Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)
Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.
A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.
Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.
A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.
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Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas, não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.
Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW: Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.
Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW: Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.
E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW: Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.
No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW: Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar. E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.
Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW: Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.
Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW: Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]
Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW: É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.
E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW: No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames. Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.
Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW: Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial. Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.
Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW: Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos. Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.
Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW: Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós, e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.
Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW: Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.
Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW: Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.
Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW: Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.
Notas relacionadas:

[...] This post was mentioned on Twitter by Arena Turbo, Caio, O Teixeira and Caio Corraini, N-Blast Indica. N-Blast Indica said: Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America) http://bit.ly/a55hjo (via @Pablomiyazawa) [...]
Oi Pablo, quanta notícia boa! Parabéns pela reportagem…
Obrigado, Fernanda!
Pablo, parabéns pela matéria. É uma pena que, como Mark Wentley disse, os maiores obstáculos são “impostos” pelo próprio Brasil, (com o perdão pelo trocadilho)
Saudades de quando eu comprava meus jogos de Nintendo 64 com capa e manual traduzidos pela Gradiente…
Porque essa Latamel… :/
Bem interessante a entrevista. Mas é uma pena que a Nintendo não demonstre nenhuma intenção, nem mesmo a longo prazo, de colocar um escritório por aqui.
Saudades do tempo da Playtronic.
Triste. Ele mal conhece o mercado, os brasileiros e tudo o mais. Se ele conhecesse, ele ia saber que até hoje se vende master system aqui.
Parabéns pela entrevista Pablo, muito boa, o seu blog tem um ótimo conteúdo “exclusivo”! Mas fiquei um pouco chateado, já que Mark mostrou conhecer muito pouco do Brasil, como pode um executivo responsável pela America Latina inteira não saber quanto foi vendido oficialmente no mercado daqui? E acho que ele ficou tentando elogiar o Brasil só para disfarçar a falta de conhecimento….. nesse aspecto tanto a Microsoft do Brasil quanto a Sony se mostraram bem mais sérias, principalmente a Sony, que tem um Brasileiro como executivo para a questão do PS no Brasil. Mas fazer o que….
O mucas aí disse tudo.
Bom, lá vem la lenda urbana desses representantes: “A culpa dos preços no Brasil é exclusivamente do seu governo com a alta carga tributária.”
Sempre escondendo sua ganância em elevar a margem de lucro à taxas não praticadas em nenhum outro lugar do mundo.
Desculpa Lucas por ter errado seu nome. rsrs
Notei um certa “má vontade” do Sr Wentley em responder algumas perguntas?
Mas a 12º ele respondeu com gosto (obviamente)
Continue pressionando =]
Sinceramente eu acho que o público já tá meio fadigado de ficar ouvindo papo de executivo!
Não é uma crítica à matéria acima, mas algo que se estende por toda a mídia gamer (e a mídia em geral também). Exemplos como os presidentes da Actvision, Ubisoft e EA, que antes de serem executivos de games, eram executivos de marcas esportivas, bancos, financeiras, de automóveis, de cameras fotograficas como o Anderson da Playstation Brasil, apenas mostram e revelam uma razão que o jogador comum geralmente nem pensa: Videogame é negócio e só existe porque dá lucro!
Essa visão de que as empresas ficam empolgadas com os seus jogos da mesma maneira que os fãs ficam é o marketing mais descarado que já criaram. A empolgação destes executivos não é pelo jogo e sim pelo lucro que eles podem proporcionar. A prova disso é a quantidade de jogos bons que são extintos por não venderem bem, a paixão dos empresários termina na hora! Heavenly Sword é um exemplo.
Outro fato são aqueles jogos que a história já deu tudo o que tinha que dar, mas as produtoras continuam lançando sequências, como o Resident Evil (Filme e jogo!), sempre irá existir “o dia depois do fim”. Isso sem falar dos jogos anuais, que sempre prometem “a inovação jamais vista”, como Fifa, PES, MLB, Guitar e DJ Hero, Call of Duty e por aí vai.
O jornalista Jorge Kajuru declarou outro dia que não torce mais pra nenhum time de futebol, “torcia para o Palmeiras, não torço mais, futebol é negócio, não vou torcer pra negócios!” acrescenta. Talvez essa deveria ser a atitude que nós, pobres gamers mortais deveriamos tomar em relação aos games, uma atitude mais madura que no mínimo torce menos para determinada marca.
Por isso, quando se vai entrevistar alguém da indústria de games, deve-se dar prioridade a alguém mais próximo da criação artística em si, obviamente o artista também visa o capital, porém a visão é compartilhada com a verdadeira paixão pelo projeto. É claro que somente um executivo pode nos dar informações mais precisas sobre mercado, estatísticas, planos futuros da empresa, mas a pergunta que fica é: até que ponto esse tipo de informação é válido para você gamer genuíno? Veja o exemplo da entrevista que o Gracias deu ao Game BR, pouquíssimos foram os gamers que ficaram satisfeitos, sabe porque? Porque executivo conversa sobre negócios, e no caso do Brasil, sobre péssimos negócios, uma conversa “pra inglês ver” que nem de longe mostra a realidade gamer nesse país, tipo as novelas da Globo dos anos 80!
Eu acredito que esses papos com executivos deve ser algo muito proveitoso para os lojistas, acionistas de mercado, agencias de publicidade, analistas de mercado, economistas… mas sinceramente onde o verdadeiro proveito ao gamer, eu não sei. Não estou dizendo que não pode ser interessante, pode sim, da mesma forma que um site de fofocas sobre Celebridades, mas é proveitoso?
Outro dia, Tim Schafer, chefe da Double Fine definiu o Presidente da Activision com palavrões, e deixou claro esse lado “arrecadador” do mundo dos games, “Bobby Kotick is a “dick”, as well as a “total prick”, declarou Tim, “As obrigações dele são com os seus acionistas” , “Ele não precisa ser sempre assim, eu penso que existem outras maneiras de fazer o que ele faz sem ser dessa forma, isso é possivel! Mas parece que não é algo que ele está interessado. Ele faz grandes negócios sem gostar de videogame, e eu não acho que isso é uma boa atitude para os jogos em geral. Eu simplesmente não acho que estamos em uma indústria de aplicativos!”.
E continua, “Não podemos encará-la (a indústria de videogames) como uma indústria de sabonete, onde o objetivo é fazer um produto com o menor custo possível. E ele definitivamente tem essa “atitude acionista” de ser. Eu não acho que ele é importante para a indústria no final das contas, você não pode investir em algo simplesmente porque naquele momento é algo lucrativo, e depois de sugar tudo que tem direito, partir para a próxima. Em algum momento você precisa criar, construir alguma coisa de fato”.
“Eu espero que ele mude de ramo de negócios, que vá para uma indústria que dê mais lucro, uma que caiba melhor em sua paixão, tipo a indústria de rolamentos ou a de fabricação de armas” finaliza.
Fica aí a reflexão,
Abraços
Troféu Sabonete pra eleeeeeeeeee!!!!
Putz, valeu a intenção Pablo, mas o tal de Mark Wentley é o executivo mais sem conteudo das 3 grandes….Não soube responder nada e só ficou elogiando o País (talvez lembre das mulatas…sei lá).
O ápice da enrolação foi essa aqui abaixo:
“…o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante.” – Que educação ele fala? A educação “maravilhosa” do cotidiano? Ou a educação “espetacular” que a população recebe?? O Brasil tem como um das suas maiores fraquezas no crecimento a da capacitação da mão-de-obra que é reconhecidamente fraca.
Professor Girafales…..da ZERO pra ele!
Boa entrevista!
Pablo, parabéns pela entrevista. Achei as perguntas totalmente oportunas e necessárias.
Meus parabéns passam longe do sr. Mark Wentley, no entanto. A minha impressão é que ele é uma daquelas pessoas lisas, sabe? Que não conhece o mercado brasileiro e tenta “escapulir” das perguntas.
Ele diz “vocês são importantes, estou realmente impressionado com o crescimento, a educação de vocês é ótima”, e tudo o que eu ouço é “blá blá blá”.
Nenhuma ação concreta da Nintendo para o Brasil.
Boa entrevista Pablo!
Acho legal perguntar como eles (a Nintendo) pensam em investir no Brasil… fazer várias perguntas voltadas para o nosso país…!
Sem dúvida, os jogos precisam se espalhar mais pelo país…. e com um preço mais acessível também!
E espero uma representação melhor da Big N aqui no Brasil…
Cem milhões de brasileiros com menos de 18 anos??? De onde ele tirou tal disparate?
Ele parece meio bravo….
Ainda assim, excelente matéria! “Continue pressionando”!
Apesar de outros ja terem falado “tudo” quero deixar também meu comentario.
A postura do Sr. Wentley realmente é das piores.
O ponto alto, na minha opiniao, foi a pergunta sobre o BRIC. Entao ele afirma que conhece mais a India do que o Brasil. Faça-me um favor.
A Nintendo está levando um baile no que se refere a visão empresarial em relação ao Brasil.
Sinceramente, vamos esperar e torcer para que isso mude logo. A Sony e a Microsoft já estao por ai….melhor a Nintendo abrir o olho.