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03/08/2009 - 16:07

Entrevista da Semana: Rodrigo Moretz (Samsung/WCG)

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A Entrevista da Semana está de volta, desta vez como seção fixa no Gamer.br. Agora, toda segunda-feira tem pingue-pongue por aqui. O papo desta semana é com o Rodrigo Moretz, gerente de marketing de relacionamento da Samsung e principal responsável pelo torneio World Cyber Games no Brasil. Conversei com Moretz durante a viagem entre as cidades alemãs Colônia e Frankfurt, um dia após o encerramento do World Cyber Games 2008, em novembro último. Com as seletivas para o torneio alcançando a reta final (a final mundial da edição 2009 acontece na China, em novembro), está aqui a melhor hora para publicar esse papo inédito, que deixa bastante claro o posicionamento da empresa sobre o principal campeonato de games do planeta.

Leia a longa conversa e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: O que a Samsung ainda ganha patrocinando o esporte eletrônico e o World Cyber Games? Esses ganhos já são visíveis, já que o evento completa 10 anos em 2009?
Rodrigo Moretz:
Eu acho que sim. A gente primeiro ganha visibilidade com essa moçada nova. Nossa marca tem contato com eles constantemente em tudo que eles vêm a tudo que eles consomem. Falando de Brasil, estamos conseguindo manter um evento sólido e esperado todo ano. Então agora a questão é a gente conseguir fazer coisas diferentes – a fórmula é meio básica, agora a gente tem que achar meios de deixar a coisa mais atraente, principalmente para outro público. Os gamers hardcore a gente sabe que a gente acaba arrastando, mas temos que aumentar a capilaridade do evento.

Com os resultados no último WCG [uma medalha de bronze em Carom 3D], você enxerga que o Brasil está longe de outros países no e-sport? Ou você acha agressivo demais afirmar isso?
RM:
Acho agressivo. Se essa entrevista fosse em 2007, nós havíamos ficado em segundo, na frente de todos os países, exceto os Estados Unidos. É meio relativo. Cada ano se começa do zero, é um pouco da diferença do esporte convencional. Futebol é futebol – mudam-se os times, mas futebol é futebol. Num game como FIFA, muda muita coisa na jogabilidade, nos bugs, e é isso o que nivela todo mundo. Estar concentrado e psicologicamente preparado também ajuda. Esse é o diferencial de ter uma equipe nova, né? Era a primeira vez que muitos estavam ali, jogando no palco, com torcida, aquela pressão. Acho que isso faz diferença também.

Como você compara a delegação de 2008 com as dos quatro anos anteriores?
RM:
As quatro têm coisas bastante diferentes. A primeira que foi com a gente estava “juvenil” como nós, deslumbrada com o que estava vendo. As duas seguintes tinham muita gente repetida, então rolava uma relação mais automática, a fluidez era maior. A deste ano [2008], a galera era mais nova e havia um problema de adaptação, muita gente era a primeira vez que saia do país, isso acho que foi a diferença. Mas em termos de astral, eu achei que fosse ter panelas entre países e jogos, mas não rolou. Todo mundo se misturou. Mesmo entre os times de CS, que são considerados chatos: rolou interação, todo mundo saiu, sem a obrigação de estar junto sempre. No final foi bom, tirando o fato de ser a primeira jornada deles.

Além de estimular o e-sport com esse campeonato, a Samsung dá alguma outra forma de apoio ao jogador durante o treinamento? Você acha que a empresa poderia fazer mais para os ciberatletas melhorarem seus níveis?
RM:
Não, a gente não faz, por falta de tempo e investimento pra isso. A gente tem um investimento para o projeto em si. O que temos são planos para buscar parceiros, outras empresas que queiram estar nesse universo, para darmos um passo a mais pra conseguir objetivos de competição, para aí sim, transformar num esporte de verdade, treinar com foco em ganhar. Hoje o treinamento é individual, cada um se vira como pode. A gente só precisa pensar como. O Mibr foi pra Suécia porque a internet lá é melhor e há muitos times lá. Vamos fazer a mesma coisa sem ter o custo de ter que sair do país. Uma internet boa, ou trazer gente de fora pra criar um intercâmbio. São coisas que a gente vai estudando. Com mais parceiros, a gente vai somando.

Como entusiasta, o que você acha que é preciso para que o esporte eletrônico no Brasil seja mais levado a sério? Quem precisa ser convencido? As empresas com dinheiro, ou o público, os consumidores?
RM:
É a brincadeira do ovo e da galinha. Mas eu acho que as empresas tinham que se mobilizar primeiro, entender que talvez esse garoto não é um decisor de compra agora, mas no futuro ele pode ser. Mas o pai dele, que está levando ele ao evento, é o cara que vai estar olhando. As empresas precisam perceber que game não é uma coisa só de molecada, nerd, e que pode gerar muito negócio. O Brasil precisa acordar para o segmento de games. Você vê pesquisas que mostram que o mercado é brutal em investimento. Começa por aí. A partir do momento em que as empresas olharem com melhores olhos, o público automaticamente vai ser sensibilizado de que a coisa é séria, é de dentro pra fora. Acho que esse é o caminho. Essa é minha batalha interna dentro da companhia.

Você acha viável que um jovem se concentre nessa área ao invés de pensar numa carreira universitária? Falta orientação paterna?
RM:
Falando de hoje, acho que é muito complicado ter uma carreira dedicada a games. Tenho pouco contato com isso fora, mas acho que o Brasil está um pouco distante [do cara viver disso]. O que a gente tenta pregar é o cara dosar, jamais esquecer de faculdade, da vida normal, e tentar dosar isso para ver o ponto de equilíbrio. E arriscar, mas aí isso faz parte do risco da vida. O papel dos pais é fundamental, tanto em apoiar quanto em colocar limite. A gente sempre fala em todas as reuniões com os meninos: ‘tudo em excesso faz mal, até água’. Tem que ter um limite, um equilíbrio. Tomara que um dia a gente chegue ao ponto de ser profissional, mas acho que falta bastante apoio da mídia em geral, de criar mecanismos ou programas que atraiam isso.

O que um jogador de game pode esperar do “pós-carreira”?
RM:
Eu já parei para pensar nisso. Uma vez dando certo a profissionalização, isso começa a criar um circulo virtuoso. O cara pode se tornar manager do time que ele fez parte, somar a experiência dele. A gente sabe de empresas que tem relações com games por causa do aspecto de você ter de resolver problemas, ou achar caminhos. O cara já tem isso na cabeça. E empresas de tecnologia também é um caminho, o cara já conhece os equipamentos. São caminhos bons.

Ajuda na carreira eles serem competitivos?
RM:
Acho que sim. Saber lidar com ganhar e perder, que é algo com o que eles convivem sempre. Saber ganhar e comemorar, perder e ser fair play, repensar os erros, ajuda muito, diferencia muito. Tem gente que sai cru da escola, entra na carreira e, na primeira pressão que toma do chefe, desanda. Acho que trabalhar essa pressão é interessante, dá uma calejada no cidadão.

Em termos práticos, o que uma medalha em um WCG muda na vida de um ciberatleta não profissional?
RM:
Para eles, acho que muda no sentido folclórico: “sou um dos poucos campeões mundiais de videogame”. Fica marcado. As pessoas próximas têm isso como referencia. Pessoalmente, é um puta mérito. Deve ser muito gostoso chegar em casa e mostrar para a família – “olha, eu consegui”. Para a gente, pro país e as empresas envolvidas, ajuda a atrair a mídia e também é uma cenourinha que fica sempre na frente, que faz você sempre querer ser mais. No ano que vem, a gana será maior, uma cenourinha para a gente ir buscar.

Existe o plano de fazer a final mundial no Brasil. Em que pé está isso?
RM:
Na minha cabeça, a idéia está sempre presente. Já ganhamos um prêmio como a melhor final nacional. Eu acho que temos que fazer um Panamericano, que é uma mini-final mundial, em que vamos sentir como é receber gente de fora, cuidar desses caras. Imagine cuidar de 200 jogadores de fora. A gente sabe que ainda está um pouco distante – o Pan nem tanto, a gente vai tentar aplicar o projeto pra ver se passa esse ano. Para a gente seria muito bom. Eu estou apostando internamente. A gente pode transformar isso em um festival da Samsung, aguardado todo ano.

Você comentou sobre o apoio do governo. A atual gestão oferece algum apoio?
RM:
Não sei se é uma falha minha, ou de tempo, mas nunca consegui me aproximar muito do governo. Eu só não achei o caminho ainda. É um ponto a ser desenvolvido no nosso projeto, qual é a veia para dar suporte para a gente. Para o governo seria bom, atrairia gente, investimentos. Estamos na luta pra ter a Olimpíada no Brasil, claro, guardadas as devidas proporções, é um jeito de a gente plantar uma sementinha lá, um ensaio que a gente pode fazer de receber gente de fora… Eu ainda não avaliei se vale a pena antecipar isso ou não.

Por que o brasileiro gosta tanto de WCG?
RM:
Eu gosto desse projeto pra caramba, acho que ele ainda tem muito sumo pra dar. De certa forma, ele pode ser aproveitado melhor por nós mesmos, e aí, leia-se pensar em mais coisas diferentes. O segmento é grande, tem potencial, e temos a faca e o queijo na mão. No Brasil, entre as empresas desse segmento, a Samsung é a única que está nesse barco. Por que não ligar o motor e não deixar nunca ninguém chegar perto? Se não fizer isso, outras empresas tendem a se aproximar. Já vimos outras [empresas] participando de outros campeonatos, de maneira tímida, mas começaram. É por essas que a gente gosta tanto. E é sempre uma colônia de férias: é um trabalho com diversão.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Jorge Filho (Kaizen)
  2. Entrevista da Semana: Rodrigo Guerra (SDP)
  3. Entrevista da Semana: Bruno Fukuda (Mibr)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Cobertura WCG 2008, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,

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9 comentários para “Entrevista da Semana: Rodrigo Moretz (Samsung/WCG)”

  1. Bela entrevista, Pablo. Divulguei ela no site que sou colaborador, tomara que não se incomode :)

    http://www.teamplay.com.br/view.php?not_id=2450

  2. [...] Não deixe de conferir e comentar a entrevista completa no Blog! [...]

  3. zicky disse:

    Boa entrevista, tomara que em breve tenha uma final mundial aqui :P

  4. Felipe Sahade disse:

    Boa entrevista!
    Mesmo com todas as baixas que os esports tiveram nos últimos tempos, o WCG continuou sendo referência na comunidade. Seja pela tradição, abrangência ou por ter uma grande empresa como a Samsung por trás.
    Torço pra tenhamos um Pan e, depois quem sabe, um Mundial por aqui. Isso seria importantíssimo pra dar um gás no cenário brasileiro.
    E que o WCG Brasil continue ligado, adaptando suas classificatórias como estão fazendo, trazendo novidades, buscando atrair novos adeptos… Se acomodar, acabamos que nem nossos vizinhos sulamericanos…
    No mais, quem sabe não dou um pulo nessas finais novamente? hehehe

  5. [...] A entrevista completa você encontra no blog. [...]

  6. Pablo, varava as noites jogando moonwalker na casa dele quando ele morava no bairro Saúde… Pablito não esquece os amigos… E quando ele trabalhava na banca de jornal, passavamos a tarde toda jogando game boy… Sucesso rapaz e felicidades.

  7. Eh So do Espirito Santo Tenhu 19 anos e Queriaa Perguntar Algums coisas..

    1ª O Espirito SANTOO Naum tem Lugar Praaa sediar Uma etapa Wcg?
    2ª Noo Espirito SAntoo Naum Vendee Sansung?
    3ª Noo Espirito SAntooo Naummm Teeem Jogos?
    4ª O Espirito SanTooo Naum Faz Partee Do BrASIL?
    5ª A região Sudeste Do Brasil Naum Tem o ESPIRITO SANTO?
    ( aGORAAA PQ A ETAPA SUDESTE DA WCG SO TEM EM MINAS E RIO DE JANEIROO ) ? Jaaa Que falamos Tanto em e-Sports Pelo Brasil ( O ESPIRITO SANTO TBM E BRASIL…
    Pelo Menos Umaa etapa Counter-Strike. . .
    Ja Postei essa Pergunta em Todos os Saites Da WCG BRASIL NINGUEM RESPONDEEE…
    Grande Abraçooooo

    By Marcos ( iMT )

  8. Muriel Naressi disse:

    Parabéns pela entrevista, foi simples e bem focada.
    Parabéns e sucesso.
    ;)

  9. [...] que alguém lá na Samsung Brasil deva estar bastante satisfeito neste [...]

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