A Satisfação do Jornalista de Games Brasileiro – Parte 1
E aqui está.
Após um tanto de pesquisa e enrolação, cheguei ao resultado de minha pesquisa sobre a satisfação do jornalista brasileiro de games.
Ao longo da semana passada, conversei com 30 profissionais (aleatórios) da imprensa especializada de diversas áreas de atuação. Escolhi apenas jornalistas que trabalham principalmente com videogames. De acordo com a condição profissional de cada um, fiz sempre as mesmas perguntas, anotando as respostas. Juntei tudo e tracei um perfil. Simples assim.
Obviamente (e senão não haveria graça nenhuma), as questões foram um tanto capiciosas e davam margem a reclamações diversas. Pense comigo: será que tem alguém por aí que acha que já ganha bem o suficiente e NÃO deveria receber mais? Portanto, fiz o questionário já meio que sabendo o que iria ouvir de cada um. O que não quer dizer que as respostas recebidas foram muito parecidas umas com as outras.
Aliás, muito pelo contrário, como você irá conferir.
Através desta pesquisa, procurei entender até que ponto está a satisfação dos profissionais e o quanto eles estão se sentindo valorizados por seus empregadores. Além disso, quis pescar algumas opiniões sobre o otimismo (ou não) com o mercado nacional e a profissão. Vale a pena ser contratado hoje em dia sem ter os benefícios da carteira assinada? Ou é melhor frilar para todo mundo, sem ter nenhum vínculo? Mas será que as empresas pagam bem pelos frilas? E os salários? Estão melhorando?
Não quis ser indelicado de perguntar sobre valores aos entrevistados, e acho que nem seria bem o propósito deste estudo. O objetivo aqui não era descobrir quanto é o salário médio, o teto e o mínimo da profissão, mas sim entender o que pensam essas pessoas. Acredito que o grupo de entrevistados (30) representa uma boa amostra dos jornalistas brasileiros que trabalham com videogames diariamente (a grande maioria é residente na região Sudeste do país). E para evitar problemas óbvios com chefes irados, decidi por preservar a identidade dos entrevistados. Eles sabem quem são, e está mais do que bom.
Estatísticas são sempre legais:
- 50% do total de entrevistados são contratados (com carteira assinada ou passando nota fiscal) e tem obrigações fixas com alguma empresa;
- Já 33% do total de entrevistados são free-lancers e colaboram para um ou diversos veículos (revistas e sites, basicamente, salvo exceções raras), mas sem vínculos fixos;
- O 17% restante é formado por empreendedores, ou seja, comandam negócio próprio, de onde tiram seus rendimentos. Vale dizer que a totalidade desses empreendedores investe unicamente na internet.
- Daqueles que se declararam contratados, 54% possuem carteira assinada. 46% emitem nota fiscal ou assinam recibo (ou CCDA).
- Ainda sobre os que se declaram contratados: quase a metade trabalha exclusivamente com a internet (46%); a outra parcela (40%) é funcionário de editoras e produzem revistas (na maioria) e sites; uma fatia pequena (14%) aplica seus conhecimentos em mídias diversas (TV, rádio).
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E a primeira questão foi:
1. Você tem expectativa que seu salário suba/melhores nos próximos 12 meses?
Com essa pergunta, quis medir o nível de otimismo em relação à situação profissional de cada um. Grosso modo, a questão era a seguinte: “seja você contratado, frila ou empreendedor, você acha que vai ganhar mais dinheiro trabalhando com games em um futuro bem próximo?”
O resultado foi o seguinte:
De todos os entrevistados, 57% dizem ter grandes expectativas que seus rendimentos aumentem nos próximos 12 meses. O valor é acima da média por causa do otimismo daqueles que se declaram “empreendedores”: 100% dos donos de sites dizem ter certeza absoluta que seus rendimentos subirão.
Agora, se esses empreendedores não forem incluídos no coro dos otimistas, este índice diminuiria para 40%. Se forem levados em consideração apenas os profissionais contratados, o índice ficaria em 53%. E se levados em consideração somente os freelancers, o índice diminuiria para 40%.
Curiosamente, o índice de otimismo é ligeiramente maior entre funcionários que passam nota fiscal (57%) do que aqueles que possuem carteira assinada (38%).
Por outro lado, 30% do total de entrevistados se declarou completamente pessimista sobre a possibilidade de aumentos nos rendimentos nos próximos 12 meses. O índice aumenta entre os freelancers (40%) e se mantém em 33% entre os contratados.
Os restante dos entrevistados (13%) se declara indeciso sobre o tema: eles dizem não ter muita segurança sobre se terão ou não aumento de rendimentos nos próximos meses. A porcentagem dos que responderam “talvez” é levemente maior entre os free-lancers (20%) do que entre os contratados (13%).
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CONCLUSÃO: Quando o assunto é dinheiro, o otimismo parece estar ao lado de quem investe tempo e dedicação em um negócio próprio. Por conta da escassez de trabalho e da diminuição (ou corte) nos cachês, depender de frilas e colaborações esporádicas se mostra a solução cada vez menos atraente e lucrativa. Mas mesmo entre quem tem emprego fixo, está parecendo difícil para a maioria acreditar na melhoria das perspectivas – e isso independe de a pessoa ter carteira assinada ou emitir nota fiscal. Triste? Um pouco. Eu esperava um quadro um pouco mais animador para os funcionários fixos de carteira assinada, mas fiquei feliz pelo nível otimista dos empreendedores. Para os frilas, eu já imaginava que a vida estava dura.
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E semana que vem, continuo a oferecer mais dados sobre esta pesquisa, avaliando dois itens: nível de exploração chefe-funcionário e insatisfação com o mercado atual.
Continue por aqui, e não deixe de escrever seu comentário abaixo. Bom sábado e domingo.
Notas relacionadas:

Aê, Miyazawa!
Quando “te conheci”, você era dessa área!
Sempre curti o seu trabalho e o da galera que nos informam a cada mês (nas revistas) e a cada dia nos sites!
Estimo sucesso para todos os jornalistas de games de plantão!
Parabéns pela matéria!!!
Ótimo fds prá você também!!!
@MarcioCardoso
Porra, Pablito,meu velho!
Isso deveria render um livro, cara!
Parabéns!
muito bacana isso!
*Ansioso pela parte 2.
Muito boa essa matéria, ainda mais pra alguém como eu, que vai começar a faculdade de jornalismo.
Parabéns pela matéria
abraços.
Olá Pablo, tudo na santa paz? Sei que não seria certo citar o salário do jornalista A ou B, porém, uma dúvida paira pela minha cabeça: qual é a média do salário de um jornalista de games no Sudeste?
Grato.
Massa a pesquisa…
Adorei a matéria, vou acompanhar todas.
Eu acho que a situação de alguns está ruim por pura preguiça de agir e fazer o diferencial.
Vejo poucos profissionais inovando ou criando coisas bacanas, o comodismo de ficar sentado atrás de uma tela de computador é o caminho mais fácil, burro e coopera para ( ao meu ver) a desvalorização dos mesmos profissionais dessa área.
Muito bom, Pablo.
São informações como essas que se tornam preciosas a pessoas como eu, que ainda não decidiram ao certo o que fazer da vida. Acabei de abandonar uma ótima faculdade estadual porque detestei o curso em que estava. Agora fico no dilema de fazer ou não jornalismo. Sempre percebi que levava jeito pra coisa e as pessoas ao meu redor dizem o mesmo. O problema é o mercado de trabalho.
Sua pesquisa me diz exatamente o que preciso saber: A opinião de quem já está nessa área.
Como a coisa anda meio ruim por essas bandas e vários jornalistas já me disseram para repensar a escolha acho que vou seguir pelo ramo da informática mesmo. Afinal, já trabalho com computadores há vários anos. Já peguei o jeito da coisa. =]
Mas ainda tenho a esperança de algum dia conseguir meu espaço no jornalismo brasileiro de games. Afinal, nem todo mundo que trabalha com isso hoje é jornalista, não é?
Aguardo ansioso pela parte 2.
E assim caminha a humanidade…
Pablo desculpe a ignorancia, mas o q vem a ser esse tipo de contrato de trabalho: “emitem nota fiscal ou assinam recibo (ou CCDA)”???
João Vicente, quando o trabalhador emite recibo ele tem uma PJ (pessoa jurídica) constituída. Tem uma empresa em seu nome, realiza o trabalho e emite um recibo para o empregador em troca da remuneração, não havendo vínculo trabalhista (sem 13o salário, férias, etc.). Abraço pra você e pro Pablo. Aliás, dá uma tese esse assunto aí, hein Pablito?
[...] Gamer.br sobre a satisfação do jornalista de games brasileiro (eu deveria patentear esse nome). A parte 1 foi publicada na semana passada. A parte 2 começa [...]