Alguns Pensamentos sobre o Mercado Nacional
Como está o seu final de ano?
O meu está aquela correria louca de sempre. Também, quem manda querer fechar uma revista uma semana antes do normal, só para poder folgar entre o Natal e o Ano Novo? Pois então, cá estamos, varando a madrugada. Mas você deve ter percebido e nem reclamou nada. Agradeço.
Como acontece quando estou ferrado, dou uma enrolada com minhas matérias publicadas em papel. A seguir, apresento minha coluna Gamer.br publicada na edição de novembro da revista EGW. É mais um daqueles posts/pensatas que ainda não perdem a validade facilmente. Lembre-se que foi escrito no final de outubro, mas quase nada de importante rolou no mercado brasileiro de lá para cá. Logo, tudo ainda pode ser considerado.
Cá está. Aproveite e comente, se possível.
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Cada Um Faz a Sua Parte
O mercado de games no Brasil tem jeito?
Que boa pergunta – principalmente porque não tem uma resposta simples. Por isso me parece o tema perfeito para um mês sem muitas agitações além dos games propriamente ditos.
Porque se você joga pra valer – e se está lendo esta revista, deve ser o seu caso -, não deve estar perdendo o sono com essa questão complicada. Nem poderia. Eu, se você você, estaria curtindo os diversos títulos legais que foram lançados nas últimas semanas. Uncharted 2, Brütal Legend, Scribblenauts, Batman: Arkham Asylum, Halo 3: ODST, FIFA 10… Dá para ficar bem ocupado. Eu, aqui, em minha função de observador chato da nossa “indústria”, sou um eterno preocupado com o outro lado da questão: como fazer mais pessoas terem acesso real a tantos jogos bons?
Deixemos as coisas em pratos limpos: todos esses games que citei estão por aí, sendo vendidos no Brasil a preços muito mais elevados do que o aceitável. Mas este fato não impede que os verdadeiros interessados tenham acesso a eles. Caro ou não, o povo dá um jeito de comprar. Paga o preço alto mesmo, faz prestação, importa, pede pro amigo trazer… e, no último dos casos (ou primeiro, dependendo da índole do sujeito), pirateia. E é a partir desses esforços que temos o que podemos chamar de “indústria de games” no Brasil. Não seria bem mais interessante se mais gente pudesse entrar em contato com os lançamentos sem ter que ter tanto trabalho, gastar exageradamente ou praticar atividades ilícitas? A resposta é óbvia. Acho que o sonho de muita gente é ir a um supermercado e encontrar esses jogos sendo vendidos a preço de banana. Não vai acontecer, é claro. Mesmo porque, até a metáfora está errada: hoje em dia, nem banana é algo barato. É difícil ir a um supermercado comprar “umas coisinhas que faltam para a casa” e não gastar menos de R$ 100. Quem mora sozinho sabe bem como é.
Voltando, você deseja ir a um ponto de comércio tradicional e encontrar os novos jogos à venda por um valor minimamente decente. Barato nunca será, mas você quer um preço justo. Mas o que é justo hoje em dia, em que (quase) tudo pode ser baixado de graça? Se você é um cara consciente, deve ter uma ideia de que preço é esse. Ele não é assim tão barato, mas também não é aquele absurdo a que estamos acostumados. Não dá para pensar em comprar um game por R$ 250 enquanto a cesta básica está na casa dos R$ 230 (em São Paulo). É algo até imoral, se você pensar um pouco a respeito.
“Videogame é entretenimento, então deveria ser acessível”
Eu penso na frase acima o tempo todo, mas a verdade da vida é mais dolorida. Videogame é uma forma de entretenimento bem cara, e mesmo que a gente reclame, isso não vai mudar nunca. Barato é jogar bola na rua, bater papo com os amigos no boteco. A produção de um game envolve centenas de pessoas, milhões de dólares e infinitas etapas que nem chegamos a imaginar que existem. O resultado desse trabalho jamais será dado de graça. É um mundo capitalista e selvagem lá fora, e corporações só existem para lucrar. Nenhuma produtora irá criar um jogo para distribuir de graça e fazer as pessoas felizes. Só mesmo naquele mundo ideal que, infelizmente, não existe.
De volta ao Brasil em que eu e você vivemos, vamos relembrar os pontos mais problemáticos da questão inicial. 1. Os jogos existem no mercado, mas custam caro para a atual realidade do país. A grande maioria da população não tem grana para comprar comida, imagine games. 2. Não ajuda muito o fato de o imposto sobre produtos industrializados ser um absurdo. 3. Também não facilita em nada a presença pouco efetiva – ou inexistente – de várias das empresas gringas mais importantes – muito por causa dos já citados impostos. 4. E para que cada um desses três fatores se resolva, é preciso que todos sejam solucionados ao mesmo tempo.
Nossa, que vida dura a nossa, não? Dá para ter esperança de mudança? Claro que sim. Senão, qual seria a graça de se dedicar ao mercado de games nacional? E essa esperança, afirmo no limite da pieguice, está em nós mesmos. O brasileiro é, antes de tudo, um bravo: mesmo com tudo conspirando contra, lá está ele, jogando, consumindo e contribuindo para que o nosso País seja considerado o mercado mais promissor e interessante da atualidade. Estamos fazendo muito bem a nossa parte. Que todos os outros envolvidos façam as deles.
* Texto publicado na edição 95 da EGW, novembro de 2009.
Notas relacionadas:

[...] This post was mentioned on Twitter by Pablo Miyazawa, Rafael Gomes. Rafael Gomes said: RT @pablomiyazawa: O mercado brasileiro de games tem jeito? http://tinyurl.com/y8pox4c (post "novo" no blog). [...]
Concordo com o fato de ser caro e de que sempre será.
Gosta? Pague o preço. É como você disse: muita gente cheia de conhecimentos específicos, muito tempo de trabalho, infra-estrutura cara pra caralho, a vida é assim.
Quer jogar de graça? Tem muito jogo indie free e muito bom por aí. Sem contar Quake Live, Battlefield Heroes e essas coisas de Free2Play que eram moda.
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This post was mentioned on Twitter by pablomiyazawa: O mercado brasileiro de games tem jeito? http://tinyurl.com/y8pox4c (post “novo” no blog)….
Muito xororo Pablo

Nem so de consoles vive o mercado.
O de games online by the way vai muito bem obrigado
Level Up! crescendo
Mas enfim eu tbem peno pra comprar uns joguinhos pro meu 360.
Essa semana comprei o PES 2009 que ficou 100 reais mais barato porque agora tem o 2010
Falta no momento um pouco de visão e ação do governo para enchergar que a redução de impostos sobre essas tecnologias, além de fomentar o mercado gerando riquezas, empregos etc…poderá fazer a arrecadação de impostos disparar…impactado pela migração dos compradores do mercado cinza, ou até dos que importam diretamente (eu não ponho esses na mesma categoria cinza…).
O grande problema é que o Brasil tem mentalidade de roceiro…prefere exporatr soja ao invés de tentar exportar tecnologia! Vai Brasil….EU AINDA CONFIO!!!
Pablo (e leitores), aproveitando o gancho do “Mercado Nacional”, queria que vocês dessem uma lida nesse meu texto que trata sobre o Zeebo:
http://warpzona.wordpress.com/2009/12/18/dez-propostas-para-o-zeebo/
http://www.icongames.com.br – jogos entre R$10 e R$15, nacionais, vendidos direto por download. Não são jogos AAA, mas são divertidos, em português, e rodam em 99% dos PCs no mercado.
Quem foi a Rio Game Show, e passou lá no meu stand se divertiu com Bola de Gude, Fruzzle, Match3D, Detetive Carioca e Snail Racers (que ainda falta colocar no site), além de ter trocado idéia comigo, o desenvolvedor que vos escreve
Inclusive, último lançamento, “Detetive Carioca” foi patrocinado pela Secretaria de Cultura do RJ, vai ser utilizado nas escolas públicas e centros culturais do Estado e está bombando!
Opção para jogos caros é o que não falta… o problema é que 99% dos brasileiros não sabem que existem muitas empresas fazendo jogos por aqui (e não, a grande maioria não está listada no site da Abragames não!)
Parabens Pablo, excelente texto. Fiquei sabendo por meio do seu site sobre a empresa Proximo Games, achei a proposta bacana, acho que temos que tentar fazer a industria dos games funcionar de verdade. Estou terminando o curso de Publicidade e estou cheio de ideias, quero fazer algo novo, quero que as pessoas possam comprar os seus jogos na caixinhas, ter o manual do jogo em maõs e em português. Isso é muito mais prazeiroso do que comprar aquelas porcarias copiadas que até a impressão da capa é vagabunda. Bom queria na verdade agradecer pelo texto, me deu mais “tesão” ainda de abrir uma loja de games e verder coisas originais. Parabens pelo trabalho!!