Reciclando
A GDC está rolando em São Francisco. Tem acompanhado?
Vou falar aqui sobre a tecnologia revolucionária apresentada pela OnLive assim que eu digerir melhor a idéia. É difícil dizer o que isso representará para o mercado e para a maneira como lidaremos com os games no futuro. Melhor não falar bobagem.
Tenho tantos outros temas para falar, mas o fechamento da Rolling Stone está me sufocando legal. Para não deixar você na mão, republico um texto que encontrei em meus arquivos. Escrevi há exatamente um ano para a revista EGM Brasil. Não sei bem se o que está ali ainda corresponde à realidade. Acho que em grande parte, sim. E depois você me diz se concorda ou não.
Logo voltaremos à programação normal..
Todo Dia é da Marmota
Sendo muito sincero, estou cansado.
Talvez a culpa seja da minha rotina estafante, da carreira atarefada ou da vida pessoal cada vez mais agitada. Ou de tudo isso ao mesmo tempo, vai saber? Mas o fato é que estou bem cansado do mundo dos games.
Antes de me enviar uma chuva de pedras por e-mail, explico. Não estou cansado de jogar games (será que tem algum louco no mundo que se cansa disso?). Estou é de saco cheio de explorar o assunto profissionalmente, como me acostumei a fazer nos últimos doze anos. O motivo é um só, e alguém aí há de concordar comigo: esse mercado anda chato demais.
Tento visitar quase diariamente uma dezena de portais e blogs na internet para saber o que rola de novo e interessante. Não faz muito tempo, tenho sentido que estou diariamente lendo as mesmas notícias. Grosso modo, tudo o que acontece atualmente me parece que já aconteceu antes, em doses diferenciadas, com nomes e números diferentes. E todos os sites reproduzem as mesmas informações de forma idêntica, e nem se dão ao trabalho de escrevê-las com outras palavras.
Vejamos as novidades da semana em que escrevo estas linhas. Vem aí um novo The Sims. E um outro jogo do Sonic, será que esse agora vai? Ah, e não dá para esquecer do próximo Street Fighter, o IV, e o novo Grand Theft Auto, também IV. E também vai rolar a seqüência de Bioshock, e de outras franquias que fizeram sucesso recentemente. No lado business da coisa, a Electronic Arts continua querendo comprar todo mundo (inclusive o seu carro, a sua casa, a sua coleção de gibis e por ai vai). Wii, Xbox 360 e PlayStation 3 ainda brigam por fatias adormecidas do mercado. E veja só, quem diria: mais um game estrelado pelo Super Mario bateu recordes de vendas.
Bocejo.
Admito que é complicado acompanhar esse mercado pelo lado de fora, e que isso contribui para essa minha falta de paciência com essa rotina. Nos tempos em que eu editava a EGM, essa relativa mesmice não me incomodava nem um pouco. Hoje, checando as notícias sem me envolver, sinto como se nada de novo acontecesse, ou se como se todos os dias fossem os mesmos. Sabe aquele filme com o Bill Murray, O Feitiço do Tempo, sobre o infame “dia da marmota”? Tenho a ligeira impressão de que se eu passasse três meses desligado de tudo, não perderia muita coisa. Estou exagerando ou sendo chato demais? Ou é só despeito de minha parte, já que não consigo mais me manter atualizado graças à insana velocidade com que as informações fluem atualmente?
Texto publicado na edição de abril/08 da EGM Brasil.
Notas relacionadas:

Concordo com você, nada mudou! E por tempos venho sentido essa mesmisse.
Essa GDC tá um saco. lembro da epoca que ela, E3 e afins eram bem mais emocionante. Hoje é tudo muito previsivel.
Bem, deixa eu ir lá terminar RE5, o que também só to terminadno pra ver que #$% vai dar…
Pablo, você está exagerando e sendo chato porque não está acompanhando “de perto”.
E Felipe, a GDC nunca foi emocionante, inclusive ela só se tornou um evento daonde saem notícias e anúncios há uns 2 anos.
E como se pode dizer que nada acontece e que tudo é previsível no mesmo post onde você cita o OnLive?
Pô, não dá pra você ficar chamando os jogos musicais de revolução e o caralho e depois chamar notícias grandes e significativas de mais do mesmo, não é, seu Miyazawa?
Eu quis causar, Gus. A contradição é a mãe do rocknroll. Tem tudo a ver (ou não) causar essa celeuma toda. Você sabe. Ou não.
Hmm, me parece que a sutileza desse seu rocknrollismo me pegou de jeito então.
O esquema é ser controverso e não contraditório. Saiba o que você pensa e deixe os outros saberem, mas não tente agradar ninguém. NUNCA.
Isso é “rock n’ roll”
Quando você usar os meus sapatos, saberá que ser controverso sempre pode ser um tiro no pé; Além de estragar os meus sapatos, você terá problemas. É importante equilibrar a controvérsia com a conivência. Saber dizer sim quando for importante. E não quando for possível.
E rocknroll é ser amigo de seus inimigos.
Esse seu manifesto a favor de levar na bunda sorrindo é de dar pena e tédio, mas que não explica sua viração de casaca NO MEIO do texto.
Ou você está ficando velho e senil ou não presta mais tanta atenção no que diz por aqui.
Não entendi seu ponto. Mas aceito seu comentário. Vou atribuir suas pesadas palavras à falta de experiência. Um dia você chega lá. Se quiser, eu dou uma força.
Sua ajuda?
Pra quê?
Editar uma mídia que está em seu leito de morte?
Aceite, eu sou o futuro, você…. É PASSADO!
E o presente é quem?
Se revista são passado e a internet é o futuro… o que é o presente? E tem mais… o que você está fazendo para transformar o futuro em presente?
Olha, muitos te dirão que tudo que fiz com o Audiogame, na Digerati empurrou muita gente pro futuro.
Inclusive o senhor que foi muito beneficiado pelos podcasts que EU produzi e agora COSPE NO PRATO QUE COMEU!
dom entra sala…
Quem legal chat
eu tb achei contraditorio esse post, mas nao posso negar que o pablo escreve muito bem.
hahaha. Eu não como mais em pratos.
WHAT DOES THAT EVEN MEAN?!?!!?!?!??!?!
É Pablo, felizmente ou infelizmente (talvez os dois) estamos na era do fim do jornalismo como você e todos nós entendemos (não estou falando só de games), as notícias são entregues da mesma forma na minha casa e na sua. A internet desmascarou jornalistas ctrl-c/crtl-v que tinham acesso a materias produzidos em todo mundo e simplesmente copiavam o texto, as idéias e todo o resto e posavam de gênios aqui na terrinha, qual articulista hoje que apresenta algum pensamento original em algum desses jornais/revistas ?
Tudo ficou mais chato ou o jornalista deve repensar a forma de se posicionar perante o trabalho dele ? Eu gostaria de mais opiniões e menos notícia, gosto do trabalho do Dan Hsu no Sore Thumbs, gosto quando ele fala sobre os bastidores da notícia…
Bem…de qualquer forma eu gosto muito do seu trabalho e espero que encontre novas inspirações para continuar o trabalho com Games.
Concordo com seu texto, Pablo. Só que comigo o problema é maior e pior, não consigo mais me interessar pelo o que é produzido no mercado. Ficou tudo tão óbvio, repetitivo e chato que não sinto tesão em utilizar parte do meu tempo em algo que não acrescenta uma experiência realmente transformadora; como deveria ser uma mídia interativa; resumindo-se apenas como um passa tempo muitas vezes mecânico e previsível, sendo portanto mais vantajoso utilizar uma mídia passiva como cinema ou literatura pois essas pelo menos avançam e exploram seus limites, coisa que os games ainda não fizeram, ou pararam de fazer. É triste mas ainda tenho esperança de que isso mude.
Quanto à OnLive, acredito que possa ser uma baita revolução pra chacoalhar esse mercado hermético e previsível, onde uma plataforma única de fácil acesso tanto a consumidores quanto autores de conteúdo poderia concentrar os esforços na produção de idéias, desenvolvendo assim a linguagem sem os limitantes entraves que existem hoje. Mas para isso ser um sucesso essa empresa teria que ter muita capacidade para dar conta do recado e tenho dúvidas que isso corresponda à realidade. Apesar de no papel a coisa ser muito bem planejada e fantástica, seria necessária uma estrutura monstruosa para que o sistema funcione sem pisar na bola. Mas nada impede que venha um Google da vida e compre a idéia (e as patentes hehe) e aí sim a coisa ficará muito interessante. Tô começando a achar que foi para isso que divulgaram tudo; a oportunidade para players que estejam querendo entrar nesse mercado é grande e única.
Este texto é do ano passado? hahaha eu li essa parte só depois pq estranhei o “vem um novo gta, tb IV’ , mas até então dava p/ achar q havia sido escrito ontem. Acho que isso já responde sua pergunta.
Nossa a discução ficou feia, para com isso, ainda mais em público né, tem umas coisas discretas pra ter esse tipo de conversa a distância tipo Telefone, mais recentemente inventaram uma coisa revolucionária um tal de ICQ, e ta surgindo um tal de MSN.
Concordo em partes no aspecto que o mercado não inova mais, sempre caindo na mesmice. Mas acho que o mercado de games está saturado de determinados gêneros de games e que isso deve mudar.
Eu gostaria muio de trabalhar com games, ter uma profissão semelhante a sua mas eu não posso, já que sou formado na área jurídica.
Mas eu dia eu penso em montar uma humilde locadora de games.
Abraços Pablo!
Não sei ainda o que pensar sobre o OnLive. Estou curioso para saber o que público geral está achando, até agora o que vi foi completo ceticismo, o que é bem compreensível. A ideia me assusta na verdade… parece futuro demais.
Não é exatamente a indústria que não tem novas notícias. Acontece que na maioria das vezes o que vira notícia é o que não é novo. Tem um monte de coisas diferentes e intrigantes aparecendo por aí, mas quase ninguém se dá ao trabalho de olhá-las. O porquê, não sei. Talvez por serem diferentes mesmo.