceito com mulheres nessa profissão? Você já sofreu algo digno de nota?
FG: Poxa, existe um pouquinho sim, mas bem melhorado. Como eu disse, volte e meia alguém acha que eu não posso saber de games porque eu sou menina. Tem um pessoal que fica tentando explicar a minha pauta pra mim, do tipo: “Ah, você vai falar sobre isso no quadro, quer que eu te ensine?” Mas, poxa, sou em quem pauta, quem escolhe, e quem faz o texto da reportagem.
Falando sobre a MTV: você participou da seleção de games concorrentes ao VMB? Como funcionou a escolha? E porque os games agora são categoria da premiação?
FG: Vamos lá, sim, eu participei da escolha dos games juntamente com um grupo de pessoas. Os games são categoria porque a MTV aposta no mercado faz algum tempo. Por exemplo, no Portal (mtv.com.br), além da categoria “Música” e “TV”, que obviamente tem que estar lá, também temos “Avalanche” e “Games”. Quer dizer, os games estão em destaque, afinal qualquer coisa de quadrinhos, ou esportes, fica em Avalanche. O fato de o Portal ter uma editoria exclusiva de games é um dos indicativos da postura da MTV. Desde o começo do ano passado, este conteúdo tem crescido, e muito: temos diversos blogs, um ambiente somente para games, e dois quadros de games na TV. Pode acreditar que teremos muito mais coisas. Já estamos criando ações especiais e eventos, por exemplo. Infelizmente, não posso contar os projetos, mas eu estou bem animada por estar na MTV agora. É uma empresa muito bacana, que dá a abertura e a legitimidade necessárias para se criar…
Quanto à escolha dos games, é preciso entender que o VMB é um evento musical. Temos outras novas categorias tecnológicas, mas sem perder o foco da música. Por isso, não podemos ter 50 categorias só de games… Não que eu não quisesse [risos]. E mais: a MTV tem um público vasto e todo o tipo de gamer precisa estar representado na lista: desde o mais casual, até os que buscam jogos artísticos, inovadores ou hardcore. E, claro, tem que existir um game musical. Afinal, estamos falando de uma categoria dentro do VMB. É a primeira vez que os games são contemplados em um evento deste porte [no Brasil]. Para nós isso é uma conquista, e queremos deixar as coisas ainda mais divertidas para o ano que vem.
Você era leitora e consumidora e virou jornalista. O que acha que mudou no jornalismo de games brasileiro de lá pra cá?
FG: Acho que o jornalismo de games sempre foi muito cultural, mas também é muito jovem. Agora podemos ver reportagens realmente aprofundadas, muita ligação com livros, filmes, quadrinhos. Sem contar uma discussão mais variada sobre a epistemologia do próprio jogo, dos seus gêneros. Também acho que isto é só o começo. Mesmo porque, apesar da vontade imensa dos profissionais, nós ainda estamos aprendendo a fazer o melhor jornalismo de games. Também acredito que, no começo, havia uma demanda muito maior por serviço (dicas e detonados). Hoje, com a internet e o amadurecimento da indústria e dos jogadores, podemos abordar assuntos mais interessantes e bem mais profundos. Eu nunca gostei de fazer hardnews. Dar a nota, fazer o furo… Gosto mesmo é de discutir depois que tudo isso passou e acho que o jornalismo de games permite esta abertura: tanto a uma pegada mais literária em texto quanto a uma análise de paradigma mais abrangente.
O que a televisão pode fazer e contribuir para a melhoria da qualidade do jornalismo de games?
FG: Bom, todo mundo sabe que ainda é preciso ter variedade de games na TV. Quer dizer, não sei se o primeiro passo será, necessariamente, nobre ou que vá ajudar o jornalismo de games como um todo. O que eu tenho certeza é que quanto mais falamos de games em veículos de comunicação de massa (mas sem massificar demais), mais colocamos os games onde eles deveriam estar no Brasil, em termos de mercado ou status, por exemplo. A TV tem um poder que outros veículos não têm: a possibilidade de atingir 99% da população brasileira. Acho que o fato de falar para todos vai ajudar a democratizar o debate sobre os games, e isso é bem bacana!
A imprensa de games no Brasil, como você a avalia? É chapa-branca? Mal paga? Desinformada?
FG: Acho que a imprensa no Brasil é bem menos chapa-branca que a imprensa mundial. É só pegar o caso do GameSpot, em que o editor foi demitido por falar mal de um game que estava pagando publicidade no site. Nunca vi isso acontecendo por aqui. Inclusive, quando eu editava a Revista Oficial do Xbox com o Nelson [Alves Jr.], a Microsoft vivia tirando sarro das nossas notas baixas para os games deles. Tudo sem problema nenhum. Agora, a questão do dinheiro é um tanto complicada. Primeiro porque muito pouca gente realmente ganha bem no Brasil, ainda mais jornalistas, e ainda mais de games [risos]. Principalmente porque, no Brasil, ainda não se entendeu de verdade o potencial do mercado, a realidade dos números. Esta é uma briga diária: pela legitimidade dos games como produto cultural no Brasil. Não sei se quando a briga for vencida vamos ganhar mais, mas será bem mais fácil de trabalhar! Vamos à ultima parte: a imprensa de games no Brasil não é nem um pouco desinformada, só não é um mercado enorme. Somos poucos, mas orgulhosos do que fazemos.
Pelo que você acompanha do mercado, o Brasil está indo bem, está lentos ou está aquém do que poderíamos?
FG: Estamos absolutamente aquém. A maioria das pessoas que lê seu blog deve saber que games, no Brasil, são taxados como artigo de luxo. Um país que não reconhece a maior forma de cultura popular e arte contemporânea só pode estar por baixo mesmo. Um dia, dizem as empresas de games, seremos o novo México. Por enquanto, ainda estamos engatinhando. Porém, empresas como a Microsoft, a Ubisoft, a EA, a Ubisoft nos dão aquele fio de esperança. Afinal, eles têm os meios (leia-se poder) para pressionar o governo de maneira efetiva. Nós fazemos barulho, mas um “zumzumzum” que não é suficiente para alterar a ordem os fatores.
Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
FG: Ai, ai, ai, que pergunta mais capciosa hein? Bom, a verdade absoluta é que o mercado de games no Brasil se criou por conta de pirataria, e essa é a mais pura verdade. De qualquer maneira, a pirataria deve desaparecer acompanhando o crescimento interno do mercado. Ou seja, assim que os games não forem mais vistos como artigo de luxo ou brinquedinho, tanto os preços cairão, como muita gente vai comprar o jogo para ter a caixinha, o manual… Não tem como parar o download de forma alguma, e os games terão que se adaptar a isso também. Mas isso é outro assunto, global.
Existe alguma solução, ou soluções plausíveis para melhorar a situação? O que precisa ser melhorado?
FG: Posso pensar em vários planos maléficos de dominação mundial [risos], mas eles não vem ao caso. O que precisa ser feito é simplesmente ser profissional. Um mercado tão extenso, como o de games, demanda que sejamos profissionais. Não adianta querer mudar o mundo sem olhar para o seu jardim. Ainda acho que os primeiros passos são os mais simples mesmo: informar, entender, aprender. Mostrar para as pessoas e para as empresas o que vemos de tão maravilhoso em games. Ao menos, aos jornalistas. Os políticos, ou os publicitários ou os donos de empresa têm outras funções. E isso cabe a eles também. É muito bacana ajudar a criar um projeto de lei, fazer passeatas, invadir a Av. Paulista. Esse tipo de manifestação coletiva sempre funciona, nem que seja para conhecer pessoas que pensam como você. Mas, de qualquer maneira, o que importa mesmo é fazer o seu trabalho bem-feito.
Finalizando, o que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
FG: Bom, você quer uma lista em ordem alfabética dividida em três volumes de mil páginas cada? Em termos de mercado, tem a lei de taxas que é estúpida, para dizer o mínino, as dificuldades de trazer um produto para cá, mesmo que você seja o fabricante de tal produto. Gostaria de ver o e-sport nacional em todo o tipo de mídia, já que temos times incríveis que raramente aparacem para o grande público. Queria ver mais livros especializados, mais arte gamer sendo criada por aqui. Também gostaria de ver projetos que independessem de times estrangeiros. Porque não criar nossa própria Video Games Live, por exemplo? Acharia demais se tivéssemos mais eventos voltados ao público e não às empresas, onde as pessoas pudessem se divertir. Queria ver mais produções nacionais de games e ainda mais mulheres envolvidas. Tem mais coisa… mas acho que ficou legal, né? O resto é mais papo de bar.
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: conrad, editora europa, flávia gasi, girls of war, herói, jornalismo, mercado, mtv, nintendo world, rox, scrap mtv, vmb
14/08/2009 - 20:21
E aqui está.
Após um tanto de pesquisa e enrolação, cheguei ao resultado de minha pesquisa sobre a satisfação do jornalista brasileiro de games.
Ao longo da semana passada, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada de diversas áreas de atuação. Escolhi apenas jornalistas que trabalham principalmente com videogames. De acordo com a condição profissional de cada um, fiz sempre as mesmas perguntas, anotando as respostas. Juntei tudo e tracei um perfil. Simples assim.
Obviamente (e senão não haveria graça nenhuma), as questões foram um tanto capiciosas e davam margem a reclamações diversas. Pense comigo: será que tem alguém por aí que acha que já ganha bem o suficiente e NÃO deveria receber mais? Portanto, fiz o questionário já meio que sabendo o que iria ouvir de cada um. O que não quer dizer que as respostas recebidas foram muito parecidas umas com as outras.
Aliás, muito pelo contrário, como você irá conferir.
Através desta pesquisa, procurei entender até que ponto está a satisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. Além disso, quis pescar algumas opiniões sobre o otimismo (ou não) com o mercado nacional e a profissão. Vale a pena ser contratado hoje em dia sem ter os benefícios da carteira assinada? Ou é melhor frilar para todo mundo, sem ter nenhum vínculo? Mas será que as empresas pagam bem pelos frilas? E os salários? Estão melhorando?
Não quis ser indelicado de perguntar sobre valores aos entrevistados, e acho que nem seria bem o propósito deste estudo. O objetivo aqui não era descobrir quanto é o salário médio, o teto e o mínimo da profissão, mas sim entender o que pensam essas pessoas. Acredito que o grupo de entrevistados (30) representa uma boa amostra dos jornalistas brasileiros que trabalham com videogames diariamente (a grande maioria é residente na região Sudeste do país). E para evitar problemas óbvios com chefes irados, decidi por preservar a identidade dos entrevistados. Eles sabem quem são, e está mais do que bom.
Estatísticas são sempre legais:
- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou passando nota fiscal) e tem obrigações fixas com alguma empresa;
- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente, salvo exceções raras), mas sem vínculos fixos;
- O 17% restante é formado por empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.
- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo (ou CCDA).
- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).
***
E a primeira questão foi:
1. Você tem expectativa que seu salário suba/melhores nos próximos 12 meses?
Com essa pergunta, quis medir o nível de otimismo em relação à situação profissional de cada um. Grosso modo, a questão era a seguinte: “seja você contratado, frila ou empreendedor, você acha que vai ganhar mais dinheiro trabalhando com games em um futuro bem próximo?”
O resultado foi o seguinte:
De todos os entrevistados, 57% dizem ter grandes expectativas que seus rendimentos aumentem nos próximos 12 meses. O valor é acima da média por causa do otimismo daqueles que se declaram “empreendedores”: 100% dos donos de sites dizem ter certeza absoluta que seus rendimentos subirão.
Agora, se esses empreendedores não forem incluídos no coro dos otimistas, este índice diminuiria para 40%. Se forem levados em consideração apenas os profissionais contratados, o índice ficaria em 53%. E se levados em consideração somente os freelancers, o índice diminuiria para 40%.
Curiosamente, o índice de otimismo é ligeiramente maior entre funcionários que passam nota fiscal (57%) do que aqueles que possuem carteira assinada (38%).
Por outro lado, 30% do total de entrevistados se declarou completamente pessimista sobre a possibilidade de aumentos nos rendimentos nos próximos 12 meses. O índice aumenta entre os freelancers (40%) e se mantém em 33% entre os contratados.
Os restante dos entrevistados (13%) se declara indeciso sobre o tema: eles dizem não ter muita segurança sobre se terão ou não aumento de rendimentos nos próximos meses. A porcentagem dos que responderam “talvez” é levemente maior entre os free-lancers (20%) do que entre os contratados (13%).
***
CONCLUSÃO: Quando o assunto é dinheiro, o otimismo parece estar ao lado de quem investe tempo e dedicação em um negócio próprio. Por conta da escassez de trabalho e da diminuição (ou corte) nos cachês, depender de frilas e colaborações esporádicas se mostra a solução cada vez menos atraente e lucrativa. Mas mesmo entre quem tem emprego fixo, está parecendo difícil para a maioria acreditar na melhoria das perspectivas – e isso independe de a pessoa ter carteira assinada ou emitir nota fiscal. Triste? Um pouco. Eu esperava um quadro um pouco mais animador para os funcionários fixos de carteira assinada, mas fiquei feliz pelo nível otimista dos empreendedores. Para os frilas, eu já imaginava que a vida estava dura.
***
E semana que vem, continuo a oferecer mais dados sobre esta pesquisa, avaliando dois itens: nível de exploração chefe-funcionário e insatisfação com o mercado atual.
Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom sábado e domingo.
Autor: pablo - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo
Tags: editora, jornalismo, mercado, salário
11/08/2009 - 20:37
A Entrevista da Semana da vez é com Gus Lanzetta, um dos fundadores do site de podcasts Audiogame. Hoje um dos nomes mais atuantes da nova safra da imprensa de games, ele passou dois anos utilizando uma boa dose de talento e cara-de-pau para popularizar o podcast em nosso mercado. Funcionou. Hoje, o site está aposentado, mas Lanzetta, 19 anos, continua insistindo no formato no site da MTV, além de assinar textos em publicações impressas e digitais – sempre exagerando na sinceridade e colecionando desafetos.
Confira a entrevista – polêmica, é claro – e não deixe de comentar no final.
***
Gamer.br: Você faz parte de um grupo de profissionais cada vez mais típico: o leitor que se tornou produtor de conteúdo. Como aconteceu essa transição?
Gustavo Lanzetta: Bom, eu fazia lá o Audiogame e decidi que só um podcast não preenchia bem o site. Assim comecei a escrever umas noticiazinhas aqui e ali, um reviewzinho, coisas assim.
Sendo mais específico: quando passou pela sua cabeça, lendo revistas, vendo sites, que você poderia fazer o seu você mesmo?
GL: Nunca passou pela minha cabeça desse jeito. Eu gostava muito do podcast da Gamespot na época. Aí eu e o Batalha decidimos fazer nosso prórprio podcast. Isso sem nem me tocar que eu estava fazendo o trabalho que eu acompanhava desde pequeno. Só fui me tocar que eu era um jornalista de games quando já estava escrevendo para as revistas da Futuro [Comunicação].
O que você pensou exatamente quando convidaram você para escrever lá? Algo como “foi mais fácil do que eu pensava”?
GL: Um pouco isso, mas o grande sentimento era de “Meu deus! Eu to escrevendo pras revistas que eu lia! Caramba!”.
O que significa isso hoje, na prática, agora que você já tem uma certa rodagem?
GL: Ah, é incrível. Não me vejo fazendo outra coisa, mas ao mesmo tempo é algo que nunca tinha me passado pela cabeça como possibilidade de emprego, quanto menos de carreira. Passei a vida inteira (como filho de jornalistas) falando pra todo mundo que perguntava que eu nunca seria um. E mesmo quando saquei que queria trabalhar com games eu achava que queria fazê-los, mas depois de um tempo escrevendo sobre a indústria eu percebi que era isso que eu queria.
Voltemos ao seu primeiro projeto, o Audiogame. Como surgiu a ideia de fazer? Por que você acha que quase ninguém fazia algo parecido no Brasil? Desinformação?
GL: A idéia surgiu, coincidentemente, no mesmo dia pra mim e para o Batalha. Eu estava pensando em fazer um podcast no estilo do Hotspot, do qual ele também era fã. E nesse dia conversamos sobre a ideia e umas duas semanas depois, em 1 de agosto de 2006, nós gravamos o primeiro Audiogame, com dois headsets baratinhos e um adaptador de 1 real para ligar os dois ao mesmo tempo no meu computador. Quanto à falta de podcasts na época, acho que não era por falta de informação, mas falta de iniciativa. Os podcasts estavam começando a fazer sucesso lá fora, principalmente os de games, mas aqui pouca gente ouvia e muita gente não entendia a proposta. Vi muita gente reclamando que o Audiogame era inútil pois eles já haviam lido as notícias durante a semana, mas a idéia não era só informar, era discutir as notícias, fazer uma conversa legal rolar em cima dum tema que interessava o público. Hoje em dia o pessoal já entendeu/aceitou melhor e tem podcasts de games brasileiros com muitos ouvintes.
Antes, era um projeto de vocês. Depois, surgiu a ideia de chamar jornalistas para participar. Como foi?
GL: Bom, começamos a escrever para as publicações da Futuro por causa do Audiogame. E depois de um tempo “lá dentro” veio a idéia de aproveitar o contato com esses profissionais da área para adicionar conteúdo e novidade aos podcasts. No começo eram participações mais esporádicas, mas com o tempo o negócio foi ficando mais fixo, depois de um tempo estávamos fazendo o podcast da Nintendo World, do Herói e outros, além do Audiogame “Classic”. Nessa época é que rolou contato com o pessoal da editora Europa, já que o Fabão [Santana] tinha ido trabalhar lá e aí o [Gustavo] Petró chamou a gente pra ir gravar um podcast com eles. Assim surgiu o Audiogameblog. Com a ida do [Rodrigo] Guerra para a editora Digerati, rolou o contato para fazer os podcasts de games deles, que fizemos até o fim do Audiogame.
Como você define a maneira como os profissionais te receberam? Você acha que foi algo normal? Ao que você atribui isso, essa “acolhida”?
GL: Acho que fui recebido muito bem por todos quando comecei a escrever sobre games em revistas. E até mesmo antes disso, afinal eu fui convidado a escrever lá. Isso tudo acho que é resultado de eu ter mostrado o que já sabia fazer através do site do Audiogame e o fato do Audiogame existir já mostrava que tínhamos iniciativa. Em momento algum fomos garotos chatos que ficavam pedindo pra escrever algo na revista. A gente fez algo nosso e isso chamou a atenção do pessoal. Não que eu negue que eu seja chato, que muita gente não me receba nem no boteco da esquina e que, depois de começar a escrever sobre games, eu não tenha implorado por frilas.
A vida de frila no Brasil é impossível? quero dizer, você se sente obrigado a ter um emprego fixo ou uma marca própria funcionando para ter crédito no mercado?
GL: Acho que a vida de frila é complicada. Ela até é possível, mas trabalhando muito e escrevendo muita porcaria, sabe? Pra se virar como frila, você tem que escrever qualquer coisa, detonadinho, detonadão, reviews ruins, matérias patrocinadinhas do estilo “coisas legais que são caras, mas eu vou te falar porque elas são legais”. Coisas que ninguém GOSTA de fazer e que acabam dando uma cara mais feia ao jornalismo de games. Também acho que é difícil conseguir espaço suficiente hoje em dia para receber tantos frilas quanto se precisa para tirar uma grana legal. As publicações têm seus fixos e não precisam de material o suficiente pra sustentar uns três ou quatro caras.
Acho que marca própria é mais roubada ainda. Não sei se dá pra ganhar dinheiro com um site de games com o Brasil, pelo menos por enquanto. O Continue e o Gamerview tão aí e um deles eu espero que dê certo (dica: eu tenho uma coluna no que eu quero que dê certo), mas não vi indícios ainda de que teremos bons sites “se pagando” aqui no Brasil. Espero que isso mude.
Quanto a um emprego fixo: eu quero, todo mundo quer. Eu repito: EU QUERO (alguém aí tá me ouvindo? Alô!). Acho que trabalhar numa redação é muito mais legal do que ficar de cueca em casa postando num blog. Acho que a hierarquia duma publicação serve para centrar a pessoa, guiar, etc. Mas isso vai de cada um, tem gente que não suporta e quer mesmo é trabalhar do lado da cama, parando pra bater uma punheta de vez em quando.
Do ponto de vista de alguém que consumia, e hoje produz: como é o jornalismo especializado no Brasil hoje? O fato de o diploma agora não ser mais obrigatório mudará alguma coisa? E para você?
GL: Acho que, como você mesmo fala, o jornalismo de games no Brasil é muito chapa branca. Todo mundo tem medo de “ofender”, de irritar uma empresa. Não acho que antagonizar deve ser a norma, acho que avaliar os fatos deve ser a norma. Fez merda? Ué, eu vou falar disso. Mas aí rola um círculo vicioso, o jornalista paparica a empresa, a empresa se acostuma a um mundo infantilizado onde uma nota ruim é algo pelo qual se pede desculpas, ou é coisa que, pra alguns editores aí “não se faz pra não comprar briga”. Acho isso deplorável, acho que o jornalismo de games precisa crescer, amadurecer, aprender a ser honesto e, quem sabe um dia, ser combativo. Eu tô fazendo minha parte, mas enquanto essa for só a MINHA parte, eu vou ser o gordo louco que só reclama. Por mim tudo bem, eu sou mesmo.
Quanto ao diploma, pra mim não muda nada, nem pro leitor, nem pros jornalistas. Como em todo o jornalismo, o jornalismo de games está cheio de profissionais não-diplomados ou diplomados em outra coisa. Alguns são bons e outros não, mas normalmente é mais fácil um incompetente se esconder atrás de um diploma de jornalismo do que de um comprovante de conclusão do supletivo.
Para mim, muda menos ainda: nunca quis diploma, continuo não querendo. Quer dizer, se me derem um, eu não vendo no Mercado Livre.
Você tem alguma saída para o jornalismo no Brasil ser menos chapa-branca, mais combativo? Como fazer, se as empresas que podem ser criticadas também são as mesmas que anunciam?
GL: Aí entram dois fatores: 1. As revistas precisam dos anúncios, mas as empresas também precisam anunciar, ainda mais em veículos especializados; 2. É preciso esforçar-se muito mais em ir atrás de anunciantes de fora do mundo dos games; 3. Eu não trabalho com venda de anúncio, marketing e essas merdas, então eu não sei de nada. MEU NEGÓCIO É JOGUINHO!
Você acha mais confortável estar nessa posição de não depender exatamente do apoio do anunciante para trabalhar? ou preferiria estar em outra posição?
GL: Bom, todos dependemos da grana de anunciantes, mas eu nunca quero estar na posição de correr atrás deles. Quero que haja muitos anunciantes sempre, assim haverá grana para me pagar. Mas se eu preferiria estar em outra posição? Sim, prefiro estar empregado, porque aí não preciso correr atrás de frilas o tempo inteiro.
Como seria hoje o emprego perfeito? Ou o veículo?
GL: Não sei se o veículo perfeito existe. Mas acho que um emprego “perfeito” seria ser pago para escrever sobre essas besteiras das quais eu entendo, seja games, filmes, música, a gloriosa cidade de Imbé, no Rio Grande do Sul… Pô, acharia do caralho ser pago pra escrever umas críticas de filmes, games etc. E ao mesmo tempo poder bolar conteúdo original, notícias, matérias, entrevistas. Pautas interessantes escritas de maneira diferente, porque o jornalismo de games das revistas hoje em dia é muito formuláico e sem sal. Mas tem muita gente que gosta de fazer conteúdo assim, sem ter que pensar muito.
Como rolou de ir para a E3 sozinho? O que te compeliu a fazer? Você recomendaria pra qualquer um?
GL: Bom, o sonho de ir para a E3 é velho, desde pequeno eu lia sobre a feira nas revistas de games e parecia o evento mais legal do mundo (spoiler: e é!). Então quando a E3 sofreu aquele downsizing em 2007 e 2008 eu fiquei muito triste, pois achei que nunca iria visitar a E3 dos meus sonhos. Mas quando soube que ela ia voltar a ser uma extravagância, eu sabia que eu precisava ir.
Então desde o fim de 2008 eu estava me preparando para ir, me registrei logo que o processo de inscrição foi aberto, comecei a organizar horários e tal. A parte mais difícil foi arranjar frilas para cobrir os custos da viagem, mas felizmente consegui (aí você me levou na Virgin Megastore só para eu me endividar todo). Adorei ir, adorei os textos que pude produzir por ter ido e pude aprender muito sobre como o evento funciona, ou seja: estou preparado pra fazer muito mais no ano que vem.
Eu recomendo sim, especialmente pra quem já trabalha nesse meio. E já dou a dica: não fique muito apegado ao respeito que as empresas empregam no tratamento dos jornalistas lá, só dura pelos quatro dias da E3. Depois você volta para o Brasil e aqui não tem disso. Mas é uma puta experiência para se divertir. E trabalhar muito, mas pra mim os dois se misturaram pra caramba. É que eu sou muito nerd mesmo.
Qual você prefere, para consumir e para trabalhar: revista, site, TV ou tudo isso junto? Ou nenhum deles?
GL: Consumo muito conteúdo pela internet, principalmente em texto, mas um bom site é parte revista e parte TV. E acho que hoje em dia, uma boa revista precisa de um bom site. A presença do veículo não pode se limitar àquelas 100 páginas mensais, que são estáticas. Um site é um puta pilar na estrutura de uma publicação, mesmo uma que seja primariamente impressa. Eu ainda tenho fetiche por revistas, mas leio poucas, porque no final das contas papel é papel, o diferencial é o conteúdo.
Para trabalhar eu estaria satisfeito em qualquer um dos três, talvez não tanto somente em TV, porque acho que a escrita é muito importante pra mim e é uma forma de comunicação onde se pode controlar todo o produto. Quando eu escrevo uma crítica, os limites impostos a ela são impostos por mim, já outras linguagens dependem de mais gente, mais trabalho. Já escrever é saber falar.
Onde você se enxerga, profissionalmente, daqui alguns anos?
GL: É difícil dizer, o mercado ainda está muito pirado, surgem coisas do nada, projetos dão errado etc. Sem contar que eu não sou um cara muito bom de futuro e essas coisas, eu fico mais de olho no almoço de amanhã. Mas certamente gostaria de estar numa posição mais estável, como redator ou editor em alguma publicação (online ou não).
Vendo como funciona a rotina de um jornalista hoje, você consideraria fazer uma faculdade, mesmo que seja “apenas” para ajudar na sua formação?
GL: Não considero hoje pela mesma razão que nunca considerei: Pra mim, o sistema de aulas/provas/trabalho nunca deu muito certo. Terminar o colégio já foi um sacrifício e acho que me estressaria demais ao entrar de novo numa rotina dessas. Acho que a faculdade continua sendo uma maneira válida de se aprender muita coisa, mas eu decidi tentar aprender na marra. Acho que tem dado certo.
Se você que quisesse que tivessem lhe dado um conselho antes de entrar nesse mercado, qual seria?
GL: “They Don’t Really Care About Us” [risos]. É difícil pensar em um conselho, mas um aviso sobre o quanto a imprensa de games é ABANDONADA pelas empresas de games.
E qual conselho você daria pros jovens empreendedores como você?
GL: Corram! Passem longe do jornalismo de games. Mas se você realmente não consegue pensar em fazer outra coisa, aprenda a escrever. E tenha sempre em mente que se é pra fazer, faça direito, não seja aquele cara que vai em coletivas pra ganhar brindes e cafezinho de graça. Não seja “ista”, não seja puxa saco de ninguém (muito menos de empresas) e lembre-se de desconfiar de todo mundo (especialmente de empresas). E antes de se aglomerar com um bando de amiguinhos virtuais pra criar um blog, pense se isso vai te servir de algo, se isso vale a pena ou se é melhor criar um blog pessoal pra servir de portfólio.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: audiogame, e3, editora digerati, editora europa, futuro comunicação, gus lanzetta, jornalismo, mercado, mtv, podcast
07/08/2009 - 19:44
E para fechar a sexta super de uma semana estranha, cá estou com os links mais clicáveis do momento.
***
“Este site será lançado formalmente em breve”
É o que diz a mensagem para os incautos que visitam o sugestivo http://br.playstation.com.
Será que a frase sempre esteve lá e não reparamos? Seja como for, a Sony está prometendo um site “brasileiro” para a plataforma PlayStation. Que ótimo. Agora só falta a empresa começar a trabalhar de verdade por aqui.
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O novo Master System é um fenômeno tecnológico – além de absurdos 132 jogos na memória, acompanhadois joysticks com seis botões cada. Vale lembrar que o modelo original trazia apenas dois botões, então fica no ar a dúvida sobre a serventia dessas teclas extras. Mas mais é sempre melhor que menos, diz o ditado.
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A nova EGW chegou às bancas com King of Fighters XII (ufa) e informações sobre um possível lançamento de World of Warcraft no Brasil. Mas é bem especulatório mesmo, como tudo que gira em torno do jogo mais popular da atualidade.
Aliás, que preguiça desse tema, não aguento mais.
***
Uma noite de amor entre Super Mario e Peach deveria ser algo privado, mas…
… alguém resolveu nos revelar o que acontece.
Eu achei meio triste, no fim das contas. Tipo infância perdida, sabe?
***
Fat Princess enfim saiu, e rendeu boas discussões – até o feminismo virou assunto.
***
Fazendo uma auto-propaganda, cá estão minhas últimas aparições no Notícias MTV.
Eu mesmo nunca as vi, mas todas entraram para a eternidade da internet.
***
E bom final de semana para todo mundo.
Autor: pablo - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo
Tags: egw, fat princess, jornalismo, king of fighters XII, master system, mercado, mtv, playstation 3, sony, world of warcraft, wow
06/08/2009 - 11:22
Estou sumido? Parece, mas é só impressão.
Tenho trabalhando nos últimos dois dias em um artigo especial a ser publicado aqui. O título é bem sugestivo: “A satisfação profissional do jornalista de games no Brasil”.
Parece auto-ajuda, mas não é. É só para saciar uma curiosidade minha, ao mesmo tempo em que ajudo futuros profissionais a decidirem seus direcionamentos na profissão. Ou não.
Tenho conversado com colegas de área, funcionários contratados ou freelancers, e sinto que se não há um descontentamento geral, há pelo menos uma vontade urgente de mudança. Poucos parecem satisfeitos ou acomodados. A maioria acha que poderia estar em posição melhor, ganhando mais ou, no mínimo, trabalhando de acordo com o que recebe. Nada mais justo: o jornalismo de games só cresceu em quantidade de profissionais e veículos nos últimos anos. Será que o aspecto financeiro acompanhou esse crescimento? Os donos de empresa andam repassando o dinheiro aos seus funcionários de maneira justa? Ou está valendo mais a pena ser apenas frila, ou ainda, virar empreendedor e abrir seu próprio negócio?
Questões, quantas questões. O pior é que nenhuma tem resposta clara e objetiva. Tudo não passa de suposições baseadas nas conversas que tenho tido com o pessoal que escreve e produz o conteúdo que você consome.
Logo que achar que tenho informações suficientes, publicarei o resultado dessa pesquisa no Gamer.br. Aguarde.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: jornalismo, mercado
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