Revistas de games no Brasil: sim, não ou depende?
A notícia do lançamento da revista OLD! Gamer foi recebida com muitos elogios aqui no Gamer.br. E por conta disso (e porque toda unanimidade é burra, diz o poeta), acho que a questão merece uma reflexão mais aprofundada.
Há muito tempo que escuto gente dizer que as revistas já são coisa do passado e que o futuro da comunicação está na internet. Pois sim. E é só uma editora anunciar um novo produto que todo mundo imediatamente volta a ser comprador de revista. Muito bem. Se essa disposição toda persistisse, talvez hoje teríamos mais publicações no mercado, e, consequentemente, mais profissionais trabalhando.
Para colocar lenha na discussão (aliás, é só o que faço aqui), fui atrás de seis jornalistas conhecidos de nosso mercado, todos com passagens significativas pelas principais redações do país. A maioria deles não trabalha mais diretamente com revistas de games. Para todos, fiz a mesma pergunta:
Revistas especializadas em games hoje no Brasil: sim, não ou depende?
A questão foi colocada de maneira bem genérica mesmo, sem muita explicação, para ampliar o espectro das respostas. E o resultado foi bem surpreendente, pelo menos na minha opinião. Fique hoje com o que essas pessoas pensam. E qualquer hora eu digo o que eu penso – e pode ter certeza, é bem diferente do que vem a seguir.
Flávia Gasi – ex-editora da Revista Oficial do Xbox 360. Hoje, escreve um blog e tem um quadro na MTV sobre games.
SIM
“Revistas de games funcionam hoje como qualquer outro tipo de revista. Houve uma queda de vendas de bancas em todos os segmentos e não tem como imaginar que a Internet vai desaparecer ou deixar de crescer. Porém, há certas coisas que cabem mundo bem no mercado editorial de revistas, como serviços e análises bem aprofundadas. Talvez um dia as revistas digitais tomem conta e as versões impressas sejam somente para assinantes. O que não dá é ficar cavando espaço em banca mega lotada.”
Renato Viliegas – ex-editor da Ação Games e EGM Brasil, passou pelo Play TV. Hoje está no jornalismo impresso – fora do mercado de games.
SIM
“Acho que o único motivo do ‘não’ é falta de apoio publicitário. O mercado não acredita em revista de games, e as vendas EM GERAL, de TODAS as revistas, estão uma bosta. Eu acho super válido revista de games. Sempre fui fã. Esse papo de concorrer com internet é bullshit. Basta fazer algo diferente, relatório de produção, backstage… FURO nenhuma revista tem mais, é midia diferente, só isso. A nova geração de leitores que ficou folgada, ‘se acostumou’ com a net e são ELES que andaram fazendo revistas ultimamente. Por isso deu merda. Não tem o espírito necessário, é isso. SIM, acho a ‘nova geração’ de jornalistas gamístiscos fraquíssima. Raras exceções. É povo que cresceu com net. Não tem mente de revista e sem produto bom, sem publicidade. Ah, eu não quero que nenhuma forma de entretenimento acabe. As revistas têm que EVOLUIR. Não acabar. Muitas delas pararam no tempo.”
Odair Braz Junior – ex-editor da Ação Games e Nintendo World. Hoje é editor do site do canal Play TV.
NÃO
“Embora eu adore revistas e tenha trabalhado por mais de dez anos nessa área, acredito que as revistas de games não terão um futuro muito promissor. Os sites de internet estão cada vez mais completos e melhores e dão a informação de graça, e isso faz todo sentido para o público que consome os games atuais. Isso não quer dizer que as publicações em papel vão sumir. As melhores continuarão, só que com tiragens menores, com mais luxo e mais caras. Serão para um público seleto mesmo. A onda de fechamento de revistas de games ainda não bateu no Brasil, mas sei que as editoras não vivem seus melhores dias. É questão de tempo, infelizmente.”
Renato Bueno –ex-editor da EGM PC. Hoje é blogueiro e escreve sobre games no portal G1.
DEPENDE
“Vai tudo morrer de fome. Não. Depende. Se a ideia for só fazer número, querer ‘ir pra banca’ e ’sobreviver’, fica difícil. Revista é trabalho de equipe, com vontade, ideias boas e, principalmente agora, capacidade pra mudar sem perder o rumo e a credibilidade. As revistas vão durar enquanto existir maluco interessado e fazendo coisa boa – como tem por aí. Hoje não voltaria a depender de revista, porque vejo a internet como mais apropriada para o que venho fazendo. mas no futuro, se pá…”
Fabio Santana – ex-editor da Gamers e da EGM Brasil. Hoje é um dos responsáveis pela área de livros da editora Europa e um dos editores da OLD! Gamer.
SIM
“Porque ainda é viável. E relevante. Mesmo que o mercado para o segmento tenha diminuído consideravelmente de dez anos para cá, e que seja minúsculo comparado aos EUA ou Japão (publicações européias não estão muito além das brasileiras em termos de tiragem), é possível continuar nas bancas (e chegando aos assinantes). Pois, normalmente, opera-se no Brasil com uma estrutura menos onerosa e, principalmente, os anunciantes continuam, de modo geral, acreditando no prestígio das publicações. Em tempos de crise, há cortes de gastos generalizados e títulos cancelados, é verdade, mas não vejo a morte das revistas de games chegando tão cedo. Vejo, sim, algo que já está acontecendo, que é uma dilatação do conceito de produto, envolvendo, por exemplo, a noção de comunidade online e serviços digitais para fidelizar leitores e fortalecer a marca.”
Marcel R. Goto – ex-redator de revistas de games da Conrad. Hoje, é colunista da EGM Brasil e produz games nas horas vagas.
SIM
“A gente ouve falar o tempo todo de revistas e jornais fechando nos EUA, mas aqui a situação é outra. As revistas ainda são a mídia tradicional, e não têm muita concorrência em credibilidade e investimento jornalístico ou investigativo por parte dos sites. Então a questão é se faz sentido financeiramente, porque em todos os outros aspectos, faz. Sei lá, pessoalmente eu gosto da idéia de uma revista sobre jogos retrô. É um nicho não explorado ainda. Depois da EGM e da GM, eu diria que é a revista mais interessante pra mim. Levando o que o pessoal da Editora Europa diz ao pé da letra, que as vendas estão indo bem, sim. Mas sempre com cuidado. Hoje em dia, uma revista tem que se justificar a cada edição. Não dá pra dar mais nada como certo nas bancas.”
***
É sua vez, leitor. Qual a sua resposta para a pergunta “Revistas especializadas em games hoje no Brasil: sim, não ou depende?”
A melhor resposta leva, de uma só vez, um pacote com as edições do mês de abril das revistas de games das editoras Tambor, Europa e Digerati. Preencha seus dados no comentário, para eu poder entrar em contato depois.
E vamos nessa, que a semana só começou.
Notas relacionadas:

SIM
Os leitores brasileiros ainda gostam do material físico para a sua leitura. è óbvio que a informação atualizada e gratuita pela internet vai de encontro com a revista impressa, mas ainda há espaço para as duas publicações no Brasil.
Ainda mais contando com revistas com temas específicos como a Old Gamer, o que só vem a acrescentar para o público alvo.
As informações via internet no Brasil ainda são um pouco amadoras em relação ao profissionalismo que foi gerado pelas revistas nesses mais de 20 anos de jornalismo de games no país.
Quando houver uma mescla maior entre os atuais sites de games, parecidos com as revistar impressas (sites mais profissionais e completos), certamente a internet irá dominar o mercado nacional.
É uma pena que grandes profissionais que já trabalharam na área não estão mais dedicados em games (vide as pessoas citadas nessa matéria). Se eles estivessem ainda neste mercado com certeza a revolução gamer digital já teria acontecido.
Até lá nós ainda continuaremos com aquela vontade de ir na banca para ver se a nossa revista preferida já chegou!!
Abração Pablo
[...] Por que eu escrevi isto? Pra dizer que eu ainda acredito no mercado editorial de games no Brasil. Coisa que nem todo mundo acredita. [...]
DEPENDE
Eu acho que existe público, existe conteúdo e existe relevância. Mas em praticamente todos os casos, faltam as revistas oferecerem um bom conteúdo. Acho que o problema maior é tentar copiar a rapidez da Internet, com a preferência nas publicações para matérias atuais mas sem muito conteúdo. Eu sempre respondo para quem me pergunta o que eu penso sobre determinada revista a fatídica frase: “falta texto”.
Uma revista brasileira hoje é lida bem rapidamente. E muita coisa é tão forçada que nem tem uma leitura mais aprofundada. Essa leitura rápida é resultado de uma visão deturpada de que as pessoas não gostam muito de ler, de que ninguém “hoje em dia tem tanto tempo pra leitura”, etc…
A saída para o mercado editorial brasileiro é ao meu ver investir em um jornalismo que fuja do padrão imposto pela internet. Investir no detalhamento das informações, nas prévias e análises aprofundadas e principalmente nas matérias especiais. Hoje, a Internet te informa, e cabe as publicações impressas oferecerem o contraponto, a segunda opinião, o detalhamento, a interpretação.
Sempre cito o exemplo da Gamers. Os textos de análise da revista na época de ouro dela (entre 1998-1999) eram o padrão que as revistas deviam seguir. Comentavam cada detalhe – da jogabilidade ao enredo – com uma linguagem simples.
Essa é a minha opinião.
SIM,
Desde que os editores e colaboradores levantem o traseiro da cadeira e corram atrás de informações.
Vejo vários eventos da Nintendo e da Microsoft acontecendo no Brasil e NUNCA vi o resultado em nenhuma revista de games. ( e olha que sou leitor assiduo de quase todas)
Quando encontrei alguns editores e cobrei algo do tipo, ouvi uma coversa: ” Não temos tempo de cobrir, mas se as empresas nos passam um release, claro que publicamos!
Quando o evento não tem comes e bebes na faixas os caras não tem tempo, se rola comida, bebida e estadia. Ai o tempo aparece na hora.
Fica ai meu protesto, ta na hora da cambada se mexer.
Se o Daniel nao ganhar o prêmio, o Pablito tá manipulando resultados… hohoho! =P
SIM
O mercado brasileiro ainda precisa sim de revistas de games, mas de uma maneira diferente da que era antes, agora as revistas precisam de conteúdo exclusivo, de textos com qualidade, e de uma melhor relação com o público, que as vezes é ignorado por alguns sites.
Isso sem falar da faca de dois gumes que é o imediatismo dos portais de internet. Nos sites a informação é dada de forma tão imediata que parece supérflua e deixa um vazio nos leitores. Por mais que tentem os sites não conseguem substituir a sensação gostosa que é esperar pela revista tão cobiçada que trará uma matéria sobre sua série favorita, ou o detonado daquele jogo difícil que lhe consumiu horas a fio. Folhear a revista e apreciar cada imagem, desde a capa até a última página, isso nenhum site conseguiu fazer até hoje.
O mercado editorial já cresceu e pode crescer ainda mais com o passar dos anos. Para garantir seu espaço as revistas precisam buscar novos caminhos e inovar, mantendo sua excelência.
Sim,
Eu acedito nas revistas de games como um segmento que ainda vai perdurar por muitos anos,desde que resgate a qualidade e traga inovações necessárias.
Sou sócio em uma loja de games e vejo o quanto é importante pra mim e meus clientes a mídia impressa,ainda mais dada a qualidade dos textos e análises dos jornalistas brazucas,que escrevem com uma paixão ímpar.
Já houveram muitas vezes em que eu encostava no balcão da loja não pra falar de games,mas sim das revistas de games,tanto as mais antigas quanto as que ainda circulam em nossas bancas.
Particulamente (e sem querer puxar o saco),considero o Pablo,o Fabão,o Gilsomar e o Trivella como o “Deam Team” do jornalismo de games no Brasil,e sou um dos raros exemplos que vão a banca e compram uma revista não pela marca que ela ostenta (EGM,GM,NW) e sim pela equipe de redatores que compõem o trabalho ali contido.
Esses caras já fazem parte meio que indiretamente da minha vida,pois são quinze anos jogando Games e lendo e relendo seus textos,e não me importaria de fazê-lo pelos próximos quinze anos…
Sim,
Eu acedito nas revistas de games como um segmento que ainda vai perdurar por muitos anos,desde que resgate a qualidade e traga inovações necessárias.
Sou sócio em uma loja de games e vejo o quanto é importante pra mim e meus clientes a mídia impressa,ainda mais dada a qualidade dos textos e análises dos jornalistas brazucas,que escrevem com uma paixão ímpar.
Já houveram muitas vezes em que eu encostava no balcão da loja não pra falar de games,mas sim das revistas de games,tanto as mais antigas quanto as que ainda circulam em nossas bancas.
Particulamente (e sem querer puxar o saco),considero o Pablo,o Fabão,o Gilsomar e o Trivella como o “Dream Team” do jornalismo de games no Brasil,e sou um dos raros exemplos que vão a banca e compram uma revista não pela marca que ela ostenta (EGM,GM,NW) e sim pela equipe de redatores que compõem o trabalho ali contido.
Esses caras já fazem parte meio que indiretamente da minha vida,pois são quinze anos jogando Games e lendo e relendo seus textos,e não me importaria de fazê-lo pelos próximos quinze anos…
SIM
O país está carente dessas publicações. Fora a EGM Brasil não vejo uma outra publicação multiplataforma com qualidade à altura da mesma, independente de internet. São mercados diferentes e há espaço para ambos, inclusive para mais uma revista desde que tenha qualidade.
É bom também para incentivar a concorrencia no mercado editorial de games, eu por exemplo, fui vitima da falta de concorrentes à EGM: era assinante de longa data enquanto a revista era publicada ( ou editada, não sei ao certo ) pela futuro comunicação, quando a nova editora entrou em seu lugar minha assinatura acabou e a mesma nem me comunicou ou tentou renovar minha assinatura, nada. Sou um assinante em potencial já da proxima publicação ( OLD! Gamer ) também porque prefiro ter minhas noticias pelas paginas de uma revista que pela net, desde que tenha qualidade e competencia para permanecer no mercado.
Eu que bebi muito ou tinha uma entrevista do GamesBrasil ontem aqui???
DEPENDE
Se as revistas continuarem com o formato que tem agora, é meramente uma questão de tempo até que desapareçam. Conteúdo sobre videogames é algo diário. Raros são os dias em que nada novo aparece. Uma revista mensal não tem como ficar a par de todos os acontecimentos. Para piorar, tenta-se colocar a maior quantidade de conteúdo possível em uma edição. O resultado é, muitas vezes, uma grande quantidade de nada. Algumas delas chegam a colocar até quatro análises por página… é absurdo achar que algo relevante será dito sobre um jogo em menos de dois parágrafos. Torna-se aquela crítica em que a nota vale mais do que o texto, como se o único objetivo da análise fosse dizer ao leitor o que vale ou não ser comprado.
No momento as revistas não apresentam nenhuma relevância. Tem conteúdo menor, menos contundente e mais atrasado do que o encontrado na internet. Ou elas mudam, ou desaparecerão.
Depende
Acho que como o Odair Braz Junior disse: “As melhores continuarão, só que com tiragens menores, com mais luxo e mais caras”, onde o conteúdo deverá ser centralizado numa coisa mais proficional, por assim dizer, pois pra que vou comprar uma revista que so fala sobre o jogo, dizendo somente como ele será e que dia, mês e ano que ele será lançado, é melhor ir na net e ver tudo isso, vamos encarar que não é bem gratuito assim… mas se você tiver internet acessivel pra que gastar mais com revista, não acha!? Então o modo de fazer jornalismo de games tem que mudar muito!!! Tem que se preucupar mais em reportagens, a lá revistas tipo Super Interessante, National Geografic e entre outras. Assim falando coisas que dificilmente alguem diria de graça, ou sem uma remuneração de imediato, buscando coisas além do convecional. Ou seja, acho que deve-se abolir revista de news de jogos, vamos encarar que é so isso que se vê! Previews, detonados e reviews isso tudo no Uol Jogos tem e ainda tem a coisa melhor do mundo a videoanálise, que se você tem dúvidas no que se lê, veja você mesmo. Há várias formas de mudar basta ter criatividade! Mas acho que revistas que nem essa OLD! Games pode dar certo pois foge ao convencional, como disse, não vai falar de coisas que facilmente encontra-se na net. Pode até não dar certo mas não poquê as revistas estão com seu tempo contado e sim poquê não foi bem o quê as pessoas queriam. Então acho a partir de agora qualquer tentativa será um tiro no escuro, se der errado mas não der um buraco enorme no orçamento, pode tentar outra! Basta ter labia pra convecer os superiores das editoras. Finalizando, então acho que se não tiver essas mudanças, pode até se segurar durante um tempo, mas vai desaparecer cedo ou tarde.
Revistas de games MUNDIAL tem que renovar!
[...] Fiz uma pesquisa aqui no site há uns meses, perguntando “Revistas especializadas em games hoj… Você foi um dos únicos que respondeu “Não”. Você ainda reforça essa opinião? Mantenho minha opinião, sim. A internet não vai parar de crescer e, uma hora ou outra, vai acabar engolindo as revistas. O que não quer dizer que elas não continuarão a existir. Vão continuar, mas em número menor e mais caras. Vai haver uma peneira de revistas e as boas vão ficar. Mas o mesmo vale para sites. Acredito que daqui pra frente, apenas os bons vão ficar. Acho que acabou aquela história de que “qualquer um pode ter um site”. Um blog acho que todo mundo pode ter, agora um site que funcione, tenha audiência, seja relevante, não é todo mundo que pode ter mais. [...]