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05/02/2009 - 21:55

Proximo Games: os planos para o Brasil

Hoje, almocei com a comitiva da Proximo Games. Kevin Baqai, o diretor de desenvolvimento de negócios, estava acompanhado de seus associados – entre eles, o diretor de franquias Sunil Dewan – que gastaram uma boa hora me explicando suas intenções para o mercado brasileiro de games em 2009 (e nos anos vindouros, esperamos).
Eu também gastei boa parte do almoço falando sobre minhas impressões a respeito da cabeça do consumidor brasileiro – pelo menos, o consumidor que Baqai quer atingir com suas lojas. A conversa foi bem produtiva para ambas as partes e, pelo menos no meu caso, esclareceu bastante o que a Proximo Games enxerga no Brasil (ele já havia adiantado boa parte das intenções nesta entrevista que fiz em outubro passado), e o que essa rede espera apresentar de diferente. Vou dividir em tópicos, porque as conclusões são extensas:

***

- Kevin e sua comitiva estão passando por várias cidades e conversando com diversas pessoas de áreas distintas. Representantes de redes de lojas, publishers de games, empresários, associações e a imprensa (no grupo em que eu deveria me encaixar). As reuniões servem para várias coisas: 1. marcar território; 2. compreender o funcionamento da burocracia brasileira; 3. pegar exemplos de casos funcionais e não-funcionais; 5. captar possíveis franqueados; e 5. procurar o local ideal para a abertura da primeira loja Proximo Games no Brasil.

- Aliás, é bom ressaltar: a pronúncia é “Proxímo”, com tônica no “i” – pelo menos foi assim que Kevin repetiu ao longo do almoço. Duvido que alguém aqui irá falar desse jeito… vai ficar “Próximo” mesmo – ainda que não tenha acento agudo (aliás, este blog ainda não se acostumou às novas regras de ortografia da língua portuguesa. Se encontrar alguma falha, me perdoe). 

- Perguntei a origem de Baqai, algo que me intrigava: em inglês com leve sotaque, disse que nasceu nos Estados Unidos (na Califórnia), mas os pais são naturais da Índia. A fala era mansa, e os modos, bem educados – características não tão típicas de um empreendedor com grandes ambições O projeto da Proximo é antigo em sua vida – idéia foi dele e do irmão, o CEO Bobby Baqai. Seu diretor de franquias, Sunil Dewan, um sujeito simpático e bem articulado e aparentemente bem rodado, também tem origem indiana. Os outros funcionários que nos acompanhavam, Salvador e Thaila, são brasileiros legítimos. Sim, a Proximo já tem diversos funcionários locais. O escritório da empreitada, aliás, fica em Curitiba, capital do Paraná.

- Sobre a loja: antes de começar as franquias, os homens da Proximo têm a intenção de abrir uma grande loja eles mesmos. Essa “megastore” serviria como expeirência e também como uma espécie de showroom da empresa, mostrando aos interessados em abrir franquias o “jeitinho Proximo” de operar. Ao mesmo tempo, é uma maneira de eles demonstrarem que estão investindo no mercado brasileiro, e não apenas vendendo franquias. Eles não quiseram dizer onde exatamente abrirão a tal loja, se será em shopping ou na rua, nem a data de inauguração. Mas dá pra adiantar que: algo deve acontecer nesse sentido pelo menos em 90 dias; e que não será necessariamente em São Paulo, um mercado, nas palavras de Kevin, já muito saturado e não tão apropriado para testes. A declaração oficial é “ainda não escolhemos o local”, mas eu tenho um palpite forte. Alguém adivinha?

- Sobre franquias: você deve entender como funciona. Toda loja do Starbucks no Brasil é uma franquia. Do Burger King também. E tem a Casa do Pão-de-Queijo, pra dar um exemplo nacional. O interessado na franquia paga uma grana para ter o direito de utilizar a marca e a estrutura da matriz, além de também repassar parte dos ganhos mensais. Estamos acostumados a franquias de todo tipo no Brasil, especialmente na área de restaurantes. Mas de lojas de games, não. As lojas da UZ Games são de um único dono/investidor, assim como as duas lojas Gamers existentes. O que a Proximo pretende é vender a marca e a “expertise” para pessoas interessadas em abrir uma loja de games.

- Havia a lenda de que eles pretendiam transformar lojas de games já existentes no Brasil em lojas com o “selo” Proximo Games. Kevin me adiantou que não é exatamente o caso. A intenção é abrir as lojas “from scratch”, ou seja, “do zero”. No meu entender, eles devem achar complicado modificar a cabeça de um dono de loja já acostumado aos esquemas tradicionais de grande parte das lojas brasileiras. Ao mesmo tempo, disseram que é legal o candidato a franqueado ter experiência prévia no ramo.

- Eles também repetiram que a intenção não é intimidar as lojas que aqui já existem, e sim “ampliar o mercado”. Nas palavras do diretor de franquias, “há dez anos, as pessoas comiam menos fora. Hoje, há muito mais opções, e gasta-se muito dinheiro com isso. A chegada de tantas franquias fez as pessoas aumentarem o consumo. O mercado cresceu”. Isso se aplicaria também ao mercado de games. Para a Proximo, se o mercado tiver um monte de novas lojas, as pessoas irão começar a consumir mais. Será?

- Planos e números: abrir muitas lojas nos próximos anos. “Muitas” significa… muitas mesmo. Na casa da centenas. Pelo Brasil todo, a começar pela região Sul e Sudeste (Paraná, Rio, Minas Gerais, São Paulo). Parece exagero? Os caras não parecem estar brincando. E falaram bem claro que, na América Latina, o Brasil “é a coroa”, ou seja, é o objetivo principal da empreitada. Nem dava pra ser diferente, dava?

- Sobre as lojas em si: Baqai deixou claro que é impossível competir com o “mercado cinza”, ou seja, aquelas lojas que não sofrem com a carga tributária (porque vendem produtos contrabandeados) e conseguem entregar ao consumidor um preço bem mais baixo do que o das lojas “grandes”. Mas ele promete algo moderado: em outras palavras, não tão caro quanto o que é vendido em lojas de shopping, nem tão em conta quanto o que se encontra na Santa Ifigênia. Isso se daria porque a Proximo já possui relações com as publishers e compraria os produtos direto delas, eliminando do processo, assim, intermediários (como a NC Games e a Synergex). O jogo chegaria ao consumidor final a um preço reduzido. O que não quer dizer exatamente barato – principalmente com o dólar do jeito que está, e com os impostos elevados como sempre foram. Afinal, este é o Brasil, e, pelo menos nesse sentido, está tudo como sempre foi. E a Proximo, eles garantem, pretende seguir a cartilha obrigatória das leis brasileiras.

- E tem aquela história da “experiência diferenciada” que o consumidor terá numa loja da Proximo – tecla também apertada pelo pessoal da Gamers mexicana. Será possível testar tudo em um ambiente familiar e amigável, com atendentes solícitos e bem treinados. Disse a eles que isso, na minha opinião, deveria ser pré-requisito de qualquer estabelecimento comercial que se preze. Eles concordaram, e incluiram que toda loja Proximo funcionará seguindo preceitos básicos contidos em um enorme manual. Todo franqueado terá, via de regra, que seguir os mandamentos do tal manual – maneiras de atender o cliente, de lidar com o estoque, de abrir e fechar a loja, e por aí vai.

***

O almoço acabou mais tarde que o esperado (culpa minha, cheguei atrasado), o que obrigou o grupo a correr em disparada para o compromisso seguinte: um encontro com algum representante de uma grande cadeia de lojas brasileira. E as reuniões continuam amanhã. Nos últimos sete meses, Baqai visitou o Brasil em três ocasiões. Desta vez, o objetivo era ver, falar e, principalmente, ouvir. Na próxima, provavelmente, será para anunciar alguma coisa: a inauguração da primeira loja, se tudo correr conforme os planos. É esperar para ver. Vamos acompanhar. Continue aqui.

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,

11 comentários para “Proximo Games: os planos para o Brasil”

  1. A verdade é que, enquanto não houver incentivos fiscais do governo a essa indústria, a venda formal de hardware e software jamais decolará por aqui.

    Quanto à reforma ortográfica, Pablo, “próximo” continua com o acento. Só perderam a acentuação as paroxítonas com ditongos – tipo jiboia, geleia, ideia, heroico, debiloide, etc. :)

  2. Pablo disse:

    Valeu, Budrush!

  3. Alexandre Soares disse:

    Como o Gus costuma brincar, foi bom o “suborninho”?

    Brincadeiras a parte, achei legal a iniciativa deles e dizerem que se importam em treinar os seus funcionário e coisa e tal, isso realmente conta ponto e muito, mais no final o que realmente pega são os preços.

    Agora começamos a falar frenquentemente na “Indústria Cinza”, o que ao meu ver já é um pequeno-grande avanço na conciência gamer, po a 10 anos atras falar em pirataria estava começando, a maioria esmagadora não via nada demais em jogos piratas, pelo contrário tinha muita revista falando qual o melhor Mod-chip para destravar o seu console, hj, mesmo os que ainda praticam esse lamentável crime, acredito eu, que já entendem o quão maléfico isso é pra indústria nacional. Agora começamos a dar um outro importante passo o fugir do contrabando para as grandes marcas perceberem, caramba eu exporto jogo de monte praquele país eu vou é começar a vendar lá diretamente. Quem sabe tbm não tenha-mos essa conciência um dia, pois nas revistas, sites e pod-cast a Santa Efigenia (e correlatos) ainda são muito cultuados hj em dia. Um dia chegaremos lá, eu pelo menos já faço a minha (dolorosa) parte. Tudo bem que compro 2 no máximo 3 jogos por ano, mais acredito estar fazer a minha parte.

    Sobre “não tão caro quanto o que é vendido em lojas de shopping, nem tão em conta quanto o que se encontra na Santa Ifigênia. Isso se daria porque a Proximo já possui relações com as publishers e compraria os produtos direto delas, eliminando do processo, assim, intermediários (como a NC Games e a Synergex)” Todos dizem a mesma coisa, o Pablo esqueceu de citar a Gamers, lembro muito bem as 3 com o mesmo papo de vender a um preço um pouco mais barato que o praticado pelas grandes e no final das contas é tudo preço tabelado maior cartel.

    Caraca acho que nunca escrevi tanto num comentário.

    PS. sobre a nova ortografia faça que nem eu se proponha a se adaptar a ela assim que o corretor de textos do World estiver adptado (se bem que o do Br.Office já está, ponto pra indústria Tupiniquim e do Código Aberto).

  4. Alexandre M. disse:

    Como o meu xará Alexandre já disse, essa história de que os preços serão mais baixos devido as relações com as publishers, não dá pra botar muita fé. Entretanto, acho muito legal que o mercado esteja se expandindo, mas espero que essas diferentes redes de lojas se diferenciem umas das outras. Afinal, variedade nem sempre é qualidade quando cada empresa é um clone da outra.

  5. Zitosilva disse:

    Muito legal essa iniciativa da Proximo, com certeza, quato mais coisas desse tipo aparecerem por aqui, melhor será para nós. E muito bom o texto, também ando apanhando da nova ortografia.

    Entretanto, por melhor que seja a iniciativa, isso não vai alterar os dois maiores empecilhos para que a indústria cresça aqui: os preços e a metalidade dos compradores.

    A parte dos preços é óbvia. Por mais que eles digam que tenham preços mais “camaradas” com certeza ainda estarão muito acima daqueles que encontramos em lugares como a citada Santa Ifigênia. Além disso, mesmo com o atual preço do dólar, ainda sai mais barato importar jogos. Mesmo porque existem vários e vários sites que oferecem custo de frete baixíssimo e conseguem sempre burlar qualquer fiscalização da alfândega. De isso todos nós sabemos.

    E quanto a mentalidade, quero dizer que é necessário um incentivo contra a pirataria muito maior do que o que existe no momento. Nada dessas propagandas que nos trazem mais risadas do que conscientização. Mesmo no melhor dos cenários, imagine que conseguíssemos comprar um jogo original por cerca de 100 reais. Quantas pessoas ignorariam isso completamente porque o pirata ainda custaria 15?

    Novamente, acho a atitude da Proximo louvável. Mas enquanto essas duas coisas não mudarem não consigo ver a loja tendo toda essa expansão que pretende cosneguir.

  6. Jorge Polo disse:

    Esse parece ser o projeto mais animador em algum tempo, com essa idéia de “quantidade”. Acho que é uma boa linha de pensamento. No Rio de Janeiro, por exemplo, há pouquíssimas lojas de games. Em cada shopping grande tem uma, é verdade. Mas são sempre naquele esquema: quer algo, fale com o atendente e compre. A fnac é uma das únicas que deixa o cliente pegar nos jogos e tal. Acho que eles tem mesmo que expandir o foco para fora de São Paulo.

  7. Não acho boa a iniciativa. Acho ótima!

    Realmente não dá pra botar fé na promessa dos preços, afinal, eles precisam ter lucros e com o dólar lá em cima todo mundo sofre. Mas só de saber que há uma empresa séria, disposta a realizar um trabalho sério e assumir um compromisso conosco já temos motivo para comemorar por um bom tempo.

    Só espero que as pessoas mostrem responsabilidade e retribuam a confiança e esperança depositadas. Afinal, de que adianta os caras abrirem uma centena de lojas mas o camarada que se diz gamer fervoroso ainda preferir comprar o “piratão do mal”? Reclamar que o mercado de games no Brasil não é lá essas coisas é mole, o difícil mesmo é botar a cara e começar a agir pra melhorar a situação. É esse tipo de atitude que acho que falta em muitos de nós, gamers.

    Quanto a nova franquia, eu aposto ( e tomara que esteja certo) no Rio de Janeiro. Deus sabe o quanto precisamos de uma loja séria por aqui.

    Enfim, parabéns, Pablo, ótimo texto. Você e o GamerBr continuam sendo uma das mais confiáveis fontes de notícias de games da internet brasileira. Falo isso porque tú postas apenas o interessante. Não se atem apenas a fotos, vídeos e notícias relâmpago que pipocam os diversos sites do ramo.

    E vamos acompanhar…

  8. Adonis kill disse:

    Eu não sou o tipo de cara que se possa chamar de Otimista, mas me pego sonhando com esse mercado prospero de games sempre que ouço essas noticias de investimento no país. Sobre o fato de a Proximo Games deixar de lado A NC Games, nossa eu acho isso maravilhoso, pois quem gosta daquele manual porco da nc games? onde tem um papel mal impresso apenas com os comandos do jogo, como se fossemos pagar a mais por aquela coisa feita num quintal qualquer e ainda colam aquele adesivo ridiculo no plastico da capa que dá um trbalho enorme para tirar.

  9. [...] Brasil, quase sempre lá atrás em prioridade para as Distribuidoras/Produtoras de Games pelos impostos e burocracia, está bem [...]

  10. [...] só falta esperar também pela Proximo Games. Se os preços deles forem no mesmo patamar (ou quem sabe abaixo!) dos preços cobrados nos sites [...]

  11. Boa tarde mestre Pablo,

    Desejo sinceramente as boas vindas para a Próximo Games, a variedade vai beneficiar o consumidor final e fomentar a indústria brasileira de games.

    Em resposta para este link enviado pela Select Game, quero dizer que os preços comparados foram apenas os mais elevados, lembrando que naturalmente temos preços inferiores, como já foi comentando no próprio Blog do Rodrigo Flausino, é comparar para ver.

    Deixo meu e-mail para qualquer sugestão ou crítica.

    rodrigo.carlomagno@gamestown.com.br

    Abraços!

    Rodrigo Carlomagno
    Ger. Mídias Sociais
    http://www.gamestown.com.br

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