Não Gaste seu Dinheiro em Qualquer Porcaria
Como estão as coisas por aí? Aqui vão bem.
São muitos eventos rolando em São Paulo nesse momento. O GameWorld, que aconteceu no final de semana passado, foi um sucesso de público. Ontem, a Activision revelou suas novidades para 2011 em um encontro com a imprensa (não compareci). E escutei bons boatos esses dias sobre um evento de games de proporções ainda maiores no segundo semestre (muitos de vocês já sabem do que estou falando). Mas logo volto a fofocar sobre isso.
Por enquanto, para ninguém dizer que não ligo mais para games, epublico agora um texto que fiz para a revista EGW de dezembro, sobre consumismo desenfreado. Acho que é um tema que continuará eternamente em voga, então sempre vale a pena discutir o assunto.
E logo mais volto por aqui.
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Jogos Demais, Tempo de Menos
O mercado está entupido de novos jogos e acessórios, mas nem todos valem o seu suado dinheiro
Novembro foi um mês agitado para quem mexe com games no Brasil, seja profissionalmente, seja casualmente.
A Microsoft lançou a rede Xbox Live por aqui. E isso por si só já deveria ser o bastante para ocupar todo mundo. Havia quem não acreditasse que aconteceria. Mas deu certo (ou melhor, espero que tenha dado. Escrevo esta coluna no dia anterior à estreia do sistema, e rezo para que esteja funcionando direito no momento em que você estiver lendo isso. A Microsoft garantiu que funcionaria, então é melhor a gente crer). E, uma semana depois, o Kinect, também da Microsoft, chegaria às lojas brasileiras – dessa vez, com apenas duas semanas de atraso em relação aos Estados Unidos. Tudo ao mesmo tempo agora.
Enquanto isso, a Sony Brasil não fala muita coisa a respeito do seu lado da história – no caso, a rede PSN e o acessório PlayStation Move. Questão de timing e estratégia. Afinal, a Microsoft levou “apenas” quatro anos para anunciar a chegada da Live no Brasil (o Xbox 360 foi lançado aqui no final de 2006). A Sony, por sua vez, se mantém adequada ao seu cronograma, por assim dizer: o PS3 também chegou por aqui com quase quatro anos de atraso em relação ao lançamento oficial. Então, no fim das contas, está tudo de acordo com o esperado.
E é claro, precisamos nos lembrar de que este fim de ano é o período critico de lançamentos, o tal do “fall” norte-americano. É aquela louca proporção de um game por dia. Enxugando tudo e dispensando o que não presta, dá para dizer que o período oferece bem menos do que uma dezena de games imperdíveis. Em meio a tudo isso, eu fico aqui pensando quem é que tem dinheiro para consumir tanta coisa. Você tem? Porque eu não tenho.
Você pode dizer que não tenho do que reclamar porque recebo tudo de graça no conforto de meu lar. Isso é meia verdade. Recebo algumas coisas, outras tenho que comprar, como todo mundo costuma fazer. E se já acho complicado gastar tanta grana com um ou outro game, fico imaginando um cara honesto como você, que não tem nenhuma boiada e precisa comprar tudo “na raça”.
Na real, a indústria dos games não está nem um pouco preocupada com isso. Talvez eles nem enxerguem a situação como um problema de verdade. Eles devem dizer: “Ruim seria não haver game nenhum para escolher!” E para reforçar essa tese, as empresas lançam mais produtos do que conseguiríamos comprar e jogar. Melhor sobrar do que faltar? Eu acho que não é bem por aí.
É até difícil apontar um game ruim em meio a tantos jogos “mais ou menos”. Com esse excesso de novidades, se torna mais trabalhoso o processo de garimpagem, e é quando o bom senso do consumidor se faz mais do que necessário. Algumas perguntas, porém, são de difícil resposta: é possível apostar com absoluta certeza em um game criado por uma desenvolvedora consagrada? Uma continuação de um jogo incrível será necessariamente um jogo incrível? Devemos confiar em todos os reviews positivos publicados pela imprensa?
Penso que o consumidor deve ter essas questões em mente, mas relembro também algo mais importante (e que muita gente parece se esquecer): você não é obrigado a desperdiçar seu suado salário em qualquer porcaria. Não é porque a indústria abarrota as prateleiras que você precisa engolir qualquer sapo. Dê um basta no consumo desenfreado: 1. Jogos ruins e feitos às pressas não devem ser levados em consideração. 2. Continuações pouco criativas não precisam necessariamente ser consumidas, mesmo que você seja um fã ardoroso de determinada série. 3. Gênios também falham, então você não precisa comprar um game de gosto duvidoso apenas porque foi supervisionado por seu designer japonês favorito.
Investigue, teste, enlouqueça o cara da loja, mas tenha absoluta certeza antes de gastar um único centavo. Não entregue o seu dinheiro a quem não merece. E se estiver difícil de decidir, pergunte a quem você mais confia. Às vezes, a opinião de seu melhor amigo pode ser muito mais válida do que a de um jornalista…
* Texto originalmente publicado na edição 108 da EGW, dezembro de 2010.
Notas relacionadas:
- Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro
- A Activision quer ser a melhor do mundo (gastando muito dinheiro para isso)
- Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?
Para nós, ele era apenas a encarnação humana daquele encanador de bigode. Nos Estados Unidos, Albano era muito cult. Foi um dos mais famosos e odiados lutadores da liga World Wrestling Enterprise (WWE) durante muito tempo. Também participou de um monte de clipes da Cindy Lauper (inclusive aquele famoso dos Goonies) e fez participações em seriados e vários filmes. Mas ficou eternizado como o Super Mario mais realista da história da ficção. Nem a interpretação do Bob Hoskins (que fez o papel do herói naquele filme ridículo para os cinemas) chegava perto do Mario “Jumpman” Mario eternizado por Captain Lou.
O público do Play TV sabe muito bem quem é – Luiza foi VJ e apresentadora do canal durante alguns bons anos. Fez o “Combo Fala+Joga”, entre outros programas, alguns ao lado do Luciano Amaral. Daí houve um monte de reformulações na emissora, ela partiu para outros projetos e há muito não se ouvia falar dela.