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Arquivo de abril, 2009

13/04/2009 - 14:45

Dos “100 que estão reinventando a América”, 5 são dos games

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A edição do mês passado da revista Rolling Stone norte-americana (com as Gossip Girls na capa) publicou uma matéria bem interessante – que não deve sair na edição brasileira, já aviso: as 100 personalidades que estão reinventando a América.

Sempre espero de tudo quando se trata dessas listas, principalmente as criadas pela Rolling Stone. Mas dessa vez, me surpreendi positivamente. Os editores da revista pop mais famosa do planeta colocaram, em sua lista de 100 mais, cinco profissionais envolvidos com a indústria dos videogames (veja a matéria original aqui).

Não é para diminuir o valor da lista, mas já faz tempo que a imprensa norte-americana joga às alturas a indústria do entretenimento digital e suas cabeças pensantes – com certeza, é muito mais fácil fazer isso por lá do que por aqui. Videogame nos Estados Unidos é uma realidade muito mais na cara e óbvia do que no Brasil. Seria mais estranho se a lista da Rolling Stone não citasse nenhum cara ligado a games.

Voltando: os cinco figuras escolhidos não estão lá no fim da lista não. Vejamos:

Shigeru Miyamoto aparece logo em 13º lugar. No textinho, ele é descrito como “o Bob Dylan dos videogames”, se é que isso pode ser considerado elogio. “Em uma era em que os games vendem mais que DVDs e CDs, Miyamoto é a mente mais criativa da indústria. Com o Wii e seus controles sensíveis a movimentos, ele transformou a natureza dos jogos em algo que todo mundo pode curtir”, diz o artigo, que também cita uma frase boa do sujeito: “Videogames são ruins para você? É o que falavam sobre o rock & roll.”

Alex Rigopulos e Eran Egozy, ambos da Harmonix, aparecem na 44ª posição. O texto também não economiza elogios em relação ao grande feito da dupla: “Ao inventarem Guitar Hero e Rock Band, esses dois colegas do MIT criaram uma nova maneira de se consumir música”. E também destacam o The Beatles: Rock Band, que sai em 9 de setembro de 2009 – mesmo dia do relançamento das versões remasterizadas de todos os discos dos Beatles. Você pode ignorar os Beatles e os games musicais, mas há de concordar que será GRANDE.

Cliff Bleszinski, da Epic Games, aparece em 73º lugar. A explicação para a citação é ótima: “porque os videogames também precisam de blockbusters no estilo de Michael Bay”. Para quem não entendeu a referência, Bay ficou famoso por seus filmes grandiosos e cheios de destruição, como The Rock, Armageddon e Pearl Harbor, só para citar os piores. Não que Gears of War, a cria mais famosa de Bleszinski, seja ruim, pelo contrário. Você entendeu a idéia.

E em 84º lugar, Will Wright, ex-Maxis, hoje cabeça do bizarro Stupid Fun Club. A descrição também enche de elogios o homem de Sim City, The Sims e Spore: “o criador da vida em si – pelo menos, a artificial”.

Faltou alguém? Quem você citaria? Assim de cara, eu mencionaria o Hideo Kojima e os progressos alcançados na transição da linguagem do cinema para os games; e o Peter Molyneux, por motivos semelhantes. Mas já está mais do que bom.

***

Só para você ter uma idéia, sabe quem são os quatro primeiros desse Top 100?

Em ordem decrescente:

4. Bono, aquele do U2.

3. Steve Jobs, aquele da Apple.

2. Larry Page e Sergey Brin, aqueles do Google.

E 1. Obama, aquele dos EUA.

Notas relacionadas:

  1. Proximo Games: os planos para o Brasil
  2. Nova (?) Revista de Games nas Bancas
  3. Revistas de games no Brasil: sim, não ou depende?
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
12/04/2009 - 17:07

Entrevista da Semana: Cláudio Batistuzzo (GamesBrasil)

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Como está de feriado? Eu estou bem. Nada de trabalho. Exceto pelo blog.

A Entrevista da Semana do Gamer.br apresenta uma conversa franca com o Cláudio Batistuzzo, conhecido nas internas como Batz, o dono do site GamesBrasil. O portal é hoje uma das referências na internet brasileira: está no ar desde 28 de março de 1999 – 10 anos! – e “hoje chega com quase 20 mil notícias no banco de dados, 450 reviews de games e hardware, fórum com mais de 50 mil usuários e parceiro do UOL há 3 anos e meio”, nas palavras do próprio dono. Como um exemplo de empreendedor apaixonado por games que deu certo e com toda sua experiência de mercado, Batistuzzo tem muito a dizer, e dividiu um pouco de suas palavras com o leitor do Gamer.br. Leia a entrevista completa a seguir e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Me diga como começou o projeto do seu site, e como você transformou a idéia em trabalho.
Claudio Batistuzzo: Não houve na verdade um projeto muito definido quando eu criei a GamesBrasil. Sou aficionado por games desde meus seis anos com Atari e computador desde que coloquei as minhas mãos com 13 anos. Acabei me envolvendo com comunidades virtuais antes mesmo da Internet ainda na era das BBBs (chegando a “Coordenador da Área de Jogos”). Comecei a usar a Internet bem no início, em dezembro de 95. Em 97 fiz a minha página pessoal, em 98 uma página pessoal de games e no final deste ano me veio a ideia de criar um site sobre o assunto. Fiz umas pesquisar, vi alguns nomes disponíveis e após consultar alguns amigos, resolvi ficar com o GamesBrasil (que hoje tenho certeza que foi a melhor opção), comprado em março de 1999. Inicialmente, eu pensei em trazer para o site as coisas que normalmente não achava nos sites brasileiros de games, já que na época as notícias não eram o enfoque, sendo mais voltados para especiais, dicas e análises.
Eu acompanhava sites internacionais que traziam notícias diárias e achava muito interessante, então desde a primeira versão do site – uma versão totalmente tosca, diga-se de passagem, feita totalmente por mim no FrontPage e Image Ready – eu trazia notícias com demos, patchs, e algumas novidades de games para PC.
No início, porém, eu atualizava o site uma vez por semana, normalmente nos finais de semana, pois morei os primeiros seis meses fazendo faculdade em São Paulo sem computador e banda-larga, mas depois as atualizações foram ficando mais constantes. Mesmo com essa versão tosca, o site rapidamente começou a chamar a atenção de colaboradores, que vinham pedir para ajudar de alguma forma, e sem dúvida essa ajuda foi essencial para que, logo no ano seguinte, o site desse um grande salto de qualidade, tanto visual como de conteúdo, o que abriu as portas para estarmos onde estamos hoje. 

Você está no mercado então há alguns anos, viu o estouro da bolha da internet e o início da decadência do meio impresso. Como todo esse processo influenciou na visitação e aceitação ao seu site?
O estouro da bolha nos anos 2000 foi um momento delicado, pois aconteceu justo quando o site crescia para alcançar a crista da onda, e não há como negar que os anos anteriores deixaram transparecer que seria muito fácil ganhar dinheiro fazendo aquilo que nós estávamos nos dedicando. Porém, exatamente por ter sido antes do site completar sequer dois anos e por não ter consumido nenhum grande investimento de capital até então, não foi algo que chegou a colocar nosso futuro em risco.
Pensando nos dias atuais, passar por este momento acabou sendo uma ótima experiência para o que veio depois, já que acabou nos ajudando a fortalecer e quando a Internet voltou a ter mais forças, a GamesBrasil  continuava viva e teve um forte crescimento no número de visitantes.
Já sobre a decadência do meio impresso, nós não sentimos tanto impacto com relação ao número de visitantes, até porque eu acho que a onda foi o inverso. Primeiro, teve mais visitantes usando sites e eles foram abandonando as revistas aos poucos, e não o contrário como o cara deixar de comprar e aí entra na internet para buscar as informações. Por outro lado, acho que a decaída do meio impresso teve um reflexo negativo em termos de anunciantes para todo o mercado, acompanhando dá grande queda que tivemos com o fim das feiras especializadas que durante dois anos nos fizeram acreditar que estávamos próximos de um futuro promissor. 

Como funciona o dia a dia de um site independente? Como é a rotina, quem faz o quê?
No caso da GamesBrasil, inicialmente nós não seguimos nenhuma fórmula do sucesso ou planejamos como iríamos crescer e expandir. As coisas simplesmente foram acontecendo. Existe um escritório da GB em Sorocaba (SP) há mais de seis anos, onde eu trabalho diariamente (não só com o site, pois também sou técnico em informática), onde tento administrar e acompanhar o trabalho de cada colaborador.
Claro que meu sonho sempre foi ter uma redação com jornalistas contratados e tudo mais, mas por outro lado sempre ponderei para não dar um passo maior do que a perna. A divisão está no tipo de conteúdo de cada colaborador, há aqueles que escrevem notícias diárias, outros que escrevem reviews ou especiais, têm os moderadores do fórum, e eu acabo fazendo um pouco de cada e ainda cuidando de toda a parte de infraestrutura, respondendo e-mails de visitantes, cuidando da parte comercial, parcerias e outros negócios que aparecem com frequência. 

E a pergunta que não quer calar quando o assunto é projeto pessoal na internet: de onde vem a grana? Ela vem?
Essa é a grande questão quando se trata de um site de conteúdo, como é o caso da GB. Não é nem um pouco fácil ganhar dinheiro com conteúdo para Internet, mas acho que o fato de nós estarmos a uma década na estrada nos ajuda um pouco na atual conjuntura.
O mais difícil disso tudo é saber como você vai conseguir que uma empresa de grande porte como Coca-Cola ou McDonalds saiba que você exista e tenha interesse em anunciar nele.
Quem acha que vai mandar um contato para eles só porque tem um site com 100 mil visitantes e as empresas vão querer anunciar, está redondamente enganado. O caminho é muito mais difícil e necessita descobrir o caminho das pedras para obter sucesso (entram ai as agências de publicidade). Já tivemos diversos anunciantes de peso em um só mês e já passamos meses consecutivos com apenas um anunciante fixo e o resto dependendo das benditas comissões. É, sobretudo, um mercado incerto e quem trabalha com isso precisa ter essa perspectiva, para não gastar ou investir tudo após um mês bom, para depois não fechar as contas num mês magro. Posso dizer que se formos somar tudo o que eu já gastei e ganhei com a GB, o saldo deve ficar próximo do zero, mas por outro lado, ainda tenho nas mãos um site que acabou virando referência de conteúdo no país e até internacionalmente. 

Mesmo assim, com esse saldo empatado, você acha que ainda compensa fazer seu próprio site ao invés de, digamos, trabalhar para algum portal mais poderoso? Ou seja, você recomenda a independência?
Vou ser bem sincero, eu não começaria a GB ou outro site similar hoje do zero. Acho que está cada vez mais difícil, em especial pela diversidade de blogs, twitters e outros meios, que acabaram popularizando ainda mais os conteúdos.
Em 99, a realidade era outra e dava pra contar nos dedos de uma mão os sites similares, sem gastar 1 tostão em publicidade fomos escolhidos em 2003 para o Top-10 do Prêmio iBest na Categoria Entretenimento (ao lado de Playboy, Casseta & Planeta e muitos outros nomes fodônicos). Em 2005, tínhamos quase 4 mil visitantes únicos, isso tudo dependendo quase que exclusivamente do boca a boca. Essas coisas eu vejo cada vez mais difícil de acontecer a cada dia que se passa, pois hoje está tudo mais disputado, o conteúdo está mais popular e parece que para ganhar espaço não basta apenas um trabalho legal ou diferenciado, você precisa de investimento para fazer algo grande.
A GB saiu em uma série de jornais entre 2002 e 2003, após um breve trabalho de divulgação que fiz de casa, colocado apenas por ser um site de conteúdo de games. Isso você não consegue mais nos dias de hoje, ninguém vai colocar numa revista um link para um site novo, só porque trata de games, a não ser que traga algo muito revolucionário ou genial. Sei que há projetos novos e dou muita força para eles – inclusive o GamerView do Vinícios (responsável pelo layout atual da GB) -, acreditando que eles tem um grande potencial e até podem virar uma enorme surpresa. Mas o trabalho terá que ser muito maior do que o meu, pois hoje a realidade é outra. 

Qual o futuro do jornalismo de games?
Acho que o futuro do jornalismo já chegou. Graças a profissionais de muita competência como Renato Villiegas, Fábio Santana, Théo Azevedo, Renato Bueno e, logicamente, você, a imprensa brasileira já enxerga o jornalismo de games de outra forma hoje. Deixou de ser aquele estereótipo de nerd que não toma sol com óculos fundo de garrafa e totalmente tímido, passa o dia inteiro jogando, não tem vida social e não sabe falar de nada além das sequências de golpes especiais de Street Fighter. Hoje, jornalistas de game são vistos como iguais a qualquer pessoa “normal” e que está nesta profissão por escolha e competência, não por se enquadrar como um ser anormal. 

Como você vê a cobertura jornalística daqui uns anos?
Vejo que cada vez mais as empresas em todo o mundo dão mais importância para os veículos online, liberando quase que diariamente novos conteúdos e surpresas sobre seus principais games em desenvolvimento. Por mais que eu não acredite que as revistas devam acabar ou tenham uma data para morrer, acho que está mais do que claro que, em termos de novidades, não dá para qualquer meio impresso competir com os sites, não só pela rapidez como pela maior abrangência, seja com screenshots em alta definição e vídeos para assistir assim que leu uma novidade. 

O jornalismo de games brasileiro é chapa-branca, ou seja, não fala o que pensa por medo de se comprometer?
Não enxergo isso de maneira nenhuma sobre o jornalismo de games brasileiro. Lembro-me até de uma história curiosa quando começamos a publicar reviews na GB. As primeiras reviews publicamos no começo do ano 2000, com games comprados por mim numa grande rede supermercados e enviados ao responsável que se comprometeu em fazer. Bom, para a minha surpresa, recebi uns dois meses depois o e-mail de uma pessoa de dentro da Microsoft oferecendo dois games para a gente avaliar. Nem era da assessoria de imprensa, acho que na época o negócio era tão pequeno que algum funcionário da própria empresa cuidava disso. Enfim, ele me mandou dois games e um deles era um de futebol. Um game horrível lançado naquele ano pela Microsoft, e eu não tive medo de meter a boca, falei bem mal do jogo mesmo, de forma até despretensiosa (acho que nem imaginava as possíveis conseqüências que poderia ter), e o funcionário voltou a entrar em contato por e-mail dizendo que achou que eu tinha pegado muito pesado, e coisas assim. Ai eu respondi ele numa boa, citando os pontos do jogo que para mim eram muito ruins e fazendo um comparativo com o que se tinha até então na concorrência (como FIFA). Para terminar ele acabou reconhecendo os problemas, concordando comigo e continuamos o contato, recebendo outros games depois.
Acabei tomando isso como lição, de que você não precisa ter medo de falar o que quiser se tiver seus fundamentos. Claro que é essencial saber separar aquilo que é problema do produto com o que é desagrado de gosto pessoal, mas eu nunca senti qualquer tipo de pressão de assessores ou pessoas ligadas a empresa para falar bem de um produto ou tentar ser menos duro com uma crítica. 

O jornalismo de games brasileiro ainda é muito inexperiente, na prática? O que falta?
Acho que, no geral, o jornalismo de games do Brasil já está com alguns calos nos dedos, embora ainda não dê para comparar com o mesmo que se pode obter com uma experiência internacional, onde os games são realmente levados a sério. Acho muito complicado a baixa remuneração dos profissionais da área e a única solução que enxergo é o crescimento do mercado como um todo. Só mais um parênteses, se você me permite, acho importante dizer para aqueles que estão começando que trabalhar na imprensa dos games não significa que você vai passar boa parte do dia jogando. Acho que é bem pelo contrário, uma das coisas que menos se faz durante o dia todo é jogar, pois requer muito tempo de leitura e outras funções que impossibilita ficar jogando. 

O que você, como empreendedor, recomenda a jovens empreendedores independentes hoje em dia, que querem tocar seus sites e fazer jornalismo por conta própria e se manter com isso? O que gostaria que tivessem dito a você?
Não me considerado exatamente um empreendedor, pois sei que um empreendedor de sucesso precisa ter diversas características diferentes das minhas, além de toda uma estratégia e planejamento. Eu me considero mais um cara de sorte, por estar no momento certo com o conhecimento que eu tinha, e tive apenas um estalo de ir atrás e criar um site quando isso ainda não era muito comum ou fácil.

Os conselhos que eu dou são: 

1) Se você se acha talentoso, crie um blog ou algo similar e tente ocupar uma posição de destaque, trazendo coisas diferentes, porém, sem perder a credibilidade ou baixar o nível. Ao alcançar uma boa reputação, tente entrar com contatos com sites maiores e tentar sua participação como colaborador de conteúdo, seja pago ou não. Mesmo que você não ganhe nada inicialmente, a experiência pode ser muito valiosa, pois a pessoa poderá aprender muitos detalhes que não seriam tão fáceis de descobrir começando do zero. Além disso, se você começar como colaborador e não gostar, você deixa o lugar e está tudo certo (quem sabe a partir daí criar o seu), mas se tiver um site logo no começo, os custos para mantê-lo online estarão ao seu encargo antes mesmo de ele ficar pronto, sendo que o retorno pode demorar meses ou anos. 

2) Não faça uma sociedade para criar um site com alguém que você conheça a menos de 1 ano. É comum duas pessoas se conhecerem a alguns meses, verem que têm afinidades em comum nesta área e já pensarem em criar um site em conjunto. Isso é um pouco complicado, pois com o passar do tempo cada um pode descobrir características ainda não vistas no outro que o incomode muito e torne impossível a convivência. E como fazer para separa a sociedade de um site, sendo que o principal bem é a informação? Não é a toa que muitas separações deste tipo acabam em confusão e ódio. 

3) Busque sempre publicar textos seguindo as formas corretas gramaticais no país e sem exagerar no “miguxês”. Por mais que o jornalismo de games tenha um toque a mais de irreverência, o exagero pode cansar os leitores e depreciar seu valor para as empresas mais sérias. 

4) Evite publicar releases na íntegra. Os releases são feitos para informar ao jornalista, e cabe ao profissional fazer sua leitura sobre ele e formar o seu texto com suas palavras e conhecimento do mercado, não copiar exatamente o release todo e lançar como um conteúdo seu. Além do mais, se todos publicarem os releases na íntegra, porque eles vão buscar o seu site se é tudo igual mesmo? 

5) Nunca busque copiar alguém para criar o seu site. Lembre-se que se você for copiá-lo, será mais difícil alcançá-lo ou vencê-lo, já que ele largou bem na sua frente. Se inspirar em idéias boas é uma atitude produtiva, mas não limite o seu site a isso, tente enxergar além e trazer “um algo” mais que possa lhe destacar no mercado. Perdi a conta de sites iniciantes que copiavam o conteúdo descaradamente da GB e até o layout nesses 10 anos, mas como eu sempre achei que iria acontecer, nenhum deles foi pra frente.

***

O Batz ainda mandou avisar sobre a promoção de 10 anos de aniversário do GamesBrasil, que dará 10 games distribuídos pela Synergex para cinco participantes  - são kits de dois games cada, sendo um para Xbox 360 e quatro para PC, incluindo Street Fighter IV, Far Cry 2 e Prince of Persia. Clique e participe, porque só vai até este domingo  (o Batz aumentou o prazo até 15 de abril, esta quarta-feira. Aproveite a boiada).

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)
  2. Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)
  3. Entrevista da Semana: Gustavo Hitzschky (Arena Turbo)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
07/04/2009 - 11:50

Revistas de games no Brasil: sim, não ou depende?

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A notícia do lançamento da revista OLD! Gamer foi recebida com muitos elogios aqui no Gamer.br. E por conta disso (e porque toda unanimidade é burra, diz o poeta), acho que a questão merece uma reflexão mais aprofundada.

Há muito tempo que escuto gente dizer que as revistas já são coisa do passado e que o futuro da comunicação está na internet. Pois sim. E é só uma editora anunciar um novo produto que todo mundo imediatamente volta a ser comprador de revista. Muito bem. Se essa disposição toda persistisse, talvez hoje teríamos mais publicações no mercado, e, consequentemente, mais profissionais trabalhando.

Para colocar lenha na discussão (aliás, é só o que faço aqui), fui atrás de seis jornalistas conhecidos de nosso mercado, todos com passagens significativas pelas principais redações do país. A maioria deles não trabalha mais diretamente com revistas de games. Para todos, fiz a mesma pergunta:

Revistas especializadas em games hoje no Brasil: sim, não ou depende?


A questão foi colocada de maneira bem genérica mesmo, sem muita explicação, para ampliar o espectro das respostas. E o resultado foi bem surpreendente, pelo menos na minha opinião. Fique hoje com o que essas pessoas pensam. E qualquer hora eu digo o que eu penso – e pode ter certeza, é bem diferente do que vem a seguir.

Flávia Gasi – ex-editora da Revista Oficial do Xbox 360. Hoje, escreve um blog e tem um quadro na MTV sobre games.
SIM
“Revistas de games funcionam hoje como qualquer outro tipo de revista. Houve uma queda de vendas de bancas em todos os segmentos e não tem como imaginar que a Internet vai desaparecer ou deixar de crescer. Porém, há certas coisas que cabem mundo bem no mercado editorial de revistas, como serviços e análises bem aprofundadas. Talvez um dia as revistas digitais tomem conta e as versões impressas sejam somente para assinantes. O que não dá é ficar cavando espaço em banca mega lotada.”

Renato Viliegas – ex-editor da Ação Games e EGM Brasil, passou pelo Play TV. Hoje está no jornalismo impresso – fora do mercado de games.
SIM
“Acho que o único motivo do ‘não’ é falta de apoio publicitário. O mercado não acredita em revista de games, e as vendas EM GERAL, de TODAS as revistas, estão uma bosta. Eu acho super válido revista de games. Sempre fui fã. Esse papo de concorrer com internet é bullshit. Basta fazer algo diferente, relatório de produção, backstage… FURO nenhuma revista tem mais, é midia diferente, só isso. A nova geração de leitores que ficou folgada, ‘se acostumou’ com a net e são ELES que andaram fazendo revistas ultimamente. Por isso deu merda. Não tem o espírito necessário, é isso. SIM, acho a ‘nova geração’ de jornalistas gamístiscos fraquíssima. Raras exceções. É povo que cresceu com net. Não tem mente de revista e sem produto bom, sem publicidade. Ah, eu não quero que nenhuma forma de entretenimento acabe. As revistas têm que EVOLUIR. Não acabar. Muitas delas pararam no tempo.”

Odair Braz Junior – ex-editor da Ação Games e Nintendo World. Hoje é editor do site do canal Play TV.
NÃO
“Embora eu adore revistas e tenha trabalhado por mais de dez anos nessa área, acredito que as revistas de games não terão um futuro muito promissor. Os sites de internet estão cada vez mais completos e melhores e dão a informação de graça, e isso faz todo sentido para o público que consome os games atuais. Isso não quer dizer que as publicações em papel vão sumir. As melhores continuarão, só que com tiragens menores, com mais luxo e mais caras. Serão para um público seleto mesmo. A onda de fechamento de revistas de games ainda não bateu no Brasil, mas sei que as editoras não vivem seus melhores dias. É questão de tempo, infelizmente.”

Renato Bueno –ex-editor da EGM PC. Hoje é blogueiro e escreve sobre games no portal G1.
DEPENDE

“Vai tudo morrer de fome. Não. Depende. Se a ideia for só fazer número, querer ‘ir pra banca’ e ’sobreviver’, fica difícil. Revista é trabalho de equipe, com vontade, ideias boas e, principalmente agora, capacidade pra mudar sem perder o rumo e a credibilidade. As revistas vão durar enquanto existir maluco interessado e fazendo coisa boa – como tem por aí. Hoje não voltaria a depender de revista, porque vejo a internet como mais apropriada para o que venho fazendo. mas no futuro, se pá…”

Fabio Santana – ex-editor da Gamers e da EGM Brasil. Hoje é um dos responsáveis pela área de livros da editora Europa e um dos editores da OLD! Gamer.
SIM
“Porque ainda é viável. E relevante. Mesmo que o mercado para o segmento tenha diminuído consideravelmente de dez anos para cá, e que seja minúsculo comparado aos EUA ou Japão (publicações européias não estão muito além das brasileiras em termos de tiragem), é possível continuar nas bancas (e chegando aos assinantes). Pois, normalmente, opera-se no Brasil com uma estrutura menos onerosa e, principalmente, os anunciantes continuam, de modo geral, acreditando no prestígio das publicações. Em tempos de crise, há cortes de gastos generalizados e títulos cancelados, é verdade, mas não vejo a morte das revistas de games chegando tão cedo. Vejo, sim, algo que já está acontecendo, que é uma dilatação do conceito de produto, envolvendo, por exemplo, a noção de comunidade online e serviços digitais para fidelizar leitores e fortalecer a marca.”

Marcel R. Goto – ex-redator de revistas de games da Conrad. Hoje, é colunista da EGM Brasil e produz games nas horas vagas.
SIM
“A gente ouve falar o tempo todo de revistas e jornais fechando nos EUA, mas aqui a situação é outra. As revistas ainda são a mídia tradicional, e não têm muita concorrência em credibilidade e investimento jornalístico ou investigativo por parte dos sites. Então a questão é se faz sentido financeiramente, porque em todos os outros aspectos, faz. Sei lá, pessoalmente eu gosto da idéia de uma revista sobre jogos retrô. É um nicho não explorado ainda. Depois da EGM e da GM, eu diria que é a revista mais interessante pra mim. Levando o que o pessoal da Editora Europa diz ao pé da letra, que as vendas estão indo bem, sim. Mas sempre com cuidado. Hoje em dia, uma revista tem que se justificar a cada edição. Não dá pra dar mais nada como certo nas bancas.”

***

É sua vez, leitor. Qual a sua resposta para a pergunta “Revistas especializadas em games hoje no Brasil: sim, não ou depende?”

A melhor resposta leva, de uma só vez, um pacote com as edições do mês de abril das revistas de games das editoras Tambor, Europa e Digerati. Preencha seus dados no comentário, para eu poder entrar em contato depois.

E vamos nessa, que a semana só começou.

Notas relacionadas:

  1. EGM no Brasil: como fica
  2. Proximo Games: os planos para o Brasil
  3. Nova (?) Revista de Games nas Bancas
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
02/04/2009 - 19:39

Nova (?) Revista de Games nas Bancas

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Falam de crise mundial, corte de gastos, decadência do meio impresso, mas ta aí – mais uma revista de games nas bancas. O nome é OLD! Gamer é da Editora Europa e é focada, como o nome entrega, em games antigos. O slogan é sugestivo: “jogos clássicos, diversão eterna” A primeira edição está prevista para maio e, em princípio, com periodicidade bimestral. Conversei com os dois editores da publicação, Fabio Santana e Humberto Martinez, que revelaram mais sobre o projeto. 

Gamer.br: Primeiro, sei que vocês têm essa idéia de fazer uma revista sobre nostalgia há um bom tempo. Como conseguiram convencer a editora a bancar a idéia?
Humberto Martinez:
O núcleo de games da Editora Europa está ganhando força há muito tempo com revistas que cobrem as áreas mais necessárias do mercado de games (Dicas & Truques para PlayStation, N-Gamer, Revista Oficial do XBox 360 e GameMaster). O conhecimento que acumulamos com estas revistas sobre o público e mercado brasileiro nos deu segurança para investir em projetos menos óbvios, mas que temos certeza de que de que preencherá uma lacuna no mercado editorial gamer. É apenas o começo de muitas surpresas. Só para complementar, é importante ressaltar que a Europa é uma empresa que dá um nível enorme de liberdade criativa aos funcionários. Com isso, muitos projetos que nascem como idéias pessoais, sonhos de jogador mesmo, têm espaço para ganhar vida; desde que comprovado, de forma séria e profissional, de que há um motivo e necessidade para ele. E se você juntar a liberdade que a empresa oferece com a equipe gigante de profissionais experientes e determinados que contamos, fica difícil encontrar barreiras para realizar grandes desafios.

Qual a intenção da publicação? Para quem ela se dirige, o que ela irá apresentar, por que ela é importante?
Fabio Santana:
A OLD! Gamer é uma revista para caras como nós, na casa dos 20 e tantos, 30 e poucos anos, que cresceram jogando games e continuam curtindo a paixão. E acho que paixão é aqui a palavra-chave, pois como o Humberto disse, a projeto nasceu de um gosto da equipe por retro gaming. A idéia é brincar com a nostalgia, abordando não só os grandes títulos que jogamos, como também todo o contexto da época.
Para isso, meio que já montamos uma biblioteca com revistas antigas, para pegar referências e informações de época. Não queremos ficar limitados a pautas manjadas e conteúdo de internet. Todos estão muito envolvidos, muito empolgados e muito inspirados com o projeto, então coisas novas surgem a todo momento e a gente vai lapidando as idéias.
E dedicar uma revista inteira ao assunto é uma necessidade que está aí. Apesar de todo ser humano tender à nostalgia, jogos antigos são apenas uma pequena parte das revistas atuais, então ter um produto segmentado foi uma decisão natural. Assim, dá para falar mais de perto com esse público vasto que estava até agora não-atendido.

O que podemos esperar do conteúdo? Que tipo de matérias a revista terá? Como uma revista focada em nostalgia pode se sobressair em relação ao que se encontra na internet?
FS:
A idéia é partir da vivência pessoal de cada membro envolvido no projeto, somar as experiências e complementar com um bom trabalho de pesquisa, nunca confiando apenas na memória. A biblioteca que montamos e estamos expandindo é parte da ação para capturar o real sentido histórico do assunto. Com essa referência, podemos voltar no tempo e consultar registros sobre a expectativa de um jogo na época, ou as reações que causou, para resgatar esse contexto e analisá-lo sob a ótica contemporânea – não serão raras as citações diretas de textos já publicados em revistas antigas. Comentários de produtores na época também serão frequentes, procurando recuperar suas idéias no conceito original.

HM: A OLD!Gamer, obviamente, busca alimentar a sede nostálgica em todas as suas necessidades. A idéia é oferecer desde reportagens sérias e minuciosas, como dossiês completos sobre jogos e suas plataformas (consoles, arcades, portáteis e computadores) e análises de momentos históricos; até pautas mais focadas em curiosidades e diversão (afinal, não temos como falar de YO! Noid sem uma grande dose de bom-humor). Cada aspecto dos jogos nos interessam: design de personagens e cenários, informações de bastidores, progressos e fracassos, personalidades envolvidas…
A propósito, este último elemento, a figura humana que faz a história, é outro de nossos focos para oferecer conteúdo único, já que estamos indo atrás dos profissionais que participaram dos processos criativos e têm sempre algo novo a acrescentar. Vale ressaltar que a
não busca o passado apenas no passado, mas também em quem pode acrescentar novas revelações sobre os assuntos que abordamos. Por isso, teremos entrevistas atuais com personalidades como Segata Sanshiro, por exemplo, com que batemos um papo bem divertido para a edição de estréia.

Quando sai? Quanto custa? Tem anunciantes?
FS:
Estamos trabalhando a todo vapor para lançar a revista em maio, ainda na primeira quinzena. Inicialmente, a OLD!Gamer será bimestral, mas há possibilidade de se tornar mensal, só dependendo da demanda. O preço ainda não está definido, mas posso adiantar que será um produto de luxo, dedicado a colecionadores exigentes, com 100 páginas, lombada quadrada, impressa em papel de qualidade e tudo mais. A respeito dos anunciantes, este é um caso peculiar em que o produto nasceu não viabilizado pela publicidade, mas pura e simplesmente pelo pioneirismo da idéia, pela qualidade do material e pelo potencial de mercado.

Quem vai colaborar/escrever? Estão aceitando sugestões de pautas, colaboradores ou contribuições em geral?
HM:
Há uma equipe central dedicada à OLD!Gamer, composta por: Ammer Houchaimi, André Forte, Fábio Santana, Gilsomar Livramento e eu (isso no campo editorial). Além disso, há envolvimento espontâneo do núcleo de games da editora e há muitos colaboradores vitais ao processo (Marcus Garrett, Douglas Vieira e outros). Por ser uma revista dedicada pela paixão, sempre buscamos ajuda de pessoas que… tenham vivido mais intensamente o assunto tratado e também aceitamos sugestões. Aliás, já recebemos muitas.

Em uma época tão complexa para o jornalismo impresso, revistas gringas fechando as portas, perspectivas obscuras… vocês vão lá e investem em uma nova revista. Como conseguem? Então há luz no fim do túnel?
HM:
Sinceramente, apesar do panorama nacional (e mundial), o núcleo de games da Editora Europa vai muito bem e só cresceu nos últimos anos. Todas as nossas publicações tem conseguindo (seja pela boa administração ou pelo empenho geral; talvez pelos dois motivos) crescer e gerar novas oportunidades. Projetos como os livros “Os 100 Melhores Jogos” e “A Arte dos Videogames” esgotaram em pouco tempo e só provam que existe um bom mercado consumidor para o segmento, desde que saiba como conquistá-lo.

FS: Óbvio que, no final das contas, isso tudo é um negócio e temos a responsabilidade de torná-lo rentável. E é justamente porquê os produtos do núcleo de games da Editora Europa têm sido bem-sucedidos que somos incentivados a ter idéias como a OLD!Gamer e outras novidades que estão por vir. Nossa revista de jogos retrô é o primeiro produto nascido da iniciativa Gamers Heaven, uma espécie de grife que pretende agregar as marcas de games da editora e possibilitar uma série de outros projetos, tanto no meio impresso quanto na frente digital. No grande plano, diversas coisas que deram certo no passado estão permitindo as expansões presentes, e tudo o que está acontecendo agora deve viabilizar os elaborados projetos vindouros. É uma espiral ascendente movida por responsabilidade, paixão e confiança no mercado.

***

Enquanto isso, surge a notícia de que a revista SET, especializada em cinema e DVD (e para a qual eu escrevi durante alguns anos sobre games e outros temas), foi cancelada pela editora Peixes. Mais sobre isso logo mais.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Renato Viliegas (Play TV)
  2. Entrevista da Semana: Nelson Alves Jr. (Revista Xbox 360)
  3. Entrevista da Semana: Felipe Azevedo (NGamer)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
02/04/2009 - 16:22

Shiii…

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Sei lá, eu acho isso engraçado. Há quem não ache. Esses dinamarqueses holandeses…

É que hoje estou de bom humor. Foi dica do Vinicios.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Steve Singer (Nintendo of America)
  2. Bons Tempos: Shigeru Miyamoto (maio de 2005)
  3. Wii Dói
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
01/04/2009 - 17:41

Como Foi o Troféu Gameworld

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Bem, é melhor eu falar logo sobre o Troféu Gameworld, que o assunto já está bombando por aí. Ah, a rapidez estonteante da internet.

Para começar, o evento que rolou ontem foi bem legal – em se tratando de evento de games no Brasil. Aconteceu no Teatro Imprensa, aquele de propriedade do Silvio Santos (o “SS” impresso nas portas não deixava ninguém se enganar). A platéia estava tomada e havia demonstradores exibindo Wiis e Xbox 360s logo no lobby de entrada. Nas poltronas do teatro, os jornalistas de sempre (que sempre estão nos poucos eventos do gênero), os executivos das empresas (idem) e algumas dezenas de leitores-convidados. Platéia interessada, clima cheio de pompa.

Lógico, como todo evento de premiação, não foi perfeito. Houve gafes entre o que rolava no palco e o que era mostrado telão. O apresentador convidado, o impagável Carlos Eduardo Miranda (na foto ao lado, com o André Forastieri), segurou a onda na base do improviso e rendeu risadas nos momentos que o constrangimento bateu. No mais, foi bem divertido e caprichado enquanto acontecimento. Havia executivos estrangeiros na platéia (que não paravam de falar nem por um minuto), que garantiram os discursos em português cheio de sotaque (eles também deram as caras em videozinhos exibidos no telão – bem legal). E a distribuição de brindes através de sorteios garantiu o público sentado até o fim (eu mesmo, veja só, fui sorteado).

Em seguida, um coquetel de interação no saguão serviu para aquele“get together” de praxe. Os vencedores exibiam felizes seus trofeuzinhos enquanto pessoas de gravata trocavam cartões e faziam networking. O restante (eu incluso) se entupia de cerveja e canapés. Fofocar e falar mal da vida alheia era a ordem em cada rodinha. Não é pra isso que serve esse tipo de evento também? Mas tudo com muita parcimônia e bom-mocismo. O mercado de games brasileiro é, antes de tudo, feliz. Qualquer desavisado que chegasse ali naquele momento realmente acreditaria que estamos em franco crescimento.

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Ah, sim: os vencedores do Troféu. Vou listá-los desordenadamente, da mesma forma que foram apresentados no palco (lembre-se que as escolhas dizem respeito aos lançamentos de 2008):

Melhor game para PC – Fallout 3

Melhor Mouse – Microsoft

Melhor Game para Download – Mega Man 9

Melhor Placa de Vídeo – Gygabite

Melhor Fonte de Alimentação – Coolermaster

Melhor Experiência Multiplayer – Littlebig Planet

Melhor Operadora de Celular – Oi

Melhor Produtora/Desenvolvedora – Capcom

Melhor Celular para Jogo – Sony Ericsson K850i

Melhor Jogo para Celular – Duke Nukem Mobile 3D

Melhor Jogo para PlayStation 3 – Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots

Melhor Jogo para Wii – No More Heroes

Melhor Jogo para Nintendo DS – Castlevania: Order of Ecclesia

Melhor Jogo para PlayStation 2 – Naruto: Ultimate Ninja 3

Melhor Jogo para Xbox 360 – Grand Theft Auto IV

Melhor Distribuidora de MMO – Gamemaxx

Melhor Distribuidora de Games – JPTech

Melhor Produtora/Distribuidora de Celular – GameZ!

Melhor Loja Especializada – UZ Games

Melhor Anúncio de 2008 – Cabal Online

Melhor Experiência de Compra – FNAC

Melhor Jogo de PSP – Crysis Core: Final Fantasy VII

Destaque de 2008 – Taikodom

Melhor Game do Ano – Fallout 3

Acho que não me cabe comentar os vencedores, porque a lista fala por si só. Escolhas feita pelo público sempre rende resultados bizarros (as mais recentes eleições para deputado federal são uma prova disso). E é preciso lembrar que certos resultados estão diretamente vinculados à campanha que cada empresa fez para ganhar mais votos. Ganhou quem realmente quis ganhar e chamou eleitores para si (no caso dos games premiados, venceram aqueles com mais fãs, não necessariamente os “melhores”). É assim que o processo democrático funciona. É por isso, imagino, que nem sempre as marcas mais conhecidas “top of mind” venceram.

Ainda falando sobre essas categorias digamos “alternativas” (“melhor fonte de alimentação”, “melhor experiência de compra”, “melhor placa de vídeo” etc.): por mais esquisitas que pareçam, acho que a existência delas é válida numa premiação como essa. Além de fazer parte do interesse da Tambor em promover esses possíveis anunciantes (afinal, o Troféu nada mais é que uma maneira assumida e festiva de fazer uma média com o mercado), esta é um bom termômetro de como esse público enxerga as marcas que utiliza (ou não). Se observada a lista de categorias fora do contexto, é bizarro mesmo; já analisando a indústria brasileira como ela é, faz sentido. Não temos aqui estúdios de desenvolvimento de grande porte, publishers super atuantes e produtores de game com status de superstar. Indústria de game no Brasil é sinônimo de polêmica sobre preços elevados, jogos piratas ou oficiais, impostos, lojas de pequeno e médio porte, esforços individuais, distribuição legalizada e contrabando. Aqui é Terceiro Mundo, não é o Pokémon, cantaria algum amigo de Mano Brown.

Há também quem reclame que um prêmio como esse não pode ser considerado a voz de toda uma indústria, já que está vinculado a uma única empresa de comunicação – não representaria, assim, o “todo”. Sendo bem honesto, eu acho que aqui é uma questão de oportunidade: como nenhuma outra empresa ou órgão se dignificou a bolar uma premiação semelhante até hoje, o Troféu Gameworld acaba por ser o evento bendito no mercado. Consequentemente, a Tambor se sente no direito de atribuir a si o mérito de ser “a maior premiação da indústria”. E no fim das contas é mesmo – afinal, é a única que existe. Mesmo assim, por conta disso, muita gente não aceita o prêmio como sendo “válido”, o que por si só é uma opinião aceitável. Talvez fosse mais singelo e simpático se o Troféu fosse descrito como “a premiação dos leitores das revistas EGM Brasil e NW”, mas não é bem o caso. Enfim, a vida não teria graça se as pessoas concordassem em tudo.

O André Forastieri, diretor editorial da Tambor, aproveitou a ocasião para lançar um novo produto da casa: o site E+GW – Entretenimento + Gameworld, que se propõe a ser um portal “70% games + 30% entretenimento”, cujo objetivo é mediar a maior comunidade de gamers da América Latina, com possíveis extensões para Portugal e Espanha. Projeto ambicioso. A estreia está marcada para primeiro de maio, daqui exatamente um mês (a url ainda não foi divulgada). O site será comandado por uma pessoa que há muito tempo está longe do jornalismo de games (quem lia a EGM há alguns uns anos pode até descobrir quem é).

E o fórum está aberto para as discussões. Pode falar.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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