Jogo Justo | Gamer.BR, por Pablo Miyazawa
iG

Publicidade

Publicidade

02/02/2011 - 14:58

Mais games dos Beatles?

Compartilhe: Twitter

Pelo jeito, Ringo Starr curtiu a ideia de ser um personagem de game.

Para quem não se lembra, o beatle mais mal-humorado esteve na E3 2009, ao lado do boa-praça Paul McCartney, para divulgar o arrasa-quarteirão  The Beatles: Rock Band. No evento (relembre aqui como foi), Ringo fez questão de mostrar desinteresse com esse negócio de joguinho eletrônico. Parecia que ele estava lá para cumprir contrato, mas não deixou de ser simpático e fazer gracinhas. Emocionou e deu o recado, que era o que importava.

Pelo jeito, ele curtiu a ideia de ganhar uma grana sem fazer nada. Dhani Harrison, filho do falecido beatle George, que coordenou o projeto The Beatles: Rock Band, deve ter convencido Ringo a continuar no negócio. Provavelmente por conta disso, o baterista registrou o nome Ringo para a utilização em jogos de videogame (mais especificamente, o registro foi para as categorias “computer game software” e “downloadable computer games via the internet and wireless devices”). Obviamente, ele não quis falar sobre o tema. A história toda está aqui.

***

Enquanto isso, a Microsoft Brasil cortou seus preços – por enquanto, apenas de alguns games mais antigos. Na verdade, apenas de três games.

Halo 3 passou de R$ 159,00 a R$ 99,00. Gears of War foi de R$ 139,00 por R$ 69,00. E Gears of War 2 foi de R$ 159,00 para R$ 79,00. Os preços passam a valer a partir de já, nesses revendedores aqui.

***

E por falar em preços de games… e o Dia do Jogo Justo?

Escutei relatos de todas as partes, bons e ruins. Algumas pessoas reclamaram que não conseguiram comprar games por falhas estruturais nos sites das lojas, ou porque os descontos não eram assim tão vantajosos. Já outras comemoraram a possibilidade de comprar games a valores a que não estão acostumados. Como foi o seu dia do Jogo Justo? Escreva sua experiência abaixo. Daí, conforme for, falarei mais sobre o tema.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Dare Matheson (Beatles: Rock Band)
  2. Entrevista da Semana: Josh Randall (Beatles: Rock Band)
  3. Entrevista da Semana: Josh Randall (Beatles) – Parte 2
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
08/12/2010 - 13:23

Retrospectiva 2010: E o Jogo Justo?

Compartilhe: Twitter

E está acabando.

Vamos começar a retrospectiva 2010 desde já, retomando alguns dos temas mais importantes que cercaram o mercado de games nacional esse ano.

Um deles, como não poderia deixar de ser, é o bastante difundido, polêmico, controverso e aclamado… Jogo Justo.

Moacyr Alves, idealizador do projeto que visa reduzir os impostos sobre videogames e jogos, conversou com o Gamer.br sobre uma das primeiras ações realizadas pela  iniciativa – a recente venda do game Bioshock 2 com desconto em lojas Walmart e UZ Games (leia mais aqui) – e os planos para o chamado “Dia do Jogo Justo”, que acontece em janeiro próximo. “No total, foram 600 peças de Bioshock 2 – 500 de Play 3 e 100 de Xbox 360”, ele conta. “No Walmart, foram quatro jogos por minuto. Esgotou em 46 minutos. Nas lojas físicas, o estoque acabou em 10 minutos.”

***

Gamer.br: Como o projeto Jogo Justo evoluiu desde a última vez que conversamos? Quais foram os progressos obtidos?
Moacyr Alves:
Agora posso dizer que o projeto encontra-se bem maior. Nossa equipe aumentou e agora temos também mais pessoas na esfera política nos auxiliando. Eu diria que é apenas uma questão de tempo para o projeto já fazer efeito, lembrando que nossa meta agora não é apenas redução de impostos, mais sim uma revolução na área dos games no Brasil. Vamos pegar todas as esferas, desde produção á área acadêmica.

Como se deu aquela promoção do Bioshock 2?
MA:
Na verdade, foi com o Walmart e a UZ Games. Começamos a planejar uma prévia, para termos ideia do que realmente iríamos precisar para o tão esperado dia. Queremos algo muito maior do que apenas “vender jogos baratos” – queremos também que seja um dia de evento, com palestras sobre o mercado nacional e sobre o que podemos fazer com nosso mercado se tivéssemos preços mais acessíveis. Para isso, fizemos uma prévia tanto em lojas físicas quanto em lojas virtuais. Sendo assim, a UZ Games disponibilizou 400 peças para as lojas físicas, e o Walmart, 200 peças para a loja virtual.

Mas quem bancou esse desconto todo? As próprias lojas?
MA:
Sim, foi uma ação conjunta. Tanto a UZ Games como o Walmart bancaram uma parte disso – e também a empresa que pediu para não revelar o nome. Então, digamos que esse valor foi dividido entre essas empresas.

Então o que houve na verdade foi um desconto no preço normal bancado pelos varejistas. Não tem exatamente a ver com redução de impostos, e sim com diminuição de lucros dos lojistas. Isso não poderia levar o consumidor a pensar: “mas se as lojas conseguem reduzir tanto o preço, porque não fazem isso sempre para vender mais?”
MA:
Sim, foi um desconto de praticamente 54% na venda final do jogo. Quanto ao consumidor, sim, ele poderia pensar dessa forma, porém esse dia servirá muito mais para o governo do que qualquer para outra pessoa. Esse é um dado concreto para levar ao governo, [indicando] que se reduzir o valor dos impostos, venderíamos muitos jogos originais.

O que o bom resultado de vendas desses games mais baratos ajuda a provar exatamente? Quem precisa desse tipo de “prova”?
MA:
Ajuda a provar que o Brasil só não vende mais justamente por causa do valor desses impostos, que essa tributação trava um país inteiro que poderia estar entre os mais lucrativos no mundo – e não é justamente pela política tributária. E quem precisa dessa prova é o governo. Agora nós já temos uma prévia, e vamos ter muito mais informação até lá.

Qual a próxima ação semelhante do projeto Jogo Justo? Você pode dar mais detalhes sobre quando e como irá acontecer?
MA:
Estamos pensando em uma segunda prévia antes do tão esperado dia. Porém, com algumas novidades que não posso revelar ainda. A data – mesmo do dia do Jogo Justo – será 29/01/2011. Para esse dia, estamos preparando muito mais do que apenas um dia para se vender jogos baratos. Estamos planejando várias palestras sobre o assunto na data, ou seja, queremos um evento e não simples dia de protesto, é isso ai amigos espero que a prévia tenha agradado a todos, ainda temos muito mais cartas nas mangas e vamos utilizá-las com certeza.

Notas relacionadas:

  1. Começou 2010, enfim
  2. Entrevista da Semana: Moacyr Alves (Jogo Justo)
  3. A Sony, a Gameloft, a Blizzard, o Kinect, o Jogo Justo…
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
18/11/2010 - 18:21

Sony Brasil reduz preços de games (de novo)

Compartilhe: Twitter

A Sony Brasil anunciou hoje reduções de preços em games para PlayStation 2 e PlayStation 3. Games para o PS2 passaram de R$ 89 para R$ 79 (redução de 12%), enquanto títulos para PS3 ganharam duas novas faixas de preço: R$ 99 (antes era R$ 119 – 17% de redução) pela linha “Greatest Hits”; e R$ 149 por jogos de catálogo (era R$ 159 – 7% de redução).

De acordo com o release divulgado hoje, “a empresa atinge pela primeira vez o valor de R$ 99,00 para um jogo oficial de PS3.”

Confira a lista abaixo.

Jogos para Playstation 2 que foram de R$ 89 para R$ 79:
Secret Agent Clank
Syphon Filter: Dark Mirror
Twisted Metal: Head On
Ratchet & Clank: Size Matters
Hot Shots Tennis
Jak & Daxter: The Lost Frontier
Motorstorm: Arctic Edge

Jogos para Playstation 3 que foram de R$ 119 para R$ 99:
LittleBig Planet
God of War Collection
Ratchet & Clank Future: Tools of Destruction
Motorstorm
SOCOM US Navy Seals: Confrontation
Resistance: Fall of Man
Gran Turismo 5 Prologue
Heavenly Sword
Uncharted: Drake’s Fortune
LittleBig Planet GOTY
Resistance 2
Killzone 2
InFamous
Ratchet & Clank Future 2: Crack in Time
Motorstorm: Pacific Rift
Uncharted 2: Among Thieves
MAG

Jogos para Playstation 3 que foram de R$ 159 para R$ 149:
Lair
Hot Shots Golf: Out of Bounds
Folklore

Segundo a Sony, os preços começam a valer a partir de hoje.

Notas relacionadas:

  1. Sony inicia venda oficial de games no Brasil – menos o PlayStation 3
  2. Sony reduz preços de jogos no Brasil
  3. PlayStation 3 no Brasil: a Sony fala oficialmente
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
22/09/2010 - 12:40

O que falta para o Brasil dos games?

Compartilhe: Twitter

Calma, que o Brasil é nosso.

Desculpe a ausência. Resolvendo coisas da vida. Principalmente relacionadas à saúde. Não estou 100%, mas estou trabalhando nisso. Pensamento positivo de todo mundo ajuda nessa hora. Obrigado.

E por favor, não se  sinta lesado, mas vou apelar: republico agora um texto meu publicado na revista EGW de agosto de 2010 (ed. 104). O tema não poderia ser mais pertinente: o que falta para o mercado de games brasileiro dar certo? Acho que a(s) resposta(s) não é assim tão simples. Mas se pensarmos a respeito, talvez cheguemos a algum lugar. Para você, qual a solução? Se tiver uma (ou várias), divida conosco nos comentários lá embaixo.

***

As Engrenagens se Movem*
Empresas se mexem, consumidores também. Só falta o governo

Minha obsessão mais recente é investigar o mercado de games brasileiro, isso você já deve saber. Enquanto a maioria de meus colegas jornalistas cobre os lançamentos de novos jogos, eu fico preocupado em descobrir as pequenas nuances que fazem do Brasil o melhor lugar do mundo para se investir em videogames.

E não sou eu quem esta dizendo isso. Sao as próprias empresas, as gigantes que fabricam os consoles, quem dizem que o Brasil é o pais do futuro em se tratando de entretenimento eletrônico. Pais do futuro é um eufemismo: somos muito mais o presente em se tratando de mercado promissor e garantia de sucesso.

Nos últimos meses, tenho ido atrás das empresas para ouvir o que elas realmente pensam sobre o atual potencial do Brasil. E foi entrevistando esses executivos – brasileiros e estrangeiros – que escutei frases como “nenhum país é tão bem cotado hoje como o Brasil”, ou “nem começamos a enxergar do que esse país é capaz”. E essas são só as afirmações que recordo de cabeça. E já lhe adianto que minha memória não anda assim tão boa como costumava ser.

Hoje mesmo, no dia em que escrevo esta coluna, fiz uma visita ao prédio da Sony Brasil. Em uma entrevista de mais de uma hora de duração, escutei tantas palavras positivas que não pude evitar sair de lá mais confiante de que de costume. É claro que muito do discurso do Anderson Gracias (o gerente geral da operação PlayStation por aqui) é baseado em boas intenções, mas assim mesmo, ele me soou muito mais otimista do que eu poderia esperar.

Os problemas que os executivos das publishers costumam relatar são basicamente os mesmos: o que atrasa o crescimento do mercado no Brasil são os impostos, tanto aqueles que afetam os consoles como os que encarecem os jogos. Videogames no país são taxados como jogos de azar, e isso resulta em impostos muito maiores do que o que seria adequado. Algo semelhante ocorre com os jogos, mas neste caso, isso poderia ser amenizado se os discos fossem prensados em solo brasileiro. A redução não seria sentida imediatamente, mas, em médio prazo, os preços dos games cairiam drasticamente. Imagine uns 30% a menos do que é cobrado atualmente e dá para se ter uma boa ideia do que viria por aí.

Os outros entraves também são burocráticos: por que demora tanto para o Brasil ter redes online de consoles funcionais e operantes, como a Xbox Live e a PSN? Porque questões operacionais dificultam o processo: como pagar pelo conteúdo baixado, como pagar devidamente os fornecedores de conteúdo, e por ai vai. É tudo difícil, muito porque o país não esta acostumado a esse tipo de operação. Ou seja, os problemas existem de verdade. As empresas não estão apenas nos enrolando, nem estão de má vontade. Pelo menos é o que elas nos dizem. Só nos resta acreditar nessas boas intenções e pensar que, não apenas os jogadores querem que as coisas funcionem, mas as fabricantes também. Afinal, elas querem ganhar dinheiro. Não teriam porque fazer corpo mole com tantas oportunidades à disposição.

Meu papel é o de advogado do diabo, mas também de transmissor positivo de informações. Garanto a você que as produtoras de games possuem as melhores intenções para com nosso Brasil dos games. Eles me disseram com todas as letras, e eu estou dando meu voto de confiança, ainda que com um pouquinho de pé atrás. É nosso papel investigar se as coisas estão se desenrolando, ainda que lentamente. Às vezes, é preciso uma forcinha a mais, ou uma iniciativa independente, como é o caso do Jogo Justo, criado e fomentado por gamers que simplesmente se cansaram de esperar sentados pela resolução dos problemas citados.

As empresas, aparentemente, estão fazendo o que podem. Os consumidores se movimentam com as ferramentas que possuem. Qual peça está faltando funcionar? O governo, é claro. Mas não é um único “salvador da pátria” que irá mudar tudo de uma vez só. Estou falando de mudanças de posturas de todos aqueles que cuidam das leis que regem a nação. É preciso que a nossa mensagem seja transmitida a eles, e que seja compreendida e bem interpretada. E que não pensem que somos um bando de moleques crescidos querendo perder tempo com joguinhos. E sim que almejamos o estabelecimento de uma indústria sólida e lucrativa que só tem a trazer benefícios a todos os envolvidos e a todas as camadas subsequentes.

E você aí, já escolheu os candidatos em que irá votar em outubro? Suas escolhas podem fazer uma bela diferença.

* Texto publicado na edição 104 da EGW, agosto de 2010.

Notas relacionadas:

  1. Proximo Games: os planos para o Brasil
  2. Alguns Pensamentos Otimistas Sobre os Games no Brasil
  3. Dos games para… A Fazenda
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
31/08/2010 - 11:48

Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)

Compartilhe: Twitter

Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.

A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.

Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.

A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.

***

Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas,  não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.

Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW:
Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.

Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW:
Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.

E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW:
Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.

No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação  interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW:
Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar.  E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.

Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW:
Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.

Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW:
Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]

Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW:
É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.

E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW:
No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames.  Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.

Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW:
Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial.  Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.

Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW:
Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos.  Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.

Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW:
Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós,  e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.

Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW:
Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.

Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW:
Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.

Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW:
Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Steve Singer (Nintendo of America)
  2. Entrevista da Semana: Eduardo Trivella (D&T p/ PlayStation)
  3. Entrevista da Semana: Shigeru Miyamoto (Nintendo)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
10/08/2010 - 19:48

Entrevista da Semana: Anderson Gracias (Sony Brasil)

Compartilhe: Twitter

Opa, tudo bem?

Vamos direto ao assunto: a Entrevista da Semana de hoje é com Anderson Gracias, o general geral da Divisão PlayStation da Sony Brasil. Conforme você pode imaginar, Anderson é o homem de frente e comanda a grande missão da empresa no Brasil, que é superar a pirataria e o contrabando e instituir as operações oficiais da fabricante do PlayStation em nosso território.

Será que a missão já está ganha? Quais são as cartas escondidas nas mangas? O que o futuro reserva para o Brasil dos games no que depender da Sony? E, mais do que tudo isso, o que realmente importa: e o PlayStation 3 brasileiro, vem ou não vem?

A conversa com Anderson rendeu muito, tanto que nem consegui transcrever tudo para publicar aqui no Gamer.br. Então, fica assim: hoje eu publico metade do papo. Amanhã, por volta da hora do almoço, prometo que você terá uma grande surpresa que irá complementar as lacunas dessa entrevista (por essa você não esperava, hein?). E até o final da semana, publico o restante do papo, que é dos mais interessantes para quem realmente se importa com o futuro do mercado de games no Brasil.

Você já sabe como é. Leia tudo e comente ali no final.

***

Gamer.br: Quais têm sido as dificuldades enfrentadas pela Sony Brasil no que diz respeito aos videogames?
Anderson Gracias:
Há pouco tempo, a Sony Brasil iniciou oficialmente a divisão PlayStation oficialmente – foi em outubro do ano passado. Para nós, PlayStation é importante, tanto que abrimos uma divisão exclusiva. Não é só uma categoria dentro de todo um grande guarda-chuva. O potencial aqui é enorme. Obviamente, estamos passando por uma série de dificuldades que envolvem a tributação e como combater ou inibir esse mercado tão cinza e violento que existe aí fora. No caso do PlayStation 2 estamos falando de pirataria. E no Playstation 3, estamos falando de contrabando e importação “paralela”. É importante dividir as duas coisas: a importação paralela é feita pelo importador independente, que não necessariamente está fazendo algo ilegal. E o contrabando é a chamada “reclassificação fiscal”, subfaturamento. E isso tudo afeta diretamente não só a gente, mas os grandes players do mercado. Tenho certeza de que a Microsoft está passando por isso também.

A Microsoft, aliás, há mais tempo que vocês.
AG:
Há mais tempo que a gente. O Guilherme [Camargo, gerente de marketing da Microsoft Brasil] sofre há muito tempo com isso. Então, a gente está olhando mesmo para o Brasil. Primeiro: a base instalada atualmente é enorme. Se contarmos hardware, software e acessórios, há um potencial diferente em cada plataforma. No PlayStation 2, existe um potencial para legitimar um pouco desse mercado. A base instalada é absurda. São dados estimados, mas estimados por tanta gente que devem ser bem próximos da realidade. Mas falamos de quase 5 milhões de PS2 no Brasil. E se você legitimar uma parte dessa base instalada, já é um grande negócio. Então, o ponto é: o quanto você consegue legitimar? 2, 5, 10, 20%? Aí está o tamanho do seu negócio.

E como você legitima quem já possui o videogame em casa?
AG:
Este é um ponto. Acho que há formas de se conseguir isso. Tem uma questão educacional, e ela é muito difícil, demorada e custosa. Convencer o consumidor de que ele precisa parar de comprar um jogo a R$ 5 e comprar o mesmo jogo a R$ 50… Até você mostrar a ele os benefícios, e educá-lo de que aquilo faz bem para o país dele e para as gerações futuras, ou seja, para os filhos dele – isso é muito complicado. Então a gente tem que identificar a pequena porção de clientes que está disposta a ouvir essa história e que tem um nível de consciência compatível com o que a gente pretende fazer. Mas é muito difícil.

Você diria que no máximo 20% da base instalada estaria disposta a mudar de hábitos?
AG:
Já seria um grande negócio. A gente pode desenhar planos com percentuais que aumentam gradativamente. Em contrapartida, vem a questão do ciclo de vida do PlayStation 2. Muitos falam que o console teria mais dois ou três anos de vida. Pode ser que isso seja verdade fora do Brasil. Mas se a gente olhar para a classe social C, tão crescente no Brasil, será que o PS2 não pode ser uma grande plataforma de entretenimento para a família? É um produto que você pode jogar online, é o seu DVD player e o seu videogame, com uma infinidade de jogos disponíveis. Esse trabalho teria foco direto no consumidor.
Além disso, há questões com o governo, com o comércio informal… É impressionante o tamanho desse mercado que envolve pirataria e contrabando – não só um nem só o outro, mas os dois. E em jogos, acho que isso está muito pesado. Se a gente conseguisse, junto às autoridades, provar que existe uma possibilidade de arrecadação grande de impostos, muito maior do que é feita hoje, apenas reclassificando o produto, e não reduzindo impostos… A questão da “redução” talvez não seja o approach mais correto, mas sim uma “reclassificação”. O videogame, você sabe, vem para o Brasil como se fosse jogo de azar. Enfim, não faz sentido. Não dá para um console de videogame voltado para o entretenimento familiar ser considerado semelhante a uma máquina de vídeo pôquer, com esses 50% de IPI [Impostos sobre Produtos Industrializados]. Não tem essa necessidade. E isso fomenta o mercado paralelo, a importação paralela, o contrabando e a pirataria. A gente tem agora um trabalho educacional, no consumidor, e também com o governo.
Voltando às ações que podemos tomar: por exemplo, me deixe bloquear seu console novamente, e com isso eu lhe proporciono descontos gradativos em jogos. Ou eu volto a te dar uma garantia do console que você trouxe de fora… Ainda estamos pensando em tudo o que for possível. Talvez legitimar seja o mais difícil a ser feito, então temos que pensar em todas as alternativas para isso.

E com os outros consoles da Sony, qual é a atual situação?
AG:
O PSP vai acontecer. A Sony está trabalhando nas certificações agora, tem Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] rolando. Passando por essa fase de certificação, ele estará pronto para ser viabilizado no país. A gente não vai fazer absolutamente que não esteja em conformidade com a legislação brasileira. A Anatel e o Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial] para nós, são grandes parceiros. E a gente também espera a contrapartida: que a Anatel e o Inmetro nos ajudem, olhando para o restante do mercado e o que está sendo colocado na casa do consumidor e que talvez não esteja em conformidade com a legislação. É uma obrigação da indústria colocar no mercado um console que resista a um pico de energia coerente com a nossa infraestrutura.

De maneira prática, falando da Anatel e do Inmetro, quanto tempo leva para um aparelho aprovado por esses órgãos ser, enfim, comercializado?
AG:
Não é demorado. Na verdade, o Inmetro cuida da regulamentação do cabo. Já a Anatel também não é um processo longo. Quando você dá entrada no produto, também é preciso verificar se está tudo pronto para ele ser lançado… Uma coisa é a homologação da Anatel, outra coisa é a empresa estar pronta para vendê-lo. Em 60 dias, você coloca e tira um produto testado e aprovado ou não pela Anatel. Eles testam não só o wi-fi, mas tem também um teste de kV, que é o de pico de energia. A gente não teve dificuldades. O que tivemos sim, em primeiro momento, foi acertar o produto para ele resistir à regulamentação brasileira. Mas por parte desses órgãos, não. Foi tudo feito de maneira transparente e rápida.

Houve algum tipo de modificação no PlayStation 3 para ele estar apto a passar pelo crivo da Anatel?
AG:
Sim. Tecnicamente não posso detalhar, mas houve adaptações, principalmente na questão da energia. Porque o teste feito no Brasil é muito mais exigente. A Anatel é exigente nessa questão – se não me engano, ela aplica 2 kVs de pico de energia e o produto tem que resistir – ele não pode colocar em risco a sua infraestrutura domiciliar. Então, tivemos que fazer mudanças.

E tanto o PSP quanto o PS3 já passaram por todas essas aprovações?
AG:
O PSP está nesse processo. O Playstation 3 já foi.

Falou-se muito que essa aprovação da Anatel estaria atrasando o lançamento do PS3 no Brasil. Agora o que vocês estão fazendo? Aparando as arestas?
AG:
É importante deixar claro a verdade: não é a Anatel. Foi um processo necessário, mas não foi isso que talvez tenha atrasado o lançamento. Se é que a gente pode chamar de atraso, porque são varias etapas para cumprir até que consigamos lançar o produto. E uma das principais etapas é o varejo, fazer com que o varejo esteja preparado para receber e vender o produto oficial da Sony Brasil.
Este é um assunto bem delicado. Existe hoje uma base instalada nos depósitos do varejo, de produtos que foram importados. A gente está atuando em parceria com os varejistas, para que eles possam vender o estoque que têm e começar logo a trabalhar com o produto oficial da Sony Brasil. Muitos dos varejistas não sabem que aquele produto que está no estoque não está em conformidade com a regulamentação local. Acho até que há varejistas que sabem, mas muitos não sabem: ele comprou o produto e possui a documentação daquele produto que a Sony Brasil não oferecia antes a ele. O ponto é: quem vendeu a ele que talvez não tenha feito o trabalho adequado. Porque quem vendeu deveria ser o responsável pelo produto.
Estamos passando agora por essa etapa, de preparar o varejo. E isso inclui preparar a loja. Como é que está o PlayStation no mercado brasileiro? Você vai a uma loja grande e encontrará o videogame dentro de um balcão, trancado e com um vidro na frente. Absolutamente nada de “hands-on”, nenhum trabalho adequado para o consumidor gamer… E o que seria isso? A possibilidade de testar o jogo dentro da loja. Estamos fazendo investimento em displays, espaços PlayStation com o produto ligado a um LCD, ou home theater, com uma variedade de jogos e acessórios. O consumidor entra e pode experimentar, se conectar e tudo o mais. É justo mostrar tudo isso dentro da loja. O consumidor brasileiro merece esse respeito.

Você tocou em um ponto interessante sobre o varejista ter que queimar seu estoque. Existe uma possibilidade de a Sony Brasil ajudá-lo nesse processo, seja substituindo esses consoles “não-oficiais” pelos chamados “oficiais”?
AG:
Esse são produtos “não conforme”, né? Eu não consigo colocar aquele produto em conformidade. Não existe uma obrigatoriedade por parte do varejista em se comprometer somente com os nossos produtos. A Sony Brasil não tem esse poder. Mas é aí que vamos ver quem são e quem não são os parceiros. O que está claro para cada um dos varejistas é que aquele produto não está conforme. A partir do momento que você só tem produtos “não conformes”, há uma certa realidade. Quando começa a existir o produto “conforme” e o “não conforme”, o consumidor vai saber que existe um que está adequado e outro que não está. E os órgãos públicos, que deveriam trabalhar esse tipo de problema, também saberão. Porque até hoje, todos os PlayStation que estão por aí são iguais. A partir do momento em que eu colocar à venda o primeiro PS3 em conformidade com a regulamentação brasileira, você passa a ter dois tipos de produtos. E é uma opção do varejo, trabalhar com o produto correto ou com o produto errado. Os riscos são dele. Existe o risco de fiscalização? Eu acredito que sim. Ela nunca vai ser da Sony – a empresa não tem esse papel de fiscalizar e apreender. Mas existem outros órgãos que possuem essa responsabilidade. E o varejo sabe disso, e quem não sabe ficará sabendo. Será uma opção dele trabalhar corretamente ou como se faz hoje em dia.

Vocês sabem que o consumidor também terá uma opção de escolher entre esses dois produtos, já que é bem possível que exista uma discrepância nos preços. O varejista consegue vender esse console que trouxe por debaixo dos panos por um preço mais em conta, porque ele pulou diversas taxações. E como se combate esse tipo de coisa, já que o Playstation 3 oficial da Sony Brasil certamente será bem mais caro?
AG:
Esse é um dos grandes desafios. Vamos fazer de maneira extremamente transparente. A gente vai mostrar porque o nosso produto custa mais caro. Claro que eu não tenho o preço final ainda para lhe dizer, mas estamos brigando para que ele seja o mais baixo possível. E é aquela questão do fair play: como é que você enfrenta um produto que foi subfaturato e reclassificado, ou até mesmo um console “refurbished” [literalmente, “recauchutado”]?

Vocês, como Sony, não podem fazer muito nesse sentido?
AG:
Não. É uma questão legal, governamental, com as alfândegas. É o tipo de trabalho que eu até entendo que existam ações sendo feitas em diferentes frentes, para que o contrabando e a importação paralela sejam evitados ou diminuídos. Mas isso não parte só da gente, mas de todo um ecossistema. Nós entendemos que o varejo possui responsabilidade social, um dever para com a sua comunidade, e esperamos que eles entendam que o correto é fazer assim. E aí é que eles serão grandes parceiros nossos. Muitos varejistas já estão no jogo com a gente desde o primeiro momento. Eu e você sabemos como funciona imposto, e o porquê de eles existirem. Se eles são altos ou não, essa é outra discussão. Mas o porquê da existência desse imposto e para onde o dinheiro vai, todo mundo sabe. Não pagar imposto, todos sabem que é ilegal. Então se você quer participar desse esquema, é uma opção sua. A gente não vai participar. E não vamos permitir que quem participe esteja do nosso lado. Vai ser uma seleção natural.

Falemos finalmente sobre o Playstation 3. Imagino que exista muita coisa que você não pode falar agora, mas queria que você detalhasse tudo o que for possível.
AG:
Com relação à data, eu posso lhe dizer o seguinte: eu mesmo havia dito “primeiro semestre”, e a gente não conseguiu – o primeiro semestre já acabou. Mas ele está chegando. Em questão de semanas. Vai ser [um lançamento] maciço? Não, não vai. E por que não vai ser? Nós vamos gradativamente ganhando corpo. E porque existe toda essa gordura pra ser queimada, de produtos paralelos.
Resumindo, o produto brasileiro não terá montagem por aqui: ele vem lacrado, já preparado com essa homologação, ou seja, sai de sua origem já com o selo da Anatel. O cabo a gente fabrica por aqui. E ele vem com a embalagem e manual em português e o cartão de garantia da Sony Brasil. A única mudança que fazemos na localização é a troca do cabo original pelo cabo homologado pelo Inmetro. E o produto brasileiro também tem um selo holográfico, para realmente diferenciar o produto daqui do não-oficial.

A embalagem e o manual serão impressos aqui?
AG:
Depende do lote. Em alguns casos, imprimimos o manual aqui. Em outros, isso é feito fora. Até nisso temos alguns cuidados: a Sony Brasil só trabalha com “green packers”, então qualquer coisa que eu imprimir tem que ser livre de cádmio etc. Tudo isso significa que estamos olhando para o nosso país e pensando no que é melhor para o consumidor. Mas isso nem todos fazem. Já vi produtos cujo manual de instrução é uma xerox. Isso é desrespeito ao consumidor. E o consumidor pode dizer: “Eu prefiro isso tudo para pagar mais barato”. É uma opção do consumidor? É. Tudo o que é feito para deixar o produto em conforme tem custos. E por isso a gente vai gradativamente tentar diminuir esse “gap” entre o preço que existe hoje no mercado e o preço com que a gente vai lançar.

As fabricantes que já estão no Brasil costumam culpar os impostos como os culpados pelos preços altos dos consoles no Brasil. Quando vocês divulgarem o preço do Playstation 3, certamente o público irá reclamar. O vilão é esse mesmo?
AG:
O grande vilão é a carga tributária.

E sobre essas iniciativas que tentam reduzir a carga tributária – a Jogo Justo por exemplo: se derem resultados, o consumidor iria perceber a diferença na hora?
AG:
Imediatamente. Se o imposto for revisto, ou se o videogame for reclassificado para outra categoria, certamente sim. Porque falar sobre “redução” em ano de eleição é pedir para encerrar qualquer reunião [risos]. Falar em reclassificação é o approach mais adequado. Meu produto não é um jogo de azar, é um produto de entretenimento familiar. Essa é a diferença. Repetindo: o consumidor perceberia imediatamente. Obviamente que todas as outras coisas que mencionei acarretam em custos, mas a gente consegue absorver muito disso. Agora, o grande vilão é o imposto, sem dúvida alguma.

***

Leia a segunda parte da entrevista com Anderson Gracias aqui
.

***

E aproveitando, não perca o Debate MTV hoje, 22H30. Estarei lá. O tema? Games, é claro.

Notas relacionadas:

  1. Sony inicia venda oficial de games no Brasil – menos o PlayStation 3
  2. Sony lança MAG no Brasil – com manual em português
  3. A Nintendo no Brasil, a Sony em 3D, as idas e vindas do mercado
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
22/07/2010 - 17:58

A Sony, a Gameloft, a Blizzard, o Kinect, o Jogo Justo…

Compartilhe: Twitter

Vamos na velocidade da luz, porque o tempo corre.

Você deve imaginar que quando eu sumo é por um bom motivo, não? No caso, é a semana do meu fechamento (da Rolling Stone). E a matéria que tenho em mãos não é lá muito moleza. Estarei mergulhado nela até a semana que vem. Então agüente mais um pouco que logo voltaremos à programação normal.

Enquanto isso, deixo umas pílulas de sabedoria e informação para você refletir a respeito.

* Hoje realizei uma entrevista com o Anderson Gracias, o General Manager da Divisão Playstation da Sony Brasil. O papo foi bom, muito bom, e bastante revelador. Não pense que saí do prédio da Sony com a data de lançamento e o preço brasileiro do Playstation 3. Foi quase isso, mas nem tanto. Você sabe como a Sony é cuidadosa a respeito de suas divulgações. Mas foi bastante esclarecedor de um modo geral, esclareceu mais sobre como a Sony vai trabalhar no Brasil e me deixou otimista sobre os tempos vindouros. Faço questão de dividir a íntegra daconversa em breve aqui no blog.

* Na terça-feira que vem rola o aguardado lançamento de Starcraft II: Wings of Liberty no Brasil. E a Blizzard obviamente não fará pouco barulho para divulgar o fato. À meia-noite de segunda para terça (26 para 27/7), haverá um evento de lançamento do game na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi (SP). Está prevista a presença do Fausto de Martini, brasileiro que trabalha na equipe de animação da Blizzard, que distribuirá autógrafos no game e responderá a questões vindas do público.  As vendas rolam a partir da meia-noite, mas o evento já começa às 22h.

Ah, sim! Vá de pijama.

Não vá não. É brincadeira.

* A Gameloft, produtora de games mobile, também me pediu para divulgar uma ação de marketing deles que achei simpática: a ideia é divulgar o perfil de Twitter da empresa e distribuir prêmios à medida que a quantidade de seguidores aumenta. Leia as regras aqui e siga os caras por aqui.

* No final de semana passado rolaram eventos de games em São Paulo – isso mesmo, no plural. O SP Game Show (dentro do Anime Friends) e o Festival do Japão (com o Akiba Space, que teve a final do World Cosplay Summit e a primeira demonstração do Kinect em solo brasileiro). Ambos renderam bastante assunto e você já deve ter se cansado de ler sobre isso, imagino. Como perdi o timing, não vou falar muito mais além do que já foi dito. E além disso, você deve estar mais interessado na ComicCon nesse instante. Então, leia o que os colegas do Arena Turbo disseram sobre o SP Game Show e sobre o Kinect .

Sobre o WCS, eu tento falar logo mais (eu fui jurado).

* Que mais? Deve ter bem mais, mas me esqueci agora. Ah, sim.

* Ao que parece, o Jogo Justo está bombando. Novos parceiros da empreitada de Moacyr Alves para a redução de preços de games não param de surgir. Acompanhe o progresso da iniciativa no site oficial.  E amanhã é dia de campanha no Twitter.

***

E agora vou ali matar mais uns leões. Volto logo com mais.

Notas relacionadas:

  1. E o Kinect vai custar…
  2. Quem quer jogar Kinect?
  3. Entrevista da Semana: Moacyr Alves (Jogo Justo)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
13/07/2010 - 18:26

Entrevista da Semana: Moacyr Alves (Jogo Justo)

Compartilhe: Twitter

Fazia tempo que eu não publicava uma Entrevista da Semana aqui no Gamer.br. Material não falta (falta é tempo para tirar as entrevistas do gravador, confesso). Mas aos pouquinhos vou colocando tudo por aqui. Pode me cobrar depois.  Ou melhor, não cobre não. Vou cumprir.

Hoje, o papo foi com o Moacyr Alves. Talvez você não o conheça, mas irá ouvir falar bastante sobre a iniciativa que ele criou, a Jogo Justo. Colecionador de games conhecido de todo mundo, cara naturalmente engajado e gente boa, Moacyr meteu na cabeça que os preços de games e consoles precisam ser mais baixos no Brasil. Daí, em 2009, ele juntou uns amigos, organizou uma lista de discussão, fez lobby, deu a cara para bater… e conseguiu. Ou melhor, ainda não conseguiu – mas deu belos passos adiante.

Atualmente, o Jogo Justo tem o apoio de um deputado federal do Rio Grande do Sul. Aliás, ele em pessoa fará sua primeira divulgação oficial a favor do projeto amanhã, em uma entrevista coletiva na unidade Lapa da Saga (escola de desenvolvimento de games), a partir de 12h30.

Por conta disso (e para dar uma força ao projeto também, claro), bati um papo com o Moacyr para esclarecer melhor qual é a desse Jogo Justo, quais são as reais propostas, e o que nós, consumidores, podemos esperar de resultados. Confira abaixo a conversa e não deixe de comentar no final:

***

Gamer.br: Do que se trata a iniciativa Jogo Justo afinal?
Moacyr Alves:
O jogo justo é uma iniciativa minha em conjunto com várias pessoas do ramo dos games, como jornalistas, distribuidores, lojas e acadêmicos, para um definitiva redução nos impostos dos games, para tornar nosso pais mais atrativo para as empresas do ramo e também para marcar nosso pais como grande consumidor e investidor na área. Há tempos percebi que o Brasil é um grande consumidor “informal” de games. Imagine se pudéssemos colocar todos na formalidade, com certeza o Brasil estaria no topo dos grandes consumidores.
Basta fazer uma pequena comparação: se o jogo aqui custa R$ 250,00 e muitos compram, quantos não comprariam se eles fossem [vendidos] de R$ 80,00 a R$ 100,00. É isso que eu viso com o jogo justo, ou seja, uma redução significativa nos impostos nos games, para alavancar o mercado nacional.

Sabemos que você já está movimentando o Jogo Justo há vários meses. Quais foram as iniciativas tomadas, e o que mudou de lá para cá?
MA:
Na verdade, o Jogo Justo já nasceu há um ano e meio. Nesse meio período, eu vim amadurecendo a ideia e formando aliados para a causa. A primeira iniciativa tomada foi a criação de uma lista com os grandes nomes da indústria, do meio acadêmico e do jornalismo de games, para ter debate e ver quais seriam os melhores rumos para uma tributação justa nos videogames. Depois dela formada, parti em busca de apoio político, porque seria vital para o projeto. Após alguns fatos que tive que suportar, finalmente encontramos um candidato para apoiar a causa. E finalmente estou em fase final para mostrar o Jogo Justo às autoridades responsáveis.

Como está sendo a reação das pessoas ligadas à área política em relação ao Jogo Justo? Alguma surpresa ou reação inesperada até agora?
MA:
Várias nesse sentido. Posso dizer claramente que tanto o Deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS) como todo o seu gabinete estão dando toda a atenção a esse projeto que conta com apoio já de toda a indústria e da comunidade de jogadores, mas a minha maior surpresa foi justamente um dos chefes de gabinete de um dos deputados – que tinha batido a porta na minha cara – voltar e dizer que também queria apoiar o projeto… Claro que nesse caso, eu fui bem mais educado do que ele e disse apenas “já temos nosso candidato”.

Qual é a história desse deputado que o apoia? E você poderia dizer quem é o deputado que mudou de ideia?
MA:
Ele é do PTB e também é vice-líder desse partido na Câmara dos Deputados. O Luiz é um dos cem deputados em ascensão na Câmara e acredite, ele faz por merecer. Agora, quanto ao deputado que mudou de ideia, esse não vou mencionar, mas se algum dia ele ler essa matéria, acho que irá ficar bem arrependido de não ter comprado essa briga antes.

Efetivamente, o que se espera que esses políticos façam com o seu projeto?
MA:
Bom, já demonstrei para o Sr. Luiz como a indústria pode crescer se tivermos uma verdadeira redução nos preços dos jogos e consoles no Brasil, então com isso espero efetivamente duas coisas: 1. Ou que se reduza a carga tributaria dos games a no máximo 8%, fazendo com isso um aquecimento interno geral, onde todos possam ganhar, inclusive o próprio governo, com o desestímulo da pirataria nacional; 2. Que se coloque os games como cultura, o que para mim na verdade eles são, reduzindo assim também a carga tributária para no máximo 3% e tendo as mesmas reações mencionadas na primeira alternativa.

Esse projeto visa especialmente reduzir o preço final dos consoles de ponta, ou há também a intenção de reduzir os preços dos games? Porque é sabido que a carga tributária afeta principalmente os preços dos consoles…
MA:
O projeto visa a redução dos videogames, consoles e jogos em geral. Na verdade, os maiores vilões sem dúvida alguma são os impostos. Os games estão englobados como jogos de azar, por isso que tem impostos tão altos. Com uma redução efetiva, vamos deixar de ser um mercado praticamente inexistente para ser um mercado em ascensão, como aconteceu com o México há alguns poucos anos. E na minha opinião, temos muito mais capacidade do que o México em termos de jogos, e não duvido nada que temos mais capacitação até na área de criação de games. Estive visitando algumas escolas de games e fiquei impressionado com que os alunos brasileiros estavam fazendo. Com o Jogo Justo, viso também que o País cresça em matéria de produção de games.

Qual é o prazo para o Jogo Justo começar a repercutir e fazer efeito? Teremos que esperar o desfecho das eleições?
MA:
Não, o Jogo Justo andará independente de eleições. O prazo pode ser de duas maneiras:
1. Imediato, se conseguirmos convencer o secretário da Receita Federal;
2. Se não, por projeto de lei. Porém, nessa alternativa, devido à demora para a votação e apreciação, teria que haver um movimento popular para votação acontecer o mais rápido o possível do projeto, porém, teria que haver pressão da população para a Câmara votar mais rápido.

E o que o público consumidor pode fazer para ajudar essa campanha?
MA:
O público pode entrar em contato comigo pela pagina do Jogo Justo e também divulgar onde for possível – blogs etc. Quanto mais puderem fazer em matéria de divulgação, melhor.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Jocelyn Auricchio (O Estado de SP)
  2. Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)
  3. Entrevista da Semana: Nelson Alves Jr. (Revista Xbox 360)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
Voltar ao topo