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01/04/2009 - 17:41

Como Foi o Troféu Gameworld

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Bem, é melhor eu falar logo sobre o Troféu Gameworld, que o assunto já está bombando por aí. Ah, a rapidez estonteante da internet.

Para começar, o evento que rolou ontem foi bem legal – em se tratando de evento de games no Brasil. Aconteceu no Teatro Imprensa, aquele de propriedade do Silvio Santos (o “SS” impresso nas portas não deixava ninguém se enganar). A platéia estava tomada e havia demonstradores exibindo Wiis e Xbox 360s logo no lobby de entrada. Nas poltronas do teatro, os jornalistas de sempre (que sempre estão nos poucos eventos do gênero), os executivos das empresas (idem) e algumas dezenas de leitores-convidados. Platéia interessada, clima cheio de pompa.

Lógico, como todo evento de premiação, não foi perfeito. Houve gafes entre o que rolava no palco e o que era mostrado telão. O apresentador convidado, o impagável Carlos Eduardo Miranda (na foto ao lado, com o André Forastieri), segurou a onda na base do improviso e rendeu risadas nos momentos que o constrangimento bateu. No mais, foi bem divertido e caprichado enquanto acontecimento. Havia executivos estrangeiros na platéia (que não paravam de falar nem por um minuto), que garantiram os discursos em português cheio de sotaque (eles também deram as caras em videozinhos exibidos no telão – bem legal). E a distribuição de brindes através de sorteios garantiu o público sentado até o fim (eu mesmo, veja só, fui sorteado).

Em seguida, um coquetel de interação no saguão serviu para aquele“get together” de praxe. Os vencedores exibiam felizes seus trofeuzinhos enquanto pessoas de gravata trocavam cartões e faziam networking. O restante (eu incluso) se entupia de cerveja e canapés. Fofocar e falar mal da vida alheia era a ordem em cada rodinha. Não é pra isso que serve esse tipo de evento também? Mas tudo com muita parcimônia e bom-mocismo. O mercado de games brasileiro é, antes de tudo, feliz. Qualquer desavisado que chegasse ali naquele momento realmente acreditaria que estamos em franco crescimento.

***

Ah, sim: os vencedores do Troféu. Vou listá-los desordenadamente, da mesma forma que foram apresentados no palco (lembre-se que as escolhas dizem respeito aos lançamentos de 2008):

Melhor game para PC – Fallout 3

Melhor Mouse – Microsoft

Melhor Game para Download – Mega Man 9

Melhor Placa de Vídeo – Gygabite

Melhor Fonte de Alimentação – Coolermaster

Melhor Experiência Multiplayer – Littlebig Planet

Melhor Operadora de Celular – Oi

Melhor Produtora/Desenvolvedora – Capcom

Melhor Celular para Jogo – Sony Ericsson K850i

Melhor Jogo para Celular – Duke Nukem Mobile 3D

Melhor Jogo para PlayStation 3 – Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots

Melhor Jogo para Wii – No More Heroes

Melhor Jogo para Nintendo DS – Castlevania: Order of Ecclesia

Melhor Jogo para PlayStation 2 – Naruto: Ultimate Ninja 3

Melhor Jogo para Xbox 360 – Grand Theft Auto IV

Melhor Distribuidora de MMO – Gamemaxx

Melhor Distribuidora de Games – JPTech

Melhor Produtora/Distribuidora de Celular – GameZ!

Melhor Loja Especializada – UZ Games

Melhor Anúncio de 2008 – Cabal Online

Melhor Experiência de Compra – FNAC

Melhor Jogo de PSP – Crysis Core: Final Fantasy VII

Destaque de 2008 – Taikodom

Melhor Game do Ano – Fallout 3

Acho que não me cabe comentar os vencedores, porque a lista fala por si só. Escolhas feita pelo público sempre rende resultados bizarros (as mais recentes eleições para deputado federal são uma prova disso). E é preciso lembrar que certos resultados estão diretamente vinculados à campanha que cada empresa fez para ganhar mais votos. Ganhou quem realmente quis ganhar e chamou eleitores para si (no caso dos games premiados, venceram aqueles com mais fãs, não necessariamente os “melhores”). É assim que o processo democrático funciona. É por isso, imagino, que nem sempre as marcas mais conhecidas “top of mind” venceram.

Ainda falando sobre essas categorias digamos “alternativas” (“melhor fonte de alimentação”, “melhor experiência de compra”, “melhor placa de vídeo” etc.): por mais esquisitas que pareçam, acho que a existência delas é válida numa premiação como essa. Além de fazer parte do interesse da Tambor em promover esses possíveis anunciantes (afinal, o Troféu nada mais é que uma maneira assumida e festiva de fazer uma média com o mercado), esta é um bom termômetro de como esse público enxerga as marcas que utiliza (ou não). Se observada a lista de categorias fora do contexto, é bizarro mesmo; já analisando a indústria brasileira como ela é, faz sentido. Não temos aqui estúdios de desenvolvimento de grande porte, publishers super atuantes e produtores de game com status de superstar. Indústria de game no Brasil é sinônimo de polêmica sobre preços elevados, jogos piratas ou oficiais, impostos, lojas de pequeno e médio porte, esforços individuais, distribuição legalizada e contrabando. Aqui é Terceiro Mundo, não é o Pokémon, cantaria algum amigo de Mano Brown.

Há também quem reclame que um prêmio como esse não pode ser considerado a voz de toda uma indústria, já que está vinculado a uma única empresa de comunicação – não representaria, assim, o “todo”. Sendo bem honesto, eu acho que aqui é uma questão de oportunidade: como nenhuma outra empresa ou órgão se dignificou a bolar uma premiação semelhante até hoje, o Troféu Gameworld acaba por ser o evento bendito no mercado. Consequentemente, a Tambor se sente no direito de atribuir a si o mérito de ser “a maior premiação da indústria”. E no fim das contas é mesmo – afinal, é a única que existe. Mesmo assim, por conta disso, muita gente não aceita o prêmio como sendo “válido”, o que por si só é uma opinião aceitável. Talvez fosse mais singelo e simpático se o Troféu fosse descrito como “a premiação dos leitores das revistas EGM Brasil e NW”, mas não é bem o caso. Enfim, a vida não teria graça se as pessoas concordassem em tudo.

O André Forastieri, diretor editorial da Tambor, aproveitou a ocasião para lançar um novo produto da casa: o site E+GW – Entretenimento + Gameworld, que se propõe a ser um portal “70% games + 30% entretenimento”, cujo objetivo é mediar a maior comunidade de gamers da América Latina, com possíveis extensões para Portugal e Espanha. Projeto ambicioso. A estreia está marcada para primeiro de maio, daqui exatamente um mês (a url ainda não foi divulgada). O site será comandado por uma pessoa que há muito tempo está longe do jornalismo de games (quem lia a EGM há alguns uns anos pode até descobrir quem é).

E o fórum está aberto para as discussões. Pode falar.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

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12 comentários para “Como Foi o Troféu Gameworld”

  1. Forasta disse:

    Pablo,
    obrigado pelo gentil post… realmente tivemos umas boas trapalhadas com o DVD. Ano que vem a gente ensaia melhor!
    Agora, posso dar um pitaco?
    O argumento de que o Troféu Gameworld não seria válido ou confiável não é uma opinião válida, muito menos confiável. É dor de cotovelo da concorrência e nada mais.
    Desde quando é problema uma premiação ou evento estarem vinculados a uma única empresa de comunicação?
    O Prêmio Multishow é promovido pela Globosat. A Feira de Hannover pela Cebit. O APCA é dada pela associação dos críticos de arte paulistanos. A E3 é promovida pelo IDG, que tem sites e revistas de tecnologia e, nos EUA, de games. E por aí afora.
    Alguém tem que fazer as coisas, ué!
    Também me mostraram ontem um post de um cara aí dizendo que o evento é “comercial”.
    É claro que é. Como todo evento, como todas as revistas e sites. Custa dinheiro, e pretendemos ganhar dinheiro com o evento. Ainda não conseguimos. Mas naturalmente o prestígio que o Troféu Gameworld traz para a Tambor acaba gerando negócios para a empresa.
    Isso não quer dizer que a gente vende prêmio. Nunca fizemos, nunca faremos. E digo mais: quem duvida que compare a lista dos patrocinadores deste Gameworld com a lista dos vencedores.
    Contra fatos não há argumentos.
    Aquele abraço e meu muito obrigado para todo mundo que esteve lá!

  2. Pablo! Você se esqueceu de falar do coitado do repórter que ficou lá, abandonado, no escuro, no frio, fazendo a cobertura do evento (ao vivo) sem reclamar, comer ou beber. Quem falou que vida de jornalista é fácil ;P

  3. Pablo Raphael disse:

    Também não vejo relação entre a validade da premiação e o fato de ser promovida por uma empresa de comunicação. Os votos são do público, correto? Os resultados não estão a venda. E sendo o único evento do tipo no Brasil, nada mais justo que seus organizadores o promovam ao máximo, como qualquer outro promotor de eventos faria.
    Quem critica demais essa evento devia se mexer e promover outros eventos de games. É fácil falar mal e não fazer nada.

  4. Gus disse:

    “É fácil falar mal e não fazer nada.”
    Sim, não discordo e é por isso que o faço.

  5. Daniel Oliveira disse:

    Participei do evento, e também achei estranho alguns prêmios.

    Principalmente o vencedor da Placa de video, melhor desenvolvedora de celular e mais uma meia dúzia.

    Forasta, sinceramente. Tu pode falar o que quiser, mas alguns dos vencedores são no minimo estranhos.

  6. Pedro disse:

    Pior é ver o chefe da tambor tentar se defender de opiniões que ele mesmo diz que não são confiaveis. Pra mim é o mais estranho de tudo

  7. Alexandre Soares disse:

    Apesar de saber que F3 poderia ser eleito melhor de 2008 ainda não engoli a indéia, fala sério Little Big Planet, Metal Gear 3, GTA IV e até Super Smash Bros Braw são melhores, como o Pablo mesmo disse qdo o voto é do povo acaba virando uma votação de número de fãs, mais fazer o que, a vontade coletiva é soberana.

    Pelo visto o Miranda salvou a festa e eu achava que ia ser tosca a presença dele, queimou a minha lingua.

    Sobre quem vai comandar o site, acredito que seja a pessoa que se apresenteu no Blog da EGM, que eu fui procurar o post pra ver o nome mais o mesmo foi apagado. A época lembro que ele se apresentou como a pessoa que iria tomar conta do novo site de games da empresa. Eu comentei que seria besteira criar uma outra marca tendo o nome Game World tão difundido e dito e feito, pelo visto vai ser mantida marca, que uma certa pessoa construi (que continha inclusive um dos melhores podcasts de games, todo organizadinho).

    Nossa o Gus está ácido né, mas uma coisa tem de ser reconhecida, vc (Gus) e o Batalha marcaram época no mercado de games brasileiro, influenciando e muito o mercado, e criaram / introduziram um padrão de podcast sobre games, qq um hoje em dia é cópia fiel ao Audio Game.

    E pra quem gosta de Podcast como eu, o Prandoni (Haduken), o Brach (Continue) e o Lucas Patrocínio (GoLuk), lançaram o Podcast Triforce (não é um podcast sobre a nintendo, é apenas referência a junção dos 3 blogs para o podcast), um interessante cast (com alma Audio Game) vale a pena conferir.

  8. Caio Corraini disse:

    Aproveitei como ninguém o evento.
    Fui como mais um estudante de jornalismo, fanático por games, que viu uma oportunidade de apertar a mão dos comunicadores que produzem os textos que já leio a anos e mais anos.
    Cheguei, fui extremamente bem tratado por todos [[mesmo com o modo tiete ligado no máximo]] e acabei ganhando um “emprego” em meio a cervejas e salgados meio gelados.
    Melhor evento da minha vida! haha
    E obrigado de novo por ter tirado a foto comigo Pablo! [[consegui a com o Forastieri também e nem foi preciso usar a Master Ball ;) ]]
    Abraços!

  9. Leo De Biase disse:

    Meu convite nao veio……de novo. Apesar do Isac ter pego meu endereco e tal (tratante).

    To com voce Forasta, nego reclama e desce o sarrafo mas ta ai fazem 5 anos fazendo o unico evento de games enquanto um bando de aventureiro chegou botando banca, e foi embora com o rabo entre as pernas.

    Acho que os jornalistas de games brazukas deviam lamber os beicos de ter um evento desse por aki pois nesse eles podem ser chamados de popstars pois o mercado e pequeno e da pra se qualificar direitinho quem sao os feras do teclado em seus respectivos veiculos.

    Ao inves disso eles ficam pagando pau pra E3, GDC, tokyo show onde nao passam de uma formiguinha na multidao.

    Transformem os esforcos em meter o pau em coberturas maiores para que o evento cresca ainda mais e fique importante nao somente nacionalmente como internacional.

    e tenho dito hehehe

  10. Vinicios Duarte disse:

    Minha nossa, quanta bobagem… O__o
    Forasta, Leo… sério que vocês escreveram isso??
    Nós pagamos pau pra E3, GDC…? Como assim? EGS foi o melhor evento que já tivemos…. foi pequeno, mas foi extremamente competente!

    Ao meu ver, o problema está na utilidade do evento em si.
    De fato o Troféu Gameworld é em função do próprio umbigo. Que seja, ninguém tem nada com isso. E todo mundo quer ganhar dinheiro, certo? Mas é no mínimo estranho pro público geral, pros jornalistas, pros jogadores e até mesmo para as produtoras brasileiras, que estão aí ralando no nosso mercado sem um holofote sequer virado para elas.

    Premiação é sempre bem vindo, claro. Em especial quando tem algo a acrescentar ao mercado, e não somente aos próprios bolsos…

    Se vocês se encomodaram com as críticas, inclusive a do Pablo, por que não elaboram algo melhor pro ano que vêm? Se rolar, eu estarei presente e dando o maior apoio. Senão, lá vamos nós de novo falar mal do 6º Troféu Gameworld…

  11. Leo De Biase disse:

    Eu organizar um trofeu?
    Ta loco eu sou um zezinho gamer no meu canto aki cornetando quando posso hehehe

  12. Andre Lima disse:

    Concordo em tudo com o Pablo. O evento esteve um pouco distante da perfeição, beirando o amadorismo em certos momentos. Só não rolou aquela vergonha alheia básica porque o Miranda salvou a noite com sua tosquice e bom humor. E nem tô falando dos premiados, mas da própria cerimônia. Fui convidado entre os leitores e fiz questão de mandar e-mail pra Tambor, criticando umas coisas e parabenizando outras – afinal, foi muito interessante participar e tudo funcionou de uma forma bem distinta, principalmente graças ao clima desencanado da noite. Acima de tudo, é legal ver um evento como este em uma indústria que ainda está engatinhando aqui no país. E, independente das intenções e execução, eventos assim ajudam a criar, ao menos, a noção de indústria.

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