Ressaca de início de ano
A “coletiva” da Activision em São Paulo, quem foi, comprovou, não teve anúncios concreto ou grandes surpresas: John Dillulo, Diretor de Marketing para a América Latina, limitou-se a comentar fatos do mercado nacional e prometer maior participação em pontos de venda e uma atuação mais efetiva no varejo. Se alguém esperava o anúncio de um estúdio ou mesmo um escritório físico em solo nacional, se decepcionou. As perguntas mais cabeludas acabaram não respondidas, e as dúvidas que haviam antes da coletiva permaneceram no ar. Eu não esperava nada muito diferente, mas enfim…
A presença de jornalistas especializados, pelo menos, foi acima da expectativa (a assessoria de imprensa comemorou a presença de 25 profissionais no evento, em plena sexta-feira, no horário do rush). Prova que nossa classe continua adorando uma oportunidade para apreciar uma boa dose gratuita de pão de queijo e suco de manga…
Não que haja algum problema nisso… Afinal, quem não gosta de pão de queijo?
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Ainda não caiu a ficha sobre o fim da EGM nos Estados Unidos?
Para mim, ainda não havia caído, até ler o melancólico post de James “Milkman” Mielke em seu blog no 1Up. O ex-editor-chefe da revista – que completaria 20 anos, veja só a ironia, em março próximo! – descreve as últimas horas de trabalho de sua equipe, com direito a fotos dos funcionários demitidos empacotando caixas e confraternizando. Triste e de chorar. É preciso comemorar que esse tipo de coisa não costuma acontecer com freqüência no mercado brasileiro. Ainda. Tenha fé.
No texto, Milkman faz questão de dar sua versão para o destino da EGM. Segundo ele, o problema jamais foi a queda na vendagem da revista, embora não seja segredo que uma publicação em papel é um luxo destinado à extinção. Ele afirma que os números continuavam altos – mais de 500 mil assinantes e uma tiragem de 100 mil exemplares em bancas e pontos de vendas – e os anúncios, apesar de mais escassos, existiam. O problema maior, ele afirma, é o alto custo de manter uma revista que precisa ser distribuída em um território de proporções continentais quanto os Estados Unidos, um país onde tudo é caro e dispendioso e ninguém gosta de sair perdendo. Ele cita o sucesso da revista britânica EDGE, que, na opinião dele, só continua a ser possível porque ela é produzida e primariamente distribuída em um território bastante reduzido – a Grã-Bretanha.
“…publishing a magazine that isn’t subsidized by anything other than newsstand sales and subscriptions is heavily reliant on ads in order to break even or make a profit. Kids who say “there’s too many ads” obviously don’t understand the logistics of publishing a mag in North America. You can get away with it on a fine magazine like EDGE, with its high-quality paper and cover stock, because 80% of your circulation lives within XX-miles of each other (the size of England, basically) and is more of an industry mag. When you have to distribute your mag to newsstands across the country, Walgreens, game shops, airports, supermarkets, magazine sellers, etc., it’s an incredible cost that goes beyond merely printing the magazine.”
Milkman aproveitou para alfinetar as três grandes publishers que gostam de alardear seus absurdos números de venda, dizendo que, na verdade, a situação no mercado não está tão boa quanto eles querem fazer que pareça. E que o que aconteceu com a EGM deve ser o destino, em breve, de várias outras publicações:
“Ads indicate a healthy mag, and the industry as a whole is not very healthy at the moment, despite all of the PR spam Microsoft, Sony and Nintendo send out saying how awesome sales are. It may be for them, but with the majority of gamers getting their information online nowadays, it’s only a matter of time before what happened to EGM happens to everyone.”
Por fim, ele conclui que o fim da EGM aconteceu porque a Ziff Davis vendeu seus negócios relacionados aos games para o grupo UGO, que não está minimamente interessado em ter uma revista, e sim, apenas um site (o 1UP).
“Despite what the internet might tell you, EGM’s circulation was holding steady in the 550-650 thousand range, with around 550,000 paid subscriptions and 100K issues printed to distribute on newsstands. That’s a lot of genuine, desired reach. There was no decline. EGM going away was simply a matter of UGO wanting a website, not a magazine, and the Ziff Davis corporation unwilling to remain in the costly print business. Simple as that.”
E assim, de maneira melancólica, a mais famosa publicação de games do planeta encerra suas atividades. Sobrou até uma edição pronta, que nem chegou a ir para a gráfica, e será publicada em pílulas no 1Up. E se esperasse até março para apagar a luz, a Ziff poderia comemorar os inalcançáveis vinte anos da existência de EGM, fechando a tampa em grande estilo. Não deu tempo, o que só torna o desfecho ainda mais deprimente. Talvez por ter trabalhado na revista durante anos e conhecido ao vivo grande parte da equipe, a notícia me atingiu de uma maneira diferente. É difícil não ficar chateado quando algo brusco assim acontece.
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A edição brasileira da EGM, no meio disso tudo, permanece existindo como se nada tivesse acontecido, segundo me acrescentou ao vivo o André Forastieri, diretor editorial da Tambor, em um papo de bar no fim da sexta-feira. Por enquanto (e talvez porque o pessoal da Ziff ainda esteja sentindo a ressaca), não existe nenhuma ordem de fora que impeça a revista de ser publicada no Brasil. Se por um acaso houver, a editora já tem planos e cartas na manga para continuar a tocar o negócio em frente. Pelo menos por enquanto, tudo indica, ainda vale a pena lançar revistas de games em papel no Brasil. Anunciante existe, leitor também. A crise mundial nos ronda, mas ainda não nos machuca tanto. Em meio a notícias tristes, é para ser comemorado.
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Deu trabalho compilar os votos, mas aqui está: a partir desta semana, todos os dias, o resultado da eleição dos Melhores de 2008 do Gamer.br – a partir de amanhã, e isso é uma promessa.
Notas relacionadas:
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: activision, egm, mercado