23/09/2009 - 02:34
O mercado jornalístico brasileiro está em eterna mutação. E nos games também não é diferente.
Foi tanta coisa que rolou nos últimos tempos que preferi juntar tudo em um só documento. Será que foi tanta mudança assim? Vejamos:
- O Gustavo Petró, que era um dos editores da revista EDGE (Editora Europa), agora faz parte da equipe do site G1…
-…no lugar do Renato Bueno, que a partir de agora é o comandante dos sites PlayTV e GameTV…
- …no lugar do Odair Braz Junior, que agora faz parte da equipe do portal R7, da Record.
- E não poderia deixar de citar as mudanças na própria Ed. Europa: o Felipe Azevedo, que era editor da N-Gamer, agora está na EDGE, junto com o Fabio Santana. Por consequência, a revista N-Gamer já está nas mãos do eterno Eduardo Trivella.
- O André Faure não faz mais parte do C.E.S.A.R., e o Rafael Arbulu não é mais o editor do portal MSN Games, site que é editado pela Tambor. Ambos estão já, cada um na sua, envolvidos com novos projetos.
- A Beatriz Sant´Ana, que foi editora da EGM e atualmente estava editando o portal EGW, agora está editando a revista Movie na mesma editora Tambor.
- Por outro lado, a EGW revista ganhou a participação do primeiro editor da publicação, Renato Viliegas (ainda quando se chamava EGM Brasil), que vai assinar uma coluna mensal na revista. A partir de agora, inclusive. A equipe da editora, aliás, cresceu e está cheia de sangue novo.
- Enquanto isso, alguns felizardos desembarcaram no Japão para cobrir a feira Tokyo Game Show: o Bruno Vasone, pelo Arena Turbo, do IG; o Bruno Abreu, pelo OuterSpace; o Theo Azevedo e o Akira Suzuki, pelo UOL; e o Fernando Mucioli, pelo GameTV. Isso pelo que estou sabendo. Deve ter mais brazucas desbravando Toquio neste instante. Sortudos.
- E o onipresente Claudio Batistuzzo, do Games Brasil, foi gentil o bastante para me passar o link da matéria do Flávio Croffi, que listou a maioria dos jornalistas de games nacionais que twitam no Twitter. Se faltava um ou outro em sua lista de seguidores, nem falta mais.
E você chegou a ouvir o podcast do Gus Lanzetta sobre jornalismo de games? Pois deveria.
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Passei pela FNAC Pinheiros hoje e me surpreendi ao ver o Halo 3: ODST sendo vendido normalmente – surpresa porque a Microsoft cumpriu a data de lancamento mundial inclusive por aqui, ou seja, hoje. A imprensa, por sua vez, recebeu o game hoje também. Direitos iguais, é o que dizem.
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E por falar em lancamento aguardado, alguém viu o belo trailer/comercial de FIFA 10? Com o Rooney, o Xavi, o Schweinsteiger e uns outros boleiros: Serve bem até para quem odeia futebol. Ou games de futebol. Ou as duas coisas.
E concluo nessa semana aquela velha pesquisa que realizei sobre a Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro. Como deu para notar, muita coisa mudou no mercado desde que publiquei a primeira parte. Assim que é bom. Mudanças são sempre positivas. Mesmo quando são repentinas e aparentemente inexplicáveis. Tal qual a vida real.
E boa semana para todo mundo.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: C.E.S.A.R., ea, edge, egm, egw, europa, FIFA 2010, G1, Games Brasil, GameTV, Halo 3: ODST, jornalismo, mercado, microsoft, N-Gamer, PlayTV, r7, tambor, Tokyo Game Show
21/05/2009 - 16:11
A Entrevista da Semana apresenta uma conversa franca com o jornalista André Forastieri, diretor editorial da editora Tambor. Nos últimos dias, ele foi o responsável por dois anúncios importantes no mercado nacional; O primeiro: o fim da revista EGM Brasil, que recém-completou sete anos de existência, e a substituição pela EGW. O segundo, a criação do portal de internet EGW (Entertainment Game World, que estreou hoje), dedicado ao consumidor não só brasileiro, mas também o ibero-americano. A conversa a seguir esclarece mais sobre as duas novidades e deixa mais clara a visão toda singular de Forastieri sobre a realidade nacional.
Confira a seguir e não deixe de comentar no final.
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Gamer.br: Trocando em miúdos, quais os diferenciais do portal EGW em relação ao portal Gameworld? André Forastieri: Na verdade, faz quase três anos que incorporamos o Gameworld no Heroi.com.br., que passou a ter um conteúdo maior de games. Mas sentimos que o internauta e os anunciantes exigiam de nós um portal dedicado aos games. Demoramos para lançá-lo mais do que queríamos. Uma das razões foi porque durante muito tempo, o 1UP planejava uma expansão internacional, com os parceiros de cada país. Com a venda do 1UP e cancelamento da EGM nos Estados Unidos, ficou claro que era a hora de lançar uma nova marca que estivesse presente na web, em mídia impressa, em eventos, realmente multiplataforma. O natural foi EGW – Entertainment + Game World, que já nasce como revista, site e como única premiação de games do país.
Dito isso, o site tem um plano de implementação de um ano. A cada mês, novas ferramentas serão introduzidas. A revista também tem um plano de um ano. E o próximo evento vai ser um salto com relação ao deste ano – que já foi muito bacana.
Agora a EGM se chama EGW. Fora a mudança de nome, o que mais muda na revista, grosso modo?
Pensamos a revista e o site simultaneamente. De cara, 20% do conteúdo da revista passa a ser de assuntos do interesse do gamer, mas não sobre games – cinema, DVD, tecnologia. Vai ter mais brindes. Vai ter mais pôsteres. Vai ter surpresas diversas. Vai ter sempre links expandindo as matérias no site.A revista passa a ter “páginas infinitas” no portal. Teremos o maior e mais completo diretório de dicas, e centenas de reviews publicados desde a EGM nº 1, mais as melhores matérias especiais publicadas na história da revista.
É muito fácil fazer uma revista de games, principalmente através de licenciamento. Basta pagar o dono da marca no estrangeiro. Difícil é fazer uma revista boa, que dure anos, mantendo uma base de leitores fiéis, e garantindo aos anunciantes o retorno para o seu investimento. Nós conseguimos isso com a EGM, e no último período a revista já era 90% produzida por jornalistas brasileiros. A EGW é a evolução lógica dos sete anos da EGM.
O que representa para o mercado de revistas essa mudança da publicação, ao mesmo tempo em que é anunciada a chegada da Edge via editora Europa?
A Edge é uma revista inglesa muito boa, muito sofisticada, dedicada mais ao lado criativo e de negócios no mundo dos games. E tenho certeza que o Fábio Santana e o Gustavo Petró – velhos companheiros, que fizeram parte da equipe da EGM – farão um ótimo trabalho na sua adaptação para o Brasil.Acredito que a EGW e a Edge, juntas, são mais que suficientes para atender as necessidades do leitor que quer se informar sobre o universo de games como um todo. A aposta da EGW é em 100% do conteúdo produzido por brasileiros, para brasileiros. O da Edge, em traduzir ótimo conteúdo produzido na Inglaterra. Acho que talvez haja espaço para a Edge.Mas dificilmente outro título generalista conseguirá espaço. A tendência é ficar uma ou duas de Nintendo, uma ou duas de Playstation, e haver uma depuração do mercado.Agora, a razão da Edge substituir a GameMaster é que a GameMaster nunca conseguiu enfrentar a EGM. A Europa não conseguiu ter a principal revista multiplataforma do país com a GameMaster, agora tenta com a Edge. Como não conseguiu ter a principal revista de Nintendo do país – a N-Gamer nunca chegou perto da Nintendo World.Por outro lado, a gente anos atrás desistiu da SuperDicas Playstation. Éramos a número dois do mercado, mas a Dicas e Truques Playstation nadava de braçada em publicidade. Ganhamos umas, perdemos outras…Acho que a diferença entre a Tambor e a Europa ou a Digerati é que elas têm muitos negócios diferentes. Primeiro, nós somos muito focados em games, tecnologia, entretenimento digital. Todos os jornalistas trabalham numa redação só e eu junto. Segundo, nós somos muito focados em internet. Nossos sites falam com mais de dois milhões de gamers todo mês. No Brasil, ninguém chega perto.
Como dono de editora, você acha que atualmente é preciso investir mais em produtos para a internet do que em produtos de papel? Ou seja, ainda compensa investir na mídia revista?
Revista custa muito mais para fazer, mas a receita é muito maior. E de fato dá uma credibilidade muito diferente. Porque passa pelo crivo dos leitores, que estão tirando dinheiro do bolso todo mês para comprar a revista, “votando com a carteira”. E porque passa pelo crivo dos anunciantes, que só continuam anunciando se a revista realmente der retorno. Dito isso, temos que reaprender a fazer revistas a cada ano que passa. Não pense que estamos satisfeitos com nossas revistas, e mesmo com a EGW. A busca da atualização e da surpresa tem que ser permanente.Fizemos uma capa toda preta, homenageando o Black Album do Metallica, para a edição de aniversário da EGM. Foi uma ousadia (pra não dizer maluquice). A venda subiu 20%.Eu acho que o melhor mix é “revista + digital”. Um ajuda o outro. Na verdade, todo mundo gosta de revista! O que ninguém gosta é de pagar por uma revista que só te oferece o que você já tem de graça na internet. Nem eu.
Quem é o consumidor de games hoje no Brasil? Para quem exatamente você faz suas revistas e sites?
Você, Pablo. …Se você achar que estamos fazendo direito, provavelmente estamos!
Não, depende. Assim: a Nintendo World é para nintendista. O Portal MSN, que fazemos para o MSN e atinge 1,6 milhão de gamers por mês, é muito aberto. A comunidade EGW continua a trajetória de sete anos da EGM, no sentido de fazer jornalismo sério sobre games.Mas, em um certo sentido, vai no caminho inverso da Edge. Principalmente no portal, nosso objetivo é sermos mais abrangentes, atrair o hardcore gamer e o jogador adulto, pai de família; o teen, o molecão, o jogador de MMO, e o cara que nem quer saber tanto dos bastidores da indústria, mas não passa um dia sem jogar no seu PSP. Ah, e as mulheres também.Inclusive, o portal EGW já nasce com a missão de atender também ao mercado português, e a partir de agosto, a todo o mercado latino-americano, com conteúdo em espanhol.Nossa missão é sermos “O primeiro portal de games da América Latina”. Ou seja, fazemos conteúdo de games para gamers de todos os tipos, idades, gostos e agora até de línguas diferentes!
No evento Troféu Gameworld, você afirmou que o Brasil é o país com maior possibilidade de crescimento da indústria de games em todo o mundo. De que depende esse crescimento, afinal? O que nos impede?
O Brasil é a décima maior economia do mundo. Temos uma população na maioria jovem, todo mundo fala a mesma língua, a maioria é urbana, não temos guerras civis, a economia está sofrendo menos que o resto do mundo. Somos o nono maior mercado de TI. Mas hoje o Brasil é 1 a 2% do negócio de games global. Isso não tem sentido. Por isso, o crescimento do mercado formal será muito grande nos próximos anos, a despeito de todos os problemas habituais – impostos, preços altos etc. Vamos dobrar, triplicar, ano após anos.Acredito que vai crescer o modelo habitual – venda de hardware e caixinha de jogo em lojas especializadas e em grandes varejistas, online e offline – mas também vão crescer muito negócios que fogem ao beabá, como jogos cada vez mais sofisticados para celular, MMOs com modelos diferentes de receita, distribuição digital, eventos ligados a games e por aí vai.Claro que quem se mexer mais vai levar vantagem. Se a Sony começa mesmo a fabricar jogos para PS3 em Manaus em 2010, leva vantagem. Se não, não.O grande portal tipo UOL ou Terra ou MSN que resolver investir sério para ter o maior share de MMOs levará vantagem. A agência de publicidade que ficar conhecida como a melhor em advergaming levará vantagem. O primeiro varejista online a oferecer compra de jogos via distribuição digital em reais e em parcelas levará vantagem. Por aí vai.Eu editei minha primeira revista de games em 1994 e nunca estive tão otimista com nosso mercado quanto agora. Tenho certeza que o mercado brasileiro de games vai ser 10% do mercado mundial, em um prazo curto.
Quer uma previsão? 2015. Me cobra pra ver se eu acertei daqui a seis anos!
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: andré forastieri, digerati, edge, egm, egw, europa, jornalismo, mercado, nintendo world, sdp, tambor
30/04/2009 - 20:25
notícia divulgada aqui ontem sobre a revista Edge no Brasil repercutiu bem por aí.
Hoje, a equipe da revista divulgou o release oficial, o qual reproduzo quase na íntegra abaixo:
“A Editora Europa realiza o mais importante lançamento dos últimos anos: a edição nacional da revista Edge. Publicada no Reino Unido desde 1993, Edge é notória por seu estilo sofisticado e incisivo, com conteúdo direcionado a formadores de opinião: profissionais da indústria e do mercado de jogos eletrônicos e jogadores adultos na faixa dos 18 aos 34 anos.
Em sua estreia, a revista estampa em sua capa Final Fantasy XIII, o aguardado RPG da Square Enix para PlayStation 3 e Xbox 360, em um artigo produzido em visita ao estúdio da empresa em Tóquio. Também há prévias de BioShock 2, Mafia II, Punch-Out!, God of War III, The Sims 3, além de análises em primeira mão de Bionic Commando, Star Ocean: The Last Hope, X-Men Origins: Wolverine, Little King’s Story e outros. Complementam a edição uma crítica contemporânea ao clássico Viewtiful Joe, um making of do cult Leisure Suit Larry, uma reportagem sobre os estúdios brasileiros desenvolvendo jogos para Nintendo DS e colunas de especialistas da indústria.
À frente do novo empreendimento estão dois veteranos do segmento editorial brasileiro de games: Fabio Santana, editor de diversas revistas especializadas desde 1995, e Gustavo Petró, que dá continuidade ao primoroso trabalho que vinha desempenhando como editor da revista multiformato GameMaster. À solidez e autoridade da publicação original, soma-se a expertise de uma reconhecida equipe de talentos do jornalismo de games brasileiro.”
Agora, é esperar pela edição 1.
***
Ontem mesmo, rolou mais uma novidade no mercado brasileiro: o GamerView, portal especializado e caprichado, comandado pelo empreendedor Vinícios Duarte. Para saber o que ele pensa, metralhei o cara de perguntas sobre o projeto. Veja a seguir, e, em seguida, apareça lá para visitá-lo:
Gamer.br: Quais são suas pretensões hoje com o GamerView?
Vinícios Duarte: O objetivo principal do site, nesta fase inicial, é consolidar um novo estilo de jornalismo de games com personalidade, diferencial e muito humor. Não é fácil escrever sobre games fazendo uso desta fórmula, muito menos agradar a todos os leitores que pretendemos conquistar. A idéia é criar um vínculo com nosso público, com artigos de assunto rápido e direto ao ponto, sem enrolação.
O jogador brasileiro gosta de coisas ágeis, rápidas e fáceis de ler. A notícia do dia a dia, por exemplo, serão filtradas para o gosto do público brasileiro, pelo que julgamos ser uma leitura interessante. O segundo objetivo, não menos importante, é correr atrás de tudo que rola no mercado brasileiro, dando suporte à produtoras de games nacionais, cobrindo eventos e criando conteúdos exclusivos.
Como você planeja se diferenciar e atrair o leitor, com essa avalanche de blogs rolando, os grandes portais e mais a possibilidade da chegada da versão em português de um grande blog internacional?
A meu ver, há espaço para todos no nosso mercado. Com o GamerView, procuraremos nos diferenciar exatamente pelo conteúdo criado, fazendo uso de nossa fórmula e correndo atrás do que rola em solo brasileiro, especialmente. Há muitos blogs e sites bons no Brasil, mas nem todos conseguem dar uma atenção maior ao que acontece por aqui. A grande maioria se concentra no que acontece lá fora, replicando as principais notícias do dia. Claro que nós acompanharemos também, informando nossos leitores, mas esse não é o nosso foco principal. Em breve o site irá estrear seu podcast, chamado GamerSpeak (de slogan “A voz do Gamer”), e teremos também programas de videocast próprios, entre eles o Antena Gamer, que será produzido em parceria com a Chilli Filmes. Isto ajudará a formar a personalidade do Gamerview, diferenciando-se dos demais sites.
Qual a receita de sobrevivência de um veículo de informação atualmente – no caso, na internet? Leitores fiéis? Anunciantes constantes? Tudo isso junto?
Há muitas formas de se trabalhar com a internet, além da publicidade convencional (banners). Os leitores nos trazem o reconhecimento de “status”, de site bem aceito e acessado. Hoje é mais fácil vender o seu peixe com estatísticas, mostrando ao anunciante o potencial que seu site tem para atingir determinado público e satisfazê-lo na propaganda. O GamerView tem como plano explorar também outras mídias, como o podcast e os programas de videocast (sim, serão mais de um).
O Brasil comporta tantos produtos para o leitor? Há tanta gente interessada assim?
Sim, e sempre há alguém interessado. O desafio é direcionar o produto certo para o seu público. Publicidade de coisas que não tem a ver com o tema games ou tecnologia chama menos atenção, de fato. Mas não significa que não vá vender. Eu, como empresário, pretendo direcionar a publicidade de forma que traga maior resultado para os anunciantes, educando ele sobre os gostos do gamer brasileiro.
O Brasil, enquanto mercado, rende tanta pauta? Pergunto isso porque também faço um produto voltado para o mercado interno, e sofro para conseguir pautas de vez em quando…
Ah, com certeza sim. Procurando bem e no lugar certo, você acha grandes fontes de notícias, especialmente sobre produção de games e na área da educação. Está mais do que na hora do nosso mercado ser verdadeiramente reconhecido. Estaremos por perto para fazer isso acontecer, dando espaço principalmente para as produtoras de games daqui.
A todo momento novos cursos de games vêm surgindo, empresas estão desenvolvendo games interessantes pro mercado nacional e estrangeiro, profissionais em diversas áreas (programação, design, edição de áudio,e etc.) são reconhecidos no exterior, e por aí vai. Sempre haverá pauta.
***
E na semana que vem deve rolar a aguardada estreia de outro portal especializado, o EGW – Entertainment Gameworld.
Sem falar que ainda aguardo mais informações sobre a possível vinda daquele site internacional renomado… mas sobre isso, falarei em breve.
E tome feriado. Esse ano está até um exagero. Semana que vem tem mais.
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: edge, egw, europa, gamerview, jornalismo, mercado
28/04/2009 - 19:11
E acabou o mistério. Pelo menos um deles.
O Gamer.br revela agora, com exclusividade, qual é o próximo lançamento do mercado editorial brasileiro.
A revista é a britânica Edge e será publicada pela Editora Europa.
Muita gente já havia acertado só na base da investigação. E a informação já rola em fóruns há alguns dias (segredo nunca se mantém secreto por muito tempo). Mas agora é oficial, com as declarações de quem está produzindo a revista.
Conversei com o Gustavo Petró, atual editor da Gamemaster e futuro editor da Edge (ao lado do glorioso Fabio Santana), que respondeu a algumas questões cruciais sobre o projeto. Vamos a elas:
Gamer.br: Quando sai a edição 1 da Edge? De quanto em quanto tempo? E o preço, a quantidade de páginas, o tipo de papel?
Gustavo Petró: A Edge chegará às bancas na segunda quinzena de maio. Será mensal, terá 100 páginas e terá lombada quadrada, por R$ 14,90. A capa terá o mesmo material da revista gringa, que é com um papel um pouco mais “durinho”. O papel interno será o mesmo das outras revistas de games licenciadas pela Editora Europa.

Esta capa ainda é provisória, eles avisam. Clique para ampliar
E a GameMaster, continua com a chegada da Edge?
Não, a GameMaster se tornará Edge. Os assinantes da revista passarão automaticamente a receber Edge a partir de maio. A GameMaster edição 50 (que já está nas bancas) é a última edição da revista com esse nome. A equipe continua na Edge.
E antes de responder a próxima, queria avisar que tem uma promoção de lançamento para assinatura anual da revista, com desconto de 65% na assinatura.
Como é a divisão de conteúdo? Metade traduzido e metade nacional, como é normalmente feito em revistas licenciadas?
Em princípio, majoritariamente o conteúdo é localizado. Temos seções e artigos produzidos no Brasil, a exemplo da matéria que tem chamada nessa primeira capa sobre os estúdios que desenvolvem games para Nintendo DS. A tendência é esse conteúdo feito aqui aumentar no futuro.
Vocês pretendem usar toda equipe da editora Europa na revista?
Assim como as revistas já publicadas pela Editora Europa, que têm seus respectivos responsáveis, todos os membros da redação de games estarão de alguma forma envolvidos em Edge.
Apresente a EDGE pra quem nunca ouviu falar. Por que lança-la agora?
Edge é uma revista de games britãnica publicada desde 1993. É uma das mais conceituadas no mundo. Tem estilo sofisticado e incisivo, com conteúdo direcionado a formadores de opinião: profissionais da indústria e jogadores adultos. Edge tem acesso irrestrito aos estúdios espalhados pelo mundo, trazendo o que há de mais novo em termo de jogos. A negociação do licenciamento estava em tramite há bastante tempo, muito mesmo, que vem agora fortalecer o portfolio de revistas da Editora Europa. O lançamento acontece no momento em que o mercado nacional de jogos amadurece rapidamente, com mais players no varejo e produtoras nacionais desenvolvendo jogos para as plataformas do momento. Isso exigiu uma publicação nova a altura desse novo cenário.
E os leitores da GameMaster, não vão estranhar a diferença?
Os leitores da GameMaster não estranharão a nova revista, uma vez que tanto Edge quanto a GameMaster sempre trataram videogames como algo sério. Edge tem acesso irrestrito às grandes produtoras espalhadas pelo mundo, o que garante matérias exclusivas e com muita qualidade. Não tem como alguém estranhar isso, tem?
***
Agora que eu me adiantei na revelação, comente. E divulgue por aí.
Autor: pablo - Categoria(s): Cobertura X06, Tudo ao mesmo tempo
Tags: edge, europa, fabio santana, gamemaster, gustavo petró, jornalismo, revistas
02/04/2009 - 19:39
Falam de crise mundial, corte de gastos, decadência do meio impresso, mas ta aí – mais uma revista de games nas bancas. O nome é OLD! Gamer é da Editora Europa e é focada, como o nome entrega, em games antigos. O slogan é sugestivo: “jogos clássicos, diversão eterna” A primeira edição está prevista para maio e, em princípio, com periodicidade bimestral. Conversei com os dois editores da publicação, Fabio Santana e Humberto Martinez, que revelaram mais sobre o projeto.
Gamer.br: Primeiro, sei que vocês têm essa idéia de fazer uma revista sobre nostalgia há um bom tempo. Como conseguiram convencer a editora a bancar a idéia?
Humberto Martinez: O núcleo de games da Editora Europa está ganhando força há muito tempo com revistas que cobrem as áreas mais necessárias do mercado de games (Dicas & Truques para PlayStation, N-Gamer, Revista Oficial do XBox 360 e GameMaster). O conhecimento que acumulamos com estas revistas sobre o público e mercado brasileiro nos deu segurança para investir em projetos menos óbvios, mas que temos certeza de que de que preencherá uma lacuna no mercado editorial gamer. É apenas o começo de muitas surpresas. Só para complementar, é importante ressaltar que a Europa é uma empresa que dá um nível enorme de liberdade criativa aos funcionários. Com isso, muitos projetos que nascem como idéias pessoais, sonhos de jogador mesmo, têm espaço para ganhar vida; desde que comprovado, de forma séria e profissional, de que há um motivo e necessidade para ele. E se você juntar a liberdade que a empresa oferece com a equipe gigante de profissionais experientes e determinados que contamos, fica difícil encontrar barreiras para realizar grandes desafios.
Qual a intenção da publicação? Para quem ela se dirige, o que ela irá apresentar, por que ela é importante?
Fabio Santana: A OLD! Gamer é uma revista para caras como nós, na casa dos 20 e tantos, 30 e poucos anos, que cresceram jogando games e continuam curtindo a paixão. E acho que paixão é aqui a palavra-chave, pois como o Humberto disse, a projeto nasceu de um gosto da equipe por retro gaming. A idéia é brincar com a nostalgia, abordando não só os grandes títulos que jogamos, como também todo o contexto da época.
Para isso, meio que já montamos uma biblioteca com revistas antigas, para pegar referências e informações de época. Não queremos ficar limitados a pautas manjadas e conteúdo de internet. Todos estão muito envolvidos, muito empolgados e muito inspirados com o projeto, então coisas novas surgem a todo momento e a gente vai lapidando as idéias.
E dedicar uma revista inteira ao assunto é uma necessidade que está aí. Apesar de todo ser humano tender à nostalgia, jogos antigos são apenas uma pequena parte das revistas atuais, então ter um produto segmentado foi uma decisão natural. Assim, dá para falar mais de perto com esse público vasto que estava até agora não-atendido.
O que podemos esperar do conteúdo? Que tipo de matérias a revista terá? Como uma revista focada em nostalgia pode se sobressair em relação ao que se encontra na internet?
FS: A idéia é partir da vivência pessoal de cada membro envolvido no projeto, somar as experiências e complementar com um bom trabalho de pesquisa, nunca confiando apenas na memória. A biblioteca que montamos e estamos expandindo é parte da ação para capturar o real sentido histórico do assunto. Com essa referência, podemos voltar no tempo e consultar registros sobre a expectativa de um jogo na época, ou as reações que causou, para resgatar esse contexto e analisá-lo sob a ótica contemporânea – não serão raras as citações diretas de textos já publicados em revistas antigas. Comentários de produtores na época também serão frequentes, procurando recuperar suas idéias no conceito original.
HM: A OLD!Gamer, obviamente, busca alimentar a sede nostálgica em todas as suas necessidades. A idéia é oferecer desde reportagens sérias e minuciosas, como dossiês completos sobre jogos e suas plataformas (consoles, arcades, portáteis e computadores) e análises de momentos históricos; até pautas mais focadas em curiosidades e diversão (afinal, não temos como falar de YO! Noid sem uma grande dose de bom-humor). Cada aspecto dos jogos nos interessam: design de personagens e cenários, informações de bastidores, progressos e fracassos, personalidades envolvidas…
A propósito, este último elemento, a figura humana que faz a história, é outro de nossos focos para oferecer conteúdo único, já que estamos indo atrás dos profissionais que participaram dos processos criativos e têm sempre algo novo a acrescentar. Vale ressaltar que a não busca o passado apenas no passado, mas também em quem pode acrescentar novas revelações sobre os assuntos que abordamos. Por isso, teremos entrevistas atuais com personalidades como Segata Sanshiro, por exemplo, com que batemos um papo bem divertido para a edição de estréia.
Quando sai? Quanto custa? Tem anunciantes?
FS: Estamos trabalhando a todo vapor para lançar a revista em maio, ainda na primeira quinzena. Inicialmente, a OLD!Gamer será bimestral, mas há possibilidade de se tornar mensal, só dependendo da demanda. O preço ainda não está definido, mas posso adiantar que será um produto de luxo, dedicado a colecionadores exigentes, com 100 páginas, lombada quadrada, impressa em papel de qualidade e tudo mais. A respeito dos anunciantes, este é um caso peculiar em que o produto nasceu não viabilizado pela publicidade, mas pura e simplesmente pelo pioneirismo da idéia, pela qualidade do material e pelo potencial de mercado.
Quem vai colaborar/escrever? Estão aceitando sugestões de pautas, colaboradores ou contribuições em geral?
HM: Há uma equipe central dedicada à OLD!Gamer, composta por: Ammer Houchaimi, André Forte, Fábio Santana, Gilsomar Livramento e eu (isso no campo editorial). Além disso, há envolvimento espontâneo do núcleo de games da editora e há muitos colaboradores vitais ao processo (Marcus Garrett, Douglas Vieira e outros). Por ser uma revista dedicada pela paixão, sempre buscamos ajuda de pessoas que… tenham vivido mais intensamente o assunto tratado e também aceitamos sugestões. Aliás, já recebemos muitas.
Em uma época tão complexa para o jornalismo impresso, revistas gringas fechando as portas, perspectivas obscuras… vocês vão lá e investem em uma nova revista. Como conseguem? Então há luz no fim do túnel?
HM: Sinceramente, apesar do panorama nacional (e mundial), o núcleo de games da Editora Europa vai muito bem e só cresceu nos últimos anos. Todas as nossas publicações tem conseguindo (seja pela boa administração ou pelo empenho geral; talvez pelos dois motivos) crescer e gerar novas oportunidades. Projetos como os livros “Os 100 Melhores Jogos” e “A Arte dos Videogames” esgotaram em pouco tempo e só provam que existe um bom mercado consumidor para o segmento, desde que saiba como conquistá-lo.
FS: Óbvio que, no final das contas, isso tudo é um negócio e temos a responsabilidade de torná-lo rentável. E é justamente porquê os produtos do núcleo de games da Editora Europa têm sido bem-sucedidos que somos incentivados a ter idéias como a OLD!Gamer e outras novidades que estão por vir. Nossa revista de jogos retrô é o primeiro produto nascido da iniciativa Gamers Heaven, uma espécie de grife que pretende agregar as marcas de games da editora e possibilitar uma série de outros projetos, tanto no meio impresso quanto na frente digital. No grande plano, diversas coisas que deram certo no passado estão permitindo as expansões presentes, e tudo o que está acontecendo agora deve viabilizar os elaborados projetos vindouros. É uma espiral ascendente movida por responsabilidade, paixão e confiança no mercado.
***
Enquanto isso, surge a notícia de que a revista SET, especializada em cinema e DVD (e para a qual eu escrevi durante alguns anos sobre games e outros temas), foi cancelada pela editora Peixes. Mais sobre isso logo mais.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: europa, indústria, jornalismo, oldgamer
04/02/2009 - 18:11
A seguinte mensagem está no blog do André Forastieri, diretor editorial da Tambor (editora da EGM Brasil, Nintendo World, entre outras). Reproduzo ela aqui, porque pode lhe ser útil. Quem sabe não é para você?
Quer um emprego?
Procuro jornalista louco por games e tecnologia, que escreva bem, saiba fazer uma pauta, saiba editar, tenha paciência com leitores e internautas, seja fuçador, com fome de bola, que queira conhecer toda a indústria de games, viajar pelo mundo afora etc.
Jornalista é jornalista, fã é fã, lembre.
Não precisa ser jovem nem jornalista profissional, que diploma o quê, fuck that shit. Dentistas desempregados ou seringueiros, quem se importa.
Aliás, se não for homem, estudante de jornalismo, branco e blogueiro, ganha ponto. Tem muitos por aí. O jornalismo nacional de games precisa de um mulher negra. Alguma aí fora?
Quero ver o CV, um texto seu que ficou legal, umas idéias de pauta, e por favor mande uns exemplos de sites de games / tech sensacionais na sua opinião.
Pra trabalhar muito, em São Paulo, na Tambor, e ganhar pouco. Mas se nosso novo projetinho for bem, o potencial, baby, é infinito. Você tem que querer conquistar o universo, naturalmente.
Mande para o email: andre.forastieri@tambordigital.com.br.
Último prazo: essa sexta!***
E por falar nisso…
A Conrad, editora que tinha o Forasta como sócio – e que hoje é do Rogério de Campos - agora faz parte do grupo IBEP/Companhia Editora Nacional. Pelo que consta, a linha editorial e a equipe serão quase todas mantidas (mas algumas demissões rolaram por lá durante o dia de hoje). Atualmente, a editora era especializada em quadrinhos adultos, mangás e literatura política/cultural/subversiva. Até 2005, eles editavam as revistas de games que hoje são da Tambor, entre outras publicações.
A Conrad negociava desde o ano passado com a IBEP, mas também manteve conversas com a Ediouro. O Rogério de Campos continua como diretor editorial nessa nova empresa. Ele também promete voltar a bombar o mercado de mangás e retomar presença nas bancas.
O que essa mudança significa? É esperar o anúncio oficial para ver onde vai dar.
***
E por falar em revistas…
A próxima EGM Brasil (sim, ela continua) chega nas bancas na semana que vem, com duas capas e os últimos vestígios da extinta edição norte-americana – inclusive uma belíssima matéria sobre os 20 anos da publicação lá fora:

Halo Wars… … e Street IV
Já a Gamemaster da Editora Europa, que também chega nas bancas na segunda-feira da outra semana (16/2), conseguiu uma bela exclusividade para sua capa:

Killzone 2, do PlayStation 3
E as revistas de games continuam a existir e a fazer sentido em nosso mercado. Será? Até quando? Eis a questão de um milhão.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo
Tags: conrad, egm, europa, gamemaster, jornalistas, mercado, tambor
04/04/2007 - 19:15
A coluna semanal menos semanal da internet está de volta. A Entrevista da Semana da vez é com o Nelson Alves Jr., editor da Xbox 360 – Revista Oficial do Xbox no Brasil (Editora Europa) e jornalista com experiência em diversos veículos especializados (Ação Games foi onde tudo começou) e não-especializados (Playboy, VIP, Superinteressante, entre outros). Conhecido pelas opiniões sempre contundentes e pela freqüente atuação como fotógrafo (é dele a maioria das fotos da seção “Gata do Game” da Dicas e Truques para PlayStation, o Nelson tirou o dia para bater um papo com o Gamer.br, sem esconder nada ou economizar palavras. Confira a entrevista, e não deixe de comentar no final.
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Gamer.br: Você trabalha há muitos anos no mercado editorial de games. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Nelson Alves Jr.: Em primeiro lugar, não são tantos anos assim, pô. Mas enfim. O mercado evoluiu muito. Antes as revistas não tinham jornalistas, mas “pilotos” (seja lá o que isso queira dizer). Hoje a imprensa brasileira de games se equipara a de grandes potências. Isso me orgulha. Temos um canal de TV especializado no assunto, temos grandes marcas licenciadas na mídia impressa, sites de notícias que não devem em nada aos grandes portais gringos. Participamos ativamente de eventos internacionais, temos contatos diretos com as produtoras. Quer dizer, há 15 anos nada disso existia. O amadorismo predominava e as coisas eram feitas meio que artesanalmente. Hoje em dia o esquema é totalmente outro. É tudo muito profissional e as empresas começaram a perceber isso, o que melhora demais a qualidade do nosso trabalho.
Sua entrada no mercado jornalístico é um exemplo pra muita gente: você era leitor, foi atrás e conseguiu seu espaço. Como foi isso? Você recomendaria isso a leitores que gostariam de trabalhar em revistas?
Era leitor, mas fui estudar jornalismo justamente porque queria seguir a carreira. Sou adepto do “quem quer, consegue”, sabe? Desde moleque eu comprava revista de games. Colecionei a Videogames, que foi a primeira do gênero no Brasil e coloquei na cabeça que queria fazer o mesmo. Fiz trabalho na faculdade sobre a história da Ação Games, de quando ela começou como adendo da São Paulo em Ação.
Logo, é claro que eu recomendo aos leitores que querem trabalhar na mídia que tentem. Só que aconselho, sempre, a não pensar que se trata de um passatempo feito por desocupados. Precisa estudar, precisa se manter informado e ter senso crítico. Obviamente que os que tiverem isso e derem a cara a tapa conseguirão entrar no ramo.
Você agora edita uma revista nova no mercado, contrariando as expectativas de quem diz que o mercado de revistas está morrendo. Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? As revistas vão acabar, afinal?
Revista nenhum concorre com a internet, isso é baboseira. São mídias distintas que se completam. Eu escuto esse papo de que as revistas iriam terminar por causa da internet. Assim como o cinema morreria por causa do videocassete. Pura baboseira. A internet é um meio admirável de jornalismo, rápido e sempre atualizado, mas que raramente consegue trazer a profundidade de uma reportagem impressa. As revistas, de games ou de qualquer outro assunto, têm muito a oferecer ainda. O mercado, diferentemente do que dizem, não está moribundo. Pelo contrário, tem espaço para crescer muito ainda. O serviço oferecido pela mídia impressa é melhor trabalhado do que na internet, tem mais profundidade, a pessoa pode ler como e quando quiser.
Você já trabalhou em revistas multiplataforma, colaborou com oficiais, agora edita uma oficial. Onde se identificou mais? Por que?
Sinceridade, curti todas. Cada função tem uma sutileza. Ser repórter te permite conhecer muita gente, ter contato com assuntos em primeira mão, ganhar confiança e credibilidade para ter acesso a pautas que outros repórteres não têm. Quando você lida com uma revista multiplataforma, por exemplo, tem que ficar de antena em pé para sacar tudo sobre todas as empresas possíveis. Numa especializada, como a Oficial do Xbox, meu foco fica mais voltado para o Xbox, obviamente. E trabalhar como editor é completamente diferente de ser repórter. A visão da revista precisa ser mais ampla, o contato com os leitores é mais direto e constante, preciso sacar rápido o que eles querem e não querem. E outra, ainda tô pegando o jeito da função, não tenho problema em admitir isso. Se não bastasse, ainda tem a fotografia, que não largo de jeito nenhum. Fica complicado dizer com qual me identifico mais. Gosto de todas as funções. Num dia mais de uma, noutro dia mais de outra. Mas não conseguiria escolher uma só.
Como é lidar com a matriz (a revista oficial gringa) e a fabricante (Microsoft) nas negociações? Quanta dose de psicologia e paciência precisam ser incluídas nas suas atitudes profissionais no dia a dia?
Cara, tanto a Future quanto a Microsoft são excelentes no trato profissional. Há um respeito impressionante de ambas as partes com relação a mim e a Flavinha (Gasi, que edita a revista comigo) quanto a editora. Obviamente que há os “poréns”, como certas datas que precisam ser respeitadas antes de falarmos de um assunto, como no caso de Halo 3. De forma geral, porém, as duas empresas têm feito o possível para que tenhamos acesso a materiais inéditos, nunca nos colocaram restrição a nenhum assunto e ainda fazem o meio de campo com outras produtores. Exemplo disso nas análises de Winning Eleven 2007 e Guitar Hero 2, que conseguimos com um mês antes do lançamento.
Sem falar que têm feito o possível para incluir a equipe brasileira nos eventos mais importantes. Há um, inclusive, muito em breve, que a revista inglesa terá a companhia da brasileira. E segundo a própria Future, trata-se de algo inédito em relação a todos os 10 países que têm a OXM.
Você acha que existe hoje no Brasil uma chamada “classe jornalística de games”? Ou o que há são profissionais isolados e ainda um certo amadorismo no trato da notícia?
Não tem classe jornalística nenhuma aqui. Falta muito, mas muito mesmo, para que os profissionais da área parem de se tratar como se fossem inimigos. É uma babaquice sem fim, um ego imenso, um peito estufado e um nariz empinado que são raras as exceções que não entram nessa classificação. Eu nunca entendi a razão disso, mas enfim. O exemplo-mor disso foi aquela pataquada feita por dois boçais com as revistas da Editora Europa durante uma feira de games. Aliás, dois boçais que você já entrevistou. O que anima é saber que aquele tipo de gente está sumindo do mercado. Então, quero crer que em alguns anos o respeito passe a fazer parte da concorrência sadia. De minha parte, já faz.
E quanto ao trato “amador da notícia”, depende do profissional. Eu não tenho nenhum problema, por exemplo, em dizer se um jogo é ruim só porque eu cuido da Revista Oficial. Se for ruim, eu digo e assino. O interesse maior é com meu leitor, sempre.
Bom que você tocou no assunto “ser ou não ser parcial”. A imprensa de games nacional é “chapa-branca”? Como é ao mesmo conviver com integridade jornalística e interesses comerciais de uma editora e um anunciante, por exemplo?
Posso dizer por mim: chapa-branca jamais. Prefiro rasgar meu diploma e passar a vender pipoca no cinema a deixar de dizer algo porque um anunciante pode cortar a revista da lista. Pode soar como romantismo barato, mas é o que eu acredito e é assim que eu trabalho. Não posso responder pela mídia inteira, obviamente.
Pergunto isso pra todo mundo, mas lá vai: no Brasil, a pirataria é o problema ou a solução?
Pirataria não é solução de nada. O problema do Brasil é o Brasil, só. Enquanto isso aqui for a “República Federativa do Estelionato Fiscal”, a pirataria vai continua a existir em todos os níveis possíveis e imagináveis. Até remédio falso existe no País. As pessoas pagam impostos e recebem uma grande banana em troca. Quando isso terminar, quando os investimentos forem aplicados de maneira correta, por certo a pirataria vai diminuir, porque deixar de existir é pensar de forma utópica.
Você enxerga alguma solução óbvia para a questão “preços altos demais, empresas fora do país, pirataria e contrabando em excesso” que assola o país?
Enxergo: que a carga tributária diminua a níveis aceitáveis. A Folha publicou há pouco tempo uma pesquisa que mostra quão patético é o Brasil. A gente trabalha em média 5 meses para bancar todos os impostos que nos são cobrados. Sinceramente, você consegue me dizer quais os impostos que você paga? Eu não. Não culpo ninguém que importe um produto para escapar disso. Não defendo a sonegação, mas não culpo as pessoas por sentirem revolta tampouco. As empresas não têm alternativa viável para virem para cá. O que a Microsoft fez foi um ato heróico, na boa. O governo prefere não arrecadar um centavo, já que as empresas como Sony e Nintendo preferem se manter longe, do que manter as taxas menores e conseguir arrecadar algo, por menor que seja. Me parece uma matemática estúpida.
O que você ainda não viu acontecer no mercado brasileiro de games e gostaria de ver?
Eu acredito que seria bacana se alguém criasse uma rádio gamer. Sério. Ainda não vi (no caso ouvi) isso. Imagina, sintonizar na FM?
E na imprensa de games, o que falta para melhorar mais?
Posso estar enganado, mas falta que os jornalista de games sejam vistos como isso, jornalista de games. Não desocupados ou gente que “joga o dia todo”. A grande imprensa ainda nos olha de cima, sabe? As barreiras estão caindo aos poucos. Você na Rolling Stone, apesar de não lidar unicamente com jogos, é da área e hoje fala com um público diferente. Vez ou outra a Época publica algo do assunto. Enfim, quando perceberem que o que se pratica é jornalismo sério, teremos mais facilidade de atuar.
Você jogou os três consoles de nova geração. Até agora, qual merece o investimento do jogador? Você jogou os três consoles de nova geração. Até agora, qual merece o investimento do jogador?
Vou dar um desconto por ser o editor da Revista Oficial do Xbox, mas o X360 hoje é o melhor investimento. Tem a maior biblioteca de jogos, muitos deles AAA, o custo benefício é ótimo, tem a melhor rede online e o suporte das produtoras tende a crescer.
Qual irá vencer a tal da guerra dos consoles?
Do que se vê hoje, deve ficar entre X360 e Wii, na opinião de quem não prevê o futuro.
E se pudesse prever o futuro, o que você gostaria de enxergar em relação aos videogames?
Que fossem tratados como cultura, da mesma forma que o cinema, a música, a literatura, a fotografia…
Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo
Tags: europa, jornalismo, mercado, nelson alves jr., xbox
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