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11/08/2009 - 20:37

Entrevista da Semana: Gus Lanzetta

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A Entrevista da Semana da vez é com Gus Lanzetta, um dos fundadores do site de podcasts Audiogame. Hoje um dos nomes mais atuantes da nova safra da imprensa de games, ele passou dois anos utilizando uma boa dose de talento e cara-de-pau para popularizar o podcast em nosso mercado. Funcionou. Hoje, o site está aposentado, mas Lanzetta, 19 anos, continua insistindo no formato no site da MTV, além de assinar textos em publicações impressas e digitais – sempre exagerando na sinceridade e colecionando desafetos.

Confira a entrevista – polêmica, é claro – e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você faz parte de um grupo de profissionais cada vez mais típico: o leitor que se tornou produtor de conteúdo. Como aconteceu essa transição?

Gustavo Lanzetta: Bom, eu fazia lá o Audiogame e decidi que só um podcast não preenchia bem o site. Assim comecei a escrever umas noticiazinhas aqui e ali, um reviewzinho, coisas assim.

Sendo mais específico: quando passou pela sua cabeça, lendo revistas, vendo sites, que você poderia fazer o seu você mesmo?
GL: Nunca passou pela minha cabeça desse jeito. Eu gostava muito do podcast da Gamespot na época. Aí eu e o Batalha decidimos fazer nosso prórprio podcast. Isso sem nem me tocar que eu estava fazendo o trabalho que eu acompanhava desde pequeno. Só fui me tocar que eu era um jornalista de games quando já estava escrevendo para as revistas da Futuro [Comunicação].

O que você pensou exatamente quando convidaram você para escrever lá? Algo como “foi mais fácil do que eu pensava”?
GL:
Um pouco isso, mas o grande sentimento era de “Meu deus! Eu to escrevendo pras revistas que eu lia! Caramba!”.

O que significa isso hoje, na prática, agora que você já tem uma certa rodagem?
GL:
Ah, é incrível. Não me vejo fazendo outra coisa, mas ao mesmo tempo é algo que nunca tinha me passado pela cabeça como possibilidade de emprego, quanto menos de carreira. Passei a vida inteira (como filho de jornalistas) falando pra todo mundo que perguntava que eu nunca seria um. E mesmo quando saquei que queria trabalhar com games eu achava que queria fazê-los, mas depois de um tempo escrevendo sobre a indústria eu percebi que era isso que eu queria.

Voltemos ao seu primeiro projeto, o Audiogame. Como surgiu a ideia de fazer? Por que você acha que quase ninguém fazia algo parecido no Brasil? Desinformação?
GL:
A idéia surgiu, coincidentemente, no mesmo dia pra mim e para o Batalha. Eu estava pensando em fazer um podcast no estilo do Hotspot, do qual ele também era fã. E nesse dia conversamos sobre a ideia e umas duas semanas depois, em 1 de agosto de 2006, nós gravamos o primeiro Audiogame, com dois headsets baratinhos e um adaptador de 1 real para ligar os dois ao mesmo tempo no meu computador. Quanto à falta de podcasts na época, acho que não era por falta de informação, mas falta de iniciativa. Os podcasts estavam começando a fazer sucesso lá fora, principalmente os de games, mas aqui pouca gente ouvia e muita gente não entendia a proposta. Vi muita gente reclamando que o Audiogame era inútil pois eles já haviam lido as notícias durante a semana, mas a idéia não era só informar, era discutir as notícias, fazer uma conversa legal rolar em cima dum tema que interessava o público. Hoje em dia o pessoal já entendeu/aceitou melhor e tem podcasts de games brasileiros com muitos ouvintes.

Antes, era um projeto de vocês. Depois, surgiu a ideia de chamar jornalistas para participar. Como foi?
GL:
Bom, começamos a escrever para as publicações da Futuro por causa do Audiogame. E depois de um tempo “lá dentro” veio a idéia de aproveitar o contato com esses profissionais da área para adicionar conteúdo e novidade aos podcasts. No começo eram participações mais esporádicas, mas com o tempo o negócio foi ficando mais fixo, depois de um tempo estávamos fazendo o podcast da Nintendo World, do Herói e outros, além do Audiogame “Classic”. Nessa época é que rolou contato com o pessoal da editora Europa, já que o Fabão [Santana] tinha ido trabalhar lá e aí o [Gustavo] Petró chamou a gente pra ir gravar um podcast com eles. Assim surgiu o Audiogameblog. Com a ida do [Rodrigo] Guerra para a editora Digerati, rolou o contato para fazer os podcasts de games deles, que fizemos até o fim do Audiogame.

Como você define a maneira como os profissionais te receberam? Você acha que foi algo normal? Ao que você atribui isso, essa “acolhida”?
GL:
Acho que fui recebido muito bem por todos quando comecei a escrever sobre games em revistas. E até mesmo antes disso, afinal eu fui convidado a escrever lá. Isso tudo acho que é resultado de eu ter mostrado o que já sabia fazer através do site do Audiogame e o fato do Audiogame existir já mostrava que tínhamos iniciativa. Em momento algum fomos garotos chatos que ficavam pedindo pra escrever algo na revista. A gente fez algo nosso e isso chamou a atenção do pessoal. Não que eu negue que eu seja chato, que muita gente não me receba nem no boteco da esquina e que, depois de começar a escrever sobre games, eu não tenha implorado por frilas.

A vida de frila no Brasil é impossível? quero dizer, você se sente obrigado a ter um emprego fixo ou uma marca própria funcionando para ter crédito no mercado?
GL:
Acho que a vida de frila é complicada. Ela até é possível, mas trabalhando muito e escrevendo muita porcaria, sabe? Pra se virar como frila, você tem que escrever qualquer coisa, detonadinho, detonadão, reviews ruins, matérias patrocinadinhas do estilo “coisas legais que são caras, mas eu vou te falar porque elas são legais”. Coisas que ninguém GOSTA de fazer e que acabam dando uma cara mais feia ao jornalismo de games. Também acho que é difícil conseguir espaço suficiente hoje em dia para receber tantos frilas quanto se precisa para tirar uma grana legal. As publicações têm seus fixos e não precisam de material o suficiente pra sustentar uns três ou quatro caras.
Acho que marca própria é mais roubada ainda. Não sei se dá pra ganhar dinheiro com um site de games com o Brasil, pelo menos por enquanto. O Continue e o Gamerview tão aí e um deles eu espero que dê certo (dica: eu tenho uma coluna no que eu quero que dê certo), mas não vi indícios ainda de que teremos bons sites “se pagando” aqui no Brasil. Espero que isso mude.
Quanto a um emprego fixo: eu quero, todo mundo quer. Eu repito: EU QUERO (alguém aí tá me ouvindo? Alô!). Acho que trabalhar numa redação é muito mais legal do que ficar de cueca em casa postando num blog. Acho que a hierarquia duma publicação serve para centrar a pessoa, guiar, etc. Mas isso vai de cada um, tem gente que não suporta e quer mesmo é trabalhar do lado da cama, parando pra bater uma punheta de vez em quando.

Do ponto de vista de alguém que consumia, e hoje produz: como é o jornalismo especializado no Brasil hoje? O fato de o diploma agora não ser mais obrigatório mudará alguma coisa? E para você?
GL:
Acho que, como você mesmo fala, o jornalismo de games no Brasil é muito chapa branca. Todo mundo tem medo de “ofender”, de irritar uma empresa. Não acho que antagonizar deve ser a norma, acho que avaliar os fatos deve ser a norma. Fez merda? Ué, eu vou falar disso. Mas aí rola um círculo vicioso, o jornalista paparica a empresa, a empresa se acostuma a um mundo infantilizado onde uma nota ruim é algo pelo qual se pede desculpas, ou é coisa que, pra alguns editores aí “não se faz pra não comprar briga”. Acho isso deplorável, acho que o jornalismo de games precisa crescer, amadurecer, aprender a ser honesto e, quem sabe um dia, ser combativo. Eu tô fazendo minha parte, mas enquanto essa for só a MINHA parte, eu vou ser o gordo louco que só reclama. Por mim tudo bem, eu sou mesmo.
Quanto ao diploma, pra mim não muda nada, nem pro leitor, nem pros jornalistas. Como em todo o jornalismo, o jornalismo de games está cheio de profissionais não-diplomados ou diplomados em outra coisa. Alguns são bons e outros não, mas normalmente é mais fácil um incompetente se esconder atrás de um diploma de jornalismo do que de um comprovante de conclusão do supletivo.
Para mim, muda menos ainda: nunca quis diploma, continuo não querendo. Quer dizer, se me derem um, eu não vendo no Mercado Livre.

Você tem alguma saída para o jornalismo no Brasil ser menos chapa-branca, mais combativo? Como fazer, se as empresas que podem ser criticadas também são as mesmas que anunciam?
GL:
Aí entram dois fatores: 1. As revistas precisam dos anúncios, mas as empresas também precisam anunciar, ainda mais em veículos especializados; 2. É preciso esforçar-se muito mais em ir atrás de anunciantes de fora do mundo dos games; 3. Eu não trabalho com venda de anúncio, marketing e essas merdas, então eu não sei de nada. MEU NEGÓCIO É JOGUINHO!

Você acha mais confortável estar nessa posição de não depender exatamente do apoio do anunciante para trabalhar? ou preferiria estar em outra posição?
GL:
Bom, todos dependemos da grana de anunciantes, mas eu nunca quero estar na posição de correr atrás deles. Quero que haja muitos anunciantes sempre, assim haverá grana para me pagar. Mas se eu preferiria estar em outra posição? Sim, prefiro estar empregado, porque aí não preciso correr atrás de frilas o tempo inteiro.

Como seria hoje o emprego perfeito? Ou o veículo?
GL:
Não sei se o veículo perfeito existe. Mas acho que um emprego “perfeito” seria ser pago para escrever sobre essas besteiras das quais eu entendo, seja games, filmes, música, a gloriosa cidade de Imbé, no Rio Grande do Sul… Pô, acharia do caralho ser pago pra escrever umas críticas de filmes, games etc. E ao mesmo tempo poder bolar conteúdo original, notícias, matérias, entrevistas. Pautas interessantes escritas de maneira diferente, porque o jornalismo de games das revistas hoje em dia é muito formuláico e sem sal. Mas tem muita gente que gosta de fazer conteúdo assim, sem ter que pensar muito.

Como rolou de ir para a E3 sozinho? O que te compeliu a fazer? Você recomendaria pra qualquer um?
GL:
Bom, o sonho de ir para a E3 é velho, desde pequeno eu lia sobre a feira nas revistas de games e parecia o evento mais legal do mundo (spoiler: e é!). Então quando a E3 sofreu aquele downsizing em 2007 e 2008 eu fiquei muito triste, pois achei que nunca iria visitar a E3 dos meus sonhos. Mas quando soube que ela ia voltar a ser uma extravagância, eu sabia que eu precisava ir.
Então desde o fim de 2008 eu estava me preparando para ir, me registrei logo que o processo de inscrição foi aberto, comecei a organizar horários e tal. A parte mais difícil foi arranjar frilas para cobrir os custos da viagem, mas felizmente consegui (aí você me levou na Virgin Megastore só para eu me endividar todo). Adorei ir, adorei os textos que pude produzir por ter ido e pude aprender muito sobre como o evento funciona, ou seja: estou preparado pra fazer muito mais no ano que vem.
Eu recomendo sim, especialmente pra quem já trabalha nesse meio. E já dou a dica: não fique muito apegado ao respeito que as empresas empregam no tratamento dos jornalistas lá, só dura pelos quatro dias da E3. Depois você volta para o Brasil e aqui não tem disso. Mas é uma puta experiência para se divertir. E trabalhar muito, mas pra mim os dois se misturaram pra caramba. É que eu sou muito nerd mesmo.

Qual você prefere, para consumir e para trabalhar: revista, site, TV ou tudo isso junto? Ou nenhum deles?
GL:
Consumo muito conteúdo pela internet, principalmente em texto, mas um bom site é parte revista e parte TV. E acho que hoje em dia, uma boa revista precisa de um bom site. A presença do veículo não pode se limitar àquelas 100 páginas mensais, que são estáticas. Um site é um puta pilar na estrutura de uma publicação, mesmo uma que seja primariamente impressa. Eu ainda tenho fetiche por revistas, mas leio poucas, porque no final das contas papel é papel, o diferencial é o conteúdo.
Para trabalhar eu estaria satisfeito em qualquer um dos três, talvez não tanto somente em TV, porque acho que a escrita é muito importante pra mim e é uma forma de comunicação onde se pode controlar todo o produto. Quando eu escrevo uma crítica, os limites impostos a ela são impostos por mim, já outras linguagens dependem de mais gente, mais trabalho. Já escrever é saber falar.

Onde você se enxerga, profissionalmente, daqui alguns anos?
GL:
É difícil dizer, o mercado ainda está muito pirado, surgem coisas do nada, projetos dão errado etc. Sem contar que eu não sou um cara muito bom de futuro e essas coisas, eu fico mais de olho no almoço de amanhã. Mas certamente gostaria de estar numa posição mais estável, como redator ou editor em alguma publicação (online ou não).

Vendo como funciona a rotina de um jornalista hoje, você consideraria fazer uma faculdade, mesmo que seja “apenas” para ajudar na sua formação?
GL:
Não considero hoje pela mesma razão que nunca considerei: Pra mim, o sistema de aulas/provas/trabalho nunca deu muito certo. Terminar o colégio já foi um sacrifício e acho que me estressaria demais ao entrar de novo numa rotina dessas. Acho que a faculdade continua sendo uma maneira válida de se aprender muita coisa, mas eu decidi tentar aprender na marra. Acho que tem dado certo.

Se você que quisesse que tivessem lhe dado um conselho antes de entrar nesse mercado, qual seria?
GL:
“They Don’t Really Care About Us” [risos]. É difícil pensar em um conselho, mas um aviso sobre o quanto a imprensa de games é ABANDONADA pelas empresas de games.

E qual conselho você daria pros jovens empreendedores como você?
GL:
Corram! Passem longe do jornalismo de games. Mas se você realmente não consegue pensar em fazer outra coisa, aprenda a escrever. E tenha sempre em mente que se é pra fazer, faça direito, não seja aquele cara que vai em coletivas pra ganhar brindes e cafezinho de graça. Não seja “ista”, não seja puxa saco de ninguém (muito menos de empresas) e lembre-se de desconfiar de todo mundo (especialmente de empresas). E antes de se aglomerar com um bando de amiguinhos virtuais pra criar um blog, pense se isso vai te servir de algo, se isso vale a pena ou se é melhor criar um blog pessoal pra servir de portfólio.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)
  2. Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)
  3. Entrevista da Semana: Felipe Azevedo (NGamer)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
18/12/2006 - 19:38

Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)

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Segunda, você sabe, é o dia de lamentar o final do final de semana. E também de ler uma caprichada Entrevista da Semana. O eleito da vez é o Fabio Santana, editor da revista EGM Brasil e um dos mais conceituados jornalistas de games do país. Fabão fala (e muito!) sobre tudo e mais um pouco, e você confere esta longa e instigante conversa a seguir:

Gamer.Br: Você trabalha há dez anos no mercado editorial de games. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Fabio Santana: Muito. Digo isso como leitor e como profissional também. O mercado amadureceu e, em vez de pilotos e revistas de detonados, temos jornalistas e publicações voltadas para um público mais velho. Dá gosto de ler. No lado da criação, melhorou o acesso às informações. Hoje, é muito mais fácil estabelecer uma relação com produtoras internacionais. Em vez de acompanharmos tudo de longe, estamos muito mais integrados com o cenário mundial de games.
Ao mesmo tempo, a indústria de games brasileira se desenvolveu bastante, gerando a necessidade de voltarmos nossas atenções ao “próprio umbigo”. Esse avanço tem melhorado a exposição do Brasil lá fora, o que deve abrir cada vez mais portas para os brasileiros jornalistas de games.

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? As revistas vão acabar?
Não concorrendo. Seria inútil tentar bater de frente com a internet naquilo que ela é infinitamente melhor: conteúdo quente, ou seja, notícias. Muita gente não sabe, mas depois de finalizar uma revista na redação, ela fica aproximadamente uma semana na gráfica e, depois, mais uma semana na distribuidora para chegar às bancas do país inteiro. Então, do momento em que escrevemos o último parágrafo da edição até o momento em que a revista chega às mãos do leitor, lá se foi metade de um mês. E muita coisa acontece nesse ínterim.
A solução é apostar em coisas nas quais a internet, geralmente, é deficitária. Reportagens especiais, algumas feitas ao longo de meses de pesquisas, entrevistas com gente da indústria, curiosidades… O lance é diversificar o conteúdo frio, aquele que não tem hora pra ser publicado, e também enriquecer o conteúdo morno (porque quente mesmo, só na internet) com um trabalho de pesquisa e aprofundada verificação de informações.
É preciso explorar as características únicas de periódico impresso. Como temos um mês para fazer cada edição, é preciso confeccionar, apurar e lapidar o conteúdo, coisa que é rara na internet, onde as atualizações requerem a máxima urgência.
Outra boa maneira de garantir a relevância da publicação impressa é integrá-la a um web site. Você pode oferecer conteúdo adicional online, ou oferecer extras, como podcasts, videocasts, videoanálises… Dessa maneira, você une o melhor dos dois mundos e faz um bom trabalho de marca que atinge usuários on e offline.

O que dizer aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Eu não vejo dessa maneira. É bem verdade que as revistas impressas em geral têm apresentado uma queda constante, em todos os segmentos – a não ser em títulos de oportunidade, mas me nego a fazer uma EGM Brasil com o Rebeldes na capa só pra vender mais [risos]. É verdade, também, que o brasileiro tem fugido da leitura de qualidade para passar mais horas na internet, onde, como disse, nem sempre é possível fazer uma correção ortográfica ou verificar a veracidade das informações.
Porém, eu acho que sempre haverá consumidores para publicações impressas. E dizer isso não equivale a afirmar que ainda existe gente comprando discos de vinil. Não é só uma opção pelo amor à tradição ou pela comodidade de levar sua leitura a qualquer lugar (o que, fatalmente, acontecerá com as publicações digitais; basta ver as tendências de portabilidade). É apenas pela simples constatação de que revistas impressas trazem conteúdo diferenciado, que complementam sua experiência online. É a percepção de que você não precisa visitar cinco ou seis sites para saber tudo sobre um assunto, apenas uma matéria especial bem escrita. Além disso, confio no progresso do nosso país. Sei que não temos o melhor ensino do mundo (ok, na verdade, estamos muito longe disso), mas, quando não apenas as escolas, mas também as famílias incentivarem a leitura, teremos uma revitalização do mercado de publicações impressas (e uma nação com mais opinião).

Você jogou os 3 consoles. Qual é o preferido por enquanto?
Acho que o ano de vantagem em relação aos concorrentes da nova geração tem mostrado bons resultados para o Xbox 360. Tem o serviço online mais estável e cheio de recursos (enquanto o PlayStation 3 e o Wii mal têm jogos online) e tem recebido jogos mais avançados, como Gears of War. Como os desenvolvedores tiveram mais tempo para se acostumar com a máquina, descobrir seus segredos e aperfeiçoar técnicas, é natural que os jogos de 360 sejam mais “polidos” que os de PS3. Infelizmente, não tive condições de adquirir um ainda, mas tenho me divertido bastante com o console da redação.
A máquina da Sony é a que menos me atrai por enquanto. Ainda custa muito caro e oferece pouca coisa. Metal Gear Solid 4, com sorte, só no final de 2007, e Final Fantasy XIII, em 2008. Acho que ele estará muito mais interessante quando estiver no mesmo ponto de seu ciclo em que o Xbox 360 se encontra agora.
O Wii, por sua vez, também sofre da “síndrome de lançamento”: jogos marginalmente mais bonitos que os da geração anterior e que mal aproveitam os recursos únicos da máquina. Claro, julgar o console da Nintendo pelos gráficos seria desvirtuar a discussão, por isso, nem levo isso em consideração. Estou dizendo é que tem poucos jogos que realmente façam diferença. Mas um deles é Zelda. Comprei um Nintendo 64 por causa de Zelda. Comprei um GameCube por causa de Zelda. E agora não foi diferente.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
Depende da ótica pela qual se vê e o intervalo de tempo pelo qual se considera o assunto. Para publicações que falam sobre jogos, impressas ou digitais, a pirataria pode parecer algo bom. Afinal, o consumidor compra mais e mais jogos, então, ele vai querer se informar sobre todos os títulos que adquirir. O comprador de produtos ilegais, por sua vez, parece estar bem satisfeito com a situação atual do mercado, assim como o trabalhador informal que faz da copiadora o seu ganha pão.
Porém, creio que esses são pontos de vista bem limitados. Se analisarmos os aspectos comerciais, com vistas ao futuro, constataremos que a pirataria causa mais danos que benefícios ao país e, conseqüentemente, ao consumidor. A situação atual do Brasil com relação à pirataria não é segredo para ninguém, muito menos para as grandes empresas estrangeiras de games, como Sony, Nintendo, Microsoft e produtoras third party. Responda às pergunta: “Se você fosse um alto executivo de uma dessas empresas, colocaria seu emprego em risco recomendando a instalação de uma filial no Brasil? As vendas justificariam os investimentos? Ou seria uma aventura arriscada?”. Se nada mudar por aqui, acho que você ficaria numa situação bem delicada.
É preciso que as ações ostensivas sejam mais eficientes. É preciso um trabalho de inteligência mais eficiente. É preciso fazer campanhas de conscientização (e não apenas inibição) mais eficientes.
Se a pirataria acabar, acaba um grande entrave para a formalização de uma indústria de games nacional. Aí, só vai restar o outro grande problema…

Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Temos caminhado corajosamente, mas num ritmo incompatível com o potencial desse mercado. A pirataria tem impedido um avanço mais rápido, junto com o outro problema que mencionei: impostos. Eles são numerosos, altos e ineficientes. Inibem a entrada de empresas estrangeiras e incentivam o consumo de produtos ilegais. É uma situação constrangedora: os impostos são altos, mas o governo não arrecada, pois não se vendem produtos originais. Se houvesse uma taxação mais justa, entre outros incentivos à indústria, mais empresas poderiam seguir o exemplo da Microsoft, que está apostando no Brasil com seu Xbox 360. Mais empregos seriam gerados, jogos e consoles seriam mais baratos e, com a formalização do mercado, impostos seriam arrecadados e então repassados ao povo. Todos ganhariam.
Há outros problemas a resolver também, de âmbito governamental, que representam barreiras à entrada de empresas estrangeiras, como a burocracia e o custo da mão de obra. Problemas que outros países em desenvolvimento têm sido mais eficientes na resolução, como Argentina, México, Coréia do Sul, China… São medidas com uma vasta amplitude, mas que acabam refletindo na indústria de games a partir do momento em que o país se torna um território viável para grandes investimentos.
Como disse, estamos ainda aquém daquilo que o potencial do gamer brasileiro permite, mas o cenário tem se modificado de forma a acelerar o avanço.

O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Um evento de game de relevância internacional, cheio de atrações, como são E3, Games Convention e Tokyo Game Show. Onde fossem mostrados jogos de várias produtoras, muito antes do lançamento, com a presença de game designers famosos e com shows de game music inesquecíveis. Acho que estamos caminhando para isso.
Também gostaria de ver uma cobertura mais consciente e responsável pela mídia não especializada. Ouvir o termo “joguinhos” e a associação estereotipada de videogames a crianças ainda hoje é lamentável. Mas acho que é mais fácil continuar sonhando com uma E3 brasileira…

A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Questão complexa. Qualquer veículo e qualquer jornalista que se preze deve ter compromisso com o seu leitor, pois ele é pagador de grande parte, senão da totalidade do seu salário. É preciso ser imparcial, sem favorecer ou desmerecer empresa x ou y. Isenção é a característica vital para se ter credibilidade. Afinal, o leitor é inteligente e, muito provavelmente, joga muito mais tempo do que o analista pôde jogar para escrever uma crítica, portanto, saberá julgar se houve favorecimento ou condescendência na análise. O mesmo funciona com uma reportagem, ou preview, ou qualquer outro artigo. O leitor domina o assunto e não se deixa enganar.
Porém, porque o nosso segmento é relativamente novo, acho que falta percepção mais precisa do nosso papel. Não por parte dos jornalistas de games, que são apaixonados conscientes, ou dos leitores, que recorrem a nós como referência, mas por parte dos executivos e diretores de empresas. Por um lado, há as empresas de mídia. Seus produtos, sejam impressos ou online, têm que dar lucro. É preciso vender mais revistas, conquistar mais assinantes para o site e vender mais anúncios para ambos. O jornalista é um funcionário de uma dessas empresas, e tem a difícil tarefa de conciliar a sua posição neutra com as demandas dos demais departamentos, todos pensando em lucro: agradar o anunciante, fazer média com o parceiro comercial etc.

E por outro lado?
Por outro, existem as produtoras/importadoras/mantenedoras de jogos. Algumas delas, e isso não é um problema exclusivo do Brasil, reclamam quando você dá uma nota baixa para um jogo, e há casos de ameaças de cancelamento de suporte (ou seja, nada mais de jogos para preview/review ou entrevistas com produtores) ou de remoção de anúncios.
Uma vez, o amigo Dan “Shoe” Hsu, editor da EGM americana, fez um editorial contando um caso do tipo. Uma produtora (que ele não quis identificar) ligou para ele pedindo para mudar a nota de um jogo, ou eles tirariam a programação de um ano de anúncios que haviam fechado. O Shoe, claro, se negou a elevar a nota, e disse que poderiam fazer o que quisessem, pois nada poderia prevalecer sobre a isenção jornalística.
Claro que lá a realidade é outra, e a Ziff Davis Media, editora da revista, tem condições de secundá-lo nessa posição. Aqui, qualquer dinheiro faz falta, então é mais difícil, como disse, fazer perceber o nosso papel. As empresas têm que entender que escrevemos para os leitores, e não para elas. Falta a consciência de que, se sustentarmos a credibilidade, isso será bom para todos. Os leitores serão fidelizados, a revista vai vender mais e o bom produto avaliado vai vender mais. De que adianta o veículo falar bem de algo que não é bom, para então perder sua base de leitores em conseqüência da atitude irresponsável e depois não ter moral nem para falar do produto bom, nem do ruim?

De que lado deve ficar o jornalista?
Essa é uma questão filosófica. Acho que a classe faz um excelente e imparcial trabalho, mas a pulso. Ainda leva um tempo para educar os detentores do poder financeiro sobre nosso papel, mas acredito no progresso, e acho que um dia todos trabalharão para prestar um bom serviço: as produtoras para as editoras, essas para as produtoras, e ambas para o consumidor.

Ufa. Depois dessa. diga quem vai ganhar a guerra da nova geração.
Eu, particularmente, me baseio no exemplo da guerra de portáteis PSP vs. DS. Nesse meio, a Sony apostou em tecnologia e em multifuncionalidades; a Nintendo preferiu privilegiar novas formas de interação, sem tanto foco em qualidade gráfica ou recursos adicionais. O DS está à frente em venda de hardware no mundo todo, e muito, mas muito mais à frente em venda de software.
No segmento de consoles domésticos, está acontecendo a mesma coisa. O Wii chegou aos principais territórios do mundo sob grande expectativa, e vem esgotando todos os novos estoques que chegam ao mercado – elogios ainda à eficiência da Nintendo em abastecer devidamente seus consumidores. Fatores como baixo custo (relativo) de desenvolvimento, ciclos mais breves de criação e facilidade de programação (por ser basicamente um GameCube “overclockado”) estão atraindo third parties.
O PlayStation 3, por sua vez, aposta em tecnologia de ponto, à prova de futuro, a um alto custo. Mas, até agora, a Sony tem enfrentado uma série de problemas, desde dificuldades em atingir suas metas de produção e imperfeições técnicas até campanhas de marketing frustradas. Mesmo assim, a força do nome PlayStation tem sustentado o interesse dos consumidores. E ainda tem franquias de peso pela frente, como Metal Gear Solid 4 e Final Fantasy XIII. Acho que o PS3 se recupera com o tempo, principalmente quando mais pessoas tiverem acesso a aparelhos de alta definição e o console baixar de preço, mas duvido que chegue perto das mais de 100 milhões de unidades vendidas que seus dois predecessores ultrapassaram.
Já a Microsoft não está naquela guerra de portáteis que mencionei, mas é fácil perceber como a empresa amadureceu com o primeiro Xbox. O 360 foi lançado com um ano de antecedência e é o mais eficiente em atingir territórios fora do eixo EUA-Japão-Europa. O console se beneficia agora de títulos mais avançados, mais bonitos até que os de PlayStation 3 (Gears of War que o diga), e tenho certeza de que vai vender mais que a incursão anterior.
Fico feliz em ver uma geração tão equilibrada e tão empolgante, por isso é difícil prever qual empresa realmente vai se sagrar vitoriosa ao final de mais esse ciclo. Nesse momento, nem mesmo as produtoras estão se dedicando inteiramente a uma plataforma específica. Veja o exemplo da Square Enix: o próximo episódio numerado de Dragon Quest, sua franquia co-principal, veja só, será lançada exclusivamente para Nintendo DS!
Por todos os lados, vemos implícita a mensagem “espere para ver”, então, não vou fazer mais que dar esse panorama para o curto/médio prazo.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
  2. Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)
  3. Entrevista da Semana: Jocelyn Auricchio (O Estado de SP)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
04/12/2006 - 20:53

Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)

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Dia de “Entrevista da Semana” é assim: eu pergunto, alguém responde. Desta vez, o escolhido foi o jornalista Renato Bueno, editor da revista EGM PC. Além de jogar, escrever, meditar e ponderar sobre o mercado de games, o cara escreve de vez em quando no genial Freeko, um dos melhoes blogs de games deste país. Apesar de ser normalmente quieto, ele se inspirou para falar (muito) sobre o que pensa neste blog. Confira e comente, como sempre:

Gamer.Br: Qual é o papel de uma revista de games em um mercado como o brasileiro? A revista ainda é tão relevante quanto era há 5 anos?
Renato Bueno: Nosso papel (ha!) é fazer o que a internet não pode, ou não está preocupada, ou não nasceu para fazer. Matérias especiais, conteúdos exclusivos, priorizando a análise e o aprofundamento dos temas – deixando de lado a simples idéia de “notícias” e “análises”.
As revistas ainda são tão relevantes quanto há 5 anos, e talvez ainda mais, já que agora o jornalismo de games começa a se profissionalizar pra valer – é só o começo, camarada. A relevância do nosso trabalho varia de acordo com o público. Para o leitor que só quer ver a nota de um jogo (ou conferir se ela cumpriu suas sagradas expectativas), a revista é dispensável. Ele pode até comprar todo mês e se orgulhar de falar “Eu leio a revista do Pablo”, mesmo que, efetivamente, ele não leia, ou não a leia como o Pablo gostaria.
As miras começam a se voltar ao “leitor-jogador-adulto”, que leva uma vida cada vez mais corrida e quer ter uma revista de confiança falando “desse assunto muito louco”.

O quanto a internet mudou a maneira de se tratar a notícia do mercado de games?
Falando em Brasil, certo? No campo online, ela contribuiu com a democracia: todos os sites têm exatamente as mesmas notícias. Se o portal do Pablo não tem a notícia que saiu no portal do Fabio Santana, o Pablo vai lá e “mandraca” a nota que o Fabio Santana publicou – que, por sua vez, foi adaptada de alguma nota de site gringo. Não existe apuração, não existe jornalismo (exceções, poucas) – mesmo quando os (raros) fatos acontecem ali na esquina.
No aspecto impresso, Ela (E maiúsculo) engarrafou nossos leitores de “risos” (os RSS readers), facilitou nosso acesso à informação e o contato com o mundo onde os games realmente acontecem, que é bem longe daqui. Além de ter obrigado as revistas a se reformarem, encontrando seu novo lugar. Estamos quase lá.

O mercado de consoles está caminhando no Brasil, com a chegada do Xbox 360. Você acha que alguma coisa também vai melhorar no mercado de games para PC?
O otimista é um mal-informado, e me orgulho de ser um cego representante dessa classe indisciplinada. 2007 vai ser um ano incrível para os jogos de PC no mundo, principalmente pelos grandes nomes (Crysis, Bioshock, talvez Spore…), mas também pela cruzada da Microsoft com o selo Games for Windows.
Tendo na retaguarda o poder de fogo do XNA, da Xbox Live Anywhere e do Windows Vista + DirectX 10, o Games for Windows é uma espécie de ISO dos games. Diz respeito a exposição/experimentação em grandes lojas, padronização de caixas de jogo, modos de instalação e uma série de outros elementos que pretendem fazer o quê? Facilitar a vida, deixar tudo mais prático e atraente. Isso mostra que o PC é também uma plataforma de jogo – constatação que enfrenta obstáculos ainda nebulosos, principalmente no Brasil, em que o jogador ainda fica um pouco perdido nesse meio.
Aliás, o selo Games for Windows vai funcionar nos EUA. Estou esperando resposta da Microsoft para saber como vai ser aqui. Mas, em resumo: jogos mais bonitos, mais legais, mais fáceis de instalar e jogar. E que exigirão uma supermáquina em casa.

Quando você estudava jornalismo, queria se especializar em games. Hoje, você conseguiu. É o que esperava?
Eu não esperava nada, não faço planos – uma semana é longo prazo. Quando saquei uma vaga possibilidade de escrever coisas legais sobre o assunto – então começando o último ano de faculdade -, imaginava apenas “escrever reviews melhores do que os que eu via publicados”.
Escrever uma reportagem sobre indústria brasileira de games ou entrevistar um diretor de marketing de uma publisher que começa a descobrir a América Latina eram tarefas intangíveis, eu teria que nascer de novo e ter todos os consoles do mundo.Tarefas tão intangíveis quanto a idéia de “escrever sobre games” quando eu assinava a Super Gamepower.

Quais são as principais virtudes que um jornalista de games precisa ter no Brasil?
O cara tem que ser curioso, gostar do que faz e perceber que a influência dos games se assemelha (falemos sobre proporções em outro dia) à influência do punk, 25 anos atrás. Uma revolução cultural que exige observadores e críticos à altura. Estamos perto do olho do furacão, e não podemos deixar passar.
Num pensamento mesquinho: tempo e dinheiro. Tempo para jogar tudo que for possível, da maneira mais profunda possível. Tempo para ler todas as revistas, nacionais e importadas, além dos sites. E tempo para sair da redação e ver o que acontece no mundo real. O dinheiro é para financiar esse hobby, e essa profissão, caros por natureza.
Num pensamento humanista: uma formação cultural sólida, que vai além do “eu joguei todos os jogos do mundo desde 1931″. Que livros você leu? Quem são os jornalistas que significam alguma coisa para você? Por que Grim Fandango é um jogo e O Código da Vinci não é um jogo?

Quem vence a guerra da nova geração de consoles?
O São Paulo. O vice-campeão serão os jogadores. Parece política de partido pelego, eu sei, mas é fato: eu não me preocupo. Na redação a gente vive de piadas assim (pega essa, Sony! Pega essa, Nintendo! Pega essa, PC!) mas, na verdade, eu me afasto naturalmente de especulações e estudos desse calibre. Simplesmente não me preocupo.
O que importa são os jogos, são as possibilidades que se abrem ao jogador. Como jornalista da área, talvez eu devesse ter “uma posição oficial, carimbada em três vias”. Mas não sou formador de opinião, quero que essas empresas todas se matem.
Vai ser a Nintendo.

Você jogou os três consoles. Qual gostou mais?
Joguei nada – falta o PS3, o nosso ainda não chegou, e prefiro falar só depois de jogar. Eu compraria o Xbox 360. A proximidade dele com o PC, a estrutura online, bons jogos e a “marca” do brinquedo me conquistaram, sem falar na presença oficial em terras brasileiras.
O Wii é incrível, jogo todo dia na redação, mas não é compatível com a linha editorial do que eu gostaria de ter em casa para jogar. Quem sabe daqui a 1 ano, com jogos novos…

E a pirataria, tem jeito? Ela é o problema ou já é a solução?
Gostaria que houvesse uma solução para que o problema não existisse. Mas a pirataria existe, e ainda considero isso um grande problema, mesmo sabendo que, sem ela, umas vinte pessoas teriam games no Brasil. Falta ler o dossiê final da CPI da Pirataria para saber qual é a real – deve ter coisa boa ali, não?
Enquanto isso, me limito aos impulsos passionais: fico puto com os peixes grandes, que gerenciam as estruturas que levam o CD até a barraquinha do centro; lamento a insaciável “necessidade de esperteza” que impregna a cultura do brasileiro (pagar o mais barato possível no que quer que seja); tento não pensar nas taxas e impostos desumanos impostos aos games no Brasil.
Também existe o dilema da revolução digital: pirataria e distribuição digital não são, necessariamente, sinônimos. Isso é outra história.

Até quando videogame será considerado coisa de criança?
Até o dia em que o último adulto que não entende do riscado for atropelado pela perspicácia de uma geração de gamers dominando o mundo. Até o dia em que a última namorada perceber que existe algo mais ali, além de tiros, explosões e um “Save Game” sagrado. Até o dia em que o último jornalista de telejornal-de-dona-de-casa tiver esmerilhado um God of War. Vai demorar, mas a gente chega lá – eu sou otimista.

O que falta para o Brasil “chegar lá” no mercado de games? E o que significa “chegar lá”?
Talvez o “chegar lá” supremo seja obtido pela união do “chegar lá” econômico + “chegar lá” cultural + “chegar lá” profissional. No econômico, falta Nintendo e Sony virem pra cá, abrirem o mercado, o governo entender a parada etc. No cultural, falta informação, conhecimento da sociedade “que não joga”. No profissional, faltam profissionais-referência, revistas definitivas e até, quem sabe, um panorama acadêmico sólido sobre os games. Ainda dá para cavar um “chegar lá tecnológico” e outros mais, mas, basicamente, o que falta é encarar os jogos como mais um produto cultural, como a música, os filmes, os livros, os episódios de Hermes e Renato.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
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