Perdido no Mundo dos Cosplayers
Sábado rolou o WCS, World Cosplay Summit para os íntimos – etapa brasileira do maior campeonato de cosplay do mundo. Festa bem organizada, cheia de mídia grande, cheia de gente importante e um monte de plateia empolgada. Foi interessante, como eu disse, tanto quanto evento em si e como experiência antropológica.
Fui jurado pelo quarto ano consecutivo. Acho que dos jurados desse ano, apenas eu e o Arnaldo Oka estivemos em todos. Havia alguns novatos, como o Rafa Losso, da MTV, que sentou do meu lado esquerdo e adorou o evento. Também foi a primeira participação da atriz Renata Takahashi (sentada do meu lado direito). O restante da mesa era composto por diversos outros especialistas (o amigo Marcelo Del Greco) e envolvidos com anime, mangá, cultura oriental e afins.
Sim, os videogames entram nessa categoria do “afins”.
Das 14 duplas que se apresentaram no palco, cinco delas fizeram cosplays de personagens de games. Praticamente um terço, o que é uma boa média (acredito que a mesma dos torneios anteriores). Dificil é sair um pouco dos games da Square quando se trata de cosplay. Duas duplas interpretaram personagens diferentes de Final Fantasy X. Outra fez uma belíssima cena de Final Fantasy III (ou VI, dependendo do seu referencial). Havia ainda uma dupla interpretando personagens de Castlevania: Order of Ecclesia, e outra fazendo uma cena de .hack//G.U..
Também estava bom para os nostálgicos e fãs de cinema: teve A Viagem de Chihiro, Akira, Astro Boy e Princesa Mononoke. E os fãs hardcore de anime curtiram as aparições de One Piece, Digimon, Angelic Layer e Tengen Toppa Gurren Lagann. Bom para todo mundo.
Confesso que, em certos casos, foi difícil dar as notas. Nenhum problema com os critérios (fantasia, performance e fidelidade): acho justos e bem claros. A dificuldade estar em julgar esses critérios diante de apresentações tão díspares, com intenções e ideias diferentes. Algumas duplas claramente queriam interpretar cenas já existentes originalmente. Nenhum problema nisso, Outras, criavam situações do zero, bolando sequências inéditas. Bem legal também. Houve quem quisesse contar a história completa do tal desenho em apenas três minutos, o que também era algo válido. Enfim, tinha de tudo. E justamente por causa da variedade, ficava mais complexo para os jurados darem seus vereditos. Como comparar atuações tão distintas entre si?
A gente tentou, e o resultado foi este: a dupla vencedora, Renan Aguiar e Geraldo Cecílio, fez uma interpretação musical de One Piece, com direito a coreografia, toques de humor e pastelão. Foi impressionante, porque mostrou presença de espírito e dedicação. Imagino que tenha sido por esses detalhes que eles ganharam as melhores notas. Mas o que a atuação deles tinha de semelhante com a da dupla segundo colocada, Petra Leão e Alessandra Fernandes, que recriaram uma das cenas-chave do clássico Akira?
Nada, basicamente. Elas poderiam até entrar em concursos distintos, de tão distantes uma da outra. E não estou falando da qualidade, veja bem, e sim dos estilos e propostas. A primeira dupla bolou toda uma performance baseada em dança e gags teatrais, com a trilha de O Estranho Mundo de Jack e diálogos gravados em português. A segunda, manteve uma fidelidade quase cinematográfica à obra original, com efeitos especiais, diálogos falados em japonês (ao vivo) e trilha sonora de impacto (sem falar da maravilhosa motocicleta de Kaneda, que mesmo entrando duas vezes no palco, causou duplo furor). Ambas diferentes, ambas muito boas. Mereceram figurar no topo. Infelizmente, só uma poderia ganhar. E na matemática, essa ciência exata e tão injusta, deu no que deu.

Os vencedores (imagem gentilmente “roubada” do site do WCS
No mais, deu gosto ver o cosplay, esse hobby tão incompreendido quanto questionado, ganhar um evento à altura da empolgação e paixão de seus praticantes. Do ponto de vista gamer, foi também ótimo ver que os jogos continuam como excelente fonte de personagens e tramas interessantes. Foi bom também ver os participantes deixando um pouco de lado as batidas lutas de espada, fumaça e explosões para focar mais em interpretação e narrativa. Afinal, ao contrário do que pensa o imaginário popular, campeonato de cosplay não é um mero desfile de gente fantasiada.
Notas relacionadas:

hmm
Eu tava lá, mano, e foi foda. Os quatro primeiros foram realmente os quatro melhores, vcs jurados colocaram eatamente a posição q eu imaginei – mesmo que eu tivesse uma predileção pelo Seymour+Shiva e especialmente pelo Kefka.
Anyway, deixo a pergunta: tomou muito Mupy?
Como disse no outro comentário, sobre isso aí de cosplays, tem q ve isso ae.
pois é… eu gostei bastante da apresentaçao de ecclesia, mas eu sou muito suspeito pra falar.
o que eu acho mais interessante é o fato que tanto como os cosplayers, quanto aos jurados ainda permanecem o mesmo durante esse período de 4 anos. e eu pude ver a evolução dos dois lados, bem como em julgamento quanto nos novos recursos.
enfim, gostei.
Eu fico imaginando a grana que essa galera investe em fantasias e tal… Tem umas que ficam muito boas.
Olá Pablo! Acompanho seus trabalhos já a algum tempo, até ja trocamos e-mail uma vez, sobre o anime friends, adoro seus textos memóráveis no site Omelete, e na revista Heroi, gostaria de parabenizar-lhe pelo seu profissionalismo, e pelos critérios que você usou no seu julgamento la no WCS 2009.
Gostei muito do texto acima e concordo totalmente com ele.
é fabuloso ver o cosplay conquistando cada vez mais sucesso e espaço na mídia.
Sucesso p vc!
Eu também estive lá. Gostei da maioria dos resultados mas me simpatizei demais com a dupla de Mononoke Hime, os dois tinham uma voz fantástica e
conseguiram contar a história do filme (que sou fã) muito bem contada em forma de ópera. Achei bem criativo da parte deles, já que a maioria do pessoal prefere interpretar as cenas que já existem (assim como fez os campeões, fizeram One Piece em musical, super legal). Eu achava que eles mereciam uma posição melhor, mas gostei bastante de boa parte das apresentações e os campeões realmente mereceram. Fora a dupla de Mononoke, concordei com os resultados.
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